sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

               Os aconselhamentos com os Guias espirituais

O tema abordado nesse post busca fazer uma reflexão sobre os 
aconselhamentos que ocorrem nos terreiros de Umbanda, a fim de 
elucidar sobre o real sentido desse trabalho realizado por essa amada
 religião e seus falangeiros.


O aconselhamento com os Guias espirituais é algo muito comum nos 
terreiros de Umbanda, na verdade a maioria dos atendimentos 
disponibilizados pelas casas se resumem a tal trabalho de orientação 
a encarnados. Claro está que jamais devemos generalizar tal assertiva,
 tendo em vista que há muitas casas que possuem sua visão 
mais aberta e vão além de aconselhamentos, utilizando-se de passes,
 benzimentos, cromoterapia, batimento de ervas, palestras, etc. Porém, 
tais procedimentos ainda fazem parte do repertório de uma minoria, ficando 
o aconselhamento como o grande destaque dos trabalhos trazidos pela religião 
de Umbanda.

Dessa forma, o trabalho de orientação espiritual começou a tomar outras
 proporções, pois devido a ideia de que os Guias espirituais tem o "dever" 
de orientar as pessoas que passam por problemas, os trabalhos de 
aconselhamentos começaram a se transformar em um momento de 
conversa fútil entre frequentador e Guia, chegando ao ponto de 
somente um aconselhamento durar mais de 20 minutos.

Importante salientar que os aconselhamentos entre pessoas realmente 
necessitadas e os Guias é algo totalmente natural, pois é um dos trabalhos 
que a Umbanda traz em seu seio, porém, não devemos confundir problemas
 relevantes com situações banais, do cotidiano e que só cabem a 
nós mesmos, encarnados, resolvermos. Compreendemos que os Guias 
tem muito a nos orientar e ensinar, devido a sua sabedoria e seu olhar 
apurado, diante da situação de estarem do outro lado da vida, entretanto,
 o trabalho de aconselhamento não é mero bate-papo sobre a vida. 
Podemos identificar esse pensamento nas palavras de Aniceto, no
 capítulo 46 do livro "Os Mensageiros" de André Luiz, onde o nobre amigo 
espiritual comenta:

"A solicitação de terapêutica para a manutenção da saúde física, pelos que 
de fato se interessem pelo concurso espiritual, é sempre justa; todavia,
 no que concerne a conselhos para a vida normal, é imprescindível muita 
cautela de nossa parte, diante das requisições daqueles que se 
negam voluntariamente aos testemunhos de conduta cristã. 
O Evangelho está cheio de sagrados roteiros espirituais, e o discípulo,
 pelo menos diante da própria consciência, deve considerar-se obrigado 
a conhecê-los."

É interessante o que o amigo espiritual nos comenta, pois muitos de
 nós ainda acreditamos que os problemas do casamento, do trabalho 
ou da vontade de ter algum bem material se confunde com real 
estado de necessidade, e então procuramos nos conselhos dos Guias
 alguma solução, entretanto, os amigos espirituais não estão aqui 
para nos aconselhar sobre tais situações, e sim sobre reais necessidades 
ou problemas espirituais. Seguindo a diante no mesmo capítulo citado,
 o amigo espiritual continua a nos elucidar sobre o assunto, vejamos:

"Possivelmente, vocês objetarão que toda pergunta exige resposta e
 todo pedido merece solução; entretanto, nesse caso de esclarecer
 determinas solicitações dos companheiros encarnados, devemos recorrer, 
muitas vezes, ao silêncio. Como recomendar humildade àqueles que a
 pregam para os outros; como ensinar paciência aos que a aconselham
 aos semelhantes, e como indicar o bálsamo do trabalho aos que já 
sabem condenar a ociosidade alheia? Não seria um contrassenso? Ler os
 regulamentos da vida para os cegos e para os ignorantes é obra meritória, 
mas repeti-los aos que já se encontram plenamente informados, não 
será menosprezo ao valor do tempo?"

Podemos ver que os espíritos que vem nos trazer os conselhos nos terreiros,
 ou seja onde for, não estão aqui para perder tempo em bate-papos, 
estão a serviço e desejam auxiliar o máximo de encarnados que desejam 
ajudados, entretanto, não perdem tempo falando sobre coisas que já 
sabemos, e que ao invés de colocarmos em prática, procuramos que
 eles nos passem a mão na cabeça, a fim de nos sentirmos mais leves.
 Compreendemos que os aconselhamentos são diretos, e que tem de
 haver uma parceria entre encarnado e Guia, onde o consulente recebe o
 conselho, entretanto, deve se movimentar para que as coisas aconteçam 
na vida dele, e não esperar que o Guia faça tudo sozinho.

Notamos que quando um Guia comenta ao consulente que o problema da 
vida dele não andar é devido a ele se encontrar parado sem fazer nada, 
a pessoa se sente ofendida, e a primeira coisa que vem a cabeça é que,
 Guia de Umbanda não fala assim, ou que o médium está obsediado, 
entretanto, o Guia está alertando e aconselhando para que o frequentador
 comece a modificar seus atos e costumes, a fim de mudar o panorama em
 que se encontra, e esse sim é o papel do Guia, passar a mão na cabeça da 
gente quando erramos não nos faz aprender, e será que o benfeitor 
espiritual cometeria esse erro conosco? 

Acreditamos que os aconselhamentos com os Guias são orientações que
 nos fazem refletir sobre onde erramos e como devemos fazer para 
não errarmos mais, mas quem decide por qual caminho queremos 
seguir somos nós mesmos, Guia nenhum nos pega no colo e caminha por nós.

Fonte utilizada: "Os Mensageiros" - André Luiz/ Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) - FEB.

                            Balança, como pesa a balança"

"Serás julgado na mesma medida em que te julgas e 
que julgas o teu próximo"



O ser humano é falho e depositamos nele a imagem do ideal, da perfeição, 
do exemplo. Esquecemo-nos que somos apenas mensageiros, imperfeitos,
 da voz de Deus.

Tua fé é de cristal? Tens fé no homem ou em Deus? Quem és tu para
 julgar se não aceitas nem a ti mesmo? O que fazes para colaborar com o 
mundo em que vives?

Não é hora para melindres e arrependimentos contumazes. É hora 
de trabalho! Nego vai seguir trabalhando e desmanchando os desprazeres
 que já vivenciou em outrora, nego vai seguir trabalhando na fé dos irmãos,
 auxiliando no ego, no ciúme e na inveja.

Nego véio vai seguir trabalhando no desequilíbrio mental dos meus irmãos, 
com a luz de Deus, que cura através de suas mãos, que são médiuns!

O caminho de cada um não depende apenas da pessoa que vos dirige, 
o caminho de cada um depende dos passos que dão dentro do livre 
arbítrio, o caminho de cada um depende da fé que possui em Deus, 
que possui na vida e na força maior que te rege.

Falar é plenamente fácil quando a tua prova é mais leve que a do outro,
 ou quando não estás na pele de quem passa por dores diferentes de ti.

Se aqui estamos, irmãos em fé, unidos em nome de Deus, então por 
que tudo desmorona diante de uma falha, seja ela de quem for e onde for?
 Que fé é essa que te faz descer até o fundo do poço, no lamaçal, e que 
deixa que julgues o teu próximo de maneira como se fosse um carrasco 
dos tempos antigos da senzala, quando - antes o teu irmão te servia 
plenamente na tua caminhada?

Segue a tua vida com a fé que dizes ter, mas que trabalhes com amor 
no coração e caridade acima de tudo.

Não procures por teu nome na fama, procures ser o anônimo que faz 
o bem sem olhar a quem e sente prazer nisto!

Trabalhes, primeiramente nos teus defeitos se queres auxiliar o próximo
 a melhorar.

Faça, primeiro, os teus sacríficos, as tuas abnegações, deixas de lado o 
teu orgulho, a tua dificuldade e depois que experimentares o jugo leve do 
autoperdão, venha me falar de julgamentos, pois ai a tua balança estará
 equilibrada dentro da lei e da justiça divina, mas ai não serás mais ser
 humano encarnado na Terra e não terás mais a necessidade de conceituar
 o que é certo ou errado, ou o que é bom ou ruim.

Apenas aprenderás que cada passo é um aprendizado e que cada pisada 
firme no chão é um fato que fica na história cármica de cada um de nós, ai,
 verás que fazes parte de um todo, que és filho do Criador e te sentirás
 aliviado por participar da corrente divina do amor.


Negu véio vem de longe, nego veio vem de aruanda
Nego veio vem pra ajudar filhos de umbanda!

Salve vós meus queridos irmãos, firme na caminhada, muito amor no coração
 e plenitude no caminhar.

A vida reserva para vós as mais belas flores, saibas andar.

Aprenda que na próxima esquina pode aparecer para ti o que julgas 
como surpresa desagradável, mas tirarás dela uma bela lição, a
 lição que viestes aprender, ou afundarás para baixo do lamaçal.

A escolha é tua!
Bendito seja vós
Benditas sejam as palavras que saem da tua boca
Bendito seja aquele que trabalha em nome de Deus, sem pensar em fama,
 em ludibriar o próximo!
Bendita seja a minha amada Umbanda
Saravá a todos os trabalhadores em nome da verdadeira luz!

Pai Guiné de Aruanda


Fonte: Blog http://sbalreira.blogspot.com.br/ , "Pensamento Livre", 
por Stéphanie Valente Balreira.

                Umbanda: Balcão de trocas ou hospital da alma?

Nos dias atuais vemos uma diversidade enorme de casas que se denominam
 umbandistas, em cada uma um modo diferente de se relacionar com
 os espíritos e com as forças cultuadas nesta religião rica em suas ritualísticas
 e fundamentos. Porém, o que nos chama a atenção é o seguinte ponto, entre
 tantas diferenças, o que realmente é essa religião que ora parece fazer o
 bem e ora entra em total contradição?



Sabemos que a religião de Umbanda já foi muito mais cultuada em 
tempos atrás, onde pontos de Umbanda tocavam às rádios famosas,
 e o assunto era comentado até mesmo em programas televisivos. Entretanto,
 com o passar do tempo parece que a tal febre umbandista cessou, e o
 tamanho amor e carinho pela amada Umbanda deu lugar à vergonha,
 onde muitos de seus próprios praticantes buscavam esconder-se 
quando perguntado sobre sua religião, dizendo serem espiritualistas.

O fato, embora curioso, é totalmente explicável, segue que, quando a 
Umbanda foi criada, através do advento do Senhor Caboclo das Sete 
Encruzilhadas, na data de 15 de novembro de 1908, essa religião trazia 
em sua base o Evangelho de Jesus, e buscava, através do intercâmbio 
espiritual, trazer paz, amor e esclarecimento para os seus praticantes e 
adeptos. Entretanto, como bem sabemos, a árvore que produz bons frutos
 é a que mais leva pedrada, e logo as trevas deu jeito de tentar inverter 
o que o amado Caboclo lutou para trazer, se utilizando de 
encarnados desavisados e sem comprometimento com o ideal do Cristo, 
começou a inversão de valores positivos que a Umbanda sempre pregou.

As formas de se utilizar das forças para o bem começaram a ser 
desvirtuadas, e a utilização dos elementos de maneira benfazeja deu
 lugar à manipulação de elementos primitivos, em busca de 
prazeres e conquistas egoísticas e mundanas. Espíritos comprometidos 
com o desvirtuamento dos seres começaram a dar comunicações, 
utilizando-se de nomes respeitáveis da Umbanda, e a coisa logo
 começou a tomar o rumo desejado, o nome da religião de Umbanda 
começou a ter outro sentido, para a sociedade o sentido do amor e 
do bem com Jesus deu espaço a “casa de batuques”, “macumba”,
 entre outros nomes que buscam dar um sentido pejorativo.

Os desavisados logo começaram a ir atrás dessa “umbanda”, 
em busca de dinheiro, pessoa amada em tantos dias, o emprego 
desejado e tantas outras coisas que dependem pura e exclusivamente
 do próprio encarnado, que deveria obedecer ao “pedi e obtereis”, isto é,
 te esforça, persevera e então conquistarás o desejado. Tudo virou 
trabalho feito, os adeptos se atrofiaram diante do imediatismo, e a 
gama de trabalhos nas esquinas aumentou significativamente, na 
esperança que da noite para o dia tudo mudasse em suas vidas. 
Neste momento ocorre uma explosão de surgimento de terreiros de 
"umbanda", onde seus fundadores e adeptos criam fundamentos 
que não condizem com a Lei de Umbanda, e que somente são 
usados para alimentar suas manias, vontades e achismos, 
tendo nesses lugares a falta de esclarecimento, em outros terreiros
 que surgiam vemos o total desleixo e desrespeito perante a cúpula
 espiritual da Umbanda, onde em diversos locais é colocado o 
preço da vil moeda para intercâmbios espirituais e diversos tipos de trabalhos. 

Neste "BUM" de casas ditas umbandistas, vemos seus fundadores injetarem 
diversos ritos, liturgias e fundamentos que proviam de diversos outros
 cultos para dentro de suas práticas umbandistas, onde muito destes
 novos fundamentos contradiziam as Leis de Umbanda deixadas 
pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas. Vemos então 
diversas práticas um tanto quanto discordantes com a Umbanda, 
tais quais, o sacrifício animal, a cobrança pelos trabalhos realizados,
 feituras de cabeça/santo, e em certos casos trabalhos de magia 
negativa realizados por supostas entidades de Umbanda. Tudo isso 
começou a ser feito em nome da Umbanda, e a religião que nada tinha
 a ver com isso, começou a ser vista com maus olhos, vista como um
 balcão de milagres, ou ainda, balcão de trocas, onde a pessoa dá uma
 garrafa de pinga, para receber em troca aquilo que desejara.

Entretanto, caros amigos, não foi essa a religião criada pelo Senhor
 Caboclo das Sete Encruzilhadas, não é esse o sentido com que essa 
religião veio à tona, em sua base sempre teve o Evangelho de Jesus
 como doutrina primordial, e a sua função na Terra é servir de Hospital da Alma.

E como todo o hospital, a Umbanda também se serve de métodos 
de atendimentos, onde através de uma triagem feita ao consulente, 
por exemplo, o centro pode acompanhar a assiduidade durante o
 tratamento, pode analisar as indicações passadas pelos guias, e
 mostrar que disciplina e ordem são elementos indispensáveis ao
 bom andamento dos tratamentos e trabalhos em um centro.

A Umbanda não é um local aonde as pessoas vão para se lamentar
 para os guias, elas vão para aprender, para buscar uma melhora, e 
como todo o tratamento médico, se não tiver cooperação do paciente,
 não há a cura desejada. O centro de Umbanda comprometido com
 os ideais deixados pelo Mestre Jesus, não se utiliza somente de 
aconselhamentos com os guias, mas ensina os seus frequentadores
 através de palestras, de cursos, de estudos, mostrando que tem muito mais a oferecer.

A Umbanda, minha gente, não é balcão de trocas, é hospital de almas
. Os tempos são chegados, e com ele a espiritualização do ser terreno, 
aos poucos a Umbanda retoma sua cara, readquirindo a forma e a função
 com que foi criada. Que Deus abençoe a amada Umbanda.

                               A descrença nos dias atuais

Salve a todos, o Luz na Umbanda busca trazer um assunto que pode estar 
ocorrendo nos dias atuais, "A Descrença". Visa, através do presente texto,
 abordar alguns fatores que podem gerar a mesma, e ainda, tenta 
esclarecer e ao mesmo tempo incentivar aos irmãos de boa-fé.






No presente momento em que a escola terrena passa, presenciamos
 dificuldades das mais variadas formas na vida de cada cidadão. Tal fato
 não é de se admirar, tendo em vista que cada ser humano é um universo,
 e cada ser tem seus próprios desafios íntimos a superar.

Entretanto, há alguns pontos que devemos observar melhor, tendo em
 vista que os mesmos vão além das nossas próprias dificuldades, e que 
nos estimulam a vivenciá-las com mais intensidades, isto é, exaltá-las,
 transformando certos problemas em grandes transtornos em nossa caminhada.

Como bem sabemos, “os tempos são chegados”, e com eles vem o
 progresso de nosso orbe, das energias que circundam o mesmo, e ainda,
 a evolução moral e espiritual de toda a humanidade terrena. Entretanto,
 temos a oposição no lado espiritual, onde os inimigos do bem e da luz 
não desejam a ascensão da humanidade, pois dentro da visão dos mesmos
, o Cordeiro venceria essa “batalha” entre o bem e o mal. Embora pareça
 uma ficção científica, os trabalhadores das sombras já começaram seu
 trabalho há muito tempo, prevendo que esse momento em breve chegaria,
 e achar que tudo isso não passa de um conto vulgar, é o que os senhores 
das sombras mais desejam, pois assim, a humanidade ficará a mercê de 
seus planos mirabolantes.

Muitos desses planos já estão sendo postos em pratica, e um deles é
 o que tange a descrença da humanidade, sim, a falta de fé é um dos
 meios de facilitar a indução humana a ações das mais desprezíveis até 
para o ser mais ignorante.

E para que possamos começar a entender melhor esse processo,
 vamos pensar um pouco sobre o assunto, nesse momento atual 
que a nossa amada Terra passa, e principalmente o Brasil, “a pátria do
 evangelho”, os seus habitantes não estarão tendo dificuldades em 
lidar com a fé? A descrença e a desconfiança não se fazem presente na
 boca do povo e no coração dos desavisados? Acreditamos que até 
mesmo as pessoas dedicadas à religião, seja ela qual for, estão tendo 
certas dificuldades quanto a esse assunto. E por que isso? Será que 
é simplesmente uma falta de fé das próprias pessoas ou será algo que 
está acontecendo que estará nos levando a esses sentimentos e pensamentos?

No livro “Os mensageiros”, obra de André Luiz, pelas mãos de 
Chico Xavier, podemos ver no seu capítulo 33, “A caminho da Crosta”,
 as palavras de André Luiz e de seu orientador, Aniceto:

“A paisagem tornou-se, então, muito fria e diferente. Não estávamos
 em caminho trevoso, mas muito escuro e nevoento. Tornara-se densa
 a atmosfera, alterando-nos a respiração. (...)”

“Aniceto completou, conosco, a vastidão caliginosa e falou em tom grave:
 (...) Infelizmente, as emissões vibratórias da humanidade encarnada são
 de natureza bastante inferior, referindo-nos à maioria das criaturas 
terrestres, e estas regiões estão repletas de resíduos escuros, de 
matéria mental dos encarnados e desencarnados de baixa condição”.

Tendo a oportunidade de observarmos o que os amigos espirituais nos
 demonstram sobre as emissões vibratórias da humanidade, podemos 
dizer que, a crosta terrestre, está envolta em vibrações emanadas por
 todos os seres encarnados, e também, pelos desencarnados que por 
aqui circulam. E se prestarmos atenção, no atual momento em que 
passamos, há uma revolta muito grande por parte da humanidade, a 
mesma está totalmente descrente no seu futuro, não acredita mais no 
que os líderes de nosso país falam, não acreditam mais no próximo, 
e devido a tudo isso, a desconfiança nos líderes religiosos também
 cresce, e tudo só leva a um caminho: A falta de fé em tudo e em todos, 
e consequentemente, a falta de fé em Deus.

Truque barato das sombras, mas eficaz demais, pois ainda estamos 
presos à ignorância material, e esse pequeno plano vai além, o
 ser humano, ao pensar em uma dificuldade que pode estar por vir, 
e todo o ser, como filho de Deus, como centelha do Criador, sempre 
pressente, em pequena ou maior escala as mudanças que ocorrerão, 
e ao invés de procurar ajudarem-se mutuamente, o ser humano acaba
 correndo para o lado contrário, essa falta de fé causa o egoísmo, e 
naturalmente o ser começa a olhar somente para si e seus familiares, 
então as filas aumentam para a compra de alimentos em grandes 
quantidades, pois o pensamento é estocar, e o problema é de quem não conseguiu assim agir.

Ainda podemos observar outro fator, toda essa revolta influenciada 
pelas conversações e pela mídia, acaba por gerar uma euforia na 
sociedade, os pensamentos são reavivados a todo o momento pelos 
noticiários sobre as crises e os vandalismos. Tudo isso, começa a ter,
 a cada dia, mais força, e ao mesmo tempo, mais energias densas são
 emanadas pelos seres humanos que estão nervosos e aflitos com as
 situações, com isso, bolsões de energias densas são gerados e avivados
 pelo mental coletivo, e tais energias são tão densas, que acabam por criar
as parasitoses, as viroses e as epidemias que a gente vê, de repente, 
pegar toda uma grande parcela da sociedade de súbito. Tudo isso é 
fruto de um esquema gerenciado pelas forças das sombras, os amigos
 infelizes que ainda se encontram na ignorância.

Com isso, acabam os amigos dedicados ao bem, ainda encarnados, 
ficando tristes, pois até eles às vezes sentem a descrença lhe assaltarem 
os pensamentos, entretanto, meus irmãos, não se julgue infeliz por ter
 esses pensamentos, pois não é somente você que passa por isso, toda
 a coletividade emana esse tipo de emoção e sentimento, e àqueles que
 não desejam o progresso do bem, tentarão manipular essas energias em
 direção a você que tenta, em meio a esse turbilhão de negatividades,
 praticar o bem. Por mais que tais sentimentos lhe assaltem o coração,
 a mente adestrada conseguirá administrar o pensamento e o fará 
continuar a seguir os passos do mestre Jesus.  Não foi atoa que 
o Espírito Verdade nos avisara, “Espíritas; amai-vos, eis o primeiro
 ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”¹, pois somente a instrução
 e o estudo poderá adestrar a mente, e somente a mente adestrada 
saberá manter a razão a cima da emoção, e conseguirá nos manter no
 trilho da redenção ao invés dos que nos levam a perdição.

Tenha fé!
A fé

“O homem necessita, para sua sobrevivência, cultivar dentro de si a fé, 
sentimento que vai aos poucos desabrochando de acordo com a evolução 
e o crescimento interior do ser humano. Sem ela, não se consegue vencer 
os momentos de dor e as horas de solidão e de desalento.

A fé envolve o coração triste e amargurado num círculo de esperança e de
 confiança, mostrando um amanhã diferente, cheio de sol e de alegrias. 
pode transformar um corpo doente e envelhecido num ser revitalizado e 
remoçado, pronto para reiniciar sua jornada e voltar ao trabalho novamente.
 Destrói as lembranças negras e tristes de um passado de amarguras e
sofrimentos.

A fé nasce pequenina e obscura como uma semente, vai aos poucos crescendo 
e se agigantando, tomando uma forma tão grande, que aquele que a possui 
não sucumbe jamais diante das tormentas causadas pelos atropelos e
 burburinhos dessa vida terrestre.
Guarda pequena semente dentro do teu coração e procura cultivá-la 
carinhosamente, tendo o cuidado de regá-la, constantemente com a 
força e o domínio da prece feita com todo fervor, para que ela possa 
crescer e florescer ao teu lado, dando-te a segurança e a confiança de 
que necessitas para empreender tua caminhada até o fim.

Quando vieres a necessitar dela para saciar tua fome de justiça e de perdão,
 lá estará forte e robusta, dando-te o fruto necessário e cobrindo-te com sua
 sombra nas horas em que o cansaço e a fraqueza te assaltarem traiçoeiramente.

Confia no Pai e em Sua bondade constante. Com a tua mente no Senhor,
 tudo poderás vencer e nada surgirá em teu caminho como empecilho,
 a fim de subires a escala redentora.
Abre tuas mãos para a oferta caritativa e abençoada; junta-te aos irmãos 
que também roçam e aram nesse mesmo campo de trabalho.

Despoja-te da dúvida e da preguiça que, como inimigos, procuram inibir-te
 e afastar-te do trabalho que futuramente te dará a grande alegria de uma 
abundante colheita."


Texto extraído do livro “Relicário”, por Elma Layde Lamounier Torres, pelo espírito Irmão Tomás.

¹ O Evangelho Segundo o Espiritismo: O Cristo Consolador (Advento do Espírito de Verdade).

                              Caminho longo e porta estreita


Trazemos estas reflexões neste dia de hoje, a fim de nos fazer
 pensar a respeito de nossas escolhas, das propostas de vida
 que afirmamos trilhar e encarar, dos trajetos que necessitaremos trilhar
 para alcançar nossos objetivos espirituais ou não.





A frente de uma novidade em nossas vidas, de uma notícia otimista
 e de resultados salutares e benéficos na vida de outrem, muitas vezes 
decidimos que iremos seguir em determinada jornada, gritamos para 
Deus e o mundo que é aquilo que queremos, contamos para todos
 aqueles que julgamos e não julgamos importantes em nossas vidas,
 e assim começamos nossas jornadas, ou deveríamos.

Com muita empolgação e entusiasmo apontamos novas tarefas para nós, 
classificamos ações, pessoas e situações que devem surgir em nossos 
caminhos, mas na maioria das vezes é somente fogo de palha. Sim, 
chama rápida, que no meio da escuridão pode até marcar aos olhos,
 mas que não aquece o frio da alma, não ilumina a consciência e não
 representa poder de realização. Queremos, sonhamos, idealizamos mas
 não sai do papel, pois pra isso é necessária ação.

Como já dizia um amigo espiritual, "movimentação não significa trabalho".

A questão aqui não é criticar boas idéias que surgem em nossas mentes,
 não é nos fazer achar que sentir-se entusiasmado e empolgado é ruim,
 pois é muito bom, o detalhe é somente que, devemos, antes de fazer uma
 série de especulações, antes de afirmar externamente elas, devemos 
pensar no que elas implicam em nossas vidas, no que elas representam 
para o nosso mundinho.

Acreditamos que algumas perguntas podem nos ajudar, tais como: 
"Eu quero mesmo fazer isso?"; "Isso tudo é para que eu sinta ou para
 que os outros vejam?"; "O que terei que sacrificar para isso?"; "Na
 minha opinião, estes sacrifícios valem a pena para o determinado fim?".

Seja em qualquer âmbito que decidimos mudar nossas vidas para melhor,
 sermos  mais felizes conosco e com nossas atividades, necessitamos 
realizar a "morte do homem velho", ou seja, abrir mão dos hábitos que
 impedem ou prejudicam nosso objetivo, e vivenciar o "nascimento do
 homem novo", onde seria o momento que alcançamos e 
experimentamos aquilo que decidimos realizar.

Quando se trata de mudanças em âmbito emocional e espiritual, 
isto se torna bem nítido, onde se começa a  busca pela bendita e
 idealizada "Reforma Íntima". Esse caminho SEMPRE será estreito,
 SERÁ longo, DARÁ trabalho, mas não precisa ser um martírio, uma
 tortura. Nós, que pela falta de coerência em nossas vidas, o tornamos 
um tormento, onde insistimos em manter os mesmos hábitos, a mesma
 metodologia de vida, para alcançar um fim, um objetivo, um resultado
 diferente do qual já estamos cansados de obter. Ou será que estamos mesmo?

Uma frase que nos marcou muito, dita por um amigo e irmão de caminhada, 
nos fala que "Para subir a montanha é necessário deixar o bosque". 
Pode-se interpretar essa afirmativa de diversas maneiras, mas de 
uma forma bem simples, vemos o bosque como nossa zona de conforto, 
e a montanha o nosso objetivo.

Não se chega a montanha sem sair do bosque, muito menos ela irá vir 
até nós por somente "namorar" a mesma. Que coloquemos nossa 
mochila em nossas costas, que avisemos aqueles queridos que se 
encontram no bosque conosco que estamos de partida, e que se 
quiserem andar ao nosso lado são muito bem vindos, mas se não, 
que pena, nos vemos adiante, e caminhemos!

Pra fazer essa caminhada é necessário despedidas, é necessário
 abnegação. Não terá como caminhar para a montanha, e começar
 a namorar o bosque, ou vez ou outra, querer fazer uma visitinha 
"ao velho bosque". Ou se vai ao bosque, ou se vai à montanha.

Nesse momento, acreditamos que nada melhor do que uma passagem
 bíblica, seguida de uma poesia para concluir essa reflexão.

"Todas as coisas me são lícitas, porém nem todas me convém. Todas
 as coisas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma 
delas." (Paulo, 1 Coríntios 6:12)



"Vem por aqui — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí... Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(José Régio - Cântico Negro)