sexta-feira, 28 de agosto de 2015

São Cipriano O Santo da Quimbanda


Venerado pela igreja, adorado pelos feiticeiros, respeitado pelos magos…
São Cipriano, bispo de Antioquia, passou para a história co­mo um már­tir e ganhou a fama co­mo o mago mais conhe­cido do mundo.
Nascido no século III d.C., segundo a len­da, ele logo entrou para a irmandade dos magos depois de uma estadia entre os persas.
Na sa­grada terra do culto do fogo, ele aprendeu as ar­tes adivinhatórias e in­vocatórias.
Os ances­trais espíritos e gênios eram conhecidos por Ci­priano, que mantinha con­tato fre­qüente com o Mundo Invisível.
Voltando para sua cidade natal, Ci­priano começou exercer sua ren­tável pro­fissão.
Logo adquiriu fama e era pro­cu­ra­do por nobres, comerciantes e guer­rei­ros.Certo dia um cavalheiro apaixo­nado pe­diu um feitiço amoroso, um “filtrum”, co­mo chamamos em magia natural.
O al­vo era a bela e jovem Justina, nobre vir­­gem cobiçada por muitos ricos senho­res.
Justina havia sido recentemente con­ver­tida a uma nova e estranha religião…
Seus seguidores adoravam um judeu cru­cificado da Palestina que tinha feito muitas curas e profecias.
Aos olhos dos antio­que­nos isso era até engraçado.
Por que adorar um homem, se existiam tantos deu­ses e gênios?
Cipriano preparou um filtrum e nada acon­­teceu.
O cavalheiro apaixonado re­cla­­mou e exigiu o dinheiro de volta.
Nosso mago, muito contrariado e não acostu­ma­­do a falhar, refez a poção e adicionou um conjuro especial.
Nada!
Agora a coisa era para valer!
O Mestre Cipriano convocou o Rei dos Gênios em pes­­soa.
Dentro do círculo mágico ele or­de­­nou e o terrível Jinn se fez presente.
O gênio explicou que Justina era serva de uma entidade de maior magnitude e nada poderia fazer…
Dito e feito.
Movido pela curiosidade Cipriano vai até Justina.
Estabelece uma rica conversa com ela e percebe na garota uma luz espe­cial.
Dias depois, o poderoso Cipriano se con­vertia ao Cristianismo primi­tivo,
que nesta época era uma re­ligião cheia de magia, sa­be­doria e simplicidade.
Afinal, o Cristianismo nas­cente era o her­deiro da religião dos velhos ma­gos da Pérsia.
Não esta­vam os três grandes ma­gos persas diante do me­nino Jesus na noite de Na­tal?
Cipriano e Justina mor­rem juntos durante a perseguição aos cristãos.
Séculos depois, curan­dei­ros e benzedores eu­ro­pe­us vão pedir a Cipria­no, que virou santo, fa­vo­res e saberes.
O culto de São Cipriano chegou ao Brasil com os degredados portugueses perseguidos pela Inquisição.
Na memória eles traziam as fórmulas, orações e magias ciprianas.
Bem mais tarde os primeiros “livros de São Cipriano” chegaram aqui.
Com a chegada dos negros escravos, os Mulojis (xamãs) bantus tomaram conhe­cimento da tradição do mago de Antioquia.
Boa coisa!
Na Kimbanda Cipriano era con­siderado um Makungu (ancestral divi­ni­zado) e digno de culto.
Em Angola os Mu­lojis já cultuavam Santo Antonio, que se encarnou numa profetisa bantu cha­ma­­da Kimpa Vita.
Por isso, dentro do cul­­to de Cipriano os xamãs botaram muitas mirongas e mandingas.
O tempo passou e a Kimbanda virou Quimbanda.
Elementos da feitiçaria ocultis­ta e mesmo da magia negra penetraram nos ensinamentos dos sábios Tios e Tias africanos.
São Cipriano entrou nos mistérios da noite.
O respeito virou medo e assombro.
O santo ganhou Ponto Cantado, Riscado e Dançado.
Pulou do altar para o chão de terra, virou chefe de Linha e Falange, vestiu toga negra e até adquiriu um gato preto!
Na Lua Cheia de agosto ele tem festa à meia-noite, junto com a Comadre Salomé e os Compadres Bode Preto e Ferrabrás.
Até uma Fraternidade Mágica ele ganhou, quando Dom Fausto, um cu­randeiro,
encontrou um frade agonizando perto de um local desértico.
Examinando o doente, ele notou que o religioso fora mordido por uma vene­nosa serpente e estava à beira da morte.
Dom Fausto o carregou até sua casa e o curou com a ajuda de preciosas ervas.
Como agradecimento, o frade presenteou o curandeiro com uma velha cruz de ma­deira.
Noites depois, na pobre casinha de Dom Fausto, ocorreu um fato sobre­na­tural.
Uma estranha e misteriosa luz ema­nou da cruz, preenchendo todo o am­biente.
O curandeiro acordou e viu, ao la­­do da cruz iluminada, a figura de um velhinho barbado com mitra na cabeça.
O personagem que segurava um cajado, sorriu para ele e disse:
-“ Venho até você e peço…
Crie uma fraternidade de bons homens e mulheres, façam a caridade e curem em nome de Deus.”
O curandeiro, admirado, perguntou:
– “Quem é você?”
O espírito respondeu:
– “Sou Cipriano!”
Dias depois, Dom Fausto reuniu seus tios, alguns primos e contou o ocorrido.
Nasceu assim uma Fraternidade de cura sob a proteção de São Cipriano.
Isto acon­teceu no século XVIII, em Dezembro de 1771.
Durante algum tempo o piedoso gru­po só admitiu parentes.
Porém, se­gundo orientações espirituais, foram sendo convidadas pessoas de boa índole de ou­tras famílias e procedências.
Por tradição uma cidade mágica era escolhida para sediar a Fraternidade.
O critério da escolha sempre foi motivado por estranhas leis estudadas na Radiestesia.
Paraty (RJ) foi a cidade escolhida, pois, além das condições telúricas excelentes,
ela é toda construída com sólido simbo­lismo maçônico.
Coincidentemente, a re­gião também tinha forte presença kimban­deira e quimbandeira,
que com o tempo chegou até a receber os místicos cultos da Cabula e da Linha das Almas.
Hoje a cida­de não fica por menos, já que conhecemos algumas irmandades de iniciados caba­listas,
templários e yogues que se estabe­leceram por lá.
Na Quimbanda os espíritos de alguns pretos velhos de origem bantu se filiam na Linha de São Cipriano.
Estas são almas de antigos mandingueiros, feiticeiros (aqui com o sentido de xamã) e kalungueiros.
Todos mestres nas artes da cura e da magia.
Muitos até adotam o nome do Pa­­trono:
Pai Cipriano das Almas, Pai Ci­priano Quimbandeiro, Pai Cipriano de Angola…
Estas entidades recebem ofe­rendas na kalunga pequena, perto do Cruzeiro.
Também são ofertadas nas por­tas das igrejas e capelas.
Oferendas: Velas brancas ou brancas e pretas, marafo, café preto e tabaco.
Uma Linha pouco conhecida, mas também ligada a São Cipriano, se chama Linha dos Protetores.
Neste grupo tra­ba­lham espíritos de velhos magos europeus, ciganos curandeiros e misteriosas entida­des do fundo do mar.
São Cipriano está vivo e é do bem.
As receitas exóticas dos Livros de São Ci­priano
(Capa de Aço, Capa Preta, Capa Vermelha, etc…)
jamais foram praticadas ou escritas por ele.
Elas são uma triste con­­tribuição da magia negra européia.
Os segredos de São Cipriano passa­ram para os Mulojis da Kimbanda e
foram repartidos com alguns adeptos da Quim­banda.
Contudo, ainda existe o mistério.
Quais seriam estes segredos?
Como diz um velho Ponto Cantado de São Cipriano:
“Santo Antonio é mandingueiro,
Santo Onofre é mirongueiro.
Ai, ai, ai, meu São Cipriano…
Negro que sabe fazer bom feitiço,
Faz em silêncio, fala pouco e é quimbandeiro!”

Vaidade na Umbanda


Como estabelecer os limites da vaidade humana e do realmente necessário para os trabalhos dentro de um terreiro?
É muito comum ouvirmos as pessoas, freqüentadores, médiuns, cambonos, reclamando ou fazendo observações sobre o comportamento deste ou daquele médium, ou até mesmo Guia espiritual. E, não obstante nos deparamos com dirigentes de Terreiros fazendo vistas grossas aos mesmos. Fato é que se a espiritualidade fosse escolher médiuns perfeitos, nossas casas espirituais com certeza se esvaziariam.
Além do trabalho espiritual, passes, descarregos, os dirigentes espirituais têm o dever de encaminhar as pessoas que os procuram para desenvolver sua mediunidade e mesmo seus médiuns ao “bom caminho”.  Quem em fase de desenvolvimento não se preocupa com o nome de seus Guias? É comum ouvirmos: “será que ‘meu’ Caboclo é fulano? Será que ‘meu’ Preto Velho é esse ou aquele? Será que essa linha é forte, esse nome é conhecido?”  Isso nada mais é que a vazão da vaidade humana, pois nosso amados Guias e protetores, às vezes, na única intenção de nos protegerem de nós mesmos, se escondem atrás de formas simples de trabalho.
Alguns dirigentes dão asas à vaidade de seus médiuns. Não dominam a arte de traze-los à realidade. Pois saibam que também responderão perante a Lei Divina…  Deve-se cautelosamente, para não destruir-lhes a autoestima, incutir-lhes Doutrina. Responsabilizá-lo pelo seu trabalho e quebrar paradigmas como inconsciência e consciência. Semear o trabalho corporativo dentro do Terreiro, a união de forças, o conjunto, o objetivo comum.
Saibam, o que mais fecha casas espirituais não são os choques de demandas externas, mas sim os choques internos, as fofocas, a inveja, frutos da imperfeição humana e que é acobertada por alguns Paizões e Mãezonas que os acobertam embaixo de suas asas. Lembro uma historinha:
Deus permitiu a um homem realizar um desejo, um único desejo. Poderia pedir o que quisesse, desde que fosse apenas um desejo. A única regra seria: o que ele pedisse, seu irmão teria em dobro. Por exemplo: se ele pedisse um carro, seu irmão teria dois; se ele pedisse um milhão de reais, seu irmão teria dois milhões, e assim por diante. O homem parou, pensou, pensou, e respondeu 
- Deus, fure-me um olho!
Essa é pra vocês que acobertam tudo, pensarem um pouco….

Como acabar com a angústia de não saber o que fazer


***
Você já percebeu que não perguntamos para uma criança quem ela quer ser ou o que ela quer fazer? Perguntamos sempre o que ela vai ser, solicitando que ela eleja um rótulo (dos poucos que ela conhece e pode admirar) para guiar a sua vida.  Daí a criança escolhe bombeiro, professor, policial, cantor, atriz, mas logo quando chega à fase da adolescência o parâmetro do dinheiro entra em cena e ela, consequentemente, começa a se voltar para uma profissão que ofereça menos risco, traga mais benefícios financeiros e normalmente não se enquadra naquelas que ela desejava ser e tampouco admira.
Esse confronto entre o que desejamos fazer de verdade e o que fazemos de fato, causa angústia. É um mal que acomete a maioria das pessoas que estão presas a uma vida cheia de incômodos, falta de propósito, medo e culpa.
Neste artigo, quero lhe ajudar a remover a dor da angústia do peito e tornar a vida melhor com simples reflexões. Algo que aprendi observando como o restante da natureza funciona e com a prática do refinamento do que eu deveria fazer no meu trabalho. Reflitamos:
1. Enxergue as pedras no caminho
Um rio só consegue se tornar um rio porque contorna as pedras e outros obstáculos durante o seu curso. Assim somos nós. O problema é que somos tão distraídos em relação a nossa própria vida que fazemos “vista grossa” para os nossos obstáculos ou preferimos insistir em confrontá-los ao invés de contorná-los.  Se uma planta começa a crescer e você coloca uma pequena cobertura sobre ela, fazendo sombra, depois de algum tempo, ela curvará seu caule para se afastar da sombra e encontrar novamente o sol. De modo algum ela persistirá tentando crescer embaixo do obstáculo para morrer prematuramente.
São os obstáculos que nos mostram aquilo que não devemos fazer e para onde devemos ir. É o relacionamento, o trabalho, o círculo de amizade ou os eventos sociais. Em cada um desses campos de atuação da nossa vida, existem coisas que nos incomodam e que precisam ser eliminadas para podermos fluir melhor através dela.  Não se preocupe em definir como irá contornar esses obstáculos. Apenas anote diariamente as coisas que te incomodam para começar a enxergar o que você pode fazer para se livrar delas.
2. Compreenda o verdadeiro sentido de existirmos
O verdadeiro sentido da vida é dar e compartilhar. Precisamos estar disponíveis a todo o momento para aproveitar as oportunidades que recebemos e dar e compartilhar aquilo que temos de melhor para os outros.
Muitos ficam angustiados por não serem tão grandes como Senna, Zico, Gandhi e terem um impacto pequeno (na visão deles) na vida das outras pessoas. Se aceitamos o nosso trabalho como ele é, já basta. O empregado de qualquer empresa ou um grande empresário possuem a mesma importância. Na realidade, ambos não tem qualquer importância senão para suas próprias vidas. É o que eles fazem com suas tarefas que farão a grandeza dos seus espíritos.
Se você mergulhar um pouco mais fundo no sentimento de angústia, perceberá que existe um forte desejo de receber mais do que dar, além de uma vitimização e baixa auto-estima. Encaramos como pequena a nossa tarefa de lavador de louça, trocador de fralda e apertador de parafuso. Se cada uma dessas tarefas forem feitas com o objetivo de dar e compartilhar, são boas tarefas.
3. Entregue sempre o que você faz de melhor e tem interesse 
Agora que já vimos que são os obstáculos que nos apontam o melhor caminho para nós e que o verdadeiro sentido da vida é dar em qualquer posição social, vamos refletir no trabalho que devemos fazer que engrandecerá a nossa vida e removerá a angústia totalmente.  Por mais que você tenha pouquíssimo conhecimento a respeito de si mesmo, você sabe identificar aqueles assuntos e atividades pelos quais é apaixonado.Que livros você sempre lê? Que tipos de programa de televisão você costuma assistir? Que lugares você gosta de frequentar? Estas perguntas podem nortear aquilo que você deve fazer para o resto da sua vida, bastando que você se pergunte o “porque” de cada uma delas.
No início da carreira eu fazia coisas por causa do dinheiro, mas isso me trouxe tanta infelicidade e angústia que logo depois de eu ter compreendido o verdadeiro sentido da vida e o que eu deveria dar e compartilhar, montei um plano para eliminar os obstáculos e refinar pouco a pouco o que eu deveria realmente fazer.  Enquanto a vida progredia e eu ia fazendo cada vez mais escolhas conscientes, a minha nova vida se tornava mais próxima de mim. Não porque eu sabia desde sempre qual a minha missão, mas porque eu sabia do que eu gostaria de me afastar e a que eu gostaria de me unir. Esse é o ponto que você deve chegar se está neste momento carregando alguma angústia.
Verifique o que você deve abandonar e pouco a pouco elimine as coisas que não gosta. Se aproxime daquilo que mais gosta e comece a enxergar um futuro na sua vida. De forma alguma você precisa ter uma causa tão nobre como “acabar com a fome no mundo” ou “libertar a Índia” para ser feliz. Você só precisa se tornar livre das algemas que te prendem na vida que você não gosta para servir ao mundo do jeito que só você pode servir.
Carta aos Médiuns por Pai Joaquim de Angola




Como visto, muitos dos zifio não gostam de guerras, de matança uns contra os outros, como essas guerras que está tendo pelo mundo afora; todos criticam as atitudes das pessoas. Mas os zifio já pararam pra ver que estão em uma guerra por religião? Uns discutindo com o outro, a matança de valores dos zifios, e essa guerra vem aumentando cada vez mais; essa guerra o zifio não parou pra pensar e achar como errada.
Jesus quando veio nessa Terra não pregava religião, nem muito menos pregava o que foi escrito pelo homem. Ele tinha a capacidade de falar com o Pai pelo seu coração. Agora, junta esses zifios sem conhecimento e sai por aí pregando asneiras, achando que o Pai fala com eles através de papéis, o pai zifio fala com vocês através do coração! O zifio vai me falar que não consegue falar com o Pai, mas o zifio já parou pra pensar porque não consegue? E ao invés disso fica seguindo palavras de desconhecedores do Pai.
Não fique ligado a essas religiões. Se ligue ao Pai e pare com essa guerra de religião. Não existe a certa nem a errada. Se você, zifio, tá feliz onde tá pare de achar que seu irmão está na errada! Já pensou  se ele tá na certa e você na errada? O Pai não fez os filhos para criticar, mas sim para aprender.
Busque aprender o que a outra religião faz de bem para seu irmão e ele irá aprender o que a sua faz de bom pra ele. No final, zifio, todas religião são uma. Esse nego não conhece toda verdade, mas passa o que lhe foi ensinado: pare com essas guerras e deixe o amor brotar onde todos se respeitem.
Sarve sua fé, e o amor do grande Pai!!!
Psicografado por Renato de Freitas Rocha
Frei Gabriel Malagrida - O Jesuíta (Caboclo Das Sete Encruzilhadas)



No ano de 1.689, às margens do rio Como, na vila de Monagio, nascia um menino que recebeu o nome de Gabriel Malagrida. Gabriel (significa as vozes harmoniosas de Deus) mais tarde foi identificado como Caboclo das Sete Encruzilhadas, um dos responsáveis pelo surgimento da Umbanda.
Desde cedo Gabriel demonstrou tendências místicas. Entrou para o seminário de Milão onde foi ordenado e professou na Companhia de Jesus em 1711. Gabriel desejava cumprir sua missão no Brasil porém Tamborini, o Geral da Companhia de Jesus, havia lhe reservado a cadeira de Humanidades no Colégio de Bastis, na Córsega.
Mais tarde conseguiu se transferir para Lisboa, em 1721, onde depois de algum tempo conseguiu embarcar para o Maranhão.
Nessas terras Gabriel pregou internando-se no sertão, enfrentando sérios perigos e vencendo com a fibra de quem se julgava destinado a cumprir uma missão superior no planeta, uma missão de conquistar almas para o Céu. Apresentava evidentes sintomas mediúnicos, ouvindo vozes misteriosas e chegou mesmo a pensar que operava milagres.
Em 1727 começou a árdua tarefa de catequisar os índios no Maranhão, conseguindo nessa mesma ocasião amansar a feroz tribo de Barbassos.
Fundou no Maranhão uma missão que teve grande desenvolvimento, sustentando uma peregrinação apostólica. Foi em seguida, em 1730, para a Bahia e Rio de Janeiro onde continuou a pregar, alcançando grande ascendência sobre os índios.
Apareceu então, convertido no apóstolo do Brasil. Dizia que conversava com Deus e que lhe aparecia a Virgem Maria, e para completar seus feitos, descrevia os milagres que operava.
Em 1749 partiu para Lisboa onde foi recebido com fama de santo por muitos fiéis.
Nessa época Dom João V se encontrava muito doente eGabriel, a seu pedido, o assistiu nos seus últimos momentos.
Em 1751 retornou ao Brasil onde ficou até 1754, ano em que foi chamado à Lisboa pela Rainha Dona Mariana da Áustria. Encontrou no poder, Sebastião José, o terrível Marquês de Pombal que não permitiu sua presença por muito tempo junto à Rainha. Por esse motivo Gabriel se isolou durante algum tempo em Setúbal.
No dia 1º de novembro de 1755, Lisboa foi destruída por um terremoto. Correu o boato que a catástrofe era castigo do céu. Pombal mandou publicar um folheto escrito por um padre, explicando o fenômeno e as causas naturais que o determinam. Gabriel apareceu em público com um opúsculo onde procurava corrigir o teor da publicação. Nesse opúsculo Gabriel afirmava que o terremoto era verdadeiramente um castigo do Céu. Pombal enfurecido, mandou queimar o opúsculo e desterrou Gabriel para Setúbal. Em setembro de 1758 ocorreu um atentado contra a vida de Dom José. Algumas semanas antes Gabriel havia escrito uma carta ameaçadora ao Marquês de Pombal. Gabriel foi preso em 11 de dezembro como responsável pelo atentado e encarcerado nas prisões do Estado.
Pombal vasculhou seus livros e nessa oportunidade lhe atribuiu passagens que pareciam pouco ortodoxas> Após isso, entregou-o à Inquisição.
Gabriel foi condenado à pena de garrote e fogueira, sendo executado na Praça do Rossio em 21 de setembro de 1761.
Gostaríamos de esclarecer que os itens básicos deste relato foram fornecidos pelo próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas à Lilia Ribeiro, frequentadora da Tenda Nossa Senhora da Piedade.
Uma comprovação destes fatos pode ser encontrada na Biblioteca de Amsterdã onde existe uma cópia do seu famoso processo, traduzida da edição de Lisboa.
Nesse processo pode-se ler que Gabriel foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo que lhe havia revelado o futuro. A profecia comunicada pelo inimigo do gênero humano ao jesuíta, está concebida nos seguintes termos: O réu confessou que o demônio, sob a forma da Virgem Maria lhe tinha ordenado a escrever a vida do anticristo; que havia de existir,a bem dizer, 3 anticristos sucessivos e que o último nasceria em Milão, da sacrílega união entre um frade e uma freira, etc.
Como se pode perceber, essa é apenas uma das muitas manchas deixadas pelo Poder Escarlate durante vários séculos. A célebre Companhia de Jesus de Ignácio de Loyola foi um dos muitos veículos da nefanda Santa Inquisição.
Os missionários dessa Companhia, radicados no Brasil, estavam muito longe das criminosas disputas em que se empenhavam seus irmãos no outro lado do Atlântico.
Como exemplo, podemos citar as portentosas tarefas  de dois enviados do Astral Superior nas terras do Brasil. A valiosa atuação de José de Anchieta e Manuel da Nóbrega é conhecida de todos nós.
Apesar de tudo isso, esses enviados que estavam ligados à Companhia de Jesus sofreram incessante perseguição, tão logo se apossou do governo português o famoso Ministro Pombal, agente do baixo astral.
Quando em 3 de setembro de 1758, Dom José (5º Rei da Dinastia de Bragança) foi alvejado a tiros de bacamarte (espécie de pistola antiga) partidos de um grupo de pessoas desconhecidas, Pombal aproveita o ensejo que se lhe oferece para justificar a expulsão dos jesuítas (que muito o incomodavam), apontando-os como autores do atentado. Dom José assina sem hesitar o decreto de banimento.
Para finalizar podemos citar que Gabriel Malagridareencarnou no Brasil (talvez para se refazer da árdua encarnação como jesuíta) se preparando para a importante missão que lhe estava reservada dentro do Movimento Umbandista no século XX, como Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Quando o Caboclo baixou na Federação Espírita,  fizeram-se muitas indagações.
Durante a entrevista, entre muitas perguntas, o vidente teria perguntado se já não bastariam as religiões já existentes, fazendo menção ao Espiritismo. o Caboclo respondeu: "Deus, em sua infinita bondade estabeleceu na morte o grande nivelador universal; rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte; mas vocês homens preconceituosos, não contentes, estabelecem diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do Além?
Ao final o vidente perguntou: Pensa o irmão que alguém irá assistir ao seu culto? O Caboclo respondeu: "Cada colina de Niterói atuará como porta-voz anunciando o culto que amanhã inciarei".
As Sete Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas:

1 - Tenda Nossa Sra. da Guia - Durval de Souza - Rua Camerino, 59 - RJ
2 - Tenda Nossa Sra da Conceição - Leal de Souza
3 - Tenda Santa Bárbara - João Aguiar
4 - Tenda São Pedro - José Meireles
5 - Tenda Oxalá - Paulo Lavois - Av. Presidente Vargas, 2.567
6 - Tenda São Jorge - João Severino Ramos - Rua Dom Gerard, 45
7 - Tenda São Jerônimo - José Alvares Pessoa (Capitão Pessoa) - Rua Visconde de Itaboraí, 8 - RJ

A Tenda Nossa Sra. da Piedade funcionou em Neves. Em 1918 instalou-se na Rua Dom Gerard, 51

Acórdão dos inquisidores no processo do jesuíta Gabriel Malagrida, preso e condenado pela Inquisição de 1761
LENDA DE NANÁ


LENDA DE NANAN
Olorun enviou Nanan e Oxalá para viverem na Terra e criarem a humanidade. Os dois foram dotados de grandes poderes para desempenharem essa tarefa, mas somente Nanan tinha o domínio do reinado dos eguns, e guardava esses segredos, bem como o da geração da vida, em sua cabaça.
Oxalá não se conformava com esta situação, queria poder compartilhar desses segredos. Tentava agradar sua companheira com oferendas para convencê-la a revelar seu conhecimento.
Nanan, sentindo-se feliz com as atitudes de Oxalá, decide mostrar-lhe egun, mas apenas ela era reconhecida nesse reinado.
Certa vez, enquanto Nanan trabalhava com a lama, Oxalá, disfarçando-se com as roupas dela, foi visitar egun, sem lhe pedir autorização.
Quando Nanan, sentiu a falta de Oxalá e de sua própria vestimenta, teve certeza de que ele havia invadido o seu reinado, atraiçoando-a gravemente. Enfurecida com a descoberta, resolveu fechar a passagem do mundo proibido, deixando Oxalá preso.
Enquanto isso, Oxalá caminhava no reinado de Nanan, tentando descobrir seus mistérios, mas apenas ela conseguia comunicar-se com os eguns.
Egun, sempre envolto em seus panos coloridos, não tinha rosto, nem voz. Oxalá, usando um pedaço de carvão, criou um rosto para ele, como já havia feito com os seres humanos, e, com seu sopro divino, abriu-lhe a fala. Assim, ele conseguiu desvendar os segredos que tanto queria, mas, quando se deu conta, viu que não conseguia achar a saída.
Nanan não sabia o que fazer, por isso fechou a passagem para mantê-lo preso até encontrar uma forma de castigá-lo. Contou a Olorun sobre a traição de Oxalá, que não aprovou a atitude de ambos. Nanan errou ao revelar a Oxalá os segredos que o próprio Olorun lhe confiara. Para castigá-la, tomou o seu reinado e o entregou a Oxalá, pois ele desempenhara melhor a tarefa de zelar pelo eguns. Oxalá também foi castigado, pois invadiu o domínio de um outro orixá. Daquele dia em diante, Oxalá seria obrigado a usar as roupas brancas de Nanan, cobrindo o seu rosto com um chorão, que somente as iyabás usam.
LENDA DE OXUMA


LENDAS DE OXUNMARE
Oxunmare, filho de Nanan e Orixalá, recebeu de Olorun uma missão muito especial e importante para dar continuidade ao processo de criação e renovação da natureza. Sua tarefa consistia em carregar, dentro de suas cabaças, toda água da Terra de volta para o céu. Era uma tarefa árdua e interminável, pois, nem bem ele enchia as nuvens, a água já começava a escorrer, molhando tudo novamente.
Ele não tinha tempo a perder, mas, numa dessas viagens, parou para olhar a Terra e viu um imenso lugar, onde tudo era extraído da lama. Estava faltando alguma coisa para dar mais alegria ao lugar.
O próprio Oxunmare já tinha colocado em movimento todos os seres criados, como Olorun havia ordenado, mas ainda não bastava, tudo parecia muito igual e sem vibração.
Ele resolveu, então, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar uma maneira de trazer mais felicidade para a Terra, e Olorun concedeu a ele a realização desse desejo.
Quando estava carregando água, sem querer, deixou cair algumas gotas pelo caminho. De repente, formou-se um arco colorido, de uma beleza incrível.
Aquele arco mostrava as cores do universo, e, através dele e de suas infinitas combinações, Oxunmare poderia colorir toda a Terra com diversos matizes, tornando-a mais alegre e vibrante.
A partir de então, formou-se uma aliança entre Deus (Olorun) e os seres criados, que sempre poderia ser vista quando as águas do céu encontrassem a luz do sol.
O arco-íris tornou-se, também, símbolo desse Orixá, que gosta de movimento e harmonia em todas as coisas.
LENDA OMULU


LENDA DE OBALUAYE – OMULU
Nanan, esposa de Orixalá, gerou e deu à luz a um filho. Sua criação não foi perfeita, nascendo uma criança doente, com muitas chagas recobrindo seu pequeno corpo. Ela não conseguia imaginar que maldição era aquela, que trouxe de suas entranhas uma criatura tão infeliz!
Sentindo-se impossibilitada de cuidar daquela criança, pois mal conseguia olhar para ela, resolveu deixá-la perto do mar. Se a morte a levasse seria melhor para todos.
Yemonjá, que estava saindo do mar, viu aquele pequeno ser deitado nas areias da praia. Ficou olhando por algum tempo, para ver se havia alguém tomando conta dele, mas ninguém aparecia. Então, a grande divindade das água foi ver o que estava acontecendo. Quando chegou mais perto, pôde compreender que aquela criança tinha sido abandonada por estar gravemente enferma. Sentindo uma imensa compaixão por aquela pobre criatura, não pensou em mais nada, a não ser em adotá-lo como a um filho.
Com seu grande instinto maternal, Yemonjá dispensou a ele todo o carinho e os cuidados necessários para livrá-lo da doença. Ela envolveu todo o corpo do menino com palhas, para que sua pele pudesse respirar e, assim, fechar as chagas.
Obaluayê cresceu e continuou usando aquele tipo de roupa, e ninguém, a não ser sua querida mãe, tinha visto seu rosto. Era um ser austero e misterioso, provocando olhares curiosos e assustados de todos. Ninguém conseguia imaginar o que se escondia sob aquelas palhas.
Oyá, certa vez, o encarou, pedindo que descobrisse seu rosto, pois queria desvendar, de uma vez por todas, aquele mistério. Obaluayê, sem lhe dar a menor atenção, negou-se a fazê-lo. Ela, que nunca se deu por vencida, resolveu enfrentá-lo. Usando toda sua força, evocou o vento, fazendo voar as palhas que o protegiam.
Quando a poeira assentou, Oyá pode ver um ser de uma beleza tão radiante, que só poderia ser comparado ao sol. Nem mesmo ela, como orixá, conseguia erguer os olhos para ele. Assim, todos entenderam que aquele mistério deveria continuar escondido.
Uma outra lenda nos mostra que esse poderoso orixá, em suas andanças pelo mundo, pode presenciar o desenrolar de muitas guerras. Os povos que Olorun criou e deu vida brigavam por um pedaço de terra. Muitas pessoas morriam, para que seus líderes pudessem conquistar extensões maiores para seu reinado. Os limites, para esses guerreiros, eram insuperáveis, e as guerras não tinham mais fim. Obaluayê não entendia o motivo destas guerras, já que Olorun havia criado a terra para todos.
As lutas traziam muita dor e destruição, e ninguém mais sabia dar o devido valor à vida humana. Os homens só pensavam em seus interesses materiais.
Obaluayê, indignado com essa situação, resolveu mostrar a eles que a vida é o maior tesouro que alguém pode ter.
O poderoso orixá traçou, então, com seu cajado, um grande círculo no chão, no centro dos conflitos. Colocou dentro dele todo tipo de doença existente. Todo guerreiro, que por ali passasse, iria contrair algum tipo de doença.
De fato, foi o que aconteceu. Muitas pessoas adoeceram, inclusive os líderes dos exércitos. Só isso conseguiu por fim às guerras.
As doenças se transformaram em epidemias, deixando populações inteiras à beira da morte.
Um babalawô revelou o mau presságio, pedindo a todos que refletissem sobre o que estava acontecendo, por culpa deles próprios. Obaluayê havia mandado essas mazelas para a terra, a fim de mostrar que, enquanto temos saúde e uma vida plena, não devemos nos preocupar excessivamente com coisas materiais. Desta vida nada se leva, a não ser o conhecimento e a experiência que acumulamos.
Assim, os que aceitaram esses desígnios e fizeram oferendas, conforme explicou o babalawô, conseguiram livrar-se de suas enfermidades e restabelecer sua dignidade. Mas, infelizmente, nem todos agiram assim.
Talvez, por isso, existam tantos povos africanos vivendo do mesmo jeito há milhares de anos, tentando não se desligar da natureza.
LENDA DE LOGUM 


LENDA DE LOGUN
No início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um tesouro.
É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxun, e o grande caçador Odé. Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos.
Odé ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorun. Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação.
Olorun resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar apaziguá-los.
A floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. Odé não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar.
Oxun, por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de seus filhos peixes para confortá-la.
Odé andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum. Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada.
Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação era a reconciliação.
Odé, então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxun queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorun.
Dessa união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logun-Edé, que iria consolidar esse “casamento”, bem como abrandar os ímpetos de seus pais. Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade.
Conta uma outra lenda que as terras e as águas estavam no mesmo nível, não havendo limites definidos.
Logun, que transitava livremente por esses dois domínios, sempre tropeçava quando passava de um reinado para o outro. Esses acidentes deixavam Logun muito irritado.
Um dia, após ter ficado seis meses vivendo na água, tentou fazer a transição para o reinado de seu pai, mas não conseguiu, pois a terra estava muito escorregadia.
Voltou, então, para o fundo do rio, onde começou a cavar freneticamente, com a intenção de suavizar a passagem da água para a terra.
Com essa escavação, machucou suas mãos, pés e cabeça, mas conseguiu fazer uma passagem, que tornou mais fácil sua transição. Logun criou, assim, as margens dos rios e córregos, onde passou a dominar. Por esse motivo, suas oferendas são bem aceitas nesse local.
LENDA DE ODÉ


LENDA DE ODÉ
Na cidade de Ifé, realizavam-se festividades e rituais por ocasião das colheitas. Os sacerdotes da aldeia, fugindo aos seus costumes, não realizavam as oferendas obrigatórias para três das maiores bruxas conhecidas: as Iya-mi Oxorongás. Esse ato imperdoável precisava de uma boa punição. Foi assim que elas enviaram um enorme pássaro para assombrar aquela aldeia.
A ave ficou pousada no telhado do palácio, de onde podia avistar toda a cidade.
Um clima de medo e mau agouro espalhou-se entre os moradores, que não sabiam o que fazer para acabar com aquele terrível monstro.
Oferendas foram realizadas para as Oxorongás, mas sem resultado. Era tarde demais para isso.
Foi então que alguns caçadores se apresentaram para matar o pássaro das bruxas, mas foram todos derrotados. O último caçador possuía apenas uma flecha, e era a última esperança de livrar a aldeia da morte. Esse caçador era Odé.
Sua mãe, que estava longe daquele lugar, teve um mau presságio com relação a ele.
Consultando um babalawô, teve a confirmação do que já sabia: seu filho corria grande perigo.
Foram necessárias muitas oferendas para que a missão de Odé fosse executada com perfeição e, graças a isso, Odé pôde matar o pássaro com sua única flecha, livrando sua aldeia da aniquilação. Desde então, vem sendo venerado por esse povo.
LENDA DE OSSAIM

LENDA DE OSSAIN
Ossain era o único orixá que sabia reconhecer e despertar os poderes mágicos das plantas e usá-los para curar as enfermidades, ou nos rituais litúrgicos. Ele sabia, como ninguém, fazer misturas mágicas com os vegetais, raízes e folhas.
Os outros orixás também tinham o desejo de possuir suas próprias folhas, bem como o conhecimento necessário para receber o axé proveniente delas, mas Ossain não revelava seus segredos e não deixava ninguém apanhar folhas em suas florestas.
Oyá (Yassan) não aceitava essa situação, pois sua aldeia estava sendo assolada por doenças, e nada podia ser feito. Foi, então, que ela pediu a Ossain que lhe desse algumas folhas e seus respectivos encantamentos, mas este negou-se a fazê-lo. Oyá ficou muito contrariada, não se conformando com uma atitude tão insensível. Sua fúria incontrolável fez levantar o vento. E o vento foi tão forte, que as folhas se desprenderam das árvores, voando para todos os cantos da floresta. Ossain gritava: “Minhas folhas, minhas folhas”. A cabaça com os segredos ficou exposta por algum tempo, possibilitando aos orixás a oportunidade de absorver uma pequena parte desse conhecimento. Assim, os orixás cataram suas folhas, que seriam utilizadas em seus rituais sagrados; porém, não podiam dispensar a ajuda de Ossain, pois ele sempre será o grande sábio da floresta.
Outra lenda nos conta que Ossain trabalhava na roça de Orunmilá, que é um orixá fun-fun (da cor branca) e detentor do conhecimento do oráculo divinatório. Ossain tinha a tarefa de cultivar os campos, mas recusava-se a limpar o terreno para fazer a semeadura. Ele não conseguia podar as plantas, pois achava utilidade em todas elas.
Essas folhas podiam curar todo tipo de doença existente.
Orunmilá, vendo que o serviço não saía, foi ver o que estava acontecendo.
Ossain explicou seus motivos, fazendo com que o grande orixá fun-fun percebesse estar diante de um ser encantado e de grande conhecimento. Ao invés de castigá-lo, deu-lhe uma posição de destaque dentro do oráculo de Ifá. Dessa forma, Orunmilá teria, perto de si, alguém para lhe revelar os segredos das folhas.

LENDA DA OXUM
LENDA DE OXUM
Conta a lenda que Oxalá, numa de suas caminhadas pelo mundo, iria passar pela aldeia de Oxum, onde pretendia parar e descansar.
Exú, mensageiro dos orixás, correu para avisar Oxum que o grande orixá fun-fun estava a caminho de sua cidade. Era preciso organizar uma grande recepção, pois a visita era muito importante para todos. Ela, então, apressou-se com os preparativos da festa, ordenando a limpeza de todas as casas e lugares públicos da aldeia, bem como que os enfeites utilizados fossem da cor branca. Oxum cuidou pessoalmente da ornamentação e limpeza de seu palácio, pois tudo tinha que estar perfeito, à altura de Oxalá.
Com tantos afazeres importantes, em tão curto espaço de tempo, Oxun não se lembrou de convidar as Iya-mi para a grande festa.
As feiticeiras não perdoaram essa desfeita. Sentindo-se muito desprestigiadas, resolveram desmoralizar Oxum perante os convidados.
No dia da chegada de Oxalá à cidade, Oxorongá entrou disfarçada no palácio para colocar, no assento do trono da Oxum, um preparado mágico, que não fora notado por ninguém.
Toda a cidade estava impecavelmente limpa e ornamentada. O palácio de Oxum, que fora caprichosamente preparado, tinha seus móveis e utensílios cobertos por tecidos de uma alvura imaculada. Branca também seria a cor das roupas utilizadas na cerimônia.
Oxalá finalmente chegou, sendo respeitosamente reverenciado numa grande demonstração de fé e admiração ao grande mensageiro da paz.
Oxun, sentada em seu trono, esperava com impaciência a entrada de Oxalá em seu palácio, quando iria oferecer-lhe seu próprio assento. Mas, ao tentar levantar-se, percebeu que estava presa em sua cadeira e, por mais força que fizesse, não conseguia soltar-se. O esforço que empreendeu foi tão grande, que, mesmo ferida, conseguiu ficar em pé, mas uma poça de sangue havia manchado suas roupas e também sua cadeira.
Quando Oxalá viu aquele sangue vermelho no trono em que se sentaria, ficou tão contrariado, que saiu imediatamente do recinto, sentindo-se muito ofendido.
Oxum, envergonhada com o acontecido, não conseguia entender porque havia ficado presa em sua própria cadeira, uma vez que ela mesma tinha cuidado de todos os preparativos.
Escondendo-se de todos, foi consultar o oráculo de Ifá para obter um conselho. O jogo, então, lhe revelou que Oxorongá havia colocado feitiço em seu assento, por não ter sido convidada.
Exú, a pedido de Oxum, foi em busca do grande pai, para relatar-lhe o ocorrido.
Oxalá retornou ao palácio, onde a grande mãe das águas estava sentada de cabeça baixa, muito constrangida. Quando ela o viu, começou a abanar seu abebe, transformando o sangue de suas roupas em penas vermelhas, que, ao voar, caíram sobre a cabeça de todos os que ali estavam, inclusive a de Oxalá. Em reconhecimento ao esforço que ela empreendeu para homenageá-lo, ele aceitou aquela pena vermelha (ekodide), prostrando-se à sua frente, em sinal de agradecimento.
A partir de então, essa pena foi introduzida nos rituais de feitura do Candomblé.