quinta-feira, 6 de outubro de 2016


Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de melhorá-los. Passava os dias em seu laboratório, em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, insistiu para que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair-lhe a atenção. De repente, deparou com o mapa do mundo e pensou: ``É isso.´´ Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho, dizendo:

- Você gosta de quebra-cabeças, não é? Então, vou dar-lhe o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho. Faça tudo sozinho.

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente ...

- Papai, papai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?
Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu até tentei, mas não consegui. Foi então que me lembrei do homem. Virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu já conheço bem. Quando consegui consertar o homem, virei do outro lado e vi que dessa forma eu havia consertado o mundo.


Do livro: As Mais Belas Parábolas do todos os Tempos
              Alexandre Rangel



UM LUTADOR

Seu Antonio ajoelhou-se perante o altar, as imagens dos orixás pareciam mudas naquele dia, estáticas. Seu coração apertado de solidão e angústia não via sentido naquele ato que tantas vezes repetira desde que montara o altar. Mas agora era bem diferente de todas as outras vezes, o axé parecia que tinha sumido dali, seus orixás deviam estar distantes, talvez até abandonado o altar para acudir, quem sabe, um outro filho mais necessitado e mais digno.
Ele sabia que havia errado, sim, e por isso sua vida nos últimos tempos se tornou aquele inferno. Joana Maria, a vidente, lhe dissera que a lua na asa dois de seu signo indicava um inferno astral, e que o melhor a fazer era esperar aquela fase passar e depois tudo se resolveria naturalmente. Porém a tal fase estava demorando a passar, nada parecia fazer sentido.
A mulher que tanto amava estava indo embora com as crianças, o chefe no trabalho exigindo maior produção quando ele já dava tudo de si, e ainda por cima as contas se acumulando com os boletos de prestação no fundo da gaveta. Mas o pior mesmo nem era tudo isso, o mais ruim era esse sentimento de angústia e solidão apertando seu coração. Parecia que alguém fizera mandinga para ele, ele tinha quase certeza disso, e por isso estava com medo; medo de tudo, até de sair na rua. 
Os problemas foram aparecendo assim, devagarinho, entrando como um visitante que não quer nada, foi se instalando e trazendo outros problemas consigo, e quando percebeu eles já haviam tomado conta da casa e mandado a alegria embora.
Todos lhes viraram as costas, os parentes, os amigos e até os orixás, agora imóveis no altar, também abandonaram suas imagens e partiram para outras tarefas mais importantes.
Mesmo assim seu Antônio ajoelhou-se e começou sua reza pela Ave Maria, o coração apertado e vazio de alegria não o deixou terminar, não havia ânimo nem para terminar o sinal da cruz. Resignou-se a permanecer ajoelhado perante o altar por um tempo.
Levantou-se e ficou a olhar as imagens no oratório no canto da parede, especialmente construído num momento de muita fé e esperança.
Perguntava-se em pensamento, onde estariam agora, por que não ajudavam um filho necessitado.
Olhou fixamente para a primeira imagem, a de Iemanjá, com seu manto azul, nada. Depois para a segunda, de Oxalá, todo de branco, nada. E assim seguiu a terceira, Iansã e sua espada sempre em punho, também nada. No meio do altar encontrou Oxóssi, o orixá das matas com seu arco sempre esticado e a flecha sempre pronta para disparar. Seu Antônio chegou mais perto para ver os detalhes da imagem, reparou que ele tinha uma espécie de capacete de carcaça de águia, chegou mais perto, quase encostando a cabeça na imagem. 
Foi aí que aconteceu: a flecha de Oxóssi disparou e acertou a testa de seu Antônio entre os dois olhos, um pouco acima deles. O velho se afastou apenas um pouco para trás, a seta entrou direto e permaneceu lá.
Seu Antônio olhou de novo a imagem de Iansã ao lado, agora ele ouvia a rainha dos ventos; ela lhe dizia com voz de guerreira: - Lute! Lute com todas as sus forças, eu estou aqui para lhe ajudar, conte com minha espada, mas lute!
O velho voltou novamente os olhos para Oxóssi; o chefe dos caboclos lhe dizia serenamente: - Lute com inteligência, saiba quem é seu verdadeiro inimigo, meu arco está a seu serviço.
O velho olhou para Ogum, do lado direito de Oxóssi; o guerreiro do ferro lhe disse em tom de ordem: - Lute com coragem! Vença seu medo, seu medo é seu único inimigo. Minha armadura está à sua disposição.
Oxum, no canto direito do altar, lhe disse suavemente: - Olhe-se no espelho antes de lutar. Veja quem é seu inimigo, se o medo está em você, a luta também é contra você mesmo. A força de minhas cachoeiras estão aqui para lhe ajudar nessa luta. 
Iemanjá, com sua cálida voz de sereia, lhe disse: - Nessa luta, as forças de minhas águas estão aqui para lhe limpar e lhe dar coragem, guerreiro. Mergulhe profundamente nessa energia, sinta essa força em você.
Com o coração já dando sinais de alegria novamente, olhou para Oxalá, que, em tom benevolente de grande Pai que é, disse: - Quando um guerreiro se propõe a lutar, em seu coração ele já venceu o inimigo. Meu escudo está aqui para lhe proteger, não há o que temer.
Seu Antônio ajoelhou-se novamente, com a testa encostada no chão, agradeceu em prantos as orientações dos grandes Orixás. Levantou-se ainda banhado pelas lágrimas, mas com o coração aliviado e cheio de esperanças, parecia que os incômodos visitantes tinham desaparecido para sempre dali e a alegria voltado à sua casa.
Antes de sair, olhou ainda para a imagem de Pai Tomé, separada dos Orixás num degrau mais abaixo do altar. Perguntou a este em pensamento: - E o senhor, não vai me dizer nada?
O velho, sentado em sua pedra e com seu cachimbo na mão, apontando para o alto, na maior das tranquilidades, apenas lhe disse: 
- Confie neles, tenha fé.

Entrai pela porta estreia, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram! (Mateus, 7:13-14 - O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVIII, item 3.)


Muitos são os caminhos que o homem percorre em suas existências: caminhos largos e caminhos estreitos. Largos pela manifestação incontida de vaidade, de egoísmo, de orgulho - chagas que a Humanidade carrega consigo, por não frear sua prepotência e cupidez.
Caminhos largos, que levam a compromissos intensos com o Pai, pela desobediência a Ele e a Suas leis, numa postura de afronta e irreverência.
Caminhos largos, por onde seguem espíritos empedernidos no mal, que não aceitam o bem como regra de amor para que a convivência entre os seres seja a expressão da fraternidade tão decantada pelo Mestre Jesus.
Caminhos largos, onde abunda a ilusão, o fantasioso prazer de usufruir dos gozos do mundo para ter felicidade. Prazer temporal, passageiro, efêmero, sem o substrato do sentimento verdadeiro, da essência da alegria que se vive na realização do bem.
Caminhos largos e, consequentemente, perigosos,  porque neutralizam no indivíduo sua capacidade de discernir, embotado que se encontra pelo brilho das conquistas fáceis, mas não duradouras, por serem desprovidas dos valores necessários à evolução do homem.
Caminhos largos, que se fazem mais largos e atraentes pela ambição desenfreada que vige no homem e comanda suas atitudes, deixando-o alheio, e sem condição de distinguir com clareza o proceder correto e coerente com as máximas orientadoras do Pai.
Caminhos largos, que hipnotizam espíritos tíbios no entendimento dos propósitos do Criador para as criaturas, os quais se deixam arrastar, sem resistência alguma, por apelos de almas comprometidas com mentes que sintonizam o menor, o inferior, e são comandadas por sugestões hipnóticas, em que ordens malsãs são estabelecidas como verdades.
Caminhos largos, que o espírito, no uso do seu livre-arbítrio, opta por trilhar, mas que repercutirão em comprometimentos futuros, ou mesmo presentes, com grande sofrimento.
Inúmeros caminhos largos abrem-se aos olhos do mundo, como reflexo natural de seus desejos imediatistas e ameaçadores da paz e do equilíbrio entre os povos, pois comprometem centenas de vidas que se filiam inconscientemente a ideais vãos e falhos de valores reais.
De um modo geral, ainda desejoso de facilidades, por não trazer integrada em seu ser a virtude do verdadeiro esforço, o homem se deixa conduzir, com seu pleno consentimento íntimo, para um mundo onde as facilidades imperam, sem maior empenho para a conquista da felicidade real. Impossível sabermos!
Em razão da assistência que envolve o Planeta, o ser humano, orientado, sabe de sua necessidade de se autoaprimorar para alcançar o reino da paz, tarefa que é pessoal e intransferível, ainda que o ser seja essencialmente social.
``A cada um segundo suas obras´´, disse Jesus à multidão que o seguia, alertando Seus irmãos de que nada sedimentariam em sua intimidade sem um trabalho íntimo de transformação pelo amor e revogando, assim, todas as concepções até então estabelecidas como verdades: o Reino dos Céus não será alcançado por meio de tratados exteriores.
O caminho que leva até o Pai é cercado por uma natureza belíssima, mas que a todo momento exige do espírito uma mudança efetiva de seus valores, para que, verdadeiramente, possa usufruir das benesses que nele existem, e existem em abundância!

Do livro: Mediunidade: Tarefa com Jesus
                (Alda Maria - Esp. Yvonne do Amaral Pereira)


Uma das mais sublimes funções do Evangelho do Senhor - e do Espiritismo - é a de preparar o homem para que saiba viver com dignidade em quaisquer circunstâncias.
Na riqueza, ou na pobreza, encontrará o ser humano, nas lições de Jesus e nos ensinos da Codificação, que harmoniosamente se identificam e se completam, os meios de viver, lutar e vencer com hombridade.
Jesus não preconizou a miséria por condição indispensável à vida do homem, do mesmo modo que não indicou a fortuna por meio ideal, exclusivo, de o homem transitar, com êxito, pelos caminhos do mundo.
A missão do Evangelho foi e é a de preparar a Humanidade para que ela possa viver dignamente, quer na carência, quer na prosperidade.
O que nos tem faltado, em nossas consecutivas experiências, é o fator ``preparação´´.
Não sabemos comportar-nos, cristãmente, numa ou noutra situação: na riqueza ou na pobreza.
Quando os ventos conduzem o barco de nossa vida aos portos engalanados de fortuna, tornamo-nos egoístas e, por vezes, cruelmente impiedosos ante o sofrimento que se desdobra, ante nós, como se fora sugestão divina, suave e doce convite para que ajudemos aos mais necessitados. Mas a riqueza quase sempre, oblitera os sentimentos do homem.
Sufoca-lhe os germens da solidariedade. Insensibiliza-o de tal modo que, enquanto a Bondade vai fugindo, sutilmente, humilhada, por uma das janelas do nosso coração, por uma de suas espaçosas e largas portas vai entrando o Egoísmo, via de regra acompanhado do seu dedicado pajem, do seu vigilante companheiro: o Orgulho. E não é só: mais atrás, espreitando, outra comparsa: a Prepotência.
Quando o frio da adversidade, por sua vez, nos bate à porta, levando-nos às estações da pobreza, da dificuldade, caímos na paisagem da inconformação.
Confiamo-nos, de imediato, à rebeldia.
Entregamo-nos, levianamente, à revolta.
Substituímos a prece humilde - de ontem, pela blasfêmia irreverente, desrespeitosa.
Recusamos, assim, inconsequentes, uma experiência que, muita vez, poderia representar a manifestação da Vontade do Senhor, que nos dá segundo o que necessitamos, e não segundo o que almeja a nossa mente.
O que nos falta, portanto, é a preparação evangélica. É Cristianismo em nosso coração e em nossa inteligência, para que saibamos viver na opulência - sem esquecer os deveres de solidariedade; e na pobreza - sem olvidarmos a obediência a Deus e o aspecto, essencialmente educativo, altamente educativo, de semelhante prova.
A pobreza, tanto quanto a riqueza, como expressivos e complexos fenômenos sociológico-espirituais de um mundo desajustado - de um mundo que demonstra ainda não conhecer a Deus -, nada valem em si mesmas intrinsecamente. A forma por que nos conduzimos, numa ou noutra experiência é que falará por nós - acusando-nos ou defendendo-nos - no tocante à destinação espiritual. O rico generoso, o rico que não repudiou o seu próximo, receberá da Lei, mais cedo ou mais tarde, o que  Lei reserva, igualmente para o pobre de coração compassivo, de alma misericordiosa.
O afortunado cruel, explorador da necessidade alheia, o rico que se encastelou na torre do egoísmo avassalante, receberá da Lei, em qualquer  tempo, o que a Lei reserva para o pobre revoltado, insubmisso e blasfemo. A Lei é impessoal. A Lei está na consciência humana e nela estabelece o seu augusto e solene tribunal.
A Lei do Amor, ensinada e vivida por Jesus, que  a interpretação espírita veio colocar ao alcance do homem, é para que o homem a utilize, a desfrute, através da união com Deus, do encontro pessoal com Jesus. Nem o Evangelho preconiza a mendicância, nem o Espiritismo lhe apoia a existência.
O Cristianismo e o Espiritismo preconizam uma sociedade em que os pobres saibam e possam conquistar, honestamente, o pão de cada dia, tanto quanto o rico saiba e queira transformar os seus patrimônios, de que, em última análise, é apenas administrador, em oportunidade de trabalho e prosperidade para todos.
É tão infeliz o pobre que se revolta diante da dificuldade, quanto o rico que se compraz, simplesmente, na satisfação do seu exclusivo interesse.
É tão feliz o rico que dá com alegria, e faz da sua fortuna um instrumento de prosperidade e justiça, visando o progresso e ao engrandecimento da coletividade onde a Divina Bondade o situou, quanto o pobre que, na simplicidade de sua vida, no anonimato de suas lutas, compreende e aceita as circunstâncias, por mais penosas e difíceis, que a Paternal Sabedoria lhe reservou.
Quem faz a felicidade do homem é o próprio homem. A felicidade não vem de fora para dentro, da periferia para o centro. A tempestade pode estar rugindo, implacável, lá fora, mas o mundo interior de cada indivíduo pode estar sereno e plácido, como plácida e serena é a superfície de um lago.
Se o homem deseja, efetivamente, ser feliz, deve, sem embargo do seu trabalho, da sua luta, do seu empenho na sustentação de si mesmo e da sua família, guardar fidelidade à própria consciência. Utilizar, com nobreza e confiança, a oportunidade que o Pai lhe confiou: na riqueza ou na pobreza.
Na riqueza, tornando-se generoso e bom, dinâmico e progressista. E dizer: ``Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado´´.
Na pobreza, tornando-se honesto e digno, correto e sincero na execução de seus deveres. E dizer: ``Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado´´.


Do Livro: Estudando o Evangelho (Martins Peralva)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

05 de Outubro dia de São Benedito

São Benedito

São Benedito nasceu perto de Messina, na ilha da Sicília, Itália, no ano de 1526. Benedito significa abençoado. Seus pais foram escravos vindos da Etiópia para a Sicília. Era filho de Cristovão Manasceri e de Diana Larcan. O casal não queria ter filhos para não gerarem mais escravos. O senhor deles, sabendo disso, prometeu que, se eles tivessem um filho, daria a ele a liberdade. Assim, eles tiveram Benedito. E, como prometido, ele foi libertado pelo seu senhor ainda menino.
Benedito foi educado por seus pais na fé cristã. Quando menino, cuidava das ovelhas e sempre aproveitava para rezar o Rosário, ensinado por sua mãe.

A vida de São Benedito

Quando tinha 20 anos foi insultado por causa de sua raça. Porém, com muita calma e paciência suportou tudo. Vendo isso, o líder dos eremitas franciscanos, Frei Jerônimo Lanza, convidou-o para fazer parte da congregação. São Benedito aceitou prontamente, vendeu tudo o que tinha e se tornou um eremita franciscano, ficando com eles por volta de 5 anos.
Papa Pio IV, desejando unificar a ordem franciscana, ordenou aos eremitas que se juntassem a qualquer ordem religiosa. Benedito foi para o mosteiro da Sicília, um convento em Santa Maria de Jesus. Era o convento dos franciscanos capuchinhos. Benedito entrou como irmão leigo, assumindo uma função tida como secundária: a de cozinheiro. Benedito, porém, fez da cozinha um santuário de oração e fervor. Vivia sempre alegre e com muita mansidão, conquistando a todos com sua comida saborosa e sua simpatia.
Foi transferido depois para o convento de Sant’Ana di Giuliana, ficando por 4 anos. Depois retornou para o convento de Santa Maria de Jesus, permanecendo ali até sua morte.

Superior do mosteiro

Por causa de sua vida exemplar, trabalho, oração e ajuda a todos, Frei Benedito tornou-se um líder natural. Em 1578 foi convidado para ser o Guardião, (superior) do mosteiro, cargo que aceitou depois de muita relutância. Apesar de ser analfabeto, administrou o mosteiro com grande sucesso, seguindo com rigor os preceitos de São Francisco. Organizou os noviços, foi caridoso os padres, era o primeiro a dar exemplo nas orações e no trabalho.

São Bernedito, um analfabeto procurado pelos teólogos

Os teólogos vinham de longe para conversar com São Benedito e aprender com ele. Frei Benedito tinha o dom da sabedoria e o dom da ciência. E, apesar de sua condição de analfabeto, ensinava a todos.
Mandava os porteiros não dispensarem nenhum pobre sem antes dar-lhes alimento e ajuda, mesmo na dificuldade do mosteiro. Quando termina seu mandato como superior, ele volta com alegria para o seu ofício de cozinheiro.

A fama de São Benedito

Todos queriam ver e tocar em São Benedito, por causa de sua fama de santidade, palavras, milagres e orações. Os escravos simpatizavam muito com ele, por ser negro, pobre e com grandes virtudes. Em torno do seu nome surgiram numerosas irmandades. São Benedito é um dos Santos mais populares no Brasil, com inúmeras paróquias por todos os lugares inspiradas em seu modelo de humildade e caridade.

Os Milagres de São Benedito

Grande é o numero de milagres de São Benedito, inclusive a ressurreição de dois meninos, a cura de vários cegos e surdos, a multiplicação de peixes e pães, e vários outros milagres. Alguns milagres de multiplicação de alimentos aconteceram na cozinha de São Benedito. Por isso, ele é tido carinhosamente pelo povo como o Santo Protetor da cozinha, dos cozinheiros, contra a fome e a falta de alimentos.

Falecimento

Um dia Frei Benedito profetizou que quando morresse teria que ser enterrado às pressas para evitar problemas para seus irmãos. Depois disso, ficou gravemente doente e faleceu no dia 4 de abril de 1589, aos 65 anos de idade. E a profecia se cumpriu: quando ele faleceu uma multidão invadiu o mosteiro para vê-lo, conseguir algum objeto seu ou um pedaço de sua roupa de monge para terem como relíquia do santo pobre e humilde, causando problemas para o convento.
Na hora de sua morte ele disse com muita alegria: Jesus! Jesus! Minha mãe, doce Maria! Meu Pai São Francisco! E morreu em paz. Seu corpo foi transladado para a igreja e exalava suave perfume. Exumado posteriormente, estava intacto, (incorrupto). Em 1611 seu corpo foi colocado em uma urna de cristal na igreja de Santa Maria em Palermo para visitação e permanece até os dias de hoje.

Imagem de São Benedito

São Benedito foi canonizado em 24 de maio de 1807, pelo Papa Pio Vll. É representado com o menino Jesus nos braços por que fora visto várias vezes com um lindo bebê nos braços quando estava em profunda oração. Por orientação da CNBB, no Brasil a festa de São Bendito é comemorada no dia 5 de outubro.

Oração a São Benedito

Glorioso São Benedito, grande confessor da fé, com toda a confiança venho implorar a vossa valiosa proteção. Vós, a quem Deus enriqueceu com dons celestes, consegui-me as graças que ardentemente desejo, para maior glória de Deus. Confortai o meu coração nos desalentos.
Fortificai minha vontade para cumprir bem os meus deveres. Sede o meu companheiro nas horas de solidão e desconforto. Assisti-me e guiai-me na vida e na hora da minha morte, para que eu possa bendizer a Deus nesse mundo e gozá-lo na eternidade. Com Jesus Cristo, a quem tanto amastes. Assim seja, amém.

SIGNIFICADO E SIMBOLISMO DE SÃO BENEDITO

A imagem de São Benedito apresenta vários aspectos importantes da vida deste santo tão querido e venerado em todo o mundo. Filho de escravos oriundos da Eitópia, ele nasceu na Itália com a promessa de ser liberto da escravidão assim que nascesse, que, de fato, aconteceu. Homem livre, porém, analfabeto, Benedito recebeu uma sólida educação cristã de seus pais e se tornou o grande São Benedito. Vamos conhecer os sinais de sua imagem.

A tonsura de São Benedito

A tonsura era o corte de cabelo usado pelos religiosos para simbolizar a consagração que tinham feito a Deus e o voto de castidade. Assim, a tonsura de São Benedito nos revela que ele era um consagrado a Deus e tinha feito voto de castidade.

O hábito marrom de São Benedito - 1

O hábito marrom de São Benedito conta-nos a história da vida religiosa deste grande santo. Aos 19 anos, o jovem Benedito reagiu com paciência e misericórdia a um insulto por causa da cor de sua pele. O ato foi visto e admirado por um eremita franciscano, que o convidou para ser também eremita, vendo em Benedito a vocação religiosa. Benedito aceitou e viveu alguns anos como eremita franciscano, dedicando-se inteiramente à oração, à caridade e à penitência. Depois, os eremitas foram anexados aos Franciscanos Capuchinhos. Frei Benedito acompanhou, passando a ser o cozinheiro da congregação.

O hábito marrom de São Benedito - 2

O hábito marrom de São Benedito simboliza também a humildade e a simplicidade deste grande santo. Marrom é a cor da terra, a cor do 'húmus', de onde vem a palavra humildade. Marrom também é a cor da simplicidade. Essas virtudes humildade e simplicidade foram as granes marcas da vida de São Benedito. Cozinheiro do convento durante a maior parte de sua vida, exerceu este serviço considerado 'inferior' com grande alegria e gratidão a Deus. Por isso, conquistou a todos os seus confrades. Vendo a santidade de Frei Benedito, seus confrades elegeram-no superior do convento. Depois de muito relutar, aceitou a missão e exerceu-a com grande competência, levando grandes benefícios para o convento. Terminada sua missão como superior, voltou a ser o cozinheiro com toda a alegria.

O Menino Jesus no colo de São Benedito

O Menino Jesus no colo de São Benedito tem dois significados. O primeiro é uma referência à experiência sobrenatural que São Benedito viveu várias vezes com Menino Jesus. Muitas testemunhas viram o santo em profunda oração, tendo em seus braços o Menino Jesus. O segundo significado é a presença de Deus na vida de São Benedito. Isso transpareceu através da humildade, da alegria, da santidade e dos milagres operados através do santo. Dentre eles destacam-se ressurreições de dois meninos, curas de cegos e surdos e a multiplicação de pães e peixes. Por isso ele é o santo protetor dos cozinheiros.

O terço nas mãos de São Benedito

O terço nas mãos de São Benedito simboliza seu espírito de oração profunda e sua devoção a Nossa Senhora. Como todo bom franciscano, São Benedito era um homem de profundo amor e devoção à Virgem Maria, dedicando-se todos os dias à oração do santo rosário.

Oração

'Glorioso São Benedito, grande confessor da fé, com toda a confiança venho implorar a vossa valiosa proteção. Vós, a quem Deus enriqueceu com dons celestes, consegui-me as graças que ardentemente desejo, para maior glória de Deus. Confortai o meu coração nos desalentos.Fortificai minha vontade para cumprir bem os meus deveres. Sede o meu companheiro nas horas de solidão e desconforto. Assisti-me e guiai-me na vida e na hora da minha morte, para que eu possa bendizer a Deus nesse mundo e gozá-lo na eternidade. Com Jesus Cristo, a quem tanto amastes. Assim seja, amém.'

Dia de Ossaim na Umbanda

05 de outubro, Dia de São Benedito e Ossaim
Tamanho é seu poder dentro da Umbanda que nenhuma cerimônia pode ser realizada sem sua interferência e assistência – sem Ossaim não existeorixá ou Umbanda!
É conhecida a máxima na Umbanda que “sem folha não existe orixá”, eOssaym é detentor do axé das folhas e todos os orixás da Umbanda devem a Ossaim reverência por isso.
O encanto das folhas, o axé das ervas é o presente de Ossaim a nós humanos. Através das folhas de Ossayn nos curamos, banhamos, alimentamos e entramos em contato íntimo com nossas raízes espirituais, com nossos orixás.

Participação de Ossaim na Umbanda

Ossaim traz também a influência das folhas para as operações da adivinhação, acompanhando sempre Ifá, ajuda também nas consultas ao Jogo de Búzios.
O culto deste orixá é tão importante que existe um cargo só para ele: oBabalossain, mas no Brasil, poucas casas tem seu próprio Babalossain ouOlossain. Normalmente essa função é dada a um filho de Ossain, a um Ogã ou o próprio Babalorixá ou Yalorixá (Mãe de Santo) a executa.

Dia 05 de outubro é “Dia de Ossaim”

Homenageados em 05 de outubro
A comemoração vem do dia do santo católico ligado a Ossaim pelo sincretismo religioso, associado a São Benedito, o mouro, santo                                                                               protetor dos negros.
Neste dia é realizada a Sassayin ou Sasanha, nome que se dá ao ritual da Umbanda para retirar a energia vital das folhas e extrair o seu sangue (sumo da planta), que é chamado “sangue de origem vegetal”, no sentido de purificar e alimentar os objetos sagrados e o corpo dos iniciados, possibilitando o equilíbrio e a renovação das energias da Casa de Umbanda.
orixá Ossaim, dono dos segredos de todas as folhas é saudado em todas as cantigas deste ritual.
O ato de cantar as folhas sagradas ou rezar as folhas, com cantigas específicas para cada folha (ewe), e seu conteúdo que é o atributo da folha, é utilizado principalmente na preparação do abô, chamada de água sagrada na feitura de santo.

Saiba mais sobre Ossaim em nosso site

Sem folha não existe orixá – Ossaim é o orixá feiticeiro comemorado em 05 de outubro. Ele que encanta as folhas, pois sem folha não existe orixá, como afirma o povo de santo.






Benedito nasceu na Sicília por volta de 1526, filho de negros que haviam sido escravos vindos da Etiópia, mais tarde libertos por seus senhores. Sua família era pobre, e Benedito foi pastor de ovelhas e
lavrador. Ingressou num convento franciscano de Palermo, capital da Sicília, e foi religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade e pela obediência. Andava descalço,
dormia no chão sem cobertas e fazia muitos outros sacrifícios.
Muitos eram os que o procuravam em busca de conselhos e orações e alcançavam muitas curas.

Depois de 17 anos, mudou-se para o Convento dos Capuchinhos, onde foi escalado como cozinheiro, permanecendo nesse serviço até ser eleito por seus irmãos de comunidade como superior do Mosteiro. Era
leigo e analfabeto, mas foi eleito por sua santidade, prudência e sabedoria. Considerado iluminado pelo Espírito Santo, profetizou muitas vezes com incrível acerto. Foi favorecido por Deus com o dom
dos milagres.

Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara.

Sempre que podia, São Benedito apanhava alguns alimentos do convento e, disfarçadamente, os levava aos necessitados. Conta-se que numa dessas ocasiões, Benedito foi surpreendido pelo superior do convento, que perguntou: "Que levas aí, na dobra do teu manto irmão Benedito ?" E Benedito respondeu: "Rosas, meu senhor !".
Benedito desdobrou o manto franciscano e, em lugar dos alimentos suspeitados, apresentou aos olhos pasmos do superior uma braçada de rosas vermelhas, e as pétalas espalharam-se pelo chão. Assim, o
negro que se tornaria santo se livrou de um castigo ao transformar pães em flores, milagre que fez dele um dos exemplos mais inspiradores do Cristianismo.

Amado de Norte a Sul do Brasil, São Benedito, por estar sempre preocupado com o bem-estar dos mais necessitados, é considerado o Protetor dos Pobres. Morreu em 4 de Abril de 1589 em Palermo, na
Itália..

O culto de São Benedito, um dos mais populares no Brasil, é associado aos padecimentos do negro brasileiro, tendo sido muito difundida sua devoção entre os escravos. Por isso, é também
considerado o Protetor dos Negros. Em São Paulo, São Benedito é intensamente festejado. A devoção a São Benedito é muito forte e difundida por todo o estado, motivando grandes festas e a atuação
dos congos, moçambiques e batuques, danças e festejos tipicamente afro-brasileiros. Suas festas se estendem por todo o ano, estabelecendo um verdadeiro Ciclo de São Benedito.

NA IMAGEM DE SÃO BENEDITO, a coroa e a auréola simbolizam o resplendor do santo; o manto identifica São Benedito como um fiel franciscano e o bebê em seu colo é um simbolismo do amor à
pobreza, representado no Menino Jesus.





SÃO BENEDITO NA UMBANDA

A divisão das Linhas de Umbanda e seus respectivos chefes de Legiões é um assunto que tem diversas interpretações, mas existem as mais usadas e aceitas. Cada Linha corresponde a um grande exército de Espíritos, os chamados " Falangeiros " da Umbanda. Cada Linha é composta por sete Legiões, e cada uma dessas Legiões tem os seus respectivos chefes.

São Benedito é Chefe de Legião da Linha de Oxalá, a primeira Linha de Umbanda, que é uma Legião que agrega Espíritos que naTerra tiveram grande sentimento religioso.

ORAÇÃO À SÃO BENEDITO

Glorioso São Benedito, grande confessor da fé. Com toda a confiança, venho implorar a sua valiosa proteção. Vós, a quem Deus enriqueceu com os dons celestes, concedei-me as graças que
ardentemente desejo para a maior glória de Deus. Confortai meu coração nos desalentos, fortificai minha vontade para cumprir bem os meus deveres ! Vinde orientar-me nas horas decisivas de minha vida e na hora da minha morte, para que eu possa bendizer a Deus nesse mundo e gozar na eternidade com Jesus Cristo, a quem tanto amastes.

Assim Seja, amém.

Fonte: Revista Espiritual de Umbanda



Na Umbanda, o culto é feito a Obaluaiê, que se desdobra com o nome de Omulu. Orixá originário do Daomé. É um Orixá sombrio, tido entre os iorubanos como severo e terrível, caso não seja devidamente cultuado, porém Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de gestos humildes, honestos e leais.

Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar e Obaluaiê estabelece o cordão energético que une o espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular básico (órgãos físicos).

Ambos os nomes surgem quando nos referimos à esta figura, seja Omulu seja Obaluaiê. Para a maior parte dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade. Já para alguns babalorixás, porém, há de se manter certa distância entre os dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo Orixá.

São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.

Um dos mais temidos Orixás, comanda as doenças e, consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe Nanã, tem profunda relação com a morte. Tem o rosto e o corpo cobertos de palha da costa, em algumas lendas para esconder as marcas da varíola, em outras já curado não poderia ser olhado de frente por ser o próprio brilho do sol. Seu símbolo é o Xaxará - um feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios.

Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omulu é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma Obaluaiê é a que mais se vê.

A figura de Omulu/Obaluaiê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou.

Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão porém, é uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente era a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omulu/Obaluaiê, o Daomé.

Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmão) e Nanã (sua Mãe), Omulu/Obaluaiê é uma criatura da cultura jêje, posteriormente assimilada pelos iorubás. Enquanto os Orixás iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanos, as figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há aproximação, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e conseqüentes em suas ameaças.

A visão de Omulu/Obaluaiê é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais prováveis nos Orixás iorubás.

Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a iorubá, o que pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de Omulu/Obaluaiê e Nanã (Orixá feminino), freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios de animais que lhe são feitos. Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.

Como parte do temor dos iorubás, eles passaram a enxergar a divindade (Omulu/Obaluaiê) mais sombria dos dominados como fonte de perigo e terror, entrando num processo que podemos chamar de malignação de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da existência similar apenas de Ossãe). Omulu/Obaluaiê seria o registro da passagem de doenças epidêmicas, castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de cada vez.

Obaluaiê, o Rei da Terra, é filho de NANÃ, mas foi criado por IEMANJA que o acolheu quando a mãe rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de feridas. É uma divindade da terra dura, seca e quente. É às vezes chamado "o velho", com todo o prestígio e poder que a idade representa no Candomblé. Está ligado ao Sol, propicia colheitas e ambivalentemente detém a doença e a cura. Com seu Xaxará, cetro ritual de palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser também a marca dos eleitos, pelos quais Omulu quer ser servido. Quem teve varíola é freqüentemente consagrado a Omulu, que é chamado "médico dos pobres".

Suas relações com os Orixás são marcadas pelas brigas com Xangô e Ogum e pelo abandono que os Orixás femininos legaram-lhe. Rejeitado primeiramente pela mãe, segue sendo abandonado por Oxum, por quem se apaixonou, que, juntamente com Iansã, troca-o por Xangô. Finalmente Obá, com quem se casou, foi roubada por Xangô.

Existe uma grande variedade de tipos de Omulu/Obaluaiê, como acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas guerreiras e não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas resumidos pelas duas configurações básicas do velho e do moço. A diversidade de nomes pode também nos levar a raciocinar que existem mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma região, justificando que o Orixá é também conhecido como Skapatá, Omulu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui.

Esta Grande Potência Astral Inteligente, quando relacionado à vida e à cura, recebe o nome de Obaluaiê. Tem sob seu comando incontáveis legiões de espíritos que atuam nesta Irradiação ou Linha, trabalhadores do Grande Laboratório do Espaço e verdadeiros cientistas, médicos, enfermeiros etc., que preparam os espíritos para uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.

Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde, trazendo o bálsamo necessário para o alívio das dores daqueles que sofrem.

O Senhor da Vida é também Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria. Assim, na hora do desencarne, são eles, os falangeiros de Omulu, que vêm nos ajudar a desatar nossos fios de agregação astral-físico (cordão de prata), que ligam o perispírito ao corpo material.

Os comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.


Faz caridade fio, faz caridade fio!
Assim era as fala do negro Ambrósio através do aparelho mediúnico que lhe servia de canal para fazer proseador.
Não era a primeira vez que aquele consulente ouvia esse conselho do Pai Velho. Já haviam se passado oito meses desde o primeiro dia que aquele senhor tinha adentrado ao terreiro, passando a fazer parte da assistência, sempre voltando ao negro Ambrósio para tirar suas duvidas.
Naquele dia ele estava decidido. Iria perguntar ao Velho porque toda vez que falava com ele escutava o mesmo conselho. Será que como espírito não estava vendo que ele já estava fazendo sua parte?
Esperou ansioso a sua vez. Aquela noite seria especial, seria diferente das outras, aquele encontro marcaria uma nova etapa no caminhar daquele senhor.
Como sempre fazia, mais por repetição do que mesmo por convicção, se ajoelhou diante do negro Ambrósio e foi dizendo:
- Benção vô Ambrósio, hoje venho lhe pedir uma explicação para melhor entender o que o senhor me diz.
- Oxalá te abençoe meu fio! Negro Ambrósio fica feliz com sua presença e gosta de fazer proseador com todos os fios que aqui vem.
- Meu vô, como o senhor mesmo sabe já faz algum tempo que venho a essa casa e falo com o senhor. Como já lhe disse não tenho uma situação financeira ruim, ao contrário, nunca tive problemas dessa ordem o que sempre me facilitou uma vida com fartura e bem-estar desde a infância.
- Certo meu fio, negro Ambrósio já tem cunhecimento de tudo isso que suncê falou.
- É meu vô, por essa razão, que gostaria de lhe perguntar por que o senhor, toda vez que fala comigo, me aconselha a fazer a caridade? O senhor não já sabe que faço isso todo mês entregando gêneros alimentícios aos que estão carentes? Além do que, na minha empresa mantenho uma creche para os filhos dos meus empregados, para que assim possam trabalhar com mais tranqüilidade. Por isso gostaria que me explicasse o porquê desse conselho, dentro da minha consciência cumpro com meu compromisso.
- É verdade meu fio, tudo isso que suncê falou pra negro veio, faz parte de seu compromisso e fio cumpre direitinho sua parte. Porém fio, esse compromisso faz parte de seu social. Suncê alimenta o corpo material que precisa de sustentação pra ficar de pé, pois se não for assim fio tem prejuízo, só que o fio também precisa distribuir o pão espiritual e assim fazer a caridade.
- Não entendi meu vô seja mais claro. Que caridade espiritual é essa?
- É a mesma que esse meu aparelhinho faz aqui no terreiro. Suncê precisa assumir sua condição de médium.
Espantado, disse o senhor: como é que é vô Ambrósio? O senhor está me dizendo que tenho compromisso com a mediunidade na Umbanda, é isso?
- É isso sim, meu fio. Suncê tem compromisso com essa banda.
Ante as muitas verdades que ele já tinha ouvido, nunca uma afirmação estava tanto a lhe remoer a alma. Como seria possível? Achava bonito a Umbanda, gostava do cheiro das ervas e do cachimbo dos vôs, mais daí então a ser médium era demais para ele.
Mesmo de forma acanhada buscando aparentar tranqüilidade aquele senhor disse ao vô:
- Meu vô, acho que há um equívoco, pois nunca senti nada a respeito da mediunidade.
- Num sentiu porque se prende e que não quer dizer ou suncê acha que nego veio não vê o companheiro de Aruanda que lhe acompanha e que hoje está dando autorização pra fazer esse conversado? Meu fio diz que gosta do cheiro das ervas e desse terreiro - o que é uma verdade - mas o que fio não se vê é dobrando o corpo para prestar a caridade, deixando assim que seu Pai Preto também lhe traga lições para seu caminhar. Então meu fio, enquanto suncê não entender, nego veio vai continuar repetindo o conselho: faz caridade fio, faz caridade fio! Mesmo que tenha que arrepetir isso por muitas veis, pois água mole em pedra dura fio, tanto bate inté que fura. Olha fio! Eu tenho um compromisso moral com esse companheiro de Aruanda que te acompanha e te agaranto que não será de minha parte que não será cumprido.
Pensa no que esse veio te falou e dispôs vem prosear novamente, pois o passo de veio é miudinho e devagarzinho, só tem uma coisa fio: o tempo corre e espero que suncê queira aproveitar enquanto tá desse lado de cá!
Aquele senhor se levantou da frente de negro Ambrósio sem dizer mais nenhuma palavra; seria preciso tempo para digerir tudo que ele tinha ouvido.
Oito meses se passaram depois daquela prosa, ninguém no terreiro tinha visto novamente aquele senhor na assistência.
Era 13 de maio, gira festiva de preto velho, os trabalhos tinham se iniciado. Negro Ambrósio olhava para a porteira do terreiro como se estivesse a esperar por alguém e assim cantarolava: “acorda cedo meu fio, se com velho quer caminhar, olha que a estrada é longa e velho caminha devagar, é devagar, é devagarinho, quem anda com preto velho nunca ficou no caminho”. Acostumados com a curimba, os filhos da corrente repetiam os versos sem perceber que naquele dia a entonação estava mais dolente. Mais um filho de Zambi venceria uma etapa, mais um seria libertado.
E foi olhando para a porteira que negro Ambrósio viu aquele senhor adentrar no terreiro, com os olhos rasos d’água e de joelhos se postar assim dizendo: Vô Ambrósio, se é verdade que tenho essa tal mediunidade, aqui estou para aprender a fazer caridade. Nesses 8 meses minha vida perdeu a alegria, relutei muito para chegar aqui novamente e não nego que fugi por vergonha. Se ainda houver tempo...
Aquele senhor nem chegou a ouvir a resposta do negro Ambrósio. Do seu lado já se encontrava um negro que, de forma doce e amorosa, assim falou: Meu fio, a quanto tempo espero por esse momento, por esse reencontro. Vamos trabaiá meu fio, nas bênçãos de Zambi e na fé de Oxalá!
Diante dos filhos daquela corrente, aquele homem branco, de olhos claros, quase translúcidos, alto, dava passagem nesse momento a mais um preto velho e foi curvando aquele corpo que se ouviu a voz da entidade assim dizer: Bendito e louvado sejam o nome de nosso Pai Oxalá! Saravá negro Ambrósio! Pai Joaquim das Almas se faz presente nesse Gongá!
- Saravá Pai Joaquim!
E daquele dia em diante mais um filho começava a sua caminhada. Mais um chegava à corrente da casa. Mais uma estrela passou a brilhar nos céus de Aruanda!

Saravá Preto!!!

História contada por Vovô Ambrósio.