sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

                               A descrença nos dias atuais

Salve a todos, o Luz na Umbanda busca trazer um assunto que pode estar 
ocorrendo nos dias atuais, "A Descrença". Visa, através do presente texto,
 abordar alguns fatores que podem gerar a mesma, e ainda, tenta 
esclarecer e ao mesmo tempo incentivar aos irmãos de boa-fé.






No presente momento em que a escola terrena passa, presenciamos
 dificuldades das mais variadas formas na vida de cada cidadão. Tal fato
 não é de se admirar, tendo em vista que cada ser humano é um universo,
 e cada ser tem seus próprios desafios íntimos a superar.

Entretanto, há alguns pontos que devemos observar melhor, tendo em
 vista que os mesmos vão além das nossas próprias dificuldades, e que 
nos estimulam a vivenciá-las com mais intensidades, isto é, exaltá-las,
 transformando certos problemas em grandes transtornos em nossa caminhada.

Como bem sabemos, “os tempos são chegados”, e com eles vem o
 progresso de nosso orbe, das energias que circundam o mesmo, e ainda,
 a evolução moral e espiritual de toda a humanidade terrena. Entretanto,
 temos a oposição no lado espiritual, onde os inimigos do bem e da luz 
não desejam a ascensão da humanidade, pois dentro da visão dos mesmos
, o Cordeiro venceria essa “batalha” entre o bem e o mal. Embora pareça
 uma ficção científica, os trabalhadores das sombras já começaram seu
 trabalho há muito tempo, prevendo que esse momento em breve chegaria,
 e achar que tudo isso não passa de um conto vulgar, é o que os senhores 
das sombras mais desejam, pois assim, a humanidade ficará a mercê de 
seus planos mirabolantes.

Muitos desses planos já estão sendo postos em pratica, e um deles é
 o que tange a descrença da humanidade, sim, a falta de fé é um dos
 meios de facilitar a indução humana a ações das mais desprezíveis até 
para o ser mais ignorante.

E para que possamos começar a entender melhor esse processo,
 vamos pensar um pouco sobre o assunto, nesse momento atual 
que a nossa amada Terra passa, e principalmente o Brasil, “a pátria do
 evangelho”, os seus habitantes não estarão tendo dificuldades em 
lidar com a fé? A descrença e a desconfiança não se fazem presente na
 boca do povo e no coração dos desavisados? Acreditamos que até 
mesmo as pessoas dedicadas à religião, seja ela qual for, estão tendo 
certas dificuldades quanto a esse assunto. E por que isso? Será que 
é simplesmente uma falta de fé das próprias pessoas ou será algo que 
está acontecendo que estará nos levando a esses sentimentos e pensamentos?

No livro “Os mensageiros”, obra de André Luiz, pelas mãos de 
Chico Xavier, podemos ver no seu capítulo 33, “A caminho da Crosta”,
 as palavras de André Luiz e de seu orientador, Aniceto:

“A paisagem tornou-se, então, muito fria e diferente. Não estávamos
 em caminho trevoso, mas muito escuro e nevoento. Tornara-se densa
 a atmosfera, alterando-nos a respiração. (...)”

“Aniceto completou, conosco, a vastidão caliginosa e falou em tom grave:
 (...) Infelizmente, as emissões vibratórias da humanidade encarnada são
 de natureza bastante inferior, referindo-nos à maioria das criaturas 
terrestres, e estas regiões estão repletas de resíduos escuros, de 
matéria mental dos encarnados e desencarnados de baixa condição”.

Tendo a oportunidade de observarmos o que os amigos espirituais nos
 demonstram sobre as emissões vibratórias da humanidade, podemos 
dizer que, a crosta terrestre, está envolta em vibrações emanadas por
 todos os seres encarnados, e também, pelos desencarnados que por 
aqui circulam. E se prestarmos atenção, no atual momento em que 
passamos, há uma revolta muito grande por parte da humanidade, a 
mesma está totalmente descrente no seu futuro, não acredita mais no 
que os líderes de nosso país falam, não acreditam mais no próximo, 
e devido a tudo isso, a desconfiança nos líderes religiosos também
 cresce, e tudo só leva a um caminho: A falta de fé em tudo e em todos, 
e consequentemente, a falta de fé em Deus.

Truque barato das sombras, mas eficaz demais, pois ainda estamos 
presos à ignorância material, e esse pequeno plano vai além, o
 ser humano, ao pensar em uma dificuldade que pode estar por vir, 
e todo o ser, como filho de Deus, como centelha do Criador, sempre 
pressente, em pequena ou maior escala as mudanças que ocorrerão, 
e ao invés de procurar ajudarem-se mutuamente, o ser humano acaba
 correndo para o lado contrário, essa falta de fé causa o egoísmo, e 
naturalmente o ser começa a olhar somente para si e seus familiares, 
então as filas aumentam para a compra de alimentos em grandes 
quantidades, pois o pensamento é estocar, e o problema é de quem não conseguiu assim agir.

Ainda podemos observar outro fator, toda essa revolta influenciada 
pelas conversações e pela mídia, acaba por gerar uma euforia na 
sociedade, os pensamentos são reavivados a todo o momento pelos 
noticiários sobre as crises e os vandalismos. Tudo isso, começa a ter,
 a cada dia, mais força, e ao mesmo tempo, mais energias densas são
 emanadas pelos seres humanos que estão nervosos e aflitos com as
 situações, com isso, bolsões de energias densas são gerados e avivados
 pelo mental coletivo, e tais energias são tão densas, que acabam por criar
as parasitoses, as viroses e as epidemias que a gente vê, de repente, 
pegar toda uma grande parcela da sociedade de súbito. Tudo isso é 
fruto de um esquema gerenciado pelas forças das sombras, os amigos
 infelizes que ainda se encontram na ignorância.

Com isso, acabam os amigos dedicados ao bem, ainda encarnados, 
ficando tristes, pois até eles às vezes sentem a descrença lhe assaltarem 
os pensamentos, entretanto, meus irmãos, não se julgue infeliz por ter
 esses pensamentos, pois não é somente você que passa por isso, toda
 a coletividade emana esse tipo de emoção e sentimento, e àqueles que
 não desejam o progresso do bem, tentarão manipular essas energias em
 direção a você que tenta, em meio a esse turbilhão de negatividades,
 praticar o bem. Por mais que tais sentimentos lhe assaltem o coração,
 a mente adestrada conseguirá administrar o pensamento e o fará 
continuar a seguir os passos do mestre Jesus.  Não foi atoa que 
o Espírito Verdade nos avisara, “Espíritas; amai-vos, eis o primeiro
 ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”¹, pois somente a instrução
 e o estudo poderá adestrar a mente, e somente a mente adestrada 
saberá manter a razão a cima da emoção, e conseguirá nos manter no
 trilho da redenção ao invés dos que nos levam a perdição.

Tenha fé!
A fé

“O homem necessita, para sua sobrevivência, cultivar dentro de si a fé, 
sentimento que vai aos poucos desabrochando de acordo com a evolução 
e o crescimento interior do ser humano. Sem ela, não se consegue vencer 
os momentos de dor e as horas de solidão e de desalento.

A fé envolve o coração triste e amargurado num círculo de esperança e de
 confiança, mostrando um amanhã diferente, cheio de sol e de alegrias. 
pode transformar um corpo doente e envelhecido num ser revitalizado e 
remoçado, pronto para reiniciar sua jornada e voltar ao trabalho novamente.
 Destrói as lembranças negras e tristes de um passado de amarguras e
sofrimentos.

A fé nasce pequenina e obscura como uma semente, vai aos poucos crescendo 
e se agigantando, tomando uma forma tão grande, que aquele que a possui 
não sucumbe jamais diante das tormentas causadas pelos atropelos e
 burburinhos dessa vida terrestre.
Guarda pequena semente dentro do teu coração e procura cultivá-la 
carinhosamente, tendo o cuidado de regá-la, constantemente com a 
força e o domínio da prece feita com todo fervor, para que ela possa 
crescer e florescer ao teu lado, dando-te a segurança e a confiança de 
que necessitas para empreender tua caminhada até o fim.

Quando vieres a necessitar dela para saciar tua fome de justiça e de perdão,
 lá estará forte e robusta, dando-te o fruto necessário e cobrindo-te com sua
 sombra nas horas em que o cansaço e a fraqueza te assaltarem traiçoeiramente.

Confia no Pai e em Sua bondade constante. Com a tua mente no Senhor,
 tudo poderás vencer e nada surgirá em teu caminho como empecilho,
 a fim de subires a escala redentora.
Abre tuas mãos para a oferta caritativa e abençoada; junta-te aos irmãos 
que também roçam e aram nesse mesmo campo de trabalho.

Despoja-te da dúvida e da preguiça que, como inimigos, procuram inibir-te
 e afastar-te do trabalho que futuramente te dará a grande alegria de uma 
abundante colheita."


Texto extraído do livro “Relicário”, por Elma Layde Lamounier Torres, pelo espírito Irmão Tomás.

¹ O Evangelho Segundo o Espiritismo: O Cristo Consolador (Advento do Espírito de Verdade).

                              Caminho longo e porta estreita


Trazemos estas reflexões neste dia de hoje, a fim de nos fazer
 pensar a respeito de nossas escolhas, das propostas de vida
 que afirmamos trilhar e encarar, dos trajetos que necessitaremos trilhar
 para alcançar nossos objetivos espirituais ou não.





A frente de uma novidade em nossas vidas, de uma notícia otimista
 e de resultados salutares e benéficos na vida de outrem, muitas vezes 
decidimos que iremos seguir em determinada jornada, gritamos para 
Deus e o mundo que é aquilo que queremos, contamos para todos
 aqueles que julgamos e não julgamos importantes em nossas vidas,
 e assim começamos nossas jornadas, ou deveríamos.

Com muita empolgação e entusiasmo apontamos novas tarefas para nós, 
classificamos ações, pessoas e situações que devem surgir em nossos 
caminhos, mas na maioria das vezes é somente fogo de palha. Sim, 
chama rápida, que no meio da escuridão pode até marcar aos olhos,
 mas que não aquece o frio da alma, não ilumina a consciência e não
 representa poder de realização. Queremos, sonhamos, idealizamos mas
 não sai do papel, pois pra isso é necessária ação.

Como já dizia um amigo espiritual, "movimentação não significa trabalho".

A questão aqui não é criticar boas idéias que surgem em nossas mentes,
 não é nos fazer achar que sentir-se entusiasmado e empolgado é ruim,
 pois é muito bom, o detalhe é somente que, devemos, antes de fazer uma
 série de especulações, antes de afirmar externamente elas, devemos 
pensar no que elas implicam em nossas vidas, no que elas representam 
para o nosso mundinho.

Acreditamos que algumas perguntas podem nos ajudar, tais como: 
"Eu quero mesmo fazer isso?"; "Isso tudo é para que eu sinta ou para
 que os outros vejam?"; "O que terei que sacrificar para isso?"; "Na
 minha opinião, estes sacrifícios valem a pena para o determinado fim?".

Seja em qualquer âmbito que decidimos mudar nossas vidas para melhor,
 sermos  mais felizes conosco e com nossas atividades, necessitamos 
realizar a "morte do homem velho", ou seja, abrir mão dos hábitos que
 impedem ou prejudicam nosso objetivo, e vivenciar o "nascimento do
 homem novo", onde seria o momento que alcançamos e 
experimentamos aquilo que decidimos realizar.

Quando se trata de mudanças em âmbito emocional e espiritual, 
isto se torna bem nítido, onde se começa a  busca pela bendita e
 idealizada "Reforma Íntima". Esse caminho SEMPRE será estreito,
 SERÁ longo, DARÁ trabalho, mas não precisa ser um martírio, uma
 tortura. Nós, que pela falta de coerência em nossas vidas, o tornamos 
um tormento, onde insistimos em manter os mesmos hábitos, a mesma
 metodologia de vida, para alcançar um fim, um objetivo, um resultado
 diferente do qual já estamos cansados de obter. Ou será que estamos mesmo?

Uma frase que nos marcou muito, dita por um amigo e irmão de caminhada, 
nos fala que "Para subir a montanha é necessário deixar o bosque". 
Pode-se interpretar essa afirmativa de diversas maneiras, mas de 
uma forma bem simples, vemos o bosque como nossa zona de conforto, 
e a montanha o nosso objetivo.

Não se chega a montanha sem sair do bosque, muito menos ela irá vir 
até nós por somente "namorar" a mesma. Que coloquemos nossa 
mochila em nossas costas, que avisemos aqueles queridos que se 
encontram no bosque conosco que estamos de partida, e que se 
quiserem andar ao nosso lado são muito bem vindos, mas se não, 
que pena, nos vemos adiante, e caminhemos!

Pra fazer essa caminhada é necessário despedidas, é necessário
 abnegação. Não terá como caminhar para a montanha, e começar
 a namorar o bosque, ou vez ou outra, querer fazer uma visitinha 
"ao velho bosque". Ou se vai ao bosque, ou se vai à montanha.

Nesse momento, acreditamos que nada melhor do que uma passagem
 bíblica, seguida de uma poesia para concluir essa reflexão.

"Todas as coisas me são lícitas, porém nem todas me convém. Todas
 as coisas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma 
delas." (Paulo, 1 Coríntios 6:12)



"Vem por aqui — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí... Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(José Régio - Cântico Negro)

                                Preconceito Espiritual

Preconceito Espiritual, eis um tema que já se arrasta por muito tempo 
entre as religiões,
 o preconceito, mas aqui não falamos do preconceito entre encarnados,
 entre os vivos na carne, mas sim, um preconceito que foi levado também 

para o além-túmulo, porém, de encarnados para com desencarnados.


Primeiramente devemos entender que nem sempre foi assim, quando a 
doutrina dos espíritos surgiu, codificada por Allan Kardec, o preconceito 
espiritual não era dessa forma, pois havia mais estudo por parte dos que
 levavam a cabo tal doutrina, e além do mais, havia comprometimento 
com a causa. Porém, no Brasil a doutrina sofreu um processo excessivo
 de intelectualização, devido a grande maioria que a pregava ser de 
classe média/alta, sendo assim, se faziam presentes nas reuniões 
professores, doutores, políticos e pessoas de influência, o que
 trazia à reunião pessoas de conhecimento dito superior. Com o 
passar do tempo às reuniões começaram a adquirir um caráter científico,
 isto é, seus adeptos exigiam demonstrações e provas dos espíritos, a fim
 de comprovarem a existência da vida após a morte e dos fenômenos
 ali praticados, e com isso veio outra exigência dos médiuns, os 
espíritos que se manifestavam deveriam ser espíritos de renomes, como
 poetas, médicos, artistas, freis e freiras, devendo também usarem 
de um palavreado mais culto, rebuscado, dito de teor elevado.

Com estas transformações da doutrina dos espíritos, que sempre teve 
como objetivo o conhecimento, a razão, mas a cima de tudo a fraternidade
 e a caridade, a mesma acabou não sendo propagada à todas as classes de
 pessoas da época, pois os mais humildes e ignorantes do saber ao se 
depararem com discussões complexas e palavreados que não entendiam 
acabavam por se sentir inferiores, e já que não entendiam direito o que
 acontecia, acabaram por deixar de conhecer a realidade espiritual e 
os diversos conselhos trazidos pelos espíritos. Porém, não eram somente
 os encarnados que não conseguiam participar das reuniões espíritas, 
alguns espíritos também não conseguiam fazer parte das mesmas, 
pois ao se apresentarem como índios, ex-escravos, revestidas de 
uma aparência espiritual mais humilde, ou ainda, ao não usar de um
 linguajar mais formal, eram estes taxados de ignorantes, atrasados 
e inferiores, sendo praticamente “enxotados” das reuniões espíritas. 
Começamos então a entender a ideia de preconceito espiritual.

Os preconceitos com as entidades que se apresentavam de
 maneira mais humilde tinham embasamento na doutrina dos espíritos,
 ou pelo menos isso era o que diziam os adeptos do Kardecismo, porém,
 perguntamos: Será que esse embasamento está correto? Será que a 
doutrina dos espíritos era imbuída deste preconceito? Ou será que 
isso era coisa da religião que o espiritismo se transformou? Ou será que
 isso é coisa de religioso mal informado que trás seus preconceitos para 
dentro da religião?

Pois é, acreditamos que houve muita distorção no que tange este 
assunto, pois ao revermos às obras de Allan Kardec não encontramos
 tal embasamento na mesma. Não encontramos este preconceito nas
 folhas do Pentateuco organizado pelo querido codificador. Sendo assim,
 analisaremos alguns tópicos de “O Livro dos Espíritos” e também de 
“O Livro dos Médiuns”, onde é comentado sobre a linguagem dos
 espíritos, sua inferioridade e superioridade, vamos juntos ver o que 
realmente essa doutrina queria dizer ao tratar da linguagem dos espíritos
 e se referir a atraso espiritual, vejamos:

Já na introdução de “O Livro dos Espíritos”, no item X, Allan Kardec
 dá uma breve pincelada sobre tal assunto:

“Quem se reportar ao resumo da doutrina acima apresentado, 
verá que os próprios Espíritos nos ensinam não haver entre eles 
igualdade de conhecimentos nem de qualidades morais, e que não
 se deve tomar ao pé da letra tudo quanto dizem. Às pessoas sensatas 
incumbe separar o bom do mau. Indubitavelmente, os que desse fato 
deduzem que só se comunicam conosco seres malfazejos, cuja 

única ocupação consista em nos mistificar, não conhecem as 
comunicações que se recebem nas reuniões onde só se manifestam
 Espíritos superiores. do contrário, assim não pensariam. É de lamentar
 que o acaso os tenha servido tão mal, que apenas lhes haja mostrado
 o lado mau do mundo espírita, pois nos repugna supor que uma tendência
 simpática atraia para eles, em vez de bons Espíritos, os maus, 
os mentirosos, ou aqueles cuja linguagem é de revoltante grosseria.”

Vejamos que o codificador já comenta na introdução da obra que os
 próprios espíritos ensinam que não há igualdade de conhecimentos e 
nem de qualidades morais entre eles, isto é, cada um possui um tipo de
 conhecimento, cada um possui certas qualidades morais, e isso não 
significa ser atrasado, ser inferior, apenas que eles, os espíritos, assim
 como os homens encarnados, e devemos observar que os espíritos 
nada mais são do que os homens que já partiram para a vida além-túmulo, 
eles não conhecem sobre tudo, porém, não falar em certas formalidades
 não caracteriza inferioridade alguma. E ainda, ele fala que cabe a nós,
 homens sensatos, os que se utilizam do bom sendo, tanto trazido por
 Kardec, separar as os bons dos maus. Mas ele vai adiante, e ai meus
 amigos pode ter havido engano entre alguns adeptos, pois aqui ele
 comenta sobre espíritos maus, mentirosos, ou cuja linguagem é de 
revoltante grosseria, o que isto significa? O que é grosseria? Significa 
mal-educado, que se utilizam de expressões que denotam descortesia,
 incivilidade, são àqueles que agem com o desrespeito. Agora eu vos digo,
 me perdoem, mas um Preto-Velho que se manifesta e fala: “Salve meu fio”,
 ou utiliza de palavras como, “vosmecê”, não tem nada de grosseria, 
é apenas o modo de falar, carinhoso e humilde, e ser taxado de ignorante
 ou atrasado por isso, é fugir totalmente ao que diz aqui, logo na introdução
 da obra.

Vamos adiante, na segunda parte de “O Livro dos Espíritos”, no capítulo I, 
“Dos Espíritos”, no tópico “Diferentes Ordens de Espíritos”, na pergunta 98, 
temos o seguinte:

“98. Os espíritos da segunda ordem, para os quais o bem constitui a 
preocupação dominante, têm o poder de praticá-lo?” “Cada um deles
 dispõe desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou.
 Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos,
 porém, ainda têm que sofrer provas”.

Vejamos que os espíritos da segunda ordem são àqueles classificados 
como “bons espíritos”, e como diz a própria respostas dos espíritos a 
Allan Kardec, todos tem o poder de fazer o bem, porém, novamente
 é falada da desigualdade de conhecimentos, pois uns possuem a ciência
 e sabem explicar muito bem às coisas sobre a realidade espiritual e
 trazem tais informações para nos ajudar no progresso intelectual, porém,
 outros possuem a sabedoria e a bondade, isto é, embora não possuem o
 conhecimento científico sobre as coisas, pelo que já vivenciaram e 
experienciaram, adquiriram a fé, o amor, a paciência, e vêm nos ensinar 
sobre tudo isso, pois conhecer é uma coisa, agora coloca-la em prática
 da maneira correta é sabedora, então cada um tem um pouco a nos ensinar, 
e é exatamente isso que é comentado nessa questão.

Vamos além, no item “Escala Espírita” ainda no mesmo capítulo, na 
questão de número 100, é dado breve comentário sobre a mesma,
 e Allan Kardec comenta o seguinte:

“Não inventamos os espíritos, nem seus caracteres. Vimos e 
observamos, julgamo-los pelas suas palavras e atos, depois os
 classificamos pelas semelhanças, baseando-nos em dados que eles
 próprios nos forneceram".

Pois bem, agora o codificador usa de outra abordagem, ele primeiramente 
comenta que não inventou os espíritos e nem seus caracteres, sendo assim,
 deve-se observar e julgar se se é bom ou mau escutando os mesmos, o que
 infelizmente já não ocorria em algumas reuniões, pois muitos nem mesmo
 deixavam os espíritos de indumentária mais humilde abrir a boca para falar
, se tinha um vidente ele já julgava pelo seu “olhar” e mandava embora, 
se era dito algo informal também era mandado embora, não havia possibilidade
 de ouvir a mensagem. Depois Kardec nos comenta que julgava as 
PALAVRAS, e aí sim pode ter havido confusão, pois o codificador se
 utiliza da expressão “palavras” em diversos momentos de suas obras,
 porém, em sua maioria ele remete tal expressão ao fundo da mensagem
 que o espírito traz e não à palavra propriamente dita que o espírito usa.
 Vejam que isso é simples de analisarmos, pois na introdução de “O Livro
 dos Espíritos”, em seu item XIV, onde ele cita a objeção quanto às
 faltas ortográficas, onde é comentado que muitas vezes os espíritos 
superiores erram na gramática ao psicografarem, o codificador nos 
elucida que “Para os espíritos, principalmente para os espíritos superiores,
 ideia é tudo, a forma nada vale”, é claro que ele ainda fala mais algumas
 coisas a respeito e que só vem a corroborar com nossa explanação, sendo
 assim, se o fundo, ou seja, a ideia principal que o espírito quer passar é a 
que importa, não devemos então nos precipitar em julgar pelas palavras 
citadas à cima pelos Pretos-Velhos e Caboclos, mas devemos analisar 
o conteúdo da mensagem e passa-lo pelo crivo da razão, e só então 
saberemos o real caráter do espírito comunicante.

Analisemos agora o que diz em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo XXIV,
 “Da identidade dos Espíritos”, na questão 255, vejamos:

“Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Se um
 Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz 
trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele. Porém, 
se somente diz coisas dignas do caráter de Fénelon e que este não se
 furtaria a subscrever, há, senão prova material, pelo menos toda 
probabilidade moral de que seja de fato ele. Nesse caso, sobretudo,
 é que a identidade real se torna uma questão acessória. Desde
 que o Espírito só diz coisas aproveitáveis, pouco importa o nome sob o 
qual as diga”.

Vejamos que fica mais fácil ainda analisarmos a questão, pois agora 
Kardec não só faz menção a linguagem de maneira mais direta, mas 
a enquadra dentro do teor da mensagem, levando em consideração 
a moral e o ensinamento que o espírito traz. Isto fica claro quando ele
 comenta que se julga os espíritos pela sua linguagem e logo 
depois fala sobre um espírito se apresentar como alguém de caráter
 sério e elevado, mas que só fala trivialidades e puerilidades, que
 quer dizer coisas banais e infantis. Depois ele acrescenta que a identidade
 real é acessória, pois o que importa é que o espírito diga coisas 
aproveitáveis, isto é, traga ensinamentos baseados em uma moral elevada.
 Vejam que mais a frente o codificador expressa exatamente o que dissemos, 
na questão 256: “Não é a pessoa deles o que nos interessa, mas o ensino
 que nos proporcionam. Ora, desde que esse ensino é bom, pouco importa
 que aquele que o deu se chame Pedro, ou Paulo. Deve ele ser julgado 
pela sua qualidade e não pelas suas insígnias”.

Lembrem-se estamos tratando de preconceito espiritual, e o mesmo se 
dá tanto quanto a roupagem utilizada pelos espíritos quanto o seu linguajar,
 sendo assim, como Kardec bem fala, pouco importa se ele é Pai João
ou São Pedro, se ele é Tupinambá ou São Luiz, se é frei ou índio, o que 
importa é o ensinamento que eles têm a passar, fica simples tal 
compreensão ao analisarmos com cautela.

Indo um pouquinho além, precisamos ver que esse preconceito quanto 
à linguagem pode colocar os adeptos das religiões que se utilizam das
 manifestações dos espíritos, através das faculdades mediúnicas, em risco,
 pois todo o tipo de excesso é prejudicial, e querer que espíritos se utilizem
 sempre de linguajar culto e formal e que se apresentem somente 
como entidades veneráveis e famosas acaba por atrair àqueles que 
podem facilmente se manifestar dessa forma, porém, de caráter e
 elevação espiritual extremamente inferior, como o codificador bem cita
 no item 261 do mesmo capítulo:

261. “Dir-se-á, sem dúvida, que, se um Espírito pode imitar uma assinatura,
 também pode perfeitamente imitar a linguagem. É exato; alguns temos
 visto tomar atrevidamente o nome do Cristo e, para impingirem a 
mistificação, simulavam o estilo evangélico e pronunciavam a torto e 
a direito estas bem conhecidas palavras: Em verdade, em verdade vos
 digo. Estudando, porém, sem prevenção, o ditado, em seu conjunto, 
perscrutado o fundo das ideias, o alcance das expressões, quando,
 a par de belas máximas de caridade, se veem recomendações pueris
 e ridículas, fora preciso estar fascinado para que alguém se equivocasse.
 Sim, certas partes da forma material da linguagem podem ser imitadas,
 mas não o pensamento. Jamais a ignorância imitará o verdadeiro 
saber e jamais o vício imitará a verdadeira virtude".

É muito importante que compreendamos tais esclarecimentos, pois
 capacidade mental e conhecimento não são sinônimos de elevação 
espiritual, e como bem sabemos nas diversas obras já trazidas à 
tona por excelentes médiuns, os espíritos descomprometidos com
 o bem trabalham duro para implementar suas ideias nefastas, 
exatamente como o codificador já apontava em seu estudo. Sendo 
assim, é fácil para um espírito de elevado conhecimento se fazer presente
 em meio aos fascinados por comunicações extravagantes, e 
falarem um centena de palavras pomposas e lindas de se ouvir,
 porém, cheia de rodeios e sem significado algum, sem ensinamento 
algum, traz mais confusão do que qualquer outra coisa. Lembremos 
que os espíritos são simples, não desejam impressionar, apenas nos
 ensinar, e muitas vezes o maior ensinamento vem de pouquíssimas
 palavras, ou às vezes de nenhuma, como o silêncio, por exemplo.

Mas então, nos aproximando do estudo a cerca deste tema tão debatido,
 vamos há um ponto que julgamos capital na doutrina, onde os incautos ao 
passarem os olhos sobre a obra, sem a estudar realmente, pode facilmente 
distorcer os ensinamentos de Kardec, vejamos no ponto 263 de “O Livro dos 
Médiuns” a seguinte frase do codificador:

“Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção 
que — a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o
 grau de elevação a que já tenham chegado. Os Espíritos realmente
 superiores não só dizem unicamente coisas boas, como também as dizem 
em termos isentos, de modo absoluto, de toda trivialidade. Por melhores
 que sejam essas coisas, se uma única expressão denotando baixeza as 
macula, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade; com mais forte
 razão, se o conjunto do ditado fere as conveniências pela sua grosseria.”

Vejam que Kardec fala que a linguagem está sempre em relação com 
o grau de elevação, isto é, e voltamos a bater nesta tecla, “linguagem”
 e “palavras” são as expressões que o codificador usa para denominar
 o modo com que os espíritos passam sua mensagem, ou seja, se o 
espírito não fala coisas pueris e triviais, como também quer referir-se ao
 fundo da mensagem. Tanto é que ele logo após comenta “Os espíritos 
realmente superiores só dizem coisas boas” referindo-se ao teor e caráter
 das mensagens. Porém aqui ele comenta algo que devemos atenção,
 é relatado que os espíritos relatam suas mensagens em “termos 
isentos”, porém, como podemos observar ele não fala somente
 “EM TERMOS”, mas sim isentos, e se ele usa tal expressão temos
 que levar em consideração que é isentos de que? Então ele segue
 falando, “isentos de modo absoluto de toda a trivialidade”. O problema
 aqui é que muitos que passam os olhos sobre a obra veem a palavra
 “termo” e acham que isso quer dizer que os espíritos devem sempre
 usar de termos mais formais e elevados, devem eles ser exímios na 
pronuncia das palavras, e vimos até uma objeção à obra de Kardec 
sobre a ortográfica, que já citamos neste estudo.

Mas vai além, o codificador comenta que se tiver uma única expressão 
que denote baixeza, é sinal de inferioridade. Meus irmãos, o que é baixeza
 para nós? Será que estamos analisando como deveríamos ou estamos
 colocando nosso preconceito junto de nossa capacidade de
 interpretação? A palavra baixeza não significa falar “fio”, “vosmecê”,
 “nego”, e demais palavras usadas por algumas entidades que se 
apresentam de modo humilde, mas significa comportamento vil e 
ausência de dignidade, era apenas isso que o codificador queria nos
 ensinar, e não que humildade era sinal de baixeza. Pensemos irmãos
 se esse preconceito é fruto de ortodoxia ou de ignorância, pois se um 
dito espírita ortodoxo dizer que segue Kardec com esse preconceito, 
então ele não conhece a obra a que professa, e infelizmente não está
 seguindo a obra revelada pelos espíritos.

Para concluirmos, lembremos o capítulo VIII do “Livro dos Médiuns”, 
“Do Laboratório Invisível”, onde é demonstrado pelo codificador e também 
pelas respostas dos espíritos quando indagados, que os espíritos podem
 modificar sua indumentária, isto é, se apresentarem com a roupagem fluídica 
que bem desejarem, claro que isto de acordo com o seu poder mental e 
sua evolução espiritual, porém, fica bem claro neste capítulo que os espíritos 
podem “vestir-se” do modo como bem queiram. Sendo assim,
 um Preto-Velho que se apresente em uma mesa e é despachado, 
pode logo depois voltar trajando o jaleco do doutor, e ser tratado pelos
 médiuns de forma extremamente diferente. Se isso não é preconceito
 espiritual, então não sei mais o que é.

Lembremos ainda Jesus, que sempre foi humilde e escolheu pessoas
 simples e humildes para caminhar ao lado dele, e em nenhum momento
 foi preconceituoso, tanto para curar quanto para ensinar. Dizemos
 segui-lo, mas será? Devemos estudar mais as obras e principalmente
 o Evangelho, para ver se aprendemos alguma coisa.


Nota: Não estamos julgando falha e nem negativa a doutrina dos espíritos, e muito menos a religião
 que se formou através dela, não vemos outras religiões como melhores e muito menos piores,
 apenas viemos trazer um pouco de esclarecimento a cerca desse preconceito que já tem perdurado
 à mais tempo do que devia. Esse preconceito não é somente no espiritismo, pois deus o livre um 
médico baixar em um terreiro de Umbanda, ele é corrido para o centro espírita de onde saiu.
 O preconceito está em todos os cantos, mas graças a Deus temos a revelação dos espíritos
 compilada por Allan Kardec no Pentateuco, que nos esclarece e muito a cerca de tudo isso que 
falamos neste estudo e muito mais.

Referências utilizadas:
O livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns - Allan Kardec