quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Viva os laços de família!

Fátima Farias
Não lembro onde, mas li que há amigos melhores que certas pessoas da família. Não duvido disso. É possível acontecer, até mesmo por questão de afinidade, que é um vínculo que flui espontaneamente, impulsionada pela sintonia da simbiose. Acho, no entanto, que se amigo é uma coisa muito boa, não devemos subestimar a importância dos laços de família, respeitando as diferenças peculiares de cada ser humano e até as adversidades que porventura acontecer.
Nasci quase desprovida do aconchego de neta, com exceção do avô materno, o único com quem convivi mais tempo: até o início da adolescência, quando "partiu para a eternidade". Ele me paparicava muito e eu o retribuía com carinho. A materna deixou mamãe órfã aos quatro anos. Quanto aos avós paternos, eu tinha cerca de cinco anos, quando viajaram, em menos de um ano, para outra dimensão e a lembrança física ficou embaçada pela pouca convivência. Mas uma coisa ficou gravada na minha alma: o amor por eles, sempre realimentado pelos seus descendentes mais velhos que fizeram questão de não deixá-los "morrer para nós", sempre nos relatando fatos interessantes e cativantes, dos seus apegos à família..
Cresci acompanhando todo processo de afinidade e integração de meu pai com sua irmã primogênita, Naninha, (a única mulher entre cinco irmãos, que os amavam como filhos). A diferença é que, por ela e meu pai serem os mais velhos e casarem mais cedo, as três filhas de cada um, embora com uma certa diferença de idade, em alguns casos, tivemos mais relação de irmãs que de primas e, por sua vez, laços estreitos com seus descendentes.
Papai e Titia eram especialistas em amar a família e foram nos contagiando com este sentimento positivo. Meu pai tinha três filhas, mas dizia que eram 10 filhos, considerando os sete netos na mesma linha de amor. Com Titia, idem, e no contexto geral de ambos, se formou uma fusão de sentimento fraternal com seus respectivos descendentes. Nos consideramos primas-irmãs.
Todo este preâmbulo foi necessário para justificar os momentos de emoção, que vivi sábado passado. Num certo dia 24 de abril, ao completar 17 anos de idade, minha prima Margarida recebeu de presente o nascimento de seu filho único, Marcos. E agora, sua nora-filha, Maria Lúcia, providenciou uma festa-surpresa para comemorar, respectivamente, os 67 anos da sogra e os 50 anos do marido. Quando eles chegaram a um restaurante, em Campina Grande, atraídos pela desculpa de um simples jantar de comemoração íntima, ali já estavam familiares e alguns seletos convidados.
Foi um momento muito especial e um bom pretexto para juntar a família. Parecia até mais que isso: uma confraternização natalina, fora de época. Maria Lúcia, que também é aniversariante do mês, é um exemplo daquelas pessoas, que chegou nas nossas vidas, integrou-se bem e conseguiu cativar nossa família, com seu jeito especial de ser. Criativa, providenciou na exibição de um telão, o resgate de toda história familiar, através de um belo texto, com fundo musical e uma seqüência fotográfica, iniciando por flashes da fazenda Navalha, do meu avô, até os dias atuais, passando por nossos entes queridos, que já partiram.
Em alguns momentos, fui tomada por fortes emoções, principalmente ao rever as imagens dos meus saudosos titia e papai. Meu amado pai e o aniversariante, seu sobrinho Marcos, tinham uma forte relação mútua de afinidade. Pareciam pai e filho. Em alguns momentos da festa, pude até sentir a presença e vibração espiritual daqueles entes queridos, que nos precederam na eternidade, compartilhando conosco daquela alegria e confraternização familiar. Se partíssemos para a análise sanguínea, ali estava a reunião de primos, mas, com exceção de raros convidados, eu preferia vê-los como irmãos e sobrinhos, considerando os motivos dos laços afetivos já apresentados. Sim, gostaria de registrar que abril é um mês especial para os Pereira de Farias, de cuja família tenho muito orgulho de pertencer. Dentre outros, aniversariam também meus avós paternos e minha tia Naninha.
Como família é bom! Mesmo com os defeitos, que não escapam a nenhuma. Sou tão feliz com a minha. Tudo isso escrevi para registrar minha emoção e dar uma mensagem final: Cultive os laços de família e os valores positivos dos nossos antepassados. Esta é uma das melhores referências morais de vida que obtemos. Por fim, aproveito a oportunidade para fazer uma declaração de amor: Minha família, mantenho a herança paterna e lhes digo: eu amo vocês, principalmente todos os que formam a descendência direta de meus pais. Obrigada, meu Pai Supremo. E viva os laços de família, uma instituição eterna e imortal. Que Deus nos abençoe e ilumine. Já que o assunto é família, meu abraço especial, hoje, para minha sobrinha Carol, que está aniversariando.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

FUNDAMENTOS DA UMBANDA

Na existência de um Deus, Único, Onipotente e Onisciente, criador de todas as coisas, irrepresentável sob qualquer forma e adorado sob o nome de ZAMBI;

Em Entidades Espirituais, em plano superior de evolução, que não necessitam de novas reencarnações, responsáveis pela organização dos mundos e dos seres que neles habitam.

São os Orixás, Santos, Chefes de Linhas e Falanges, executores diretos da Vontade Divina. Entre eles, Oxalá, o Cristo Planetário da Terra e, como tal, primeiro na hierarquia deste planeta.

Em Guias Espirituais e Protetores, Sábios, poderosos e bondosos, porém necessitados ainda de reencarnações para seu aperfeiçoamento. São mensageiros dos Orixás e Santos;

Em Seres da Natureza e suas energias cósmicas que, manipulados com sabedoria e bondade, sob a forma de magia, auxiliam a peregrinação do homem;

Na imortalidade do espírito, sobrevivendo á morte física, a caminho da evolução;

Na reencarnação, possibilitando o aprendizado e aprimoramento do Espírito;

Na Lei do Carma, instituindo que cada ação gera uma reação;

Na necessidade do ritual como elemento mágico e disciplinador;

Na prática da mediunidade, sob as mais variadas modalidades, com o objetivo de caridade material e espiritual;

NO RESPEITO ÁS DEMAIS RELIGIÕES, porque todas constituem caminhos de progresso espiritual que conduzem a DEUS.

Mandamentos da Lei de Umbanda

1) Não faças ao próximo o que não queres que te faça.

2) Não cobice o alheio.

3) Socorra os necessitados sem perguntas.

4) Respeite todas as religiões por que vem de deus.

5) Não critiques o que não entendes.

6) Cumpra sua missão mesmo com sacrifício.

7) Defenda-te das maldades e resista ao mal.


Expressões usadas na umbanda.

Entenda o significado de algumas palavras que fazem parte do vocabulário das entidades de umbanda.

Sessão de Umbanda: Cerimônia, rituais geralmente com a finalidade de cura física e espiritual. Por meio de guias, após dança e toques, com o uso do ponto cantado e riscado, pólvora, aguardente, defumações. Também sessão de desenvolvimento, de aprendizado e aperfeiçoamento dos médiuns, sessões festivas, públicas, com toque de atabaque e danças.

Ponto de Abertura: Cântico de abertura de uma sessão.

Ponto de Chamada: Cântico que invoca as entidades para vir ao terreiro trabalhar.

Ponto de Defumação: Cantado enquanto é feita a defumação do ambiente e dos presentes.

Porteira: Entrada do templo.

Filho de Fé: Designação do médium iniciante ou não.

Firmar: Concentrar-se para a incorporação

Firmar Anjo da Guarda: Fortalecer por meio de rituais especiais e oferendas de comida votivas e orixá patrono do médium.

Gira de Caboclo: Sessão religiosa, o mesmo que gira; só que voltada somente para a linha de caboclo.

Gira: Sessão religiosa, com cânticos e danças para cultuar as entidades espirituais. Firmar Ponto: Cantar coletivamente o ponto (cântico) determinado pela entidade que vai dirigir os trabalhos para conseguir uma concentração da corrente espiritual.

Firmeza: O mesmo que segurança, conjunto de objetos com força mística (axé); que enterrados no chão protegem um terreiro e constituem sua base espiritual.

Cazuá: Terreiro, Templo, Local.

Dar Firmeza ao Terreiro: Riscar ponto na porteira, sob o altar, defumar, cantar pontos, etc. São feitas antes de uma sessão, para afastar ou impedir a entrada de más influências espirituais.

Descarregar: Livrar alguém de vibrações maléficas ou negativas.

Descer: Ato de orixá ou entidade incorporar.

Desenvolvimento: Aprendizado dos iniciados para melhoria de sua capacidade mediúnica; com a finalidade de incorporação de entidades.

Despachar: Colocar, arriar em local determinado pelos orixás ou entidades ? guias, os restos de oferendas.

Despachar Exu: Enviar exu por meio de oferendas (de bebidas, comidas, cânticos e sacrifício animal), para impedir de perturbar a cerimônia.

Despacho: Oferenda feita a exu com a finalidade de enviá-lo como mensageiro aos orixás e de conseguir sua boa vontade, para que a cerimônia a ser feita, não seja perturbada. Oferta feita por terreiros de Quimbanda com a finalidade de pedir o mal para alguém, geralmente colocado em encruzilhada.

Oferenda a exu com finalidade de desfazer trabalhos maléficos. Fundamentos: Leis de umbanda, suas crenças.

Encosto: Espírito de pessoas mortas. Que se junta a uma pessoa viva, conscientemente ou não, prejudicando-a com suas vibrações negativas.

Encruza: Local onde habitam os exus; é o cruzamento dos caminhos, vias férreas, ruas, etc.

Entidades: Seres espirituais na umbanda.

Espírito de Luz: Espírito muito desenvolvido, superior e puro.

Espírito sem Luz: Espírito inferior, pouco evoluído, apegado à matéria. Baixar: possuir por parte do orixá ou entidade, o corpo de um filho ou filha de santo.

Banda: Lugar de origem de entidade.

Burro: Termo usado pelos exus incorporados para designar o médium. Calunga Grande: Mar; oceano.

Desencarnar: Ato do espírito da pessoa deixar o corpo ? morrer.

Encarnação: Ato de vir um espírito à vida terrestre, tomando um corpo, ou voltar num corpo novo e continuar sua evolução espiritual.

Encruza: Ritual realizado pelo dirigente espiritual antes do início das sessões e que consiste em traçar cruzes com pemba na testa, nunca no peito, nas costas, na palma das mãos e na sola do pés.

Calunga Pequena: Cemitério.

Dar Passagem: Ato do orixá ou guia deixar o médium para que outra entidade nele se incorpore.

Dar passes: Até da entidade, através do médium incorporado, emitir vibrações que anulem as más influências sofridas pelos clientes, através de feitiço, olho gordo, inveja, etc. E que abrem os caminhos.

Descarga: Ação de afastar do corpo de alguém ou de um ambiente, vibrações negativas ou maléficas por meio de banhos, passes, defumação, queima ou pólvora.

Engira: O mesmo que gira ? trabalho ? sessão.

Despachar: Colocar, arriar em local determinado pelos orixás ou entidades ? guias, os restos de oferendas.

Despachar Exu: Enviar exu por meio de oferendas (de bebidas, comidas, cânticos e sacrifício animal), para impedir de perturbar a cerimônia.

Espíritos Obsessores: Espíritos sem nenhum desenvolvimento espiritual, que se apossam das pessoas, fazendo-as sentirem doentes, prejudicando-as em todos os sentidos.

Fechar a Gira: Encerrar uma sessão ou uma cerimônia em que tenha havido formação de corrente vibratória.

Fechar a Tronqueira: Fechar o terreiro às más vibrações dos quiumbas, por meio de defumação e aspersão de aguardente nos quatro cantos do local onde se realizará o culto.

Feitiço: Irradiação de forças negativas, maléficas contra alguém, despacho, objeto que contém vibrações maléficas

Firmar Porteira: Riscar a entrada do templo, um ponto especial para protegê-lo de más influências ou fazer defumação na entrada

Fundanga: Pólvora.

Guia de Cabeça: Orixá ou entidade principal do médium.

Rabo de Saia: Mulher na linguagem dos pretos velhos e exus.

Perna de calça: Homem na linguagem dos pretos velhos e exus.

Riscar Ponto: Fazer desenhos de sinais cabalísticos que representam determinadas entidades espirituais e que possuem poderes de chamamento das mesmas ou lhe servem de identificação.

Preceito: Determinação. Prescrição feita para ser cumprida pelos fiéis.

Puxar o Ponto: Iniciar um cântico. É geralmente feito por um ogã, em seguida acompanhado pelos médiuns.

Quebrar as Forças: Neutralizar o poder de qualquer feitiço seja para o bem ou para o mal.

Tomar Passe: Receber das Mãos dos médiuns em transe vibrações da entidade, as quais retiram do corpo da pessoa os males provocados por vibrações negativas, provenientes de mau olhado, encosto, castigo das entidades, etc.

Abó - banho de odor desagradável, em cuja composição entram várias ervas.

Amací - banho de ervas, feito para lavar a cabeça.

Amalá - comida que se dá aos Orixás.

Atabaque - tambor usado para acentuar o ritmo dos pontos.

Cambone ou cambono - auxiliar ou assistente do Orixá.

Carregado - cheio de maus fluídos.

Ebó - presente, oferenda.

Filho de santo - médium com batismo na Umbanda, com o Guia Identificado.

Guia - protetor do médium; colar de contas, pedra ou metal.

Mãe ou Pai pequeno - auxiliar imediata da Mãe ou Pai de Santo.

Mãe de Santo - mulher dirigente do terreiro, ou médium coroada.

Marafa ou marafo - aguardente, qualquer tipo de bebida alcoólica.Patuá - talismã usado para dar sorte ou proteção.

Pemba - giz especial com que se riscam os pontos.

Saravá - cumprimento comum e geral na Umbanda, o mesmo que ?salve?.

Toco - vela, charuto, cigarro, banco.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Lendas de Oxalá



01 Oxalufan devia ir na terra de Kùsó visitar seu filho Xangô. Antes, porém, consultou Ifá para saber se tudo correria bem durante a viagem e foi aconselhado a não negar nada a ninguém o que fosse pedido e mais ainda que levasse consigo sabão da costa, obí e três roupas brancas. Seguindo seu caminho, encontrou por três vezes Exu que lhe pediu sucessivamente para ajudá-lo a carregar na cabeça uma barriga de azeite de dendê, uma carga de carvão e outra de óleo de amêndoas. As três vezes Exu derramou o conteúdo sobre Oxalufan. Mas este sem se queixar, lavou-se e trocou as três mudas de roupas e continuou a viagem. Oxalufan havia dado de presente a Xangô um cavalo branco, o qual havia desaparecido do reinado fazia bastante tempo. Os escravos de Xangô andavam por toda parte para encontrá-lo e eis que Oxalufan passando por um mineral, apanhou algumas espigas de milho e ao mesmo tempo deparou-se com o cavalo perdido de Xangô. O cavalo também reconheceu Oxalufan e lhe acompanhou. Nesse instante, chegaram os escravos de Xangô, gritando: Olé Esim Oba, que quer dizer "ladrão do cavalo do rei". Não reconhecendo Oxalufan, deram-lhe vários golpes e em seguida jogaram-no na prisão onde permaneceu por sete anos. Enquanto isso, no reino de Xangô tudo corria mal. Xangô preocupado consultou um Babalawo que lhe revelou: "Algum inocente paga injustamente em tuas prisões". Xangô, então, ordenou que os prisioneiros comparecessem diante dele e reconheceu seu pai. Enviou então os escravos vestidos de branco até uma fonte vizinha para lavar Oxalufan, sem falar uma palavra, em sinal de tristeza. Depois, Xangô, em sinal de humildade, carregou Oxalufan nas costas de volta até o Palácio de Oxaguian. Oxaguian, muito alegre com o regresso de Oxalufan, ofereceu um grande banquete. Esse mito mostra todo o caminho seguido no ritual Águas de Oxalá.
Lendas da Iemanjá



01 Olodumaré destinou a Iemanjá os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Iemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava. Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. O ori de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá até que ele ficou enfermo. Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de banha vegetal, água fresca, obi, pombos brancos e frutas deliciosas e doces, curou Oxalá que agradecido foi a Olodumaré pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori e demais ritos à cabeça.
Lendas do  Oxum



01 Um dia Orumilá saiu de seu palácio para dar um passeio acompanhado de todo seu séquito. Em certo ponto deparou com outro cortejo, do qual a figura principal era uma mulher muito bonita. Orumilá ficou impressionado com tanta beleza e mandou Exu, seu mensageiro, averiguar quer era ela. Exu apresentou-se ante a mulher com todas as reverências e falou que seu senhor, Orumilá, gostaria de saber seu nome. Ela disse que era Iemanjá, rainha das águas e esposa de Oxalá.
Exu voltou à presença de Orumilá e relatou tudo o que soubera da identidade da mulher. Orumilá, então, mandou convidá-la ao seu palácio, dizendo que desejava conhecê-la. Depois de sua visita, Iemanjá ficou grávida e deu a luz a uma linda menina. Como Iemanjá já tivera muitos filhos com seu marido, Orumilá enviou Exu para comprovar se a criança era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo. Se a menina apresentasse alguma marca, mancha ou caroço na cabeça seria filha de Orumilá e deveria ser levada para viver com ele. Assim foi atestado, pelas marcas de nascença, que a criança mais nova de Iemanjá era de Orumilá. Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos. Por isso cresceu cheia de vontades e vaidades e seu nome é Oxum.

02 Em uma época onde os deuses viviam na terra, existiu duas jovens irmãs: Oxum e Iansã. Oxum era deusa do ouro e da prata e tinha poderes sobre o ocultismo, Iansã por sua vez era deusa dos raios, tendo assim poderes sobre eles. Oxum carregava consigo o espelho que mostrava toda verdade oculta. Um belo dia Iansã muito curiosa, pegou o espelho e olhou, viu que era mais bonita que Oxum. Toda aldeia ficou sabendo disso e Oxum ficou muito brava. Resolveu dar uma lição em sua irmã, colocou em seu quarto outro espelho, esse mostrava o lado ruim das coisas. Iansã percebendo a troca foi novamente olhar, ficou chocada com o que viu, em vez de ver sua imagem viu um monstro horrível. Entrou numa tristeza profunda e acabou morrendo. Os deuses mais velhos descobriram a vingança de Oxum e decidiram castigá-la. Oxum carregaria Iansã em seu corpo eternamente, seis meses seria Oxum com todas suas características e os outros seis meses seria Iansã. Oxum Opará tem em uma das mãos o espelho e na outra a espada que representa Iansã, dizem que ela é uma deusa guerreira e anda ao lado de Ogum, o deus do ferro e da estrada. 
03 Oxum queria saber o segredo do jogo de búzios que pertencia a Bará e este não queria lhe revelar. Ela então procura na floresta as feiticeiras Iyá Mi. As feiticeiras perguntam a Oxum o que faz ali e ela lhes pede como enganar a Bará e conseguir o segredo do jogo de búzios. As feiticeiras a muito querendo pregar uma peça a Bará,  ensinaram toda a sorte de magias a Oxum, mas exigiram que ela lhes fizesse uma oferenda a cada feitiço realizado. Oxum concordou e foi procurar Bará. Ao chegar perto do seu reino, Bará desconfiado perguntou-lhe o que queria por ali, que ela deveria embora e que ele não a ensinaria nada. Ela então o desafia a descobrir o que tem entre os dedos. Bará se abaixa para ver melhor e ela sopra sobre seus olhos um pó mágico que ao cair nos seus olhos o cega e arde muito. Bará gritava de dor e dizia: - Eu não enxergo nada, cadê meus búzios? Oxum fingindo preocupação, respondia: - Búzios? Quantos são eles? - Dezesseis, respondeu Bará, esfregando os olhos - Ah! Achei um, é grande! - É Okanran, me dê ele. - Achei outro, é menorzinho! - É Eta-Ogundá, passa pra cá... E assim foi até que ela soube todos os segredos do jogo de búzios. Ifá o Orixá da adivinhação, pela coragem e inteligência da Oxum, resolveu-lhe dar também o poder do jogo e dividi-lo com Bará.
                                                                                                            04Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada por não poder participar das reuniões e das deliberações, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva. Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal na terra, apesar de tudo que faziam e deliberavam nas reuniões. Olodumaré perguntou a eles se Oxum participava das reuniões, foi quando os Orixás lhe disseram que não. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos e reuniões, e depois de muita insistência, Oxum resolve aceitar. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resultados positivos. Oxum é chamada Iyalodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre as mulheres da cidade.
Lenda dos Ibejis



Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.
Lendas do Xapanã



01 Os povos que Olorun criou e deu vida brigavam por um pedaço de terra. Muitas pessoas morriam, para que seus líderes pudessem conquistar extensões maiores para seu reinado. Os limites, para esses guerreiros, eram insuperáveis, e as guerras não tinham mais fim. Xapanã não entendia o motivo destas guerras, já que Olorun havia criado a terra para todos. Indignado com essa situação, resolveu mostrar a eles que a vida é o maior tesouro que alguém pode ter. O poderoso Orixá traçou, então, com seu cajado, um grande círculo no chão, no centro dos conflitos. Colocou dentro dele todo tipo de doença existente. Todo guerreiro, que por ali passasse, iria contrair algum tipo de doença. De fato, foi o que aconteceu. Muitas pessoas adoeceram, inclusive os líderes dos exércitos. Só isso conseguiu por fim às guerras. As doenças se transformaram em epidemias, deixando populações inteiras à beira da morte. Um Babalawô revelou o mau presságio, pedindo a todos que refletissem sobre o que estava acontecendo, por culpa deles próprios. Xapanã havia mandado essas mazelas para a terra, a fim de mostrar que, enquanto temos saúde e uma vida plena, não devemos nos preocupar excessivamente com coisas materiais. Assim, os que aceitaram esses desígnios e fizeram oferendas, conforme explicou o Babalawô, conseguiram livrar-se de suas enfermidades e restabelecer sua dignidade.
Lenda de Obá



Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei. Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Ela resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, uma vez que Iansã andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô, principal comida do Rei. Obá, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim, Oxum falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô, sendo que nesse momento ela usava um pano amarrado a cabeça, escondendo suas orelhas. Obá agradeceu a sinceridade e em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e bravejou e gritou.Continuava então a guerra entre Oxum e Obá, só que agora muito mais séria, Xangô como não aguentava mais tanta discussão, resolve matar ambas, que saem correndo pelo mato, transformando-se em rios. E hoje nota-se que o encontro entre os rios Oxum e Obá, na África, são revoltos.
Lenda de Ossanhe



Ifá foi consultado por Orumilá que estava partindo da terra para o céu indo apanhar todas as folhas. Quando Orumilá chegou ao céu Olódùmaré disse: - Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas? Orumílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos, e todas as folhas que ele estava pegando, ele carregaria para a Terra. Quando chegou no meio do caminho entre o céu e a terra, ele encontrou Ossanhe e perguntou: - Ossanhe onde vai? -Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios. Orumilá disse que já havia ido buscar as folhas no céu e ele poderia fazer remédios com elas, porém não conhecia seus nomes. Foi Orumilá quem deu nome a todas as folhas, e disse pra Ossanhe que carregasse todas as folhas para a terra. Foi assim que Orumilá entregou todas as folhas para Ossanhe e também ensinou a ele o nome das folhas apanhadas junto com todo o poder delas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore.  Um dia Xangô se queixou a sua mulher Iansã, que só Ossanhe conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Iansã levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossanhe no chão quebrando-a.
Ele, ao perceber o que aconteceu, gritou: -Ewê Ô! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles. Porém os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossanhe para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.

Lendas de Odé Otim



01 Okê, rei da cidade de Otã, tinha uma filha. Ela nascera com 4 seios e era chamada de Otim. O rei Okê adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de Okê, este era o segredo de Otim. Quando Otim cresceu, o rei aconselho-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que a amasse, um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo. Otim ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, Otim viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de Otim, que insistiu em casar-se com ela. Otim recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impôs também sua condição: Otim jamais deveria por mel de abelhas na comida dele, porque isso era seu tabu. Por muitos anos, Otim viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra Otim. Era o dia de Otim cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador. Quando Otim deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida. Quando o caçador chegou em casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido. Furioso, bateu em Otim e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo. A novidade espalhou-se pela cidade como fogo. Otim, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos. Otim fugiu de casa e deixou a cidade do marido. Voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai. O velho rei a confortou, mas ele sabia que a noticia chegaria também a sua cidade. Em desespero, Otim fugiu para a floresta. Ao correr, tropeçou e caiu. Nesse momento, Otim transformou-se num rio, e o rio correu para o mar. Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha. Lá ia o rio fugindo para o mar. Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio Otim para o mar. Mas Otim contornou a montanha e seguiu seu curso. Okê, a montanha, e Otim, o rio, são cultuados até hoje em Otã. Odé, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.
03 Na cidade de Ifé realizavam-se festividades e rituais por ocasião das colheitas. Os sacerdotes da aldeia, fugindo aos seus costumes, não realizavam as oferendas obrigatórias para três das maiores bruxas conhecidas: as Iyá Mi Oxorongás. Esse ato imperdoável precisava de uma boa punição. Foi assim que elas enviaram um enorme pássaro para assombrar aquela aldeia. A ave ficou pousada no telhado do palácio, de onde podia avistar toda a cidade. Um clima de medo e mau agouro espalhou-se entre os moradores, que não sabiam o que fazer para acabar com aquele terrível monstro. Oferendas foram realizadas para as Oxorongás, mas sem resultado. Era tarde demais para isso. Foi então que alguns caçadores se apresentaram para matar o pássaro das bruxas, mas foram todos derrotados. O último caçador possuía apenas uma flecha, e era a última esperança de livrar a aldeia da morte. Esse caçador era Odé. Sua mãe, que estava longe daquele lugar, teve um mau presságio com relação a ele e consultando um Babalawô, teve a confirmação do que já sabia: seu filho corria grande perigo. Foram necessárias muitas oferendas para que a missão de Odé fosse executada com perfeição e, graças a isso, Odé pôde matar o pássaro com sua única flecha, livrando sua aldeia da aniquilação. Desde então, vem sendo venerado por esse povo.
04 Conta-se que Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá. Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossanhe, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossanha para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossanhe e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa "apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Odé uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossanhe, como predissera o babalaô. Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa. Odé voltou para a companhia de Ossanhe, e Iemanjá desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn (não confundir com Ogum Orixá).




Lendas do Xangô


01 Xangô era rei de Oyó, terra de seu pai; já sua mãe era da cidade de Empê, no território de Tapa. Por isso, ele não era considerado filho legítimo da cidade. A cada comentário maldoso Xangô cuspia fogo e soltava faíscas pelo nariz. Andava pelas ruas da cidade com seu oxé, um machado de duas pontas, que o tornava cada vez mais forte e astuto onde havia um roubo, o rei era chamado e, com seu olhar certeiro, encontrava o ladrão onde quer que estivesse. Para continuar reinando, Xangô defendia com bravura sua cidade; chegou até a destronar o próprio irmão, Dadá, de uma cidade vizinha para ampliar seu reino. Com o prestigio conquistado, Xangô ergueu um palácio com cem colunas de bronze, no alto da cidade de Kossô, para viver com suas três esposas: Oyá, amiga e guerreira; Oxum, coquete e faceira e Obá, amorosa e prestativa. Para prosseguir com suas conquistas, Xangô pediu ao Babalaô de Oyó uma fórmula para aumentar seus poderes; este entregou-lhe uma caixinha de bronze, recomendando que só fosse aberta em caso de extrema necessidade de defesa. Curioso, Xangô contou a yansã o ocorrido e ambos, não se contendo, abriram a caixa antes do tempo. Imediatamente começou a relampejar e trovejar; os raios destruíram o palácio e a cidade, matando toda a população. Não suportando tanta tristeza, Xangô afundou terra adentro, retornando ao orun.
Rei, muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso e adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força. Em certa ocasião, Xangô estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz era o próprio trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Xangô pretendia com essa atitude, ficando ali por muito tempo, impaciente por não obter resposta. De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. As pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido. Xangô, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível - a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!
02 Xangô correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara.
Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera. A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Xangô, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade. Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se numa gameleira. Iansã, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos eguns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser
reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte. Xangô ressurge dos mortos, tornando-se um ser encantado. 
Lenda do Ogum


Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé. Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Após instalar seu filho no trono, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.
Lendas da iansã

01 Ogum foi fazer uma caça e quando estava com um búfalo na mira de sua arma para derruba-lo, a pele do animal se abre e ele vê Oyá. Linda, ricamente vestida e cheia de ornamentos que valorizavam a sua beleza e sensualidade. Ela pega a pele do búfalo, esconde-a em um formigueiro e sai dirigindo-se para a cidade. Ogum a seguiu e completamente dominado pela sua beleza lhe propõe casamento, que não foi aceito por Oyá. Ogum, em seguida, retorna ao local onde a viu pela primeira vez e pegando a pele de búfalo a guarda para si mesmo, retornando para a cidade. Ele estava determinado a ter a seu lado Oyá e não se daria por vencido. Quando Oyá descobriu o roubo da pele volta à cidade e encontra Ogum esperando por ela, ela o acusa e exige o que é seu. Ogum finge não entender nada e Oyá sente que tem que se render e aceitar a proposta, mas impõe condições: Ninguém nunca poderia saber o seu segredo, ele nunca deveria revelar a ninguém. Ogum aceitou os termos e casaram-se, porém Ogum não estava sozinho, ele tinha outras mulheres que ficaram com ciúmes da bela Oyá e decidiram tomar uma atitude. Elas iriam embebedar Ogum com vinho de palma para dizer-lhes o segredo de Oyá. Então ele contou ser dela um chifre de animal, a pele e os cascos. Oyá fingiu que não era seu, mas quando deixada sozinha, correu até o local e vestindo seus pertences, a força do animal e a raiva vieram a tona e ela atacou e matou as outras mulheres. Desapontada com a traição de Ogum e sua falta de confiança, chorando de raiva por ele ter revelado seu segredo e decepcionada pretendia voltar para a floresta, mas seus filhos a chamavam de volta. Ela então pegou seus chifres e deu-lhes, dizendo-lhes que se eles se precisassem da ajuda dela, era somente bater uns nos outros e ela iria surgir a partir do vento para defendê-los. 


02 Iansã vivia feliz com Ogum pois os dois tinham muitas coisas em comum, como o gosto pela guerra e o desejo de desbravar novos lugares. Gostavam da companhia um do outro, sentindo-se em harmonia. Iansã gostava muito de vê-lo trabalhar em seu oficio de ferreiro, tentando aprender como ele confeccionava suas armas e ferramentas. Ela pedia insistentemente que lhe fizesse uma arma para guerrear.
Um dia, Ogum a surpreendeu, oferecendo-lhe uma espada curva, que era ideal para seu uso. Isso a agradou muito, tanto que, mais tarde, todo seu exército estava usando esse mesmo tipo de arma. Porém Ogum não a levava em suas batalhas, deixando-a sozinha e entediada. Sem falar no tempo que gastava em seus afazeres de ferreiro. Iansã adorava a liberdade, mas, ao mesmo tempo, não dispensava uma boa companhia. Começou a sentir-se rejeitada por ele. Foi nesse momento que Xangô, o grande rei, foi procurar Ogum, pois precisava de armas para seu exército. Ele era muito atraente e cuidadoso com sua aparência. Era impossível não notar sua presença. Ogum, aceitando o pedido, começou a produzir armas para Xangô, que tinha muita urgência. Ficaria na aldeia o tempo necessário para o término do serviço. Xangô também notou a presença de Iansã, sentindo uma grande atração por ela. Com seu jeito de ser, aproximou-se dela para trocar conhecimentos a respeito de suas habilidades. Descobriram, nessas conversas, que possuíam muitas afinidades, inclusive que não gostavam de viver isolados, assim como Ogum. Iansã estava muito interessada em Xangô e em tudo o que estava aprendendo com ele, mas não queria magoar Ogum, a quem respeitava muito. Xangô propôs-lhe uma união eterna, sem monotonia, sem solidão, viajando sempre juntos por toda a terra. Seria uma união perfeita. Quando Ogum terminou seu trabalho, os dois já haviam partido. Ele ficou enfurecido com a traição de ambos, mesmo sabendo que sua companheira não podia ficar cativa para sempre e partiu atrás deles para vingar sua desonra! Iansã estava vindo ao seu encontro, para explicar-lhe que não poderia mais ficar com ele, pois Xangô a completava, mas que iria respeitá-lo sempre como grande Orixá da guerra. Ogum estava tão enfurecido, que não ouviu o que ela dizia, e foi com grande fúria que investiu contra ela, erguendo sua espada. Iansã, em defesa própria, também o atacou. Ela foi golpeada em nove partes do seu corpo e Ogum em sete, formando curas. Esses números ficaram muito ligados a esses Orixás, assim como as curas, que foram introduzidas nos rituais africanos.


03 Oxaguiã estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguiã pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiã que Iansã, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Iansã se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo, consequentemente aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiã venceu a guerra e veio então agradecer Ogum. Mas na casa de Ogum, enamorou-se de Iansã. Um dia fugiram Oxaguiã e Iansã, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiã voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Iansã teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiã, onde vivia, Iansã soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiã da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Iansã cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte ela soprava a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Iansã e o povo chamava a isso tempestade.
Lendas do Bará



01 Bará, sabedor de que uma rainha fora abandonada pelo esposo, procurou-a, entregou-lhe uma faca e ordenou-lhe que cortasse alguns fios da barba do rei, dizendo: - Traga- me esses fios de barba que lhe farei um amuleto que trará seu marido de volta. Mas Bará também procurou o filho do rei, e disse ao príncipe que o rei iria partir para uma guerra e pedia seu comparecimento à noite, ao palácio acompanhado dos seus guerreiros. Finalmente, Bará foi ao rei e disse: - A rainha, magoada com sua frieza, deseja matá-lo para se vingar. Cuidado esta noite! E a noite veio. O rei deitou-se, fingiu dormir e viu, logo depois a rainha aproximar uma faca na sua garganta. Ela seguia as instruções do Bará, e queria apenas um fio da barba do rei, mas ele acreditou que a esposa deseja sua morte e ambos lutaram. O príncipe que chegara ao palácio com seus guerreiros , escutou os gritos e correu aos aposentos dos pais. Chegando e vendo o rei com a faca na mão, pensou que ele queria matar sua mãe. Por seu lado, o rei, ao ver o filho chegar com seus guerreiros, acreditou que eles desejavam matá-lo. Gritou socorro. Sua guarda acudiu e houve grande luta, o massacre foi generalizado.


03 Um belo dia, numa dessas festas, os Orixás começaram a sentir falta da alegria que a música trazia. As cerimônias ficavam muito mais bonitas ao som dos tambores. Novamente, eles se reuniram e resolveram pedir a Bará que voltasse a animar as festas, pois elas estavam muito sem vida. Bará negou-se a fazê-lo, pois havia ficado muito ofendido quando sua animação fora censurada, mas prometeu que daria essa função para a primeira pessoa que encontrasse. Logo apareceu um homem, de nome Ogan. Bará confiou-lhe a missão de tocar tambores e entoar cânticos para animar todas as festividades dos Orixás. E, daquele dia em diante, os homens que exercessem esse cargo seriam respeitados como verdadeiros pais e denominados Ogans.