terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Vivemos os problemas do mundo, mas nossa fé nos ampara - Douglas Fersan


O fato de sermos umbandistas não nos torna imunes de nada que acontece no mundo, sejam coisas positivas ou negativas. Estamos todos sujeitos a momentos de alegria e de dissabores, pois o fato de sermos - ou pelo menos devermos ser - espiritualizados não nos livra daquilo que acontece em sociedade, pois o espírito é luz, mas o corpo é do mundo e a sociedade nos influencia diretamente.

Estamos sempre sujeitos a fatos que podem nos causar dissabores, tristezas, traumas, rancores e desgostos. A violência é um problema social crônico e pode sim nos atingir. Manter a fé em Deus, em nossos orixás e guardiões pode nos ajudar a evitar essas situações, mas muitas vezes a densidade negativa que existe sobre o planeta é tão grande que acaba nos atingindo.

Como todo cidadão consciente, devemos - apesar de ser difícil - manter a calma nesses momentos e lembrar que o importante é a nossa existência nesse plano, pois se ainda aqui estamos encarnados, é porque temos muito o que cumprir e aprender ainda. Bens materiais se vão, assim como um dia vieram e podem voltar seja através da justiça ou de nosso trabalho. Mas lembremos sempre de agradecer ao fato de estarmos vivos e seguros após passar pelo trauma de uma violência social.

Nessa semana um filho de nossa casa passou por um momento assim. Felizmente manteve a calma e apesar de ter uma arma apontada para si, saiu ileso. Os bens materiais (automóvel e celular se foram), mas o mais o mais importante é que ele continua inteiro e saudável entre nós.

Talvez os críticos da nossa fé digam: "ora, mas onde estavam os orixás que não os protegeram?"
Os orixás estavam bem ali, fazendo com ele mantivesse a calma e impedindo que o marginal por nervosismo, maldade ou desprezo pela vida humana disparasse o gatilho. Os orixás trabalharam como nunca.

Da mesma forma que Deus estava presente quando tentaram matar o pastor Valdemiro Santiago. Muitos zombaram do fato dizendo que pelo fato dele ser pastor Deus deveria tê-lo livrado do criminoso. Essa "brincadeira" é no mínimo maledicente. Resguardados os juízos de valores, ele também está sujeito à violência do mundo, assim como qualquer pastor, pai-de-santo, rabino, padre, bezedeira, etc. Somos humanos encarnados que vivemos numa sociedade doente.

Mas como Deus é grande, Ogum é guerreiro, Xangô é justiça, os exus não nos desamparam e os malandros gostam de uma farra mas detestam a maldade, por um desses acasos, a polícia em uma de suas operações localizou o carro roubado. Que bom, mais uma prova de que os orixás estão trabalhando. Mas vale dizer novamente que apesar dos bens recuperados, o mais importante ainda é a integridade desse filho da nossa casa.

Abençoados sejam os orixás, os guardiões e os homens da lei que fizeram seu trabalho. Que fique o exemplo deixado por esse filho: por maior que seja o valor do seu bem material, sua vida e tudo que foi planejado para ela vale muito mais.

Obrigado aos nossos amigos espirituais por não nos desampararem mais uma vez.

Douglas Fersan.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20 de Janeiro - Dia de São Sebastião / Oxóssi

São Sebastião nasceu em Milão, na Itália, de acordo com Santo Ambrósio, por volta do século III, embora haja versões de que tenha nascido em Narbonne, na França. Pertencente a uma família cristã, foi batizado em criança. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do Imperador Diocleciano.
Contudo, nunca deixou de ser um cristão convicto e ativo. Fazia de tudo para ajudar os irmãos na fé, procurando revelar o Deus verdadeiro aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho, Tibúrcio, foram convertidos por ele.
Em certa ocasião, Sebastião foi denunciado, pois estava contrariando o seu dever de oficial da lei. Teve, então, que comparecer ante o imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento.
Diante do Imperador, Sebastião não negou a sua fé e foi condenado à morte, sem direito à apelação. Amarrado a um tronco, foi varado por flechas, na presença da guarda pretoriana. No entanto, uma viúva chamada Irene retirou as flechas do peito de Sebastião e o tratou.
Assim que se recuperou, demonstrando muita coragem, se apresentou novamente diante do Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo com tamanha ousadia, Diocleciano ordenou que os guardas o açoitassem até a morte. O fato ocorreu no dia 20 de janeiro de 288.
São Sebastião é um santo muito popular e padroeiro do município do Rio de Janeiro, dando seu nome à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Reza a lenda que, na batalha final que expulsou os franceses que ocupavam o Rio, São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os franceses calvinistas.
Além disso, o dia da batalha coincidiu com o dia do santo, celebrado em 20 de janeiro. São Sebastião é o protetor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra.


Na Umbanda, São Sebastião corresponde a Oxóssi

Oxóssi é o orixá masculino iorubá responsável pela fundamental atividade da caça. Por isso na África é também cultuado como Ode, que significa caçador.
No Brasil, o orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos, recebendo o título de Rei das Matas. Seus símbolos são ligados à caça: no candomblé, tem um ou dois chifres de búfalo dependurados na cintura. Na mão, usa o eruquerê (eiru), que são pelos de rabo de boi presos numa bainha de couro enfeitada com búzios.

O filho de Oxóssi apresenta arquetipicamente as características atribuídas ao orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem o alterar. Oxóssi desconhece a agricultura, não muda o solo para plantar, apenas recolhendo o que pode ser imediatamente consumido: a caça.

No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para se embrenhar na mata a fim de caçar.

Geralmente Oxóssi é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e a paciência para aguardar o momento correto para agir. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e de uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.


Fonte:
Os Orixás, Editora Três


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ODÉ E OTIM

Imagem relacionada

Dia da semana: sexta-feira
Cor: Odé azulão com branco
Otim azulão com rosa
Número de axés: 04, 07, 14, 28, 210.
Comida: farofa doce com costela de porco assada com mel
Guias: azulão com branco para Odé, azulão com rosa para Otim.
Parte do corpo que Odé rege: pulmão e garganta
Ferramentas: flecha com arco, lança e estilingue, bolinhas de gude.
Ave: galo pintado e para Otim galinha pintada, casal de galinha d'angola.
Pombo: escuro ou branco
Quatro - pé: porco para Odé; porca para Otim.
Peixe: pintado.
Lugar de oferendas: mata e praia
Frutas: uva preta, maçã, butiá e araçá.
Função: amarração e demanda
Sobrenome de Orixás:
Odé: Linde, Jubim, Emí, Avagan, Lobomí, Ridê, Tola, Olobomí, Fabiorô Otim: Anidon, Dígala,Obérémi, Emí, Aridã, Tola, Olobomí,Renique,Talabí,Iborô
Flor: lírio roxo
Características: dono da mata e caçador
Apelido: caçador, Odé e Otim: gorda.
Ervas: folha de araçá e butiá, Orô
Doce: bolo inglês, cocadinha e merengue
Agrados: mamadeira com agua de canjica e leite de coco
Saudação: oque bambo Odé, oque bambo Otim ou oké arô
Santos que o representa: Odé São Sebastião; Otim Santa Maria Goretti
Dia do Ano: 20 de Janeiro

Odé é no Batuque o orixá que corresponde a Oxossi no Candomblé. Orixás caçadores vivem nas matas a fim de caçar e garantir a subsistência dos homens. Odé e Otim formam um casal inseparável, onde está Odé está Otim. Odé é representado por um menino portando arco e flecha, suas ferramentas para a caça e Otim porta um cântaro que carrega na cabeça.Orixás da fartura e dos excessos, Odé tem fama de generoso e bom: ele caça, mas fica com pena e remorso e dá a caça a Otim que come tudo rapidamente, sendo apelidada de gorda. São poucos os filhos de cabeça do Orixá Otim, talvez isto explique o seu quase esquecimento no culto, sendo Odé o mais conhecido, este sim com vários filhos. A beleza de Odé estende-se a seus filhos assim como suas características. Odé jamais pode ser esquecido, pois se sente excluído e abandonado e não perdoa facilmente uma falta como esta.

Características Positivas:Filhos de Odé são pessoas espertas e com iniciativa, nasceram para a liberdade, inteligentes, meigos, exigentes, cultos e sensí-veis de temperamento infantil, brincalhão, participante e alegre. Amantes irresponsáveis amam sobre tudo a natureza e a liberdade.Tem grande sensibilidade artística, são extremamente organizados, podem ser grandes amigos e estão sempre prontos para tudo.

Características Negativas: ciumentos, possessivos e inseguros. Narcisistas, egoístas, vaidosos a ponto de acharem que são os melhores em tudo. Temperamen-tais, quando estão com raiva podem até ficar perigosos. Aborrecem-se fácil e por qualquer motivo.

Lendas

Conta-se no Brasil que Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá.Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossanha, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossanha para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. 
Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossain e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa "apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Odé uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossain, como predissera o babalaô.Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. 
Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre).Odé voltou para a companhia de Ossanha, e Iemanjá desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn (não confundir com Ògún , o orixá).
Narrador desta lenda chamou a atenção para o fato de que "esses quatro deuses iorubás -Bará, Ogum, Odé e Ossanha - são igualmente simbolizados por objetos de ferro e vivem todos ao ar livre.".

Uma lenda explica como surgiu o nome de ÒSÓÒSÌ , derivado de ÒSÓWUSÌ ( o guarda-noturno é popular):"Olófin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável ao início da colheita, antes do quê, ninguém podia comer destes inhames. Chegado o dia, uma grande multidão reuniu-se no pátio do palácio real. Olófin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òsòrònga, chamadas também as Eléye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. 
A confusão e o desespero tomaram conta da multidão. Decidiram, então, trazer, sucessivamente, Oxotogum , o caçador das vinte flechadas, de Idô; Oxotogí, o caçador de quarenta flechas, de Moré; Oxotobá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê , e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros, muito seguros de si e uns tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô, que lhe declarou: ' Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza.' Ela foi então colocar na estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às feiticeiras, e dizendo-lhes três vezes: ' Que o peito do pássaro receba esta oferenda'. Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. 
O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se debateu e morreu. Todo mundo começou a dançar e cantar: 'Oxó é popular! Oxó é popular! Oxowussi! Oxowussi!! Oxowussi!

O filho de Odé apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.Os filhos de Odé são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.
Fisicamente, os filhos de Odé, tendem a ser relativamente magros, um pouco nervosos, mas controlados. São reservados, tem forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.
No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Odé trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.
Os filhos de Odé, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.
Os filhos de Odé tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Odé como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. 
Os filhos de Odé, compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá. Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos.É portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades.Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.
O tipo psicológico, do filho de Odé é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbrava-dor, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica
oxossi
DIA: Quinta-feira
COR: Verde
SÍMBOLOS: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré
ELEMNTO: Terra (florestas e campos cultiváveis)
DOMÍNIOS: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura
SAUDAÇÃO: Òké Aro!!! Arolé!
Oxóssi (Òsóòsi) é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura e da riqueza. Actualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido em África, mas é bastante difundido no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso deve-se ao facto de a cidade de Kêtu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e os seus habitantes, muitos consagrados a Oxossi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse facto possibilitou o renascimento de Kêtu, não como estado, mas como importante nação religiosa do Candomblé.
Oxóssi é o rei de Kêtu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Kêtu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois em África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade, que garante a fartura para os seus descendentes.

Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo desconhecido.
A colecta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mais do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.
Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, esse caçador possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor naquilo que faz, está permanentemente em busca da perfeição.
Em África, os caçadores que geralmente são os únicos na aldeia que possuem as armas, têm a função de salvar a tribo, são chamados de Oxô, que significa guardião e wúsí que significa popular, ouseja Osowusí e na expressão populara cabou virando Oxóssi. Oxóssi também foi um Òsó, mas foi um guardião especial, pois salvou seu povo do terrível pássaro das Iyá-Mi.
Outras histórias relacionadas com Oxóssi apontam-no como irmão de Ogum. Juntos, eles dominaram a floresta e levaram o homem à evolução. Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum – dizem até que seria seu filho, e onde está Ogum deve estar Oxóssi, as suas forças completam-se e, unidas, são ainda mais imbatíveis.
Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim (Òsanyìn), com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta, tornou-se um grande feiticeiro e senhor de todas as folhas, mas teve que se sujeitar aos encantamentos de Ossaim.
A história mostra Oxóssi como filho de Iemanjá, mas a sua verdadeira mãe, segundo o mais antigos, é Apaoká a jaqueira, que vem a ser uma das Iyá-Mi, por isso a intimidade de Oxóssi com essa árvore.
A rebeldia de Oxóssi é algo latente na sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi se tornou orixá.
Tal como Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte, porque é expressão da vida. A Oxóssi não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente. O frio de Ikú (a morte) não passa perto de Oxóssi, pois ele não acredita na morte.
Características dos filhos de Oxóssi
Os filhos de Oxóssi são pessoas de aparência calma, que podem manter a mesma expressão quando alegres ou aborrecidas, do tipo que não exterioriza as suas emoções, mas não são, de forma alguma, pessoas insensíveis, só preferem guardar os sentimentos para si.
São pessoas que podem parecer arrogantes e prepotentes, e às vezes são. Na realidade, os filhos de Oxóssi são desconfiados, cautelosos, inteligentes e atentos, seleccionam muito bem as amizades, pois possuem grande dificuldade em confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são pessoas altamente confiáveis, das quais não se teme deslealdade; são incapazes de trair até um inimigo. Magoam-se com pequenas coisas e quando terminam uma amizade é para sempre.
São do tipo que ouve conselhos com atenção, respeita a opinião de todos, mas sempre faz o que quer. Com estratégia, acabam por fazer prevalecer a sua opinião e agradando a todos.
Altos e magros, os filhos de Oxóssi possuem facilidade para se mover, mesmo entre obstáculos. O seu andar possui leveza e elegância. A sua presença é sempre notada, mesmo que não façam nada para isso acontecer.
Os filhos de Oxóssi gostam de solidão, isolam-se, ficam à espreita, observam atentamente tudo que se passa à sua volta. Curiosos, percebem as coisas com rapidez, são introvertidos e discretos, vaidosos, distraídos e prestativos, comportamento típico de um caçador, provedor do seu povo.

Deus é um só (Oxóssi e São Sebastião) - Douglas Fersan


Deus é um só...
São Sebastião foi um mártir cristão. Soldado do Império Romano, tratava os cristãos com piedade, o que levou o imperador Diocleciano a condená-lo à morte, no ano 286. Amarrado a uma árvore, foi alvejado com várias flechas e seu corpo jogado em um rio. Entretanto, sobreviveu a todas as torturas e retornou a Roma.

É sincretizado com o orixá Oxóssi, o caçador de uma flecha só, o provedor piedoso, senhor das matas e protetor dos desvalidos.

Seja no Império Romano, seja em Ketu, na África, a misericórdia divina sempre estará presente. Nos cultos de Umbanda, sincretizado ou não, rendemos hoje, 20 de janeiro, nossas homenagens a Oxóssi e São Sebastião.

Douglas Fersan

Salve Oxóssi, o rei de Ketu - por Douglas Fersan


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O orixá oxóssi (Òsòóxi, originalmente) é o deus da caça, senhor e guardião das florestas e dos seres vegetais e animais que a habitam. É também um orixá ligado à fartura (elemento presente nas florestas) e à riqueza.  Oxóssi é um dos orixás mais populares no Brasil, sendo muito cultuado também em Cuba (rituais de Santeria) e outros países da América que utilizaram a mão-de-obra escrava negra, em especial a Iorubá.  Entretanto, seu culto na África praticamente desapareceu, em virtude da destruição da província de Ketu (da qual Oxóssi era um rei lendário) no século XVIII.  Os habitantes de Ketu se tornaram escravos no Brasil e nas Antilhas (fato que explica o desaparecimento do culto na África e seu surgimento nesses lugares).  Assim, como uma fênix, Ketu ressurgiu, não como Estado político, mas como nação espiritual, através do culto que seus descendentes praticavam e praticam a Oxóssi.

   O título de caçador consistia uma grande honraria, já que a ele cabia escolher o local adequado para instalar a aldeia, garantindo que nada faltasse a seus habitantes (isso também explica o fato de Oxóssi estar liga à fartura).  O caçador era o primeiro habitante do local e se tornava uma autoridade sobre os demais, sendo chamado de "Oni Aráaiyé", o senhor da humanidade, aquele que garantia a riqueza e a fartura para o seu povo.

   Nos cultos de Umbanda é sincretizado com São Sebastião, o mártir cristão que foi executado com flechas por determinação de Diocleciano, o imperador romano, por volta de 286.  A relação das flechas que executaram São Sebastião e as usadas pelo caçador contribuíram para o sincretismo entre o santo católico e o orixá, considerado também o patrono da linha dos caboclos na Umbanda.

Douglas Fersan

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

MENSAGEM DA CABOCLA JUREMA


O AMOR

É através do amor,que encontramos o caminho que nos leva a Deus.É através do amor, que entendemos o verdadeiro significado da vida.A vida é a grande manifestacão do amor de Deus.A vida é a grande oportunidade de se aprender a amar.Aprender a amar é o grande trabalho a ser realizado.O amor, traz consigo o sentimento da compaixão e da caridade.Vivemos para amar.E o amor é a única grande força que pode nos unir.Quando o amor nos uni,nos mostra também que somos todos iguaise aí, aprendemos que somos um só.Descobrimos, então, que a nossa alegria é a alegria de todos,e que a nossa tristeza é a tristeza de todos.Que a nossa luz é a luz de todos, e que a nossa escuridãoé a escuridão de todos.Aprendemos que tudo que fazemos aos outrosestamos fazendo a nós mesmos.Se ajudamos aos nossos irmãos estamos também nos ajudando.Se damos a mão a quem precisa, também nos apoiamos nela,pois ninguém chegará ao fim do caminho sozinho.Enquanto o último de nós não encontrar seu caminho,a grande porta não se abrirá.Ajudar aos outros é ajudar a si mesmo.Amar aos outros é também amar a si mesmo.O amor é a única força que se renova.Quanto mais se dá, mais se torna forte.Só ensinando podemos aprender, só dando podemos receber.Fortalecendo nosso irmão,também receberemos dele a forçade que precisamos para seguir nosso caminho.Dando de comer a quem tem fome, fortalecemos nosso irmãoE ele nos ajudará a chegar mais rápido ao nosso destino.Iluminando os olhos de quem precisa,eles também nos ajudarão a enxergar nosso caminho.Ninguém pode guardar para si um pedaco da luz.Se a luz é trancada ela se transforma em escuridão.A luz só vive no coracão aberto.Quem ama vive na paz e a paz é luz.A tempestade só reina na escuridão,ela nunca vem enquanto o sol está brilhando.Vivemos na luz, vivemos na paz.Quem vive na luz ilumina os caminhos escurose pode guiar aqueles que ainda não encontraramo verdadeiro caminho.Ela afasta os sentimentos escuros do nosso coracãoe ilumina nossa alma.E um coracão iluminado é como uma casa limpa,aonde não vivem os seres que se alimentam da escuridão.Se o nosso coracão está iluminado,não existe nele nenhum sentimento de ganâcia,nem de ódio e nem de tristeza.Nossa alma é como um jardimonde só devemos plantar aquilo que pretendemos colher.Quem planta flores e distribui sementes,está ajudando a tornar seu próprio caminhomais perfumado e mais feliz.Quem planta e distribui espinhos,poderá rasgar as roupas e machucar as próprias mãosna sua caminhada.Quem anda por um caminho iluminadosabe com certeza aonde deve pisar,e tem fé que chegará ao seu destino.O caminho é um só para todos.Quem cuida de sua estrada, ajuda a todos que por ali passarão.Quem tem verdadeiramente fé,não guarda nenhuma dúvida em seu coracão.A fé é a certeza e a certeza nos mostra um só caminho.Quem não tem fé, vê muitos caminhos e não sabe por onde seguir.E ai então, perde muito tempo andando por muitos lugares.Só se pode receber ajudaquando se tem fé em quem está nos ajudando.E quando também somos sinceros em nossas próprias necessidades.Só podemos receber ajudase realmente estamos querendo ser ajudados,e para isso temos que nos colocar em condicões de receber.Para receber ajuda temos que ter fé.E a fé é a certeza.Quem precisa de ajuda não sabe qual é o caminho a seguir,e por isso precisa se deixar guiar sem dúvidas nem resistências.Só se dá valor a um presente quando se precisa dele.Pedir aquilo de que não se precisaé tirar do outro a oportunidade de receber o que ele esperava.Pedir o que não se tem necessidadeé juntar coisas que pesarão e atrapalharão a nossa viagem.Aquilo que não serve para você,pode servir para alguém que está a seu lado.Carregar aquilo de que não se precisa é carregar um peso inútil.Dando o que você não usa estará esvaziando o seu coracão,para receber aquilo de que realmente precisa.Saber separar aquilo que queremosdaquilo que realmente precisamos,é o início de um caminho de aprendizado, de paz e de amor.Quem aprende a amar, aprende a estar perto de Deus.E Deus é Luz e Paz.É o verdadeiro e único Amor.Fontes : 

Palavras de um pastor - uma lição de tolerância.


Hoje vou contar algo que aconteceu há um ano atrás mais ou menos. Minha mãe em uma das tentativas de me converter, me levou "enganado" para um culto evangélico. Seria uma festa no apartamento novo de uma amiga dela e para agradecer esse apê, essa amiga fez antes da festa um mini culto de graças alcaçadas no local. Minha mãe, tão inocente, disse que não sabia desse culto que rolava antes.


Eu respeito muito todas as religiões, mas numa ocasião dessas se me perguntam "você aceita Jesus", eu deixo claro que aceito toda tragetória dele, mas que já tenho minha religião bem definida.


O culto estava rolando muito bem, a pregação rolando solta, palavras da bíblia, relatos da dona do apartamento, chorôrô de emoção dos amigos e enfiiiiiiim vieram os comes e bebes (não alcoolicos). Tô vendo de longe, meu padrasto virando amigo de infância do pastor e minha mãe ao seu lado. E assim ficaram durante toda festa.


Minha mãe as vezes se aproximava de mim como quem não quer nada e dizia: "Viu que clima legal?" ou então ficava me perguntando o tempo todo se eu estava gostando. Eu fiquei quieta no meu canto a festa toda, pois não queria dar brecha pra alguém se aproximar de mim e tentar me converter.


Até que na hora de ir embora, fomos nos despedir do pastor. Nisso ele vira para o meu padrasto e diz: - Deus tem muitos planos pra você. Você será um excelente PASTOR!!!


Aí depois ele vira pra minha mãe e diz: - A senhora será uma excelente obreira ao lado dele!


Ele olha pra mim e eu penso: "PRONTO! Lá vem..." Porém, ele respira fundo e fala: - Você tem um caminho muito bonito pela frente, uma missão muito bonita pra cumprir e sei que você já está agarrada com ela ! Deus fica muito feliz de você ter aceitado essa missão ! Ele vai te dar muita força porque é um caminho difícil e tem muita gente contra, mas não escute esses, escute só seu coração!!! -
Eu abracei o pastor com o meu corpo todo arrepiado, pois era nítido que aquilo foi uma mensagem que passaram pra ele. Até minha mãe adimitiu.


Essa noite ficará guardada na minha memória (e a cara de sem graça da minha mãe também). Aprendi que não posso julgar se serei julgada, pois nesse caso o preconceito partiu de mim e eu perdi uma ótima oportunidade de uma possível conversa agradável.

Texto gentilmente cedido pela nossa querida amiga e irmã "Docinho" da comunidade Amigos, Umbanda e Espiritismo e publicada originalmente no blog http://diariodeumafilhadepemba.blogspot.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

15 dicas de como se portar na 

Umbanda: 15 - Tenha paciência com os mais novos e respeito pelos mais velhos 


15. Tenha paciência com os novos e respeito pelos mais velhos.
Nunca duvide do potencial de alguém.  Muitas vezes, quando um médium jovem começa seu desenvolvimento num templo de Umbanda, outros costumam torcer o nariz e se esquecem que um dia já estiveram nessa condição. Todos um dia começaram...  somos todos eternos aprendizes.

Por outro lado é comum (ainda mais em tempos de internet, que facilita o acesso a informações - nem sempre confiáveis) vermos o conhecimento dos mais velhos (e experientes) ser menosprezado ou colocado em dúvida.  Não podemos esquecer que a maior faculdade de Umbanda é o terreiro e os maiores mestres são os pretos velhos, caboclos, exus...  De nada valem cursos, faculdades, ter dado duas, três ou quatro obrigações aos orixás...   Nada disso equivale à experiência, e isso só se adquire com o tempo, que nem todos têm paciência para respeitar.

Então nunca esqueça: todos são importantes dentro de um ritual de Umbanda. Jovens que desenvolverão sua potencialidade e os mais velhos, que transmitirão seu conhecimento. A vida é uma eterna escola.

  14 - Fale menos e escute mais 


14. Fale menos e escute mais.
Somos todos meros aprendizes e se estamos em um templo espiritualista é porque os espíritos que ali se manifestam sabem mais que nós.  Os mais antigos na religião também, portanto é fundamental manter os ouvidos abertos aos ensinamentos e às experiências que eles podem nos transmitir.

Dizem os antigos que "quem fala demais dá bom dia a cavalo", ou seja, acaba falando besteira, perdendo a grande oportunidade de ficar calado.  Quem fala demais fala o que não deve, fala dos outros, é maledicente, inconsequente e se torna desagradável.  Quem fala demais é porque cuida demais do comportamento e da vida dos outros e, por consequência, deixa de fazer a sua parte.

Não deixe de falar o que é necessário, mas antes avalie se realmente aquilo é necessário, senão você acabará caindo em descrédito, pois é isso que fatalmente acontece com quem fala demais.  E quem fala de um, fala de todos.

Os antigos também diziam que Deus nos deu dois ouvidos e uma boca justamente para ouvirmos mais e falarmos menos.  Sábios esses antigos...

 13 - Não apresse os acontecimentos; tudo acontece no tempo certo 


13. Não apresse os acontecimentos. Tudo acontece no tempo certo.
A maioria das pessoas que entra para a corrente de Umbanda é tomada por um certo fascínio, o que é perfeitamente compreensível, afinal ver a dança dos orixás, ouvir as entidades cantando seus pontos, o som dos atabaques é algo indescritível e só quem está dentro de um templo de Umbanda compreende.

Assim, os novatos na Umbanda ficam ávidos pelos acontecimentos. Querem a todo custo desenvolver a sua mediunidade, querem dar passagem aos seus guias, querem fazer obrigações, amacis, e tudo mais que faz parte do ritual.

Mas na Umbanda não existe curso supletivo. Tudo é fruto de caminhada passo a passo, sem atalhos.  É preciso paciência e resignação para vivenciar cada passo da caminhada do desenvolvimento. Primeiro sentir apenas alguns arrepios, depois a vibração das entidades e todo o processo até que elas tenham firmeza para estar realmente em terra e realizar seus trabalhos.

De nada adianta querer fazer obrigações a esse ou aquele orixá. É preciso antes de tudo estar preparado para fazê-los, pois é uma questão de responsabilidade, conhecimento e firmeza.

Cai em grave erro o médium que força a situação e coloca a carroça na frente dos bois.  Assim ele estará impedindo que a mediunidade realmente se manifeste e estará "furando a fila", impedindo que seus guias consigam realmente ter o controle da situação.

A Umbanda é uma escola e as conquistas vêm de degrau em degrau. E subir respeitosamente os degraus nos torna mais fortes, sábios, competentes e responsáveis.

12 - acate as regras do terreiro, elas são fruto de um trabalho construído 


12. Acate as regras do terreiro. Elas são fruto de um trabalho construído.
Lembre-se que quando você chegou ao terreiro ele já existia e as regras que o regem também.  Elas são fruto de um trabalho construído ao longo de anos, a partir das necessidades percebidas pelos dirigentes e pelas entidades da casa.  Cada vertente umbandista (e existem várias) segue uma tradição, portanto não tente impor ou subverter uma tradição que é nova para você.  Se em outro terreiro você praticava os rituais de uma forma diferente, lembre que você estava em OUTRO terreiro.

Você não é o dono da verdade e nem o juiz das situações. Muitas vezes não concorda com determinada regra ou forma de trabalho, mas ela foi instaurada a partir da observação atenta de quem já trabalhava na casa antes de você.  Se não concorda ou não entende, procure o dirigente e pergunte, mas não tente ser o revolucionário tentando levantar bandeiras que irão subverter o que já existia antes e que provavelmente você não sabe a razão.  Se essas regras e esses costumes existem é porque são necessários para o bom funcionamento dos trabalhos.

E mais importante ainda: JAMAIS USE O NOME DAS SUAS ENTIDADES para dizer que essa ou aquela regra está errada.  Errado está você ao não compreender que quando suas entidades aceitaram trabalhar naquela casa, automaticamente elas já aceitaram as regras que haviam lá.  Ao usar o nome das entidades para dizer o que você não teve coragem de dizer à paisana, você cai num duplo erro: o da insubordinação e o da mistificação. Então, se tiver que falar, fale por você, diga que VOCÊ não concorda, mas tenha fundamentos, argumentos sólidos e não esqueça que as regras já existiam quando você chegou lá e ao entrar, automaticamente você as aceitou.

 11 - Use menos o "eu" e mais o "nós"


11. Use menos o "Eu" e use mais o "NÓS".
Não se iluda. Sozinho você não abre uma gira de Umbanda. Sozinho você não dá passes, sozinho você não tem mironga e nem axé.

Sabe por que não?  Porque sozinho você é apenas o médium, o instrumento, a ferramenta.  Além dos seus irmãos encarnados, que fortalecem e fazem funcionar uma gira de Umbanda, você precisa dos orixás e dos seus guias (mentores), e sem eles você não é nada. Você não é um mago, um super-médium e nem nada disso.

Você é importante dentro dos trabalhos. Mas não é único e nem insubstituível, então pare de alimentar seu ego com falsas crenças num potencial ou num super-poder que provavelmente você não tem. Você terá sim, muita força para ajudar as pessoas, mas desde que tenha todos os seus irmãos fortalecendo a corrente, os guardiões dando a devida proteção, os orixás emanando as radiações necessárias e as entidades para falar através do seu aparelho.  Senão, você será só o aparelho...  desligado. Só isso.

Então pare de falar que fulano foi ao terreiro por causa do "seu" baiano ou do "seu" caboclo ou do "seu" preto velho.  Eles não são seus. Você que é um mero instrumento para a prática da caridade. E só será um instrumento eficiente se estiver de coração e espírito puro e estar puro inclui lavar-se do ego também.

Então, se  quer ser um bom trabalhador de Umbanda, pare com o estrelismo. Não precisamos disso. Deixe seu ego em casa, de preferência trancado num baú a sete chave e passe a usar o "NÓS" no lugar do "EU".  Afinal, já diziam os antigos, que uma andorinha só não faz verão... imagina uma gira de Umbanda então.

10 - Cuide da linguagem usada e dos assuntos abordados dentro do templo 

10. Cuide da linguagem usada e dos assuntos abordados dentro do templo.
O templo de Umbanda é nossa igreja, e assim sendo, merece todo nosso respeito. Não é um ambiente qualquer, não é um ambiente mundo e não deve ser profanado com palavras e assuntos inadequados.

Entendemos perfeitamente que além de ser a nossa igreja, é também o local onde encontramos nossos amigos, muitos dos quais só os vemos ali e só ali temos a oportunidade de conversar. No entanto, o respeito ao sagrado deve ser maior...  sempre.

A palavra tem poder, isso é fato aceito por praticamente todas as correntes espiritualistas.  Portanto, palavras de baixo calão não contribuirão em nada para o bom andamento dos trabalhos espirituais.  Ao contrário disso, servirão para dispersar a atenção e até mesmo os seres iluminados que se fazem presentes e primam pelo ambiente respeitoso.

Pior ainda é quando além de palavras chulas, os assuntos abordados são de mau gosto ou má intenção.  Fofocas, comentários maliciosos, abordagens deselegantes, piadas de mau gosto, maledicência... nada disso combina com o ambiente espiritualista e com certeza dão forças àqueles que querem  encontrar uma fragilidade para quebrar a corrente.

Portanto, cuide de seus atos e pensamentos, mas cuide também de suas palavras. Elas possuem mais poder do que você imagina e portando-se de maneira adequada, você estará contribuindo com os trabalhos mais do que imagina.

 09 - Não imite as atitudes de seus irmãos-de-fé e suas entidades; seja você mesmo 


09. Não imite as atitudes de seus irmãos-de-fé e de suas entidades. Seja você mesmo.
É muito comum, principalmente aos iniciantes na Umbanda, admirar um ou outro médium e suas entidades. É comum (e compreensível) também o desejo de ser como eles, afinal bons exemplos devem ser seguidos. No entanto, se olharmos nossas mãos, veremos que os dedos são todos diferentes, embora igualmente úteis e necessários.

Se um determinado médium, ao incorporar seu caboclo, usa um penacho na cabeça, não significa que você deve fazer o mesmo. Se ele faz isso (em se tratando de um médium sério), é porque aquele penacho possui algum fundamento e é, portanto, uma ferramenta de trabalho dele.  Se você, em sua admiração e deslumbre, fizer o mesmo ao incorporar seu caboclo, certamente o fará sem utilidade alguma, pois provavelmente seu caboclo não precisa de um instrumento de trabalho igual ao do outro.

Ou pior: provavelmente (e isso é mais frequente), você estará tomando a frente da entidade. Pois pediu um apetrecho de trabalho desnecessário, por pura vaidade e se é que havia um caboclo com você, ele se afastará.

O mesmo ocorre com postura.  Não é porque um exu, ao se manifestar, solta uma gargalhada, que todos devem fazer o mesmo, transformado uma gira que deveria ser séria, em uma disputa de gargalhadas, como se a entidade mais barulhenta fosse a mais habilitada e competente.

Mais habilitado e competente é o médium que se entrega sobriamente aos seus trabalhos, sem necessidade de espetáculos e sem querer imitar ninguém - nem encarnados ou desencarnados.  É aquele que deixa que a entidade tome conta da situação e guarda sua vaidade no íntimo do seu ser, entendendo que a entidade possui a sua personalidade e suas admirações pessoais e sua vaidade jamais devem interferir na manifestação dos espíritos que se manifestam para praticar a caridade.

Agindo assim, com sobriedade, você estará contribuindo para que suas entidades ganhem força e credibilidade. Para que sejam elas mesmas e que você comece a construir sua identidade espiritual, afinal assim como na vida material, no mundo espiritual também existe a personalidade e a individualidade, que devem ser respeitados.

 08 - Trate bem a assistência, um dia você esteve lá 


08. Trate bem a assistência. Um dia você esteve lá.
É fundamental lembrar que quem procura um templo de Umbanda geralmente o faz pela dor. Raros são os que o fazem por amor ou por curiosidade acadêmica (pesquisa), ou mesmo atendendo a um simples convite para conhecer o local.

O consulente chega ao templo, na maior parte das vezes, machucado, fragilizado, assustado e inseguro. Diante desse quadro psicológico é fundamental receber bem as pessoas, desde a sua entrada no recinto, cumprimentando-as com um singelo "boa noite", até o momento do atendimento e maiores orientações.

Somos o espelho daquilo que praticamos.  Se nos portarmos com civilidade e gentileza, passaremos uma imagem positiva da nossa religião.  Na mesma proporção em que, se agirmos de maneira grosseira, passaremos uma imagem negativa.  O que vão pensar de nossa religião depende de nós mais do que imaginamos.

E não se trata apenas de transmitir uma imagem positiva da Umbanda.  Trata-se, acima de qualquer coisa, de um ato de civilidade, solidariedade e amor fraterno.  Como se sente um doente que procura um médico e no lugar do remédio recebe o desprezo, como infelizmente sabemos que tanto acontece em nosso país?

Não esqueçamos, então, que a Umbanda é o hospital para muitos, que não encontram o remédio para males do corpo e da alma.  E como dizia o profeta: gentileza gera gentileza.

 07 - Controle seus olhares e seus desejos dentro do templo 


07. Controle seus olhares e seus desejos dentro do templo.
O templo de Umbanda é um solo sagrado, é a nossa igreja, um recanto de harmonia, respeito e fé, onde não deve existir espaço para olhares maliciosos e desejos não condizentes com o local.

Pessoas bonitas sempre existirão e apreciar o belo não é pecado, mas em sua devida hora e lugar, e principalmente com respeito. Admirar não equivale exatamente a desejar, mas infelizmente nem sempre é isso que acontece.

Dentro de um templo de Umbanda todos devem se portar como irmãos.  E entre irmãos não existem olhares maliciosos e desejos de cunho sexual. Pensamentos libidinosos são armas eficientes nas mãos daqueles que de tudo fazem para quebrar a harmonia de uma casa e os elos da corrente de fé e espiritual que a protegem.  Por outro lado é importante que cada um se preserve também, a fim de evitar que esses olhares sejam despertados nos irmãos/irmãs de fé.  Roupas decentes e adequadas devem ser usadas no trabalho, afinal sendo o templo de Umbanda a nossa igreja, não é lugar também para o uso de roupas provocativas.

Não se trata de puritanismo ou conservadorismo, e sim de bom senso diante do comportamento esperado pelos praticantes de uma religião dentro do solo que para eles deve ser tratado como sagrado.

06: Jamais faça comentários desnecessários


06. Jamais faça comentários desnecessários.
Não existe ferramenta mais eficaz para derrubar um terreiro de Umbanda do que a fofoca.  As forças contrárias à luz e à evolução dos encarnados parecem perceber isso e fomentam esse tipo de comportamento, portanto vigiar as próprias palavras é mais do que uma opção, é um dever de cada filho-de-fé.
Se você viu ou ouviu algo que não considera correto ou incomodou, procure o dirigente da casa e peça para que ele o coloque face a face com a pessoa que causou o transtorno para que o caso seja esclarecido amigavelmente (um bom dirigente tenta sempre conciliar, evitando agravar os desentendimentos).
Se as suas palavras, os seus comentários sobre o que você pensa, viu ou ouviu não vão acrescentar nada, guarde-os para você.  Isso é um exercício de reforma íntima e com o tempo perceberá que você mesmo está sendo beneficiado com essa ação.
Nunca esqueça o valor das suas palavras deve ser maior que o valor do seu silêncio.

05: Tenha o mesmo respeito por todas as entidades 


05. Tenha o mesmo respeito por todas as entidades.
Não é porque um médium está na Umbanda há mais tempo ou porque você tem mais afinidade com ele, que as suas entidades são melhores ou merecem um tratamento diferenciado. Você pode ter e tem direito às suas afinidades, mas o respeito deve ser igual a todos, independente das suas preferências e independente da função que o médium ocupa no templo. Se a Espiritualidade maior permitiu àquela entidade vir em terra para trabalhar é porque ela está pronta para isso e merece nosso respeito, que na escala evolutiva estamos degraus abaixo.  Quando um médium, usando o pretexto do cargo que ocupa no terreiro, exige que suas entidades recebam um tratamento diferenciado, é sinal de quem naquele momento quem está falando é o seu ego aflorado, e não a própria entidade. E quem cai nesse engodo de servir a essas vontades mesquinhas torna-se uma marionete nas mãos dessas pessoas despreparadas.
Tratar a todos de forma respeitosa mostra sua capacidade de altruísmo e superação frente às suas vontades pessoais, que devem ficar do lado de fora do terreiro.

 04: Trate a todos como você gostaria de ser tratado 


04. Trate a todos como você gostaria de ser tratado.
Nunca esqueça que quem procura um templo de Umbanda geralmente o faz pela dor. Receber as pessoas com educação, carinho e amor fraterno é dever de cada membro da corrente. Trate-os como você gostaria de ser tratado ao entrar pela primeira vez em um lugar que ainda não conhece: com respeito e hospitalidade.  Não importa se você é o dirigente, médium, cambone ou a pessoa que anota o nome dos consulentes. Todos são importantes para o bom funcionamento dos trabalhos espirituais e ninguém possui um posição hierárquica superior, possuem apenas funções diferentes. Perante a espiritualidade somos todos seres humanos encarnados usados como instrumentos para a prática da caridade. Não trate com desdém os problemas de quem procura ajuda, não os trate como estranhos, e sim como um irmão que nada mais pede do que solidariedade.  E da sua boa educação dependerá a impressão que ele terá sobre toda a religião, pois a tendência do leigo é generalizar aquilo que ainda não conhece.  Ou seja, você é responsável pela imagem que os outras fazem sobre a nossa religião.

03 - Nunca se julgue insubstituível 


03. Não se julgue insubstituível.
Você é um médium, ou seja, um intermediário, uma ferramenta. Não deixe que seu ego supere as suas qualidades. Insubstituíveis dentro de um templo de Umbanda é Deus, seus guardiões e orixás. Nós, meros mortais, médiuns agimos apenas como instrumentos para que esses seres mais evoluídos realizem o seu trabalho. Não deixamos de ter o nosso mérito por conta disso, mas esse mérito não pode se tornar vaidade a ponto de nos acharmos superiores aos demais trabalhadores da casa. Muitas vezes aquele médium que está quietinho em um canto, em prece apenas, está realizando um trabalho extremamente eficiente e nem e nem os demais se dão conta disso. Portanto, não deixo que se ego fale mais algo que o valor de sua mediunidade. Dentro de um templo somos todos irmãos e como tais temos nossos valores, qualidades e defeitos. E a espiritualidade, sábia como é, saberá substituir um médium corrompido pela vaidade por alguém que ainda tenha o coração puro e livre desse vício.

02: Não prometa o que não poderá cumprir


02. Não prometa o que não poderá cumprir.
Lembre-se que quem procura um templo de Umbanda geralmente o faz por desespero e dor. Falsas promessas não ajudarão essa pessoa. Se não consegue ver uma solução para os problemas dessa pessoa, ofereça seu ombro amigo, ofereça a sua solidariedade e o amor fraterno, mas não crie falsas esperanças que poderão causar ainda mais sofrimento no futuro. Na Umbanda trabalhamos com a honestidade e a verdade.  Falsas promessas nada fazem do que causar mais transtornos a quem precisa de ajuda e alimentar o orgulho mesquinho de quem as faz, acreditando que assim irá arrebanhar adeptos. E na Umbanda não precisamos de adeptos, precisamos de amor fraterno.