segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vai uma Oferenda aí?


Por Jorge Scritori
  
Ainda estou lendo situações sobre oferendas de fim de ano (festa de Iemanjá e
 virada do ano) e chego a conclusão que falta esclarecimento, boa vontade e 
determinação para mudar o quadro atual.
Alguns pontos:
- Velas acesas na terra ou na areia causam impermeabilização do solo.
 Quando chove a parafina que derreteu da queima ou em função do sol, 
atinge camadas profundas criando uma "manta" que não deixa a água escorrer. 
A água que deveria atingir profundidade e chegar a algum lençol freático, 
fica represada, estagnada e não cumpre o seu ciclo. Na praia é pior por
 contaminar organismos menores que estão em uma cadeia biológica bem complexa;
- Champanhes e alfazemas que são a base de álcool, conservantes e corantes. 
Quando despejados no mar contaminam a água e também agridem e
 matam micro organismos;
- Os barquinhos de isopor, as louças e garrafas são os grandes vilões pelo
 tempo de decomposição - indeterminado - e quando não voltam a beira da praia,
 atingem recifes de corais. Em alguns casos, peixes e tartarugas marinhas vêm a 
superfície para tentar comer o isopor e morrem por intoxicação ou asfixia. 
O mesmo acontece com algumas aves marinhas.
Um setor que poderia começar a mobilização são os lojistas e atacadistas 
de produtos religiosos: NÃO VENDA O BARQUINHO! 
Sim! Vai mexer no seu orçamento. Você prefere ser a pessoa que faturou mais no final 
de ano ou a que começou um movimento de boicote e conscientização em relação aos 
barquinhos? Se não tiver para vender o povo vai ter que se adaptar...
- O fato de um apresentador de tv famoso fazer a oferenda desta maneira não 
valoriza a religião e não soma com absolutamente nada: é apenas mais uma 
pessoa (com dinheiro e mídia disponível) agredindo o meio ambiente.
- O pior argumento que existe nas festividades é este:
"A prefeitura limpa"...
Limpa mesmo? E leva pra onde? Você sabe o estado dos entrepostos de resíduos
 da cidade que você festejou? Qual sistema é usado? Aterro? Queima? Deslocamento?
 Ou é levado pra outra cidade? Quem paga a prefeitura, senhor contribuinte? 
Até quando o meio ambiente vai suportar?
Eu tenho vergonha dos barquinhos, das velas e de tudo que acompanha o processo!
- O pior pensamento nas festividades:
"É só uma velinha"...
"É só um barquinho"...
"É só uma rosa"...
Aceite! No fim de ano são milhares fazendo a mesma coisa...
E parece uma briga que não tem fim com algumas pessoas ou lideranças que
 levam estes apontamentos para o lado pessoal.
Então como fazer a oferenda?
Leve flores e coloque na parte seca da praia. Neste dia não beba, não fume e 
esteja vestido de forma adequada. Ao término de suas orações e agradecimentos,
 leve as flores para sua casa.
Use água mineral potável sobre as flores. Não use velas, frutas, 
espelhos, champanhe,alfazema ou qualquer outro material que seja agressivo 
ao meio ambiente.
Estamos na era do "selfie". Tire uma foto antes e deixe o local de forma idêntica: 
limpo e conservado.
E por tudo que é mais sagrado ou que você acredita ser sagrado: 
NÃO URINE NO MAR OU NA PRAIA! Não existem dois pesos e 
duas medidas: se o lugar é sagrado não deve ser profanado...
Se o "seu orixá" não aceitar a oferenda desta forma, procure no canto da 
praia uma pedra bem alta e se jogue de lá de cima no mar. Tomara que "ele" 
aceite e não te devolva...(risos)
Muda meu camarada. Antes que alguém te mude de lugar...
E antes que eu mesmo tenha vontade de me jogar de uma pedra bem alta, 
optei por NÃO fazer mais oferendas na natureza...e como você faz? Não faço!!!
 Será que Iemanjá ou outro Orixá vai me punir? Duvido...

Abaixo uma tabela de materiais e o tempo de decomposição:
Material Tempo de Degradação
Aço Mais de 100 anos
Alumínio 200 a 500 anos
Cerâmica indeterminado
Chichetes 5 anos
Corda de nylon 30 anos
Embalagens Longa Vida até 100 anos (alumínio)
Esponjas indeterminado
Filtros de cigarros 5 anos
Isopor indeterminado
Louças indeterminado
Luvas de borracha indeterminado
Metais (componentes de equipamentos) cerca de 450 anos
Papel e papelão cerca de 6 meses
Plásticos (embalagens, equipamentos) até 450 anos
Pneus indeterminado
Sacos e sacolas plásticas mais de 100 anos
Vidros indeterminado

Fonte: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/residuos/reciclagem/tempo_de_decomposicao_do_materiais.html

Sete Linhas

A Administração do Universo

               Na obra de Deus, nada é aleatório, nada é anárquico, tudo obedece a uma vontade inteligente e direcionada para aquele fim.
               Todas as religiões, mesmo as mais primitivas admitem que os fatos acontecem em harmonia com uma vontade maior, que a tudo administra. Afirma-se, mesmo, que não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o saiba e o permita.
               Assim, sem tentarmos entender a natureza de Deus, que ainda é superior a nossa capacidade de compreensão e entendimento dos fenômenos, podemos e devemos assumir como verdade absoluta e inquestionável que Ele é a causa primária de todas as coisas tangíveis e intangíveis, que todos os fatos, desde os mais inexpressivos, até os mais significantes, obedecem inexoravelmente à Sua vontade soberana e onipotente.
               Para compreendermos como Ele faz isso, como administra o Universo infinito, precisamos entender que Deus é energia; energia inteligente. Dessa forma, Ele vibra constantemente, expressando sua vontade onipotente através de ondas que se propagam por toda a extensão infinita do Universo, regulando todos os fenômenos. Essas ondas, ou vibrações emanam diretamente da Divindade e são também chamadas de Vibrações Originárias, ou Vibrações Básicas.
               Essas vibrações básicas são em número de sete, o que corresponde a dizer que Deus comanda o Universo através de sete faixas de onda que permeiam tudo o que existe, levando sua vontade a todos os cantos.
               Os antigos árias - descendentes dos atlantes - chamavam essas vibrações originárias de "Purushá", cujo significado mais apropriado é "Consciência Pura" e que expressa a idéia de um princípio espiritual, transcendental absoluto, o que corresponde a "Vontade de Deus". À medida que a idéia se transmitia de geração em geração, entre os africanos, o termo purushá foi sofrendo corruptelas, até se transformar em orixá, que em iorubá significa literalmente "guardião da cabeça", numa alusão à influência exercida por essas vibrações sobre o comportamento das pessoas.

Os Auxiliares de Deus.

               Nos mundos perfeitos, habitados por espíritos puros e altamente evoluídos, seus habitantes são capazes de receber autonomamente tais vibrações e executarem diretamente as ordens do Criador, mas, em mundos inferiores como a Terra, Deus conta com a colaboração direta de espíritos de altíssima hierarquia, verdadeiros luminares, que são incumbidos de receber, interpretar e fazer executar a vontade soberana, colaborando, dessa forma, diretamente na obra da criação e da administração dos mundos. Esses espíritos (dentre os quais figura Jesus) são na verdade administradores do planeta e, muitas vezes, são administradores de sistemas planetários inteiros, tal sua capacidade e seu grau de elevação na ordem da evolução.
               Embora com capacidade para tal, não executam a tarefa sozinhos; ao invés disso, colocam sob sua orientação direta, espíritos de hierarquia imediatamente inferior, atribuindo-lhes a administração das tarefas correlatas a cada uma das sete vibrações, pois cada uma dessas vibrações se subdivide em inúmeras subvibrações, assim como um determinado espectro de onda se subdivide em frequências intermediárias.
               É assim que essa cadeia de comando se multiplica, com espíritos de menor grau de evolução sendo encarregados de tarefas mais simples, até chegar aos chamados espíritos elementais que auxiliam no controle dos fenômenos da natureza.  O próprio Kardec recebeu do Espírito de Verdade a confirmação desse fato, que figura em O Livro dos Espíritos, livro II, Capítulo IX, título IX.
               Assim se formam verdadeiras organizações no Astral, sendo que para administrar as ordens inerentes a cada uma das Vibrações Originárias, cria-se uma cadeia ou LINHA de comando. Como as vibrações originárias são em número de sete, na terra existem SETE LINHAS que formam a chamada Corrente Astral de Umbanda.

As Sete linhas da Umbanda.

               Cada uma dessas linhas, como já dissemos, é comandada por um espírito de alta hierarquia cujo nome não sabemos, porque nunca foi revelado, mas, com absoluta certeza, um deles é Jesus, nosso Cristo planetário.
                Como as tribos que preservaram o conhecimento trazido pelos atlantes eram muito primitivas e incapazes de alçançar o real significado de alguns fatos por demais abstratos, aconteceu, aos poucos, uma confusão entre o conceito de orixá e os espíritos comandantes de linhas: como não compreendiam exatamente o que era uma vibração, entendiam que orixás eram divindades e passaram, então a personificar os orixás, o que é uma impropriedade. Resta então dizer que os comandantes de linhas não são orixás; são espíritos que administram os orixás que, por sua vez não são entes, mas vibrações oriundas diretamente de Deus.
               Desfeito o equívoco, deve-se explicar, então que cada Orixá ou Linha possui um único chefe maior. Esse chefe maior tem sob seu comando direto, sete outros espíritos de hierarquia imediatamente inferior. São os chamados Chefes de Legião, ou como popularmente se diz, "orixás" de primeiro grau. Dessa forma, cada linha se divide em sete legiões.
               Cada chefe de legião ou "orixá" de primeiro grau tem sob seu comando direto sete espíritos de hierarquia imediatamente inferior que são chamados Chefes de Falange ou "orixás" de segundo grau. Então, cada legião se divide em sete falanges, o que equivale a dizer que uma linha possui sete legiões e quarenta e nove falanges.
               Cada chefe de falange tem sob seu comando direto, sete espíritos de hierarquia imediatamente inferior, também chamados de Chefes de Sub Falange, ou "orixás" de terceiro grau. Isso nos dá trezentas e quarenta e três sub falanges por linha. Somente até o terceiro grau as entidades recebem a designação imprópria de "orixás".
               Cada chefe de sub falange comanda sete entidades de hierarquia imediatamente inferior, que são chamados de Chefes de Grupamento, ou "Guias". Esses guias são entidades de quarto grau na escala hierárquica. São, ao todo, dois mil quatrocentos e um grupamentos em cada linha.
               A partir do quinto grau encontramos os espíritos chamados de protetores e que são também os que se manifestam nos centros de Umbanda. A escala continua crescendo com base sete até o sétimo grau e, a partir daí, ainda pode continuar crescendo, sempre em base sete, em subgrupamentos afins, pois a ninguém é vedado o direito de trabalhar e contribuir na obra de Deus, desde que reuna condições para tal e demonstre um desejo sincero de fazê-lo.
               Isso faz com que haja sempre espíritos entrando na Corrente Astral de Umbanda. Aliás, assim tem de ser, porque, do quarto grau para baixo, os espíritos ainda estão sujeitos à reencarnação compulsória e quando há um reencarne, ocorre naturalmente uma promoção, atendendo sempre ao merecimento e ao grau de evolução já alcançado pelo espírito.
               Os atlantes davam nomes a cada uma dessas vibrações originárias e, ainda que com distorções, os nomes que chegaram até nós foram: Oxalá (ou Orixalá), Ogum, Xangô, Oxóssi, Iemanjá, Yorimá e Yori. Após o ressurgimento da Umbanda no Brasil, em 1908, e o estabelecimento das formas básicas de manifestação, a subdivisão das linhas ficou assim estabelecida:
                As linhas de Oxalá, Ogum, Xangô, Oxóssi e Iemanjá são linhas de Caboclos. isso significa que todas as entidades que se manifestam sob essas vibrações se apresentam com a roupagem de caboclos. A linha de Oxóssi agrega Caboclos e de Caboclas, e a linha de Iemanjá agrega tão somente Caboclas.
               A linha de Yorimá é uma linha de Pretos Velhos e a maioria das entidades que se manifestam sob essa vibração ostentam a roupagem de Preto Velho, mas há que se ressaltar que também os caboclos de Obaluaê se manifestam dentro da vibração de Yorimá.
               A linha de Yori é uma linha de Crianças, o que equivale a dizer que todas as entidades que se manifestam nos terreiros sob essa vibração ostentam a roupagem de Criança.
               Ressalte-se que o fato de se apresentar numa linha de caboclos não significa necessariamente que a entidade tenha tido uma encarnação como índio americano. Na verdade, grande parte dos espíritos que se apresentam nessas linhas nunca foram índios, mas reunem condições de realizar o trabalho destinados aos espíritos que sob tais vibrações se agregam. O mesmo vale para as linhas de Pretos Velhos e de Crianças.
               Outro ponto que deve ficar bem claro é que, nos trabalhos de Umbanda, as entidades que se manifestam através da mediunidade de psicofonia (incorporação) são, em sua esmagadora maioria, entidades de quinto, sexto e sétimo graus na escala das respectivas linhas. Em circunstâncias muito especiais, podem se manifestar entidades de quarto grau (guias), mas, para que isso aconteça é necessário um médium com extraordinária capacidade de sintonia.
               Nenhum médium atuante na Umbanda pode ter a pretensão de trabalhar ou receber os espíritos de primeiro, segundo ou terceiro graus na escala, visto serem entidades de elevadíssimo padrão vibratório. A presença desses espíritos nos trabalhos se verifica através da emanação fluídica, já que seu grau de evolução já lhes permite projetarem fluidicamente sua influência em vários pontos simultaneamente.
               Esclareça-se, finalmente que, em Umbanda, ninguém recebe orixás. Os médiuns recebem Caboclos, Pretos Velhos e Crianças, trabalhadores da Corrente Astral de Umbanda, mensageiros dos luminares, que vem até nós executar trabalhos caritativos em nome de Deus e de seus Comandantes maiores.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

                               As diferentes classes de espíritos: Parte I

Você conhece sobre as diferentes classes de espíritos? Não? Então aproveite 
e estude conosco, pois hoje damos início a um breve estudo, dividido em 
algumas partes eque visa abordar o tema, esclarecendo sobre cada uma
 das classes de espíritos apontadas na literatura dos espíritos.

Diferentes Ordens de Espíritos

Um ponto capital na Doutrina Espírita é o das diferenças que existem 
entre os Espíritos, sob o duplo ponto de vista intelectual e moral; seu 
ensino, a esse respeito, jamais variou; não menos importante, porém, 
é saber que eles não pertencem eternamente à mesma ordem e que, 
em consequência, essas ordens não constituem espécies distintas: 
são diferentes graus de desenvolvimento. Os Espíritos seguem a marcha 
progressiva da Natureza: os das ordens inferiores são ainda imperfeitos; 
depois de depurados, atingem as ordens superiores; avançam na
 hierarquia à medida que adquirem qualidades, experiência e conhecimentos 
que lhes faltam. No berço, a criança não se assemelha ao que será na
 idade madura; entretanto, é sempre o mesmo ser.

A classificação dos Espíritos baseia-se no grau de adiantamento deles,
 nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que terão
 ainda de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta;
 apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. 
De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os
 matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do 
arco-íris ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem.
 Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme 
o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se 
dá com todos os sistemas de classificação científica, os quais podem 
ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais e mais ou menos
 cômodos para a inteligência; sejam, porém, quais forem, em nada alteram 
as bases da Ciência.

Assim, é natural que, inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos
 divergido quanto ao número das categorias, sem que isto tenha valor
 algum. Entretanto, não faltou quem se agarrasse a esta contradição
 aparente, sem refletir que os Espíritos nenhuma importância ligam ao
 que é puramente convencional; para eles, o pensamento é tudo; 
deixam-nos a forma, a escolha dos termos, as classificações – numa palavra, 
os sistemas.

Façamos ainda uma consideração que se não deve jamais perder de vista:
 a de que entre os Espíritos, assim como entre os homens, há os muito
 ignorantes, de modo que nunca serão demais as cautelas que se tomem
 contra a tendência a crer que, por serem Espíritos, todos devam saber
 tudo. Qualquer classificação exige método, análise e conhecimento 
aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que possuem 
limitados conhecimentos são, como neste orbe, os ignorantes, os inaptos
 a apreender uma síntese, a formular um sistema; mesmo os que são 
capazes de tal apreciação podem mostrar-se divergentes quanto às 
particularidades, conformemente aos pontos de vista em que se achem,
 sobretudo se se trata de uma divisão, que nenhum cunho absoluto
 apresente. Lineu, Jussieu e Tournefort tiveram cada um o seu 
método, sem que a Botânica, em consequência, houvesse experimentado 
qualquer modificação. É que nenhum deles inventou as plantas, 
nem seus caracteres. Apenas observaram as analogias, segundo as
 quais formaram os grupos ou classes. Foi assim que também 
procedemos. Não inventamos os Espíritos, nem seus caracteres; 
vimos e observamos, julgamo-los pelas suas palavras e atos,
 depois os classificamos pelas semelhanças. É o que cada um teria 
feito em nosso lugar. Entretanto, não podemos reivindicar a totalidade
 desse trabalho como sendo obra nossa. Se o quadro que damos a 
seguir não foi textualmente traçado pelos Espíritos, e se é nossa a 
iniciativa, todos os elementos que o compõem foram hauridos em 
seus ensinamentos; não nos restaria senão formular a disposição material.

Os Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três
 grandes divisões. Na última, a que fica na parte inferior da escala, 
estão os Espíritos imperfeitos que devem ainda percorrer todas,
 ou quase todas as etapas; caracterizam-se pela predominância da 
matéria sobre o Espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda se
 caracterizam pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo
 desejo do bem: são os Espíritos bons. A primeira, finalmente, compreende
 os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo da perfeição


Esta divisão nos pareceu perfeitamente racional e com caracteres bem
 positivados; só nos restava pôr em relevo, mediante subdivisões em
 número suficiente, os principais matizes do conjunto. Foi o que fizemos, 
com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos 
faltaram. Com o auxílio desse quadro, fácil será determinar-se a 
ordem, assim como o grau de superioridade ou de inferioridade dos 
que podem entrar em relação conosco e, por conseguinte, o grau de 
confiança ou de estima que merecem. Além disso, interessa-nos
 pessoalmente porque, como pertencemos, por nossa alma, ao mundo
 espírita, no qual reentraremos ao deixar nosso invólucro mortal, ele 
nos mostra o que nos resta fazer para chegarmos à perfeição e ao
 bem supremo. Faremos, todavia, notar que os Espíritos não ficam 
pertencendo, exclusivamente, a tal ou tal classe. Sendo sempre 
gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num
 sentido do que em outro, pode acontecer que muitos reúnam em si 
os caracteres de várias categorias, o que seus atos e linguagem tornam
 possível apreciar.

Fonte: Revista Espírita, Ano I, fevereiro de 1858, nº. 2. - Allan Kardec

                                 As diferentes classes de espíritos parte II:

                                                    Espíritos Imperfeitos

Salves os amigos leitores, no post de hoje daremos continuidade ao estudo 
sobre as diferentes classes de espíritos, contudo, abordaremos aqui a 
terceira ordem de espíritos, isto é, os que comumente chamamos de
 espíritos inferiores, ou ainda, imperfeitos.



TERCEIRA ORDEM – ESPÍRITOS IMPERFEITOS

Características gerais. – Predominância da matéria sobre o espírito.
 Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões 
que lhes são consequentes. Têm a intuição de Deus, mas não o 
compreendem. Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há 
mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. Uns não
 fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, já 
denotam a sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal
 e se rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo. Neles
 a inteligência pode achar-se aliada à maldade ou à malícia; seja, porém,
 qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual,
 suas ideias são pouco elevadas e mais ou menos abjetos seus sentimentos.

Restritos conhecimentos têm das coisas do mundo espírita e o pouco que 
sabem se confunde com as ideias e preconceitos da vida corporal. Acerca
 dessas coisas, não nos podem dar senão noções falsas e incompletas;
 entretanto, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, o observador 
atento encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas 
pelos Espíritos superiores. Na linguagem de que usam se lhes revela o
 caráter. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento,
 pode ser classificado na terceira ordem. Conseguintemente, todo mau 
pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito dessa ordem.

Eles veem a felicidade dos bons e esse espetáculo lhes constitui incessante
 tormento, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja 
e o ciúme podem causar. Conservam a lembrança e a percepção dos 
sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é muitas vezes 
mais penosa do que a realidade. Sofrem, pois, verdadeiramente, pelos
 males de que padeceram em vida e pelos que ocasionaram aos 
outros. E, como sofrem por longo tempo, julgam que sofrerão para 
sempre. Deus, para puni-los, quer que assim julguem.

Podem ser divididos em quatro grupos principais:

Décima classe. ESPÍRITOS IMPUROS – São inclinados ao mal, 
de que fazem o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão
 conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança e se mascaram
 de todas as maneiras para melhor enganar. Ligam-se aos homens 
de caráter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de 
induzi-los à perdição, satisfeitos com o conseguirem retardar lhes o 
adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas por que passam.

Nas manifestações, dão-se a conhecer pela linguagem. A trivialidade
 e a grosseria das expressões, nos Espíritos, como nos homens, 
é sempre indício de inferioridade moral, se não também intelectual.
 Suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores e, se tentam
 iludir, falando com sensatez, não conseguem sustentar por muito tempo 
o papel e acabam sempre por se traírem. Alguns povos os arvoraram em
 divindades maléficas; outros os designam pelos nomes de demônios, 
maus gênios, Espíritos do mal.

Quando encarnados, os seres vivos que eles constituem se mostram 
propensos a todos os vícios geradores das paixões vis e degradantes:
 a sensualidade, a crueldade, a felonia, a hipocrisia, a cupidez, 
a avareza sórdida. Fazem o mal por prazer, as mais das vezes sem motivo,
 e por ódio ao bem, quase sempre escolhendo suas vítimas entre as 
pessoas honestas. São flagelos para a Humanidade, pouco importando 
a categoria social a que pertençam, e o verniz da civilização não os forra ao 
opróbrio e à ignomínia.

Nona classe. ESPÍRITOS LEVIANOS – São ignorantes, travessos, irrefletidos
 e zombeteiros. Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se
 incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos
 e ligeiras alegrias, de aborrecer, de induzir maliciosamente em erro,
 por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem 
os Espíritos vulgarmente tratados de duendes, trasgos, gnomos,
 diabretes. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, 
que muitas vezes os empregam, como fazemos com os nossos servidores.

Mais que outros, parecem ligados à matéria e ser os principais agentes 
das vicissitudes dos elementos do globo, quer vivam no ar, na água, no 
fogo, nos corpos sólidos ou nas entranhas da Terra. Muitas vezes 
manifestam sua presença por efeitos sensíveis, tais como pancadas, 
movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar, 
etc., o que lhes valeu o nome de Espíritos batedores ou 
perturbadores. Reconhece-se que tais fenômenos não se devem a
 uma causa fortuita e natural quando têm um caráter intencional e inteligente.
 Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos, porém os Espíritos
 elevados em geral deixam essas atribuições aos inferiores, mais aptos
 às coisas materiais que às inteligentes.

Em suas comunicações com os homens, a linguagem de que se servem é,
 por vezes, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundidade. 
Exploram as falhas e o lado ridículo dos homens e das coisas, 
comentando-os em traços mordazes e satíricos. Se tomam nomes 
supostos, é mais por malícia que por maldade.

Oitava Classe. ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS – Dispõem de conhecimentos
 bastante amplos, porém creem saber mais do que realmente sabem.
 Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem
 deles aparenta um cunho de seriedade, susceptível de iludir com respeito 
às suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo 
dos preconceitos e idéias sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma 
mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, através dos 
quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que 
ainda não puderam despir-se.


Sétima Classe. ESPÍRITOS NEUTROS – Nem bastante bons para fazerem
 o bem, nem bastante maus para fazerem o mal. Pendem tanto para um
 como para o outro e não ultrapassam a condição comum da Humanidade,
 quer no que concerne ao moral, quer no que toca à inteligência. Apegam-se 
às coisas deste mundo, de cujas grosseiras alegrias sentem saudades.

Sexta Classe. ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES - Estes
 espíritos propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas 
suas classes pessoais. Pode caber em todas as classes da terceira ordem, 
manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, 
como pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos,
 agitação do ar, etc. Afiguram-se, mais do que outros, presos à matéria.
 Parecem ser os elementos principais das vicissitudes do elemento do 
Globo, quer atuem sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros, 
quer nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fenômenos não
 derivam de uma causa fortuita ou física, quando denotam caráter 
intencional e inteligente. Todos os espíritos podem produzir tais fenômenos, 
mas os de ordem elevada os deixam, de ordinário, como atribuições dos 
subalternos, mais aptos para as coisas materiais do que para as coisas 
da inteligência; quando julgam úteis as manifestações desse gênero, lançam
 mão destes últimos como seus auxiliares.

Fonte: Revista Espírita, Ano I, Fevereiro de 1858, nº. 2 - Allan Kardec e,
O Livro dos Espíritos, 14 edição de bolso, FEB, 2009 - Allan Kardec

As diferentes classes de espíritos parte III: 

Espíritos Bons e Puros


Dando continuidade aos estudos a cerca das classes de espíritos, 
hoje vamos pondo fim ao mesmo, trazendo elucidações a cerca 
das cinco últimas classes elencadas pelos espíritos.

SEGUNDA ORDEM – ESPÍRITOS BONS

Características gerais. – Predominância do espírito sobre a matéria; 
desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação
 com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm ciência, 
outros a sabedoria e a bondade. Os mais adiantados aliam o saber às
 qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados,
 conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços 
da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos,
 entre os quais se descobrem mesmo algumas de suas manias. De 
outro modo, seriam Espíritos perfeitos.
Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. 
São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor 
que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a perturbá-la
 nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das paixões más 
que constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Todos, entretanto,
 ainda têm de passar por provas, até que atinjam a perfeição absoluta.
 Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da 
senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de 
proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre 
aqueles a quem não é grato sofrê-la.

Quando encarnados, são bondosos e benevolentes com os 
semelhantes. Não os movem o orgulho, nem o egoísmo, ou a ambição.
 Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.
 A esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, 
pelos nomes de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. 
Em épocas de superstições e de ignorância, eles hão sido elevados 
à categoria de divindades benfazejas. Podem, igualmente, ser divididos 
em quatro grupos principais:

Quinta classe. ESPÍRITOS BENÉVOLOS. – A bondade é neles a 
qualidade dominante. Apraz-lhes prestar serviço aos homens e protegê-los. 
Limitados, porém, são os seus conhecimentos. Hão progredido mais no 
sentido moral do que no sentido intelectual.

Quarta classe. ESPÍRITOS DE CIÊNCIA – Distinguem-se especialmente
 pela amplitude de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as 
questões morais, do que com as de natureza científica, para as quais 
têm maior aptidão. Entretanto, só encaram a Ciência do ponto de 
vista da sua utilidade e jamais dominados por quaisquer paixões próprias
 dos Espíritos imperfeitos.

Terceira classe. ESPÍRITOS DE SABEDORIA – As qualidade morais da 
ordem mais elevada são o que os caracteriza. Sem possuírem ilimitados 
conhecimentos, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta
 juízo reto sobre os homens e as coisas.

Segunda classe. ESPÍRITOS SUPERIORES – Esses em si reúnem a ciência,
 a sabedoria e a bondade. Da linguagem que empregam se exala 
sempre a benevolência; é uma linguagem invariavelmente digna, elevada
 e, muitas vezes, sublime. Sua superioridade os torna mais aptos do que 
os outros a nos darem as mais justas noções sobre as coisas do mundo
 incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. 
Comunicam-se de bom grado com os que procuram de boa-fé a verdade 
e cuja alma já está bastante desprendida das ligações terrenas 
para compreendê-la. Afastam-se, porém, daqueles a quem só a 
curiosidade impele, ou que, pela influência da matéria, são desviados
 da prática do bem. Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para 
cumprir missão de progresso e, então, nos oferecem o tipo da perfeição
 a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.

PRIMEIRA ORDEM – ESPÍRITOS PUROS

Características gerais. – Nenhuma influência da matéria. Superioridade 
intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.

Primeira casse. Classe única. – Os Espíritos que a compõem percorreram
 todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria.
 Tendo alcançado a soma de perfeição de que é susceptível a criatura, não
 têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos
 à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.

Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos 
às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, 
porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua
 contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus,
 cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal.
 Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos 
na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões.
 Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação
das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, 
constitui para eles ocupação gratíssima.

São designados às vezes pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.
 Podem os homens pôr-se em comunicação com eles, mas extremamente
 presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente
 às suas ordens.

Fonte: Revista Espírita, Ano I, Fevereiro de 1858, nº. 2 - Allan Kardec