sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

                                Preconceito Espiritual

Preconceito Espiritual, eis um tema que já se arrasta por muito tempo 
entre as religiões,
 o preconceito, mas aqui não falamos do preconceito entre encarnados,
 entre os vivos na carne, mas sim, um preconceito que foi levado também 

para o além-túmulo, porém, de encarnados para com desencarnados.


Primeiramente devemos entender que nem sempre foi assim, quando a 
doutrina dos espíritos surgiu, codificada por Allan Kardec, o preconceito 
espiritual não era dessa forma, pois havia mais estudo por parte dos que
 levavam a cabo tal doutrina, e além do mais, havia comprometimento 
com a causa. Porém, no Brasil a doutrina sofreu um processo excessivo
 de intelectualização, devido a grande maioria que a pregava ser de 
classe média/alta, sendo assim, se faziam presentes nas reuniões 
professores, doutores, políticos e pessoas de influência, o que
 trazia à reunião pessoas de conhecimento dito superior. Com o 
passar do tempo às reuniões começaram a adquirir um caráter científico,
 isto é, seus adeptos exigiam demonstrações e provas dos espíritos, a fim
 de comprovarem a existência da vida após a morte e dos fenômenos
 ali praticados, e com isso veio outra exigência dos médiuns, os 
espíritos que se manifestavam deveriam ser espíritos de renomes, como
 poetas, médicos, artistas, freis e freiras, devendo também usarem 
de um palavreado mais culto, rebuscado, dito de teor elevado.

Com estas transformações da doutrina dos espíritos, que sempre teve 
como objetivo o conhecimento, a razão, mas a cima de tudo a fraternidade
 e a caridade, a mesma acabou não sendo propagada à todas as classes de
 pessoas da época, pois os mais humildes e ignorantes do saber ao se 
depararem com discussões complexas e palavreados que não entendiam 
acabavam por se sentir inferiores, e já que não entendiam direito o que
 acontecia, acabaram por deixar de conhecer a realidade espiritual e 
os diversos conselhos trazidos pelos espíritos. Porém, não eram somente
 os encarnados que não conseguiam participar das reuniões espíritas, 
alguns espíritos também não conseguiam fazer parte das mesmas, 
pois ao se apresentarem como índios, ex-escravos, revestidas de 
uma aparência espiritual mais humilde, ou ainda, ao não usar de um
 linguajar mais formal, eram estes taxados de ignorantes, atrasados 
e inferiores, sendo praticamente “enxotados” das reuniões espíritas. 
Começamos então a entender a ideia de preconceito espiritual.

Os preconceitos com as entidades que se apresentavam de
 maneira mais humilde tinham embasamento na doutrina dos espíritos,
 ou pelo menos isso era o que diziam os adeptos do Kardecismo, porém,
 perguntamos: Será que esse embasamento está correto? Será que a 
doutrina dos espíritos era imbuída deste preconceito? Ou será que 
isso era coisa da religião que o espiritismo se transformou? Ou será que
 isso é coisa de religioso mal informado que trás seus preconceitos para 
dentro da religião?

Pois é, acreditamos que houve muita distorção no que tange este 
assunto, pois ao revermos às obras de Allan Kardec não encontramos
 tal embasamento na mesma. Não encontramos este preconceito nas
 folhas do Pentateuco organizado pelo querido codificador. Sendo assim,
 analisaremos alguns tópicos de “O Livro dos Espíritos” e também de 
“O Livro dos Médiuns”, onde é comentado sobre a linguagem dos
 espíritos, sua inferioridade e superioridade, vamos juntos ver o que 
realmente essa doutrina queria dizer ao tratar da linguagem dos espíritos
 e se referir a atraso espiritual, vejamos:

Já na introdução de “O Livro dos Espíritos”, no item X, Allan Kardec
 dá uma breve pincelada sobre tal assunto:

“Quem se reportar ao resumo da doutrina acima apresentado, 
verá que os próprios Espíritos nos ensinam não haver entre eles 
igualdade de conhecimentos nem de qualidades morais, e que não
 se deve tomar ao pé da letra tudo quanto dizem. Às pessoas sensatas 
incumbe separar o bom do mau. Indubitavelmente, os que desse fato 
deduzem que só se comunicam conosco seres malfazejos, cuja 

única ocupação consista em nos mistificar, não conhecem as 
comunicações que se recebem nas reuniões onde só se manifestam
 Espíritos superiores. do contrário, assim não pensariam. É de lamentar
 que o acaso os tenha servido tão mal, que apenas lhes haja mostrado
 o lado mau do mundo espírita, pois nos repugna supor que uma tendência
 simpática atraia para eles, em vez de bons Espíritos, os maus, 
os mentirosos, ou aqueles cuja linguagem é de revoltante grosseria.”

Vejamos que o codificador já comenta na introdução da obra que os
 próprios espíritos ensinam que não há igualdade de conhecimentos e 
nem de qualidades morais entre eles, isto é, cada um possui um tipo de
 conhecimento, cada um possui certas qualidades morais, e isso não 
significa ser atrasado, ser inferior, apenas que eles, os espíritos, assim
 como os homens encarnados, e devemos observar que os espíritos 
nada mais são do que os homens que já partiram para a vida além-túmulo, 
eles não conhecem sobre tudo, porém, não falar em certas formalidades
 não caracteriza inferioridade alguma. E ainda, ele fala que cabe a nós,
 homens sensatos, os que se utilizam do bom sendo, tanto trazido por
 Kardec, separar as os bons dos maus. Mas ele vai adiante, e ai meus
 amigos pode ter havido engano entre alguns adeptos, pois aqui ele
 comenta sobre espíritos maus, mentirosos, ou cuja linguagem é de 
revoltante grosseria, o que isto significa? O que é grosseria? Significa 
mal-educado, que se utilizam de expressões que denotam descortesia,
 incivilidade, são àqueles que agem com o desrespeito. Agora eu vos digo,
 me perdoem, mas um Preto-Velho que se manifesta e fala: “Salve meu fio”,
 ou utiliza de palavras como, “vosmecê”, não tem nada de grosseria, 
é apenas o modo de falar, carinhoso e humilde, e ser taxado de ignorante
 ou atrasado por isso, é fugir totalmente ao que diz aqui, logo na introdução
 da obra.

Vamos adiante, na segunda parte de “O Livro dos Espíritos”, no capítulo I, 
“Dos Espíritos”, no tópico “Diferentes Ordens de Espíritos”, na pergunta 98, 
temos o seguinte:

“98. Os espíritos da segunda ordem, para os quais o bem constitui a 
preocupação dominante, têm o poder de praticá-lo?” “Cada um deles
 dispõe desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou.
 Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos,
 porém, ainda têm que sofrer provas”.

Vejamos que os espíritos da segunda ordem são àqueles classificados 
como “bons espíritos”, e como diz a própria respostas dos espíritos a 
Allan Kardec, todos tem o poder de fazer o bem, porém, novamente
 é falada da desigualdade de conhecimentos, pois uns possuem a ciência
 e sabem explicar muito bem às coisas sobre a realidade espiritual e
 trazem tais informações para nos ajudar no progresso intelectual, porém,
 outros possuem a sabedoria e a bondade, isto é, embora não possuem o
 conhecimento científico sobre as coisas, pelo que já vivenciaram e 
experienciaram, adquiriram a fé, o amor, a paciência, e vêm nos ensinar 
sobre tudo isso, pois conhecer é uma coisa, agora coloca-la em prática
 da maneira correta é sabedora, então cada um tem um pouco a nos ensinar, 
e é exatamente isso que é comentado nessa questão.

Vamos além, no item “Escala Espírita” ainda no mesmo capítulo, na 
questão de número 100, é dado breve comentário sobre a mesma,
 e Allan Kardec comenta o seguinte:

“Não inventamos os espíritos, nem seus caracteres. Vimos e 
observamos, julgamo-los pelas suas palavras e atos, depois os
 classificamos pelas semelhanças, baseando-nos em dados que eles
 próprios nos forneceram".

Pois bem, agora o codificador usa de outra abordagem, ele primeiramente 
comenta que não inventou os espíritos e nem seus caracteres, sendo assim,
 deve-se observar e julgar se se é bom ou mau escutando os mesmos, o que
 infelizmente já não ocorria em algumas reuniões, pois muitos nem mesmo
 deixavam os espíritos de indumentária mais humilde abrir a boca para falar
, se tinha um vidente ele já julgava pelo seu “olhar” e mandava embora, 
se era dito algo informal também era mandado embora, não havia possibilidade
 de ouvir a mensagem. Depois Kardec nos comenta que julgava as 
PALAVRAS, e aí sim pode ter havido confusão, pois o codificador se
 utiliza da expressão “palavras” em diversos momentos de suas obras,
 porém, em sua maioria ele remete tal expressão ao fundo da mensagem
 que o espírito traz e não à palavra propriamente dita que o espírito usa.
 Vejam que isso é simples de analisarmos, pois na introdução de “O Livro
 dos Espíritos”, em seu item XIV, onde ele cita a objeção quanto às
 faltas ortográficas, onde é comentado que muitas vezes os espíritos 
superiores erram na gramática ao psicografarem, o codificador nos 
elucida que “Para os espíritos, principalmente para os espíritos superiores,
 ideia é tudo, a forma nada vale”, é claro que ele ainda fala mais algumas
 coisas a respeito e que só vem a corroborar com nossa explanação, sendo
 assim, se o fundo, ou seja, a ideia principal que o espírito quer passar é a 
que importa, não devemos então nos precipitar em julgar pelas palavras 
citadas à cima pelos Pretos-Velhos e Caboclos, mas devemos analisar 
o conteúdo da mensagem e passa-lo pelo crivo da razão, e só então 
saberemos o real caráter do espírito comunicante.

Analisemos agora o que diz em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo XXIV,
 “Da identidade dos Espíritos”, na questão 255, vejamos:

“Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Se um
 Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz 
trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele. Porém, 
se somente diz coisas dignas do caráter de Fénelon e que este não se
 furtaria a subscrever, há, senão prova material, pelo menos toda 
probabilidade moral de que seja de fato ele. Nesse caso, sobretudo,
 é que a identidade real se torna uma questão acessória. Desde
 que o Espírito só diz coisas aproveitáveis, pouco importa o nome sob o 
qual as diga”.

Vejamos que fica mais fácil ainda analisarmos a questão, pois agora 
Kardec não só faz menção a linguagem de maneira mais direta, mas 
a enquadra dentro do teor da mensagem, levando em consideração 
a moral e o ensinamento que o espírito traz. Isto fica claro quando ele
 comenta que se julga os espíritos pela sua linguagem e logo 
depois fala sobre um espírito se apresentar como alguém de caráter
 sério e elevado, mas que só fala trivialidades e puerilidades, que
 quer dizer coisas banais e infantis. Depois ele acrescenta que a identidade
 real é acessória, pois o que importa é que o espírito diga coisas 
aproveitáveis, isto é, traga ensinamentos baseados em uma moral elevada.
 Vejam que mais a frente o codificador expressa exatamente o que dissemos, 
na questão 256: “Não é a pessoa deles o que nos interessa, mas o ensino
 que nos proporcionam. Ora, desde que esse ensino é bom, pouco importa
 que aquele que o deu se chame Pedro, ou Paulo. Deve ele ser julgado 
pela sua qualidade e não pelas suas insígnias”.

Lembrem-se estamos tratando de preconceito espiritual, e o mesmo se 
dá tanto quanto a roupagem utilizada pelos espíritos quanto o seu linguajar,
 sendo assim, como Kardec bem fala, pouco importa se ele é Pai João
ou São Pedro, se ele é Tupinambá ou São Luiz, se é frei ou índio, o que 
importa é o ensinamento que eles têm a passar, fica simples tal 
compreensão ao analisarmos com cautela.

Indo um pouquinho além, precisamos ver que esse preconceito quanto 
à linguagem pode colocar os adeptos das religiões que se utilizam das
 manifestações dos espíritos, através das faculdades mediúnicas, em risco,
 pois todo o tipo de excesso é prejudicial, e querer que espíritos se utilizem
 sempre de linguajar culto e formal e que se apresentem somente 
como entidades veneráveis e famosas acaba por atrair àqueles que 
podem facilmente se manifestar dessa forma, porém, de caráter e
 elevação espiritual extremamente inferior, como o codificador bem cita
 no item 261 do mesmo capítulo:

261. “Dir-se-á, sem dúvida, que, se um Espírito pode imitar uma assinatura,
 também pode perfeitamente imitar a linguagem. É exato; alguns temos
 visto tomar atrevidamente o nome do Cristo e, para impingirem a 
mistificação, simulavam o estilo evangélico e pronunciavam a torto e 
a direito estas bem conhecidas palavras: Em verdade, em verdade vos
 digo. Estudando, porém, sem prevenção, o ditado, em seu conjunto, 
perscrutado o fundo das ideias, o alcance das expressões, quando,
 a par de belas máximas de caridade, se veem recomendações pueris
 e ridículas, fora preciso estar fascinado para que alguém se equivocasse.
 Sim, certas partes da forma material da linguagem podem ser imitadas,
 mas não o pensamento. Jamais a ignorância imitará o verdadeiro 
saber e jamais o vício imitará a verdadeira virtude".

É muito importante que compreendamos tais esclarecimentos, pois
 capacidade mental e conhecimento não são sinônimos de elevação 
espiritual, e como bem sabemos nas diversas obras já trazidas à 
tona por excelentes médiuns, os espíritos descomprometidos com
 o bem trabalham duro para implementar suas ideias nefastas, 
exatamente como o codificador já apontava em seu estudo. Sendo 
assim, é fácil para um espírito de elevado conhecimento se fazer presente
 em meio aos fascinados por comunicações extravagantes, e 
falarem um centena de palavras pomposas e lindas de se ouvir,
 porém, cheia de rodeios e sem significado algum, sem ensinamento 
algum, traz mais confusão do que qualquer outra coisa. Lembremos 
que os espíritos são simples, não desejam impressionar, apenas nos
 ensinar, e muitas vezes o maior ensinamento vem de pouquíssimas
 palavras, ou às vezes de nenhuma, como o silêncio, por exemplo.

Mas então, nos aproximando do estudo a cerca deste tema tão debatido,
 vamos há um ponto que julgamos capital na doutrina, onde os incautos ao 
passarem os olhos sobre a obra, sem a estudar realmente, pode facilmente 
distorcer os ensinamentos de Kardec, vejamos no ponto 263 de “O Livro dos 
Médiuns” a seguinte frase do codificador:

“Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção 
que — a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o
 grau de elevação a que já tenham chegado. Os Espíritos realmente
 superiores não só dizem unicamente coisas boas, como também as dizem 
em termos isentos, de modo absoluto, de toda trivialidade. Por melhores
 que sejam essas coisas, se uma única expressão denotando baixeza as 
macula, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade; com mais forte
 razão, se o conjunto do ditado fere as conveniências pela sua grosseria.”

Vejam que Kardec fala que a linguagem está sempre em relação com 
o grau de elevação, isto é, e voltamos a bater nesta tecla, “linguagem”
 e “palavras” são as expressões que o codificador usa para denominar
 o modo com que os espíritos passam sua mensagem, ou seja, se o 
espírito não fala coisas pueris e triviais, como também quer referir-se ao
 fundo da mensagem. Tanto é que ele logo após comenta “Os espíritos 
realmente superiores só dizem coisas boas” referindo-se ao teor e caráter
 das mensagens. Porém aqui ele comenta algo que devemos atenção,
 é relatado que os espíritos relatam suas mensagens em “termos 
isentos”, porém, como podemos observar ele não fala somente
 “EM TERMOS”, mas sim isentos, e se ele usa tal expressão temos
 que levar em consideração que é isentos de que? Então ele segue
 falando, “isentos de modo absoluto de toda a trivialidade”. O problema
 aqui é que muitos que passam os olhos sobre a obra veem a palavra
 “termo” e acham que isso quer dizer que os espíritos devem sempre
 usar de termos mais formais e elevados, devem eles ser exímios na 
pronuncia das palavras, e vimos até uma objeção à obra de Kardec 
sobre a ortográfica, que já citamos neste estudo.

Mas vai além, o codificador comenta que se tiver uma única expressão 
que denote baixeza, é sinal de inferioridade. Meus irmãos, o que é baixeza
 para nós? Será que estamos analisando como deveríamos ou estamos
 colocando nosso preconceito junto de nossa capacidade de
 interpretação? A palavra baixeza não significa falar “fio”, “vosmecê”,
 “nego”, e demais palavras usadas por algumas entidades que se 
apresentam de modo humilde, mas significa comportamento vil e 
ausência de dignidade, era apenas isso que o codificador queria nos
 ensinar, e não que humildade era sinal de baixeza. Pensemos irmãos
 se esse preconceito é fruto de ortodoxia ou de ignorância, pois se um 
dito espírita ortodoxo dizer que segue Kardec com esse preconceito, 
então ele não conhece a obra a que professa, e infelizmente não está
 seguindo a obra revelada pelos espíritos.

Para concluirmos, lembremos o capítulo VIII do “Livro dos Médiuns”, 
“Do Laboratório Invisível”, onde é demonstrado pelo codificador e também 
pelas respostas dos espíritos quando indagados, que os espíritos podem
 modificar sua indumentária, isto é, se apresentarem com a roupagem fluídica 
que bem desejarem, claro que isto de acordo com o seu poder mental e 
sua evolução espiritual, porém, fica bem claro neste capítulo que os espíritos 
podem “vestir-se” do modo como bem queiram. Sendo assim,
 um Preto-Velho que se apresente em uma mesa e é despachado, 
pode logo depois voltar trajando o jaleco do doutor, e ser tratado pelos
 médiuns de forma extremamente diferente. Se isso não é preconceito
 espiritual, então não sei mais o que é.

Lembremos ainda Jesus, que sempre foi humilde e escolheu pessoas
 simples e humildes para caminhar ao lado dele, e em nenhum momento
 foi preconceituoso, tanto para curar quanto para ensinar. Dizemos
 segui-lo, mas será? Devemos estudar mais as obras e principalmente
 o Evangelho, para ver se aprendemos alguma coisa.


Nota: Não estamos julgando falha e nem negativa a doutrina dos espíritos, e muito menos a religião
 que se formou através dela, não vemos outras religiões como melhores e muito menos piores,
 apenas viemos trazer um pouco de esclarecimento a cerca desse preconceito que já tem perdurado
 à mais tempo do que devia. Esse preconceito não é somente no espiritismo, pois deus o livre um 
médico baixar em um terreiro de Umbanda, ele é corrido para o centro espírita de onde saiu.
 O preconceito está em todos os cantos, mas graças a Deus temos a revelação dos espíritos
 compilada por Allan Kardec no Pentateuco, que nos esclarece e muito a cerca de tudo isso que 
falamos neste estudo e muito mais.

Referências utilizadas:
O livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns - Allan Kardec

                        Guias, Protetores e suas ligações com os médiuns

Nos trabalhos medianímicos, que principalmente ocorrem nas lides 
caritativas do movimento umbandista, é comum vermos os chamados 
"Guias" e "Protetores" se utilizarem dos seus médiuns para oferecerem
 algum tipo de alento, esclarecimento e socorro aqueles que aportam nos
 terreiros de Umbanda.




Esse serviço é realizado através dos aconselhamentos, onde o 
Espírito trabalhador não tem o dever de resolver nossos problemas 
ou caprichos, e sim nos orientar de como caminhar perante a vida e 
as situações que muitas vezes não conseguimos equacionar. 
Também é utilizado o tratamento magnético por meio dos passes,
 das ervas e defumações, da cromoterapia e do uso de pedras e 
outros recursos que podem ser utilizados pelos Espíritos trabalhadores 
da corrente de Umbanda, e também por aqueles que somente estagiam 
nos terreiros.

Mas viemos hoje trazer uma reflexão para vocês, tendo em vista alguns 
pontos de vista que médiuns e frequentadores apresentam, principalmente
 na seara da Umbanda.

É comum, quando frequentamos algum terreiro, notarmos que certos
 trabalhadores manifestam diversos guias, muitas vezes numa mesma
 linha de trabalho e em uma mesma sessão, por exemplo, durante 
uma gira, o trabalhador começa trabalhando com o "Caboclo X", após 
um tempo ele já da "passagem" para o "Caboclo Y", volta o "X", 
e mais pra frente, durante os atendimentos ele já se encontra com o 
"Caboclo Z".

Notam-se médiuns que alegam trabalhar com uma gama imensa de
 Espíritos, falando de seus diversos feitos, de como são "iluminados",
 fortes, e de como resolvem os diversos problemas. Muitas vezes os 
guias e protetores são tomados como espíritos "Super-poderosos",
 que fazem de tudo, como se pudessem ignorar as leis naturais que nos regem.

Pois bem, nós achamos essa postura um tanto incoerente e fantasiosa
 perante nosso ponto de vista e nossas vivências. Deixamos aqui 
um trecho do livro Evolução no Planeta Azul, de Ramatís e 
Vovó Maria Conga, psicografado por Norberto Peixoto, pela Editora
 do Conhecimento:

"PERGUNTA: - O que são guias e protetores e qual a relação/ligação
 dos médiuns com eles? Há envolvimento de vidas passadas ou de 
antepassados?

VOVÓ MARIA CONGA: - Guias e protetores são espíritos como os filhos,
 somente sem esse pesado fardo que é o paletó físico que os encobre, 
nada mais. Claro está que por todos nós sermos espíritos milenares 
em evolução, as situações de encarnações passadas determinam as 
afinidades amorosas que unem os guias e protetores aos seus pupilos 
na carne, ou as repulsas odiosos que separam os filhos do amor e os 
imantem no cipoal das vinganças sem fim dos obsessores e desafetos
 de outrora, já que não existe perfeição na Terra, sendo a vida dos 
espíritos única e atemporal nas suas jornadas rumo às paragens 
angelicais desde o momento crucial em que fomos criados por Deus.

PERGUNTA: - É verdade que os espíritos classificados como
 protetores são entidades necessitadas de evolução e os guias
 não precisam mais evoluir?

VOVÓ MARIA CONGA: - Todos no Cosmo estão evoluindo ininterruptamente
 e por toda a eternidade, pois só existe uma perfeição absoluta,
 que é Deus. O que ocorre é que existem patamares evolutivos que 
distanciam um irmão do outro meramente por diferenças vibratórias, mas 
estamos todos unidos no ideal de caridade.
Geralmente, um protetor sob a égide da Umbanda é espírito mais 
necessitado de contato com a mecânica de incorporação com o aparelho
 mediúnico, e ambos, espírito e médium, se completam nesse labor de 
auxílio aos necessitados e estão evoluindo juntos. O protetor "cuida" 
mais do seu aparelho, tem maior compromisso com o seus
 desenvolvimento e grande comprometimento em apoiá-lo, ligações que 
vem de encarnações passadas. É muito comum o protetor ter
 necessidade de mais algumas encarnações e é provável que o
 médium de hoje seja o protetor amanhã, em conluio amoroso de longa data.
Por sua vez, os guias, vários não precisando mais reencarnar 
compulsoriamente, ligam-se aos aparelhos por compromissos em 
tarefas específicas, mais igualmente têm laços de antepassados e estão
 evoluindo. Na verdade somos todos irmãos e tais denominações são
 para situar os filhos, tão carentes de referencias de nomes e adjetivos no
 plano Terra."

Acreditamos que, se os médiuns se comprometessem mais com o 
estudo e com o seu preparo, coisa que falta MUITO nas atividades 
mediúnicas, iria se compreender muito mais os reais papeis dessas
 entidades em nossas vidas, e principalmente, nos trabalhos caritativos.

Trazendo pro contexto umbandista, o que mais vemos são centros e
 mais centros, que se importam muito com o número dos frequentadores
 e de sua corrente mediúnica; dirigentes que não se dedicam o mínimo 
no seu dia-a-dia para o estudo de conhecimentos e práticas coerentes.
 Isso tudo acarreta no despreparo em massa que visualizamos atualmente, 
onde o médium tem uma fantasia no seu mental e manifesta isso como um
 suposto trabalho mediúnico, com comportamentos e posturas totalmente 
inadequadas com as tarefas que a Umbanda realmente tem de realizar em 
solo terreno.

Desenvolver-se como médium trabalhador, simplesmente dentro do 
contexto dos trabalhos de um Centro, já leva anos e anos de estudo 
e prática, tendo complexas questões a compreender para que possamos
 ter uma considerável sintonia com poucos guias.

Agora imagine, em cada linha de trabalho o médium tendo três espíritos
 que se manifestem através dele, e muitas vezes vemos esse médium 
começando seu caminho mediúnico, sem o mínimo preparo disponibilizado
 pelo centro que frequenta, difícil não?

                               Mediunidade Gratuita

Os médiuns modernos - pois os apóstolos também tinham a mediunidade - 
também receberam de Deus um dom gratuito: o de serem os intérpretes 
dos Espíritos para a instrução dos homens, para mostrar-lhes a estrada
 do bem e conduzi-los à fé, e não para vender-lhes palavras que não lhes
 pertencem, porque não são produto de sua concepção, nem de suas
 pesquisas, nem de seu trabalho individual. Deus quer que a luz alcance 
todos; não quer que o mais pobre fique deserdado dela, e possa dizer:
 Não tenho fé porque não a pude pagar; não tive a consolação de
 receber os encorajamentos e os testemunhos de afeto daqueles que
 choro, porque sou pobre. Eis porque a mediunidade não é um privilégio, 
e se encontra em toda parte. Portanto, cobrar por ela seria desviá-la de 
sua finalidade providencial.


Todo aquele que conhece as condições nas quais os bons Espíritos se
 comunicam e a repulsa deles por tudo o que é de interesse egoísta, 
e que sabe quão pouco é preciso para afastá-los, esse nunca poderá
 admitir que Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que os 
convoque, a tanto por sessão. O simples bom senso rejeita tal pensamento.
 Também não seria uma profanação evocar por dinheiro os seres que
 respeitamos ou que nos são caros? Mas, sem dúvida, também é possível
 haver manifestações desse tipo; no entanto, quem poderia garantir sua
 sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, travessos, e toda a 
multidão de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, sempre 
vêm e sempre estão prontos a responder ao que se lhes pede, sem 
preocupação com a verdade. Aquele, pois, que quer comunicações sérias,
 deve primeiro pedi-las com seriedade, e, depois, instruir-se sobre a natureza 
das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira
 condição para se obter a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, 
o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral material.

Ao lado da questão moral apresenta-se uma consideração efetiva,
 não menos importante, que  atém à própria natureza dessa faculdade.
 A mediunidade séria não pode ser - e nunca será - uma profissão.
 Não apenas porque seria desacreditada moralmente, e logo assimilada
 aos ledores da sorte, mas porque um obstáculo material se opõe a isso:
 a mediunidade é uma faculdade essencialmente instável, fugidia e variável;
 ninguém pode contar com sua permanência. Portanto, para o explorador,
 seria um recursos totalmente incerto, que pode lhe faltar no momento
 em que mais lhe seria necessário. Coisa diferente é um talento adquirido 
através do estudo e do trabalho, e que, por isso mesmo, é uma propriedade 
da qual naturalmente se permite tirar proveito. Mas a mediunidade não é
 uma arte nem um talento, e por isso não pode tornar-se uma profissão.
 Só existe pelo concurso dos Espíritos; se faltarem esses Espíritos, não há 
mais mediunidade. A aptidão pode substituir, mas seu exercício fica anulado.
 Além disso, não há um só médium no mundo que possa garantir a obtenção
 de um fenômeno espírita num momento determinado. Portanto, explorar a 
mediunidade é dispor de algo sobre o qual não se é o real dono. Afirmar o 
contrário é enganar quem paga. E mais: não é nem de si mesmo que se
 dispõe, é dos Espíritos, das almas dos mortos, em cujo concurso se põe
 um preço; esse pensamento repugna instintivamente. É esse tráfico, 
degenerado pela superstição que motivou a proibição de Moisés[¹].
 O Espiritismo moderno, compreendendo o lado sério da coisa - devido
 ao descrédito que se lança sobre essa exploração - elevou a mediunidade
 à categoria de missão. (Ver O Livro dos Médiuns, Segunda Parte,
 cap. XXVIII; O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. XI.)

A mediunidade é uma coisa santa que deve ser praticada de forma santa, 
religiosamente[²]. E se há um tipo de mediunidade que requer essa 
condição de uma maneira ainda mais absoluta, esse é o da mediunidade 
curadora. O médico dá o fruto de seus estudos, que muitas vezes fez à 
custa de sacrifícios penosos. o magnetizador dá seu próprio fluido,
 frequentemente sua própria saúde; eles podem pôr seu preço. 
O médium curador[³] transmite o fluido salutar dos bons Espíritos: 
não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, embora pobres,
 não cobravam as curas que operavam.

Portanto, aquele que não tem do que viver procure recursos alhures,
 e não na mediunidade. Que consagre a ela, se preciso for, apenas
 o tempo do qual pode dispor materialmente. Os Espíritos irão render-lhe 
contas de seus devotamento e de seus sacrifícios, ao passo que se afastarão
 dos que esperam tornar-lhes seu arrimo.


(O Evangelho Segundo o Espiritismo, por Allan Kardec - Cap. XXVI - Mediunidade Gratuita)

[¹] - Em seu tempo, Moisés precisou se utilizar tanto de conhecimentos
 sagrados para coordenar seu povo espiritualmente, como também se
 utilizou de algumas leis mais "humanizadas", para conseguir lidar com
 a índole dos povos de sua época. Eram muitas crenças, cultuavam-se 
diversos Deuses e Dinvindades, e aliado ao desconhecimento espiritual 
de muitos povos, cometiam-se atrocidades, tais quais sacrifícios, em
 determinados cultos. Outro problema era a barganha, a troca pela 
vil moeda, de que muitos se utilizavam para alcançar seus objetivos 
mais egoísticos, com o mundo espiritual. Moisés era conhecedor das leis
 espirituais, sabia da existência dos Espíritos, tanto sérios como 
enganadores, e sabia que o intercâmbio com os Espíritos tinha sido 
deturpado e invertido, através da barganha e comércio espiritual, por isso
 criou leis que proibissem esse intercâmbio.

[²] - "Religiosamente", de maneira disciplinada, sistemática,  ordenada, repetitiva.

[³] - Bom que deixemos claro uma coisa, médium curador, é aquele que
 possui determinada faculdade, que é coisa bem rara, onde é dotado 
de uma cota de magnetismo animal, fluidos ectoplasmáticos, acima do 
normal, e que com o auxílio dos Espíritos benfeitores, ao simplesmente
 tocar em alguém, cruzar um olhar ou dirigir uma rogativa a determinada 
pessoa enferma, essa pessoa é curada quase que instantaneamente, 
seja de doenças físicas, fluídicas ou espirituais, tais como obsessões mais 
complexas.

Criou-se um chavão em diversos centros e agremiações religiosas,
 onde se confunde muito a mediunidade de cura, com as técnicas
 utilizadas para manipulação e potencialização do magnetismo do ser
 humano, aliado aos Espíritos técnicos especializados na cura, os tão 
conhecidos Passes.

Temos que compreender que as técnicas de aplicação magnética,
 ou seja, os passes, podem ser executados de diversas maneiras, e não
 é necessário que a pessoa seja um médium curador para tanto. O que
 acontece nesses momentos de aplicação dos passes é que, aliado
 ou não com bons Espíritas, o magnetizador doa de sua cota 
energética, juntamente dos seus pensamentos e emoções, uma 
certa parte que irá unir-se com o organismo da pessoa enferma,
 e assim, irá movimentar certa quantidade vital de energia para que
 o corpo dessa pessoa se cure aonde esteja enfermo. Durante os 
passes nos Centros Espíritas, onde não existem incorporações para tanto
 com os médiuns, os Espíritos se utilizam dessa doação consciente, 
aliando seu próprio magnetismo astral com os médiuns, aplicando 
essências naturais a esses fluidos, e juntamente com seus aparelhos
 mediúnicos, ambos se utilizam de técnicas sérias e com fundamentos,
 para efetivar os tratamentos de cura, que necessitam de continua 
persistência e dedicação semanal dos atendidos.

Obs: Deixemos bem claro que esse trecho retirado de um dos livros
 trazidos pelos Espíritos e codificado por Allan Kardec, é de aplicação 
para todos aqueles que desejam ou já trabalham com as faculdades
 mediúnicas e estudos em prol do bem da humanidade, independendo
 de credo religioso.

As palavras que nos são ditas são bem claras, e nos alertam para os
 perigos que iremos enfrentar se desejarmos negociar aquilo que 
deve ser treinado, aprimorado e oferecido gratuitamente.

Que possamos abrir nossos olhos para a extensa gama de Cursos
 Mágicos que nos são oferecidos; Centros e Terreiros milagrosos,
 onde os guias resolvem tudo, cobrando ou não; Jogos de búzios 
e leituras de cartas, das mais variadas, onde nos prometem tudo,
 dizendo conhecer nossos ancestrais, Orixás e diversos guias.

Enquanto o ser humano não parar de barganhar com o outro 
plano da vida, em busca de resultados imediatos e sem esforço,
 continuaremos a encontrar diversos antros de enganação que se
 denominam pertencerem a diversos segmentos, mas na maioria das
vezes destoam intensamente dos mesmos. Usemos do bom senso!

                                Quebrando ilusões e fantasias

Cabe ao médium de Umbanda se educar, se enfrentar, buscar um norte rumo ao 
progresso íntimo para que possa auxiliar no progresso alheio. Assim sendo, 
cabe aos Umbandistas educarem, esclarecerem e auxiliarem a todos 
simpatizantes, adeptos e praticantes da sua religião que frequentam as giras 
de suas casas.


Umbanda não é somente distribuição de fichas e "consultas" através do 
intercâmbio com os espíritos. Umbanda não é troca e barganha, muito menos 
adivinhação e promessas.

Umbanda é conscientização do ser, é libertação mental e emocional. 
A Umbanda nos proporciona um campo vasto de trabalho, que nos permite
 conhecer as mazelas mais intimas que temos e trabalhar em cima delas. 
Umbanda nos dá chão e nos permite, enquanto nos auto-melhorarmos,
 auxiliar na auto-melhora do nosso irmão(ã) em Deus.

Segue dois trechos muito elucidativos, a respeito da quebra de paradigmas
 e fantasias que se criam em torno das diversas religiões, e  também dentro da Umbanda:

"[...]Umbanda, meus caros irmãos, tem fundamento, não tem mistério e não
 terceiriza os "pecados" nem as nefastas vontades de seus fiéis às 
entidades que nos assistem. Umbanda magia sim, mas com os elementos
 da natureza e jamais contrariando as supremas leis do universo, muito 
menos o livre-arbítrio das pessoas. Umbanda esclarece, ensina e 
compreende. Umbanda não faz milagre, não faz mal a qualquer 
filho de Deus, não cobra por atendimentos ou rezas, não suja os reinos 
sagrados da natureza nem os cruzamentos das cidades. E umbandista
 pode se considerar aquele que usa sua mediunidade para fazer a caridade
 e que prioriza, em sua vida, a própria reforma íntima.

Que não se confunda, portanto, o que é sagrado com o profano! Que 
se respeite essa religião, mas, sobretudo, que os umbandistas o façam
 por merecer, ou então que procurem uma vertente que melhor se adapte 
ao seu entendimento.[...]"

"[...]Meus irmãos de caminhada, para crer é preciso conhecer!
 É necessário estudar e conhecer a essência de sua religião, seja ela
 qual for. Não encontrando nela as respostas, procure em outra, mas busque
 sempre a sua verdade e o seu fundamento. Para cada ser em evolução existe
 um degrau adequado em que possa se situar e ali crescer naquele instante.

Sejamos mais racionais, exigindo daqueles que dirigem nossas igrejas as 
devidas explicações desses "mistérios" e dos ditos "milagres". É um 
direito que nos assiste e que é incentivado pela luz. A ignorância e o 
bitolamento de ideais só recebem incentivo das trevas.[...]"

Fonte: Enquanto Dormes - Vovó Benta/Leni W. Saviscki - Editora do
 Conhecimento.