terça-feira, 19 de janeiro de 2016



Fé não é uma questão de conveniência. Fé não é uma muleta milagrosa. Fé não é satisfação de caprichos, mas “um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”.

A fé a qual se referia Jesus Cristo é aquela que vibra no coração das criaturas que acreditam que Deus tudo vê e provê. Essa fé verdadeira, que respeita os ritmos e os ciclos naturais da vida, considera que tudo está certo e nada está fora dos domínios da Ordem Providencial.

Ter fé é aceitar a dor e a dificuldade em nossas vidas como pedidos de renovação. Ter fé é perceber as nossas limitações e, da mesma forma, as dos outros e perdoar sempre.

Nossa consciência de vida é diminuta e frágil. Como esperar que um paralítico possa caminhar por uma ladeira íngreme, repleta de fendas e pedregulhos, com precisão e agilidade, sem vacilar? É óbvio que o erro traz conseqüências para quem errou, mas a Vida Maior não tem como método de educação punir ou condenar. Ela visa apenas transformar a “energia do ato” na “consciência do ato”. Em outras palavras, quer que a criatura possa extrair do erro ensinamentos e que fique cada vez mais atento às leis que regem sua existência. Portanto, ter fé é aprender a nos perdoar e aos outros, para que possamos ser perdoados.

Ter fé é entender que não se consegue paz meramente pedindo, e sim fechando as portas das sensações exteriores a fim de penetrar no sentido interior – a intuição sapiencial.

Enfim, ter fé é compreender que “Deus está em tudo, e tudo está em Deus”, conforme legitimou Jesus Cristo: “Quem me vê, vê o Pai. Como podes dizer: Mostra-nos o Pai? Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim?”. Ou mesmo, quando asseverou “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste”.

Sobre isso também escreve Paulo de Tarso em I Coríntios, 15:28: “para que Deus seja tudo em todos”, pois, na realidade, o Criador Excelso está em todas as criações e criaturas, mas não se confunde com nenhuma delas, nem nelas se dissipa.


Francisco do Espírito Santo Neto - Ditado por Hammed, do livro Um Modo de Entender, uma Nova Forma de Viver.

Os Ibejis – As Crianças de Umbanda

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Nuvens abrindo-se qual cortinas de um palco, tocadas pelo vento, deixam transparecer o céu azul, nos mostrando uma encantadora cena: árvores como se fossem de um jardim do Paraíso, repletas de flores coloridas que o engalanam de festiva e feliz natureza.
Vê-se crianças alegres que brincam, cantam, pulam. Mais adiante, no lago de águas límpidas, navegam cisnes brancos que as mesmas conduzem, por rédeas doiradas, leves como suas plumas.
Em grupos diversos, espalham-se pelo jardim, umas a colherem flores, fazendo grinaldas para seus cabelos, ornamentando suas cabecinhas, louras e morenas.
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Outras, porém, de petalas de rosas, cobrem o caminho aonde deverá passar, mais tarde, o Anjo Protetor, que numa visita diária, faz solene sua chegada.
Espalha bondade, ternura, dando confiança e amor; é o regente de todas elas. Por entre alas formadas com disciplina, segue um menino oriental, vestido de prata e azul turqueza, que de seu turíbulo, faz sair fumaça de perfumes enebriantes, elevando-se ao alto numa consagração. Logo a seguir, de par em par, meninos e meninas, a todos com água divina, asperge.
É nesta solenidade, de encantadora paz, que o céu torna-se róseo, dando ao crepúsculo o nome da “Hora da Ibeijada”.
Mais tarde, porém, no fim dessa cena, fecha-se o palco com a cortina negra da noite, bordada de estrelas representativas, cuja a Via Láctea simboliza as Crianças do Astral.”

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HábitatJardim, praças floridas
VibraçãoDefinição de situações
Assuntos RelacionadosTodos
AtuaçãoFavorece uniões, casamentos, etc.
Parte do CorpoTodo o corpo
Data Comemorativa
27 de Setembro
Dia da Semana
Domingos
Essências
Maçã, camomila, maçã-verde (Ibeijada da Poeira)
Cores
Rosa e Branco
Pedras
Turmalina rosa
Metal
Prata, Ouro
Floredas, para a vibração de ibeiji do sexo masculino.
II) 134 contas – 67 brancas, seguidas de 67 rosas, para a vibração de ibeiji do sexo feminino.
Observação: No tocante a Ibeijada, apor-se-á mais uma conta, no fecho, totalizando, portanto, 135 contas, dependendo da Falange que acompanha o protetor. Exemplo: Praia- Conta Azul clara, Mata- Verde, Poeira- Azul escuro, Cachoeira- Amarela, etc.
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Todas as variedades de flores (rosas, tulipas, gerânios etc.)
Libação
Água com açúcar
Imantação
Cuscuz, doces, balas, caramelos, etc.
Guias
I) 134 contas – 67 rosas e 67 brancas, intercala

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Omolocô



A Origem do Omolocô
Apesar de conhecermos a metade de UM todo, sobre as procedências dos cultos afros; suas Nações ou lugares, ainda é pouco. Aqui apresentamos também mais um tema sobre as Entidades Espirituais, que se denominam Orixás ou Santo Africano, que nada tem a ver com Santo Católico. Nossos antepassados (sacerdotes) chegados da África, usaram de um estratagema, contra os Senhores de Escravos, afim de dar sobrevivência e continuidade à nossa religião, para isso, em cada culto ou nação, seus sacerdotes, dentro de seus rituais, assimilaram por Sincretismo, o Santo Africano ao Santo Católico. Entretanto os segredos religiosos e cabalísticos dos cultos, não podiam ser revelados. Só podiam ser transmitidos oralmente, aos poucos, aos iniciados idôneos que se submetiam às provas do ritual, buscando a sua vocação de conhecimento espiritual e de fé. 

Compreendamos, portanto, a necessidade que temos de empregar parte da etnologia e da geografia, para mostrar os lugares de origem dos cultos ou tribos, e destas, as Entidades (Orixás). Assim temos a antiga Nação Angola. Este Estado era limitado pelo Norte pela África astral inglesa, à leste e ao sul, pela possessão alemã. Naquela época, o Território de Cabinda (Angola), separou-se do Estado Independente do antigo Congo, o qual era dividido em 6 (seis) distritos: Congo (antigo território de Cabinda), Loanda, Benguela, Mossamedes, Lunda-Quiôco e Huile. Este Estado apresentava como cidades principais: São Paulo de Luanda, Cabinda, Ambriz, Novo Redondo, Benguela, Mossamedes e Porto Alexandre. A sua superfície era de 1.300.000 milhões de quilômetros quadrados. Até o ano de 1918, esta antiga nação possuía uma população de 4 milhões e 120 mil habitantes, todos negros da raça bantos. 

O Ritual religioso do Culto Omolocô se origina das tribos Lunda-Quiocôs. Todos os Espíritos evolutivos pretos-velhos que baixam nos terreiros umbandistas, pertenceram às tribos de Lunda-Quiocôs do Culto Omolocô, e seus lugares de origem, como seja: João Benguela, Pai Mossamedes, Pai Alexandre, Maria Redonda, Pai Cabinda, Pai Ambriz, Pai Luanda, etc. Temos também os bantos da África Oriental, de Dar-es-Salam, Quiloa, Bagamoyo, Tanga, Pangani; pertencentes principalmente à costa oriental. Essas tribos são cruzadas com um forte elemento asiático. Elas estão situadas no continente, ao sul da Ilha de Zanzibar, que foi à tempos atrás governada por um sultão árabe. Por esse motivo a Nação Omolocô, amalgamou-se e tornou-se uma Nação Eclética, com um ritual sempre cruzado, com suas raízes: Gêge, Quêto (reino iorubano do Sudeste da República do Benim, na fronteira com a Nigéria - África), Nagô, Angola, Almas (Iorubá), assim como com o Oriente, de origem asiática. Os Terreiros de Omolocô têm sempre uma puxada para o ritual de suas raízes, ou Nação Raiz, porém no fundo, as formas de iniciação, e de trabalhos são sempre seguindo uma mesma diretriz.

         Fonte: Internet
A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA
O BATUQUE E O OMOLOCÔ
 
      Foi sobretudo do "Batuque" que se originou o terceiro sincretismo religioso brasileiro, o Indígena-Cristão-Banto-Sudanês, os chamados Candomblés [que aqui vão entrar apenas como "filtro de estrutura" pelos quais passou a religiosidade indígena brasileira], pois, à medida que mais e mais negros de origem Banto, Congo e Angola alforriavam-se e reagrupavam-se na periferia das maiores cidades da época, foi no Batuque que eles mantiveram as partes dos rituais de seus Antepassados que conseguiam por em prática dentro dos limites estreitos da escravidão, criando os primeiros Candombes, que é uma palavra de origem Banto e não Iorubá, significando no Brasil, "lugar de terra batida por pés" e/ou "lugar de danças de negros", e, por extensão, "terreiro" onde praticavam seus cultos religiosos, os quais, sob a forma de cantos e danças - o Batuque - eram permitidos e até incentivados pelas autoridades como forma de atiçar, assim pensavam elas, as velhas rivalidades tribais existentes desde a África. 

      Mas, ao contrário dessa suposição das autoridades, desde os seus primórdios, estesCandombes incorporaram várias etnias dos fiéis dos Catimbós, levando assim para o seu interior o sincretismo religioso indígena-cristão anterior. 

      Entretanto, com a inconteste hegemonia Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) que por fim se estabeleceu nos "Candomblés de Nação", com a sua total rejeição da manifestação pública dos seus Baba Egun [Antepassados], excepto se realizadas nos novos Terreiros-li-ese-egun para poder também rejeitar quaisquer outros antepassados de quaisquer etnias, a corrente religiosa indígena-banto-católica, embora aceitando o conceito dos Orixás Sudaneses, reafirmou sua opção anterior pelo culto dos Caboclos cristianizados e dos seus Antepassados africanos, começando a surgir daí o conceito Umbandista dos primeiros "Mensageiros Incorporantes dos Orixás" -- OsCablocos e os Pretos-velhos -- surgindo assim o Omôlocô ou Candomblé de Caboclo

      E, nestes novos cultos, continuaria vivo o sincretismo religioso dos ritos indígenas-cristãos apoiados em todo Panteão Africano OrixásVoduns e Inkicês), e, assim, ao lado de Olorun, pontificam TupãZambi e Deus que é Pai; ao lado de Yemanjá, estãoJanaína, as Iaras e Nossa Senhora; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra; junto aos Baba Egun, estão as Crianças, a Falange do Oriente e os Caboclos TupinambáTupiaraJaúIrerêJuremáPedra PretaPena BrancaCobra Coral,Seô Quatro Olho e muitos outros mais.
        
         Por: Mestre Piron
 A CRENÇA RELIGIOSA DO OMOLOCÔ,
SOBRE A FORMAÇÃO DA TERRA 

Sabemos que a crença religiosa, varia de culto para culto, no entanto temos a nossa e como tal daremos aos nossos irmãos de santo e aos neófitos, e leigos que não professam os cultos Afros, com os malungos, o dever de entenderem e passarem à frente, para que todos tenham o real conhecimento da fé dos filhos do Omolocô.

Antes, permitam que possamos lhes dizer que acreditamos firmemente que, os demais planetas componentes dos vários sistemas, são habitados, porém ignoramos a forma e os caracteres dos seres que neles vivem e por isso, temos a obrigação de explicar como para nós do Omolocô, surgiram os habitantes do planeta terra, ou seja o Planeta Presídio em que vivemos.

Quando da criação deste planeta, houve por bem à ZAMBI, de convocar para uma reunião, em seu palácio, Exu e Pomba-Gira, para que esses Orixás, pudessem contar as boas novas do novo planeta.

Instados a se pronunciarem, Exu e Pomba-Gira não se fizeram de rogados e contaram que era necessário que os espíritos que na terra vagavam sem forma e sem se conhecerem, como simples espirais de fumaça, deveriam espiar seus débitos, materializados, já que , como dissemos acima, não passavam de simples espirais de fumaça sem se conhecerem e sem saber os resultados dos seus castigos.
Inteligentemente, sugeriram Exu e Pomba-Gira, que cada um dos Espíritos da Natureza, isto é, os Orixás, que sabemos são estacionários, tivessem um pouco mais de paciência e fornecessem os elementos químicos e os alimentos para esses espíritos, ficando Exu e Pomba-gira, com a responsabilidade de arrebanharem em outros planetas, espíritos também castigados e trazerem esses espíritos para a terra e se juntarem aos que aqui se encontravam.

Após muita delonga, resolveu ZAMBI, aceitar a sugestão de Exu e Pomba-gira, ficando no entanto cada Orixá presente, com a preocupação da devolução dos elementos químicos e dos alimentos, pois como é entendido por todos nós, donde se tira e não se repõe, esgota-se as reservas, sugerindo então Omulú uma nova reunião para posterior deliberação.

Houve nova reunião e depois de falarem a cerca do plano de Exu e Pomba-Gira, ficou assentado e consentido que isso seria feito, faltando no entanto saberem, como poderiam eles resgatar os elementos químicos e os alimentos. Diante de tão grave preocupação, Olodum (que comanda os Elementais) que à tudo assistia calado, resolveu se pronunciar e o fez de maneira inteligente, dizendo à todos os presentes que não se preocupassem, pois ele devolveria os alimentos e as essências químicas.

Com o pronunciamento de Olodum, ficaram todos calmos e descansados e imediatamente aprovaram a idéia de Exu e Pomba-Gira.

Recebendo então essa incumbência, partiram Exu e Pomba-Gira em busca de novas camadas de espíritos em outros planetas, e em lá chegando, enganaram como lhes é próprio, com promessas de rápidos resgates de débito espiritual e anunciando que a terra era o lugar ideal para todos, um verdadeiro paraíso, e que eles lhes podiam acompanhar, pois não se arrependeriam.

           Iludidos com Exu e Pomba-Gira e acreditando ser a terra realmente um paraíso, embarcaram eles nos dragões voadores de Exu e Pomba-Gira e rumaram imediatamente para a terra.

           Quanta decepção e desilusão, quanta lágrima derramada, pois aqui chegados, deu-se o fenômeno da materialização e puderam eles enxergarem e sentirem já agora, na própria carne, pois receberam as essências químicas e as formas humanas, espetáculos deprimentes como crimes de todas as espécies, e coisas que sinceramente nos enoja, como taras, fobias que se manifestam nos infelizes.

O Orixá TEMPO teve a missão de transportar os bons e os maus e muito ajudou a trazer as camadas inferiores e que até hoje procuram não se amoldarem como também se aperfeiçoarem e isto caros Irmãos, temos conseguido, haja visto que o progresso que ai esta e jamais poderá por alguém ser contestado. Somos por conseguinte, espíritos evolutivos e como tal devemos nos comportar e nos educar para vidas futuras, e voltarmos um dia, quem sabe quando, ao nosso sistema de origem com a graça e a infinita sabedoria de ZAMBI e m toda sua Corte Celeste.

Veremos que a nossa fé tem base sólida, pois o negro nesta leva, agiu justamente no continente , que mais se assemelha, ou seja a África e o branco na Europa, etc...

Para finalizar, Irmãos devemos, cada vez mais nos amoldarmos para estarmos preparados para o regresso e que cremos será triunfal.

Devemos entender que Omulú é o encarregado da vida e da morte material, e Olodum o encarregado de devolver aos espíritos da natureza (os Elementais) os restos mortais da matéria que se transformarão em essências químicas na forma de fogos-fátuos e que todos do Culto Omolocô sabem respeitar, pois esse fenômeno é a ligação e o sinal de Olodum com os demais Orixás, cumprindo ele com respeito o trato feito na reunião da Corte Celestial de ZAMBI.

Por essa razão, ficaram Exu e Pomba-Gira como agentes mágicos Universais e até hoje, intermediários entre os homens e os Orixás.


        Bibliografia:
         Tecnologia Ocultista da Umbanda do Brasil.
        Tancredo da Silva Pinto

Concentração na corrente é fundamental

Não confunda o médium com a entidade

Qual a diferença entre Omolu orixa e Omúlu Exu

Primeiro quando falamos em Omolu a primeira coisa que temos que prestar atenção é exatamente um dos detalhes mais pequenos, a grafia. Omolu quando escrito assim se refere ao orixa também conhecido como Obaluaiê (no Candomblé) ou Xapana (na Nação) o que é um erro comparar com Omúlu, que quando escrito assim se refere à entidade que se apresenta como Exu na linha de Quimbanda.
Bom mas agora que já vimos a diferença gramatical entre as duas distintas entidades vamos conhecer suas histórias:

 Omolu(Obaluaiê, Xapana)

Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne. Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Iemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até o bebê se recuperar. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho.
Omolu tinha o rosto muito deformado e a pele cheia de cicatrizes. Por isso, vivia sempre isolado, se escondendo de todos. Certo dia houve uma festa de que todos os Orixás participavam, mas Ogum percebeu que o irmão não tinha vindo dançar. Quando lhe disseram que ele tinha vergonha de seu aspecto, Ogum foi ao mato, colheu palha e fez uma capa com que Omolu se cobriu da cabeça aos pés, tendo então coragem de se aproximar dos outros. Mas ainda não dançava, pois todos tinham nojo de tocá-lo. Apenas Iansã teve coragem; quando dançaram, a ventania levantou a palha e todos viram um rapaz bonito e sadio; e Oxum ficou morrendo de inveja da irmã, que Omolu recompensou dividindo com ela o poder de controlar eguns (espíritos dos mortos).
Quando Omolu ficou rapaz, resolveu correr mundo para ganhar a vida. Partiu vestido com simplicidade e começou a procurar trabalho, mas nada conseguiu. Logo começou a passar fome, mas nem uma esmola lhe deram. Saindo da cidade, embrenhou-se na mata, onde se alimentava de ervas e caça, tendo por companhia um cão e as serpentes da terra. Ficou muito doente. Por fim, quando achava que ia morrer, Olorum curou as feridas que cobriam seu corpo. Agradecido, ele se dedicou à tarefa de viajar pelas aldeias para curar os enfermos e vencer as epidemias que castigaram todos que lhe negaram auxílio e abrigo.
Euá era uma exímia e bela caçadora. Sua beleza não só ofuscava os admiradores, como também cegava, devido ao veneno que ela lançava em quem ousasse lhe encarar ou lhe dar uma simples piscadela de olhos. Um dia ela encontrou Omolu e por ele se apaixonou perdidamente. Casaram-se, porém Omolu era extremamente ciumento e um dia, julgou estar sendo traído e prendeu Euá em um formigueiro, deixando-a entregue à própria sorte. As formigas fizeram um banquete com a carne da rainha da caça e da beleza, e quando Euá ameaçou dar o último suspiro, Omolu apareceu e a levou para casa. Euá ficou deformada pelas picadas das formigas e seu rosto ficou feio e disforme, tomado pelas cicatrizes. Omolu a cobriu de palha-da-costa, de coloração vermelha, para que ninguém visse sua feiura nem o repreendesse pelo castigo dado à esposa por uma simples suspeita.
Exu Omúlu(Senhor Omúlu)
No culto nagô é chamado de Omúlu.
Senhor Supremo dos cemitérios incumbido de zelar pelos mortos ali enterrados.
Apresentando-se nos terreiros coberto por um lençol ou toalha branca, tendo que ser levantado por médium de muita firmeza.
Comandando uma das mais poderosas Linhas da Quimbanda, a Linha das Almas.
Senhor de um grande poder comparado apenas ao Maioral, “Seo Lúcifer”,
Quando solicitado trabalha para minimizar o sofrimento dos filhos, recebendo obrigações presentes e solicitações no cruzeiro do cemitério, possuindo dois grandes colaboradores, Exu Caveira e Exu da Meia-Noite.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

       Início da Mediunidade - Por que Ficamos Ansiosos?


A maioria dos médiuns tem sua iniciação mediúnica – momento em que suas
 faculdades mediúnicas já despertadas passam a ser utilizadas de modo sistemático
 e mais intenso, dentro dos rituais e trabalhos existentes numa casa umbandista –
 marcada pela difícil fase da ansiedade e da adaptabilidade que esse começo
 representa.
Ansiedade no médium iniciante pode trazer algumas situações desconcertantes como:
# Ficar pensando de modo intenso nas coisas ligadas à espiritualidade;
# Ficar com os pontos cantados ecoando na mente;
# Ficar cantando a qualquer momento e lugar os pontos cantados;
# Conversar somente sobre o assunto espiritualidade a qualquer oportunidade
 em que hajam mais pessoas que pertençam à mesma religião ou casa;
# Ler muitos livros sobre o assunto, querendo esgotar todos os pontos de dúvidas;
# Querer conhecer tudo sobre a Umbanda num espaço de tempo curto;
# Ter sonhos constantes com rituais, entidades, trabalhos;
# Ficar vendo em qualquer situação algum tipo de ligação com a espiritualidade;
# Não parar de preocupar-se em manter-se dentro das condutas que sua casa pede;
# Querer incorporar logo;
# Ficar muito preocupado se está mesmo incorporando uma entidade ou se
 está apenas imitando uma entidade;
# Desejar ardentemente que tenha a inconsciência durante as incorporações;
# Querer aprender tudo sobre os rituais que sua casa pratica, chegando 
ao ponto de perguntar de tudo a todos os demais médiuns mais experimentados;
# Querer saber tudo, através de relatos de outros médiuns, o que ele fez quando
 estava incorporado, o que a entidade falou, deixou de fazer;
# Passar a realizar em seu próprio lar, uma verdadeira transformação de hábitos, 
querendo que todos tomem banhos de defesa, defumem-se, orem, cantem,
 entre outras coisas;
# Querer erigir algum tipo de altar ou espaço sagrado em seu lar, tentando
 imitar o mais perfeito possível a quantidade de imagens, a disposição dos 
santos que há em seu templo umbandista;
# Querer que suas entidades receitem rapidamente a confecção ou 
aquisição das guias (colares) e quanto maior o número de guias melhor;
# Desejar ardentemente que tenha incorporações “fortes”, isto é, que as 
entidades já venham de modo com que não gerem dúvida a ninguém;
# Que suas entidades já risquem seus pontos e que seja algo bem impressionável;
# Que suas entidades dêem logo seus nomes e torce para que sejam nomes
 “fortes” e conhecidos;
# Querem decifrar todos os símbolos que suas entidades desenharam em pontos 
riscados;
# Querem saber da história, vida, ponto cantado e tudo o mais sobre suas entidades;
Essas situações e mais outras não citadas são consideradas até normais e 
encaradas por aqueles outros médiuns mais tarimbados como coisa comum de
 se acontecer. E de fato é. O que o dirigente e os médiuns mais experientes
 devem fazer é aconselhar esses neófitos, direcioná-los em atividades que os
 tirarão um pouco desta fixação, é ouví-los e explicar cada uma das dúvidas e 
dificuldades existentes.
Toda essa ansiedade é temporária e assim que o novo médium for tendo
 mais e mais experiências, ele passa a lidar de modo mais natural, menos 
ansioso e aflito com essas situações.
O tema deve ser abordado de modo atencioso, respeitoso, prático e esclarecedor
 para poder dar melhor formação espiritual e criar uma estrutura mediúnica
 mais eficaz à própria casa, uma vez que estes novos médiuns passam a
 compor o já formado corpo mediúnico da casa, fazendo número e qualidade
 na força da corrente da casa umbandista.
Desperdiçar a chance de esclarecimento quando esses médiuns 
estão ávidos por conhecimento e abertos para serem direcionados é
 deixar ao acaso a responsabilidade da formação destes médiuns, podendo 
levá-los a vícios, “cacoetes” e maus hábitos mediúnicos que nunca 
mais poderão ser retirados.

E o velho adágio popular é verdadeiro: “Pau que nasce torto, morre torto”

Jesus


Jesus, o Educador de Almas
           A mensagem cristã foi apequenada, podada, enxertada por aqueles
           que dela se apossaram, ao construírem uma religião atemorizadora e salvacionista,
           com base em atitudes místicas.

A Humanidade começou, com o advento do Espiritismo, a conhecer
 com mais amplitude e profundidade o que significou, para o mundo, 
a vinda de Jesus, o Mestre mais perfeito que a Terra conheceu, aquele
 que baseou seus ensinamentos na pedagogia do exemplo. Não há um só
 ensinamento dele que tenha ficado sem o seu testemunho pessoal. Jesus
 foi simples e minucioso no que ensinou verbalmente e farto na exemplificação.
 Por isso é que se deve tomá-lo como o Mestre e Guia a ser seguido, e não 
como um simples intermediador entre o homem e Deus, que teria 
selado uma pretensa aliança com o Criador, através do oferecimento
 do seu sacrifício para a salvação da Humanidade, conforme
 interpretações equivocadas de teólogos.

O próprio conceito de religião foi modificado a partir dos seus ensinamentos.
 Com Jesus, aprende-se que religião não é algo mágico a ser levado 
a efeito no interior dos templos. Não mais aquela idéia de que religião 
é prática mística, contemplativa, ritualística, cheia de oferendas e fórmulas
 repetitivas vivenciadas no interior das assim chamadas “Casas de Deus”.
 Religião, conforme seus ensinamentos e, principalmente seus exemplos,
 passou a ser, para aquele que lhe entendeu as lições, um novo modo de
 viver, de se relacionar com o próximo, em todos os ambientes, 
em todos os momentos. Ensinando que Deus está presente em todo
 o universo, alargou os limites dos templos, conceituando universo
 como um templo imenso: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo, 14: 2).

Jesus não foi um Mestre de gestos largos, de atitudes místicas e 
contemplativas, que vivesse confinado em ambiente religioso, ou 
em local distante, isolado do convívio diário, longe da vida prática.
 Pelo contrário, o Mestre sempre conviveu com as pessoas, e, para 
prevenir qualquer interpretação equivocada, deixou ensinamento lapidar, 
registrado por dois evangelistas: “Eis que vos envio como ovelhas no 
meio de lobos (...).” (Mt, 10: 16) e “Ide; eis que vos mando como
 cordeiros ao meio de lobos. (Lucas, 10: 3). Nem era um profissional
 religioso: vivia como simples carpinteiro, que causava espanto a alguns,
 diante do que falava e fazia: “... donde lhe vêm estas coisas? E que 
sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas
 por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, 
e de José, e de Judas, e de Simão? e não estão conosco aqui suas
 irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Mc, 6: 2 e 3).

Jesus foi um educador de almas, que sempre enfatizou a necessidade do
 empenho da criatura no sentido de educar-se, de progredir, conforme
 ensinou no Sermão do Monte:   “Assim resplandeça a vossa luz diante
 dos homens (...).” (Mt, 5: 16). Toda a mensagem religiosa do Mestre
 fundamenta-se no esforço da criatura no sentido de revelar essa herança
 divina que todos trazemos. Nada de graças, além da graça da vida.
 Nada de privilégios: “(...) e então dará a cada um segundo as suas obras.”
 (Mt, 16: 27).

Trouxe uma nova dimensão ao entendimento humano, através de uma
 mensagem que é um verdadeiro desafio, no sentido de seus discípulos 
transcenderem os limites da lei antiga, que preconizava “olho por olho,
 dente por dente”: “(...) se a vossa justiça não exceder a dos escribas e
 fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mt, 5: 20).
 “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o 
teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos,
 bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, 
e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; (...).” (Mt, 5: 42 e 43).

A fé raciocinada, ensinada pelo Espiritismo, começou com Jesus.

Jesus não desejou discípulos passivos, encantados, deslumbrados.
 Pelo contrário, sempre buscou tocar o sentimento, juntamente com o
 apelo para que a criatura raciocinasse, a fim de saber, de 
compreender porque deveria agir desse ou daquele modo. 
O Sermão do Monte, que para muitos é apenas um hino ao
sentimento, é, também, uma forte mensagem à inteligência, 
ao raciocínio: “E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe
 pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe
 dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas
 coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos 
céus dará bens aos que lhos pedirem?” (Mt, 7: 9 a 11).

Jesus levou o entendimento, a compreensão, o uso do raciocínio,
 ao campo da fé. A fé ensinada por Jesus transcende os 
limites da emoção, do sentimento, por associar-se a um 
componente essencial: a razão. Inquestionavelmente, a fé raciocinada, 
ensinada pelo Espiritismo, começou com Jesus. Kardec, como profundo
 conhecedor dos Evangelhos – livre dos prejuízos causados pelos sucessivos
 exegetas, ao longo dos tempos – soube ver a objetividade e a
 racionalidade dos ensinamentos do Mestre. Soube ver que Suas 
lições têm sempre dois direcionamentos: ao sentimento e à razão:
 “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem 
ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes
 vós muito mais valor do que elas?” (Mt, 6: 26). Ao ensinar a 
criatura a não criar fantasias sobre a fé, mostra a linha divisória 
entre aquilo que deve ser objeto da preocupação do homem, e o 
que deve ser entregue a Deus, perguntando: “E qual de vós poderá, 
com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?” 
(Mt, 6: 27). Esse o motivo de se ler na folha de rosto de
 “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Fé inabalável só o
 é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas 
da Humanidade.”

A educação religiosa que Jesus propicia ao homem leva-o a
 conscientizar-se de que não será através de orações repetidas
 que estaremos agradando a Deus: “E, orando, não useis de vãs 
repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem 
serão ouvidos.” (Mt, 6: 7). Nem através de oferendas ou bajulações:
 “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de 
que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar
 a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois
 vem e apresenta a tua oferta.” (Mt, 5: 23 e 24).

No Seu trabalho educativo do Espírito humano, Jesus mostrou
 a importância do bom relacionamento com o próximo como 
caminho para Deus, conforme bem entendeu o Apóstolo João,
 que registrou: “Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu,
 como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I Jo, 4: 20).

Significativo é o diálogo entre o doutor da lei e Jesus, 
conforme relatado no Evangelho de Lucas (10: 25 a 37):
 “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Ali se vê 
um homem, conhecedor profundo das leis religiosas, a ponto 
de citá-las de cor, logo que inquirido por Jesus:  “Amarás ao 
Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e 
de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu
 próximo como a ti mesmo.” (Deu, 6:5 e Lev. 19: 18).
Efetivamente, os judeus sabiam de cor esses dois mandamentos
 maiores. Entretanto, quando Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”,
 aquele homem não compreendeu, porque para ele não havia conexão
 entre o preceito religioso, que lhe enfeitava o campo intelectual, com
 a vida prática, a ponto de perguntar: “Quem é o meu próximo?” 
Para aquele homem “próximo” era uma palavra mágica,
 sagrada, usada nos momentos religiosos, no templo, sem nenhum 
significado real na chamada vida profana. Daí o seu espanto. Estranhou
 que Jesus lhe recomendasse a aplicação do preceito religioso à vida comum. 
Sabendo da distância que havia entre os preceitos religiosos e a vida em
 sociedade, é que o Mestre contou-lhe a Parábola do Bom Samaritano,
 mostrando que o aquele homem – desprezado pelos judeus – fez
 sua oferenda a Deus, não diante de um altar, mas através do
 mais legítimo representante de Deus: o próximo!  


Bibliografia:
A Bíblia Sagrada - Trad. João Ferreira d’ Almeida - Ed. Sociedade
 Bíblica Britannica e Estrangeira – 1937.
Por José Passini
  


O Mestre jamais convidou alguém a Orar num Templo

Ele próprio deu-se como exemplo no serviço a Deus na pessoa do
 próximo. Curava sempre, impondo as mãos sobre os doentes, embora
 não precisasse fazê-lo para curar (vide cura do servo do centurião:
 Mt, 8: 5 a 13), mas o fez para ensinar, recomendando que se fizesse 
o mesmo: “... e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.”
 (Mc, 16: 18). Deixou bem claro, também, a gratuidade da prática
 religiosa: “... de graça recebestes, de graça dai.” (Mt, 10:8).

Vê-se, assim, que Jesus trouxe à Terra uma mensagem religiosa 
sem precedentes. Simples, sem ser superficial; profunda, sem ser
 complicada. Uma concepção religiosa libertadora não agrada àqueles
 que desejam exercer o poder religioso. Estes procuram conservar a
 religião como algo mágico, místico, extático, complexo a ponto de a
 ela só terem acesso os doutos e os sábios, pessoas pretensamente
 especiais, que estariam mais habilitadas a intermediarem as mensagens
 das criaturas ao Criador.

Jesus concedeu uma verdadeira carta de alforria à Humanidade,
 em relação à intermediação sacerdotal, ao informar a criatura humana 
de que ela tem o direito legítimo e inalienável de se comunicar 
com seu Criador, diretamente, em qualquer lugar onde se encontre,
 dando como exemplo o lugar onde se dorme: “Mas tu, quando orares, 
entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em
 oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.” (Mt, 6: 6).
 Ao se meditar sobre esse ensinamento, percebe-se quanto sua
 mensagem foi deturpada pelos teólogos, que ensinam terem 
certas pessoas determinadas prerrogativas de serem ouvidas por Deus,
 como se fossem advogados a levarem agradecimentos ou a 
reivindicarem determinadas benesses, numa prática desenvolvida em
 meio a rituais completamente estranhos aos ensinamentos e aos 
exemplos de Jesus, com a agravante de serem remunerados.

Jesus libertou a criatura humana também da necessidade do 
comparecimento ao templo, a fim de ali encontrar-se com Deus.
 O Mestre jamais convidou alguém a orar num templo. Pelo contrário,
 quando a Samaritana manifestou-se no sentido de adorar a Deus
 no Templo de Jerusalém, o Mestre desautorizou tal atitude, dizendo-lhe:
 "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem
 em Jerusalém adorareis o Pai. Deus é espírito e importa que os que
 O adoram O adorem em espírito e em verdade." (Jo, 4: 21 e 24). Para Jesus
 não havia santuários, lugares especiais. Seus ensinamentos, suas curas, 
suas orações sempre foram levados a efeito onde quer que ele se encontrasse.

Ele foi crucificado exatamente pela coragem de contrapor-se ao poderio 
sacerdotal, àquela verdadeira ditadura religiosa. Infelizmente, com o
 passar dos tempos, o eixo da mensagem cristã foi-se desviando, saindo 
da área do estudo, da meditação e do serviço à luz da oração consciente, 
passando às práticas exteriores.

O Mestre veio trazer a certeza de que Deus é Pai, é Amor.

Essas verdades religiosas simples, que estiveram ao alcance de humildes 
pescadores, de viúvas e de deserdados, foram, com o passar do tempo, 
relegadas a segundo plano, tendo sido postos em primeiro lugar o ritual, 
a solenidade, o manuseio de objetos de culto, a vela, o vinho, 
a fumaça, os cantochãos, as roupas especiais e todo um conjunto
imenso de práticas exteriores alienantes, buscadas no judaísmo e
 no paganismo romano, que distanciavam o homem cada vez mais do
 esforço de auto-aprimoramento preconizado por Jesus.

Os pronunciamentos libertadores de Jesus não foram objeto de estudo 
pelos teólogos, que criaram as liturgias, os sacramentos, e, pior ainda,
 a hedionda teoria das penas eternas, desfazendo a imagem do Deus
 Misericordioso, tão bem delineada pelo Mestre.

A mensagem cristã foi apequenada, podada, enxertada por aqueles
 que dela se apossaram, ao construírem uma religião atemorizadora e
 salvacionista, com base em atitudes místicas e na crença de que seria
 o sangue de Jesus o remissor dos pecados da Humanidade. Foi enfatizada 
a adoração extática a Jesus-morto, em detrimento do esforço em seguir 
Jesus-vivo.

O Mestre veio trazer a certeza de que Deus é Pai, é Amor,
 é Misericórdia, contrapondo-O à figura apresentada no Velho 
Testamento, que mostrava o Criador como alguém iracundo, vingativo,
 capaz de ter preferências por determinados povos e abominação 
por outros. Infelizmente, o Pai Misericordioso, tantas vezes demonstrado 
por Jesus, foi negado pelos teólogos, ao criarem o Inferno de penas 
eternas. Em verdade, Jesus falou de sofrimento após a morte, mas
 nunca com a possibilidade de ser eterno. Pelo contrário, disse:
 “Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto 
não pagares o último ceitil.” (Mt, 5: 23) Mas, o Mestre, conhecedor
 da fragilidade humana, sabia que, de alguma forma, isso iria acontecer,
 por isso, prometeu o Consolador: “Mas aquele Consolador, o Espírito 
Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas,
 e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (Jo, 14: 26)

Cumprindo sua promessa, enviou-nos o Espiritismo, que não é apenas
 mais uma religião cristã, mas o próprio Cristianismo Primitivo, 
que ressurge na sua pureza, pujança e objetividade originais, 
destacando-se das demais religiões, pelo menos das do Ocidente, 
pelo seu aspecto altamente educativo.


Bibliografia:
A Bíblia Sagrada - Trad. João Ferreira d’ Almeida - Ed. Sociedade 
Bíblica Britannica e Estrangeira – 1937.

Por José Passini
  


Quem era Esse Homem?
Quem era Esse Homem? Desceu das estrelas e aninhou-Se no seio
 de uma jovem mulher, a fim de vir à luz.

Teve por pai um carpinteiro e com ele aprendeu o ofício,
embora Suas mãos já tivessem amoldado substâncias celestes,
 formando o próprio planeta em que veio habitar.

Habituado à harmonia celeste, deixou que o vento cantasse
 melodias em Sua cabeleira e que as areias lhe fustigassem a face.

Amou Sua mãe com devoção. Logo iniciado Seu messianato, 
retornou ao lar para vê-la e a acompanhou às bodas a que fora convidada.

Obedeceu-lhe ao pedido e ofertou aos convivas o líquido especial
 para os despertar para a realidade.

Em agonia, recordou de a entregar aos cuidados de um jovem idealista, 
preocupando-Se com o que lhe poderia suceder, após a Sua partida.

Quem era Esse Homem? Andou por estradas poeirentas, campos 
cultivados, às margens de um lago, lecionando o amor.

Viveu em uma época de desmandos, de corrupção dos costumes, 
de licenciosidades.

No entanto, manteve-Se íntegro, embora movimentando-Se 
entre pessoas consideradas de má conduta.

Estendeu Suas bênçãos aos pobres deserdados da sorte tanto quanto 
aos detentores de poder econômico e certa supremacia social, a uns e 
outros ofertando das Suas luzes.

Líder de um grupo que elegeu para assumir a preciosa missão de dar 
continuidade à Sua proposta, os incentivou a que deixassem fluir as 
suas qualidades interiores.

Vós sois deuses! – Afirmou. E podeis fazer tudo o que faço e muito mais.

Ensinou que todos os homens são herdeiros do Universo infinito, 
imensurável. Todos filhos do mesmo Pai, embora vivendo sob tetos
 diversos, em terras distantes uns dos outros e falando línguas estranhas.

Quem era Esse Homem a quem os Espíritos obedeciam e se rendiam?
 Senhor dos Espíritos – O chamavam.

Quem era Esse Homem que fazia cessar as dores, devolvia 
movimentos a corpos paralisados, a vista aos cegos e a palavra aos mudos?

Quem era Esse Homem que, em menos de três anos, revolucionou
 o mundo do pensamento sem nada ter escrito?

Que reuniu ao seu redor, nada menos de cinco centenas de trabalhadores
 para darem continuidade ao Seu legado?

Que, ao partir, deixou semeadura tão grande que até hoje, transcorridos
 mais de dois mil anos, ainda não se esgotou?

Quem era Esse Homem, tão grande que não coube na História, 
dividindo-a entre antes e depois dEle?

Diziam que Ele era o filho de um carpinteiro de nome José e de uma
 mulher chamada Maria.

Nascido em Belém, viveu exilado no Egito. Depois, cresceu em Nazaré 
e morreu na capital religiosa da época, Jerusalém, terra dos profetas.

Quem era Esse Homem?


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Um dia, um raio de luz deixou a amplidão dos céus e veio viver entre os 
homens.

Mais brilhante que o sol, escondeu Seu brilho nos trajos de simples 
carpinteiro.

Ele era luz. Veio para as sombras e as sombras tentaram empanar-Lhe
 o brilho.

Destruíram a ânfora onde se aninhava a luz. Então, liberta, 
ela brilhou ainda mais intensamente e, até hoje, enche o 
infinito das nossas necessidades.

Seu nome é... Jesus.

Redação do Momento Espírita.

 
Jesus e sua Trajetória de Luz na Terra
Era o governo do imperador Caio Julio César Otavio Augusto.
 A Palestina estava num período de luz. As pessoas pareciam encantadas.
 O clima era de alegria, Augusto governaria do ano 63 a.C até o ano 14 d.C.

Reencarnaram poetas, pintores, musicistas para preparar o solo árido
 e grosseiro do planeta para a chegada do Messias.

Inicia-se o governo de Tibério César. Roma domina o mundo.
 A águia romana tem todo o poder temporal. O povo judeu
 sofria as injunções perturbadoras do império romano.

Ele chegara como se fosse um raio de sol para iluminar 
a paisagem lúgubre do planeta.

A sua beleza irradiava uma energia de amor e luz, a sua presença
 facultava ao mundo a oportunidade de redenção, onde 
todos poderiam ser beneficiados com sua presença.

A história de Jesus é a mais bela história que a Terra conheceu. 
Um Espírito puro, que aceitou das mãos da Providencia Divina a 
missão de construir e governar um planeta em formação e nele lecionar
 as mais belas lições jamais vistas.

Assim, sejamos fortes e corajosos para desbravar os mares bravios 
das nossas imperfeições da alma, no sentido de alcançar a tão sonhada 
iluminação.

Com Jesus começa a transformação moral do planeta: a Terra e o
 Céu unem-se para uma nova jornada de luz, amor, paz e
 felicidade, com os ensinamentos daquele que se doou em amor
 para conduzir ao reino do Pai todos aqueles que estão na retaguarda 
necessitando de iluminação.


Por Oswaldo Coutinho



Ele Nasceu 
Ele nasceu. O seu berço singelo anunciava a lição da simplicidade.
 A manjedoura fora o local escolhido por Ele, para iniciar a trajetória
 mais intrigante que se teria notícia percorrendo os séculos porvindouros.

O Seu coração refletiu luzes que iluminou toda a humanidade. A
 natureza Lhe reverenciou festiva; o esplendor da sua presença neste
 orbe pôde ser percebido nas longínquas regiões do sistema solar, de
 onde coros de anjos entoavam cânticos em sua homenagem, pelo sacrifício
 de deixar as regiões celestes e encarnar em um mundo de dor e sofrimento;
 afinal, Ele veio ter com aqueles a quem escolhera conduzir ao Pai, e 
desejou ensinar a lição em nome de Deus, com a própria vida.

Mesmo sabendo que não seria compreendido, aceitou espalhar 
sementes nos corações ressequidos de alguns, indiferentes de outros 
e férteis de muitos. Sem demonstrar qualquer superioridade; sem firmar 
ostentação, Ele, o Rei Supremo, o soberano maior deste mundo, 
apresentou-se na doce ternura dos braços dos seus pais, Maria e 
José, iniciando a maior história de amor que o mundo viria conhecer, 
para perpetuar o Seu ensinamento nas almas de boa vontade.

A mensagem que Jesus ensinou é a do amor universal. Ele não separou
 o homem por religião, cor, nacionalidade ou outra classificação que seja.
 Amou a todos indistintamente. Sem sofismas ou teses filosóficas
 incompreensíveis ensinou lições inesquecíveis como: “perdoar 
setenta vezes sete vezes”, este é o segredo da felicidade neste mundo 
de ilusões, pois que, quem não guarda o fel do ressentimento no coração
 vive em paz; “vá e não peques mais”, anunciando que sempre se pode 
recomeçar, propondo-se não mais errar, corrigindo a conduta e o 
sentimento; “ama o teu semelhante como a ti mesmo”, sem 
qualquer engano de interpretação a lei mais perfeita que já se tem
 conhecimento em todos os ensinamentos encontrados na humanidade,
 que será o código que regerá a sociedade do futuro onde não mais 
encontraremos distonias ou injustiças, porque o homem, aplicando-a
 será incapaz de fazer mal o seu semelhante, amando-o.

Ele nasceu, e o nosso coração necessita sintonizar com a Sua presença,
 somente assim entenderemos que o que nos falta, que o que nos angustia,
 que o que nos limita, que o que nos escraviza, é a falta Dele em nossos corações.

Nós ansiamos por encontrar-te na face sempre presente dos nossos irmãos.

SALVE O MESTRE JESUS CRISTO! BENDITO E LOUVADO SEJA!       


        Por Adelvair David