sexta-feira, 8 de abril de 2016

Como é o desenvolvimento do médium umbandista?

Jornal Umbandista Açores Portugal: AS 25 REGRAS DE UM UMBANDISTA:

Embora essa questão seja bastante específica e a resposta varie de terreiro para terreiro, aliás como a maioria das questões, explanarei algum pontos que julgo importantes.
Em primeiro lugar é fundamental uma avaliação do médium com relação a Umbanda e suas próprias aspirações. É fundamental que o médium esteja absolutamente certo de que é isso que deseja para si, para sua vida. Que entende a Umbanda como uma forma de evoluir e não de resolver seus problemas.
Em segundo lugar vem a Casa que ele escolhe para realizar esse empreendimento. A Casa deve estar o mais próximo possível do que o médium entende, acredita e deseja para si. É fundamental que seja uma Casa séria e comprometida com a Caridade, ou seja, que seja realmente de Umbanda.
As diferentes ritualísticas da Umbanda servem exatamente para atingir as diversas aspirações.
O médium deve, portanto, escolher com muito cuidado a Casa que irá tornar sua, pois ela deverá ser o sustentáculo físico, a provedora de oportunidades para a consecução dos objetivos de caridade, fraternidade e evolução, pois o sustentáculo espiritual é a própria Umbanda.
Freqüentar a assistência assiduamente, observar, envolver-se, estudar… até ter certeza de que ali é o seu lugar.
Cada Casa tem um critério para ingresso na corrente mediúnica, procure saber qual é.
Ao ingressar para corrente, deverá seguir as orientações recebidas pelo dirigente ou pessoas a sua ordem.
Entender que não será apenas umbandista dos portões para dentro do terreiro, mas sim de coração, corpo e alma. Deverá dedicar-se, educar-se, doutrinar-se sempre segundo as orientações recebidas pelo dirigente. A sua conduta moral deverá ser constantemente vigiada, deverá lembrar-se que ao apresentar-se como umbandista fora do terreiro, terá a obrigação de honrar esse nome.
Participar de todas a sessões abertas aos médiuns novos, estudar com afinco e buscar sempre melhorar seus pensamentosdesejos e vontades. Buscar constantemente evoluir, para assim poder preparar o seu corpo e mente para ser um bom instrumento de entidades e guias que estão num patamar evolutivo muito superior ao nosso.
Buscar tudo isso irá facilitar a incorporação das entidades. Entregar-se de corpo e alma verdadeiramente. Não sentir medo, não querer correr.
É fundamental lembrar que é um momento de adaptação, onde tanto médium quanto entidade estarão se adaptando. Não pode haver pressa, pois “A pressa é inimiga da compreensão“.
Agora, se você deseja saber em quanto tempo você estará incorporando, dando passes e consultas, eu respondo que só dependerá de você, da sua dedicação, empenho e preparo, seguindo sempre as orientações do dirigente da sua Casa, ou seja, da Casa que você escolheu.
O conto

Pai Benedito de Aruanda:

Estou caminhando em um jardim de girassóis, o céu azul, pássaros cantando... tudo está em perfeita harmonia.
Não há mais dor, medo ou receio.....onde estarei? Será que é isso o que chamam de paraíso?
De repente ouço um som seco, de batidas leves e curtas, acompanhado de um aroma adocicado que não consigo identificar, mas parece ser tabaco com algum tipo de erva. Ao fundo escuto uma música ritmada e atabaques.
Com pés descalços, sinto toda a energia do lugar, como se eu fizesse parte da terra, do ar, da água.
Uma voz ao longe me chama:
"-Fio, está na hora de vortá"- a voz calma e serena me pede. Nesse momento a luz do sol se intensifica, e como acordando de um sonho, abro meus olhos devagar.
Na minha frente, um homem está sentado em um banquinho, com um cachimbo na boca e estalando os dedos.
Percebo que também estou sentado em um banco e sem que eu tenha controle, lágrimas começam a brotar de meus olhos. Não posso precisar por quanto tempo chorei, mas fui me acalmando à medida que bebia água que alguém havia me servido.
Aos poucos fui me lembrando onde estava, eu havia ido buscar ajuda em um terreiro de Umbanda e diziam que naquele dia quem estava atendendo eram os pretos- velhos.
O homem tornou a falar, e embora tivesse no máximo 40 anos, sua voz soava como um velho ancião. Parecia cansada e baixinha:
“-Fio, ucê gostô do passeio?” ele disse, com um leve sorriso.
-Que lugar maravilhoso era aquele? Onde estive? - perguntei, tentando me agarrar à lembrança que aos poucos se dissipava.
“- Ucê caminhô pra dentro de seu coração, ucê viu sua alma.”
Pensei por um instante em suas palavras, e de como não fizera sentido. A minha vida até aquele momento tinha sido uma seqüência de erros, cheia de amarguras e decepções. Eu achava que se realmente tivesse uma alma, ela estaria perdida em um pântano de sofrimentos.
O homem a minha frente, como se lesse meus pensamentos, pegou em minha mão. Nesse momento algo estranho aconteceu. Levantei os olhos, e quem estava a minha frente não era mais um homem branco, calvo e gordinho. Em seu lugar estava um senhor idoso, magro, negro e de barbas brancas. Seus olhos eram tão doces, que a mudança não me causou espanto, pelo contrário, senti uma paz interior que nunca havia experimentado antes.
Ele disse:
“- Fio, o inferno que ucê vive agora está do lado de fora e não ai dentro. Foi ucê que ao longo do tempo construiu cada tijolinho de sua vida. Com amor, com ódio, com prazer, com a dor, com as esperanças e com as desilusões. E foi ucê também que cercô seu casuá com muros altos, e não permitiu que ninguém se aproximasse. E depois curpô o mundo por suas desgraça.
Não foi fio?” Perguntou-me enquanto baforava uma fumaça que tinha o mesmo aroma que eu tinha sentido antes.
Eu não soube o que responder, ele estava certo. Esse homem me conhecia melhor que eu mesmo.
Ele continuou:
“Esse negô véio nasceu com algemas, vivi a vida toda acorrentado, hora pelos pursos, hora pelos carcanhá. As veiz dormia com as feridas aberta, no chão gelado e com a barriga vazia.
Sabe o que fazia o negô aguentá isso tudo? A certeza que isso acabaria, que esse sofrimento não seria eterno.
Quando desencarnei, fui recebido nos braços de minha mãe Yemanjá, ela curou cada ferida da minha alma e depois apercebi que cada tristeza, cada dor, cada lágrima que derramei se tornô um grão de areia perante a grandeza e a beleza do mundo espirituar.
Ucê tá vendo arguma algema no meu purso agora fio?” Perguntou-me levantando os braços.
"-Não vejo nenhuma." Respondi.
“-E no seu purso fio, tem arguma algema?” Segurou meus braços no alto.
-"Também não". Respondi meio encabulado.
“- Então fio, porque ainda continua preso? Ucê é livre fio, não deixa seu medo e sua auto-piedade  acorrentá ucê.
Deixa que esse jardim que ucê carrega, floresça pra fora de sua alma, porque esse é ucê de verdade.”
Refleti suas palavras por um momento e compreendi o que aquele ancião tão caridoso havia me transmitido.
-Pode ir agora fio, tô vendo que o saco de pedras que ucê entrou carregando não existe mais.
Vá em paz e que Jesus Cristo acompanhe ucê.
Levantei-me do banquinho, me sentia mais leve, quase podia flutuar.
Já me dirigia à porta de saída do terreiro quando olhei para trás, num gesto de agradecimento velado, mas para meu espanto quem estava sentado era o homem branco e calvo que eu havia visto antes quando entrei.
Não posso explicar racionalmente tudo que vivi nesse lugar. Como se descreve por palavras o amor incondicional?
Mas sei que estou saindo uma pessoa muito melhor do que quando entrei.
Dedico esse pequeno conto à todos preto-velhos e pretas-velhas. Seres de luz que conseguem enxergar além de nossa mesquinharia e egocentrismo, trazendo à tona nossa essência divina.
Fabio Vieira


Círculos da Vida


Um momento de imprudência, um pensamento sem reflexão, um ato criminoso... um segundo para cair; um século para levantar. Pobres homens que pensam que sabem o que pensam, que pensam que sabem o que fazem, que pensam que sabem...
Em seus mundos fechados, são perfeitos em suas concepções egocêntricas, individualistas, onde seus reflexos soberbos ofuscam os olhos e as mentes dos escravos de seus sistemas indigestos, confusos... Predadores da universalidade de idéias e rompimento de velhos dogmas religiosos. Sim, são perfeitos em seus mundos habitados por seres que dormem enquanto agem, mal sabem que toda esta lucidez e esperteza que pensam que têm, também é um sonho em suas mentes dormentes, enquanto agem inescrupulosamente e possuem “total” domínio da situação, mas não tardará virar um pesadelo – ou já virou.
Nem sempre vão ser os senhores de tudo e de todos, aliás, nunca foram, apenas em seus egos vedados pela ignorância e descaso das coisas que não podem ver com seus olhos materialistas e sentir com seus corações petrificados. Um pesadelo real, um encontro consigo mesmo. Teriam coragem de se encararem? Milênios de vidas assim, em um círculo desenhado em uma folha branca de papel, amassada... Cai ao chão sem terra firme, pura lama. As leis do universo não são falhas. Então surge um fio de luz: - Mas espere aí, alguém desenhou este círculo, então quer dizer que existe alguém ou algo além destas paredes ilusórias. - Porque estamos aqui dentro? - O que fazemos aqui? - Quem somos realmente? - Seria possível sair deste círculo?
Aprender e evoluir como espíritos que somos saindo de nossos círculos cerrados, desintegrando formas pensamentos negativas que criamos e fixamos em nosso campo vibracional rebaixando nossa freqüência, nos desmotivando, causando diversos males. Querer saber (a verdade), e o saber ousar (para conquistar a serenidade e equilíbrio espiritual e conseqüentemente material),  levantar a bandeira de união das múltiplas moradias cósmicas no universo e todas as formas de vida que lá se encontram em união incondicional. Sendo uno (com sua individualidade que é própria) e ao mesmo tempo multidimensional (irradiando sua beleza interior para todas as direções e dimensões). Liberdade, desapego, abertura.
Guerras religiosas, fanatismo suicida, “mestres” corrompidos, discípulos das trevas, um desperdício, uma barbárie, frente a grandeza de uma simples intenção verdadeira e sem disfarces, geradora de harmonia e vida. Pequenas coisas que criamos e alimentamos durante séculos, podem às vezes se tornar maiores que nós mesmos se não termos esta compreensão, esclarecimento e solidariedade.
Uma vista para o mar, que belo é o mar..., bem como o sol que banha-se em suas águas frescas e enquanto o tempo passa, expande ainda mais a sua luz. Façamos como o sol, banhemo-nos no mar dos sinais que a espiritualidade superior nos deixa no caminho, façamos bom uso, e a luz preencherá o nosso recanto de inquietudes.
Karma


O Karma é a grande lei que preside a criação. Ela rege a absoluta harmonia do cosmos, nos seus mais ínfimos detalhes. Se houver desarmonia em qualquer recanto do espaço, esta grande lei sofre a interferência de uma outra - secundária, mas independente: a Lei da reação que obriga tudo voltar ao seu lugar, em imenso processo de reajuste harmônico. Conjugadas essas duas leis cósmicas constituem o princípio da evolução. Quando o Homem se desvia da lei da Harmonia, deflagra o caos em si próprio e ao seu redor, torna-se satânico.
RESGATE KÁRMICO
1- Conhecimento da desarmonia produzida
A "dívida" deve ser resgatada até o último centavo . Para que seja paga, é preciso que o devedor saiba o valor dela e ele sabe ,todas as experiências positivas ou negativas estão armazenadas, as atuais no seu cérebro físico e as de vidas passadas (todas) na sua memória espiritual. Seu espírito Imortal conhece seus créditos e seus débitos.
2- Aquiescência em resgatá-la
Em certo momento da evolução, o homem sente a necessidade de harmonizar-se intimamente, a energia negativa acumulada na memória espiritual o obriga a dar um novo rumo a sua existência. A felicidade antes buscada de forma egoísta e agressiva que gerava dor, agora é substituída por uma resignação, que é na verdade a vontade de resgatar a dívida de forma correta perante a justiça Divina.
3- Valor da desarmonia
Todas as desarmonias em que as criaturas se debatem constituem o sofrimento passivo através do qual elas tomam conhecimento do processo kármico.
Geralmente se pensa que é pelo sofrimento que o homem resgata os males que praticou em seu passado remoto. Redondo engano! O sofrimento apenas dá a medida dos erros cometidos, jamais serve de moeda para pagamento de qualquer culpa, Deus seria então um sádico?
A dor é mero indicador. Ela apenas aponta o quantum de desarmonia praticada: por meio dela o ser humano aprende que não deve lesar o seu semelhante. O sofrimento, portanto é educativo; serve como experiência para que erros não se repitam. Em suma, a dor ensina o amor.
4- Ressarcimento
E só existe uma moeda, no universo, para o pagamento de qualquer dívida, o amor.

CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES
Remontando à fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitos são a conseqüência natural do caráter e da conduta daqueles que sofrem. Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas da sua imprevidência, do seu orgulho e da sua ambição! Quantas pessoas arruinadas por falta de ordem de perseverança, por mau comportamento ou por não terem limitado seus desejos! Quantas doenças e aleijões são efeito da intemperança e dos excessos de toda ordem!

CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES
Aqueles males que acometem pessoas que nesta vida nada fizeram para merecê-los, são com certeza originados em vivências passadas, se não tem este indivíduo a consciência física do mal que praticou, tem a espiritual, e esta dor lhe serve como motivo de resignação que o fará compreender atitudes suas que devem ser modificadas.A lei é técnica, se a energia foi desorganizada pelo individuo ele sofrerá as conseqüências desta desorganização, a dor.
A visão integral do ser espiritual nos faz compreender totalmente este processo.

A FELICIDADE NÃO É DESTE MUNDO
1- Mundos primitivos :
Paixões reinam soberanas, a vida moral não existe. Exemplo pré- história da terra. Mundo predominantemente instintivo.
2- Mundos de provas e expiações:
Nossa terra atual. O mal é superior ao bem, impera a corrupção, o egoísmo, o materialismo, violência, doenças expiatórias gravíssimas e dolorosas fome. As belezas existem a moral é rara e a organização total do planeta é deficiente, a prioridade que deveria ser o homem cede lugar ao interesse. A FELICIDADE NÃO PODE SER DESTE MUNDO, embora tenhamos momentos felizes . Quanto mais seguirmos a cultura geral deste planeta, mais sofreremos, quanto mais buscarmos a harmonia com a lei universal, mais transformaremos este mundo ou iremos para outro melhor conforme nosso merecimento.
3- Mundos Regeneradores :
O mal ainda existe, mas o bem é superior. Mundo de aprendizado, sem expiações apenas provas. A palavra Amor está escrito em todas as frontes.
4- Mundos Felizes :
Ainda não a completa felicidade, mas a aurora da felicidade, ainda há provas a cumprir (grandiosas). Corpo mais sutil, a dor não mais existe.
5- Mundos Superiores:
Espíritos desmaterializados, felicidade completa.
Ser ou estar umbandista


Amigos, em algum momento de suas caminhadas vocês já se perguntaram se SÃO ou ESTÃO Umbandistas?
Ser Umbandista é não ter vergonha de dizer que é UMBANDISTA.
Estar Umbandista é fugir do assunto quando perguntado.

Ser Umbandista é ir para o terreiro pensando em ajudar a melhorar um pouco o mundo e conseqüentemente receber sua parte nesta melhora.
Estar Umbandista é simplesmente ir ao terreiro para resolver a sua vida.

Ser Umbandista é não ter vergonha de limpar cinzeiros, varrer o chão, acender um cachimbo, enfim é não ter vergonha de servir.
Estar Umbandista é fugir dos trabalhos mais humildes, achando que sua capacidade esta acima deles.

Ser Umbandista é estar presente no terreiro pronto a “receber” qualquer entidade que esteja sujeita ou que necessite vir, mesmo sendo um irmão sofredor, praticando assim a verdadeira caridade.
Estar Umbandista é se preocupar com que entidade vai “receber”, torcendo para que seja uma bem famosa.

Ser Umbandista é não se preocupar com o tempo que vai precisar ficar no terreiro até que todos os que precisam sejam atendidos.
Estar Umbandista é preocupar-se com a demora uma vez que tem outros compromissos.

Ser Umbandista é agradecer aos Guias e Orixás por sua vida.
Estar Umbandista é barganhar com eles por favores mesquinhos.

Enfim ser Umbandista é amar a Umbanda e assumi-la como sua religião, falando de suas virtudes, mas sem fechar os olhos para seus problemas.
Estar Umbandista é gostar da Umbanda enquanto ela servir.

E nós somos ou estamos Umbandistas?


quinta-feira, 7 de abril de 2016


Continue se esforçando


Quando as coisas estão difíceis, a tendência é sentir-se desencorajado e fazer menos do que se faria normalmente.
Nada disso!
Esta é a pior ocasião possível para diminuir o ritmo. A melhor solução para o desânimo é duplicar ou triplicar os esforços. Você precisa conseguir algum sucesso no caminho que leva ao seu objetivo , ainda que pequeno, para sentir menos medo e se sentir motivado para continuar.
Mesmo que você esteja se sentindo frustrado, sem saber o que fazer, faça alguma coisa. Nada pode ser pior do que ficar parado vendo seus sonhos desmoronarem ao seu redor. Toda vez que você desenvolve uma atividade, você está abrindo novas frentes na estrutura de seu caminho.
Continue tentando...
Você trabalhou com afinco, e está certo de possuir um desejo intenso. Além disso, você tem um grande sonho e uma cruzada por uma causa que vai além da sua própria expectativa. Mas mesmo assim, as coisas não dão certo. Nada pôde impedir que você ficasse nessa situação que lhe dá pesadelos. Mas, chegou a hora de mostrar sua fibra. O desafio que você está enfrentando é o maior desde que você iniciou a sua carreira. E, como se não bastasse, você está diante da maior tentação que já teve, a tentação de desistir.
Está na hora de saber quem é vencedor e quem é perdedor.
Eu conheço esta situação como a palma de minha mão, pois, quando comecei a tentar formar um negócio para mim, passei noites em claro, achando que tudo estava perdido. Não conseguia perceber o que fazer para me erguer de novo. Não enxergava nenhuma solução possível para meus problemas.
Graças a Deus, eu não desisti nesta época em que minha vontade era tanta que eu já me sentia abandonando tudo. Mas sei como é isto. Nessas ocasiões a tentação pode ser avassaladora.
No caso de você embarcar numa dessas situações difíceis, use estes três princípios fundamentais, que vão ajudá-lo a manter-se firme.
  1. Planeje para trinta dias, se pode parecer curto o bastatnte para perceber o final dele, será longo demais para criar algum ímpeto;
  2. Projete um sistema de punições e recompensas pessoais;
  3. Dê um tempo para que seus esforços se recomponham.
Responsabilidade


O discípulo se aproximou do mestre:
– Durante anos busquei a iluminação – disse. – Sinto que estou perto. Quero saber qual o próximo passo.
– E como você se sustenta? – perguntou o mestre.
– Ainda não aprendi a me sustentar; meu pai e minha mãe me ajudam. Entretanto, isto são apenas detalhes.
– O próximo passo é olhar o sol por meio minuto – disse o mestre. O discípulo obedeceu.
Quando acabou, o mestre pediu que descrevesse o campo à sua volta.
– Não consigo vê-lo, o brilho do sol ofuscou meus olhos – respondeu o discípulo.
– Um homem que apenas busca a Luz, e deixa suas responsabilidades para os outros, termina sem encontrar a iluminação. Um homem que mantém os olhos fixos no sol termina cego – comentou o mestre.
- Do livro "Maktub" de Paulo Coelho.


O mendigo e o milionário


Estava como de costume sentado à porta do Templo o Mendigo cego, aguardando a saída dos fiéis, que ao final do Sermão das seis da tarde costumam demonstrar em toda a plenitude seu lado mais misericordioso, através de esmolas aos menos favorecidos. Todos os dias determinado Bom Samaritano abastado aproximava-se do pobre Mendigo, depositando uma moeda em sua latinha.
O infeliz Cego agradecia sempre humildemente a doação e - quando percebia ser bastante seguro para não ser notado - jogava fora a moedinha. Bem longe, para que nunca mais pudesse alcançar.
Bravejando contra o avarento milionário, que apenas uma insignificante moeda novamente lhe dava.
Com o passar de um ano, o rico Fiel - curioso em saber sobre o Ceguinho - indagou-lhe qual fim dará aos seus "valiosos donativos".
- "Ora", respondeu o Pedinte, "mas afinal o que poderia eu fazer com uma simples moedinha, a não ser desfazer-me rapidamente dela, para ninguém notar quanto envergonhado fico com tamanha humilhação?"
O bom Cristão veio então com uma inesperada lição, que muito fez o Mendigo conscientizar-se de sua grande ignorância:
- "Se tiveste guardado cada moedinha de ouro que te dei, hoje terias um quilo do mais puro ouro, para pagar uma operação que te devolveria a visão."
- Do livro "Ironias do Destino" de Gustavo Arruda.

A umbanda não é um show


Quando eu digo que a Umbanda é uma religião abarcadora de consciências, significa que suas portas estão constantemente abertas para todos.
A Umbanda não é discriminatória e no movimento umbandista sempre existe um terreiro em que nossas almas se harmonizam, adequado ao nosso nível de consciência e preparado para desenvolver o nosso reencontro com o Sagrado.
É verdade, que no primeiro momento, muitos procuram a Umbanda para tentar sanar os seus males, sejam eles de origem material, física e objetiva (saúde, dinheiro, emprego, amor, causas as mais diversas etc.), sejam as espirituais e subjetivas (mediunidade, saúde, distúrbios psíquicos e psicológicos, demandas etc.).
Para isso, em dias de reuniões nos terreiros, a maior parte do tempo é dedicado aos trabalhos mediúnicos. Os médiuns incorporam as entidades espirituais e essas realizam o atendimento ao público presente. Esse atendimento visa também a prática da caridade do ouvir, do deixar falar e desabafar, da palavra e do ombro amigo, da mão estendida, do conselho e da orientação proporcionada pelos caboclos, pretos-velhos, crianças, exús entre outros.
Nas reuniões o material vai ao encontro ou serve de instrumento ao espiritual, o visível se conecta ao invisível, objetivo e subjetivo se completam e encarnados e desencarnados se comunicam. As palavras-chaves servir, conexão, completude e comunicação conseguem cumprir os seus significado nas reuniões em um terreiro, se existirem a contra-partida dos trabalhos espirituais. E trabalhos espirituais em 99,9% dos terreiros do movimento umbandista acontecem com médiuns incorporados e entidades atendendo alguém.
A gira mediúnica é o auge ou o clímax de uma reunião umbandista que é dividida em três momentos básicos a saber: abertura, momento que se evocam as forças e entidades espirituais e se invocam as bençãos, proteções, pedidos e auxílios; a gira mediúnica, instante em que os médiuns incorporam as entidades espirituais para atendimento ao público; encerramento, ou seja, o término da reunião, em que se agradece a assistência das forças e entidades espirituais.
Os ritos e liturgias utilizadas nas reuniões do movimento umbandista, variam de terreiro para terreiro, assim, como também, pode se diferenciar a decisão de como se processa a gira mediúnica, que tipos de entidades se fará presente e como deverá se proceder o atendimento ao público. Isso acontece, por que os terreiros são células religiosas que se adequam a coletividade que os rodeia, oferecendo dentro de um determinado padrão mínimo, os ritos, as liturgias, as manifestações espirituais que mais afinizem com os adeptos e o público que frequenta determinada casa.
Abarcar consciências é isso, atender as necessidades espirituais essenciais do indivíduo, mesmo que este processo se inicie por resolver suas necessidades materiais básicas, permitindo um equilíbrio mínimo da sua existência. Proporciona-se assim, condições estáveis a alma para realizar vôos evolutivos mais altos e abrir sua consciência a entendimentos mais profundos e finalmente se religar a Deus.
Através do que já discorremos, podemos chegar a conclusão que o atendimento ao público é o objetivo primordial de todas as reuniões de um terreiro. As pessoas que se encaminham a uma casa espiritual umbandista, possuem expectativas, estão ansiosas para encontrar a solução de seus problemas, desejam sair dali pelo menos reconfortadas, com esperança etc. O público, portanto, deve ter um tratamento especial por parte dos dirigentes, dos organizadores e do corpo mediúnico da casa.
Tudo deve ser voltado para se fornecer um bom atendimento ao público presente. Devem ser bem recebidos, encaminhados a um local apropriado para assistirem a reunião, informados de como se processará o andamento da mesma, como deve ser o seu comportamento durante os trabalhos, em qual momento e como devem se dirigir aos médiuns incorporados, se houver necessidade de se retirar antes da gira terminar como fazê-lo, devem também ser indicados a eles os banheiros, aonde beber água etc. É de bom tom, que o dirigente em algum instante na abertura, faça uma pequena e rápida preleção (palestra) trazendo para o público, informações, avisos, ensinamentos e doutrina.
Na gira mediúnica devem incorporar somente os médiuns que já tiverem mais experiência e estejam, como dizemos comumente, mais bem afirmados com suas entidades. Desenvolvimento mediúnico deve ser uma reunião a parte e fechada ao público. Após todos os médiuns incorporarem, os cambonos (pessoas que dão assistência as entidades espirituais e ajudam na organização durante a reunião) devem encaminhar o público para o atendimento.
O restante do corpo de adeptos, que não estiverem incorporados, devem sustentar a gira dos que estão em trabalhos mediúnicos através dos cânticos, de bons pensamentos e intenções. É necessário, que se mantenha o bom nível vibratório, para que os trabalhos espirituais aconteçam em segurança e bem equilibrados. Todo o público deve ser atendido, sem exceção.
Uma reunião umbandista é algo bonito de se ver, os cânticos, os tambores e outros instrumentos formando um conjunto harmonioso de sons, a batida das palmas, os fardamentos, as guias coloridas, a decoração do ambiente, as imagens e símbolos do altar e mesmo a forma como se processa os ritos e liturgias enche os olhos e ouvidos de quem vem participar. Visual e som somam-se a um sem número de detalhes para permitir a harmonização de todos os presentes, mas tudo isso não é um espetáculo, nem uma encenação para agradar o público.
Muitas casas umbandistas se ressentem pela existência de muito pouco ou quase nenhum público. Geralmente são sempre as mesmas pessoas que se repetem em todas reuniões. Quando tem a casa lotada sempre é por ocasião de festas, comemorações e louvações especiais. O terreiro já tem lá seus anos de existência, é um local bem decorado, limpo, asseado, de ambiente agradável e bastante arejado e iluminado. Os adeptos presentes em grande número, com um fardamento impecável, guias coloridas no pescoço e todos os adereços e material de trabalho de suas entidades. A reunião tem todo um processo organizado, bem estruturado, desde a abertura até o encerramento. A hierarquia da casa é plenamente identificada, pais e mães pequenas, cambones, tambozeiros etc., no entanto, cadê o público? Ou mediante as essas condições por que ele não é em grande número?
Diversos fatores contribuem para que tais fatos ocorram dentro de um terreiro:
a) Nas giras mediúnicas os médiuns trabalham para si mesmos;
b) Os médiuns incorporados se amontoam em frente ao tambor, em uma disputa para quem passa [cantar a curimba (ponto-cantado)] primeiro com a entidade;
c) Muitas vezes, existem guerras particulares, em que médiuns incorporados tentam demandar uns aos outros;
d) Ausência do Pai/Mãe-de-Santo na reunião, e quando presentes sem tomar as rédeas dos trabalhos na mão, nem uma iniciativa, nem participação a não ser ficar sentado olhando tudo acontecer como o público que ali se faz presente;
e) Sim, o público, porque se eles não tiverem iniciativa própria para falar com alguma entidade, terminam a reunião como iniciaram, apenas asistindo e nada mais;
f) Entidades tolhidas (impedidas) de fazerem quaisquer trabalhos espirituais, que não sejam apenas, falar com o consulente e no máximo aplicar-lhe um passe. Já que todos os trabalhos devem ser direcionados para o dirigente através de se provocar uma consulta particular;
g) Todos os médiuns trabalham, independente de sua condição de já estarem preparados o suficiente para dar consultas;
h) Giras mediúnicas confusas, barulhentas, com bebida alcoólicas em excesso, tambor sem ritmo ou acelerado demais, adeptos tendo que gritar mais alto para poder cantar as curimbas, entra-e-sai de filhos-de-santo, conversas o tempo todo entre os que estão na corrente segurando a banda etc.
Eis, meus amigos o que ocorre quando o objetivo da Umbanda se perde, num jogo de interesses e má condução, quando o dirigente perde o gosto pelas reuniões de sua casa em troca de questões extra-religiosas. O terreiro fica sem dono ou com várias pessoas querendo ser dono dele.
Ah! O público, sim, afinal é ele a nossa principal preocupação e da Umbanda, se os adeptos tem outras formas válidas de conseguirem a sua harmonização, o seu religare e conhecimentos, ao público só resta este contato momentâneo que as reuniões proporcionam.
Em situações como eu relatei, ao público, geralmente leigo e incapaz de identificar esses problemas, se perguntado porque ele frequenta este terreiro a resposta será: "É porque eu acho bonito!".
Amigo leitor, tenha certeza, a Umbanda não é um show!


Necessidade x vaidade x humildade

Não está acontecendo um exagero de vaidade na Umbanda (não da religião, mas dos adeptos)?
Entre muitos aspectos, podemos citar como exemplo a vestimenta e os paramentos: quando o médium tem uma entidade ou outra que usa um apetrecho de trabalho (um chapéu, um lenço, uma bengala ou mesmo outro elemento), nota-se que a necessidade desse material é do guia, ou seja, aquele espírito usa o chapéu, o lenço etc. para realizar seu trabalho, dentro do seu fundamento.
Mas, quando TODAS as entidades que trabalham com o mesmo médium, ou todas do mesmo terreiro (mesmo em médiuns diferentes) precisam se paramentar, não seria mais coisa do(s) médium(ns),  na maioria das vezes semi-consciente(s), do que do(s) espírito(s) atuante(s)?
Na internet, revistas e jornais, podemos ver com facilidade fotos em que o mesmo médium (ou todos do terreiro), quando incorporado(s) apresenta(m)-se da seguinte forma: o baiano está vestido de cangaceiro, com falangeiros de seu Zé Pelintra (não concordo com o termo “linha de malandros”, usado pelos umbandistas mais novos ) usa terno, bengala e chapéu, o boiadeiro parece um capataz ou um coronel fazendeiro, o caboclo se veste imitando um índio (já que o de modo geral, os artigos encontrados, como cocares, não são genuinamente indígenas, e muitos não têm nenhuma semelhança aos paramentos que eram utilizados pelos povos ancestrais de nosso continente, ou mesmo pelos índios atuais), o Ogum veste roupa de soldado romano e tem uma linda espada (se possível, cravejada de brilhantes), o erê traja roupas infantis (macacãozinho, vestidinho colorido etc), o cigano com vestes características do povo (e lógico, quanto mais colorido, melhor), o Exu usa capa, tridente e cartola, o marinheiro usa uma “farda” como se fosse um autêntico capitão da marinha americana, etc. Isso quando não resolvem por um “trono” no meio do terreiro, colocando a entidade numa posição de rei dentro da casa (já existem tronos especialmente confeccionados para Exus e que são vendidos aos “olhos da cara” nas casas de artigos religiosos).
O que vocês acham? Será que existem mesmo médiuns ou casas onde TODAS as Entidades atuantes precisam se paramentar?
Seria coincidência esses espíritos escolherem, todos ao mesmo tempo, esse médium ou essa casa, para se paramentar?
Isso não seria contrário ao principal lema da Umbanda: “HUMILDADE e SIMPLICIDADE” - tão ensinado pelos nossos sábios Pretos-Velhos?
A roupa branca (símbolo de igualdade), aos poucos estaria deixando de ser a FARDA dos soldados do exército do Pai Oxalá, já que até em dias de giras comuns estão usando roupas cada vez mais esplendorosas?
Será que festa de entidade ou orixá precisa mesmo desse luxo todo, deixando, às vezes, um local sagrado como um templo umbandista mais parecido com uma ala de escola de samba, onde todo mundo fica "fantasiado"?
Esse colorido todo não facilita a indução à mistificação, ou no mínimo, ao animismo, já que o médium que gastou tanto dinheiro com toda essa parafernália, não vai querer deixar tudo aquilo guardado?
Ou será que os guias, que sempre foram exemplos de humildade e simplicidade, é que são (ou estão ficando) cada vez mais vaidosos (o que não acredito)?
Irmãos-de-fé, filhos da nossa amada Umbanda: apesar do respeito às diferenças, certas questões poderiam e deveriam ser melhor estudadas ou revistas pelos seguidores do Mestre Oxalá, afinal de contas, a Umbanda veio para dar espaço a todos os filhos do Pai Celestial, principalmente aos simples e humildes (encarnados e desencarnados), muitas vezes não aceitos em outros segmentos religiosos.
Com toda essa parafernália utilizada atualmente,  como os mais necessitados se encaixarão, já que muitos não podem comprar uma “roupa de Exú”, que muitas vezes, custa mais do que eles ganham por um mês de trabalho?
Lembremos que o brilho que devemos mostrar não é no luxo da vestimenta, ou seja, o lado externo, pois tudo isso é ilusório, já que roupa não tem força espiritual. O que realmente importa é a essência divina que existe em cada um de nós, filhos de Deus (encarnados e desencarnados). Esse brilho, que brota no âmago do ser é que deve ser mostrado e melhor ainda, doado, a todos aqueles que necessitam.
Isso sim agrada ao Pai, aos orixás e seus Falangeiros de Luz.
Texto de Sandro da Costa Mattos – Ogã Alabê da APEU – Associação de Pesquisas Espirituais Ubatuba – Templo de Umbanda Branca do Caboclo Ubatuba

A encarnação e o sexo


Pergunta - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher? Resposta: - Isso pouco lhe importa.
O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.
Item n° 202, de “O Livro dos Espíritos”.
A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.
Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.
A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.
A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.
O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.
A face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias.
Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas.
O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins.
E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem.
Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam.
Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual.
E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia.
Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

Psicografia : Francisco Cândido Xavier Livro : Vida e Sexo

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Julgando atitudes


Ignorando a presença dos benfeitores espirituais no ambiente, alguns dos seus médiuns costumavam reunir-se no vestiário do templo para que pudessem colocar o papo em dia, antes de iniciar a sessão de atendimento ao público. Especialmente naquele dia, em alvoroço pelos últimos acontecimentos políticos do país, tendo os noticiários enfatizado a corrupção descoberta dentro do Congresso.
Ninguém é confiável dentro da política, são todos ladrões — comentava um deles.
— Enquanto nós passamos miséria aqui em baixo, lá em cima, eles que têm o poder nas mãos roubam-nos em plena luz do dia — respondia o outro.
— De que adianta pagarmos tantos impostos se o dinheiro é usado para eles usufruírem, enquanto o país padece com a falta de educação, de saúde, de estradas, além do problema da fome?
— São todos ladrões desavergonhados. Roubam milhões e não recebem punição, enquanto o pobre, quando rouba galinha para comer, vai para a cadeia.
— Por isso não sou a favor da pena de morte.
E assim os debates continuavam acalorados, atiçando a raiva e revolta existente no coração de cada um deles. A repercussão daquilo no astral eram emanações energéticas grotescas que se aglomeravam no interior do ambiente que já havia sido preparado pela espiritualidade, baixando a vibração dos médiuns que logo se aliaram a uma faixa de que espíritos afins aguardavam companhia material.
Saindo do local, dirigiram-se à frente do congá, onde foram bater cabeça e fazer a oração de conexão inicial com seus protetores. Ignoravam, porém, que haviam criado campo magnético extremamente grosseiro ao seu redor, tornando-se inacessíveis a espíritos de melhor vibração. Era preciso muito mais que uma prece para que se transmutasse a energia arrecadada.
Na concepção dos médiuns revoltados com os políticos, não interessava o que se pensava ou fazia anteriormente ao início dos atendimentos. Lá dentro eles eram médiuns e aparelhos para os guias, lá fora, homens comuns. Para eles, o importante era cumprir a missão.
Aberta a sessão que naquele dia era gira de preto velho, iniciaram-se as incorporações. Sem entender por que os três médiuns mais antigos da casa não estavam conseguindo se conectar com seus protetores e por que suavam demasiadamente o dirigente os levou até a frente do congá. Imediatamente, nele mesmo manifestou-se um Exú que executou o trabalho de "descarrego" das emanações telúricas que se adensavam acima de suas cabeças, impedindo a conexão que naquele momento se efetuava.
O trabalho seguiu um ritmo normal, e, no final, por intermédio do dirigente da casa, uma preta velha se manifestou para conversar com a corrente mediúnica:
"- Salve os manos da terra!
Um dia o grande mestre Jesus visitou a Terra e deixou aqui gravado seu exemplo de homem bom.
Nunca alguém o escutou mentindo, viu-o roubando ou julgando, mesmo inserido no mundo onde os homens praticavam tais atos.
Foi acusado injustamente, julgado e condenado. Tinha o poder de modificar seu destino se assim o quisesse, mas sabia que nada se ensina senão pelo exemplo, por isso perdoou seus ofensores.
Desceu às trevas antes de subir aos Céus e levou consigo quem mais o havia maculado.
Atualmente, a maioria da humanidade se julga cristã, muitos brigam e se dizem donos da imagem de Cristo, carregam crucifixo no peito, mas poucos seguem seus ensinamentos. Aqui mesmo, neste terreiro, reza-se o Pai Nosso, mas alguns só lembram da última frase que diz. "Livrai-nos de todos os males".
Os filhos da Terra ainda se acham no direito de julgar uns aos outros, quando deveriam ter a preocupação única da reforma íntima. Se estivermos vestidos e calçados adequadamente a chuva não nos molha, mas se sairmos distraídos no temporal, ele pode nos arrastar para a lama. O poder e a ambição, quando desmedidos, corrompem facilmente as melhores estruturas humanas.
Julgar as atitudes do outro pode ser perigoso, uma vez que não sabemos como agiríamos em seu lugar. Todos ainda carregam dentro de seu inconsciente tendências para serem corrigidas, a reencarnação oportuniza esse saneamento. Em cada vida, descerá à consiciência física tudo o que precisa ser arrumado, e nem sempre os filhos conseguem voltar com a casa em ordem. As tentações da matéria ainda assinalam árduo resgate. Corromper-se, no entanto, independe da posição ocupada na matéria, mas de estrutura moral e evolução espiritual, de valores recebidos desde tenra idade e da vontade de melhorá-los dia a dia.
Quem dos filhos nunca desobedeceu a nenhuma lei?
Quem nunca sonegou, mentiu ou pelo menos tentou enganar alguém?
Ladrão não é assim designado pelo tamanho ou pelo valor do roubo, ou é simplesmente porque rouba, seja uma moeda, uma caixa de fósforo, um carro ou um avião. Mentira vai ser sempre da nossa, mesmo que pareça inocente. Tirar vantagem de pequenas coisas denota claramente que assim seria diante de grandes oportunidades. São atitudes com as quais se consegue enganar os homens, mas que ficam registradas na sutileza dos corpos internos de cada um para que, na hora do acerto de contas, o juiz chamado "consciência" possa levar ao tribunal. Os erros dos outros devem servir para que não os incorporemos a nós. Façamos a nossa parte bem feita, a exemplo de Jesus, e repensemos em tudo o que está acontecendo no mundo. Nada nos vem como castigo, mas como reação de nossas ações. Esta é a Lei."
De cabeça baixa, todos encerraram a sessão com uma prece dirigida aos governantes, pedindo sabedoria e paz na Terra aos homens de boa vontade.
(Causos de Umbanda - A psicologia dos pretos velhos - Vovó Benta - obra psicografada por Leni W. Saviscla)
Muitos vêm, alguns ficam, outros vão



A Umbanda é uma religião que acolhe a todos, não faz nenhum tipo de distinção entre as pessoas que atende e, por conta disto, a entrada de pessoas nas correntes é uma coisa normal e constante.
Algumas casas têm critérios para aceitação de novos membros, outras não, mas uma coisa que nunca deveria ser deixada de lado: o Livre Arbítrio das pessoas.
Sou totalmente contra o que alguns dirigentes fazem, semeando o medo em pessoas que “tem mediunidade”, ouvimos muitas e muitas vezes estes dirigentes afirmarem categoricamente que os problemas da pessoa são causados por sua mediunidade “não desenvolvida”, quase que obrigando o ser a entrar na corrente, e o mesmo ocorre quando uma pessoa demonstra o desejo de se afastar da casa, onde veladamente ela é levada a crer que sua vida vai “desandar” por culpa desta decisão. O agravante é o uso da Espiritualidade, dos Orixás e das Entidades, para se fazer estas ameaças, como se fossem eles os responsáveis pelos “castigos” que o “desistente” vai sofrer dali em diante.
Não tenho como acreditar que Entidades de Luz, Forças puras da natureza, vão de alguma forma prejudicar uma pessoa apenas por ela ter feito uso de o seu Livre Arbítrio, ao escolher não participar ou deixar de participar de uma corrente de Umbanda. Logo eles que nos ensinam sempre que o livre arbítrio é um direito que nos foi “concedido” por Deus.
Esta última parte do texto vai diretamente aos dirigentes e para aqueles que aspiram serem dirigentes um dia:
Será que é valido termos em nossas casas pessoas que ali estejam apenas por medo de serem “castigados” pelas entidades, por pensarem que sua vida vai “andar para trás” se não desenvolverem???
A Umbanda precisa sim de médiuns que a amem e que a pratiquem por conta deste amor, só assim a sua essência será mantida.
Por Marco Boeing - Dirigente da ASSEMA

Lições de Vida

Um dia você errou. Errou muitas vezes. Errará muitas ainda.
Procure suportar com caridade os erros dos que o cercam, da mesma forma como quereria que suportassem os seus.
Você se revolta quando não o compreendem. Por que, então, não se esforça por compreender as faltas alheias?
Saiba que tudo o que fazemos contra os nossos semelhantes, quase que como força de retroação magnética, volta-se contra nós. O mal tem poder de se vingar, Às vezes em forma de violenta reação.
Tolere os erros alheios com aquela caridade capaz até de os corrigir.
SEGUIR EM FRENTE
Olhe sempre a vida que Deus lhe deu como uma oportunidade de praticar o bem, de ajudar a seu próximo.
Não pare em meio ao caminho olhando para trás, como a medir o que já fez ou deixou de fazer.
Enquanto estiver preso ao seu passado, bom ou mau, estará deixando de praticar o bem.
Dê a mão a quem dela precise. Uma palavra de amor e de consolo será sempre bem recebida, como benção que vem do Alto. Um sorriso derramado com bondade cura muitos males e alivia muitas dores.
Vá pela vida a espalhar esperança e muita alegria. A recompensa virá depois.
Extraído de "Comece o Dia Feliz" (Reflexões) de J.S.Nobre.