quinta-feira, 7 de abril de 2016

A umbanda não é um show


Quando eu digo que a Umbanda é uma religião abarcadora de consciências, significa que suas portas estão constantemente abertas para todos.
A Umbanda não é discriminatória e no movimento umbandista sempre existe um terreiro em que nossas almas se harmonizam, adequado ao nosso nível de consciência e preparado para desenvolver o nosso reencontro com o Sagrado.
É verdade, que no primeiro momento, muitos procuram a Umbanda para tentar sanar os seus males, sejam eles de origem material, física e objetiva (saúde, dinheiro, emprego, amor, causas as mais diversas etc.), sejam as espirituais e subjetivas (mediunidade, saúde, distúrbios psíquicos e psicológicos, demandas etc.).
Para isso, em dias de reuniões nos terreiros, a maior parte do tempo é dedicado aos trabalhos mediúnicos. Os médiuns incorporam as entidades espirituais e essas realizam o atendimento ao público presente. Esse atendimento visa também a prática da caridade do ouvir, do deixar falar e desabafar, da palavra e do ombro amigo, da mão estendida, do conselho e da orientação proporcionada pelos caboclos, pretos-velhos, crianças, exús entre outros.
Nas reuniões o material vai ao encontro ou serve de instrumento ao espiritual, o visível se conecta ao invisível, objetivo e subjetivo se completam e encarnados e desencarnados se comunicam. As palavras-chaves servir, conexão, completude e comunicação conseguem cumprir os seus significado nas reuniões em um terreiro, se existirem a contra-partida dos trabalhos espirituais. E trabalhos espirituais em 99,9% dos terreiros do movimento umbandista acontecem com médiuns incorporados e entidades atendendo alguém.
A gira mediúnica é o auge ou o clímax de uma reunião umbandista que é dividida em três momentos básicos a saber: abertura, momento que se evocam as forças e entidades espirituais e se invocam as bençãos, proteções, pedidos e auxílios; a gira mediúnica, instante em que os médiuns incorporam as entidades espirituais para atendimento ao público; encerramento, ou seja, o término da reunião, em que se agradece a assistência das forças e entidades espirituais.
Os ritos e liturgias utilizadas nas reuniões do movimento umbandista, variam de terreiro para terreiro, assim, como também, pode se diferenciar a decisão de como se processa a gira mediúnica, que tipos de entidades se fará presente e como deverá se proceder o atendimento ao público. Isso acontece, por que os terreiros são células religiosas que se adequam a coletividade que os rodeia, oferecendo dentro de um determinado padrão mínimo, os ritos, as liturgias, as manifestações espirituais que mais afinizem com os adeptos e o público que frequenta determinada casa.
Abarcar consciências é isso, atender as necessidades espirituais essenciais do indivíduo, mesmo que este processo se inicie por resolver suas necessidades materiais básicas, permitindo um equilíbrio mínimo da sua existência. Proporciona-se assim, condições estáveis a alma para realizar vôos evolutivos mais altos e abrir sua consciência a entendimentos mais profundos e finalmente se religar a Deus.
Através do que já discorremos, podemos chegar a conclusão que o atendimento ao público é o objetivo primordial de todas as reuniões de um terreiro. As pessoas que se encaminham a uma casa espiritual umbandista, possuem expectativas, estão ansiosas para encontrar a solução de seus problemas, desejam sair dali pelo menos reconfortadas, com esperança etc. O público, portanto, deve ter um tratamento especial por parte dos dirigentes, dos organizadores e do corpo mediúnico da casa.
Tudo deve ser voltado para se fornecer um bom atendimento ao público presente. Devem ser bem recebidos, encaminhados a um local apropriado para assistirem a reunião, informados de como se processará o andamento da mesma, como deve ser o seu comportamento durante os trabalhos, em qual momento e como devem se dirigir aos médiuns incorporados, se houver necessidade de se retirar antes da gira terminar como fazê-lo, devem também ser indicados a eles os banheiros, aonde beber água etc. É de bom tom, que o dirigente em algum instante na abertura, faça uma pequena e rápida preleção (palestra) trazendo para o público, informações, avisos, ensinamentos e doutrina.
Na gira mediúnica devem incorporar somente os médiuns que já tiverem mais experiência e estejam, como dizemos comumente, mais bem afirmados com suas entidades. Desenvolvimento mediúnico deve ser uma reunião a parte e fechada ao público. Após todos os médiuns incorporarem, os cambonos (pessoas que dão assistência as entidades espirituais e ajudam na organização durante a reunião) devem encaminhar o público para o atendimento.
O restante do corpo de adeptos, que não estiverem incorporados, devem sustentar a gira dos que estão em trabalhos mediúnicos através dos cânticos, de bons pensamentos e intenções. É necessário, que se mantenha o bom nível vibratório, para que os trabalhos espirituais aconteçam em segurança e bem equilibrados. Todo o público deve ser atendido, sem exceção.
Uma reunião umbandista é algo bonito de se ver, os cânticos, os tambores e outros instrumentos formando um conjunto harmonioso de sons, a batida das palmas, os fardamentos, as guias coloridas, a decoração do ambiente, as imagens e símbolos do altar e mesmo a forma como se processa os ritos e liturgias enche os olhos e ouvidos de quem vem participar. Visual e som somam-se a um sem número de detalhes para permitir a harmonização de todos os presentes, mas tudo isso não é um espetáculo, nem uma encenação para agradar o público.
Muitas casas umbandistas se ressentem pela existência de muito pouco ou quase nenhum público. Geralmente são sempre as mesmas pessoas que se repetem em todas reuniões. Quando tem a casa lotada sempre é por ocasião de festas, comemorações e louvações especiais. O terreiro já tem lá seus anos de existência, é um local bem decorado, limpo, asseado, de ambiente agradável e bastante arejado e iluminado. Os adeptos presentes em grande número, com um fardamento impecável, guias coloridas no pescoço e todos os adereços e material de trabalho de suas entidades. A reunião tem todo um processo organizado, bem estruturado, desde a abertura até o encerramento. A hierarquia da casa é plenamente identificada, pais e mães pequenas, cambones, tambozeiros etc., no entanto, cadê o público? Ou mediante as essas condições por que ele não é em grande número?
Diversos fatores contribuem para que tais fatos ocorram dentro de um terreiro:
a) Nas giras mediúnicas os médiuns trabalham para si mesmos;
b) Os médiuns incorporados se amontoam em frente ao tambor, em uma disputa para quem passa [cantar a curimba (ponto-cantado)] primeiro com a entidade;
c) Muitas vezes, existem guerras particulares, em que médiuns incorporados tentam demandar uns aos outros;
d) Ausência do Pai/Mãe-de-Santo na reunião, e quando presentes sem tomar as rédeas dos trabalhos na mão, nem uma iniciativa, nem participação a não ser ficar sentado olhando tudo acontecer como o público que ali se faz presente;
e) Sim, o público, porque se eles não tiverem iniciativa própria para falar com alguma entidade, terminam a reunião como iniciaram, apenas asistindo e nada mais;
f) Entidades tolhidas (impedidas) de fazerem quaisquer trabalhos espirituais, que não sejam apenas, falar com o consulente e no máximo aplicar-lhe um passe. Já que todos os trabalhos devem ser direcionados para o dirigente através de se provocar uma consulta particular;
g) Todos os médiuns trabalham, independente de sua condição de já estarem preparados o suficiente para dar consultas;
h) Giras mediúnicas confusas, barulhentas, com bebida alcoólicas em excesso, tambor sem ritmo ou acelerado demais, adeptos tendo que gritar mais alto para poder cantar as curimbas, entra-e-sai de filhos-de-santo, conversas o tempo todo entre os que estão na corrente segurando a banda etc.
Eis, meus amigos o que ocorre quando o objetivo da Umbanda se perde, num jogo de interesses e má condução, quando o dirigente perde o gosto pelas reuniões de sua casa em troca de questões extra-religiosas. O terreiro fica sem dono ou com várias pessoas querendo ser dono dele.
Ah! O público, sim, afinal é ele a nossa principal preocupação e da Umbanda, se os adeptos tem outras formas válidas de conseguirem a sua harmonização, o seu religare e conhecimentos, ao público só resta este contato momentâneo que as reuniões proporcionam.
Em situações como eu relatei, ao público, geralmente leigo e incapaz de identificar esses problemas, se perguntado porque ele frequenta este terreiro a resposta será: "É porque eu acho bonito!".
Amigo leitor, tenha certeza, a Umbanda não é um show!


Necessidade x vaidade x humildade

Não está acontecendo um exagero de vaidade na Umbanda (não da religião, mas dos adeptos)?
Entre muitos aspectos, podemos citar como exemplo a vestimenta e os paramentos: quando o médium tem uma entidade ou outra que usa um apetrecho de trabalho (um chapéu, um lenço, uma bengala ou mesmo outro elemento), nota-se que a necessidade desse material é do guia, ou seja, aquele espírito usa o chapéu, o lenço etc. para realizar seu trabalho, dentro do seu fundamento.
Mas, quando TODAS as entidades que trabalham com o mesmo médium, ou todas do mesmo terreiro (mesmo em médiuns diferentes) precisam se paramentar, não seria mais coisa do(s) médium(ns),  na maioria das vezes semi-consciente(s), do que do(s) espírito(s) atuante(s)?
Na internet, revistas e jornais, podemos ver com facilidade fotos em que o mesmo médium (ou todos do terreiro), quando incorporado(s) apresenta(m)-se da seguinte forma: o baiano está vestido de cangaceiro, com falangeiros de seu Zé Pelintra (não concordo com o termo “linha de malandros”, usado pelos umbandistas mais novos ) usa terno, bengala e chapéu, o boiadeiro parece um capataz ou um coronel fazendeiro, o caboclo se veste imitando um índio (já que o de modo geral, os artigos encontrados, como cocares, não são genuinamente indígenas, e muitos não têm nenhuma semelhança aos paramentos que eram utilizados pelos povos ancestrais de nosso continente, ou mesmo pelos índios atuais), o Ogum veste roupa de soldado romano e tem uma linda espada (se possível, cravejada de brilhantes), o erê traja roupas infantis (macacãozinho, vestidinho colorido etc), o cigano com vestes características do povo (e lógico, quanto mais colorido, melhor), o Exu usa capa, tridente e cartola, o marinheiro usa uma “farda” como se fosse um autêntico capitão da marinha americana, etc. Isso quando não resolvem por um “trono” no meio do terreiro, colocando a entidade numa posição de rei dentro da casa (já existem tronos especialmente confeccionados para Exus e que são vendidos aos “olhos da cara” nas casas de artigos religiosos).
O que vocês acham? Será que existem mesmo médiuns ou casas onde TODAS as Entidades atuantes precisam se paramentar?
Seria coincidência esses espíritos escolherem, todos ao mesmo tempo, esse médium ou essa casa, para se paramentar?
Isso não seria contrário ao principal lema da Umbanda: “HUMILDADE e SIMPLICIDADE” - tão ensinado pelos nossos sábios Pretos-Velhos?
A roupa branca (símbolo de igualdade), aos poucos estaria deixando de ser a FARDA dos soldados do exército do Pai Oxalá, já que até em dias de giras comuns estão usando roupas cada vez mais esplendorosas?
Será que festa de entidade ou orixá precisa mesmo desse luxo todo, deixando, às vezes, um local sagrado como um templo umbandista mais parecido com uma ala de escola de samba, onde todo mundo fica "fantasiado"?
Esse colorido todo não facilita a indução à mistificação, ou no mínimo, ao animismo, já que o médium que gastou tanto dinheiro com toda essa parafernália, não vai querer deixar tudo aquilo guardado?
Ou será que os guias, que sempre foram exemplos de humildade e simplicidade, é que são (ou estão ficando) cada vez mais vaidosos (o que não acredito)?
Irmãos-de-fé, filhos da nossa amada Umbanda: apesar do respeito às diferenças, certas questões poderiam e deveriam ser melhor estudadas ou revistas pelos seguidores do Mestre Oxalá, afinal de contas, a Umbanda veio para dar espaço a todos os filhos do Pai Celestial, principalmente aos simples e humildes (encarnados e desencarnados), muitas vezes não aceitos em outros segmentos religiosos.
Com toda essa parafernália utilizada atualmente,  como os mais necessitados se encaixarão, já que muitos não podem comprar uma “roupa de Exú”, que muitas vezes, custa mais do que eles ganham por um mês de trabalho?
Lembremos que o brilho que devemos mostrar não é no luxo da vestimenta, ou seja, o lado externo, pois tudo isso é ilusório, já que roupa não tem força espiritual. O que realmente importa é a essência divina que existe em cada um de nós, filhos de Deus (encarnados e desencarnados). Esse brilho, que brota no âmago do ser é que deve ser mostrado e melhor ainda, doado, a todos aqueles que necessitam.
Isso sim agrada ao Pai, aos orixás e seus Falangeiros de Luz.
Texto de Sandro da Costa Mattos – Ogã Alabê da APEU – Associação de Pesquisas Espirituais Ubatuba – Templo de Umbanda Branca do Caboclo Ubatuba

A encarnação e o sexo


Pergunta - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher? Resposta: - Isso pouco lhe importa.
O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.
Item n° 202, de “O Livro dos Espíritos”.
A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.
Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.
A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.
A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.
O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.
A face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias.
Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas.
O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins.
E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem.
Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam.
Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual.
E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia.
Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

Psicografia : Francisco Cândido Xavier Livro : Vida e Sexo

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Julgando atitudes


Ignorando a presença dos benfeitores espirituais no ambiente, alguns dos seus médiuns costumavam reunir-se no vestiário do templo para que pudessem colocar o papo em dia, antes de iniciar a sessão de atendimento ao público. Especialmente naquele dia, em alvoroço pelos últimos acontecimentos políticos do país, tendo os noticiários enfatizado a corrupção descoberta dentro do Congresso.
Ninguém é confiável dentro da política, são todos ladrões — comentava um deles.
— Enquanto nós passamos miséria aqui em baixo, lá em cima, eles que têm o poder nas mãos roubam-nos em plena luz do dia — respondia o outro.
— De que adianta pagarmos tantos impostos se o dinheiro é usado para eles usufruírem, enquanto o país padece com a falta de educação, de saúde, de estradas, além do problema da fome?
— São todos ladrões desavergonhados. Roubam milhões e não recebem punição, enquanto o pobre, quando rouba galinha para comer, vai para a cadeia.
— Por isso não sou a favor da pena de morte.
E assim os debates continuavam acalorados, atiçando a raiva e revolta existente no coração de cada um deles. A repercussão daquilo no astral eram emanações energéticas grotescas que se aglomeravam no interior do ambiente que já havia sido preparado pela espiritualidade, baixando a vibração dos médiuns que logo se aliaram a uma faixa de que espíritos afins aguardavam companhia material.
Saindo do local, dirigiram-se à frente do congá, onde foram bater cabeça e fazer a oração de conexão inicial com seus protetores. Ignoravam, porém, que haviam criado campo magnético extremamente grosseiro ao seu redor, tornando-se inacessíveis a espíritos de melhor vibração. Era preciso muito mais que uma prece para que se transmutasse a energia arrecadada.
Na concepção dos médiuns revoltados com os políticos, não interessava o que se pensava ou fazia anteriormente ao início dos atendimentos. Lá dentro eles eram médiuns e aparelhos para os guias, lá fora, homens comuns. Para eles, o importante era cumprir a missão.
Aberta a sessão que naquele dia era gira de preto velho, iniciaram-se as incorporações. Sem entender por que os três médiuns mais antigos da casa não estavam conseguindo se conectar com seus protetores e por que suavam demasiadamente o dirigente os levou até a frente do congá. Imediatamente, nele mesmo manifestou-se um Exú que executou o trabalho de "descarrego" das emanações telúricas que se adensavam acima de suas cabeças, impedindo a conexão que naquele momento se efetuava.
O trabalho seguiu um ritmo normal, e, no final, por intermédio do dirigente da casa, uma preta velha se manifestou para conversar com a corrente mediúnica:
"- Salve os manos da terra!
Um dia o grande mestre Jesus visitou a Terra e deixou aqui gravado seu exemplo de homem bom.
Nunca alguém o escutou mentindo, viu-o roubando ou julgando, mesmo inserido no mundo onde os homens praticavam tais atos.
Foi acusado injustamente, julgado e condenado. Tinha o poder de modificar seu destino se assim o quisesse, mas sabia que nada se ensina senão pelo exemplo, por isso perdoou seus ofensores.
Desceu às trevas antes de subir aos Céus e levou consigo quem mais o havia maculado.
Atualmente, a maioria da humanidade se julga cristã, muitos brigam e se dizem donos da imagem de Cristo, carregam crucifixo no peito, mas poucos seguem seus ensinamentos. Aqui mesmo, neste terreiro, reza-se o Pai Nosso, mas alguns só lembram da última frase que diz. "Livrai-nos de todos os males".
Os filhos da Terra ainda se acham no direito de julgar uns aos outros, quando deveriam ter a preocupação única da reforma íntima. Se estivermos vestidos e calçados adequadamente a chuva não nos molha, mas se sairmos distraídos no temporal, ele pode nos arrastar para a lama. O poder e a ambição, quando desmedidos, corrompem facilmente as melhores estruturas humanas.
Julgar as atitudes do outro pode ser perigoso, uma vez que não sabemos como agiríamos em seu lugar. Todos ainda carregam dentro de seu inconsciente tendências para serem corrigidas, a reencarnação oportuniza esse saneamento. Em cada vida, descerá à consiciência física tudo o que precisa ser arrumado, e nem sempre os filhos conseguem voltar com a casa em ordem. As tentações da matéria ainda assinalam árduo resgate. Corromper-se, no entanto, independe da posição ocupada na matéria, mas de estrutura moral e evolução espiritual, de valores recebidos desde tenra idade e da vontade de melhorá-los dia a dia.
Quem dos filhos nunca desobedeceu a nenhuma lei?
Quem nunca sonegou, mentiu ou pelo menos tentou enganar alguém?
Ladrão não é assim designado pelo tamanho ou pelo valor do roubo, ou é simplesmente porque rouba, seja uma moeda, uma caixa de fósforo, um carro ou um avião. Mentira vai ser sempre da nossa, mesmo que pareça inocente. Tirar vantagem de pequenas coisas denota claramente que assim seria diante de grandes oportunidades. São atitudes com as quais se consegue enganar os homens, mas que ficam registradas na sutileza dos corpos internos de cada um para que, na hora do acerto de contas, o juiz chamado "consciência" possa levar ao tribunal. Os erros dos outros devem servir para que não os incorporemos a nós. Façamos a nossa parte bem feita, a exemplo de Jesus, e repensemos em tudo o que está acontecendo no mundo. Nada nos vem como castigo, mas como reação de nossas ações. Esta é a Lei."
De cabeça baixa, todos encerraram a sessão com uma prece dirigida aos governantes, pedindo sabedoria e paz na Terra aos homens de boa vontade.
(Causos de Umbanda - A psicologia dos pretos velhos - Vovó Benta - obra psicografada por Leni W. Saviscla)
Muitos vêm, alguns ficam, outros vão



A Umbanda é uma religião que acolhe a todos, não faz nenhum tipo de distinção entre as pessoas que atende e, por conta disto, a entrada de pessoas nas correntes é uma coisa normal e constante.
Algumas casas têm critérios para aceitação de novos membros, outras não, mas uma coisa que nunca deveria ser deixada de lado: o Livre Arbítrio das pessoas.
Sou totalmente contra o que alguns dirigentes fazem, semeando o medo em pessoas que “tem mediunidade”, ouvimos muitas e muitas vezes estes dirigentes afirmarem categoricamente que os problemas da pessoa são causados por sua mediunidade “não desenvolvida”, quase que obrigando o ser a entrar na corrente, e o mesmo ocorre quando uma pessoa demonstra o desejo de se afastar da casa, onde veladamente ela é levada a crer que sua vida vai “desandar” por culpa desta decisão. O agravante é o uso da Espiritualidade, dos Orixás e das Entidades, para se fazer estas ameaças, como se fossem eles os responsáveis pelos “castigos” que o “desistente” vai sofrer dali em diante.
Não tenho como acreditar que Entidades de Luz, Forças puras da natureza, vão de alguma forma prejudicar uma pessoa apenas por ela ter feito uso de o seu Livre Arbítrio, ao escolher não participar ou deixar de participar de uma corrente de Umbanda. Logo eles que nos ensinam sempre que o livre arbítrio é um direito que nos foi “concedido” por Deus.
Esta última parte do texto vai diretamente aos dirigentes e para aqueles que aspiram serem dirigentes um dia:
Será que é valido termos em nossas casas pessoas que ali estejam apenas por medo de serem “castigados” pelas entidades, por pensarem que sua vida vai “andar para trás” se não desenvolverem???
A Umbanda precisa sim de médiuns que a amem e que a pratiquem por conta deste amor, só assim a sua essência será mantida.
Por Marco Boeing - Dirigente da ASSEMA

Lições de Vida

Um dia você errou. Errou muitas vezes. Errará muitas ainda.
Procure suportar com caridade os erros dos que o cercam, da mesma forma como quereria que suportassem os seus.
Você se revolta quando não o compreendem. Por que, então, não se esforça por compreender as faltas alheias?
Saiba que tudo o que fazemos contra os nossos semelhantes, quase que como força de retroação magnética, volta-se contra nós. O mal tem poder de se vingar, Às vezes em forma de violenta reação.
Tolere os erros alheios com aquela caridade capaz até de os corrigir.
SEGUIR EM FRENTE
Olhe sempre a vida que Deus lhe deu como uma oportunidade de praticar o bem, de ajudar a seu próximo.
Não pare em meio ao caminho olhando para trás, como a medir o que já fez ou deixou de fazer.
Enquanto estiver preso ao seu passado, bom ou mau, estará deixando de praticar o bem.
Dê a mão a quem dela precise. Uma palavra de amor e de consolo será sempre bem recebida, como benção que vem do Alto. Um sorriso derramado com bondade cura muitos males e alivia muitas dores.
Vá pela vida a espalhar esperança e muita alegria. A recompensa virá depois.
Extraído de "Comece o Dia Feliz" (Reflexões) de J.S.Nobre.
A tristeza dos Orixás

Foi não há muito tempo atrás que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que traz em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas.
Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido - se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás. Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das "guerras", saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu - se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram - se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe "coruja" quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:
— Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? — ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.
— Desculpe, sabe, ando meio ocupado — Respondeu um triste Ogum. —Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste. — É, vim até aqui para "desabafar" com você "mãezinha". Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a " espada da Lei" que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das "supostas" demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles...Estou cansado...
Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida. Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. Não! Infelizmente ele era entendido como o "Orixá da Guerra", um homem impiedoso que utiliza - se de sua espada para resolver qualquer situação.
E logo, inspirados por isso,lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram "quebras e cortes" de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna - se uma guerra de vaidade, um show "pirotécnico" de forças ocultas. Muita "espada", muito "tridente", muitas "armas", pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava:
— Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição.
Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado... Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava - se por sua falange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite.
Logo via - se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia - se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam - se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso...Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói.
Os vícios dos outros, é claro. Um a um, todos foram despindo - se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás. Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam -se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram - se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando - o a figura do Diabo:_ Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável!
— Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá. Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
Espere! — pensou Iemanjá! — Oxalá,Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.E logo Iemanjá colocou - se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou - se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu - se de sua roupa sagrada, pra igualar - se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
— Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de "apenas" prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras "bases de luz" na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir...
Quando Oxalá calou - se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam - se nesse ideal. E aquilo alegrou - os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram - se em amor e compaixão pela humanidade.
Em Aruanda, os caboclos, pretos - velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram - se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás. Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem-aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam - se. O alto os abençoava...
Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. Miríades de espíritos foram retirados do baixo - astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador.
E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou - se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como "armas" para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem - se disso. E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem - se das palavras de Oxalá ditas linhas acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem - se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Honrem - los. Sejam luz, assim como Eles! Exe ê o babá.
Autoria Espiritual: Vovó Maria Conga
Local: Algum terreiro do Bahia
Enviado por Jair do Caboclo Zando


A lenda do peixinho vermelho

No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porem, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante perseguido pela canícula ou atormentado de fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicilio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria a maior massa de lama por ocasião de aguaceiros. Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro. À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:
- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"
Optou pela mudança. Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima. Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança ...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos. Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredos.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e agilidade naturais. Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início, porem, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária. Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações. Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar somente as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou ... e sentindo imensa compaixão daqueles com que convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre amparai-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar. Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros.
Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhes prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente.
Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu noticias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.
O soberano da comunidade para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:
- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas?
Grande tolo! Vai-te daqui! Não nos perturbes o bem-estar ...Nosso lago é o centro do Universo ...Ninguém possui vida igual à nossa! ...."
Expulso a golpes de sarcasmo o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos apareceu pavorosa e devastadora seca. As águas desceram de nível. O poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a padecer, atolada na lama ...
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito André Luiz.

Nossos Umbigos


O terreiro de Umbanda, como um hospital de almas ou pronto socorro emergencial, recebe nos dias de sessão ou "gira" uma quantidade razoável de encarnados, mas somente os espíritos desencarnados que lá trabalham, é que podem vislumbrar a imensidão de desencarnados que se movimentam no ambiente, em busca de ajuda. Ordenados e amparados por seus tutores, chegam estropiados e com aparência assustadora, uma vez que em sua maioria representam aqueles que cansaram ou esgotaram suas forças, na vida andarilha do pós-morte do corpo físico.
Voltam a pátria espiritual e dela não tem conhecimento e sem noção da continuidade da vida, quando não, desconhecem até mesmo sua condição de espírito desencarnado e por isso continuam a sentir os desejos, ambições, gostos e dores da vida física e nesse caminho, definham suas energias.
Quando conseguem alcançar algum vislumbre de consciência de sua realidade, permitem a ajuda dos benfeitores que os encaminham a algum local sagrado, onde medianeiros encarnados possam ajudá-los através do choque anímico, permitindo o total desligamento da matéria. Neste momento os chamados Centros Espíritas e de Umbanda, tornam-se "oásis" em seus desertos e como pontes entre os céu e a terra, permitem a passagem de volta à casa.
Naquela noite chuvosa e fria, a maioria dos médiuns daquele terreiro, ressentidos pela dificuldade de deixarem o conforto dos lares, faltaram ao trabalho espiritual e o dirigente preocupado com o atendimento dos doentes que se apinhavam no espaço que dia-a-dia se tornava pequeno, ajoelhou-se em frente ao congá, assumindo sua tristeza diante dos Guias espirituais. Deixou correr duas lágrimas para aliviar seu peito angustiado. Pensou em como fora seu dia e nas atribulações a que já deveria estar acostumado, mas que agora pesavam mais pela saúde que já lhe faltava. Nas dificuldades financeiras, no aluguel da casa que já vencera e nos tantos atrapalhos que ocorreram em seu ambiente de trabalho naquele dia. Sem contar na visita que viera de longe e que deixara em casa esperando pela sua volta do terreiro. Nada disso o impediu de fazer uma prece no final do dia, de tomar seu banho de ervas e seguir a pé até o terreiro, enfrentando a distância e o temporal que se fazia.
Sentia-se feliz em cumprir sua tarefa mediúnica, mas como havia assumido abrir um "hospital de almas", juntamente com outros irmãos que se responsabilizaram perante a espiritualidade em servir à caridade pelo menos nos dias de atendimento ao público, sabia que sozinho pouco podia fazer.
Pedindo perdão aos guias pela sua tristeza e talvez incompreensão em ver os descaso dos médiuns, que a menor dificuldade, escolhiam cuidar dos próprios umbigos à servir aos necessitados, solicitou que se redobrasse no plano espiritual a ajuda e que ninguém saísse dali sem receber amparo.
Olhando a imagem de Oxalá que mesmo ofuscada pelas lágrimas, irradiava sua luz azulada, sentiu que algo maior do que a lamparina aos pés da figura, agora brilhava. Era uma energia em forma de fios dourados que se distribuíam, a partir do coração do Cristo e que cobriam os poucos médiuns que oravam silenciosos, compartilhando daquele momento, entendendo a tristeza do dirigente.
Agindo como um bálsamo sobre todos, iniciaram a abertura dos trabalhos com a alegria costumeira. Quando o mentor espiritual se fez presente através de seu aparelho, transmitiu segurança a corrente, com palavras amorosas e firmes e nesse instante, falangeiros de todas as correntes da Umbanda ali "baixaram" e utilizando de todos os recursos existentes no mundo espiritual, usaram ao máximo a capacidade de cada médium disponível, ampliando-lhes a percepção e irradiação energética, o que valeu de um trabalho eficiente e rápido.
Harmoniosamente, os trabalhos encerraram-se no horário costumeiro e todos os necessitados foram atendidos.
Desdobrados em corpo astral, dois observadores descontentes com o final feliz, esbravejavam do lado de fora daquele terreiro. Sua programação e intenso trabalho para desviar os médiuns da casa naquela noite, no intuito de enfraquecer a corrente e consequentemente, infiltrarem suas "entidades" no meio dela, havia falhado. Teriam que redobrar esforços na próxima investida.
Quando as luzes se apagaram e a porta do terreiro fechou, esvaziando-se a casa material, no plano espiritual, organizava-se o ambiente energético para logo mais receber os mesmos médiuns, agora desdobrados pelo sono.
Passava da meia noite no horário terreno e os médiuns, agora em corpo de energia voltavam ao mesmo local do qual a pouco haviam saído. Os aguardavam, silenciosos ouvindo um mantra sagrado, seus benfeitores espirituais. Tudo estava muito limpo e perfumado por ervas e flores. Um a um, ao adentrar, era conduzido a uma treliça de folhas verdes e convidado a deitar-se, recebendo ali um banho de energias revigorantes. Quando todos já se encontravam prontos, seguiram em caravana para os hospitais do astral e lá, como verdadeiros enfermeiros, auxiliaram por horas a fio a tantos espíritos que horas antes haviam estado com eles no terreiro e recebido os primeiros socorros.
No final da noite, o canto de Oxum os chamava para lavarem a "alma" em sua cachoeira e assim o fizeram, para somente depois retornar aos seus corpos físicos que se permitia descansar no leito.
-Vó Benta, mas e aqueles médiuns que faltaram ao terreiro naquela noite, perderam de viver tudo isso?
-Nem todos zi fio! Nem todos! Dois ou três deles, faltaram por necessidades extremas e não por desleixo e assim sendo, se propuseram antes de dormir, auxiliar o mundo espiritual e por isso foram convidados a fazer parte da caravana.
- E aqueles que mesmo não tendo comparecido por preguiça, se ofereceram para auxiliar durante o sono, não foram aceitos?
-A preguiça, bem como qualquer outro vício, é um atributo do ego e não do espírito, mas que reflete neste. Perdem-se grandes e valiosas oportunidades a todo instante pela insensatez de ouvirmos o ego e suas exigências. O tempo, zi fio, é oportunidade sagrada e dele se faz o que bem quer cada um. O minuto passado, não retorna mais, pois o tempo renova-se constantemente. O amanhã nos dirá o que fizemos no ontem e esse tempo que virá é nosso desconhecido, por isso não sabemos se nele ainda estaremos por aqui servindo ou se em algum lugar, clamando por ajuda de outros que poderão alegar não ter tempo para nós, pois precisam cuidar de seus umbigos.
Assim é a vida, zi fio. Contínua troca!
Vovó Benta - Mãe Leni W. Saviscki
Enviado por Sandro C. Mattos



terça-feira, 5 de abril de 2016

Poema: Umbanda, Sagrada e Linda Umbandacriar um blog



     Sem entender o que buscar,  sem saber para onde ir,  precisando ter algo para amar,  precisando de um caminho a seguir.      Busquei em sonhos de ilusão,  busquei em templos igrejas em geral,  ouvi pastores, padres e até um ancião,  mas nada me mostrava a diferença do bem e do mal.      No peito a angústia crescia,  um desespero tomava conta de mim,  já não suportando o dia após dia,  sentindo a esperança chegar ao fim.      Com lágrimas aos olhos ao céu eu clamei,  preciso urgente que me mostre um caminho,  do céu então uma voz escutei,  não se desesperes pois não estás sozinho.      Em toda sua volta tens uma proteção,  basta apenas ter fé para conquistar,  e uma a uma colocarei em teu coração,  que a partir de agora tu passarás a amar.      Para seu coração se acalmar,  eu lhe apresento Oxalá,  que é pai supremo da terra e do mar,  sendo também pai de todos Orixás.      Para que venças as guerras da vida,  Pai Ogum, vou lhe apresentar,  cavaleiro supremo da terra querida,  bravo General dos Campos do Humaitá.      Para que tu valorize as águas límpidas do rio,  veja aqui a deusa linda e honrosa,  Oxum, Orixá linda  cheia de brio,  mãe sublime bela e carinhosa.      Para que sua fé cresça na sagrada justiça,  Pai Xangô desejo lhe apresentar,  poderoso Orixá de inteligência infinita,  voz de trovão grande poder para nos ajudar.      Para que respostas do vento possas escutar,  que seja noite, tarde, ou mesmo manhã,  lhe apresento linda jovem divina Orixá,  doce sublime guerreira mãe Iansã.      Pai Oxossi agora te apresento,  para as forças das matas tu conquistar,  ele está contigo a todo momento,  não temas pois ele nunca vai lhe abandonar.      Para que tu sintas o poder sem igual do mar,  apresento a ti uma irradiante Orixá,  deusa das águas com grande poder de amar,  rainha sereia, a linda mãe Iemanjá.      E se algum dia os males de uma doença lhe abater,  ao grande Orixá Obaluaiê peça proteção,  e se mesmo assim seu corpo a terrível  doença não suportar,  rogue a pai Omulú que não deixe seu espírito na escuridão.      Nos momentos que desejares clareza de algo a fazer,  em tempos que precisa de sabedoria para refletir,  lhe apresentarei a senhora Nanã Buroquê,  a vovó Orixá que nunca erra como agir.       Quando sorrir e brincar estiver precisando,  Erês e Ibeijadas irei lhe mostrar,  são entidades anjos que por nós estão sempre clamando,  com sua alegria, carinho e seu grande poder de amar.      Também os Pretos Velhos desejo lhe apresentar,  pois com eles muito vais com certeza  aprender,  com carinho e humildade muda seu jeito de pensar,  nos faz estender as mãos e ajudar partilhando sem querer receber.      Se algum dia a angústia tomar conta de seu coração,  sem os irmãos caboclos não deve ficar,  são Entidades lindas para sua proteção,  que com passes e ervas, a angústia vai derrubar.      Para sua força crescer e a vitória vir por inteiro,  essa Entidade tem que a seu lado permanecer,  lhe apresento o Senhor Boiadeiro,  que com raça e perseverança os obstáculos irão sempre vencer.      Para proteção nos caminhos da noite conseguir,  e as demandas e mandingas do mal você  vencer,  os irmãos Exús e Pombo giras você tem que admitir,  que são eles que vão a sua caminhada proteger.      Como você pode nesse momento notar,  acabei de te mostrar que não estais sozinho,  grandes proteções terás para te iluminar,  então erga sua cabeça e segues teu caminho.      Vá em frente  sem se amedrontar,  siga com certeza essa linha de vida,  eu sou Zambi ou Deus, pai de Oxalá,  e estou mostrando a ti nossa Umbanda Querida.      Homenagem a Umbanda, Sagrada e linda Umbanda.      Autor: Carlos de Ogum.criar um blog

                         Sábias Palavras do Mestre Chico Xavier




"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos... TUDO BEM! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.” (Chico Xavier)

  PAI BENTO SÁBIA MENSAGEM



Amanhã é outro dia, fé, força e coragem, é a receita mágica para seguir sempre adiante.

Nem adianta titubear, não há tempo para mas, muito menos para talvez, segue a tua intuição com muita sensatez.

Hoje queria te falar, que nesta vida meu filho, tudo tem consequências, às vezes uma palavra errada já é o suficiente, para o caminho desandar.

Se estás em dificuldades, com certeza é consequência desta ou de outra vida, em algum momento esta energia regressora foi gerada por ti.

Certamente, ela é tão forte, que pode também atingir outra pessoa que convive com você em seu lar, que poderia pelo menos dar-lhe força através de seus avanços nos seu caminho, mas isto raramente acontece, é como se fosse um efeito dominó, pois, na verdade, por um fator ou outro esta pessoa acabou alimentando em seu eu maior, também esta energia.

Então você pergunta, e agora o que faço? Também já o vejo, balançando a cabeça e achando que não tem jeito. Espera meu filho, nada é para sempre, se esta energia primeiramente o paralisou e com isso fez você regredir parecendo que nada dará certo, também existe uma forma de dissipá-la, de inverter a situação.

Quero deixar bem claro, que isso nada tem a ver, com a sua religião, nada tem a ver com satisfação ou não de seus guias, pois guias que são guias, não castigam os filhos a seu bel prazer, isto seria uma arbitrariedade e afronta as leis Divinas, eles então não seriam guias, seriam espíritos obsessores ou trevosos que esperavam apenas a oportunidade certa de uma fraqueza sua para dar o bote.

Então, você me pergunta, qual é a solução? Ah filho que tanto amo, em primeiro lugar retomar o ânimo, estou mal hoje, mas poderia estar bem pior, e num exame honesto dos últimos acontecimentos acabará vendo que já tiveste o merecimento de ter sido afastado de situação pior.

Apesar do cansaço da luta, aprenda a dar graças a Deus todos os dias, pelo pouco e pelo muito, e até pelo nada, pois se o nada se apresenta, é por que o nada é a parada para reflexão que Deus te pede.  

Não adianta querer lembrar a razão que gerou tal energia, adianta sim modificar a energia, para tanto siga a tua intuição, abra os seus braços para a vida e pare de se esconder dela e de desconfiar de cada ser que aparece em sua frente, pare de querer ser o único responsável pelo seu sucesso ou não sucesso, lembre-se que sucesso na Terra não é sinônimo de vitória real no astral.

Tente balancear melhor o teu emocional e o teu racional, estão em desequilíbrio e isto aconteceu antes do início desta fase que está passando. Tente acreditar, não seja igual a São Tomé, lembre-se que tantas dúvidas geradas em teu mental, que não são esclarecidas de imediato para ti, simplesmente pelo fato de não estar na hora de saber, teu espírito não está preparado e não é necessário, por enquanto, para seguir tua missão terrena.

Lembre-se que para derrubar uma casa basta um segundo de ventania, para reergue-la o tempo é muito maior, será milímetro por milímetro do caminho conquistado à base de luta, mesmo tendo alguma derrota esta será passageira, erga agora as bases em solo seguro, elas devem ser erguidas tendo como ingredientes principais o AMOR, FÉ E ESPERANÇA.

Termino meu filho, dizendo-lhe, se DEUS ESTÁ CONTIGO QUEM ESTARÁ CONTRA TI?

ditado por Pai Bento
psicografado por Luconi
em 08-02-2012

Mensagem dos Caboclos


Umbanda de Preto Velho: Umbanda e Xamanismo:

"Aconteceu uma briga entre tribos.
Uma era a tribo dos esperançosos - os guerreiros.
A outra era a dos preguiçosos - os descumpridores da lei.
Como sempre, a tribo dos guerreiros era em menor número.
O cacique da tribo dos guerreiros tinha na cabeça um cocar brilhante.
Eles entraram em guerra. O cacique achava que tinha que brigar 

com o outro cacique, mas não viu nenhum cocar. 
Durante a batalha, o cacique de cocar desfaleceu. 
A outra tribo quis tirar o seu cocar, pois nenhum tinha cocar.
Aí descobriram que o cocar não era de penas, era de luz.
Atemorizados, a tribo dos preguiçosos, em maior número, 

abandonou a luta e se entregaram assustados, àquele guerreiro que eles
 achavam ser feiticeiro.
Uma voz se ouviu: vocês se entregaram, não perante a força, 

mas pela expectativa de ter a luz.
O cacique entendeu que eles se renderam, não pelo medo da força, mas pela voz da razão,

e isto incentivou o cacique a partir para novas conquistas, sempre procurando o povo sofredor. 
A sua arma não era mais a força, era a razão e a luz.
O cacique mudou seu nome, queria ser chamado Cacique Umbanda, e ao invés de expulsar os fracos, 

os tinha sob seu domínio, e assim o cacique Umbanda, formou uma grande tribo e seus guerreiros 
eram fortes, fracos e faltosos, mas o seu líder era o cacique Umbanda, abençoado por Zambi.


"Aqueles que não sabem obedecer, além de atrapalharem os que obedecem, jamais vão saber mandar".


CABOCLO AKUAN