segunda-feira, 7 de março de 2016

OS FALANGEIROS DE IEMANJÁ



    Novamente vamos falar de Falangeiros, sendo que dessa vez será a
sobre os Falangeiros da Orixá Iemanjá, a nossa amada rainha do mar, a
senhora dos peixes, a deusa das águas salgadas, mãe ou madrinha de
todas as coroas.

    E não podemos esquecer que os Falangeiros são Entidades que estão
somente abaixo do Orixá. Eles comandam as legiões de Entidades e
Espíritos que se afinizam na vibração do Orixá que os governa.


    Os Falangeiros dessa Orixá linda, nossa mãe Iemanjá, vem
relacionados da seguinte maneira:

Acurá, Assessu, Ataramogba, Awoió, Aynu, Conlá, Iamassê, Iemowo, Iewa,
Inaiê, Iyaku, Kayala, Maialeuó, Marabô, Masemale, Ogunté assabá,
Olossa, Sobá, Susure, Tuman.


    Esses Falangeiros vem em irradiação com Iemanjá, e vibração e
fundamento com os seguintes Orixás:


Iyá Acurá: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento da
Orixá Nanã Buruquê.

Iyá Assessu: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Ogum, Oxum e Iansã.

Iyá Ataramogba: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento
dos Orixás Omulú, Oxumaré e a linha dos Exús.

Iyá Awoió: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Oxalá, Oxumaré e Xangô.

Iyá Aynu: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Omulú e Nanã Buruquê.

Iyá Conlá: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Iansã, Xangô e Oxalá.

Iyá Iamassê: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento do
Orixá Xangô.

Iyá Iemowo: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento do
Orixá Oxalá na forma idosa (Oxalufã).

Iyá Iewa: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Oxum, Iansã ee Ewa.

Iyá Inaiê: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Ibeiji, Ossãe e Oxalá na forma jovem (Oxaguiã).

Iyá Iyaku: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento da
Orixá Nanã Buruquê.

Iyá Kayala: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento da
Orixá Iansã (Oiá).

Iyá Maialeuó: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento
dos Orixás Oxossi (Odé) e Oxalá.

Iyá Marabô: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento com
toda linha de Exú.

Iyá Masemale: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento
dos Orixás Xangô e Iansã (Oiá).

Iyá Ogunté assabá: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e
fundamento dos Orixás Ogum e Oxalá na forma jovem (Oxaguiã).

Iyá Olossa: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Oxum e Nanã Buruquê.

Iyá Sobá: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Xangô (Airá), Obaluaiê e Oxalá.

Iyá Susure: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Obaluaiê e Ogum.

Iyá Tuman: Vem na irradiação de Iemanjá com ligação e fundamento dos
Orixás Logum Edé, Oxumaré, Obá e Irôko.



    Falaremos resumidamente sobre as características e formas de cada
um desses Falangeiros de Iemanjá, para entendermos como se apresentam
no trabalho em prol da caridade em terreiros e roças.

    Mas antes de falarmos dos Falangeiros de Iemanjá, frisarei alguns
apetrechos que alguns desses Falangeiros usam para facilitar o
entendimento na leitura.

Abebé: Leque metálico circular, que contém guizos, que é utilizado
tanto por Iemanjá quanto por Oxum como instrumento musical e ao mesmo
tempo como insígnia.

alfanje: sabre curvo, um tanto curto e de lâmina larga.


Iyá Acurá: Também chamada de Iyá Akura. Falangeira de forma e
característica idosa. Deusa das espumas do mar que são feitas com o
bater das ondas. Dizem que ela aparece coberta de lodo e de algas
marinhas, que cobrem todo seu corpo.

    Tem como finalidade levar ensinamentos aos filhos rebeldes. Tem em
cada gesto e palavra a colocação de uma protetora, mas radical
demonstrando que não gosta de ser contrariada, uma verdadeira avó
orientando seus netos.

    Sem vaidade aparente, ela vem com uma roupagem na cor branco
aperolado com detalhes em lilás. Traz nas mãos o Abebé, na qual faz
questão de demonstrar em sua dança pesada, lenta, mas encantadora.

    Quem desejar fazer seus pedidos de proteção a Iyá Akurá, pode ser
feito a beira mar, pois as respostas serão dadas a cada onda que vem
de uma forma branda revelando sua espuma. Portanto se caso desejar ter
essa proteção, e não tem em um terreiro ou roça a vibração dessa
Falangeira, o mar será seu encontro com ela.

Iyá Assessu: De característica e forma jovial e guerreira, essa
Falangeira tem uma expressão de grande seriedade, pouco sorriso e
demonstração de que está sempre preparada para vencer uma mazela.

    Sua dança vem composta de passos rápidos, fortes como de um
guerreiro em batalha. Traz nas mãos uma espada longa em algumas vezes,
e em outras traz um alfanje, que usa como se atacasse os espíritos do
mal, defendendo seus filhos e protegidos.

    Como uma Falangeira soberana, tem um modo de atendimento
diferenciado, seu olhar profundo e fixo, muitas vezes dando a
sensação de que está olhando diretamente dentro de nossa Alma.

    Sua roupagem vem nas cores branco, vermelho, amarelo muitas vezes
raiados de azul anil.

Iyá Ataramogba: Falangeira de característica e forma idosa, tem uma
grande ligação com a linha da esquerda de cada um de nós. Tem como
fundamento principal a proteção de seus filhos e consulentes nos
caminhos tortuosos da vida.

    Sua chegada a terreiros e roças vem de uma forma muito lenta,
pesada, praticamente curvada de fronte ao chão. Normalmente chega de
olhos fechados, e a lenda diz que seria assim pois Iyá Ataramogba não
deseja fixar seu olhar na falsidade e hipocrisia humana.

    Sua roupagem vem na cor preto, podendo ter faixas ou babados em
verde e amarelo, e em algumas vezes vermelho. Traz nas mãos dois
alfanjes, e com eles faz a limpeza de seu caminho.

Iyá Awoió: Dizem que é a mais velha Falangeira de Iemanjá. Suas
características e formas muito idosa já demonstram isso. Seu olhar
fadigado, corpo curvado, passos lentos, fala pesada logo demonstram
que essa Falangeira tem muita experiência no que se diz tempo.

    É chamada de deusa das marés, e é ela que controla essa parte do
oceano. Ela que determina a subida e a descida das marés.

    Também pode ser conhecida como Iyemoyo, Yá Ori, Iemowo ou Yemuo,
mas independente da nomenclatura é a mesma Falangeira.

    Dizem que seu maior trabalho de caridade é curar problemas de
cabeça. Quando o filho assume esse problema, essa Falangeira o cura
como se nunca estivesse esse Ori tomado por males.

    Sua roupagem vem nas cores branco e cristal, em muitos casos vem
raiados de marrom, verde e amarelo. Traz sempre nas mãos o abebé, no
qual dança lindamente.

Iyá Aynu: Falangeira de característica idosa, muito severa e radical.
Tem como determinação de trabalho afastar os espíritos sem luz dos
terreiros e roças.

    Seu lema é o trabalho ético, portanto nunca deverá ser comentado
intenções de prejudicar um semelhante com essa Falangeira, pois
trazendo nessa descrição um jargão antigo para demonstrar a
importância do que foi dito acima, poderá assim "o feitiço virar
contra o feiticeiro". Portanto não se deve arriscar uma má intenção.

    Suas forças vem da junção da Calunga Grande (mar) com a Calunga
Pequena (cemitério), sendo assim, essa Falangeira tem um poder
extraordinário.

    Sua chegada em terreiros e roças se dá em uma dança lenta, serena,
na qual por muitas vezes abre os braços balançando o seu abebé, que
traz na mão, para afugentar os maus espíritos.

    Sua roupagem vem nas cores branco e preto, tendo em alguns
detalhes o lilás e o azul claro.

Iyá Conlá: Essa Falangeira tem características de jovem a adulta, tem
a forças do céu, dos ventos, das pedreiras e do mar. Com essa junção
é uma das mais fortes e poderosas Falangeiras que lutam pelos
trabalhos de caridade em terreiros e roças.

    Seus consulentes e filhos são analisados minuciosamente, a cada
palavra e gesto durante uma consulta e verificado por essa
Falangeira. Isso para não deixar escapar nenhuma intenção escondida.

    O buscar do raciocino e da inteligência também é muito cobrado por
essa Falangeira a seus filhos, não admitindo que esses filhos sigam
fora de uma reta imaginária traçada pela força maior, ou seja, a Orixá
Iemanjá traça um caminho a seu filho, e a Falangeira Iyá Conlá faz com
que esse filho ande nesse caminho.

    Sua chegada em terreiros e roças é muito chamativa, sua dança
deslumbrante, seus gestos e passos leves, parecendo andar sobre o ar,
sua força no rodopiar, como os fortes ventos, fazem dessa Falangeira
uma das grandes sensações em começos e findar de Giras.

    Sua roupagem vem nas cores branco e azul marinho, traz nas mãos um
abebé, que sempre o agita em suas danças de chegada, e um alfanje,
que demonstra estar sempre pronta para as batalhas.

    Muitas lendas dizem que é essa Falangeira a moradora dos mais
profundos mares, e é ela que reina, domina e ordena todos os
acontecimentos das profundezas.

Iyá Iamassê: De formas e características adulta. Tem o dom da
inteligência e da justiça. Nunca julga um fato se não tiver toda a
certeza do universo.

    Sua chegada em terreiros e roças vem de uma forma serena, séria e
observadora, fazendo assim com que seus consulentes busquem o
refletir antes da consulta.

    Conhecida também com os nomes Yá Loxá ou Iyá Masemale, essa
Falangeira tem seu domínio nas águas do mar que se quebram nas pedras.
Dizem que a cada quebrada do mar nas pedras é um espírito sem luz que
é afastado dos filhos dessa Falangeira.

    Sua roupagem vem nas cores branco aperolado e marrom. Traz nas
mãos o alfanje e o abebé. Em alguns casos já foi relatado que essa
Falangeira chegou no terreiro com um machado e um chocalho de Xangô
nas mãos, contudo é determinado que esse tipo de comportamento vem de
médiuns não preparados, e devida a essa colocação isso é apenas
mistificação, pois essa Falangeira vem apenas com o alfanje e o abebé.

Iyá Iemowo: Também conhecida como Iyemoy, é uma Falangeira de
característica e forma idosa, tem como finalidade trazer e manter a
paz entre as pessoas e a casa de trabalho.

    Tem uma ligação extrema com Oxalufã, que é Oxalá na forma idosa, e
dizem que Iyá Iemowo segue sempre os passos desse Orixá, a cada
pegada deixada por Oxalufã, ali estaria também uma pegada dessa
Falangeira.

    Sua roupagem vem nas cores branco e rosa, com alguns possíveis
bordados em azul. Traz nas mãos o abebé, e com ele faz sua dança na
chegada a terreiros e roças. Sendo uma dança lenta ao extremo,
demonstrando a sua condição idosa.

    A lenda diz que essa Falangeira mora nas profundezas do mar, não
aprecia a luz, suportando somente a luz de velas. Portanto,
normalmente quando chega a uma casa, são apagadas todas as luzes,
ficando apenas as luzes das chamas das velas.

Iyá Iewa: Falangeira de característica jovial, lutadora, guerreira.
Tem o dom da sedução, do encantamento, e que usa esses dons para
trazer para a luz espíritos perdidos na escuridão.

    Essa Falangeira não admite que um filho, principalmente as
filhas, sofram por qualquer motivo.

    Seus trabalhos em terreiros e roças tem como finalidade levar a
vitória a todos que a procuram em busca de ajuda.

    Gosta de saber que seus consulentes tem laços familiares fortes, e
dentre essas famílias não deverá ter mazelas de espécie alguma.

    Ao chegar em terreiros e roças, vem com passos leves como o vento,
num bailar como o da cachoeira que joga suas águas nos rios, mostrando
toda a sua sedução.

    Protetora das virgens, mas por outro lado e a deusa da
fecundidade. Muitas vezes é reverenciada como a rainha dos horizontes
ou a senhora de tudo que não foi explorado.

    Sua roupagem vem do vermelho vivo com algumas bordas em azul anil,
raiados de amarelo ouro. Traz nas mãos o abebé e o alfanje, e em
alguns casos raros pode trazer também um arpão.

Iyá Inaiê: Essa Falangeira é considerada a mais jovens de todas, suas
formas e características são infantilizadas para jovial, fazendo assim
que seja vista, ou muitas vezes apenas como uma criança, em outras
vezes uma pequena jovem.

    Protetora da infância, senhora das águas rasas, dona das estrelas
do mar, conchas e cavalos marinhos. Essa Falangeira vem sempre com seu
ar infantil trazendo paz e felicidade a todos seus consulentes.

    Seu trabalho consiste na proteção das crianças e jovens, atuando
na área da saúde de cada um desses pequenos.

    Sua chegada em terreiros e roças é sempre muito divertido, sua
dança descompassada, giros, pulos, sorrisos fazem muito bem ao
espírito de seus consulentes. Traz no olhar a esperança de dias
melhores, espalhando a alegria em torno de todos.

    Sua roupagem vem nas cores branco, azul, rosa e verde bem clarinho,
pode ter alguns detalhes de prateado nas bordas. Traz nas mãos o
abebé, mas diferente dos outros Falangeiros, brinca mais com o
artefato que o usa como apetrecho.

Iyá Iyaku: Mesma descrição de Iyá Acurá, sendo tão idênticas que por
muitas vezes são confundidas entre si. Tanto suas formas e
características, sua forma de trabalho, suas roupagens, enfim,
praticamente a mesma colocação, podendo ser apenas diferenciadas por
um ou outro passo na dança de chegada em terreiros e roças.

Iyá Kayala: Também chamado de Iyá Mikaiá ou Kaiá, é uma Falangeira de
característica e formas jovem e guerreira. Sua presença se faz muito
mais constante nos ritos de Angola, fazendo assim que raramente se
apresente em outros tipos de dogmas.

    Dentro dos ritos de Angola, tem como finalidade a proteção acima
de tudo a seus filhos. Sua luta é constante contra os espíritos sem
luz, e seus aconselhamentos se fazem jus a guerreira que é.

    Dizem que sua dança é forte e rápida,, seus ataques ao invisível

    Sua roupagem vem nas cores branco aperolado e amarelo ouro. Traz
nas mãos ou uma espada ou um alfanje, no que usa para atacar e
proteger seus consulentes dos espíritos desgarrados e sem entendimento
do bem e caridade.

Iyá Maialeuó: Conhecida também como Iyá Maléléo ou Maylewo,, é uma
Falangeira de característica e forma jovem/adulta, tem um modo
extremamente tímido, demonstrando isso nas chegadas em terreiros ou
roças, que ao se apresentar está de cabeça baixa, não fixando o olhar
nos olhos de seus consulentes. Sua dança também é tímida, se apresenta
como se chegasse apenas andando, em passos curtos, sem muitas
demonstrações para não chamar atenção.

    Dizem que jamais poderá ser tocado o rosto do médium que se
encontra incorporado com a Falangeira Maialeuó, talvez pelo excesso de
timidez.

    É a deusa dos grandes lagos, e lá faz sua morada. Domina tudo que
nele existe.

    Sua roupagem vem nas cores verde claro e branco prateado, traz nas
mãos o abebé.

Iyá Marabô: Conhecido também como Malelewo é uma Falangeira de forma e
característica jovem e astuta. Dizem que é muito sagaz e que nunca e
de forma nenhuma essa Falangeira se esquiva de uma boa quizila.

    A lenda diz que seria a voz dos grandes mares que atraem os
pescadores, e está ligada as grandes correntezas marítimas.

    Seu trabalho consiste em quebrar magias negras, retirar obsessores
de todos os tipos, abrir caminhos derrubando obstáculos.

    Sua dança em chegada em terreiros e roças é extremamente
chamativa, dizem que não há uma só pessoa que não fique atraído e com
vontade de dançar junto com Iyá Marabô em sua apresentação.

    Seus passos deslumbrantes, seu girar nas pontas dos pés, sua
posição de ataque e de defesa, encantam a tudo e a todos.

    Sua roupagem vem nas cores preto e vermelho, trazendo em algumas
partes raiados na cor branco, fazendo assim que ao refletir da lua
esses raios parecem sair de suas vestes indo de encontro aos
consulentes como se fosse uma limpeza de aura. Traz nas mãos dois
alfanjes, nos quais passam sobre seus protegidos para retiradas de
obsessores.

Iyá Masemale: De característica e forma iguais a da Falangeira Iyá
Iamassê, podem ser até consideradas a mesma Falangeira. Os pequenos
detalhes que as diferenciam é um ou outro passo nas danças de chegada
em terreiros e roças.

Iyá Ogunté assabá: De característica e forma jovem/adulta, essa
Falangeira é determinada, forte e guerreira.

    Deusa e mãe do rio Ógun, e senhora dos encontros rio e mar, essa
Falangeira tem como finalidade de trabalho fazer os grandes encontros
de paz. Em consultas em terreiros e roças, dá prioridade sempre ao
que se refere a paz, mesmo que para isso tenha que usar a força da
guerra.

    Sua chegada em terreiros e roças se faz acontecer através de uma
dança ritmada, de passos acertados, como se estivesse em um confronto
militar.

    Sua roupagem vem nas cores azul claro e branco aperolado, podendo
ter bordas em vermelho claro. Traz em uma das mãos uma espada, e na
outra o abebé.

Iyá Olossa: Conhecida também pelo nome de Iyá Olossá ou Iyá Oloxá, tem
como característica a forma bem idosa. Dizem que é a Falangeira mais
velha das terras de Egbado, e também dizem que não há médiuns que
incorporem essa Falangeira no Brasil.

    Como não há médiuns que a incorporem em nosso país, só vamos
relatar o que foi colocado nas incorporações em médiuns de algumas
regiões da África

    Não temos relatos sobre seus tipos de consultas ou proteções.
Dizem que em sua dança ela vem com passos curtos e lentos, sempre com
o tronco curvado, pelo peso das cargas de seus filhos e de sua idade
avançada. 

    Sua roupagem vem nas cores verde claro, raiadas em roxo e azul,
trazendo presos as vestes algumas contas brancas em cristal.

    Dizem que nunca deixa seu abebé, e mesmo fora das danças tem ele
nas mãos.

Iyá Sobá: Também conhecida como Iyá Asagba ou Sabá, é uma Falangeira
de forma e característica adulta.

    Deusa das espumas brancas dos mares e rios, de onde capta suas
energias, senhora das fiadeiras de algodão, tarefa que tem orgulho em
fazer.

    Em sua chegada aos terreiros e roças, vem de uma forma calma,
senhora dançante, sorridente e de passos controlados como um maestro
regendo sua orquestra.

    Seus trabalhos de caridade vem nos aconselhamentos, no entender de
cada passo, tempo e coisa da vida, nas soluções de problemas que
podemos achar que são insolúveis. Ela com sua maturidade, com seu
poder de reflexão, com seu senso de justiça e paz nos mostra que tudo
na vida pode ter uma solução, e essa solução só vai depender da
quantidade de fé que estamos dispostos a entregar ao Pai Maior.

    Sua roupagem vem nas cores branco, azul claro e prata, traz nas
mãos o abebé, e tem um detalhe que chama atenção, ela gosta de
utilizar uma corrente de prata no tornozelo.

Iyá Susure: Também conhecida como Iyá Sessu, ou Iyá Sesu, ou Iyá
Yasessu, tem característica e forma adulta, é ligada a gestação, a
tratamento de mazelas no corpo físico e curas do espírito.

    Dizem que também é muito guerreira, e que está sempre pronta para
vencer batalhas contra os espíritos sem luz. Muito respeitada por
todas as outras Falangeiras, pois ela é a única mensageira do rei do
mar.

    Ela vive nas águas sujas do oceano, e por isso a obscuridade
dessas águas a fazem ser muito esquecida, e quem a auxilia nesse
contraste e Oxum Apará, que sempre a acompanha para estar relembrando
os afazeres.

    Sua dança de chegada em terreiros e roças vem de uma forma bem
normal, um tanto lenta em comparação com as outras Falangeiras, mas
não tão lenta quanto a das mais velhas.

    Sua roupagem vem nas cores branco e verde água, tem contas
espalhadas na cor branco cristal por entre os babados de suas vestes.
Traz nas mãos uma espada ou um alfanje, juntamente com o abebé.

Iyá Tuman: De forma e característica adulta, essa Falangeira é a
senhora do tempo em que as águas do mar demoram para chegar a seu
destino.

    Tem como finalidade de trabalho a demonstração do tempo a seus
consulentes e filhos, para que a ansiedade não tome conta de suas
almas, e assim não deixar que errem por não refletir sobre qualquer
assunto ou fato.

    Sua chegada em terreiros e roças se faz em algumas vezes rápida
como o vento e em outras lentas como o mudar de imagem de uma
montanha, isso sempre voltada a demonstração do tempo.

    Assim como demonstração excessiva de tempo, Iyá Tuman, pelo
contrário também se demonstra não se importar com o gênero, pois em
alguns dias pode vir como representação feminina e em outras
masculina,

    É conhecida como a senhora da paciência e da calma, e assim tenta
fazer seus filhos entenderem a importância do tempo.

    Sua roupagem vem nas cores azul celeste, amarelo e branco
aperolado. Traz nas mãos o abebé e em algumas vezes o alfanje, que
apenas é usado como apetrecho de dança, nunca como uma arma, pois a
sua maior arma é a paciência e a tranquilidade, a mesma que passa a
seus consulentes nos trabalhos de caridade.


    Esses são os Falangeiros da rainha do mar, a nossa mãe Iemanjá,
que nesse texto resumido descrevemos apenas o mais objetivo, pois a
grandeza desses Falangeiros não seria possível podermos expressar
todos os detalhes de forma concreta pelo pouco espaço e tempo que
dispomos, e se fôssemos detalhar tantas e tantas grandezas, na certa
teríamos que dispor de dezenas de páginas desse humilde blog para
descrevermos o tanto de força tem esses trabalhadores da caridade.


    Saravá a falange e Falangeiros de Mãe Iemanjá.


    Odoiá minha rainha !


Carlos de Ogum.

MENSAGEM ENVIADA ATRAVÉS DE PSICOGRAFIA PELO PRETO VELHO PAI JOÃO D'ANGOLA




    Amigos e irmãos na fé, hoje nosso texto postado vai por um caminho
diferente.

    Estamos abrindo esse espaço para retransmitir uma mensagem de luz
que foi enviada pelo Preto Velho Pai João D'Angola, e dizer que essa
mensagem veio através de psicografia feita por uma pessoa de
mediunidade aflorada para tal, e que por pedidos desse amigo médium,
não vamos revelar seu nome conforme acordado.

    Gostaria de frisar também que essa mensagem foi levada em nossa
casa, Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê (TUPOM), mostrada a nosso
trabalhador do dia, Vovô Benedito da Calunga, que após tomar parte do
conteúdo da mensagem, levou  ao Mentor da casa, Vovô Rei Congo, para
que fosse concedida a autorização da publicação desse texto.

    O nosso amado Vovô Rei Congo disse que a publicação ou não dessa
mensagem ia depender do livre arbítrio do Pai da Casa (Pai Carlos de
Ogum), que sou eu. E por achar que é uma mensagem que seria uma lição
a muitas pessoas, inclusive a mim mesmo, estamos aqui postando essa
bela e reflexiva mensagem.

    Agradeço a meu Mentor por me dar a oportunidade de poder usar o
livre arbítrio, assim como sempre é feito dentro da Umbanda e no
Terreiro Pai Ogum Megê.

    Abaixo a descrição da mensagem.

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O mundo espiritual possui muitos mistérios que o homem terreno ainda
não possui a humildade adequada para desvendá-los.

O universo é grandioso para que uma única coisa fique no seu centro.

A obra de Deus esta sendo espalhada e seres estão se unindo para tal
propósito.

Para tanto, será necessário a transformação pessoal de cada um.

E como se faz essa transformação?

O amor é o caminho.

Amor ao próximo, aos aflitos, aos necessitados, aos inimigos.

Livrar-se de qualquer tipo de preconceito e manter-se humilde no
cumprimento de sua missão.

É necessário saber olhar para si antes de olhar para o irmão. Apontar
os próprios defeitos antes de apontar à alguém, fará de você
conhecedor de si mesmo e um modificador do seu "eu". Como na historia
de Narciso, quando este se enfeitiçou com seu próprio ego, devemos
moderar o que temos dentro de nós, saber filtrar e extrair o que temos
de bom para ser distribuído de forma isonômica.

Saibam que aqueles que mais precisam de nosso amor são os mesmos que
nos provocam dor. Mas o homem, com o ímpeto da ira, não observa que
todo sofrimento, toda dor possui um propósito de modificação interna.

Mas como amar a quem quer me destruir?

Amar não significa ficar "incangado" de beijinhos e abraços, o amor
vai alem disso. O amor, quando puro e verdadeiro, possui varias
manifestações, tendo como principal o perdão. Perdoar com o coração,
com sentimento, com verdade, prolifera o amor no universo, limpa seu
coração e sua alma. Exala fluidos no cosmos, poucos sabem e quase
ninguém ve, mas o amor é como a radiação solar, ultrapassa barreiras e
atinge infinidades de pessoas que clamam por este sentimento.

O perdão é uma das maiores ferramentas do amor, que nesta se inclui a
tão falada caridade. Mas, apenas, o perdão verdadeiro, aquele dar com
o coração, sem o propósito de troca ou de recompensa. O perdão é como
a água em um ferro quente.

Como posso fazer para dar amor a quem precisa?

A maneira mais simples de espalhar o amor é pela humildade. Saber
reconhecer o próximo de forma igual, sem superioridade, sem ego ou a
soberba causada por bens materiais.

É na distribuição de um sorriso para aqueles que se encontram
entristecidos com as suas dores. É dar um bom dia para aquelas pessoas
que estão invisíveis para a grande maioria. É dar a mão para os que
clamam por ajuda para se reerguer. Trata-se então, do amor humanitário
empregado pelos avatares que na terra passaram.

É necessário sabermos o significado da palavra "amor", pois está
chegando o momento de aprendermos a distribui-lo e fazer com que deixe
de ser apenas uma simples palavra escrita no papel, pois palavras
escritas podem ser apagadas.

Saibam ver, enxergar o que está em volta, escutar a voz do tempo,
decifrem as mensagens que a natureza está transmitindo, escutem as
palavras dos sábios.

Orem em prol da humanidade e da paz, atuando com o direcionamento de
ajudar, não contribuindo com o ego e a soberba daqueles que se acham
superiores.

Seus trabalhos no campo da espiritualidade dependem disto e a
transformação começa dentro de cada um.

Pai João D'Angola 17/12/2015.

Psicografada pelo médium F.A.A.F.

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Abaixo coloquei o significado de algumas palavras para não ficar
dúvida.


Isonômica: Igualdade de direitos.

Incangado: A mesma coisa que estar junto, estar próximo.


    A mensagem foi dada. Leiam e reflitam.


"Todas as palavras que vem para esclarecer aos filhos com falta de
humildade no coração, são palavras de Zambi." (Vovô Rei Congo)

    Esses dizeres foram de nosso amado Rei Congo, ao resumir a sua
autorização dessa divulgação.


Que Pai João D'Angola abençoe a todos!

Carlos de Ogum.


quinta-feira, 3 de março de 2016

O Umbandista e a Vaidade



A falta de união entre os terreiros de Umbanda está relacionada à vaidade e ao egocentrismo de determinados dirigentes umbandistas. A vaidade é como um veneno que contamina a alma do indivíduo. É um entorpecente letal que, se não for cuidado em tempo, levará o sujeito a um desfecho completamente irreversível. Essa mesma vaidade é ainda um mal que destrói a verdadeira missão da Umbanda: a Caridade!

Normalmente, a vaidade começa com um pequeno elogio: "Nossa, Fulano trabalha bem naquele terreiro!" ou " Fulano tem um 'Guia' muito forti..."

Enquanto elogios desse tipo não chegam aos ouvidos do Fulano, tudo anda bem. Porém, a coisa começa a degringolar quando tais palavras alcançam o desavisado. É realmente um veneno, mas só se o alvo deixar entrar em sua corrente sanguínea. Aí, não tem jeito...

O Fulano, movido pela vaidade, passa a se achar o bambambam da Religião. Acredita que só ele é quem detém as chaves dos mistérios umbandistas. Só ele tem a melhor incorporação: a mais forti. Pensa que só o seu cabocro é quem tem o poder de desfazer todas as demandas; só o seu inxum é quem é o Cabra mais poderoso; só o seu preto-velho é o mais iluminado. Tudo isso toma uma proporção maior ainda quando o Fulano é o "dono" do Terreiro onde ele diz que pratica a Caridade.

Contaminado pelo veneno da vaidade, o Fulano passa a desfazer dos outros "terreirinhos" ao redor. Acredita que só o dele é que tem os verdadeiros e únicos fundamentos da Religião; só o dele é que segue o verdadeiro ritual; só o dele é que tem a raiz mais profunda; só os seus antepassados é que praticavam a "verdadeira" Umbanda... Tudo isso é triste... Mas, aliado à vaidade, surge o egocentrismo de certos dirigentes.

Do alto do ilusório pedestal, o Fulano passa a ser o Senhor das Duas Torres (acho que já vi esse filme...): a vaidade e o orgulho! O Terreiro passa a ser uma extensão de si mesmo. Toda a sua vaidade e o seu ego inchado refletem no terreiro que ele comanda... O ritual já não tem a simplicidade do início. Suas vestes já não são mais tão simples como quando despertou o primeiro amor pela religião... Até os médiuns mais novos alimentam um certo orgulho de pertencerem ao "melhor" centro de Umbanda. Já não vêem com bons olhos os trabalhos realizados pelos mesmos Guias de sua casa no Terreiro vizinho. Acreditam que os médiuns do terreirinho da esquina estão mistificando e que os Guias de lá, não são Guias.

Egocêntrico, vaidoso e cada vez mais alienado das novidades da Religião e do crescimento de outras casas, o Fulano embebeda a todos com sua filosofia sem fundamentos do que é a verdadeira Umbanda... Despeja uma infinidade de pedras nas casas alheias; passa a criticar as atitudes dos outros pais de santo, dos outros chefes de terreiro; diminui o trabalho dos novos umbandistas (ainda mais se esses abrem um novo terreiro para a prática simples da caridade...); inicia a apresentação de um ritual rebuscado, cheio de inovações, poluído de mundanismo; ofuscante de tanto brilho e de tanta pompa.

Ora, se tais desvios de comportamento e de conduta ficassem restritos ao seu terreiro, seria bom... O problema fica pior quando o terreirinho da esquina, aquele que foi tão humilhado e execrado, aquele que conservava uma simplicidade sem par, o mesmo que era tão humilde e simples, se envereda pelo mesmo caminho do "Majestoso" e passa a disputar as atenções do público...

Bem, não é necessário enumerar e explanar sobre as mesmas atitudes do outro terreiro. Todas os atos e pensamentos são idênticos! Como se esse estivesse contaminado pelo mesmo vírus, ou pelo mesmo veneno. Seria redundância falar sobre o que o agora nada-humilde terreiro faz "em nome da caridade".

A união é impossível diante de quadros como esses...

Como unir dois potentes vaidosos e egocêntricos? Quem brilhará mais? Qual dos dois irá deter o título de "melhor"? Qual deles tem a raiz da Umbanda?

Onde houver vaidade, não subsistirá a Caridade.

Por Julio Cezar Gomes Pinto

Egrégora


Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer: -"Olha a corrente, gente! Vamos concentrar"!

Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe! O que é essa tal de "corrente"? Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiente (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.

Numa gira de Umbanda e também nos cultos das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc., um grupo de pessoas deve estar UNIDO POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo!
Criada a egrégora (pela união dos pensamentos direcionados aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão, e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (os seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").

Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.

As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.

A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação". Nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.

Fazer com que a assistência de um terreiro participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que se vê em muitos terreiros é uma assistência quase sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vem ao encontro do que lhes interessa.

Dessa egrégora são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.