segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Compreendendo o ato sexual e a homossexualidade


Têm sexos os Espíritos?

“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem do organismo. Há entre eles amor e simpatia  baseados na concordância dos sentimentos.”

O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência, pode animar o de uma mulher, e vice-versa?

“Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.”

Quando errante, que prefere o Espírito; encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

“Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”

Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. 
Trechos retirados do Livro dos Espíritos


"As almas ou Espíritos não tem sexo.  As afeições que os unem nada tem de carnal e,  por isso mesmo,  são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas as vicissitudes da matéria".


"Os  sexos só existem no organismo.  São necessários a reprodução  dos seres  materiais.  Mas  os Espíritos,  sendo criação de Deus,  não  se reproduzem uns pelos outros, razão pelo que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual".

 Trechos retirados da Revista Espírita - 1866

Observação: Como acabamos de ver que não existe espírito feminino ou masculino, assim não sendo possível, como  por exemplo, um espírito feminino encarnar em um corpo masculino, pois espírito não tem sexo. A sexualidade é carnal e não espiritual, então sexo é da carne e não do espírito.

O que é homossexualidade?

Homossexualidade (do grego antigo homos= igual + latim sexus = sexo) refere-se ao atributo, característica ou qualidade de um ser, humano ou não, que sente atração física, estética e/ou emocional por outro ser do mesmo sexo.

O que é heterossexualidade?

Heterossexualidade refere-se à atração sexual e/ou romântica entre indivíduos de sexos opostos.

O que é bissexualidade?

A bissexualidade consiste na atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto.

O que é relação sexual ou ato sexual? 

O ato sexual ou relação sexual é a denominação geral dada à fase em que dois animais com reprodução sexuada, mais especificamente oser humano, realizam a ação física de junção dos seus órgãos sexuais, originalmente para a transmissão do gameta masculino ao feminino.
Por que uma pessoa é homossexual, ou heterossexual ou bissexual?

Uma pessoa tem sua sexualidade por escolha, temos o livre arbítrio.

O que leva uma pessoa a ser homossexual?

A origem do desejo homossexual está no espírito, na mente, no pensamento e não no corpo.

Mas uma pessoa que tem alto índice de hormônio contrário a seu corpo, como por exemplo, uma mulher ter alto índice de testosterona, isso pode ser causa orgânica da homossexualidade e levar uma pessoa a ser homossexual?

Não, como já foi dito, a origem da homossexualidade está no espírito e não no corpo, ela não tem causa genética e/ou orgânica.

Heterossexualidade e homossexualidade é normal e aceitável?

Apesar do preconceito ainda existente, sim, como a tendência sexual sendo de origem espiritual um espírito pode ter desejos heterossexuais e homossexuais, assim também tendo desejos bissexuais.

Tendo o livre arbítrio escolhemos os nossos pensamentos e desejos, assim, a partir deles definimos nossos desejos sexuais, sendo homossexual, heterossexual ou bissexual, então devemos respeitar as escolhas de nossos irmãos, pois cada um tem seu desejo e escolha.

Por que a cada vez mais pessoas estão se assumem homossexuais?

Apesar das pessoas não terem muita compreensão em relação ao assunto, hoje em dia há mais tolerância e aceitação e as pessoas estão assumindo seus desejos sexuais. Antigamente, existia sim homossexuais mas como o comportamento não era aceito eles não se assumiam.

Enfim, homossexualidade é pecado? E heterossexualidade? Sexo por prazer é pecado?


O sexo não serve apenas para a reprodução do corpo.  A reprodução é uma função do sexo. O sexo é manifestação de  sentimento, forma  de  prazer, fonte de saúde, bem-estar e é uma das formas mais intensas de relação entre pessoas.

Para entender melhor dou um exemplo:

Mas se alguém perguntar qual a função dos olhos?

A resposta  óbvia: É a visão,  mas através da visão  vários  sentimentos podem  ser  expressos.   Uma  bela  obra  de  arte  é  uma  forma  de proporcionar  prazer.  E  uma visão deprimente,  como por  exemplo,  um "irmão"  com um olhar de raiva e ódio, proporciona sentimentos negativos.

As informações  para saber se a decisão é certa ou errada estão a  nossa volta.  E  é claro  que cada um de nos absorve  e  interpreta  essas informações  de  formas diferentes.

Nenhum espírita pode dizer que o Espiritismo é contra o homossexualismo,  pois estará mentindo.  Não conheço nenhum espírito de luz que disse isso (se você conheça me envie nos comentários).

Também não existem  "explicações"  sobre  o   comportamento homossexual,  nem  nada dizendo que isso é um "desafio" ou "provação" que  o  espírito  escolheria antes de  encarnar. 

Eu  já  ouvi  alguns comentários,  que  discordo:

"O homossexual masculino foi mulher na encarnação anterior e não esqueceu, tem lembranças muito fortes, ou preferia ter nascido mulher e foi obrigada a nascer homem...".

Uma explicação melhor seria o livre arbítrio, onde a pessoa pode escolher o que faz da vida, e, naturalmente, se responsabilizando pelas consequências. E também não concorda com o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, que diz que o espírito não tem preferência em encarnar em um corpo de um homem ou de uma mulher, que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.

Outro comentário:

"A energia sexual não precisa necessariamente ser utilizada em atos sexuais. Ela é energia criadora e pode ser usada para estudo, para o trabalho e para as obras de caridade no bem."

A energia sexual, como o próprio nome diz é criada para o sexo, o desejo cria a energia para determinada situação, se quer estudar, trabalhar ou fazer caridade, crie a energia adequada a isso.

Outro comentário:

"Uma das causas do homossexualismo é a educação, podendo despertar na criança esse desejo sexual. Isso acontece muito em famílias com pais homossexuais.”

Isso dependerá da criança, não podemos dizer que toda criança com pais homossexuais vão ser homossexuais, dependerá do espírito, cada um com sua vontade e desejo.

Outro comentário:

"Um espírito na condição de homossexual enfrenta momento de provação. "

Mas qual seria essa provação? O equilíbrio sexual? O preconceito?

O preconceito contra homossexuais ainda existe, pois para muitos o homossexualismo não é normal, e como o próprio nome diz, “pré-conceito”, ter um conceito antes de conhecer, e muitos homossexuais tem preconceito contra si mesmo, não se aceitam, também não acham normal, pois não sabem por que são homossexuais.

Todos nós já sofremos durante a vida algum tipo de preconceito, e como o homossexual sofre também, essa provação (o preconceito) todos nós temos que ser vitoriosos, não sendo uma provação específica somente aos homossexuais.

Agora sobre o equilíbrio sexual, todos nós temos que ter, e não é por ser homossexual que terá uma vida sexual desequilibrada. Tanto os homossexuais, bissexuais e heterossexuais podem ser desrespeitosos com os sentimentos alheios, praticar abusos sexuais, isso trará consequências espirituais, agora as orgias e a prostituição, além de trazer consequências na carne, as doenças, por falta de cuidado, também poderá acarretar em consequências espirituais.

A homossexualidade não induz a vida sexual desequilibrada, isso dependerá do indivíduo, do espírito.
Ensinam-nos os espíritos que a energia sexual é criação divina e que o sexo em bases de amor e carinho, respeito e atenção pelo sentimento alheio, é força maravilhosa.

Como por exemplo, São Sebastião, foi homossexual e se tornou santo, não por ser homossexual, ele foi um dos soldados romanos mártires e santos e sua única intenção era de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas da época. Isso nos mostra que o importante é amar o próximo como a si mesmo, ser um instrumento de paz, levando o amor, o perdão, a união, a alegria, a luz à todos, pois somos irmãos e como irmãos devemos respeitar uns aos outros.

O Sexo e a Juventude



AOS JOVENS, DEVEM PROMOVER CURSOS E SEMINÁRIOS A RESPEITO, sempre com a assistência de um professor experimentado, de moral ilibada e reconhecido bom-senso. Os jovens têm grande necessidade de boa orientação sexual, pois estão na fase de maior manifestação dessas exigências e, se não forem bem orientados, poderão cair em lamentáveis complicações.

O jovem espírita, embora esclarecido pela doutrina, não está menos sujeito a desequilíbrios sexuais. Sabemos que esses desequilíbrios têm duas fontes principais: os abusos e vícios do passado, em encarnações desregradas; e as influências de entidades perigosas, muitas vezes ligadas aos jovens pelo passado delituoso. Por isso mesmo, o problema só pode ser tratado de maneira elevada, com grande senso de responsabilidade. Os médicos espíritas podem ser grandes auxiliares das Mocidades Espíritas nesse setor.

Quanto aos espíritas adultos, não estão menos livres do que os jovens. São vítimas de uma educação defeituosa, de um ambiente moral dominado pela hipocrisia em matéria sexual, e trazem as heranças do passado, às vezes agravadas por esse ambiente. No meio espírita, precisam se acostumar a encarar a questão sexual de maneira séria, evitando as atitudes negativas que dão entrada às influências perigosas.

Encarando o sexo sem malícia, como uma função natural e uma necessidade vital, ao mesmo tempo o espírita se corrige e modifica o ambiente em que vive, afastando do mesmo os espíritos viciosos e maliciosos, que não mais encontram pasto para os seus abusos. O melhor meio de afugentar esses espíritos e de encaminhá-los também a uma reforma íntima, é a criação de uma atitude pessoal de respeito pelos problemas sexuais e o cultivo de um ambiente de compreensão elevada no lar.
Essa mesma atitude deve ser levada para os ambientes de trabalho, por mais contaminados que eles se apresentem. O espírita não deve fugir espavorido diante das conversas impróprias, pois com isso demonstraria incompreensão do problema e provocaria maior interesse dos outros em perturbá-los. Mas também não deve estimular essas conversas com sua participação ativa. Sua atitude deve ser de completa naturalidade, de quem conhece o problema e não se espanta com as conversas de mau gosto, mas também de quem não acha motivos para alimentar essas conversas e delas participar. Sempre que possível, e com senso de oportunidade, ele deve procurar mudar os rumos da conversa para assuntos mais aproveitáveis ou mesmo para os aspectos sérios da questão sexual.

AOS JOVENS, DEVEM PROMOVER CURSOS E SEMINÁRIOS A RESPEITO, sempre com a assistência de um professor experimentado, de moral ilibada e reconhecido bom-senso. Os jovens têm grande necessidade de boa orientação sexual, pois estão na fase de maior manifestação dessas exigências e, se não forem bem orientados, poderão cair em lamentáveis complicações.

O jovem espírita, embora esclarecido pela doutrina, não está menos sujeito a desequilíbrios sexuais. Sabemos que esses desequilíbrios têm duas fontes principais: os abusos e vícios do passado, em encarnações desregradas; e as influências de entidades perigosas, muitas vezes ligadas aos jovens pelo passado delituoso. Por isso mesmo, o problema só pode ser tratado de maneira elevada, com grande senso de responsabilidade. Os médicos espíritas podem ser grandes auxiliares das Mocidades Espíritas nesse setor.

Quanto aos espíritas adultos, não estão menos livres do que os jovens. São vítimas de uma educação defeituosa, de um ambiente moral dominado pela hipocrisia em matéria sexual, e trazem as heranças do passado, às vezes agravadas por esse ambiente. No meio espírita, precisam se acostumar a encarar a questão sexual de maneira séria, evitando as atitudes negativas que dão entrada às influências perigosas.

Encarando o sexo sem malícia, como uma função natural e uma necessidade vital, ao mesmo tempo o espírita se corrige e modifica o ambiente em que vive, afastando do mesmo os espíritos viciosos e maliciosos, que não mais encontram pasto para os seus abusos. O melhor meio de afugentar esses espíritos e de encaminhá-los também a uma reforma íntima, é a criação de uma atitude pessoal de respeito pelos problemas sexuais e o cultivo de um ambiente de compreensão elevada no lar.

Essa mesma atitude deve ser levada para os ambientes de trabalho, por mais contaminados que eles se apresentem. O espírita não deve fugir espavorido diante das conversas impróprias, pois com isso demonstraria incompreensão do problema e provocaria maior interesse dos outros em perturbá-los. Mas também não deve estimular essas conversas com sua participação ativa. Sua atitude deve ser de completa naturalidade, de quem conhece o problema e não se espanta com as conversas de mau gosto, mas também de quem não acha motivos para alimentar essas conversas e delas participar. Sempre que possível, e com senso de oportunidade, ele deve procurar mudar os rumos da conversa para assuntos mais aproveitáveis ou mesmo para os aspectos sérios da questão sexual.


Níveis vibracionais de atuação.

Além destes aspectos já abordados, vale à pena mencionar os diversos níveis vibracionais, onde os espíritos ligados à Terra, habitam.
Estes níveis são e foram criados de acordo com cada grau evolutivo. Os níveis estão mais relacionados com o mundo da consciência do que com o mundo físico, ou seja, são mais estados de consciência do que um lugar fisicamente localizado.
Como são níveis gerados por espíritos ligados de alguma forma com a evolução da Terra, estes níveis estão vinculados ao próprio planeta. Portanto, quando vemos descrições de camadas umbralinas localizadas em abismo sob a crosta terrestre, devemos entender que embora elas estejam localizadas com estes espaços físicos, elas estão no lado espiritual deste plano físico.
Temos então, Sete Camadas Concêntricas Superiores e Sete Camadas
Concêntricas Inferiores.
A divisão está sempre formada “de cima para baixo” :
- CAMADAS CONCÊNTRICAS SUPERIORES
Sétima, Sexta e Quinta Camadas – Zonas Luminosas
Seres iluminados, isentos das reencarnações. Cumprem missões no planeta. Estão se libertando deste planeta, muitos já estagiam em outros mundos superiores.
Quarta Camada – Zona de Transição
Espíritos elevados, que colaboram com a evolução dos irmãos menores.
Terceira, Segunda e Primeira Camadas – Zonas Fracamente Iluminadas
A maioria dos espíritos que desencarnam, estão nestas camadas. Estão em reparações e aprendizados para novas reencarnações.
SUPERFICIE – Espíritos encarnados
- CAMADAS CONCÊNTRICAS INFERIORES
Sétima Camada – Zona Sub-Crostal Superior
Sexta, Quinta e Quarta Camadas – Zona das Sombras
Zona Purgatoriais ou de Regeneração
Quarta Camada – Zona de Transição
Entre as sombras e as trevas. Zona de seres revoltados e dementados.
Terceira, Segunda e Primeira Camadas – Zona das Trevas –
Zona Sub-Crostal Inferior
Os seres estão em estágio de insubmissos, renitentes e ostensivos às Leis Divinas. Não reconhecem Deus como o Ser mais superior.
A atuação dos Exus, está praticamente em todas as camadas inferiores, com exceção das Terceira, Segunda e Primeira Camadas, que eventualmente eles “descem” para missões especiais ou mandam os rabos-de-encruza, pois estão mais “ambientados” com as baixas e perniciosas vibrações. não que os Exus não podem “descer” até lá, mas porque é desnecessário criar uma guerra com os seres infernais, apenas porque se invadiu aquelas zonas.
A maioria dos livros espíritas, que tratam do assunto dos níveis vibracionais, não chega sequer a mencionar algo além das camadas intermediárias ou médio e alto umbral. Descrevem na maioria das vezes as camadas que ficam as sombras e não as trevas, pois os espíritos que fazem tais incursões não podem ou não devem “baixar” mais, pois somente cabe aos exus, espíritos especializados “descer” tanto.

As Três Ordens de Espíritos na Umbanda


A Doutrina Umbandista nos ensina que há três ordens de espíritos: espíritos puros; espíritos bons e espíritos imperfeitos.

· Primeira Ordem – Os espíritos puros são aqueles que já alcançaram à perfeição (grau de Orixá).

· Segunda Ordem – Os espíritos bons alcançaram a metade da escala evolutiva e o desejo do bem é a sua preocupação (são os Guias Espirituais, Exus e Pombas Gira militantes na faz de incorporação).

· Terceira Ordem – Os espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o
progresso (são os quiumbas).

Terceira Ordem – Os espíritos imperfeitos:

Os espíritos da terceira ordem, os imperfeitos predominância da matéria sobre o espírito), dividem-se em:

· Espíritos impuros - são inclinados ao mal e fazem dele o objeto de suas preocupações. Como espíritos dão conselhos desleais, fomentam a discórdia, a desconfiança e se mascaram de todas as formas para melhor enganar. Ligam-se aos homens de caráter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de prejudicá-los, satisfeitos em poderem retardar o seu progresso e fazê-los sucumbir nas provas por que passam.

· Espíritos levianos – são ignorantes, maliciosos, inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocuparem com a verdade. Comprazem-se em causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, atormentando, induzindo maliciosamente ao erro por meio de mistificações e travessuras. Sua linguagem durante as comunicações é algumas vezes espiritual e engraçada, mas quase sempre sem conteúdo.

· Espíritos pseudo/sábios – seus conhecimentos são bastante amplos, mas crêem saber mais do que realmente sabem. Suas comunicações revelam uma mistura de verdades ao lado dos erros mais absurdos, nos quais se percebem a presunção e o orgulho, a inveja e a obstinação das quais não puderam se despir.

· Espíritos neutros – não são nem muito bons para fazerem o bem, nem muito maus para fazerem o mal, inclinando-se tanto para um como para outro e não se elevam acima da condição vulgar da Humanidade, tanto pela moral como pela inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, cujas alegrias grosseiras não têm mais.

· Espíritos batedores e perturbadores – estes espíritos não formam, propriamente falando, uma classe distinta pelas suas qualidades pessoais, podendo pertencer a todas as classes da terceira ordem evolutiva. Manifestam freqüentemente sua presença por meio de efeitos sensíveis e físicos, tais como: pancadas, o movimento e o deslocamento anormal dos corpos sólidos, a agitação do ar, etc.

Todos os espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os espíritos elevados os deixam em geral como atribuições dos espíritos subalternos, mais aptos às coisas materiais do que as coisas inteligentes.

Dentro da classificação dos espíritos de terceira ordem, os espíritos imperfeitos, encontraremos o que nominamos na Umbanda de quiumba.

O que é quiumba?

Existem casos de médiuns desavisados, não doutrinados, ignorantes e não evangelizados, que abrem as portas da sua mediunidade para a atuação de quiumbas, verdadeiros marginais do baixo astral, que tudo farão para ridicularizar não só o médium, como o terreiro, bem como a Umbanda. Em muitas incorporações onde a entidade espiritual ora se faz presente como
Guia e hora como Exú, ou é a presença do animismo do médium (arquétipo) ou é a presença de um quiumba. Vamos estudar e entender a atuação dos quiumbas, para uma fácil identificação:

O quiumba nada mais é do que o marginal do baixo astral, e também é considerado um tipo de obsessor. Espíritos endurecidos e maldosos, que fazem o mal pelo simples prazer de fazer, e tudo o que é da luz e o que é do bem querem a todo custo destruir. Esses espíritos, “quiumbas”, vivem onde conhecemos por “Umbral” onde não há ordem de espécie alguma, onde não há governantes e é cada um por si. Muitas vezes são recrutados através de propinas, pelos magos negros para que atuem em algum desafeto.

Na Umbanda existe uma corrente de luz, denominada de Boiadeiros, que são especializados em desobsessão, na caça e captura desses marginais (os quiumbas os temem muito), e os trazem até nós para que através da mediunidade redentora possam ser “tratados”, ou seja, terem seu corpo energético negativo paralisado através da incorporação e serem levados
para as cela prisionais das Confrarias de Umbanda, onde serão
devidamente esgotados em seus mentais e futuramente se transformarão em um sofredor, e ai sim estarão prontos a serem encaminhados aos Postos de Socorros Espirituais mais avançados, pois já se libertaram através do sofrimento, de toda a maldade adquirida.

O processo que devemos realizar para evitar os nossos irmãos “quiumbas” é o mesmo da obsessão, mas, o processo para “tratá-los” é peculiar a Umbanda e cada caso é analisado particularmente pelos Guias Espirituais que utilizam diversas formas (que conhecemos como arsenal da Umbanda) para desestruturar as manifestações deletérias negativas desses nossos
irmãos.

Como identificar um quiumba incorporado?

O que infelizmente observamos na mediunidade de muitos é a abertura para a atuação dos verdadeiros quiumbas, se fazendo passar por Exus, Pombas Gira ou mesmo Guias Espirituais, trazendo desgraças na vida do médium e de todos que dele se acercam. Notem bem, que um quiumba, ser trevoso e inteligente, somente atuará na vida de alguém, se esta pessoa for concomitante com ele, em seus atos e em sua vida. Os afins se atraem. O médium disciplinado, doutrinado e evangelizado, jamais será repasto vivo dessas entidades. Lembre-se que o astral superior é sabedor e permite esse tipo de atuação e vibração para que o médium acorde e reavalie seus erros, voltado à linha justa de seu equilíbrio e iniciação.

Como os quiumbas são inteligentes, quando atuam sobre um médium, se fazendo passar por um Exú ou uma Pomba Gira, imediatamente assumem um nome, que jamais será os mesmos dos Exus ou das Pombas Gira de Lei, pois são sabedoras da gravidade do fato, pois quando assumirem um nome exotérico
ou cabalístico iniciático de um verdadeiro Exú ou de uma verdadeira Pomba Gira, imediatamente e severamente serão punidos.

Por isso vemos, infelizmente, em muitos médiuns, esses irmãos do baixo astral incorporados, mas é fácil identificá-los. Vamos lá:

· Pelo modo de se portarem: são levianos, indecorosos, jocosos, pedantes, ignorantes, maledicentes, fofoqueiros e sem classe nenhuma;

· Quando incorporados: machões, deformados, manquitolas, carrancudos, sem educação, com esgares horrorosos e geralmente olhos esbugalhados.

Muitos se portam com total falta de higiene, babando, rosnando, se arrastando pelo chão, comendo carnes cruas, pimentas, ingerindo grandes quantidades de bebidas alcoólicas, fumando feito um desesperado, ameaçando a tudo e a todos. Geralmente (homens) ficam com o peito desnudo (isso quando não tiram à roupa toda); alguns utilizam imensos garfos pretos nas mãos, e mulheres totalmente desnudas.

· Geralmente, nos ambientes em que predominam a presença de quiumbas, tudo é encenação, fantasia, fofoca, libertinagem, feitiçaria pra tudo, músicas (pontos) ensurdecedoras e desconexas, nos remetendo a estarmos presentes num grande banquete entre marginais e pessoas de moral duvidosa.

· Nesses ambientes, as consultas são exclusivamente efetuadas para casos amorosos, políticos, empregatícios, malandragem, castigar o vizinho, algum familiar, um ex-amigo, o patrão, etc. Os atendimentos são preferenciais, dando uma grande atenção aos marginais, traficantes, sonegadores, estelionatários, odiosos, invejosos, pedantes, malandros, alcoólatras, drogados, etc., sempre incentivando, e dando guarida a tais indivíduos, procedendo a “fechamento de corpos”, distribuindo “patuás e guias” a fim de protegê-los. Com certeza, neste ambiente estará um quiumba como mentor.

· Certamente será um quiumba, quando este pedir o nome de algum desafeto para formular alguma feitiçaria para derrubá-lo.

· Os quiumbas costumam convencer as pessoas de que são portadoras de demandas, magias negras, feitiçarias, olhos gordos, invejas, etc. inexistentes, sempre dando nome aos bois, ou seja, identificando o feitor da magia negra, geralmente um inocente, para que a pessoa fique com raiva ou ódio, e faça um contra feitiço, a fim de pretender atingir o inocente para derrubá-lo. Agindo assim, matam dois coelhos com uma cajadada só: afundam ainda mais o consulente incauto que irá criar uma
condição de antipatia pelo pretenso feitor da magia, e pelo inocente que pretendem prejudicar.

· Os quiumbas invariavelmente exigem rituais disparatados, e uma oferenda atrás da outra, todas regadas a muita carne crua, bebidas alcoólicas, sangue e outros materiais de baixo teor vibratório. Atentem bem, que sempre irão exigir tais oferendas constantemente, a fim de alimentarem suas sórdidas manipulações contra os da Luz, e sempre efetuadas nas ditas encruzilhadas de rua ou de cemitério, morada dos quiumbas.

· Pelo modo de falarem: impróprio para qualquer ambiente (impropérios); É impressionante como alguém pode se permitir ouvir palavrões horrorosos, a guiza de estarem diante de uma pretensa entidade a trabalho da luz.

· Pelas vestimentas: são exuberantes, exigentes e sempre pedem dinheiro e jóias aos seus médiuns e consulentes.

· Os quiumbas incitam a luxúria, incentivam às traições conjugais, as separações matrimonias e geralmente quando incorporados, gostam de terem como cambonos, alguém do sexo oposto do médium, geralmente mais novos e bonitos (imaginem o que advirá disso tudo).

· Os quiumbas, nos atendimentos, gostam de se esfregarem nas pessoas, geralmente passando as mãos do médium pelo corpo todo do consulente, principalmente nas partes pudentas.

· Os quiumbas incorporados conseguem convencer algumas consulentes, que devem fazer sexo com ele, a fim de se livrarem de possíveis magias negras que estão atrapalhando sua vida amorosa. E ainda tem gente que cai nessa.

· Se for uma quiumba, mesmo incorporadas em homens, costumam alterar o modo de se portarem, fazendo com que o homem fique com trejeitos femininos e escrachados, inclusive travestindo-os com roupagens femininas, exuberantes e exóticas, em muito parecendo cortesãs ou mesmo donas de cabarés.

· Os quiumbas atendem a qualquer tipo de pedido, o que um Guia Espiritual, ou Guardiões de Lei jamais fariam. Ao contrário, eles bem orientariam o consulente ou o seu médium, da gravidade e das conseqüências do seu pedido infeliz.

· Os quiumbas (e só os quiumbas) adoram realizar trabalhos de amarração, convencendo todos de que tais trabalhos são necessários e que trarão a pessoa amada de volta (ledo engano quem assim pensa). Esquecem-se de que existe uma Lei Maior que a tudo vê e a tudo provê. Se fosse assim tão fácil “amarrar” alguém, certamente não existiriam tantos solteiros por este país afora.

· Os quiumbas fazem de um tudo para acabar com um casamento, um namoro, uma família, incitando as fofocas, desuniões e magias negras.

· No caso de quiumbas se passando por um Guia Espiritual ou mesmo por um Guardião, geralmente utilizam de nomes exdrúluxos, indecorosos e horrorosos, remetendo a uma condição inferior.


Segunda Ordem – Bons Espíritos:

Características gerais: predominância do espírito sobre a matéria. Desejo do bem. Suas qualidades e seu poder em fazer o bem estão relacionados com o adiantamento que alcançaram, uns tem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais avançados reúnem o saber às qualidades morais.

Compreendem Deus e o infinito e já desfrutam da felicidade dos bons.

A esta ordem pertencem os espíritos designados pelas crenças vulgares sob o nome de gênios bons, gênios protetores e espíritos do bem.

Os bons espíritos classificam-se em quatro grupos principais:

· Espíritos benevolentes – sua qualidade dominante é a bondade.

· Espíritos sábios – são os que se distinguem, principalmente, pela extensão dos seus conhecimentos.

· Espíritos de sabedoria – caracterizam-se pelas qualidades morais da natureza mais elevada.

· Espíritos superiores – reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Sua linguagem não revela, senão benevolência, e é constantemente digna, elevada e freqüentemente sublime.

Comunicam-se voluntariamente com aqueles que procuram a verdade de boa fé e que têm alma desligada dos
laços terrenos.

Distanciam-se daqueles que se animam só de curiosidade ou que a influência da matéria afasta da prática do bem.

Por Espíritos Bons, temos: Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, Linha do Oriente e Guardiões de Lei.


Primeira Ordem – Espíritos Puros:

Caracteres gerais – não sofrem influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos espíritos de outras ordens.

Primeira classe (classe única) – Percorrem todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeições de que é suscetível a criatura, não têm mais que suportar provas ou expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação (venceram a Roda de Samsara, segundo os Hindus) em corpos perecíveis, é para ele a vida eterna que desfrutam no seio de Deus.

Gozam de inalterável felicidade. São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os espíritos que lhe são inferiores, ajudam-nos a se aperfeiçoarem e lhes designam as suas missões. Assistir os homens em suas aflições concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os mantêm distanciados da felicidade suprema é, para eles, uma doce ocupação. São designados à vezes sob o nome de Orixás, Anjos, etc.

Os homens podem entrar em comunicação com eles, mas bem presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

OGUN-XOROQUÊ



   


Na mitologia do primitivo povo africano Noc, que mais tarde se transfigurou no povo extinto dos Ilú Ukulmi, há a menção de 600 deuses primários, divididos em duas raças, a dos 400 dos Irun Imole e a dos 200 Igbá Imole, sendo os primeiros deuses do Céu e os segundos deuses da Terra.
Da união entre estas duas raças, que outrora entraram em confronto, surge duas classes distintas de deuses secundários, os Orixás da raça do Irun Imole, e os Ebora da raça dos Igbá Imole, e destes surgem duas classes de deuses, os Orixá Funfun (deuses Brancos), e os Orixá Dudu (deuses Negros), que se uneme formam uma terceira classe, a dos Orixá Pupa (deuses vermelhos), divididos entre Omodê Okunrin ou Descendente Masculino e Omodê Obirin ou Descendente Feminino.

Quando os Igba Imole cessaram as disputas com os Irun Imole, um destes Omodê Okunrin denominado Ogun, foi designado pelo deus supremo, Olodunmarê, para ser o Guardião dos 200 Igbá Imole, e para ser o “mensageiro entre as duas raças de deuses” seria designada uma terceira raça de deuses primários, denominados de Imole Exú.

Distinguidos por diversos epítetos, tais como, Imole Exú Yangui, Imole Exú Agba, Imole Exú Igbá Ketá, Imole Exú Okotô, Imole Exu Odara, Imole Exú Osije, Imole Exú Eleru, Imole Exú Enú Gbarijo, Imole Exú Elegbara, Imole Exú L’Onan, Imole Exú Odusô e outros nomes como protetores de cidades, como Lalu, Akessan, Alaketu, Baralakossô e guardiões e servidores dos Orixás Omodê Okunrin e Obirin, como Imole Exú Gulutú, do Orixá Okô ou o Imole Exu Sorokê, do Orixá Okê.

O culto ao Orixá Omodê Okunrin Okê, englobaria ao culto ao Imole Exu Sorokê, e por ser o Orixá-Okê um deus Odé ou Caçador ligado a Montanha, talvez tenha se fundido ao culto de Ogun, que também é um Odé, muito ligado ao Orixá Omodê Okunrin Okô e ao Orixá Omodê Okunrin Oxóssi, deuses relacionados à agricultura e a caça.

Como houve uma fusão do culto de Ogun com o culto de Okô, na figura de Ogun Gemini ou Gunokô, bem como uma possível fusão com o Orixá Funfun Irokô, ligado aos deuses fitomorfos, pode ter ocorrido também uma fusão do culto de Ogun com o do Orixá Okê e seu Exú Sorokê, criando o epíteto de Ogun Sorokê.

Já que Ogun e Exú são ligados um ao outro, é provável que tenham se fundido o deus Ogun com esse Exú, criando o chamado Orixá Meji ou Duplo, neste caso metade Ogun e metade Exú Sorokê.

O Nome Sorokê, pode derivar de Osô-Arô-Okê, sendo que a partícula Osô significa “detentor do poder mágico”, Arô designa “um deus velho ou antigo” e Okê é “a montanha”, formando então o nome “antigo deus da montanha detentor do poder mágico” ou mais comumente, “Senhor do Alto da Montanha”.

A nomenclatura Osô é um termo também utilizado para os Antigos Feiticeiros, ou designar “feitiço”, “maldição”, bem como nomes de deuses antigos há muito tempo esquecidos como Dsô, Osôgbô, Osô, deuses relacionados aos vulcões e montanhas, associados aos Vodun da família do Raio e do Trovão, como Heviosô, análogos ao deus Dzacuta ou Xangô.

Ogun sendo um deus da forja dos metais e do fogo, provavelmente, se fundiu, ou foi confundido, com o Orixá Okê e seu Exú Sorokê ligados não somente ao Pico das Montanhas, mas também aos vulcões.

Ogun Sorokê, portanto, é um Ogun ligado aos vulcões, ao magma e ao culto aos Osô ou feiticeiros seguidores de Okô.

É além de um deus vulcânico um grande feiticeiro, portador do segredo da forja de todos os metais, inclusive do ouro.

É possuidor da riqueza assim como o seu Orixá Meji Okê que é um deus também da prosperidade e da abundância.

É descrito metade Imole Exú Sorokê e metade Ogun, sendo portanto um deus da guerra, dos caçadores, da forja dos metais, das armas e da magia contida no ouro e no ferro.

Ogun Xoroquê no Brasil:
O culto ao Orixá Okê, tal como, o dos Orixás Okô, Gunokô, Bayanni, Oduduwa, Onilê, Rowú e outros deuses que deixaram de serem cultuados no Brasil, perdeu um pouco das raízes africanas, sendo estes considerados deuses quase que extintos no Candomblé.

Este fato levou muitos sacerdotes deste culto, a reduzirem alguns Orixás a seres “encantados” ou Ekunrun (guias) de Umbanda e de Omolokô do Brasil, como o caso de Gunocô, que não é o Curupira dos indígenas, mas, foi confundido com o mesmo.

Durante esta miscigenação de raças e culturas, muito da tradição do culto destes deuses africanos considerados “extintos” aqui no Brasil foram reduzidos a elementos da crença Indígena, de Umbanda e de seu sincretismo com o Catolicismo, como ocorreu também com o Ogun Xoroquê, sendo muito comum alguns sacerdotes de Candomblé denominar este como “um Exú de Umbanda”, ou seja, um Ekunrun ou um guia como os pretos-velhos, caboclos, boiadeiros, ciganos ou entidades de “incorporação” em “médiuns” espíritas e umbandistas. Erroneamente muitos confundem antigos “diabos ou espectros” da religião antiga sumeriana e babilônica, com o Imole Exú.

Muitos destes entes são denominados por nomes cabalísticos e portam tridentes, adagas, cetros e utilizam insígnias mágicas do ocultismo europeu e da antiga religião nórdica, não que estes entes não existem, eles realmente são verdadeiros e vieram de uma cultura muito rica que é da antiga Suméria, são “demônios” tanto benignos quanto malignos, cujo nome vem do grego “demos” que significa “comunidades, legiões”.

Os entes encantados da Umbanda, na cultura africana são denominados por diversas categorias como de “Kianda ou Quiandas” que são sereias, ondinas ou elementais das águas, que assumem qualquer forma desde a humana como a de peixe ou de seres sobrenaturais, os Ajagun, que são entes maus e também seria um termo que posto como Jagun designa para alguns autores, as entidades guerreiras, guardiões ou talvez as ditas “entidades exus”, os Ajé que é um termo utilizado tanto para designar demônios como também a presença de malefícios, sortilégios, feitiçaria ou deusas feiticeiras, os Ekunrun que são os Guias, os Iwin e os Igi, espíritos ancestrais e fitomorfos das árvores, e os Okú, que designa qualquer defunto ou espectro de ser humano morto, não devendo confundir com Ikú que designa o nome do Igbá Imole Ebora Ikú, que rege a Morte.

Há uma outra categoria de entidades como os Egungun, que é um termo utilizado de forma errada, como acorreu com a confusão de culturas, para designar os Quiandas, Ekunruns, Ajagun, Oku e outras entidades de uma forma geral.

Egungun, cujo nome vem do yorubá Egun, que significa “Ossos”, são Os Antigos Ancestrais, que na verdade são umas das três classes dos Onilê que são seres divinizados sobre a Terra, representados por um único deus chamado pelo mesmo nome, que significa “Dono da Terra”.

As outras duas classes de Onilê são os Babá Agbá Egun ou Os Pais Ancestrais Falecidos, divinizados por seus méritos terrestres, e também os Esá ou Ancestrais Especiais, que são os Babalorixás, Babalawôs e Iyalorixás ou sacerdotes falecidos, os Babá Egun e as Iyá Egun.

O Pai maior ancestral é denominado de Babá Olukotun Olori Egun ou Senhor do Lado Direito da Cabeça dos Mortos, e a Mãe Ancestral Maior é chamada de Iyá Agbá Nlá.

Os Orixás Tutelares destas três classes de Onilê, são Obaluaiyê com poder delegado por Igbá Imole Ebora Ikú e também Iyámi Oyá Igbalé conhecida como Iyá Messesan (Yansan).

Ogun Xoroquê (Sorokê), portanto, não é nem “exú de Umbanda”, nem Egun, nem “caboclo encantado”, ekunrun e afins, é um Orixá que surgiu de um culto do Orixá Okê e seu Imole Exú Sorokê fundido com o culto do Ogun Xoroquê (Sorokê).

Patacuri Ogum. 
Ogum Yê meu Pai

O Perdão Não tem Contra-indicação


As lembranças de uma infância atribulada ainda ressoavam na memória daquela senhora de meia-idade. Embora houvesse tentado não cometer os mesmos “erros”, equivocou-se na educação de seus filhos. Foram mimos demasiados, excesso de cuidado, e tudo isso os levou a sofrimentos inevitáveis.
Lembrava-se da mãe que, além do mau exemplo, traindo o marido a olhos vistos, não dava carinho nem atenção às crianças, além do pai alcoólatra e agressivo que fazia com que eles o temessem e não o respeitassem.
Lembrava-se das noites de insônia provocadas pelo medo de que o pai cumprisse a promessa de matar a mãe, das vezes em que chorava baixinho, encolhida debaixo da cama, seu refúgio; lembra-se também da falta de diálogo, de conselho, de amor, da adolescência sem instrução sobre as transformações que o corpo sofria, da vergonha de levar os amigos para dentro de casa, das piadinhas que era obrigada a ouvir na escola sobre o desregramento dos pais e de como isso a machucava, pois, embora todos os defeitos, eram seus pais.
Lembrava-se da morte do pai e da frase dita pela mãe que retumbava em seus ouvidos: “Ainda bem que ele se foi. Só incomodava mesmo!”.
Lembrava-se, ainda, de quando teve de sair de casa em plena adolescência para buscar seu destino. Tímida, inexperiente e medrosa, fora jogada nos braços da vida, tendo de aprender a duras penas que as pessoas mentem, logram, julgam, machucam. Seu suor era seu sustento, e, apesar dos assédios, jurou que se manteria correta. Amores, desamores, alegrias e muitas dores fizeram sua caminhada.
Saudades da família. Mas que família? Saudades do pai, cuja figura era idolatrada pelas amigas, mas que, para ela, nem a lembrança que guardava chegava a ser boa. Sentia saudades da mãe que não dava notícias, embora soubesse que ela se sentia feliz por estar longe, já que não concordava com suas atitudes.
Depressiva pelo presente e pelo passado, passou a ter crises de culpa por não conseguir sentir amor por sua mãe. Em seu íntimo algo gritava “urgência” para resolver tal sentimento.
Em poucos dias chegou a notícia de que sua mãe estava muito doente.
A idéia de que ela pudesse morrer em breve atiçou mais ainda sua consciência, que brigava entre o perdão e a mágoa da qual não conseguia se libertar.
Fazia algum tempo que começara a freqüentar um terreiro de Umbanda, onde gostava principalmente das palestras que ensinavam as pessoas a melhorar enquanto vivas, evitando sofrimentos posteriores. Naquele dia solicitou uma ficha de atendimento, pois precisava desanuviar a mente.
- Saravá, zi fia!
O cumprimento do preto velho foi como um detonador das emoções represadas dela, que, sem responde, deixou as lágrimas saírem de seus olhos, em choro doído.
“Descarrega Umbanda
Vem descarregar
Descarrega a filha
Que ela é filha de Oxalá”
Cantava o preto velho, enquanto batia nas costas da mulher com um galho de arruda. Colocando a mão em seu peito, fez lá suas mandingas para retirar uma mancha escurecida que se fixara no corpo astral dela. Aquela energia condensada já fazia parte de seu agregado qual simbiose, e ao ser retirada seu corpo físico, acusou a falta com uma ardência no local.
- Zi fia já estava acostumada com esse nó apertando o peito, mas é preciso desatar antes que o “batedor” canse de fazer força para continuar pulsando.
O preto velho, chamando o cambono, solicitou que ele pegasse um pano branco, água e algumas ervas, com o que fez um emplastro. Limpando à altura do fígado da mulher, com seu galho de arruda e algumas baforadas de seu cachimbo, segurou o emplastro sobre o local por algum tempo, enquanto, com sua voz pausada, esclarecia amorosamente:
- Zi fia está atribulada! Preto velho pode ver que dói o coração e que o alimento que engole já não assenta mais no estômago.
- É verdade. Vivo com indigestão.
- Preto velho vai dizer que a filha está sofrendo por causa da mágoa e para essa dor só há um remédio que não está à venda. A mágoa cria um casulo enegrecido que enclausura alguns órgãos, principalmente o fígado, impedindo-os de funcionar. Com o tempo, esses órgãos adoecem, e, se a energia persistir, de pouco adianta tratar o físico, pois, ao desencarnar, leva-se essa marca impressa no corpo astral, modelador do físico na próxima encarnação. Quantos seres ainda na infância precisam de transplante de órgão, sinal evidente de carma gerado em vida passada.
- Meu pai, eu não quero essa mágoa, mas não consigo me libertar dela. Minha mãe nunca fez nada para que eu a amasse, pelo contrário.
Preto velho tem que perguntar uma coisa para a filha: quem foi que a pariu?
- Ela.
- Parir nem sempre atesta amor ou bondade, mas é a maior oportunidade que pode ser dada a um espírito necessitado de reajusta. Milhões deles, enfileirados, aguardam uma barriga que os aninhe, oportunizando a bênção do esquecimento das torturantes dores da consciência. Preto velho sempre fala que do outro lado não há aspirina. Lá a dor é dor, por isso a matéria é tão importante, pois é onde nos escondemos por um tempo precioso, além de poder, por meio dela drenar as impurezas que agregamos ao espírito ao longo da caminhada. Você, filha, era um desses espíritos ansiosos pela reencarnação. Por necessidade e afinidade, teve de vir por intermédios desses pais, pois, na execução das leis divinas, não existe acaso. No passado, foram filhos abandonados; hoje são pais omissos. É hora de encerrar o ciclo, de curar as desavenças, e cabe a você fazer isso. Não se omita, pois saiba que, se hoje você é a vítima, é sinal de que já foi algoz. Veja sua mãe como um espírito que hoje precisa de sua compreensão e não de seu julgamento. Deixe seu coração falar aproveitando que ele está querendo exercer o perdão. Vá até ela enquanto pode lhe ouvir e fale de suas dores, de suas mágoas, pois só assim vai aliviar seu peito. Depois, liberte o amor que deixou guardado por todos esses anos, num abraço de paz. Mate o passado, antes que ele faça isso com vocês duas. Descongestione seu fígado, filha.
Após esse dia a mulher se apressou para visitar sua mãe e fazer o que o preto velho aconselhara. Conversaram e, entre lágrimas e risos, tiveram a oportunidade de conviver muito próximas durante apenas sessenta dias. O temp de vida da mãe que lhe restava na Terra.
- Presta atenção, camboninho, a vida na Terra é como a fumaça do cachimbo do preto velho; num sopro ela se dissipa no ar. O tempo de Deus é diferente do nosso, por isso precisamos ficar alertas para os pedidos de nosso coração, que é o ouvido de nossa alma, por onde Deus se comunica conosco. Da vida temos que guardar as coisas boas e nos esquecer das más, para que possamos ser felizes. Levar entulhos como a mágoa para o além-túmulo é projetar dores desnecessárias para o futuro. Na bula do perdão a indicação é que se deve tomar uma dose dele várias vezes todos os dias: não há contra-indicação e a cura é certa.
- Saravá, zi fio! Até a volta! Nego veio abençoa em nome de Nosso SenhorJesus Cristo!
- Saravá, meu Pai! Proteção para seu aparelho também. Até a volta!

Do livro Causos de Umbanda – A Psicologia dos Pretos Velhos