terça-feira, 10 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DO PRETO VELHO PAI ANTÔNIO



 No Reino de meu Pai Oxalá,
em Aruanda e no Jacutá,
vi Pai Antônio chegar
para iluminar o nosso Gongá.

    Preto Velho de paz e luz,
no reino da Umbanda saravou,
trazendo o nome de Menino Jesus,
em nosso Terreiro Pai Antônio chegou.

    Sua luz intensa veio brilhar,
para salvar filhos de fé,
com seu tercinho começou a rezar,
deixando os filhos de Umbanda sempre de pé.

**********************************************************************

    Pai Antônio é um bondoso e amável Preto Velho, que trabalha nos
Terreiros de Umbanda, distribuindo a caridade, a luz, o amor e a paz
com seu tercinho abençoado por Oxalá e todos os Orixás.

    Ele de um modo tranquilo e sereno, sempre pitando seu cachimbo,
bebendo seu café com mel em seu cuité e protegendo as pessoas que nele
tem fé.

    Sua última passagem como encarnado nessa terra se passou pelos
meados do século XVIII e o século XIX, primeiramente em uma fazenda
cafeeira na região Sudeste do Brasil, onde era escravizado e obrigado
a trabalhar nas roças tanto de café quanto de cana de açúcar, sobre o
Sol forte, a chuva intensa, os maus tratos de feitores sobre o comando
do coronel que acreditava que os negros não passavam de animais, e
mereciam sofrer sobre as chibatas covardes, e os maus tratos no tronco
de torturas.

    Mesmo assim Pai Antônio não perdia a fé, acreditava em uma força
maior, acreditava que Zambi (Deus) estava ali para lhe proteger de
suas possíveis desesperanças, seu instante de pouca fé, suas
angústias. E assim clamava, rezava e orava a esse tão amável protetor
de todos os filhos, passando essa mesma fé e esperança a seus filhos e
irmãos de raça, para que assim esses também pudessem crer de verdade,
com amor e convicção, sem se deixarem ser tomados pela tristeza que
teimava em nascer dia após dia.

    Ele pregava a todos para não desanimarem, pois o desânimo os
entregariam para os braços da morte, e se entregando assim para a tão
temida morte sem lutar, estariam sendo infiéis a Zambi.

    E com essas palavras Pai Antônio conduzia a todos os negros que
muitas vezes se sentiam sem esperanças a caminhar para um novo dia e
uma nova luta.

    Pela manhã ou pela noite, dentro da senzala fétida, o amado Pai
Antônio tinha seu encontro com Zambi, e ali ele se entregava com todo
seu carinho e fé. Pedia forças não só para ele, mas para todos seus
irmãos de raça e seus filhos escravizados, que naquela época já tinha
algumas dezenas, sendo ele de boa saúde, forte e de extremo bom senso,
foi logo escolhido para ser procriador da fazenda.

    Ele amava cada um dos seus filhos e filhas, tinha no coração a
alegria de vê-los crescer saudáveis e robustos. Mas da mesma maneira
as lágrimas nasciam em seus olhos assim como no seu coração quando por
algum motivo tinha que se separar de sua prole. E isso era constante,
seus filhos iam de senzala a senzala, e logo eram também
comercializados para outros coronéis em outras fazendas da região e
fora dela. E isso fazia Pai Antônio chorar, saber que um dos seus
filhos estaria distante, sendo açoitado, torturado, sofrendo nas roças
escaldantes.

    Pai Antônio foi o primeiro negro da Fazenda a ter filhos gêmeos,
esse fato aconteceu com o entrelace de Pai Antônio com a negra
Joaquina, que era apenas uma menina na época, mas como era saudável e
bem jovem, o coronel a escolheu para ser reprodutora juntamente com
Pai Antônio.

    Com ela Pai Antônio teve, além dos gêmeos, mais seis filhos, sendo
a última que fora chamada de Antônia em homenagem ao pai.

    Com os fatos acontecidos em relação a Joaquina, no qual podem ser
esclarecidos nesse link:

Vovó Joaquina e sua história.

Http://umbandayorima.blogspot.com.br/2014/09/vovo-joaquina-e-sua-historia.html

    Pai Antônio fica com uma grande revolta contra os feitores, e faz
disso sua força de continuar a lutar em prol da liberdade dos negros.
E começa a pregar pela liberdade de todos, sendo de uma forma
refletida, mas como não teria nenhuma chance de diálogo com os
coronéis, resolveu ele partir para a fuga, sem deixar para trás seus
irmãos e filhos.

    Começou a pregar essa ideia por entre as senzalas da fazenda, ia
em cada uma delas para aplicar seu plano de fuga, e com o idealismo de
chegar ao primeiro quilombo que conseguisse encontrar, para se
refugiar, proteger seus semelhantes e retornar com mais força e assim
continuar buscando os negros de outras fazendas da região.

    Mas infelizmente Pai Antônio não contava que um dos negros de uma
senzala que ficava dentro da área da fazenda, senzala essa que
abrigava os negros que trabalhavam nas roças de algodão, bem distante
da senzala que Pai Antônio habitava, iria revelar seus planos a um
feitor com fama de torturador de negros.

    Mas assim foi feito pelo escravo.

    Pai Antônio continuava suas andanças por toda a fazenda e por
todas as senzalas, tentando mostrar que todos deviam fugir dali, que
ele estava na busca de uma saída, na busca do Quilombo mais próximo. E
os escravos sonhavam com essa liberdade, dezenas deles apoiaram Pai
Antônio, estavam preparados para a fuga, estavam imaginando com
alegria o dia que chegariam ao Quilombo, sonhavam com o frescor e a
tranquilidade da liberdade.

    Após todo o relato ser feito ao feitor sanguinário pelo escravo
delator, esse ficou observando juntamente com seus jagunços cada passo
de Pai Antonio. E um certo dia, com a ajuda do negro delator, o feitor
junto com os jagunços chegam até o nosso amado Antônio no exato
momento que ele passava novas instruções aos outros negros.

    Ele foi amarrado e açoitado na frente de todos, foi arrastado até
o tronco de torturas, e la ficou por vários dias e noites sendo
castigado pelo feitor.

    A jovem Joaquina soube dessa tortura, ficou desesperada em busca
de ajuda, chegando até o coronel da fazenda, que ainda não sabia do
ocorrido, e a ele pediu clemência, pediu pela vida de Antônio. O
coronel foi buscar respostas com seu feitor, e ao saber do ocorrido
disse que não teria como perdoar o negro, pois ele incentivou a fuga
de dezenas de negros de sua fazenda, portanto deveria ser castigado
até a morte.

    Joaquina se lança aos pés do coronel pedindo perdão, e ao ver ele
irredutível, diz com um grande ódio no olhar:

    "Com essa maldade, senhor coronel, meus filhos foram mortos,
outros foram jogados a senzalas podres para morrer. Com essa maldade,
senhor coronel, meu ventre morreu junto com meus filhos, sobrando
apenas minha filha amada. Se agora senhor coronel, matar o pai dela,
ela morrerá também, e com essa maldita maldade que exala de seu
coração, se isso acontecer, sua própria maldade vai acabar com sua
família assim como está acabando com a minha."

    O coronel imaginando saber que muitos negros eram feiticeiros,
temeu as palavras da negra. Olhou para o feitor e mandou soltar o
negro Antônio. Ele ficaria livre do castigo mas não poderia mais viver
na fazenda.

    A negra Joaquina ajudando o negro torturado a se levantar, o levou
para a senzala, cuidando de seus ferimentos.

    Dias após o acontecido chega a fazenda um negociador de escravos,
e estava ali para levar Pai Antônio para outra fazenda, isso dito pelo
coronel, que na verdade tinha outras intenções. Antônio ia sim para
outra fazenda, mas esse negociador de escravos não só negociava a
compra e venda de negros, negociava também a morte de negros que
ousavam a desobedecer seus senhores, como o coronel não queria que
Antônio morresse dentro de sua fazenda, ele fez com que todos os
negros acreditassem que ele seria vendido para uma fazenda próxima,
sem que eles soubessem que nessa fazenda teria um cárcere que sempre
era usado para torturar e assassinar os negros que por qualquer motivo
fossem vistos como problemas aos coronéis da região.

    Pai Antônio fora levado para essa fazenda, ao chegar lá foi logo
colocado no tronco, açoitado, torturado, humilhado pelos jagunços e
feitores.

    Após muitas e muitas horas de torturas, o negro Antônio perde os
sentidos, seu corpo inerte pendurado pelas correntes do tronco,
parecendo que já estaria sem vida, quando alguns negros tentando levar
um cuité de água para buscar a reanimação do pobre sofredor também são
açoitados pelos feitores e jagunços, ele forçando as pálpebras
reabrindo os olhos, e com a voz fraca e quase incompreensível, começa
a rezar e a clamar pela ajuda de Zambi.

    Suas orações parecendo que foram levadas aos céus pelos Anjos do
Senhor traz ao negro uma força quase indescritível, que por mais
machucado, tanto fisicamente quanto moralmente, ele se ergue, sua voz
começa a ter um tom mais alto e forte. Sempre clamando a Deus, ele
olha ao céu e agradece ao Pai Maior a força concedida. E isso faz com
que os feitores ficassem um tanto  apreensivos, pois como que um negro
que após tanto tempo de tortura, que todos já jugavam estar
desencarnado poderia de uma hora para outra ter tanta força de viver?

    Alguns se afastaram do negro, imaginando ser algum tipo de
feitiçaria, outros não saíram do lugar, mas se calaram, aguardando as
ordens do chefe dos feitores. E esse chefe foi o primeiro a se
manifestar. Com ódio nos olhos, disse que o negro deveria apanhar
mais, e ele mesmo foi até o tronco com açoite na mão. Quando ia
deferir a primeira chibatada, suas mãos tremeram, no mesmo instante um
enorme facho de luz desceu do céu indo direto a seus olhos. A luz era
tão forte e intensa que seus olhos secaram, e ele sem nada enxergar,
caiu de joelhos ao chão, com as mãos tampando os olhos em gritos de
desespero.

    Um dos jagunços correu até a casa grande em busca do coronel, e
esse veio até o local do acontecido. Esbravejando, o coronel mandou
seus jagunços exterminarem o negro, mas todos se afastavam, com um
grande receio de algo parecido com que aconteceu com o feitor
acontecessem com eles.

    O coronel esbravejou mais, o ódio estava estampado em seu rosto.
Os negros que estavam em volta se ajoelharam, e junto com Pai Antônio
rezavam e clamavam a Zambi, o coronel mandava todos se calarem, mas as
orações se prolongavam. Ele enfurecido, de sua cintura pegou uma arma
de fogo, apontou para o negro que estava acorrentado no tronco, e
disparou. O zumbido oco do estampido tomou conta de todo espaço, e
logo veio o segundo som da morte, o cheiro de pólvora se espalhou no
ar, e quando todos esperavam ver o sangue do negro jorrando pela
terra, ele estava lá, firme, de olhar intenso, sereno.

    O coronel não acreditou no acontecido, sua fúria se tornou mais
intensa, seus olhos irradiavam ódio, ele no ímpeto vendo o açoite no
chão, foi até ele com intenção de açoitar o negro preso até a morte.
Ao levar a mão no açoite, uma serpente rastejante e extremamente
nociva o ataca dando um bote certeiro em sua jugular, fazendo-o cair
aos gritos de dor e desespero.

    Pai Antônio ao ver o acontecido pede aos feitores para soltá-lo,
pois ele iria salvar a vida do coronel. Atendido prontamente, ele
rapidamente corre até a entrada da mata, sem muita escolha junta um
emaranhado de ervas, raízes e casca de algumas árvores. Desse
emaranhado ele faz uma junção com um pouco de terra e água. Leva tudo
ao encontro do coronel envenenado, faz uma espécie de emplasto
colocando sobre a jugular dele. Nesse momento o coronel, já febril e
sem sentidos, não tem nenhuma reação. Pai Antônio se coloca de
joelhos, e como em transe, fala várias palavras e frases que não são
compreendidas pelos observadores.

    A sinhá, esposa do coronel, avisada por um dos jagunços sobre o
acontecido, chega rapidamente no local, em desespero, olhos tomados
pelas lágrimas, implora ao negro que ele salve o coronel.

    Antônio continua como em transe, e com as mãos sobre o emplasto
colocado, ele continua suas frases, quando de repente suas mãos tremem
numa intensidade muito maior, seus braços já não tendo como suportar
tanta energia, seu corpo tomado por aquela força invisível, ele tomba
como se perdesse os sentidos, e no mesmo instante o coronel abre os
olhos, a dor se acalma, o estado febril já não existe mais. Sente seu
corpo fraco, olha em volta, vê o negro caído, observa as pessoas de
olhares assustados, vê sua esposa com um sorriso de felicidade e
tranquilidade.

    A sinhá ordena aos que estão em volta para levarem o coronel para
a casa grande, e também deveriam levar o negro Antônio juntamente para
o mesmo local. E assim foi feito. Após algumas horas de reabilitação
Pai Antônio já estava de ´pé, sua fé e força o restabeleceu, tanto da
tortura sofrida quanto do fatídico gasto de energia utilizada para
salvar a vida do coronel.

    O coronel ficou eternamente agradecido, e deste dia em diante
mandou retirar o tronco de sua fazenda, a senzala da morte foi
queimada, Pai Antônio ficou sendo um dos braços direito do coronel nos
trabalhos na lida, muito respeitado por todos.

    Ele viveu na fazenda mesmo depois do desencarne do coronel,
muitos e muitos anos depois, e mesmo tendo um tratamento diferenciado
onde residia, sentia saudades de sua antiga fazenda, de seus irmãos de
raça, de seus filhos, em especial de sua filha, a menina Antônia,
conhecida como "Tonha", a filha da negra Joaquina.

    Com muito carinho temos a benção de ter como trabalhador na
Umbanda, em prol da caridade esse Preto Velho de luz e fé. O grande
buscador da paz e distribuidor das bençãos de Zambi, nosso Pai Maior.

    Saravá e sua benção meu amado Pai Antonio das Almas.

Carlos de Ogum.

MENSAGEM ENVIADA ATRAVÉS DE PSICOGRAFIA PELO PRETO VELHO PAI JOÃO D'ANGOLA




    Amigos e irmãos na fé, hoje nosso texto postado vai por um caminho
diferente.

    Estamos abrindo esse espaço para retransmitir uma mensagem de luz
que foi enviada pelo Preto Velho Pai João D'Angola, e dizer que essa
mensagem veio através de psicografia feita por uma pessoa de
mediunidade aflorada para tal, e que por pedidos desse amigo médium,
não vamos revelar seu nome conforme acordado.

    Gostaria de frisar também que essa mensagem foi levada em nossa
casa, Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê (TUPOM), mostrada a nosso
trabalhador do dia, Vovô Benedito da Calunga, que após tomar parte do
conteúdo da mensagem, levou  ao Mentor da casa, Vovô Rei Congo, para
que fosse concedida a autorização da publicação desse texto.

    O nosso amado Vovô Rei Congo disse que a publicação ou não dessa
mensagem ia depender do livre arbítrio do Pai da Casa (Pai Carlos de
Ogum), que sou eu. E por achar que é uma mensagem que seria uma lição
a muitas pessoas, inclusive a mim mesmo, estamos aqui postando essa
bela e reflexiva mensagem.

    Agradeço a meu Mentor por me dar a oportunidade de poder usar o
livre arbítrio, assim como sempre é feito dentro da Umbanda e no
Terreiro Pai Ogum Megê.

    Abaixo a descrição da mensagem.

**********************************************************************

O mundo espiritual possui muitos mistérios que o homem terreno ainda
não possui a humildade adequada para desvendá-los.

O universo é grandioso para que uma única coisa fique no seu centro.

A obra de Deus esta sendo espalhada e seres estão se unindo para tal
propósito.

Para tanto, será necessário a transformação pessoal de cada um.

E como se faz essa transformação?

O amor é o caminho.

Amor ao próximo, aos aflitos, aos necessitados, aos inimigos.

Livrar-se de qualquer tipo de preconceito e manter-se humilde no
cumprimento de sua missão.

É necessário saber olhar para si antes de olhar para o irmão. Apontar
os próprios defeitos antes de apontar à alguém, fará de você
conhecedor de si mesmo e um modificador do seu "eu". Como na historia
de Narciso, quando este se enfeitiçou com seu próprio ego, devemos
moderar o que temos dentro de nós, saber filtrar e extrair o que temos
de bom para ser distribuído de forma isonômica.

Saibam que aqueles que mais precisam de nosso amor são os mesmos que
nos provocam dor. Mas o homem, com o ímpeto da ira, não observa que
todo sofrimento, toda dor possui um propósito de modificação interna.

Mas como amar a quem quer me destruir?

Amar não significa ficar "incangado" de beijinhos e abraços, o amor
vai alem disso. O amor, quando puro e verdadeiro, possui varias
manifestações, tendo como principal o perdão. Perdoar com o coração,
com sentimento, com verdade, prolifera o amor no universo, limpa seu
coração e sua alma. Exala fluidos no cosmos, poucos sabem e quase
ninguém ve, mas o amor é como a radiação solar, ultrapassa barreiras e
atinge infinidades de pessoas que clamam por este sentimento.

O perdão é uma das maiores ferramentas do amor, que nesta se inclui a
tão falada caridade. Mas, apenas, o perdão verdadeiro, aquele dar com
o coração, sem o propósito de troca ou de recompensa. O perdão é como
a água em um ferro quente.

Como posso fazer para dar amor a quem precisa?

A maneira mais simples de espalhar o amor é pela humildade. Saber
reconhecer o próximo de forma igual, sem superioridade, sem ego ou a
soberba causada por bens materiais.

É na distribuição de um sorriso para aqueles que se encontram
entristecidos com as suas dores. É dar um bom dia para aquelas pessoas
que estão invisíveis para a grande maioria. É dar a mão para os que
clamam por ajuda para se reerguer. Trata-se então, do amor humanitário
empregado pelos avatares que na terra passaram.

É necessário sabermos o significado da palavra "amor", pois está
chegando o momento de aprendermos a distribui-lo e fazer com que deixe
de ser apenas uma simples palavra escrita no papel, pois palavras
escritas podem ser apagadas.

Saibam ver, enxergar o que está em volta, escutar a voz do tempo,
decifrem as mensagens que a natureza está transmitindo, escutem as
palavras dos sábios.

Orem em prol da humanidade e da paz, atuando com o direcionamento de
ajudar, não contribuindo com o ego e a soberba daqueles que se acham
superiores.

Seus trabalhos no campo da espiritualidade dependem disto e a
transformação começa dentro de cada um.

Pai João D'Angola 17/12/2015.

Psicografada pelo médium F.A.A.F.

**********************************************************************
Abaixo coloquei o significado de algumas palavras para não ficar
dúvida.


Isonômica: Igualdade de direitos.

Incangado: A mesma coisa que estar junto, estar próximo.


    A mensagem foi dada. Leiam e reflitam.


"Todas as palavras que vem para esclarecer aos filhos com falta de
humildade no coração, são palavras de Zambi." (Vovô Rei Congo)

    Esses dizeres foram de nosso amado Rei Congo, ao resumir a sua
autorização dessa divulgação.


Que Pai João D'Angola abençoe a todos!

Carlos de Ogum.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Viemos pra Evoluir, Não pra nos Rebelar



 

 Nosso Senhor Jesus nos disse em seu belo Sermão da Montanha: "Quem tem fome e sede de justiça será saciado".

Essa frase, parece uma coisa muito simples, que ao vermos tantas malignidades no muito, isso não passa de ilusão e alusão a uma Justiça Divina que não existe, mas, existe sim. Ao contrario do que muitos pensam nós não somos livres pra escolher a nosso bel prazer não. Nossas escolhas estão sempre entre o que nos é mostrado e entre os caminhos que serão bons ou ruins pra nós mesmos. Na verdade nós nem somos livres nem escravos, estamos em um caminho evolutivo que nos levará com sucesso em nossas escolhas a liberdade plena ou com ruína a prisão. Veja que citei nossas escolhas. Mas, essas escolhas têm que ser dentro de um contexto de um projeto espiritual que cada um de nós está inserido. Não pense que somos vagabundos do astral que viemos aqui pra pintar e bordar como se a Terra fosse um parque de diversões. Estamos sim embaixo de regras de Leis e de Ordens Maiores.

 

Que ridículo seria se o Arquiteto do Universo criasse tudo com tanta perfeição e simplesmente abandonasse sua obra deixando apenas a cargo do Carma e fosse tirar ferias! Esperando o Homem quando ele bem entender se acertar por conta própria.

 

Bem, os mais fortes engolindo os mais fracos e os inocentes sempre sendo massacrados e ai o Criador só olhando tudo passivamente sem se envolver. Bom, o que seria de nós com o surgimento de Anticristos, como Adolf Hitler, sem defesas e sem proteção espiritual. Aí, você vai dizer que foram os exércitos aliados que venceram os tiranos e que isso foi o próprio homem que deu jeito na bagunça. Não foi não. Tudo vem de cima, a organização seja de que exército for, vem de cima.

 

Na verdade, nós não somos fantoches na mão de Deus, porque ele não é um manipulador ou ditador, mas, também não é um pai desnaturado que abandona seus filhos. Veja que todos nós estamos debaixo de leis de homens e que vivemos tendo que pagar impostos, cumprir constituições e tudo mais. Veja lá se iríamos viver sem regras em termos espirituais! Na verdade, apenas somos livres para optar se obedecemos as Leis ou se seremos anarquistas do Sistema Evolutivo. Também não poderemos nos esquecer de um terceiro elemento, o Mal, personificado em Satanás, além dos outros dois fatores que são. Nossas próprias Leis pessoais, nossa Moral e Ética, como as Leis Divinas Maiores.

 

Veja que mesmo sem interferir diretamente ou visivelmente a Hierarquia Superior nos conduz a um processo depurativo e degradativo. Nota-se tudo isso em nossas células que vão morrendo a cada dia até nosso sistema orgânico morrer completamente. Lembre-se da diferença de uma criança de oito anos e uma mulher de 80 anos. E a prisão pior a que todos nós passamos que é sair de um útero protegido e entrar no final em um caixão horroroso pra sermos comidos por vermes. Mas, não ficamos presos nesse corpo apodrecido, porque a Misericórdia Divina nos faz transcender e o Espírito continua vivo. Se não fosse a organização do Astral Superior estaríamos a mercê da morte, tanto física, quanto espiritual e estaríamos perdidos. Veja que em termos de limpeza espiritual os Senhores Omulu e Obaluaê cuidam com todo carinho dos cemitérios, dando toda atenção aos entes queridos que já faleceram e encaminhando seus espíritos ao Astral Superior.

 

Não pensem vocês que somos livres pra fazer o que queremos sem arcar com as consequências, podemos até renegar nossa missão, abrir mão de nossos dons e não usufruir de nossa mediunidade, mas, isso terá um preço. É por isso que os Presídios, Hospícios, Hospitais e outros lugares horríveis e necessários, estão repletos de excluídos do sistema. No entanto, mesmo com estas escolhas errôneas, o Astral com sua imensa Caridade não nos abandona e aí entram os Exus, Pombas Giras e outros mensageiros também da parte da Luz trabalhando em prol da eliminação do carma.

 

Que Olorum ilumine a todos a viver em paz com seu Eu Interior e Superior.

Por Carlinhos Lima

Vida após a Morte - Numa Visão Umbandista


Em primeiro lugar o que ocorre é a morte de nosso corpo carnal, não morremos, apenas mudamos do plano material para o plano espiritual, sendo assim, continuamos a ser o que éramos antes, com os mesmos defeitos e virtudes.

A irradiação de Pai Omulú, responsável pela paralisação dos seres, envolve o ser e corta o “cordão de prata” que liga o espírito ao corpo, paralisando a vida material. Logo em seguida o ser é envolvido pelas irradiações de Pai Obaluayê, responsável pela evolução dos seres, que o transportará para a dimensão espiritual e para o nível condizente com sua vibração mental.

O seu grau de consciência o ligará ao nível vibratório que ele irá permanecer após o desencarne (cada um no seu lugar de merecimento consciencial).

Alguns podem ser transportados para as colônias espirituais para o refazimento , outros se mantém junto ao corpo físico, pois, por não acreditarem  em vida após a morte, mantém seus mentais presos a vida material, ou ainda, por suas baixas evoluções, presos as pessoas e vícios que aqui deixaram.

Por não conseguirem mais, sem o corpo físico, absorver o prana (energias), os espíritos de baixa evolução continuam a sentir fome, sede, dores, sono e falta de seus vícios (fumo, bebida, drogas, sexo) e não conseguem se reequilibrar, vão negativando mais seus mentais, caindo cada vez mais de níveis vibratórios.

Estes espíritos são chamados de EGUNS , embora no Candomblé todos os espíritos de pessoas desencarnadas são Eguns, inclusive nossos Guias Espirituais, pois já estiveram encarnados na terra.

Muitos são os trabalhadores espirituais que ajudam de diversas maneiras estes espíritos, primeiramente tentam esclarecê-lo das verdades espirituais e encaminhá-lo para colônias de tratamento, se não conseguem, aguardam que este espírito adquira um maior grau de consciência para tentar nova investida.

Os acessos destes trabalhadores aos planos negativos são feitos pelos Exus que trabalham para a Lei naqueles níveis vibratórios, executam as ordens do Alto fazendo com que aqueles seres expurgam todos os seus vícios e se libertem, tomando assim consciência dos seus erros, faltas e vícios.

Salve o Espiritualismo, Salve o Espiritismo, Salve todos os Trabalhadores do Bem

Início Mediúnico na Umbanda

   
O grande medo de todo médium que inicia sua caminhada na Umbanda é o da incorporação consciente. Nove entre dez médiuns sentem-se inseguros em suas primeiras incorporações. 

É muito comum ouvirmos frases do tipo “Eu vejo tudo, não posso estar em transe”. A culpa dessa dúvida que assola nossos terreiros é dos próprios dirigentes que não esclarecem aos iniciantes como é esse processo e dos irmãos mais antigos que insistem em dizer que são totalmente inconscientes, talvez para valorizar a sua (deles) mediunidade ou com medo de serem tachados de mistificadores. 

Acalmem-se todos! Há muitos anos as entidades deixaram de usar a inconsciência como fator preponderante para o bom trabalho exercido pelo médium. Muito pelo contrário, hoje sabemos que noventa e cinco por cento dos médiuns são conscientes ou semi-conscientes. A inconsciência completa é muito rara e pouquíssimas vezes revelada, justamente para não causar essa insegurança tão presente em nossa religião. 

Pensemos no exemplo da água misturada ao açúcar. Quando adicionamos um ao outro teremos um terceiro liquido inteiramente modificado, mas com ambos os elementos nele. Assim se processa a incorporação, a mente do médium aliada à energia gerada pela entidade que se aproxima , unem-se em perfeita harmonia e conseguem, utilizando os conhecimentos de ambos, um trabalho mais compacto e correto. Não se acanhem em dizer que são conscientes, pois a insistência dessa postura pode levá-los a falhas que aí sim, darão margens à suspeitas de mistificação. 

Nos primeiros anos da Umbanda havia a necessidade da inconsciência, os médiuns tinham vergonha de entregar-se ao trabalho sem reservas. Como deixar que um espírito se arrastasse pelo chão falando como criança? Ou ainda sentasse em um banco com um pito na boca? Eram atitudes que assustariam o aparelho e o levariam a afastar aquela entidade. Com a evolução constante da lei, todos conhecem perfeitamente as capas fluídicas que nossas entidades usam e não existe mais a necessidade delas esconderem de seus médiuns a forma com que se apresentam. 

O cuidado a se tomar nos terreiros cabe aos dirigentes com informação e doutrina abundante para que o velho fantasma da insegurança se afaste de vez de nossas casas.

Por Luiz Carlos Pereira

Formação Religiosa Infantil na Umbanda



A importância da formação religiosa infantil desdeos tempos imemoriais, a humanidade procurou registrar pela escrita osacontecimentos, idéias, ensinamentos, experiências e símbolos que marcam a suapassagem pelo tempo. As civilizações extintas continuam a falar através dosdiversos tipos de escrita que deixaram.

Este foi o problema com a memória de nossa Umbanda:pelo menos 1000 anos de tradições africanas, se perderam com a escravidão no Brasil.Somente com a popularização de nossa religião e com a luta contra o preconceitoconseguiremos ser respeitados pela má informação.

Hoje temos mais facilidade para falarmos de Umbandae de cultos afro-brasileiros que no passado. Portanto, maior responsabilidadecom nossas crianças, podemos torná-los atuantes em nossas vidas e aprofundá-losnos ensinamentos em comunhão com nossos irmãos.

Vamos incentivar o hábito da boa leitura nasnovas gerações, especialmente em leituras que impulsionem o progressoespiritual.

A formação religiosa infantil pode:

• Promover o desenvolvimento sadio e integral dacriança

• Proporcionar o gosto pela vida em fraternidade,em condições de relacionamentos consigo e com as outras pessoas.

• Sensibilizar a criança para as questõessociais, culturais, políticas e econômicas, despertando uma visão crítica darealidade.

• Despertar o espírito de liderança.

• Despertar o compromisso religioso, na vivênciada espiritualidade umbandista, cultivando o espírito da meditação.

• Despertar para o relacionamento construtivo davida familiar.

Sugestões para criar uma boa aula:

Cada lenda de Orixás oferece uma infinidade demateriais para pesquisa que podem ser adaptadas conforme a idade e a série:

• Utilizar-se de instrumentos musicais compontos cantados para contar a história.

• Pesquisar e construir outros instrumentosafricanos (sucata, maquetes de terreiros)

• Destacar palavras que apareçam no textopesquisar em dicionários e criar outras histórias utilizando-se das palavrasafricanas.

• Criar um banco de palavras de origem africana,ensaiar encenações das lendas, corais de pontos cantados.

• Elaborar explicações simples do ponto riscado.

• Preparar receitas de comidas de Orixás paradegustar com os alunos.

Para o desenvolvimento da aula:

• Fazer um estudo da realidade: levantamentosobre as religiões afro existentes no Brasil e identificar suas origens o mesmofazer com a religião de umbanda

• Correlacioná-las com fatos históricos,entrevistas com Pais-de-santo, Ogãs, Médiuns, Cambones,... E fazerlevantamentos bibliográficos.

Diagnóstico e resultados:

• Exposição dos resultados conquistados pelosestudantes.

• Criar uma graduação para a criança dentro datenda (assim como: cambono mirim, curimba mirim...)

Muitas vezes não damos conta da importância dapalavra em nossas vidas, às vezes, pela pressa, às vezes pela calmaria. Não hádepressão que resista a uma boa leitura, a uma boa conversa.

Pense nisso, os Orixás agradecem.

Umbanda e Caridade


Dizem por aí que a Umbanda não é caridade! Que énormal se cobrar pelas palavras amigas de um Preto-Velho, pela energiarevigorante de um Caboclo, pela pureza de uma Criança ou pela proteção de um Exu.Que devemos cobrar pelo que nos foi dado gratuitamente.

A mediunidade é um dom, mais que um dom, umpresente divino. Uma forma de atingir o coração das pessoas mais necessitadas elhes encher de carinho e segurança.

Afinal, a Umbanda também é amor! Amor pelosencarnados e pelos desencarnados.
Amor por ajudar aos necessitados. Amor pelacaridade, pois a Umbanda é acima de tudo amor pela caridade!

Desde que foi revelada pelo Caboclo das SeteEncruzilhadas, a caridade foi colocada como alicerce da Umbanda. Pois a Umbandaé louvação à Deus. E Deus é amor e caridade. E todas as entidades que estiveremdispostas a trabalhar em prol da humanidade terão seu lugar em um verdadeiroterreiro de Umbanda. Afinal, a Umbanda é serviço prestado ao próximo, é seesquecer do orgulho humano e aprender a ser humilde. Aprender a respeitar osofrimento alheio como se fosse o nosso próprio sofrimento.

Ser Umbandista é ter sempre o coração aberto aonovo. Pois a Umbanda é filha do preconceito, e na Umbanda não se deve existirdiscriminação. Somos todos iguais! Em gênero, cor (todos somos da raça humana)e classe social!

Na Umbanda não há distinção entre os encarnados enem entre os desencarnados. Afinal, somos todos filhos de Deus. E todosmerecemos ser tratados com amor e dedicação.

Na Umbanda todos temos o direito de buscar e obtero auxílio necessário para nossa evolução. Pois evoluir é necessário. E não hámeio melhor de se evoluir do que coma prática da caridade, do que sendocaridoso. Como diz Pai Pery, “fazer caridade é importante,ser caridoso com oirmão é essencial”. Ser Umbandista é ser caridoso!

Então meus irmãos, não se iludam! Não se deixemenganar por quem diz que devemos pagar para obter auxílio em um terreiro deUmbanda. Não se deixem enganar por quem diz que a Umbanda é uma fábrica dedesejos e lhes promete tudo com prazos. Pois a Umbanda, também é merecimento.

Seja caridoso meu irmão, e então serás Umbandista.Umbandista de corpo, alma, mente e coração.

Umbandista a serviço da caridade.


Por Matheus Zanon Figueira  - Centro Espiritualista Caboclo Pery

Quatro Aspectos da Mediunidade Sem Instrução



O estudocontínuo dos assuntos relacionados à mediunidade na Umbanda remove dentre seusseguidores dezenas, quiçá centenas, de crendices, costumes e hábitos que têm semostrado nocivos à própria Religião. Muitos umbandistas têm uma visão deturpadado que significa o dom mediúnico em suas vidas e dentro dos terreiros. Centenasde adeptos desenvolvem uma mediunidade repleta de entendimento errôneo,suposições equivocadas e vícios comuns a pessoas que pouco, ou quase nenhum,acesso têm à informação. Muitos desses equívocos são provocados justamente pelodesconhecimento. Os maus hábitos acumulam-se ao longo do tempo e transformam-seem vícios que necessitam de tratamento imediato. Os erros acontecem aos montescausando muito desconforto aos Caboclos de Aruanda, que vez por outra precisamintervir para remediar a situação. A culpa de tais problemas poderia seratribuída a muita gente: Chefes de Terreiro despreparados, médiuns afoitos oude pouca instrução, seguidores pouco compromissados com a religião, dirigentesdesinteressados e até mesmo Espíritos desencarnados causadores de demandas. Arealidade mostra, porém, que a maior causa de todos os problemas que afetam amissão do umbandista é unicamente a falta de estudo. Sem o mínimo conhecimentode tudo o que envolve o mecanismo da mediunidade, assim como em muitos outrosaspectos da vida comum, os erros grosseiros e infantis acontecem em profusão. Amediunidade, a partir de uma prática sem base teórica, tende a ser conduzidacomo um brinquedo nas mãos de infantes.

Amediunidade não é superstição. Partindo da premissa de que deve ser exercitadonuma perfeita união entre a Fé e a Sabedoria, o dom mediúnico transforma-se emvalioso instrumento de propagação das verdades espirituais. De outra forma, amediunidade equivocada é conduzida do mesmo jeito como o adivinho faz com asentranhas de um animal. Não há verdades. Tudo é subjetivo e enganoso. Faltaciência e sabedoria.

mediunidadesupersticiosa transforma os Guias Espirituais em oráculos domésticos,onde os mais ínfimos problemas de ordem inferior são levados em conta. Assim, oPreto Velho passa a ser o informante da traição de um marido ou do futuroeconômico de um filho carnal. O Caboclo, por sua vez, transforma-se em ajudantefiel dos negócios ou aquele que vai vencer um inimigo de desafeto. Na mesmaproporção, o Exu abandona a condição de Guardião e assume o papel de vingadorferrenho, ou um escravo à disposição do médium. A Pomba Gira, sob a mesmaótica, é tida como uma prostituta arrependida e por isso mesmo obrigada aarranjar parceiros para pessoas de moral duvidosa.

Amediunidade não é show pirotécnico onde o que se vê são rápidos e ilusórioslampejos de brilhos multicoloridos. O médium sem instrução transforma o dom emótimo artifício na exibição de espetaculares manobras que mais chamam a atençãodos curiosos e dos seres trevosos do que dos Espíritos de Luz. Assim, tudo éespantoso e deslumbrante. Todos os gestos do médium em transe são inchados deexageros. Todas as receitas de oferendas são idênticas às listas de um estranhoguisado. Os pontos riscados transformam-se numa mandala confusa de desenhos erabiscos infantis sem fundamento. As brancas vestes sacerdotais assumem aaparência de fantasias carnavalescas em que imperam o luxo, a vaidade e oexibicionismo.

Na mediunidadepirotécnica, vale mais a grosseira presença física do médium do que asuave e discreta participação dos Guias de Luz. O Preto Velho se esconde, oCaboclo se afasta, o Exu ri do fanfarrão e o médium se exibe. Neste tipo decondução da mediunidade há uma completa falta de força espiritual, pois a carneassume todas as funções do medianeiro e o animismo, a mistificação e a charlataniceestão em primeira linha.

Entre tantasformas de se exercitar a mediunidade há também a que leva em conta a ascensãosocial do médium. É a mediunidade interesseira.

mediunidadeinteresseira é aquela em que as reais intenções do indivíduo são quasedesconhecidas. Há muitos interesses em jogo, e o principal é o de “subir” navida. O médium intenciona ser aplaudido, então usa a mediunidade para chamar aatenção da platéia. O médium quer obter dinheiro de forma menos trabalhosa,então comercializa o dom. Se tem interesse em reconhecimento público, entãotransforma a mediunidade em degrau para a subida aos palanques políticos, aospalcos da mídia e aos púlpitos das câmaras e agremiações. Tal como o médiumpirotécnico, o médium interesseiro quer aparecer, mas com o fim certo de obteralgum rendimento financeiro.

Nesse tipode mediunidade, o indivíduo não se envergonha ao “pedir” o pagamento peloserviço prestado. Seu rosto não enrubesce quando dita o valor daquilo quevergonhosamente chama de caridade. Se precisar usar uma máscara, certamente ofará. Mas, em seu tempo, lançará por terra a fantasia e mostrará sua verdadeirae tenebrosa face. Como o lobo entre os cordeiros.

mediunidadeignorante é exercida pelos que verdadeiramente têm grande aversão aoestudo e à meditação. Nessa modalidade, o médium conscientemente classifica oestudo contínuo como algo desnecessário. Acredita que somente as instruções dosCaboclos já são suficientes para que ele seja um grande instrumento daComunidade Espiritual. A leitura, a pesquisa e o conhecimento dos mecanismosmediúnicos são coisas sem importância na visão dos ignorantes.

Neste caso,o médium não se importa em cometer diversos absurdos em nome de Deus, pois nãohá o conhecimento do que realmente é a vontade divina. Fala, mesmo usandoconversações aparentemente profundas, do mesmo jeito como discursa um simplescamponês acerca do universo astronômico. Age sempre de forma impensada, aindaque com a maior boa vontade. Suas ações são completamente sem método, critérioou planejamento. Tem uma visão do mundo espiritual como seus antepassados queoutrora atribuíam ao relâmpago um castigo dos deuses ou aos abalos sísmicos umademonstração da ira divina. Na mediunidade ignorante quanto menos se estuda,mais se erra.

Serinstrumento da Espiritualidade Maior é uma benção recebida por muitos. Porém,como qualquer instrumento necessita de um aprimoramento e de ajustesconstantes, assim é o médium de Umbanda a serviço dos Caboclos e Pretos Velhos.
Não basta ter mediunidade. Mas, é importante que esta seja útil aos interessesdo Criador, pois todo médium é um depositário da confiança de Deus. Para serútil, a mediunidade tem que estar firmada nas instruções que vêm do Alto.

Bom seria setodos os médiuns aplicassem a sabedoria e o conhecimento no aperfeiçoamento damediunidade e se o estudo continuado fosse uma prerrogativa para um perfeitoministério mediúnico.
Julio Cezar Gomes Pinto - Diretor-Presidente da Casa de Caridade SantoAntônio de Pádua

Meu Orixá é melhor que o Seu!


Resultado de imagem para orixa

“MEU ORIXÁ É MELHORQUE O SEU”. Quantas vezes nós já ouvimos esta afirmação de nossos irmãosUmbandista ou até mesmo daqueles que têm afinidade com a Umbanda? Mas, o quemais me assusta, como sempre, são os comentários feitos muitas vezes por nossosirmãos praticantes de nossa Religião. O meu susto não pára apenas na frase, ouseja, no conteúdo destas palavras, mas no tom de voz que é utilizado e apostura muitas vezes “arrogante” de alguns irmãos. Na minha visão, estamosprimeiramente desrespeitando os Orixás e na seqüência estamos nos achandosuperiores ao nosso próximo, coisa esta que é tipicamente nossa.

Vamos lembrar quetodos os Orixás estão vivos em nossa coroa e em nossas vidas, mas observe queestamos falando de Orixá, O Dono da Cabeça, seres supremos, logo não existemdivergências e tão pouco estrelismos ou melindres, como nós temos.

O assunto é tão sérioque já ouvi pessoas sendo filhos (as) de Omulú dizerem que sentem “vergonha” desua coroa, porque seu Pai é um Orixá “ancião” ou porque, para alguns, elecarrega o símbolo da morte. Com isso, aparecem os piores comentários: “Nossa!Então se sou filho de Omulú eu vou morrer? ”Sim, todos nós vamos um dia.“Nossa! Então eu sendo filho de Omulú eu posso matar qualquer um?” Não, a menosque goste de ficar em uma penitenciária respondendo um processo criminal.

Da mesma forma quetem àqueles que rejeitam temos também os médiuns, enchendo a boca para dizer:“Sou filho (a) de Oxum” ou “Sou filho (a) de Xangô”, etc.. Em alguns casos temo complemento: “Meu Orixá é melhor e mais forte que o seu”. Acredito que nosdois casos, tanto no desprezo / vergonha, bem como na “Idolatria”, são cenáriosde uma enorme falta de respeito com os nossos Pais e Mães Orixás.

Por que temos quesentir vergonha ou desprezar o Orixá que está em nossa coroa ou na coroa denossos irmãos? Por que muitos chegam a mentir com relação àqueles que regem suacoroa? Se todos os nossos Pais e Mães Orixás são Sagrados, por que rejeitamos oSagrado? Por que desprezamos o Sagrado que nos escolheram e estão nosprotegendo?

Não podemos fazercomparativos entre as forças dos nossos Orixás, dizendo que “o meu é melhor queo seu”, porque todos têm suas funções, ações, forças, estruturas, realizações,qualidades, etc.. O que seria da força de Ogum, para abrir os caminhos, se nãoexistisse a força de Omulú para paralisar ou finalizar os pensamentosnegativados demandados contra nós? O que seria da geração de Yemanjá, provendocondições melhores em nossas vidas, se Nanã não decantasse as nossas frustrações?

Com estesquestionamentos, como podemos afirmar que o “Meu Orixá é melhor que o seu”?Todos nossos Pais e Mães Orixás têm suas qualidades e se completam em umagrande força quando unidos, formam um TUDO e um TODO onde podemos, ainda,visualizar que existe um relacionamento e até mesmo uma “dependência” naatuação de um para o outro. É uma visão muito pequena achar que o Orixá querege a minha coroa e muito mais importante do que o que rege a coroa do meuirmão.

Em primeiro lugar,nós somos escolhidos por nossos Pais e Mães Orixás. Em segundo lugar, TODOS nóstemos uma missão para cumprir e os nossos Pais e Mães Orixás estão nosauxiliando nesta caminhada, tarefa, esta, que é bem difícil para Eles.Geralmente ficam nos mostrando os caminhos que devemos percorrer, bem como, oque devemos fazer, mas na maioria das vezes não escutamos, não percebemos e nãosentimos, pois estamos tão preocupados com nossos “pobres” pensamentos julgandoos Pais e Mães Orixás de nossos irmãos, achando que podemos ser maisimportantes ou melhores só por que não temos o mesmo Orixá na coroa, que nãoconseguimos perceber ou ouvir o que eles estão tentando nos mostrar ou dizer.

Então meu irmão, nãose sinta mais ou menos importante diante daquele que possui um Pai ou Mãe Orixádiferente do que possui em vossa coroa, sinta sempre o Orgulho de ter sidoescolhido por Ele e por Ela, deixe que as essências de vosso Pai e Mãe Orixáatuem em vossa vida. Não pratique a difamação dos Sagrados, não se esconda davossa essência, não vire as costas para àqueles que lhe escolheram como filho(a). Sejamos no mínimo, bons filhos (as), respeitando e cultuando as forçasdaqueles que nos sustentam.

Não digaO MEU ORIXÁ É MELHOR QUE O SEU, mas
Diga assimOS NOSSOS ORIXÁS SE COMPLETAM NA ESTRUTURA DE DEUS.

                         
             Por Danilo Lopes Guedes