terça-feira, 12 de abril de 2016

A Visão de um Adepto: A Ética do Filho-de-santo




Por: Gregorio Lucio


Este texto trata de algumas reflexões particulares que tenho feito sobre a ética que deve existir na relação mestre-discípulo, pai/mãe-de-santo e filho-de-santo, dentro da religião Umbandista.

“Difícil não é ser mestre. Difícil é ser discípulo”. Porque "mestre"muitos acham que são ou podem ser.

O Sacerdote ou a Sacerdotisa dentro da religião de Umbanda (pai ou mãe-de-santo) detém as chaves e os conhecimentos fundamentais da raiz e da tradição umbandista que cada terreiro possui.

Como pessoas mais velhas dentro da tradição religiosa, que construíram o seu caminho antes de nós, o pai e a mãe-de-santo são reconhecidos como sendo capazes e capacitados para exercer sua função de líderes espirituais de uma comunidade de terreiro. Isso porque nosso pai/mãe-de-santo foram também filhos-de-santo daqueles que os precederam e passaram por um longo período de formação e aprendizado para estarem onde estão.

Na minha visão, quando uma pessoa escolhe uma casa de umbanda para frequentar, principalmente se na condição de médium, ela deve tomar essa decisão verificando se aquele templo dispõe de princípios de trabalho que se entendam como sendo ricos e coerentes com as expectativas que esta pessoa possui em sua busca espiritual. 

Com mais destaque, quando falamos daquele que será nosso pai/mãe espiritual. Devemos reconhecer essa pessoa como sendo portadora de valores ético-morais com os quais nos identificamos e como alguém de grande experiência na vivência umbandista, sendo ela quem irá guiar o discípulo pela estrada da iniciação, em cuja imagem e exemplo devemos nos inspirar.

Não quero dizer que tenhamos que cultuar, idolatrar e, muito menos, bajular a pessoa de nossa mãe/pai de santo. Tão pouco devemos procurar nela a imagem de um santo ou anjo perfeito e infalível, que está a nossa disposição para resolver todo e qualquer problema de nossas vidas, coisa que está muito distante da realidade de qualquer ser humano. Contudo, nosso mestre deve ser tido como alguém merecedor de grande estima e respeito de nossa parte.

Uma vez que escolhi aquela determinada pessoa para ser minha mãe-de-santo ou pai-de-santo, a ponto de dar a ela a minha coroa, a minha cabeça para ser “feita” e, consequentemente, comprometi-me com ela e com a minha comunidade de santo em ligações espirituais de profundidade, é porque reconheço-a como sendo plenamente capacitada para me guiar e orientar em minha vivência religiosa/espiritual dentro das Leis de Umbanda.

O filho-de-santo deve compreender que desrespeitar o seu Mestre Espiritual é desrespeitar o terreiro que frequenta, os Guias e Mentores da Casa e os irmãos-de-santo que lhe compartilham da vivência religiosa. Fazer piadas e debochar do Mestre demonstra uma personalidade infantil e ególatra, que se pretende ser auto-suficiente e substituir a figura do pai/mãe-de-santo pela sua própria. Mostrar despeito e desconsideração para com os ensinamentos e/ou advertências do líder religioso é achar-se melhor capacitado e mais experiente do que seu próprio mestre.

Na condição de filho-de-santo, gostaria também de colocar que essas situações são muito do gosto daqueles seres espirituais que habitam as trevas do mundo espiritual, os quais se valem destas aberturas que damos em nossos pensamentos mal conduzidos para insuflar essas atitudes infelizes, minando nossas resistências morais, provocando a dúvida e o desrespeito para com a Mãe ou o Pai-de-Santo, numa tentativa de desvirtuar e fazer falir as atividades benéficas e de auxílio que o templo religioso desenvolve.

Portanto, minha postura deve ser pautada em uma ética de respeito ao meu sacerdote/sacerdotisa. Suas palavras e ensinamentos devem ser sempre ouvidos em silêncio, mesmo que no momento não compreendidos, para serem posteriormente meditados pelo filho-de-santo para entender o sentido de suas lições. Caso determinadas colocações ou atitudes do babalorixá/yalorixá tenham causado dúvidas, discordâncias ou qualquer sentido de contrariedade para o filho-de-santo, este deve pedir uma conversa particular e direta com seu pai/mãe espiritual. Jamais colocar sua contrariedade como objeto de discussão pública dentro do terreiro. Porque muitas vezes, as razões que levaram o líder religioso a tomar determinadas posturas e medidas estão de acordo com a visão que este possui na sua condição de líder e de pessoa mais experiente, e que ainda escapa ao filho-de-santo uma compreensão integral a respeito, justamente por sua inexperiência. Sendo assim, na ética imposta ao filho-de-santo, jamais este deve fazer da figura, das atitudes e das palavras de seu pai/mãe-de-santo um motivo de piadas, de deboches e de despeito, denotando completo desrespeito para com seu líder religioso, assim como para com a comunidade que o rodeia.

Agora, cumprir obrigação para com a comunidade de santo não significa, somente, estar presente nas giras e nas datas festivas, uma vez que isso é algo que o filho-de-santo irá fazer dentro da sua disponibilidade de tempo dada pelo seu momento de vida e das atribuições de responsabilidades a que esteja vinculado ou de acordo com a regra de cada casa. Cumprir obrigações para com a comunidade de santo é ter uma postura respeitosa para com as regras disciplinares do templo, desde o vestuário recomendado até o comportamento ético que se exige do filho-de-santo dentro e fora do templo, para que sua casa, sua religião, os Guias Espirituais, e seu babalorixá/ialorixá sejam honrados pela sua conduta e seus exemplos.

O filho-de-santo deve procurar ter uma visão “horizontal” do seu templo religioso. Olhar ao redor e perceber que para além da sua contribuição pecuniária mensal, indispensável para o custeio mínimo das despesas do templo religioso, existem atividades necessárias para o bom andamento da casa e que demandam trabalhadores voluntários para a sua realização, podendo o filho-de-santo integrar-se as equipes de limpeza e organização da casa. Pois, quanto mais pessoas interessadas e dispostas a ajudar, menos sobra para um pequeno grupo de irmãos-de-terreiro que acabam ficando sobrecarregados, apesar de sua boa-vontade em ajudar sem enfado, nem reclamação.

Falando de irmãos-de-santo, a postura ética com respeito aos irmãos de terreiro. Irmão de santo ou de terreiro é, primeiro e antes de tudo, nosso parceiro de vivência espiritual e religiosa. Não deve ser visto como colega de bar. Naturalmente, o terreiro não deixa de ser um local próprio para uma experiência de cunho social e é completamente aceitável e saudável que as pessoas criem laços de amizade e de afeição umas pelas outras. Entretanto, isso não deve servir para que os irmãos-de-santo se vejam, dentro do ambiente do terreiro, como estando em um churrasco em casa familiar, na qual se vai falando todo o tipo de assunto, piadas, provocações, brincadeiras, etc. 

As conversações devem ser colocadas em um nível coerente ao lugar onde estão. E o terreiro é um templo religioso para onde vão pessoas buscando encontrar sentidos maiores para a sua vida, capazes de fazê-las suportar as provações pelas quais estão passando.

Da mesma maneira, olhar ao redor e perceber o público que busca a sua casa. Pessoas com problemas de saúde, com dificuldades no lar, desempregadas, vivendo dramas os mais variados e inimagináveis. Elas merecem um ambiente sereno e silencioso, onde podem orar e encontrar paz interior, contando com pessoas (filhos-de-santo) educadas, respeitosas e atenciosas? Ou merecem ver pessoas como se estivessem num clube social, em conversações despreocupadas, barulhentas, sobre coisas que nada tem a ver com o ambiente religioso onde estão?

Quem constrói um ambiente de paz ou de balburdia são os próprios filhos-de-santo da casa, uma vez que são os seus trabalhadores.

Assim, provocar situações que demonstrem desrespeito para com a pessoa do Líder Espiritual, seja fazendo piadas, debochando de suas advertências e lições, com pouco caso e despeito, desconsiderar o ambiente ao seu redor e entregar-se a condutas e conversas relaxadas em igual desrespeito para com os irmãos-de-terreiro e, principalmente, para com aqueles que buscam a sua casa de Umbanda em busca de amparo e consolo, é lançar sobre si mesmo o peso das Leis de Umbanda e, por mais que tais atitudes infelizes possam passar despercebidas ou mesmo serem fechadas ao conhecimento de seu Mestre Espiritual, jamais elas estarão desconhecidas dos Guias e Mentores do Templo, os quais tudo vêem e tudo sabem a respeito de cada um dos filhos-de-santo ligados à sua tradição.

Concluindo, quero enfatizar que é imprescindível uma postura ética e de estima para com a Mãe e o Pai-de-santo do terreiro. São eles os sustentáculos humanos dentro de cada tradição umbandista, são eles que detém as chaves da iniciação e a experiência construída antes de nós, capazes de nos ligar ao Sagrado e nos orientar na jornada espiritual dentro das Leis de Umbanda que escolhemos seguir, por vontade própria, os quais devemos honrar a todo momento, com nossa atitude de respeito, carinho e, acima de tudo, com nossos exemplos de retidão de conduta e melhoria como seres humanos dentro e fora do terreiro.

Fraternalmente.


Cambones

Cambone é uma atividade exercida nos terreiros de Umbanda e que merece uma atenção especial dada a sua importância como auxiliar das entidades, dos médiuns e dos dirigentes do Terreiro.
Como auxiliar das entidades, cabe ao cambone ser o interprete da mensagem entre a entidade e o consulente, além de um defensor da entidade e da integridade física do médium. Cabe a ele cuidar do material da entidade, orientar o que acontece em sua volta e também ajudar o entendimento do consulente, pois a linguagem do espírito nem sempre é entendida, mas ao cambone fica claro já pela sua intimidade com o comportamento do espírito que ele serve.
Por outro lado a posição do cambone nem sempre é confortável pois algumas vezes cabe a ele fiscalizar também o comportamento da entidade que, se por uma razão ou outra, fugir da normalidade deve imediatamente avisar a direção do terreiro. O limite da intimidade do consulente com o espírito ou o médium deve ser fiscalizado pelo cambone para evitar mal entendidos e desajustes de informações. Finalmente ao cambone é dada uma oportunidade especial de conhecer mais a Umbanda e a forma das entidades trabalharem porque seu contato é direto. Como o cambone tem como obrigação ouvir o que o espírito ouve e fala, seu conhecimento, em cada consulta, aumenta consideravelmente.
Quando eu comecei na Umbanda fiz questão de ser cambone e desempenhei esse papel durante muito tempo e posso afirmar que até hoje ele tem uma importancia direta no meu comportamento como médium e Pai de Santo.
Apenas como informação a quem quiser, estamos divulgando um aviso aos cambones do Terreiro do Pai Maneco elaborado pela Mirtes Rodrigues, responsável como assistente dos cambones na gira que dirijo.

Funções

  • Servir a entidade e ao médium
  • Colaborar material e espiritualmente com o médium e com a entidade, antes, durante e depois do trabalho.
  • Orientar o consulente quando não entende, banhos, entregas, novas consultas, vibrações e o que for necessário.
  • Prestar muita atenção na consulta, para não ser infringida nenhuma regra ou regulamento da casa, e notando alguma anormalidade deve ser comunicado a chefe de cambono ou à hierarquia e, conforme o caso, o pai-de-santo.
  • Deve apresentar honestidade e sigilo absoluto, não devendo nunca contar a ninguém o teor das consultas.
  • Não pode incorporar quando está atendendo a uma entidade, exceto quando autorizado pela entidade a quem estiver servindo.

Antes e durante os trabalhos

  • Levar todo material da entidade para seu respectivo lugar no terreiro (pemba, velas, ponteiros, bebida, fósforo, tabua, charutos, palheiros, cigarros, ervas, e eventuais outros materiais)
  • Servir a  entidade em tudo que ela precisar.
  • Não deixar de ouvir, mesmo que por solicitação do consulente, as consultas feitas às entidades e as respostas por elas dadas. Em caso de determinação da entidade para se afastar durante uma consulta, avisar imediatamente o pai-de-santo ou a entidade que nele estiver incorporada.
  • Durante a vibração, ficar atento à entidade e ao trabalho que ela realiza, sem contudo ser necessário ficar ao lado da entidade, a não ser que a mesma solicite.
  • Autorizado o atendimento, enquanto risca o ponto e firma seu trabalho, fornecendo-lhe os materiais necessários.
  • Conversar com a entidade quanto ao numero de consultas e o tempo disponível, sendo que ele não pode dizer para ao consulente.

Após os atendimentos

  • Conversar com a entidade, pedindo orientações quanto ao destino das sobras de material utilizado.
  • Levantar o ponto riscado da seguinte forma: retirar ponteiros, velas e outros materiais do ponto, e jogar cachaça sobre o ponto riscado, em forma de cruz, e com as mãos, apagar o ponto riscado. Depois pode retirar do local e limpar na torneira da pia com água.
  • Guardar e recolher o material, deixando o local limpo.

Orientações gerais

  • Ao se locomover pelo ambiente do ritual não furar nem costurar a corrente, evitando bater nos médiuns.
  • Ao afastar-se da função, seja por um período ou não, auxiliar o novo cambono, passando orientações a respeito do trabalho com as entidades.
  • Não aproveitar-se da função para fazer consultas em nome de parentes, amigos, sobrecarregando o trabalho das entidades.
  • Não manter diálogo com  assistência.
  • Qualquer dificuldade em orientar os consulentes, pedir auxilio a hierarquia
  • Não atrapalhar o encerramento dos trabalhos levantando o ponto ou guardando os materiais.
  • Durante a abertura e encerramento dos trabalhos, todos devem estar na corrente.

Cambones

  • Servir também é um aprendizado.
  • O trabalho do cambone  é tão importante quanto ao do médium e entidade.
  • A responsabilidade mediúnica do cambone é tão importante quanto a de qualquer outro médium.
  • O médium que camboneia, não atrapalha seu desenvolvimento. A experiência como cambono lhe é importantíssima no aprendizado.
  • Orientar a entidade quanto aos cuidados com o médium.
  • Avisar de qualquer situação constrangedora a hierarquia.
  • Levantar o perfil das entidades, visto que quem esta de fora, tem maior percepção e entendimento da entidade.
Eguns e Quiumbas

QUEM SÃO?
Eguns nada mais são do que os espíritos que já desencarnaram, e os Quiúmbas são exatamente a mesma coisa. Apenas se dá entre eles uma diferença de evolução.
Senão vejamos:
Eguns, são todos os que desencarnaram, tiveram vida humana, em contraposição aos Orixás que são forças da natureza. Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças e Exús, são Eguns. (Na Umbanda assim como no Candomblé, Exú é considerado como Orixá, sendo reverenciado e cultuado desta forma).
Quiúmbas são Eguns ainda muito atrasados na escala de evolução espiritual (o que não quer dizer que não sejam astutos), que são considerados negativos e que por vezes, se fazem passar por outras entidades, normalmente Exús, trazendo inclusive um ponto de vista muito negativo para estas entidades, os Exús, por eles mistificados.
É sabido que o termo evolução é extremamente relativo e dentro de uma mesma qualidade de entidades poderá variar muito o grau de evolução entre cada um deles. O que queremos dizer é que entre os Caboclos, assim como entre os Pretos-Velhos e outras entidades, sempre haverá um que esteja um pouco acima, e um outro um pouco abaixo no nível de evolução. O certo, no entanto, é que estas entidades, Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Exús e algumas outras, já chegaram a um nível de evolução tal que os permitem diferenciar o certo do errado e procurarem humildemente ajuda e colaboração das entidades de níveis mais altos, no sentido de auxiliar aos filhos que os procuram, nos momentos em que seus conhecimentos, permissão ou capacidade são impotentes para a ajuda.
Normalmente se ouve:
" - Você está com o encosto de um egun muito perigoso!"
" - Você precisa fazer uma obrigação para despachar este egun que está complicando sua vida!"
Isso realmente pode acontecer, pois como já dissemos, egun é todo espírito desencarnado. E pode acontecer até, que por ignorância do espírito (egun), ele possa estar muito próximo, principalmente de seus entes queridos quando em vida, tumultuando a vida deles, principalmente pela diferença de vibração de suas energias. Este egun, precisa certamente ser esclarecido e afastado. Várias doutrinas se ocupam deste mister de maneiras diferentes, comprovando que é necessário que os níveis de vida mantenham suas independências: o encarnado e o desencarnado.
Nota-se a diferença então entre os eguns, Entidades e quiúmbas. Na realidade egun é a qualificação de todo e qualquer espírito desencarnado. O seu nível de evolução é que o especificará!
Quando se refere aos espíritos vampirizadores, aos incitadores ao vício ou àqueles que se aproximam de nós sempre para o mal, os quais são comprados por quem tem a alma maculada pela maldade, para nos impor males ou feitiços, esses serão certamente os quiúmbas, mas numa generalização muito comum, sempre nos referimos a eles como eguns.
E até pela vaidade e muitas vezes pela ignorância, não admitimos que possamos estar sendo mediunizados por um egun, qual seja, um Caboclo, um Preto-Velho ou mesmo um Exú, para um trabalho de caridade.
Desmistifiquemos então o conceito de egun. E tentemos de todas as maneiras, pela caridade, pela fé, pela oração e pelo trabalho espiritual, elevarmos cada vez mais nossos eguns de fé para que, pelo trabalho deles, possam ser cada vez mais atraídos para os caminhos de luz, aqueles eguns, os quiúmbas, que ainda se encontram nos lamaçais da espiritualidade.

O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ
Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa. (Revista Planeta n.º 162 - março 86)
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Ijexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.
(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Iami Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.
Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.
No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia (veja quadro histórico).
O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo".
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa.
Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria (veja lendas de Oyá).
As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum.
A roupa do Egum - chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os ojé atokun, que invocamm, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã.
Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O eku dos Babá são divididos em três partes:
• o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor;
• o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e
• o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.
O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico.
Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas.
Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo.
Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.
Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram.
Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado -, e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns (veja Mitos Oyá-Egum).
No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.
Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito.
O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos.
Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis.
São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos).
Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.
O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egun.
Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.
Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez.
Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.
Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.
Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.
Por Manoel Gomes Filho

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Erros



Como em toda família ou sociedade, estamos propensos a cometer erros. Não é só de acertos e harmonia que vivem os terreiros de Umbanda, existem erros que são praticados por alguns pais e filhos-de-santo. Sob um olhar critico, resolvemos relacionar os mais comuns e esperamos que os que lerem esse tópico concordem conosco. Esses erros tendem a gerar uma vibração negativa, vindo a desestabilizar o foco de equilíbrio:

  • Dar guarida a fofoca e comentários malediscentes. Lembrem-se que o ciúme é um dos maiores venenos que a pessoa pode ter;
  • Uso indevido de determinados elementos em determinados rituais e/ou uso de elementos estranhos ao ritual do culto;
  • Exploração financeira contra filhos da casa e/ou freqüentadores. A Umbanda não cobra qualquer incentivo financeiro ou material sobre seus trabalhos. Na Umbanda não se pratica a Lei de Salva, ou seja, não se paga por qualquer tipo de trabalho espiritual que venha a ser realizado;
  • Mau cumprimento dos preceitos pelos membros da casa;
  • Conduta imprópria ou desrespeitosa de membros da casa;
  • Atividades não relacionadas ao culto dentro do mesmo ambiente da casa;
  • Omissão de socorro, pouco caso ou deboche daqueles que ali buscam auxilio;
  • Ciúmes pelo tratamento dado pelo dirigente da casa a um ou outro filho;
  • Tratamento a um filho da casa de forma exagerada ou excessiva em quaisquer circunstâncias pelo dirigente da casa;
  • Atenção dispensada de forma exagerada ao dirigente da casa ou aos outros integrantes do grupo;
  • Falta de preparo dos filhos nos ritos da casa;
  • Elevar um filho da casa para médium de passe, sem ele estar devidamente preparado;
  • Deixar desavenças de ordem particular interferirem nos trabalhos;
  • Não dedicar pelo menos um trabalho ao mês, ao desenvolvimento dos filhos da casa;
  • Não transmitir os ensinamentos adquiridos, não compartilhá-los com os demais;
  • Agregar filhos apenas para fazer volume ou aumentar a contabilidade;
  • Tratar de forma diferente os filhos ou freqüentadores da casa, pelo poder aquisitivo ou pela atenção por eles dispensada;
  • Negar-se a auxiliar um filho da casa, quando o mesmo procura auxilio;
  • Não respeitar a vida particular do dirigente da casa, levando a ele problemas fúteis, fora da casa;
  • Confundir a liberdade dada;
  • Confundir Umbanda com Nação Nagô, Gêge, Ketu, Batuque, Catimbó, Juremada, Candomblé, Umbanda traçada, Umbanda branca, Umbanda esotérica, etc, etc, etc... Erros absurdos podem advir deste tipo de confusão. Valha-se do conhecimento dos fundamentos da Umbanda para poder ensinar aos demais;
  • Pensar que a entidade com a qual está trabalhando é sempre mais importante que as outras entidades que trabalham na casa;
  • Animismo excessivo, o que é extremamente prejudicial ao médium e à casa;
  • Aproveitar e interferir nas comunicações entre a entidade e o consulente, usando e aplicando seus próprios conceitos e exprimindo suas opiniões pessoais;
  • Nunca tomar a frente da entidade com a qual está trabalhando. Nunca pense que está incorporado, mas sim, tenha certeza disso antes de começar a trabalhar.
  • Demandar contra qualquer pessoa. Os filhos da casa devem ter consciência sobre a manipulação de energia. A Umbanda não utiliza sua magia para prejudicar quem quer que seja. A Lei Divina se encarrega para que todos tenham o que merecem;
  • Usar sangue ou sacrifício animal em qualquer tipo de trabalho. A Umbanda não se utiliza destes elementos para seus trabalhos. Não é sacrificando um animal ou usando sangue que se alcança a graça divina, pois nós não temos o direito de tirar a vida de quem quer que seja.
  • Mistificação. Abusar da credibilidade, enganar, iludir, burlar, lograr e ludibriar. MÍSTICO = misterioso ou espiritualmente alegórico ou figurado.
  • Adornos - estes objetos são geralmente de metal e podem causar distúrbios, visto que o médium necessita ter seus plexos nervosos isentos de quaisquer percalços que possam coibi-los em algo. E, também porque, a regra do umbandista é a simplicidade, nada de exibições, de vaidade e aparência fúteis. Casa espiritual não é casa de modas.
  • Roupas insinuantes. Deve-se ter consciência que ao adentrar o terreiro, você está adentrando uma casa santa, uma casa sagrada. Deve, então, livrar-se de pensamentos pecaminosos, contrários aos trabalhos espirituais. Roupas insinuantes são absolutamente negativas e dispensáveis aos trabalhos de qualquer casa espiritual. Não é mostrando o corpo ou a silhueta que o trabalho será bem desenvolvido, mas sim, completamente ao contrário.
  • Aos médiuns iniciantes, não convém e é ato de pura irresponsabilidade chamar as entidades com as quais se está trabalhando fora da casa de trabalhos. Isto, além de irresponsável, pode ser extremamente perigoso, pois os médiuns iniciantes ainda não conhecem as vibrações energéticas das entidades e podem dar passagem a quiúmbas ou afins sem saber.
  • É fato que os médiuns, ao se encontrarem nos dias de trabalho, direcionam suas conversas, muitas vezes até inocentemente, a rumos antagônicos ao desenvolvimento dos trabalhos da casa. É preciso que os médiuns tenham consciência que a preparação para os trabalhos começam à 0:00 hora do mesmo dia (pelo menos) e que conversas diversas que não são afim ao trabalho que será desenvolvido começam por desestabilizar o equilíbrio da casa.
  • Falta de conhecimento espiritual. As entidades valem-se do conhecimento dos médiuns para poderem se comunicar. Quando o médium pouco sabe, pouco estuda, as entidades pouco podem fazer pelo seu desenvolvimento e pelo próximo. Faz-se absolutamente necessário o estudo e a aquisição de conhecimento espiritual para atingir a própria evolução e, conseqüentemente, auxiliar as entidades em sua evolução espiritual. O conhecimento é a base do bom viver, é a estrutura de uma vida de sucessos. Atentem-se senhores (as) médiuns, que o conhecimento nunca será em demasia e é a única coisa que fará parte de cada um. As casas que possuem médiuns com alto grau de conhecimento espiritual, normalmente têm seus trabalhos muito bem desenvolvidos.
  • Excesso de problemas na desincorporação. Muitos médiuns têm um péssimo hábito de mostrar problemas excessivos na incorporação ou desincorporação, muitas vezes somente para mostrarem-se o quão forte são, o quão fortes são suas entidades e para tomarem um pouco mais de atenção do dirigente da casa. Lembrem-se, senhores (as) médiuns que uma entidade que chega ao terreiro para trabalhar é normalmente uma entidade com alto grau de evolução e nunca faria um filho sofrer principalmente durante sua desincorporação. Descarregar o médium quando de sua partida não tem relação alguma com sofrimento deste. Estabilizar a energia do médium não é aplicar um choque.
  • É comum encontrarmos nos terreiros médiuns de outras casas ou até mesmo médiuns que não se encontram trabalhando espiritualmente, terem a chance de receber suas entidades durante os trabalhos da casa. Acontece em muitos terreiros em que os capitães (!!!), mostrando absoluta falta de conhecimento e discernimento, mandarem estas entidades "subir". Notem que, se uma entidade passou pelo Sr. Tranca-Ruas, por todos os Exús que guardam a casa durante os trabalhos e por todos os Oguns que ali estão rondando para a proteção da casa é muito provável que esta entidade tenha permissão para adentrar o terreiro (por algum motivo). Interessante é o fato de alguns capitães de terreiro (!!!) acharem que possuem um conhecimento maior que as entidades que ali estão trabalhando. É preciso tomar muito cuidado com a autoridade dentro de um terreiro. Com entidades não afins ao trabalho deve-se mostrar energia e nunca desrespeito. Lembremo-nos que muitas vezes, durante os finais dos trabalhos, todas as entidades já sabem que devem deixar o plano e desincorporar. Normalmente o que segura as entidades nos trabalhos são os próprios médiuns. Outras vezes faz-se necessário que a(s) entidade(s) fique(m) no terreiro para terminar de equilibrar o ambiente e os médiuns do trabalho, bem como os consulentes que ainda permanecem ali. Srs. capitães (ou que se julgam entendidos!!!), muito cuidado com a autoridade para com as entidades e para com os filhos da casa. Um capitão de terreiro (!!!) é aquele que detém bom conhecimento espiritual, é aquele que coloca ordem nos trabalhos e os conduz a um bom fim, nunca aquele que determina, dá ordens e abusa de sua autoridade. Senhores dirigentes: cuidado ao dar "cargos hierárquicos" dentro de um terreiro. Umbanda é uma religião simples e deve ser trabalhada desta forma, sem complicações e sem cargos.
  • Apresentar linhas inexistentes no plano astral da Umbanda, como por exemplo BoiadeirAs ou MarinheirAs, somente por querer mostrar que a sua casa é melhor que as outras.
  • Permitir que entidades peçam o número do telefone dos consulentes ou coisas semelhantes!!!
  • Espíritos e Karma


    Espírito
    Espírito é energia condensada por DEUS em forma de luz. Essa massa de energia passa a existir quando toma consciência de seu eu interior, toma consciência do conceito de paixão e livre arbítrio, podendo ascender ou descender num primeiro estágio dentro da escala de evolução.
    Os espíritos são seres semelhantes a nós que, como nós, têm um corpo, porém fluídico e invisível em estado normal.
    Os espíritos são constituídos de matéria em outra dimensão de difícil assimilação para nós, seres tridimensionais, porém podem materializar-se em certas circunstâncias.
    O cérebro espiritual, ou alma, é onde está arquivada a memória das reencarnações, o aprendizado de muitas existências. Por conseguinte, alma é o princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral de cada ser.
    A alma está para o espírito, assim como o espírito está para a matéria.
    Os espíritos desencarnados, embora em outra dimensão, estão em contato permanente com o mundo encarnado. As missões são tantas e variadas e com o principal objetivo de alcançar a essência divina. Alguns destes espíritos são aqueles com quem contamos em nossos trabalhos. São também solicitados por todas as religiões, por mais que estas neguem a sua existência. Não haveria necessidade de se criar qualquer religião se não houvesse a crença básica na existência de uma vida espiritual.
    "Tirai ao homem o espírito livre, independente e tereis feito dele uma máquina organizada, sem objetivo, sem responsabilidade para explorar e ser explorado, nada esperando depois da morte."
    Para a compreensão desse mundo, fez-se necessário o aparecimento de um seguimento religioso sem preconceitos, capaz de investigar os fatos sobrenaturais. Esse seguimento nada mais é do que o Espiritismo.
    Encarnação
    Deus nos impõe a encarnação com o objetivo de fazer-nos chegar à perfeição.
    Para alguns é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisso é que está a expiação.
    A encarnação tem também outro objetivo que é o de colocar o espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realiza-la é que, em cada mundo, ele toma um aparelho em harmonia com a matéria essencial deste mundo, cumprindo aí, daquele ponto de vista, as ordens de Deus, de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta (ou evolui).
    Justiça da Reencarnação
    O dogma da reencarnação está baseado sob a justiça de Deus e a revelação.
    Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.
    Todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes fornece os meios pelas provas da vida corpórea; mas, em sua justiça, lhes faculta realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova ou numa prova anterior.
    Não estaria de acordo com a eqüidade, nem com a bondade e justiça de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu progresso, independentemente da sua vontade e pelo meio mesmo onde foram colocados. Se o destino do homem está irrevogavelmente fixado após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança, e não os teria tratado com imparcialidade.
    A doutrina da reencarnação, isto é, aquela que admite para o homem várias existências sucessivas, é a única que responde à idéia de que fazemos da justiça de Deus em relação aos homens colocados em uma condição moral inferior, a única que nos explica o futuro e fundamenta nossas esperanças, pois que nos oferece o meio de resgatar nossos erros através de novas provas. A razão indica essa doutrina e os Espíritos no-la ensinam.
    O homem, consciente da sua inferioridade, tem, na doutrina da reencarnação, uma esperança consoladora. Se acredita na justiça de Deus, não pode esperar, por toda a eternidade, estar em pé de igualdade com aqueles que agiram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo, e que ele poderá supera-la por meio de novos esforços, o sustenta e lhe reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim do seu caminho, não lamenta ter adquirido muito tarde uma experiência que não pode mais aproveitar. Essa experiência tardia não ficará perdida; ele a aproveitará numa nova existência.
    Karma e Evolução
    Quando o espírito retorna da Trindade Sagrada para fazer o seu resgate, ele chega 3 meses antes da concepção material. Ele virá regido por 3 energias que irão ajudá-lo no ato da fecundação e por fim no moldar de seu próprio corpo, de acordo com o resgate que lhe couber cumprir na terra.
    A justiça sagrada lhe concede o pleno direito de escolha. Exemplo: se na vida passada ele violentou as leis de Deus com as mãos ou os braços, então moldara um corpo atrofiado ou hemiplégico. Se usou as pernas moldará um corpo paraplégico. Se usou a mente poderá vir a ser um tetraplégico ou ter deformações faciais angustiantes. Se participou da indústria do aborto lutará bravamente para nascer. Se por orgulho ou fraqueza interrompeu a própria vida voltará para resgatar o que lhe faltou no passado, poderá ser no seio da própria família ou em casas especiais. Se ele foi um facínora, poderá vir como um mongolóide, retardado, para sofrer na prisão de seu próprio corpo e com o amor da família e a própria consciência interior ele poderá superar barreiras que a princípio parecem intransponíveis surpreendendo a própria humanidade e conseguindo com isso a paz que faltava.
    A tripla energia que trouxe o espírito para a concepção nos denominamos de Pai, Mãe e Caboclo. A regência principal (Pai e Mãe) ele receberá ao nascer, independente da interpretação astrológica. As energia do momento do nascimento é que serão seu Pai e Mãe de Cabeça. A Cada 7 minutos mudam os dois Orixás regentes o que pode fazer com que crianças gêmeas não tenham a mesma regência, portanto, terão personalidades diferentes. Quando os gêmeos ou mesmo crianças de famílias diferentes, nascem no mesmo período são chamados de Gêmeos Espirituais, do tipo que quando um sofre o outro sente ou de personalidades quase que idênticas.
    Não esqueçamos que quem nos acompanha intuindo e ensinando, mesmo antes do nascimento, é o Caboclo(a).
    Quanto as forças modulares (baiano, boiadeiro, etc.) serão determinadas mais tarde, de acordo com a missão na terra.
    Após fecundado o óvulo, o espírito continuará seguindo o quadro cinótico superior composto pela Santíssima Trindade: Deus Pai ­ rege a matéria ­ representado por Pai e Mãe de Cabeça, Deus Filho ­ rege o anímico ­ representado pelas forças de retaguarda, Deus Espirito Santo ­ rege o espírito ­ representado pelo Caboclo.
    Até 3 meses é um embrião, depois desse período ele será um feto, com mais 2 ciclos de 3 meses ele já estará pronto para um nascimento normal.
    Nos 3 primeiros meses de vida ele precisará de carinho para fortalecer o seu campo anímico. O melhor alimento para fortalecer seu espírito é a prece.
    Nos 3 primeiros anos de vida ele precisa de amor, carinho e fraternidade para se adaptar a vida familiar e em sociedade. Aos 6 anos podemos definir o seu caráter, aos 9 anos manifesta idéias precisas. Aos 12, com o intelecto já desenvolvido, começam as mudanças fisiológicas da puberdade. Aos 15 está completo para o quadro de procriação.
    Aos 18 começa a caminhar para sua formação fisiológica e intelectual de adulto. Por fim aos 21 (3 x 7) estará formado para a vida.
    Tudo isto corresponde, cabalisticamente, à vida de Jesus Cristo, que aos 3 anos, através de seus pais, fugiu do Rei que mandou matar as crianças de até 3 anos. Aos 6 anos pregou para os Doutores. Aos 9 ensinava e curava, aos 12 já havia se retirado para a companhia do Senhor, período em que aprendeu tudo quanto lhe seria necessário para enfrentar as adversidades que o esperavam como o Salvador. Aos 21 retornou para a renovação do mundo e finalmente aos 33 retornou e subiu aos Céus.
    Reapareceu nos céus, entre nuvens, no 3o dia após sua morte. Jesus não teve corpo material, somente fluídico.
    Segundo as entidades nosso ciclo "normal" de morte está inserido no período compreendido entre 3 meses antes e 3 meses depois de nossa data de aniversário. Quando a morte acontece fora desse período ainda restará algum resgate a ser cumprido.
    Nós, os seres humanos, vivemos em função da Trindade Sagrada e Trindade Terrena, juntamente com os reinos da Natureza.
    A Trindade Sagrada + os 4 reinos formam os 7 reinos da Umbanda. Esses 7 reinos são energizados pelas 7 forças superiores que denominamos de Linhas da Umbanda. Essas energias alimentam nossos campos atômicos.
    O corpo humano é composto por bilhões de células (menor partícula de composição de um órgão ou tecido vivo, onde encontramos a essência da vida ) que junto com os reinos acima compõem a Mãe Natureza.
    No nosso processo de acúmulo e transmissão de energias somos auxiliados pelos 7 sistemas naturais: visão, audição, olfato, tato, paladar, intelecto e extrasensorial.
    VISÃO ­ sensor que nos dá informação sobre luz, cor, tamanho, forma e transparência.
    AUDIÇÃO ­ nos permite receber as vibrações sonoras.
    OLFATO ­ nos permite perceber os gases e vapores, os diversos odores.
    TATO ­ nos fornece as sensações térmicas e o estado das massas.
    PALADAR ­ nos permite apreciar o sabor dos alimentos.
    INTELECTO ­ através do qual registramos todos os sistemas do mundo.
    EXTRASENSORIAL ­ o dom mediúnico de comunicação entre matéria e espírito.

    OS PLANOS ESPIRITUAIS - EVOLUÇÃO
    Segundo ensinamentos das Entidades existem planos que nos separam do Reino Sagrado Etérico e que constituem o caminho da evolução dos espíritos, nós os chamamos de Planos Espirituais. A essa organização espiritual devemos conhecer e assim tentar compreender a missão dos espíritos, após todos os seus resgates na matéria.
    DESCRIÇÃO DOS PLANOS
    1) Umbral/Câmara Escura
    Local de esquecimento e solidão num calor assustador e total escuridão para onde vão os espíritos dos facínoras.
    É deste plano que é retirado o fluido de recomposição dos Exús negativos, o níquel e o ferro.
    O Umbral se localiza no Núcleo da Terra ou o chamado nife devido a composição predominante de Níquel e Ferro.
    Está a cerca de 1.700 Km da superfície e a temperatura passa dos 4.000 graus.

    2) Plano do Sofrer/Câmara com característica de luz
    Nesse local o espírito começa a ter consciência de seu sofrimento mas não pode sair antes de ter sido trabalhado pelos Exús negativos.
    Este plano encontra-se na Mesosfera ou Camada Intermediária.

    3) Plano de Renovação/Câmara de limpeza Espiritual
    Aqui o espírito começa a ganhar novamente as forças dos reinos, auxiliados pelos Exús neutros.
    A recomposição dos Exús neutros é feita com os fluídos do silício e do magnésio.
    A Câmara de Limpeza está na Litosfera onde existe a predominância dos minerais silício e magnésio esta camada do solo é conhecida do SIMA e fica a cerca de 30 a 35 Km da superfície.

    4) Plano de Reparação/Câmara Residual
    O espírito sai do estado atrasado para o de meditação.
    Daqui são retirados os fluídos para recomposição dos Exús positivos, o silício e o alumínio.
    Ainda na Litosfera porém conhecido como solo e subsolo o SIAL fica a cerca de 20 a 25 Km da superfície.

    5) Plano da Vida/Câmara de Reflexão
    O espírito aceita Deus, através do trabalho dos Exús positivos e recebe a chance de ser resgatado por Mãe Iansã para ser levado aos planos superiores para limpeza e cura.
    Este Plano já é considerado parte da Biosfera ficando a menos de 20 Km da superfície.

    6) Plano Pleno das Reservas do Mundo - água + 54 elementos - Hidrosfera
    Daqui se tiram os elementos minerais e as suas forças etéricas para manutenção da vida na terra.
    Esta camada só tem importância para a vida material.
    Trata-se dos rios, mares e oceanos e o solo imediatamente abaixo deles.

    7) Plano Humano - Biosfera
    O ser humano, animais, vegetais e minerais compõe este plano de alimentação da vida.
    Espiritualmente é também habitado por seres fluídicos, mais comumente conhecidos como eguns, espíritos que vagueiam à própria sorte até serem resgatados.
    Isso acontece por não terem reconhecido a presença de Deus e o seu novo estado de desencarnado, numa tentativa de fugir da Justiça Divina.
    Os demais espíritos evoluídos não permanecem na Biosfera a não ser quando estão em alguma missão.

    8) Atmosfera
    Compreende a Troposfera, a Estratosfera, a Ionosfera e a Exosfera.
    Nesta camada circulam agentes magnéticos que atuam nos espíritos.
    Aí fica também o Plano de Transformação dos Guias que começam nova fase em sua evolução.
    Aos poucos, de Plano em Plano irão obter nova composição química, magnética para poderem auxiliar na recomposição dos próprios seres humanos.

    9) Plano Elétro Químico - Plano de Eibel
    Aqui ocorre coesão atômica provocando o nascimento dos gases que vão alimentar a vida espiritual nas primeiras camadas de evolução, ou seja, os Exús.

    10) Plano do Congo
    Neste Plano os espíritos passam por modificações em sua estrutura "corporal" e começam a adquirir conhecimentos mais espirituais para a sua evolução.
    Os espíritos desta faixa ainda podem ser seduzidos pelas armadilhas do mundo material, o que pode ser extremamente negativo para sua ascensão.

    11) Plano de Angola
    Nesta faixa os espíritos são magnetizados pelos Orixás e já não sofrem a influência do mundo material.
    Passam a representar a verdadeira vontade de Deus : o amor universal.

    12) Plano de Aruanda
    Aqui é completada a segunda fase de evolução do espírito, que passa a fazer curas devido a cargas elétricas que recebe.
    Daqui para a frente sua evolução irá levá-lo a praticar a justiça e a caridade.

    13) Hospital do Espaço
    Aqui trabalham Médicos - espíritos que manipulam as energias das matas para promover a cura e que têm como auxiliares os Caboclos.
    Também trabalham aqui as Virgens (enfermeiras do espaço) auxiliadas pelos Pretos Velhos com as forças de Xangô, Iansã e Omulú.
    Neste plano os espíritos desencarnados são recebidos e tratados.

    14) Plano das Águas / Plano da Inteligência
    Os espíritos desencarnados são banhados e limpos neste plano para depois serem levados ao Hospital do Espaço onde serão curados.

    15) Câmaras de Centrifugação de Pai Xangô / Plano dos Orixás
    Onde ficam condensadas as energias do Universo criadas por Deus, para serem lançadas na Terra, fazendo a manutenção da Natureza e dos seres vivos.
    São nestas câmaras que os espíritos são modificados para suas novas encarnações perdendo, temporariamente, a sua memória cósmica.

    16) Plano dos Mentores ­ Deus Pai - Sublimação
    É o Plano de onde emanam todas as forças que equilibram o Universo com todas as suas Galáxias.
    Diríamos que é o próprio DEUS do qual cada um de nós faz parte.
    "Deus esta em nós na mesma medida em que estamos Nele."

    RESUMO DA EVOLUÇÃO NO PLANO ESPIRITUAL
    O Umbral nós conhecemos como câmaras negras, compostas de ferro e níquel com residuais "elétricos" negativos. Para este plano vão os espíritos possessores e zombeteiros. A este plano tem acesso os exús negativos que habitam a camada superior (Mesosfera), composta por silício, magnésio e ferro. Os exús negativos trabalham no Umbral buscando a sua evolução para o plano seguinte, a Câmara de Limpeza que a ciência conhece por Sima (composta por silício e magnésio). Aqui o exú passa a ser neutro ou misto e terá outras funções também de auxilio aos espíritos sofredores. A evolução do exú neutro o levará para as câmaras residuais (Sial-Litosfera) ou plano da positividade passando a ser um exú positivo . Após essa passagem ele subirá pela Câmara de Reflexão e então irá para o Plano de Eibel onde será quimicamente reorganizado até atingir o Alto Comando dos Exús. Conforme a evolução material do espírito quando em vida , ele trilhará uma das linhas do Alto Comando: ou fogo, ou terra, ou tempo, e assim passará para as camadas seguintes podendo ser um baiano ou um preto velho por exemplo.

    GRAU DE EVOLUÇÃO ESPIRITUAL
    Imaginemos que os Orixás tenham grau 10 de evolução para podermos fazer uma escala de desenvolvimento dentro da espiritualidade.
    Os Exús teriam grau 1 a 3.
    Os Baianos e Pretos Velhos do Congo teriam 4.
    As entidades do Plano de Angola teriam grau 5.
    Aruanda grau 6.
    No Plano das Águas teriam grau 7.
    Grau 8 para os Cavaleiros das Ordens Geral e Apostolar.
    Grau 9 para o plano dos Erês.
    A evolução dos espíritos segue caminhos diferentes conforme seu desenvolvimento em matéria até o Plano das Águas, daí para a frente o caminho é o mesmo.

    EVOLUÇÃO DO MÉDIUM ­ COMO SE PROCESSA
    O médium, quando desequilibrado, tem a linha do anímico toda enrolada, feito uma mola.
    Quem faz o equilíbrio desta ligação são os Exús. Os Exús negativos recebem a negatividade e levam para a tronqueira. A neutralidade, ou seja, a falta de Deus, é tratada pelos Exús neutros (ou mistos) e as enfermidades são curadas pelos Exús positivos.
    Arreia-se, sempre, obrigação para Oxalá.
    Neste ponto onde já há o equilíbrio, pode-se fazer obrigação para Pai, Mãe, Caboclo e Exú.
    Agora, devidamente ajustado, se suas condições materiais, e dedicação aos estudos forem consideráveis e se sua faixa mediúnica tiver atingido 3 a 4 centímetros, ele poderá ser preparados para o Burí.
    a) Burí de Saúde ­ para cura de alguma enfermidade proveniente do campo espiritual.
    b) Burí D'água ­ para ajustar alguma deformidade espiritual, problema de comportamento, que estejam atingindo sua vida material.
    c) Burizão ­ pessoa em condições normais, usar 7 linhas e seus desdobramentos.

    BURÍ - COMO O MÉDIUM É FORTALECIDO PARA A FEITURA
    As preces fazem a transposição das energias das libações e das imantações para o médium.
    Os Exús recebem as energias e entregam para a Triangulação Terrena que distribui ao médium formando o campo bioplasmático. Este trabalho vai fortalecer o médium e, desse dia em diante, ele passará a receber as vibrações das entidades diretamente em sua faixa bioplasmática que depois será projetada para o seu corpo e em seguida para o seu espírito.
    Quando o médium chegar ao ponto de assentamento as vibrações já não precisam mais ser filtradas pelo seu campo bioplasmático indo direto para o seu corpo que a refletirá para o espírito. Nesse momento ele estará pronto para receber as 33 vibrações.
    A partir de agora, nas giras especificas o Zelador fará as preces correspondentes lançando sobre ele as vibrações para que possa assimilar as energias dos assentamentos da Tenda.
    Quando o médium estiver definitivamente preparado para o assentamento a sua faixa magnética deve chegar a ter cerca de 7 cm de largura, abrangendo as 7 cores do arco-íris. Esta faixa pode ser destruída pela falta de moral e falta de respeito por si próprio, pelos outros e por Deus.
    Para iniciar a preparação para o assentamento será importante o uso do Triângulo da Umbanda (Caboclo, Preto Velho e Erê) , sempre buscando os poderes de Jesus Cristo ( os 33 éteres, ou Leis) com o que serão atingidos os 108 campos atômicos do médium.
    O médium tem por obrigação sempre e, principalmente a partir desse momento, cumprir com todos os fundamentos materiais e espirituais, fazer sua defesa, seus banhos, tentando chegar ao equilíbrio eletromagnético. Não deve ter inveja ou despeito por seus semelhantes.
    O Zelador tem que acompanhar e equilibrar o médium através das chaves de ciclagem aplicando essas energia nos devidos órgãos do corpo do médium. Quando o Zelador é vidente pode observar as 42 auras coloridas que se alojam nos olhos do médium, quando não, tem que observar suas incorporações para identificar o nível das mesmas.
    É preciso observar: dedicação, obediência, limpeza, dia-a-dia do médium, vida familiar, e até mesmo traços fisionômicos, modo de falar e de gesticular. Isso tudo para evitar a farsa.
    30 dias antes do assentamento deve ser feita uma consulta ao mentor da Tenda para confirmar se depois de tudo isso o médium chegou espiritualmente a condição final para a feitura.
    Depois da feitura o médium pode levar de 1 a 7 anos para chegar a coroação. Isto é, para assimilar todo o conhecimento e energia que lhe foram lançadas durante a feitura.