terça-feira, 15 de setembro de 2015

  Felicidade


por H. Thiesen

Entre os seres vivos que habitam o Planeta, chamado Terra, o ser humano é o único que acredita 
que é infeliz e passa a maior parte da sua vida tentando ser feliz. 
O ser vivo, conhecido como humano, é o único que pensa não ser nada e vive tentando ser 
alguma coisa. Qualquer outro ser do reino animal, nasce, assume a sua natureza, vive e morre. 
Se agissem como humanos com certeza seriam totalmente insatisfeito, passariam o tempo se
 queixando, lamentando as suas vidas atribuladas e ameaçadas constantemente pelos seus 
predadores e esses, da mesma forma, talvez se queixando da comida escassa, mas ambos,
 tentando se transformarem em outros que julgassem ter vida melhor. Um cão, nasce cão, vive 
a vida de um cão, morre como um cão e durante o tempo todo, não tenta ser um pássaro. Com
 certeza, nunca haverá um gato tentando ser em um leão, mas infelizmente não podemos dizer o
 mesmo do ser humano. O humano quer sempre ser maior do que pode, se é pobre quer ser rico,
 se é rico quer ser milionário, se é empregado, quer ser o chefe, se é o chefe, quer ser o diretor e, 
para ele nada basta, nunca está satisfeito, nunca está feliz.

É lamentável este modelo de felicidade, que se aprende desde criança e que é idealizado pela mídia em geral, que mostra a felicidade como sinônimo de posse, de escalada social, de consumismo e, que faz acreditar que este modelo de felicidade, é real, que vale a pena persegui-lo e ir atrás da família perfeita, do marido e da esposa perfeita, do emprego perfeito, do salário perfeito, do amigo perfeito, da saúde perfeita, da casa perfeita e tantas outras coisas perfeitas, que quando conquistadas, são capazes de ruir em instantes.
Como poderá existir perfeição, se tudo o que existe é construído por seres humanos imperfeitos e insatisfeitos com tudo e com todos. É um erro acreditar que a perfeição é uma das causas da felicidade, pois problemas, conflitos e atritos existem e são naturais.
Não existe perfeição, existe sim, a tolerância aos erros e defeitos, seja em qual situação for, na família, no trabalho, nas amizades e nos diversos relacionamentos.
Vida perfeita existe, somente se a tolerância se fizer presente e o ser se contentar em nascer, crescer, aprender, multiplicar e morrer. Vida perfeita é aquela que o ser a aproveita da melhor forma possível,
 resignado com as suas possibilidades, mas que busca o seu crescimento de forma consciente. 
O problema é que o consumismo vigente, demonstra que a felicidade pode ser comprada, que feliz é
 quem que pode comprar, quem pode subir socialmente, que pode vestir uma roupa da marca X ou Y,
 que pode andar em um carro caro e de último tipo.
O que dizer então, de quem fica imensamente feliz quando ganha uma roupa usada, por não ter 
com o que se vestir. Isso não é felicidade?
Não existe saúde perfeita, mas saúde temporariamente equilibrada. Todos os seres vivos irão morrer 
um dia, de doença ou por uma fatalidade. Estar doente não é infelicidade, porque é absolutamente
 natural. Se sobreviver às doenças e às fatalidades que fazem parte da vida, na velhice com 
absoluta certeza, não há como escapar à doença ou à falência de órgãos e morre porque é 
natural morrer. A velhice chega porque o seu corpo aos poucos deixa de funcionar, e funcionava 
antes porque um dia, ele precisa morrer e deixar espaço para outros que já nasceram e outros 
que nascerão.
Felicidade não é feita de ilusão, é feita de verdade.
Felicidade é aceitar que a verdade é simples, que um dia nascemos e em qualquer outro dia 
partiremos, mas vivemos sem deixar que as mentiras nos ensinem e guiem durante a vida.
A vida é muito simples, mas para que facilita-la, se é bem mais fácil dificulta-la!
Ser feliz é muito simples, nós é que complicamos!

Desercarne e Provação Coletiva

por Lena Lopez 

A morte é difícil de ser enfrentada, pois é vista como mistério, muitas vezes como um equívoco
 ou injustiça de Deus. Todos nós temos compromissos perante as Lei que regem o Universo.
Quando alguém morre, nos sentimos tomados por um sentimento de perda e dor, pois 
gostamos daquele pessoa que nos deixou e desejávamos que continuasse vivendo conosco.
 Porém, a morte, juntamente com o nascimento, é a única coisa certa na vida, nascemos e um
 dia morreremos. Além disso, a morte está entre os acontecimentos normais da existência 
de todos, partem jovens e velhos, sadios e enfermos, justos e injustos. 
Somos criados para o entendimento da morte, conforme o nosso entendimento religioso,
 acreditamos na morte como uma separação definitiva e dolorosa e um possível destino,
 mal ou bom, para quem partiu e a partir disso envolvemo-la em mistérios, dor e dúvidas,
 pois acreditamos que vivemos uma única vez.
A morte deve ser tratada como natural e
 antes de ser um fim, um novo recomeço 
e uma volta aos laços de origem, 
desse modo, nos tornamos capazes 
de entender que a morte, é o
 encerramento de uma missão,
 de um aprendizado e que outras
 oportunidades virão, novas missões,
 novos aprendizados. Começamos a
 entender que aquela pessoa que partiu,
 terminou a sua missão conosco, que é
 chegada a hora de prosseguirmos sozinhos,
 pois isto nos é necessário. 
Por outro lado, a Lei de Causa e Efeito,
 rege a vida e a morte de maneira sublime, 
sem deixar rastros à injustiça e dá a cada um o que lhe é de necessidade e merecimento, na
 medida certa para o seu aprendizado. Nesse sentido, a morte torna-se uma lição, tanto para 
os que se vão e para os que ficam.
As grandes comoções que ocorrem na vida trazem sempre enormes perguntas, por
 parte daqueles que desconhecem a “Lei de Causa e Efeito” e as possibilidades de vidas 
sucessivas. Por isto, nos momentos de dor, confusão mental e de dúvidas terríveis, 
questiona-se o próprio Criador: Por que Ele permitiu uma coisa dessas?
Esses acontecimentos, chamados catástrofes ou tragédias, como por exemplo, acidentes 
aéreos, marítimos, rodoviários, ferroviários ou incêndios, atos terroristas, que ocorrem 
e vitimam uma quantidade ou grupo de pessoas, muitas delas sem se conhecerem entre 
si, com famílias inteiras, uma cidade inteira ou até em uma nação, não são punições divinas.
 Muitas vezes sabemos que em eventos assim, há pessoas de longe, que não deveriam 
estar naquele lugar, mas estavam no lugar errado e na hora errada. Vemos, ouvimos e
 sabemos, que muitos sucumbiram, que muitos foram capazes de atos heroicos e como
 heróis se juntaram ao que sucumbiram no evento, outros estavam naquele lugar para
 se salvarem e para salvarem vidas. Damos o nome a isso de destino e fatalidade, seja
 qual for a razão que originou o evento. Não se pode negar que possa haver a fatalidade,
 pois ela também acontece algumas vezes.  No entanto, ao que se refere à mortes em
 grande número, em um mesmo evento, isso não é o mais comum. Geralmente são 
resgates coletivos que várias pessoas, juntas, precisam passar, tanto as que morreram 
ou as que sobreviveram a ele.
Se analisarmos esses fatos unicamente pelas causas humanas, poder-se-ia chegar à 
conclusão da má sorte ou azar. Entretanto, quando se compreende que no evento se 
agrega a lei de causa e efeito e o princípio das vidas sucessivas, tudo toma um outro 
sentido, passamos a entender que nessas mortes em grande número, há um encontro 
marcado de Espíritos que foram protagonistas de equívocos em outras passagens e
 que na atual estada na Terra, estão zerando as suas pendências.
Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemo-la de volta. O passado é a origem
 do nosso presente, ou seja, o que somos hoje é um reflexo do fomos ontem.
Se o pensamento vale individualmente, por que não valeria coletivamente? A isto, damos
 o nome de provação coletiva.
A provação coletiva é a convocação de Espíritos encarnados no instante de uma 
tragédia ou catástrofe, participantes de mesmo delito ou semelhantes, praticados no
 passado longínquo. Pode-se citar como exemplos de delitos, as Cruzadas, a
 Inquisição, as Guerras, os extermínios em massa, os atentados terroristas e outros,
 uma enormidade de violências e absurdos praticados contra o ser humano, em que 
todos os participantes se envolveram e somente se livram das suas dívidas e responsabilidades,
 quitando-as.
Mas por que só agora, numa data tão distante? Perguntarão muitos. Simplesmente por que,
 como Espíritos em aprendizado, vamos adiando por várias encarnações as expiações,
 até que haja o entendimento necessário à respeito da importância desse tipo de resgate.
 Muitas vezes, quando há a compreensão, 
o próprio Espírito errante pede permissão para cumprir o que é necessário para seu adiantamento.
O importante é que o próprio Espírito assume, antes de reencarnar, um compromisso com o
 propósito de resgatar seus débitos. André Luiz, no livro Ação e Reação, deixa claro:
 “Nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.
Durante a hora do desencarne coletivo, a Espiritualidade Superior, com o conhecimento
 prévio dos fatos, providencia equipes de socorro para a assistência aos Espíritos que 
retornarão ao plano espiritual, dando-lhes a assistência imediata e confortadora, pois mesmo
 que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, individualmente, a situação
 dos traumas e do despertar no plano espiritual, dependerá da evolução de cada um, mas 
nenhum fica sem amparo.
Há aqueles que escapam minutos antes dos eventos coletivos, por não precisarem passar por
 essa situação.   É por isso que muitos perdem o avião, o trem, o ônibus, ou por outro motivo
 qualquer não estavam presentes. Há aqueles que estavam presentes no evento, mas escapam
 "ilesos", pois necessitavam passar pela lição e repensarem. Há aqueles que estavam presente 
e escaparam com inúmeros ferimentos, quase ficaram à beira da morte, suas lições 
para repensarem necessitavam de maiores enfases.
Não cai uma só folha da árvore sem que Deus saiba! Daqui não sairás até que pagueis
 o último cetil! Com certeza, as mortes coletivas é generosidade de Deus para com seus filhos,
 pois permite-lhes o melhoramento e aperfeiçoamento através de sua renúncias e experiências 
na Terra, dando-lhes oportunidade para o aprendizado necessário.

Os Perigos e Conseqüências da Mediunidade Mal Orientada



A falta de doutrina e de comprometimento que existe, em muitas casas 
espiritualistas, coloca em risco a saúde física e psicológica dos médiuns.
Para se ter idéia, há casas que iniciam qualquer pessoa que tenha vontade em 
trabalhos de desenvolvimento mediúnico de incorporação.
E as pessoas que começam a frequentar os trabalhos, por não terem a menor
 noção do que é certo ou errado, se submetem.
Na verdade, existem casos em que a mediunidade de incorporação nunca
 vai se manifestar porque o médium deverá desenvolver outras formas de
 mediunidade.
Consequentemente, tentando fazer incorporar quem não deve, surgem
 atrapalhações de toda ordem.
A mediunidade deve ser desenvolvida de forma progressiva e individualizada, 
e o bom desenvolvimento do corpo mediúnico depende muito da firmeza
 e da competência do chefe encarnado do grupo e do espírito dirigente dos 
trabalhos.
Na Terra, a esfera material das diversas formas de religião é conduzida
 pelos encarnados, o que inclui a organização das casas, a orientação das pessoas 
e até a redação dos textos que explicam os fenômenos espirituais.

É justamente por se tratar de “coisa de humanos” que a religião muitas
 vezes é deturpada.

Se os espíritos de luz pudessem atuar sozinhos, várias situações inoportunas
 deixariam de acontecer.

Mas os trabalhos religiosos na Terra precisam da união do plano físico e do 
espiritual.

Sem o fluido animal dos médiuns, não é possível para os espíritos atuar em
 nosso nível vibratório.. Daí a grande importância dos médiuns e também da
 assistência nos trabalhos religiosos.

Quando um dirigente religioso, independente da linha em que trabalhe, se deixa 
envolver pelo ego, passa a acreditar que é dono-da-verdade e, o que é ainda 
pior, que é dono das pessoas sua mente se fecha para as orientações do plano
 espiritual que deveriam orientar sua conduta, porque sua vontade passa a
 ser mais importante.

Quando o chefe dos trabalhos “se perde”, os espíritos não compactuam com 
os erros cometidos, mas respeitam o livre-arbítrio de todos. Ficam à parte,
 aguardando que a situação se modifique para novamente poderem trabalhar
 com seus médiuns.

As pessoas não ficam desamparadas, mas os espíritos não compactuam com 
o ego. Há trabalhos que, irresponsavelmente, surgem em função da vontade 
que têm algumas pessoas de dirigirem grupos. Se uma pessoa resolve iniciar 
uma sessão, a responsabilidade é dela. Os seus protetores não vão puni-la por
 isso, mas toda a carga que surge em função dos trabalhos vai ser
 também responsabilidade dela.

Surgem, em função disso, muitas complicações, para quem dirige e para
 quem é dirigido. Portanto, não bastando atrapalhar a si mesmo, o chefe 
deverá arcar com as consequencias do que provoca para o corpo mediúnico 
de sua casa.

O mesmo vale para quem decide que vai prestar “atendimentos espirituais” 
ou outros tipos de “trabalho” relacionados, sem as devidas proteções que só 
uma casa, com os devidos calços, pode ter.

Toda aplicação do dom mediúnico deve estar sobre a proteção de uma corrente
 espiritual e de uma chefia realmente capacitada.

Infelizmente, em muitas casas sem boa direção espiritual, exerce-se o 
hábito de desenvolver a mediunidade em pessoas obsediadas, 
causando-lhes desequilíbrios ainda piores do que a própria obsessão.

São pessoas que, estando claramente doentes, são levadas a abrirem 
seus canais de mediunidade, irresponsavelmente, a fim de supostamente se 
curarem.

A pessoa perturbada chega nos trabalhos e é aconselhada a desenvolver…
 porque tem mediunidade. Deveria procurar entender o que acontece consigo,
 através da doutrina, e não sair procurando um lugar para “desenvolver”
 Situações como essa, ocorrem devido ao pouco conhecimento doutrinário
 dos dirigentes das casas e até dos médiuns que dão consultas, acreditando
 que estão falando pelos espíritos.

A mediunidade perturbada pela obsessão não merece incentivo.

No aspecto patológico, existem aqueles que, por desequilíbrios
 neurológicos, se comportam como vítimas de processos obsessivos.

Nestes casos, também é inoportuno o desenvolvimento das faculdades mediúnicas.

Mentores espirituais de casas honestas cuidam de tratar desses processos 
obsessivos até que os fenômenos cessem, e o enfermo, curado, possa
 retomar suas atividades normais e, quem sabe, desenvolver sua mediunidade.

Tudo está muito bem, se o médium está preparado, saudável e consciente 
de que desenvolver a mediunidade é o que realmente deseja e de que realmente
 precisa.

Por outro lado, se a pessoa está desequilibrada, doente, desenvolvendo algo 
que nem sabe exatamente o que é, possuir um canal aberto será algo muito perigoso.

Em ambos os casos, haverá a possibilidade da comunicação com o mundo dos 
espíritos, e um médium despreparado não vai saber identificar, 
nem filtrar,mensagens boas de mensagens oriundas de espíritos obsessores.

Por isso, desenvolver a mediunidade em quem não está preparado permite
 que as obsessões se manifestam pelo canal mediúnico que foi aberto, 
ocasionando demências em diferentes graus.

A mediunidade não é causadora da enfermidade ou da loucura. É o seu
 desenvolvimento indevido que permite que um espírito obsessor dela se 
utilize para instalar, na mente de sua vítima, a enfermidade mental.

Pensar na mediunidade como causa desses distúrbios seria o mesmo que culpar
 a porta de uma casa pela entrada do ladrão. A porta foi somente o meio ou
 a via de acesso utilizada para a realização do furto, por negligência e
 desatenção do dono da casa.
Precisamos também conhecer a fadiga mediúnica. O exercício da mediunidade
 provoca perda de fluidos vitais do corpo do médium e tende a esgotar os seus 
campos energéticos. Por isso os dirigentes capacitados dedicam especial
 atenção e cuidado para com os médiuns iniciantes.
É comum encontrar médiuns desequilibrados, atuando em grupos espiritualistas, 
onde incluem-se até mesmo os brandos trabalhos de mesa kardecistas.
Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura,
principalmente no caso das pessoas predispostas ao desequilíbrio.
Convém que o dirigente espiritual esteja atento à conduta dos médiuns,
 para perceber indícios de anormalidade.
Mediunidade é uma atividade psíquica séria, e a ela só devem se dedicar 
pessoas que se disponham a ter conduta religiosa, ou seja, uma moral 
sadia e hábitos disciplinados.
A prática da mediunidade em obsediados é capaz de produzir a loucura.
A irresponsabilidade e incompetência de dirigentes nos critérios de admissão e
 instrução de seus trabalhadores pode culminar em demência. Basta imaginar a
 situação em que uma pessoa obsediada é submetida a entidades hipócritas.
É fácil imaginar que se estabelecerá um processo de fascinação que pode 
culminar em demência.
Lembremos que a humildade, a dedicação, a paciência e a renúncia são os 
caminhos do crescimento mediúnico.
O orgulho e os maus espíritos são seus obstáculos.
A mediunidade, assim como todos os dons, possui dois lados.
Se, por um lado, é fonte de abençoadas alegrias; por outro, pode ser 
também de profundas decepções.
Mas isso nunca deve ser motivo para que alguém desista de desenvolver
 a sua mediunidade, de cumprir a sua missão, pois ela é simples e gratificante na
 vida das pessoas que a abraçam como missão de serviço nas legiões do
 Grande Pai Oxalá.

Por Jorge Menezes

Primeiramente, quando chegar à porta do Terreiro, peça licença aos guardiões da casa logo que entrar.  Dentro do Terreiro, sinta o ambiente, feche os olhos e respire fundo (a respiração é a base da vida, os ciclos e ritmos – o Fole Vital). Inspire os perfumes, as essências do Templo. Elas lhe despertarão sentimentos e prazeres jamais sentidos. Experimente…
Quando as entidades estiverem incorporadas, visualize bem e sinta a vibração do atabaque e das entidades. No passe, é necessário que você sinta a vibração da entidade, ou quem não sente vibração sentirá qualquer outro tipo de sensação que mostrará se a entidade está ali ou se é uma mistificação.
Qualquer tipo de entidade da linha branca não tem linguajar grosseiro nem fica falando da vida de outros ou até mesmo falando que fulano fez isso aqui ou macumba acolá. 
As entidades tem sempre que deixar uma mensagem de conforto. Se isso não acontecer fale com a entidade chefe, pois pode estar havendo mistificação! Tome muito cuidado com médiuns mistificadores; não existe na Lei de Umbanda Sagrada cobrar para fazer trabalho, muito menos a própria entidade falar que tem que ser cobrado. Isso é um imenso desrespeito com nosso Senhor Zambi (Deus) e com as entidades. Existem muitos engraçadinhos que querem ganhar a vida através de mistificação, portanto cuidado, irmãos!

Um dia, no Terreiro, um médium atendia uma jovem que trazia consigo vários ramalhetes de rosas de diversas cores, muitas velas e uma pequena pira de latão. A mesma senta à frente do médium e lhe entrega os materiais. A entidade-médium pede para o cambone desenhar no chão uma grande estrela de seis pontas, um círculo ao meio e um hexagrama fechando as pontas da estrela. Toda a figura foi preenchida com as pétalas das rosas que a consulente havia trazido. Brancas no círculo, vermelhas na estrela e amarelas para completar os espaços do hexagrama. Foram colocadas velas em cada ponta da estrela, acesas. A pira ficou ao pé do médium-entidade, que colocou um pouco de álcool e ateou fogo. A consulente foi levada para o centro da estrela e lá ficou sentada em um banco. Enquanto a entidade-médium proferia diversas palavras e fazia gestos com as mãos.
Enquanto isso uma senhora, mais humilde, com a aparência desgastada, com uma expressão triste, como se tivera um sorriso invertido no rosto, olhava tudo aquilo e se agarrava a um único botão de rosa branca que carregava junto a si. Seus olhos marejavam, enquanto ela via toda a manipulação do outro Guia. A senhora se levanta, cabisbaixa e se põe a sair. Outra entidade, no arquétipo de um Baiano, fala mais alto no meio da Gira:
- Mas cabrita, por que tu tá indo embora? Ainda nem falei com tu!
A senhora se vira e com o indicador em direção ao seu coração diz timidamente: – Eu?
- Tu mesmo! Se achegue cá, que quero lhe dar um abraço! – Responde o Baiano, cheio de jeito.
A senhora começa a entrar e abraça o Baiano, cumprimentando ele no estilo dessa linha. O mesmo olha pra ela e, com um sorriso no rosto, diz uma frase que a fez virar o sorriso triste em uma bela gargalhada. A senhora estende a mão com a rosa e diz:
- Eu trouxe essa flor para o senhor, mas vi que em outro ponto havia um monte de flor e fiquei com vergonha por poder comprar apenas esse simples botão. Por isso que estava indo embora.
- Mas que é isso mulher, não se faz isso não! Desde quando eu te pedi alguma coisa? Tu veio cá pra pedir ajuda não é mesmo? Eu na condição de Guia de Umbanda é que devo te dar alguma coisa e não tu que tem que dar pra mim nada. Oxi! Não ferva a moleira assim não! Se passe pra cá e vamos prosear! – responde o enérgico Baiano.
Então, depois de uma conversa, o Baiano abraça a consulente, agora gargalhando e feliz, que sai agradecendo em muito. O Baiano olha pra seu cambone, pega a rosa branca e fala:
- Cabra, ponha essa rosa do lado de Pai Oxalá. É pra ele esse presente! E tenha uma coisa bem clara no côco! Não é a quantidade de coisa que “ocê” usa que traz firmeza, mas sim a fé com que tu faz! Essa rosa tem muito mais Axé do que aquela montoeira de coisa, que foi feita por fazer, sem propósito e sem motivo! Aprenda “bixinho”!
E o cambone foi colocar a rosa aos pés da imagem de Oxalá, enquanto o Baiano contente dançava sua dança e se despedia de todos, com uma sonora gargalhada!

Texto: Douglas Rainho – www.perdidoempensamentos.com

Escrevo este texto com o intuito de expressar as dificuldades que um médium iniciante passa no decorrer de seu caminho espiritual dentro da nossa Umbanda tão querida.  Nem tudo que descrevo aqui foram dificuldades que eu encontrei. Algumas eu aprendi através da “arte” da observação, vendo irmãos de fé passarem ou permanecerem nelas. Antes de relatar alguns fatos, quero explicar o que significa ser médium da Umbanda e o que eu entendo como “fazer parte de uma corrente”.  Já adianto que minha intenção não é julgar, muito menos criticar qualquer pessoa, mas sim expor meus sentimentos e pensamentos sobre o que tenho vivenciado e vejo dentro da nossa religião.
Cresci na religião, desde pequeno. Sabe quando as criancinhas ficam dentro da corrente, num cantinho? Pois é, era eu! Uma pestinha, inquieta, mas estava lá, acompanhava o ritmo do tambor, da maraca, os Pontos e até me embalava um pouquinho! A Umbanda faz parte da minha essência. Eu não sei viver longe dessa religião tão linda, que me ensinou e ainda me ensina tanto sobre a vida, não só física, mas espiritual também.
Não tem sentimento melhor do que saber que naquele dia vai ter sessão. Começa um ritual, de respiração, preparo, limpeza, organização, higiene, tudo! Que coisa boa!Isso tudo porque eu sei que, chegando lá, vou encontrar meus irmãos, amigos, conhecidos e até pessoas que eu nunca imaginei ver na vida. Pra fazer o quê? O Bem, a Caridade! Me doar, não só na matéria mas, principalmente, de coração e espírito para poder ajudar quem vai em busca de auxílio, uma palavra de conforto, uma energia que arrepia ou até mesmo um sorriso.Tem coisa melhor que isso? Não! Essa junção de pessoas, médiuns, todas estão ali com um mesmo propósito: ajudar. E isso, para mim, é uma corrente. O próprio nome já diz tudo: corrente, mantida por elos (os médiuns) que transmitem essa energia para quem precisa.  Ao menos, no meu humilde ponto de vista é isso que significa pra mim.
A fase de início de um médium talvez seja a fase mais difícil no seu caminho dentro da espiritualidade. Tudo é novidade, o médium tende a ficar ansioso, com medo e receio. Passa um turbilhão de coisas na cabeça de um médium iniciante e ele ainda precisa manter a concentração, saber a hora certa de se entregar e manter o laço espiritual criado firme e forte. Nossa! Quanta coisa, né!? Se todos soubessem como é difícil passar por esse momento, não fariam cara feia para o médium depois que ocorre a desincorporação, não olhariam torto para ele. É um momento de descoberta, novidades, onde, aos poucos, ele vai se doando cada vez mais, deixando o Orixá tomar conta da matéria e mostrar sua personalidade, jeito de agir, caminhar, tom de voz, etc.Um médium iniciante tem de lidar com tantas coisas em sua cabeça ao mesmo tempo, que, às vezes, é preciso ter uma maneira mais delicada, sutil ao dar um conselho, até mesmo repreender alguma atitude do médium ou da própria entidade. É preciso ter paciência com médiuns novos, não importa se você tem que ter uma conversa, duas ou quantas vezes forem necessárias; se o erro não acontece por “maldade” do médium, é preciso ter paciência por parte dos irmãos e dirigentes da Casa.
Muitas são as razões que fazem um médium iniciante deixar o seu caminho espiritual de lado: medo de estar se passando pela entidade, confusão em função da incorporação ser praticamente consciente, represálias, pressões e até mesmo inveja.Sim. Inveja! E de onde ela vem? Dos próprios elos dessa corrente mediúnica. Ao passo que um médium vai se “firmando” com determinada entidade, essa vai agindo de acordo com seu modo específico de “trabalhar”. Algumas entidades são mais quietas, reservadas, outras são mais agitadas, se movimentam mais, estalam dedos, puxam Pontos junto ao tamboreiro, puxam rezas e orações, dão conselhos. Outras já não falam tanto, ficam no seu espaço, algumas até “entram mudas e saem caladas”. Mas isso é particular, cada entidade tem o seu modo de chegar, trabalhar e retornar para o seu campo espiritual de trabalho. Infelizmente alguns médiuns não entendem que o modo particular de trabalho de seu Guia é o que o torna tão especial e bonito, e acabam por desejar, inconscientemente, que seu Orixá fosse como o do seu irmão. Como se já não bastasse a inveja, presente em algumas correntes, ainda tem espaço para desafetos entre companheiros de trabalho, arrogância, fofocas e picuinhas.Tá, mas e a corrente? Não é constituída através de elos de ligação? Onde devem ser transmitidas boas energias e bons sentimentos? Como pode ter espaço pra esse tipo de sentimentos?
Pois é. Infelizmente, eu não sei responder a esssa perguntas.Ufa! Já pensou passar por tudo isso sem estremecer? É praticamente impossível. Aos irmãos de fé que lerem esse desabafo, sejam eles iniciantes ou já desenvolvidos há um bom tempo, peço que pensem e repensem antes de tomar qualquer atitude equivocada.Peço que reflitam o seu propósito dentro dessa religião tão linda, que é a nossa amada Umbanda. Que reflitam a maneira que estão tratando o seu irmão de trabalho espiritual. Por último, vou encerrar dizendo que a Umbanda é muito mais do que se pode ver e sentir. A Umbanda faz parte de nós.Precisamos trazer conosco um pouco do que cada uma das Sete Linhas e dos “Pais e Mães” nos oferecem. Temos que ter a humildade de um Preto Velho, a inocência de uma Criança, o amor de uma Mãe e a responsabilidade de um Pai, a liberdade de um Cigano e até a malandragem de um Exu.
Saravá, Irmãos de Fé!
Texto-desabafo enviado por Gabriel Huff Marques, produzido em 17/08/2015
Quando comecei a frequentar um Terreiro de Umbanda, não posso negar que encarava a Linha dos Exus e Pombagiras com alguma desconfiança e até receio. As imagens com chifres, capas negras e até nudez, os altares com bebidas alcóolicas e charutos e tudo aquilo que ouvimos por aí é muito marcante e causa-nos uma ideia inicial pouco positiva. Foi assim comigo e sei que é assim com muita gente.
Antes da minha primeira Gira de Exu eu estava bastante ansiosa, sem saber direito o que esperar. Será que as entidades incorporadas seriam assustadoras como as imagens? Será que fariam trabalhos de amarração e de magia negativa? Será que nessas Giras incentivam a vingança e outras posturas imorais? Eram essas e muitas perguntas que me passavam pela mente.
Passando pela primeira Gira de Exu e por outras Giras posteriormente, percebi que os mitos que as pessoas criam por aí são absurdamente falsos. Vamos a eles (os mitos):
1 – Exus não são “demônios”Sendo entidades de Umbanda, obviamente os Exus e Pombagiras são entidades que trabalham apenas para o bem e não sustentam trabalhos de magia negativa. O trabalho dos Exus consiste em aplicar a Lei Divina, ajudando a trazer para as nossas vidas as consequências daquilo que praticamos, seja para o bem ou para o mal. Os Exus não se vingam, não “aprontam”, não colocam o mal no caminho de ninguém; ajudam-nos a colher aquilo que plantamos, tanto para aprendermos com as experiências negativas como para crescermos com as nossas virtudes. 
2 – O uso da bebida e do fumo não é para diversãoJá ouvi muitas vezes que os Exus e Pombagiras, quando incorporados, pedem sempre bebidas e fumo para sentirem os prazeres da vida carnal, dos quais sentem saudades. Mas isto não é bem assim: apesar de terem vivido encarnações na Terra, como nós, e de estarem próximos da nossa faixa vibratória, os Exus são espíritos certamente mais evoluídos do que nós que estamos aqui, agora, e por isso são nossos Guias espirituais, sendo que já não estão presos a estes “prazeres carnais”. O uso da bebida e do fumo nas Giras e nas oferendas visa possibilitar que os Exus manipulem a energia mais densa contida nestas substâncias para realizar o seu trabalho de limpeza, neutralização ou corte de magias negativas nos consulentes. 
3 – Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”As Giras de Esquerda podem sim ser mais descontraídas, pelo tipo de roupa que se usa, pela linguagem e risada dos Exus e Pombagiras e pelo uso, às vezes mais intenso, de bebidas alcóolicas. Por conta disso, vejo muitos umbandistas acharem que nestas Giras pode tudo, desde beber e fumar enquanto supostamente faz a sustentação energética dos trabalhos, até falar palavrão, dançar durante os Pontos como se estivessem numa discoteca e usar roupas exageradas ou vulgares. Estes comportamentos não são aceitáveis em outras Linhas de trabalho; por que, então, achar que o são nas Giras de Exu? O trabalho realizado nas Giras de Exu é tão sério como o que é realizado numa Gira de Caboclo, de Pretos Velhos ou qualquer outra Linha, e deve ser realizado com respeito, concentração e dedicação. Se não houver atenção a isto, há grande hipótese de as entidades presentes não serem verdadeiramente Exus e Pombagiras, mas sim espíritos zombeteiros que quererão, estes sim, aproveitar o fumo, o álcool e a energia de baixa vibração manifestada pelos médiuns e consulentes. 
Cabe a nós, umbandistas, procurar informação correta e ajudar a derrubar estes mitos que criam sobre os Exus. Faça a sua parte!
Laroyê!