sexta-feira, 25 de novembro de 2016

História do Caboclo Rompe Mato

                  

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Salve o Caboclo, salve Seu Rompe Mato!

Okê Caboclo, Okê Arô Oxossi!

Seu Rompe Mato lá nas matas sem fronteiras,
Seu Rompe Mato tem Oxossi na cabeça,
eu vi Caboclo eu vi Xangô lá nas pedreiras,
com seu bodoque sete pedras são certeiras.

A sua força sua magia na Umbanda
traz a cura de Aruanda com a fé dos Orixás.

Okê Caboclo sua tesa é vermelha
nessas matas não cai folhas sem as ordens de Oxalá.

Pedi a ele para trazer mais alegria,
pedi a ele para tirar toda a agonia,
ele soprou sete vezes no meu peito,
Okê Caboclo salve as matas da Jurema.
Okê Caboclo nessas matas não se brinca,
Okê Caboclo Rompe Mato na aldeia,
Okê Caboclo suas ordens são supremas,
Okê Caboclo com Oxossi não bambeia.
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    Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar esclarecido que o
Caboclo Rompe Mato não é o mesmo que Ogum Rompe Mato, apesar de ser um
Caboclo de Ogum, vindo a trabalho
pela Falange de Ogum Rompe Mato, o Caboclo Rompe Mato está sobre a
irradiação vibracional de Oxossi, e por esse motivo traz as cores
vermelho e verde, em suas guias ou algumas roupagens. Ele costuma se
apresentar austero e bem rigoroso, contudo é muito amoroso e
aconselhador.

    Ele se apresenta em trabalho nos terreiros de Umbanda trazendo a
paz, conselhos, boa conduta, saúde, tranquilidade, caridade a todos
que buscam auxílio mediante ao merecimento de cada um.

    A história que vamos relatar é do Caboclo Rompe Mato
pela Caridade vindo na irradiação de Oxossi dentro da Falange de Ogum
Rompe Mato.


    No final do século XVIII já entrando no século XIX, se criou uma
lenda na região Norte do Brasil, na qual se acreditava entre os homens
brancos que iniciavam o devastamento da floresta fechada, para
cultivar grandes roças e também extrair das seringueiras o látex para
a fabricação da borracha. Essa lenda se destinava a acreditar que
espíritos da floresta levavam as crianças brancas adoentadas para o
interior das matas, para que essas crianças tivessem a cura, caso isso
acontecesse eram devolvidas aos pais, caso não, eram sacrificadas.

    Contudo essa lenda não era bem assim, existia sim um teor de
verdade nessa história, porém não havia nenhum sacrifício em nome de
algo ou alguém da floresta.

    Tudo começou quando um pequeno índio bastante curioso começou a
rondar as terras onde os brancos fixaram moradia para introduzir as
grandes roças nas margens da floresta.

    Com a chegada desses homens brancos, também chegaram as doenças,
que logo se espalharam por entre os índios, dentre eles o pequeno
índio curioso.

    Seu corpo febril, sua pele ressecada, seus olhos inertes fizeram
com que seu pai, o Cacique da tribo, ficasse em desespero, pois não
entendia bem os fatos dos acontecimentos de seu pequeno filho.

    Rapidamente o cacique levou o garoto a oca do poderoso Pajé, com
esperanças de salvar a vida de seu menino.

    Chegando nas mãos do Pajé, e ao observar os males passados pelo
menino, o Pajé demonstrou uma grande preocupação, acreditando ser a
moléstia um castigo dos deuses da floresta ao pequeno índio, por ele
ter tido contato com homens brancos.

    O Pajé pega o menino aos braços, e parte para o interior mais
sombrio da floresta, onde poucas pessoas conheciam. Chegando lá,
juntamente com o cacique, ele, o Pajé, se põe a fazer sua dança
invocando as forças espirituais da floresta, para que assim tenha uma
resposta sobre aqueles males, que na sua visão eram feitiçarias.

    O cacique, bravo guerreiro, dominador dos perigos da floresta,
grande e respeitado por todos os índios de sua tribo, não podendo
fazer nada com sua força, no momento se sentia fraco, sua alma estava
triste em ver seu menino ali, inerte. E em um ato de humildade, o
cacique se pôs de joelhos, de braços abertos, olhar perdido, em busca
de uma resposta dos céu.

    Sua face, antes de um poderoso guerreiro, se transformava em um
rosto abatido, entristecido. E de seus olhos brotaram lágrimas,
lágrimas teimosas que sem pedir permissão rolavam em sua face, rolavam
de acordo com a dor que o poderoso cacique tinha na alma e no coração.

    Clamou desesperadamente aos deuses da floresta, clamou sem receio,
sem orgulho, apenas demonstrando o desespero de um pai desconsolado,
de um simples homem que sabia que estaria perdendo seu maior bem. Seu
filho.

    O Pajé se entranhou por entre as árvores, em mata fechada, em
busca de ervas, raízes, folhas, para tentar reverter a condição do
indiozinho.

    E nesse instante o cacique apanha o filho no colo, afaga sua
cabeça, chora copiosamente, lamenta a sua dor.

    E nessa hora de grande desespero, o guerreiro cacique sente um
leve toque em seu ombro. Acreditando ser o Pajé, olha para cima
rapidamente, se surpreendendo com a visão.

    De baixo para cima, o cacique contempla a imagem de um índio
desconhecido. De olhos grandes e serenos, sua face jovial, seu
sorriso amigo, trouxe uma certa sensação de paz ao cacique.

    Sua voz era forte, porém mansa, que num tom de sabedoria disse a
nosso pai desesperado:

    "Filho, seu desespero, sua fé e seu amor paternal me trouxeram até
aqui. Suas lágrimas verdadeiras me mostraram quanto amas seu filho, e
esse grandioso amor não ficará sem uma resposta do céu. Sou Oxossi,
meu reino é as matas, as mesmas matas que buscou abrigo para sanar
todo mal de seu menino.
    Poderei lhe ajudar, poderei mostrar como curar seu curumim, porém
você deverá mostrar a ele o bem, ensinar-lhe a fazer o bem, sem
escolher a quem fazer.

    Se ensinar-lhe de forma correta, esse menino será a luz da
floresta escura, se não o ensinar de maneira correta, ele se perderá
na escuridão e nos braços da morte eterna."

    Dizendo isso, a imagem de Oxossi, estende a mão ao cacique, que
deixa o corpo do menino sobre as folhagens estendidas ao chão. Se
levanta, e segue o Pai das Matas para o interior da mata. Lá o
poderoso médico das florestas mostra algumas ervas e raízes que deverão
serem levadas para fazer a maceração, e assim fazerem o remédio para
a cura, não só do pequeno Curumim, mas de todos que passavam pelo
mesmo mal.

    O cacique fez tudo que fora ensinado por Oxossi, e após fazer as
compressas, chás, e banhos, o menino reage, seu estado febril não mais
existe, seus olhos voltam a brilhar, sua vida de criança nasce
novamente.

    Com isso, quando menos se esperava o cacique se encontra só
novamente, o Pai das Matas se foi, deixando apenas a sensação de paz
em toda a floresta.

    O Pajé retorna, se surpreende ao ver o curumim brincando pelas
árvores gigantescas, e logo o cacique lhe conta o acontecido.

    Os três retornam para a aldeia, com uma grande quantidade das
ervas, raízes e tudo mais indicado pelo senhor da floresta, fazem todo
o trabalho aprendido, e todos que estavam com os males dos brancos se
recuperam.

    O cacique faz o prometido, ensina cada passo da cura a seu filho,
que presta atenção a cada detalhe, aprendendo todos os passos, e já
fazendo todo o tratamento sozinho.

    Os anos se passam, o curumim agora já é um belo e grande índio
guerreiro. Ele que tem a responsabilidade de ir em buscas das  ervas e
raízes indicadas por Oxossi, a cada necessidade. Como todas essas
ervas ficavam no interior extremamente fechado das florestas e matas,
o índio passou a ser conhecido como Rompe Mato, e assim se manteve em
busca de cura, não só para aquela moléstia principal, mas para todas
as moléstias que por ventura aparecessem.

    Em um certo período, já na época do grande estouro do ciclo da
borracha, uma grande quantidade de pessoas vinham da região Nordeste
do Brasil para a região Norte em busca das seringueiras e do látex.
Com isso a disseminação de doenças se expandiram extremamente, não só
entre os índios, mas também entre os brancos, principalmente nas
crianças.

    Com a guerra da ganância dos seringueiros, os índios foram
afastados, sendo expulsos, e obrigados a viverem no fundo da floresta,
locais de matas muito fechadas, onde os seringueiros não se arriscavam
em entrar.

    As doenças continuavam a matar as crianças, filhos de
seringueiros. Sem piedade, dezenas delas eram tomadas pelos braços
malignos da morte, sem que ninguém pudesse fazer nada.

    Certa noite, longe da aldeia, bem próximo da região tomada pelos
homens brancos, o índio Rompe Mato observa uma mulher, com uma
criança no colo. Essa mulher chorava desesperadamente, pois sua filha
estava a beira da morte. Uma menina de uns 3 a 4 anos, inerte, febril,
sem chances de vencer a guerra contra a moléstia, se encontrava
envolvida em um pano branco, demonstrando que já a preparavam para seu
sepultamento, logo após o desencarne.

    A mulher chorava, solitária, frágil, desolada. Cansada de tanto
sofrimento, a mulher adormece, sem notar que estava sendo observada
pelo índio Rompe Mato. Esse foi até ela, com seus passos leves, sua
agilidade e sua vontade de poder curar aquela criança, e numa ação
rápida pegou a menina e a levou para o interior mais inacessível da
mata. E lá com a ajuda das ervas e raízes de Pai Oxossi, curou a
menina de sua moléstia.

    Ao acordar e não ver a menina, a mulher que antes desesperada,
fica enlouquecida, sai gritando em busca de ajuda, para que
trouxessem a sua filha de volta.

    Alguns seringueiros, armados com seus facões, saíram em busca da
menina, porém sem o menor resultado positivo. Ao retornarem as suas
choupanas, a conversa virou apenas um só tema: "Espíritos da floresta
levaram a menina".

    Enquanto seringueiros debatiam o fato, o índio Rompe Mato,
aproveitando a oportunidade, leva a menina curada de volta, deixando-a
muito próxima da choupana de sua mãe, que logo encontra a criança.

    Ao indagar a pequena sobre o que tinha acontecido, todos os
moradores da aldeia dos seringueiros, ficaram perplexos com os relatos
da menina, dizendo ela que ela só lembrava de um lugar lindo, de um
anjo vestido de índio, que voava pelas árvores, que deu a ela um
remédio um pouquinho amargo, mas que ela se sentia bem em tomar. E o
remédio fez com que ela ficasse forte, e então o anjo trouxe ela de
volta pra casa.

    A partir dali todos acreditaram que o anjo era um espírito da
floresta, que com sua bondade curava as crianças, e mandava o chá
sagrado aos adultos.

    Muitas mães deixavam seus filhos sobre a mesma pedra na qual Rompe
Mato pegou a menina, para que assim ele levasse outras crianças
também, e as curassem. E assim ele fazia. constantemente.

    O tempo passou, Senhor Rompe Mato continuava com sua missão de
cura, crianças, adultos, homens e mulheres da aldeia dos seringueiros
eram curados pelas mãos e a fé do índio. Que mesmo vendo seu povo ser
expulso das terras que nascera, ele não se deixava enfurecer, não
deixava o ódio tomar conta de sua alma, e peregrinava, dia e noite na
busca das ervas e raízes para salvar todo aquele povo dos males.

    Porém certa noite quando o índio ia para a aldeia em busca de
auxiliar mais um grupo de adoentados, fora capturado pelo chefe dos
seringueiros e seu bando, sendo colocado amarrado, e em uma intensa
tortura física e moral. Sem saberem que era ele o autor das curas
feitas, nas caladas noites sombrias, a intensidade do açoite se
estendeu por dias, e a pretensão dos seringueiros era saber sobre
outras riquezas daquela região, além do látex.

    E assim se passaram dias e dias de intensa covardia sobre o nosso
amado Rompe Mato, até que aconteceu o inesperado, a filha do chefe dos
seringueiros contraiu a moléstia devastadora.

    Ele, o chefe dos seringueiros, acreditando que a cura viria do
espírito das matas, levou a menina ao local onde o índio Rompe Mato
sempre buscava as crianças para tratamento. Porém por estar ele, o
índio, preso nas garras perversas dos gananciosos seringueiros, não
tinha como levar a cura a pequena menina adoentada.

    Se passaram duas noites e era visível a piora da menina, e visível
também era o desespero de sua mãe, que clamava ao marido que buscasse
orientação com o índio que se encontrava preso pelos seringueiros,
pois sendo ele da região, talvez soubesse algo sobre o "espírito das
matas" que curava tantas pessoas.

    O chefe dos seringueiros, não tendo mais esperanças, e nem mais o
que fazer foi até o índio torturado, e num gesto de prepotência e
ódio, ordenou a ele que dissesse tudo que sabia sobre o tal curador
das matas. Rompe Mato sem entender muito bem o que era falado, clamou
ao chefe dos seringueiros que ele o explicasse melhor sobre que
espírito das matas ele se referia, sem saber que ele próprio era visto
assim por aquele povo.

    Ao ser explicado melhor sobre os fatos acontecidos, Rompe Mato
entende que era sobre as curas feitas por ele que era falado, e em sua
inocência e cultivador da caridade, ele se expressa dizendo que era
ele próprio que levava as crianças até certo ponto da floresta e as
curava com ervas e raízes que colhia após serem abençoadas pelo Pai
das Matas, o grande rei Oxossi.

    O seringueiro chefe fica irradiando ódio pelos olhos com a
resposta, pois acreditava que o índio estava mentindo, e estaria
usando do fato da doença de sua filha para sair da situação que se
encontrava.

    No instante seguinte,sem refletir sobre a situação, o chefe crava
um punhal de aço no peito do índio, que cai inerte nos braços da mãe
terra.

    Os olhos do índio se cerraram, sua respiração se finda, seu
coração, que já não batia mais dentro do peito, despejava lágrimas de
sangue. Ele estava desencarnado.

    Do alto de uma imensa árvore sai a imagem de Oxossi, que plaina
junto ao corpo inerte de Rompe Mato, diante dos olhos de todos.

    E dessa imagem sai uma voz forte, porém serena, dizendo aos
seringueiros que aquele índio era o caminho para a cura de todos que
ali se encontravam, porém a ganância, a prepotência, a falta de
humildade e o ódio, dissiparam todas as esperanças que poderiam ter
naquela região.

    Dizendo isso Oxossi estende a mão, e em sua direção o espírito do
índio se apresenta, não mais com os sinais de tortura que havia
passado, mas como um poderoso guerreiro das matas, que além de ser
abençoado pela proteção de Oxossi, tinha a grandiosa proteção de Ogum,
o senhor das guerras. E essa proteção ia ser usada para retirar das
matas todo aquele ódio deixado pelos seringueiros gananciosos.

    Nesse instante apareceu do lado de Oxossi e de Rompe Mato a imagem
onipotente de Ogum, demonstrando toda a força contida naqueles seres
para lutarem contra o mal.

    Os três partiram para o interior inexplorável da mãe floresta, e
lá Oxossi e Ogum entregaram o índio Rompe Matos aos cuidados da
sagrada e bela Cabocla Jurema, que encaminharia o índio as terras do
Juremá, para que assim esse pudesse ser coroado mais um rei das matas
e poder trabalhar em prol da caridade na linha espiritual da Umbanda.

    A partir desse acontecimento muitas crianças daquela região
tiveram a moléstia, e para desespero de todos os pais a cura não mais
acontecia. Várias delas desencarnaram, inclusive a filha do
seringueiro chefe, que passou a ser odiado por todos seus seguidores,
pois entenderam que ele fora o culpado do desencarne do índio Rompe
Mato, sendo assim não havendo esperanças de cura para ninguém daquela
região, principalmente as crianças.

    O índio passou a ser conhecido como Caboclo Rompe Mato, e era ele
que protegia o espírito de cada criança que desencarnava com a
moléstia pecaminosa, e assim se cria a lenda de que o Caboclo Rompe
Mato é o cuidador e protetor de todas as crianças. E dizem que a cada
manifestação desse Caboclo nos Terreiros de Umbanda, ele vem em
companhia de vários Erês, que mesmo sem se manifestarem em
incorporação, estão dentro do Terreiro para a proteção de todos.

    Que o Caboclo Rompe Mato nos proteja, proteja nossa família e
nossas crianças.

    Salve todos os Caboclos!

    Salve a Cabocla Jurema!

    Patacori Ogum!

    Okê Arô Oxossi!

    Okê Seu Rompe Mato.


Carlos de Ogum

HISTÓRIA DA CABOCLA JANAÍNA.



    História da Cabocla Janaína.

    Eu vi um peixe,
na beira d'água,
solte os cabelos Janaína,
e caia na água.

    Ela é princesa,
ela é feminina,
vamos saravar,
a Cabocla Janaína.

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    Nos primórdios tempos em que o homem branco colocou a ganância
acima de seu bom senso e partiu em massacre contra os índios, para
lhes roubarem as terras e suas riquezas, nascia uma pequena índia no
meio da floresta, e entre guerras desordenadas entre o homem branco e
índios e a beleza do reino de Pai Oxossi, vinha a esse mundo sem lei a
pequena índia Janaína.

    Seu pai, o cacique daquela tribo de índios e índias valentes, em
um grande ataque dos brancos, lutou pela sua gente até que fora
assassinado covardemente, entregando seu espírito ao Rei das
florestas, Pai Oxossi, Orixá no qual o guerreiro cacique tinha tanta
adoração.

    Sua mãe, uma guerreira de uma tribo valente, que tinha uma vida de
luta, para junto com suas amazonas guerreiras, defenderem suas terras
e sua gente custasse o que custasse, mesmo estando sobre a grande
pressão de um ataque dos homens brancos e grávida, ainda lutava. Mas
ao ver o corpo inerte de seu amado cacique, pai de sua filha, a jovem
índia guerreira desabou. E com a sua gestação já chegando ao dia
limite, ela teve que naquele momento fazer algo que dentro de si
achava impossível, fugir, deixar para trás seu povo, suas terras
sagradas, sua vida.

    Mas deveria preservar a vida de sua filha, deveria partir dali,
buscar um lugar tranquilo para quando chegar o momento do parto, ela
ficasse segura, para assim dar segurança a sua pequena menina.

    E assim foi feito, a jovem índia, com as dores do parto, com as
dores de uma perda, com as dores em seu coração dilacerado pela
maldade dos homens brancos sobre seu povo, ela partiu se embreando
pela floresta que no mesmo momento que era encantadora era
assustadora.

    Ao chegar em um certo ponto da floresta fechada, onde se ouvia
apenas o som dos ventos nas folhagens das árvores e os ruídos de
vários animais que habitavam aquele espaço, a índia, fraquejada, se
deita ao chão, pedindo aos espíritos da floresta que a ajudassem a ter
sua criança, e que conseguisse sobreviver para ver essa criança
crescer e ser uma guerreira, que lutaria em prol de seu povo.

    O parto aconteceu, após algum tempo de dores intensas, a criança
veio ao mundo. Era uma linda menina, uma indiazinha de rosto meigo e
belo. E após tantos acontecimentos, após a grande pressão de um ataque
dos homens brancos, e estando sozinha no meio da floresta, fica
encantada ao ver pela primeira vez o rosto angelical da pequena
indiazinha

    Raios de sol atravessavam as densas folhagens das árvores,
gigantescas, esses raios chegavam até a pequena menina, como parecendo
a proteger de tudo e todos.

    A índia sabia que não deveria ficar ali por muito tempo, deveria
buscar abrigo. Animais selvagens, homens brancos gananciosos, tudo
poderia acontecer. E ela em um esforço tremendo, partiu para a busca
de um abrigo.

    Com a menina nos braços, a índia caminhou por algumas léguas, até
que na saída da floresta e entre uma linda praia, seguiu até uma gruta
nas pedras que daria para o mar. E lá ela ficou, para descansar,
alimentar-se e alimentar a pequena índia.

    Alguns dias se passaram, a índia mãe já estava bem mais forte, sua
pequena estava linda. A índia mãe passava seus dias admirando sua
filha, buscando alimento para ela e sentada nas rochas observando, de
um lado a imensidão do mar, e do outro a extraordinária beleza da
floresta. Até que certo dia, a índia se encontrava de olhos fixos no
mar, sem perceber que a seu lado havia uma linda mulher envolvida em
um manto azulado. De olhos fixos também para o mar, a mulher diz em
voz meiga e serena:

"A grandeza das águas do mar, quando junta-se com a imensidão do azul
do céu, transforma-se em um grande poder, um poder que só é comparado
ao amor de uma mãe por um filho."

    Ao ouvir isso a índia deu um sobressalto, envolvendo sua pequena
menina nos braços, em um abraço de proteção.

    A bela mulher com seu manto azulado então diz:

    "Não se assuste minha filha, não lhe farei mal. Cá estou para
pedir-lhe que se afaste daquela gruta essa noite. O mal vai nela
chegar em busca de descanso, para reabilitação e assim terem forças
para novos povos massacrarem. Contudo enquanto nesse descanso
estiverem, o mar vai julgar e dar a sentença de cada um desses
assassinos. Não queria que você e sua princesa estejam lá,
principalmente nas mãos dos homens brancos, que a ganância os fizeram
seres das profundezas, e também não desejaria que estivessem na
sentença da calunga grande. Por isso peço que se afaste essa noite
dessa gruta, levando sua criança. Criança essa que eu me sentiria
imensamente feliz que tivesse o nome de Janaína."

    A índia agradeceu a proteção, obedeceu a linda mulher e partiu.

    A noite chega, do alto de um monte a índia observava a praia e a
gruta. Seus olhos estavam cansados, seu corpo fatigado pelo extenso
tempo que andara para chegar naquele ponto. Acreditava que algo ia
acontecer. Ficava tentando se lembrar de cada palavra que a mulher
lhe teria dito.

    Mas quem seria aquela mulher?
    Porque ela queria que sua menina tivesse o nome de Janaína?

    Perguntas sem respostas.

    E no meio dessa reflexão, a índia se assusta, observando vários
homens brancos, trazendo tochas acesas nas mãos, falando alto,
gargalhando, e chegando a praia, indo direto para a gruta, gruta essa
que a algum tempo atrás ela estaria se apropriando.

    Ela agradece por não está lá, agradece aos deuses das matas, e
agradece mentalmente a bela mulher de manto azul.

    A madrugada chegou, na gruta os homens já não faziam mais
barulhos, pareciam que todos dormiam. Sem que ela percebesse do local
que estava, a maré começa a subir, e quando ela deu por si, toda a
gruta estava encoberta, numa rapidez intensa, que não foi dado a menor
chance daqueles homens saírem.

    O cansaço tomou conta da índia, que adormeceu. Quando desperta o
Sol estava intenso, o céu azul, o mar lá embaixo estava tranquilo, e a
seu lado a linda mulher de manto azul.

    Ela olha para a mulher sorrindo, que lhe retribui. A mulher diz a
ela que deverá voltar a gruta, e lá deveria ficar até a sua pequena
filha começar a dar seus primeiros passos.

    A índia teme pelo novo aumento da maré, mas a mulher a tranquiliza
dizendo que não vai mais acontecer esse fato, e que a partir daquele
dia aquela gruta seria o local onde a sua pequena menina iria se
transformar em uma guerreira, e iria usar disso para salvar seu povo
da ganância dos homens brancos.

    O tempo passou, a menina cresceu, e já ensaiava seus primeiros
passos. E foi aí que a mulher novamente vem a mãe índia e diz:

    "Já é hora de partir desse lugar, essa foi a primeira gruta que
deveríamos ficar com a sua pequena guerreira. De um total de sete
devemos passar por elas até a menina completar seus 13 anos."


    E assim foi feito, a menina Janaína passou por sete grutas,
chamadas de "grutas mágicas", desde o seu nascimento até completar
seus 13 anos. Em cada uma dessas grutas ela tinha a companhia de sua
mãe, e da mulher de manto azul, que por diversas e diversas vezes, a
ensinava a magia de trazer as energias o mar e das florestas.

    A menina acabara de completar seus 13 anos, quando a bela mulher
veio até ela e disse:

    "Jovem Janaína, você está pronta para voltar e libertar seu povo.
Agora você é uma guerreira das matas. Você tem o sangue guerreiro de
seu pai da terra e de sua mãe que era uma amazona. Ambos tinham a
proteção do Orixá Ogum e do Orixá Oxossi. Essa proteção agora está
com você, mas com um teor diferente, pois hoje você tem a proteção e
os ensinamentos de Iemanjá. Você é uma guerreira diferenciada, tem o
dom de lutar e vencer, e tem o dom de dar a força e as energias do mar
e das florestas as suas guerreiras comandadas. Você hoje não é só uma
amazona guerreira, você é o caminho e a luz que todas as amazonas
guerreiras deverão seguir."

    Ela compreende, e mesmo sendo uma menina na idade terrena, já era
uma guerreira vencedora e dominadora na vida espiritual, pois ela
tinha dentro de si todas as energias dadas pelo mar e pelas matas,
afim de comandar uma legião das mais belas e lutadoras guerreiras de
todos os tempos nas florestas de Pai Oxossi.

    E assim ela se foi, junto a sua mãe para o interior da imensidão
da floresta.

    Tempo a tempo, ela se embrenhava nas matas, indo ao encontro de
novas amazonas, de várias idades e tribos, e após algumas palavras e
gestos, as guerreiras entendiam que a Cabocla Janaína era a líder que
buscavam a tanto tempo.

    Assim sendo a Cabocla Janaína formou seu exército de amazonas
guerreiras, dando um grande orgulho a sua mãe.

    E enfim chegou o grande dia, a de libertar os povos índios das
garras malditas dos homens brancos. Tudo foi preparado pela Cabocla
guerreira, toda a sua legião de amazonas aguardavam as ordens de
ataque em vários pontos da floresta, que foram tomadas pelos homens
brancos, que escravizavam os índios de uma forma cruel e covarde.

    E foi dada a ordem de ataque, cada passo dado acima do grandioso
número de brancos era uma vitória para a Cabocla Janaína.

    Aquela guerreira de grito poderoso, de ações intensas e certeiras,
de demonstração de força, não parecia ter a pouca idade que tinha. Era
uma águia atacando suas presas, um leão que dominava todo seu bando,
sua força contagiava todo o grupo de lutadoras, fazendo assim com que
fosse quase impossível de dominá-las.

    Mas os homens brancos quando são tomados pela ganância não tem
limites, em uma junção de centenas de homens dispostos a matar ou
morrer pelas riquezas da terras indígenas, e claro continuar
escravizando os índios, se fecharam em cerco , fazendo assim com que
um grupo de amazonas que estaria um pouco distante da maioria delas
fossem cercadas. Com um sorriso sarcástico no rosto, o líder dos
homens brancos, manda seus comparsas eliminar todas que ali estavam.
Diante disso, ao observar a cena, a guerreira Janaína se coloca na
frente do grupo de guerreiras, e se utilizando dos ensinamentos de sua
protetora Iemanjá, busca um campo de energia do mar, da floresta e das
sete grutas, fazendo assim uma grande camada de energia que protege
todas as guerreiras das centenas de armas de fogo que foram usadas
contra elas.

    O líder dos homens brancos fica apavorado ao ver aquele feito, com
um grande receio, acreditando em uma possível magia vinda dos
espíritos da floresta, ele bate em retirada, junto com toda sua tropa
de assassinos e ladrões.

    As amazonas venceram, com a liderança e toda a sabedoria da
Cabocla Janaína, e todas festejaram essa grande vitória.

    Nos festejos e nas junção das tribos, diante de uma grande
fogueira, onde se encontrava a Cabocla Janaína, a sua mãe e alguns
caciques de tribos vizinhas, poderiam ser visto por todos as lindas
imagens de Pai Oxossi, senhor das matas, de Pai Ogum, senhor da guerra
e paz e da linda Iemanjá, protetora das amazonas, e claro da linda
Cabocla Janaína.


    Hoje essa linda Cabocla guerreira trabalha em prol da caridade nos
Terreiros de Umbanda, trazendo paz, justiça, vitórias, quebrando
magias e usando a energia dos mares, das florestas e das sete grutas
para proteção de seus filhos e consulentes.

Saravá a Cabocla Janaína!

Okê Cabocla linda e guerreira!

Carlos de Ogum.

História da Erê Mariazinha da Praia

              

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Mariazinha da beira da praia,
como é que balança a saia?

É assim, é assim, é assim,
é assim que balança a saia.
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Mariazinha nasceu na beira do rio,
na beira do rio lá no Juremá.
Mariazinha nasceu na beira do rio,
na beira do rio lá no Juremá.
Aonde a lua brilha, clareia cambina.
Clareia mata pra Ibeijada brincar.
Aonde a lua brilha, clareia cambina.
Clareia mata pra Ibeijada brincar.
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    Mariazinha da Praia é uma Entidade da linha das crianças que traz
sua meiguice e sua alegria para os Terreiros de Umbanda, e neles faz a
caridade a quem necessita de ajuda espiritual.

    Como toda linha de Ibeijada ela adora brincar, balançar seu
vestidinho, sorrir, e claro comer seus docinhos e balas enquanto faz
seus trabalhinhos para a caridade.

    Muitas são as Entidades de luz que usam o nome de Mariazinha da
Praia, mas hoje esse texto vai demonstrar a história de uma
específica, a história de Mariazinha da Praia, a pequena menininha
que curava os males das pessoas necessitadas com a água do mar, areia
e conchinhas. Essa linda menininha de olhar carinhoso, de sorriso
tímido, de ar um tanto envergonhado, e a nossa amada Entidade de Luz,
que busca fazer a caridade no Terreiro Pai Ogum Megê (TUPOM),  e que
vamos contar um pedacinho de sua história, que nos foi revelado pelos
nossos amados Pretos Velhos da casa, além da própria Mariazinha.


    Mariazinha nasceu em uma região praieira do Sudeste do Brasil, no
início do século XX. De uma família sem muitos recursos, seus pais
eram pescadores e trabalhavam sobre o domínio de grandes negociadores
de peixes e frutos do mar, com esse fato a linda menina de olhar
tímido passava a maioria do tempo de seu dia admirando a beleza
encantadora do mar, e relembrando o que sua avó, que já tinha partido
para os braços de Oxalá, dizia sobre as magias e as bençãos daquela
imensidão de águas cristalinas, e também sobre a linda rainha dos
mares, na qual a velha senhora a chamava de "princesa Janaína".

    Mariazinha, ainda uma pequenina criança, ficava encantada com
tudo aquilo, seus olhos negros brilhavam de emoção ao se aproximar da
areia fina e das águas dançantes pelo poder das ondas, seu coração
palpitava quando ouvia o som das ondas e sentia o cheiro
inconfundível da maresia.

    Certa tarde em que o Sol já estava se pondo, a maré baixa, os
pescadores se encaminhando a suas choupanas para uma noite de
descanso, Mariazinha sentada a beira do mar, brincando na areia, com
seus pensamentos voltados a aquele momento de paz, se surpreende ao
escutar uma voz feminina, doce, meiga e amável chamando por seu nome,
por um instante ela imaginou ser a sua mãe, mas ao levantar seus olhos
fintou uma linda imagem de mulher, de lindos cabelos longos, sorriso
encantador, vindo em sua direção, parecendo plainar sobre as águas do
mar.

    A menina nem por um instante teve medo, apenas se levantou, sorriu
de volta a bela mulher, sentiu seu coração acelerar em uma emoção
indescritível.

    A mulher levando as mãos até as mãos da menina, as pegou com
carinho, acariciou-as e disse com uma voz amável quase sussurrando:

    "Menina Maria, sei que é uma criança especial e iluminada, sei que
apesar de sua pouca idade vai compreender muito bem o que vou lhe
dizer nesse momento. Você é uma escolhida de Deus, uma criança de
grau espiritual elevado, tem a proteção de todos os Orixás,
principalmente a minha, sua Mãe Iemanjá, ou como dizia sua amada avó,
a "princesa Janaína".

    Você minha doce criança, tem uma missão em sua caminhada, com seu
gesto de amor, carinho e fé, vai auxiliar a compreensão dos seres
desse vilarejo. Com sua fé e seu amor, vai salvar centenas de vidas de
crianças inocentes, mulheres sem proteção e homens que buscam viver em
paz. Isso não vai demorar acontecer, logo deverá demonstrar seu poder
de amar e de curar. A cura deverá vir através da magia das águas dos
Oceanos, através dos alimentos que os mares oferecem, das algas que
brotam nos fundos desses mares. Com essas coisas você vai auxiliar o
combate a uma grande peste que cairá sobre todos desse vilarejo, sendo
bem afortunados ou não. Essa peste além de trazer muitas mortes em
todo povo, vai trazer discórdias entre os homens, fazendo assim que
aqueles que sobreviverem a peste, morrerão por intermédio do ódio
espalhado pelos próprios homens.

    Você deverá curar a maioria dos adoentados, sejam eles do lado dos
trabalhadores ou dos negociantes, não deve se deixar enganar por
falsos profetas, ou pessoas que não veem o desespero de seus
semelhantes. E após isso, vai ter uma grande decisão a tomar, se tomar
a acertada acabará com a peste e com o ódio, fazendo assim os homens
trabalharem em conjunto para a salvação de seus semelhantes. Mas
lembre-se, ao tomar essa decisão, mesmo sendo uma criança em tenra
idade, não deverá ser tomada pelo medo, estarei sempre a seu lado, e
no momento certo você virará um Anjo iluminado a serviço da caridade
em nome de Deus, e eu estarei aqui para lhe ajudar a entender esse
caminho.

    Também será concedida a alegria, de enquanto você auxilia seus
semelhantes, a presença espiritual de sua caridosa avó, senhora que
tanto lhe ama e deseja lhe dar proteção nessa caminhada. Portanto
nunca estarás só.

    Aqui lhe dou a benção e a proteção, ao se sentir receosa, basta
apenas rezar com sua fé infantil."

    E assim a linda Mãe Iemanjá partiu plainando sobre as águas
azuladas do grande mar, indo em direção ao horizonte até desaparecer
dos olhos da menina que estava extasiada.

    Ela com lágrimas nos olhos, ainda sem saber o que viria realmente
pela frente, por um instante sentiu medo, suas lágrimas rolaram como
gotas de cristal, entrelaçou seus dedinhos das mãos uns com os outros
demonstrando a verdadeira idade infantilizada daquela menina tão
pequenina, mas que deveria ser uma grande guerreira a partir desse
momento.

    Ela se vira para a direção do vilarejo e caminha, se sente um
tanto fragilizada e temerosa, acreditaria que não seria capaz de uma
missão tão grande, sendo ela apenas uma criancinha. Suspirou
profundamente, secou as lágrimas que teimavam em cair, e se sentou
novamente nas areias finas da linda praia cercada de palmeiras
verdejantes. Teve medo de retornar ao vilarejo, teve medo de estar em
delírio, teve medo de falhar.

    Sentada ao chão arenoso, de pernas entrelaçadas uma a outra,
levou as mãos ao rosto meigo e angelical, como se tentasse se esconder
do mundo. Sentiu um afago em seus cabelos longos e negros, assustada
deu um sobressalto e viu a seu lado a sua doce avó que tanto amava,
que lhe disse com carinho:

    "Venha meu Anjo, vamos retornar a choupana de seus pais, deverá
dormir e descansar bastante. Esses dias serão de reflexão, e dentro de
alguns dias o trabalho árduo se iniciará, você deverá ter forças para
essa jornada, até chegar o dia que estará junto a mim."

    E juntas se foram para o vilarejo. Ao chegar na choupana em que
residia, olhou aos lados, viu várias crianças de todas as idades
brincando, homens e mulheres refazendo suas redes de pescas
danificadas por algum motivo durante a lida no mar, seus pais na porta
do pequeno casebre em conversas sobre a rotina do dia a dia. E nisso a
menina entendeu que era uma missão grandiosa, mas que ela deveria
fazer com a força e o amor de Deus e dos Orixás.

    Ela correu ao encontro dos pais e os abraçaram, como o inicio de
uma despedida. E ali entendeu que seu destino já estaria traçado.

    Os dias se passaram, e conforme esperado a peste começava a tomar
o corpo físico de várias pessoas do vilarejo, se espalhando
rapidamente entre todos, inclusive pelos senhores de grandes posses
que ali vinham negociar os pescados.

    A primeira morte foi anunciada com temor entre os moradores do
vilarejo, todos buscavam soluções mas sem nenhum êxito. Os males se
espalhavam como fogo em pólvora. Homens, mulheres, crianças, idosos,
ricos, pobres, de todas as crenças e de todas as raças, ninguém
escapava da veracidade da peste maligna.

    Com o domínio da peste sobre todos, os grandes negociadores, com
suas prepotências, seus desamores e suas ganâncias, determinaram que
deveriam encontrar culpados pela grandiosa desgraça que estava
acontecendo. Com isso abriram uma guerra contra os enfraquecidos
pescadores, dizendo que eles teriam trago a peste a região, e deveriam
ser expulsos dali, e os que teimassem em ficar deveriam ser mortos e
terem os corpos queimados para evitar a disseminação da doença.

    Os pescadores não tendo para onde ir, e como trabalharem para
sustentarem suas famílias, decidiram ficar e guerrear contra os
grandes senhores de poder aquisitivo elevado, e assim começara uma
guerra maior que a guerra contra a peste maligna.

    Com esses fatos a menina Mariazinha foi em busca das forças dos
mares para poder tentar paralisar a peste, assim como teria dito a sua
amada Mãe Iemanjá.

    E assim ela o fez, no meio de mortes pela doença ingrata e pelo
ódio entre os homens, ela se ajoelhou diante do mar, pediu
ensinamentos, e o que deveria levar e fazer para auxiliar os doentes.

    Do mar saíram várias Sereias, filhas de Iemanjá, e em suas mãos se
encontravam peixes, crustáceos, algas, e várias outras coisas do fundo
do mar, entre essas Sereias uma trazia um grande jarro com água, e
outra trazia nas mãos os raios do Sol e o brilho da Lua.

    Chegaram bem próximas a orla, Mariazinha adentrou nas águas do
mar, recolheu os peixes e algas, por um instante não sabia muito bem o
que fazer com eles, mas ao seu lado estava a sua amada avó, que foi
lhe dando instruções de como proceder.

    Com a ajuda de sua querida avó, Mariazinha ia pegando das mãos de
cada Sereia um elemento e colocando no jarro, já com as águas sagradas
do mar.

    Macerou algas de diversos tipos, colocou vários peixinhos e
pequenos crustáceos no jarro, que quando eram colocados em seu
interior se transformavam em minúsculos fachos de luzes brilhantes e
coloridas, fazendo com que a linda menina sorri-se se distraindo
deixando aquele momento de ajuda ao próximo ainda mais gratificante.

    Ao acabar a mistura da água, peixes, crustáceos e algas, foi
pedido a menina que ela fizesse uma oração com toda fé de seu coração
e com todo amor de sua alma, e assim ela o fez. Nesse instante as duas
Sereias que traziam nas mãos os raios do Sol e o brilho da Lua,
imantaram a doce menina com eles, e das pequenas mãozinhas da criança
saiu pequenos raios indo de encontro com o jarro sagrado. Após alguns
minutos assim, as Sereias retornaram para o fundo do mar, deixando a
menina apenas com o espírito de sua avó.

    A doce senhora, em luz espiritual, instrui a neta a colocar a água
do jarro em pequenas moringas de barro e levar para o vilarejo o mais
rápido possível, afim de mostrar a todos o poder de cura existente
naquela água, e tentar buscar a paz entre os homens que guerreavam
buscando um culpado pela disseminação da peste.

    A menina foi de volta ao vilarejo, distribuindo a água da moringa,
e ao beberem as pessoas adoentadas logo demonstravam melhoras, abrindo
os olhos, se levantando de seus leitos, controlando a respiração que
antes se apresentava pesada e muito difícil.

    Os moradores do vilarejo entenderam que era uma água sagrada que
vinha curar a todos, e por intermédio das mãos daquela menina
abençoada pelas forças do mar, chegaram até eles para disseminar a
cura e a paz.

    Muitos que já se sentiam fortalecidos, correram para junto da
menina, demonstrando a vontade em ajudá-la, com moringas nas mãos, a
seguiram até o local onde se encontrava o jarro sagrado, enchiam com a
água preparada, e corriam de volta ao vilarejo, e em toda a região em
torno dele, onde também se encontravam várias pessoas sofredoras pelos
males da peste. Pessoas essas que antes desejavam aniquilar todo o
vilarejo, alegando que era dali que se espalhava todo o mal.

    Os ânimos, que antes exaltados, ficaram mais tranquilos com a
notícia de que estava acontecendo um "milagre".

    A menina Mariazinha, juntamente com o espírito de sua avó, ia até
a linda praia, refazia com amor e fé toda a mistura de água, peixes e
ervas, trazidas pelas Sereias, além de imantar com os raios do Sol e
o brilho da Lua, como da primeira vez.

    O trabalho foi intenso e árduo, mas o resultado foi uma vitória a
todos. As pessoas, nitidamente estavam fortalecidas, agradecidas,
felizes e com a fé e as esperanças elevadas.

    Dentre todos os adoentados se encontravam a família de um grande
negociador, de muitas posses, de estrema intolerância e
prepotência. Esse negociador, com seu poder de indução, e poder maior
econômico, foi que levou o aumento do ódio das pessoas que rodeavam a
região do vilarejo, contra os seus moradores, fazendo assim com que a
guerra da intolerância e ódio crescessem. Mas tão debilitado quanto
todos, agora se arrastava em sua residência, sofrendo os males da
peste.

    Ao saber das curas que estavam ocorrendo pela região, pelo
intermédio da água sagrada e pela pequena criança, ordenou a um de
seus serviçais que fosse com urgência até o vilarejo e trouxesse a
cura a ele e a sua família.

    Dentre as pessoas da família desse famigerado negociador, tinha
sua filha, menina doce e meiga, com apenas 5 anos de idade, na qual a
peste atacou com toda a força e sem piedade.

    A menina inerte em seu leito, demonstrava que sua vida se findaria
em poucas horas, despejando assim um grandioso desespero ao negociador
e sua esposa. Vendo o sofrimento da sua pequena filha, o homem
determina que seja trago, o mais rápido possível, o santo remédio para
aliviar suas dores.

    Assim foi feito, o serviçal saindo como um relâmpago em seu baio,
foi até o vilarejo e retornou com uma moringa com a água da cura.

    Todas as pessoas da família do negociador e mais alguns serviçais,
tomaram a água, e logo após sentiam a melhora de uma forma
inexplicável. Porém a menina, filha do poderoso homem, não obteve
nenhuma reação. De olhos fechados, muito debilitada, febril,
continuava inerte, para desespero do homem e sua esposa, que já se
encontravam extremamente mais fortes.

    A febre da menina não cessava, e a cada instante parecia aumentar,
já causando convulsões, sua pele ressecada, pálida, trazia uma imagem
terrível aos olhos de seus pais, que choravam de desespero.

    O homem negociador então sai em disparada com a menina em seus
braços, e a galopes vai em direção do vilarejo, chegando lá aos
gritos de desespero pedindo ajuda a quem pudesse salvar sua filha.

    Mariazinha corre em direção ao homem, que ao vê-la se atira de
joelhos a seus pés, pedindo perdão pela intolerância com o povo do
vilarejo, pedindo que todos o perdoassem por ser ele o culpado de
iniciar uma guerra entre os ricos, contra o povo menos afortunado.
Pedia perdão a Deus, pedia a salvação da sua inocente filha, clamava
intensamente com lágrimas nos olhos pela cura da menina.

    Pegou nas mãos de Mariazinha com carinho, seu jeito arrogante
agora se transformava em plena humildade, beijou as mãos da menina,
sussurrando que já tinha dado a água sagrada a sua filha, mas não teve
efeito sobre ela. E com um choro verdadeiro e de dor, perguntava a
menina, como ela poderia o ajudar.

    Mariazinha se afasta do homem, se vira em direção ao mar, se
ajoelha e começa a fazer sua oração mentalmente a Mãe Iemanjá, que
logo aparece com sua face serena, bondosa, com um sorriso meigo no
rosto, dizendo a menina:

    "Minha doce Mariazinha, para salvar essa menina da garras cruéis
da morte, deverá acrescentar uma nova alga, que deverá ser pega no
interior de uma caverna que fica submersa. Essa caverna vai estar a
vista com a maré baixa, mas terá pouco tempo para entrar lá, apanhar a
alga correta, que você vai reconhecer logo que a vir, e sair antes da
maré subir novamente. Nesse local só poderá ser você, com seu coração
puro e amoroso, deverá entrar. Nesse local vai entender sobre a
maldade e a injustiça dos homens sem coração. Mas não temas, estarei
aqui para te levar a um caminho no qual, sua luz e sua caridade
amorosa vai lhe entregar nas mãos de nosso amado Deus."

Com isso Mariazinha explica as pessoas presentes o que ela deverá
fazer para trazer a menina adoentada a se restabelecer. Explicando
também sobre a nova alga, a caverna, e que deveria ir só.

    O negociador se levanta deixando toda aquela humildade passageira
no chão, esbravejando diz que ele próprio iria buscar a tal alga, que
não deixaria a vida de sua filha nas mãos daquela criança.

    Algumas pessoas contiveram o negociador que parecia esbanjar ódio
em seu coração, mas Mariazinha, sabendo que o tempo era curto, tanto
para salvar a menina, quanto para a baixa e a subida da maré, saiu
correndo, sem dar atenção ao que o homem esbravejava.

    Chegando nas pedras que levavam a caverna, ela aguardou alguns
minutos, e diante de seus olhos via as águas se abaixarem mostrando a
entrada da caverna um pouco mais abaixo de onde ela estava. Ela desceu
até lá, e entrou, começando a busca pela alga.

    Enquanto isso, por um descuido dos pescadores, o negociador saindo
as escondidas, vai em direção da caverna, para que assim conseguisse,
no pensamento dele, trazer a tal alga rapidamente para salvar sua
filha.

    Parecendo outra pessoa de quando de joelhos estava a pedir perdão
pelas suas atrocidades, o negociador se lembrava dos momentos de dor
que passou pela disseminação da peste, na qual ele julgava os
pescadores culpados.

    Sua mente trabalhava uma vingança tão logo assim sua filha se
restabelecesse. Deveria ele expulsar toda aquela "gente suja" dali
antes que trouxessem mais males e pestes a todos da região.

    Chegando nas pedras acima da entrada da caverna, ele já ia descer
quando notou que as águas começavam a subir, avistou a menina
Mariazinha, que nesse momento já estava com as algas nas mãos, na
entrada da caverna.

    Ele ao vê-la gritou, para que ela se apressasse, pois estava
ansioso para levar a cura a sua filha, e claro, na mente dele, iniciar
uma nova guerra contra os pescadores.

    Mariazinha ao prestar atenção no esbravejamento do homem se
distrai, pisando em uma pequena loca nas pedras da entrada da caverna,
na qual seu pé fica preso.

    Tentando de todas as maneiras se soltar, ela pede ajuda ao cruel
negociador, que diz a ela para lhe entregar as algas, pois ela poderia
deixá-las cair nas águas dançantes do mar. E logo que pegasse as algas
ele iria puxá-la para cima, fazendo assim que seu pé se desprendesse
da loca.

    Ela esticou os bracinhos em direção do homem, a maré já estava
alta, as águas que teimavam em encobrir a entrada da caverna já
estava perto da linha da cintura da pequena criança. Ele esticou os
braços a ela, e com uma ação rápida e covarde pegou de suas mãos as
algas, deixando a menina presa.

    Ele olhou para ela com um olhar de desprezo, as águas da maré já
estava chegando ao rosto angelical da menina, ele deu as costas, e
saiu em passos largos, levando nas mãos as algas e deixando Mariazinha
entregue as forças descomunais das águas do mar, que nesse momento já
tinha encoberto toda a caverna.

    O homem andando sobre as pedras, por um instante se descuida,
escorrega e deixa as algas caírem. Desesperado verifica que ficou
algumas algas presas em algumas pedras logo abaixo de si. Com um
esforço descomunal tenta pegá-las, e ao deitar sobre as pedras e
levar a mão em direção as algas, não nota uma enorme onda de tamanho
desproporcional que vem em direção das pedras, arrastando tudo e todos
a sua frente. Com isso o homem e puxado para dentro do mar, e sem a
menor chance de se salvar, tem seu desencarne de um modo trágico e
dolorido.

    Com o sumiço do negociador do vilarejo, alguns pescadores foram
também em direção a caverna, quando avistaram todo o acontecido.
Retornaram desolados por acreditarem que Mariazinha tinha sido
engolida pela enorme onda também, sem saberem da crueldade feita pelo
negociador.

    Ao chegarem ao vilarejo, relataram os fatos a todo povo, não
sabiam o que fazer com a menina adoentada, que nessa altura sua
respiração estava intensamente fraca. A mãe da menina, esposa do
negociador, sentada ao chão, chorava intensamente, clamava a Deus pela
sua menina, e nesse momento o céu abriu um lindo facho de luz azulada,
e desse facho apareceu a linda imagem de Mãe Iemanjá de mãos dadas com
a linda e sorridente Mariazinha, que trazia em uma das mãos algumas
algas, que foram entregues a sua mãe. E essa adicionou no grande
jarro,que brilhou como que se soltasse raios do Sol.

    Deram a água sagrada a menina, que como em um passe de mágica abre
os olhos, olha para sua mãe e sorri. Seu estado febril chega ao fim,
suas dores se acalmam, ela se levanta e abraça a mãe. Como fosse por
encanto a menina se fortaleceu imediatamente, fica de pé, corre até a
luz que envolvia Mariazinha e Iemanjá, e se ajoelha em agradecimento,
fazendo uma linda oração.

    De mãos dadas a Iemanjá, a menina, que agora era chamada de
Mariazinha da Praia, segue para o mar, recanto que agora seria seu
novo lar.

    Todos ficam encantados com aquela imagem, até mesmo os pais de
Mariazinha, que mesmo com a tristeza de saber do desencarne da menina
na vida terrena, entenderam que ela estaria nos braços e na proteção
da Rainha do Mar, e assim teria a caminhada iluminada para o lado de
Deus, sendo ela mais um anjinho que trabalharia em prol da caridade
divina.

    E realmente foi assim, hoje a doce Mariazinha da Praia tem sua
presença em terreiros de Umbanda, trazendo carinho, amor, paz,
ensinamentos, fé e caridade a seus consulentes.


    Salve a Erê Mariazinha da Praia.

    Oni Ibeijada.



Carlos de Ogum

MENSAGEM ENVIADA ATRAVÉS DE PSICOGRAFIA PELO PRETO VELHO PAI JOÃO D'ANGOLA




    Amigos e irmãos na fé, hoje nosso texto postado vai por um caminho
diferente.

    Estamos abrindo esse espaço para retransmitir uma mensagem de luz
que foi enviada pelo Preto Velho Pai João D'Angola, e dizer que essa
mensagem veio através de psicografia feita por uma pessoa de
mediunidade aflorada para tal, e que por pedidos desse amigo médium,
não vamos revelar seu nome conforme acordado.

    Gostaria de frisar também que essa mensagem foi levada em nossa
casa, Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê (TUPOM), mostrada a nosso
trabalhador do dia, Vovô Benedito da Calunga, que após tomar parte do
conteúdo da mensagem, levou  ao Mentor da casa, Vovô Rei Congo, para
que fosse concedida a autorização da publicação desse texto.

    O nosso amado Vovô Rei Congo disse que a publicação ou não dessa
mensagem ia depender do livre arbítrio do Pai da Casa (Pai Carlos de
Ogum), que sou eu. E por achar que é uma mensagem que seria uma lição
a muitas pessoas, inclusive a mim mesmo, estamos aqui postando essa
bela e reflexiva mensagem.

    Agradeço a meu Mentor por me dar a oportunidade de poder usar o
livre arbítrio, assim como sempre é feito dentro da Umbanda e no
Terreiro Pai Ogum Megê.

    Abaixo a descrição da mensagem.

**********************************************************************

O mundo espiritual possui muitos mistérios que o homem terreno ainda
não possui a humildade adequada para desvendá-los.

O universo é grandioso para que uma única coisa fique no seu centro.

A obra de Deus esta sendo espalhada e seres estão se unindo para tal
propósito.

Para tanto, será necessário a transformação pessoal de cada um.

E como se faz essa transformação?

O amor é o caminho.

Amor ao próximo, aos aflitos, aos necessitados, aos inimigos.

Livrar-se de qualquer tipo de preconceito e manter-se humilde no
cumprimento de sua missão.

É necessário saber olhar para si antes de olhar para o irmão. Apontar
os próprios defeitos antes de apontar à alguém, fará de você
conhecedor de si mesmo e um modificador do seu "eu". Como na historia
de Narciso, quando este se enfeitiçou com seu próprio ego, devemos
moderar o que temos dentro de nós, saber filtrar e extrair o que temos
de bom para ser distribuído de forma isonômica.

Saibam que aqueles que mais precisam de nosso amor são os mesmos que
nos provocam dor. Mas o homem, com o ímpeto da ira, não observa que
todo sofrimento, toda dor possui um propósito de modificação interna.

Mas como amar a quem quer me destruir?

Amar não significa ficar "incangado" de beijinhos e abraços, o amor
vai alem disso. O amor, quando puro e verdadeiro, possui varias
manifestações, tendo como principal o perdão. Perdoar com o coração,
com sentimento, com verdade, prolifera o amor no universo, limpa seu
coração e sua alma. Exala fluidos no cosmos, poucos sabem e quase
ninguém ve, mas o amor é como a radiação solar, ultrapassa barreiras e
atinge infinidades de pessoas que clamam por este sentimento.

O perdão é uma das maiores ferramentas do amor, que nesta se inclui a
tão falada caridade. Mas, apenas, o perdão verdadeiro, aquele dar com
o coração, sem o propósito de troca ou de recompensa. O perdão é como
a água em um ferro quente.

Como posso fazer para dar amor a quem precisa?

A maneira mais simples de espalhar o amor é pela humildade. Saber
reconhecer o próximo de forma igual, sem superioridade, sem ego ou a
soberba causada por bens materiais.

É na distribuição de um sorriso para aqueles que se encontram
entristecidos com as suas dores. É dar um bom dia para aquelas pessoas
que estão invisíveis para a grande maioria. É dar a mão para os que
clamam por ajuda para se reerguer. Trata-se então, do amor humanitário
empregado pelos avatares que na terra passaram.

É necessário sabermos o significado da palavra "amor", pois está
chegando o momento de aprendermos a distribui-lo e fazer com que deixe
de ser apenas uma simples palavra escrita no papel, pois palavras
escritas podem ser apagadas.

Saibam ver, enxergar o que está em volta, escutar a voz do tempo,
decifrem as mensagens que a natureza está transmitindo, escutem as
palavras dos sábios.

Orem em prol da humanidade e da paz, atuando com o direcionamento de
ajudar, não contribuindo com o ego e a soberba daqueles que se acham
superiores.

Seus trabalhos no campo da espiritualidade dependem disto e a
transformação começa dentro de cada um.

Pai João D'Angola 17/12/2015.

Psicografada pelo médium F.A.A.F.

**********************************************************************
Abaixo coloquei o significado de algumas palavras para não ficar
dúvida.


Isonômica: Igualdade de direitos.

Incangado: A mesma coisa que estar junto, estar próximo.


    A mensagem foi dada. Leiam e reflitam.


"Todas as palavras que vem para esclarecer aos filhos com falta de
humildade no coração, são palavras de Zambi." (Vovô Rei Congo)

    Esses dizeres foram de nosso amado Rei Congo, ao resumir a sua
autorização dessa divulgação.


Que Pai João D'Angola abençoe a todos!

Carlos de Ogum.

Mensagem de Vovô Rei Congo das Almas

              


    Hoje passarei aqui uma mensagem dada pelo meu amado e incomparável
Mentor, o meu protetor e tão querido Preto Velho, Vovô Rei Congo das
Almas.

    Essa mensagem é uma reflexão à todos, e claro que para alguns vai
ser apenas mais uma mensagem, porém para outros será um novo caminhar,
no que pode se falar sobre Umbanda.

    Essa mensagem foi nos passada com intuito de entendermos a
verdadeira Umbanda, e deixarmos esses pensamentos retrógrados passados
por pessoas sem informações, que só sabem usar da intolerância para
ofender a nossa amada religião, ofendendo nossos Orixás e nossas
Entidades de Luz.

    Essa mensagem vai servir muito também as pessoas que se adentram
em uma casa de Umbanda somente com intuito e a falsa ideia de que
poderá lá, fazer algum tipo de mal a seu semelhante.

    Portanto, prestemos atenção aos dizeres de vovô Rei Congo das
Almas.
********************************************************************

    "Meus filhos e filhas amados, sendo umbandistas ou não, vamos
entender que Deus é único, e sendo único ele está vivo em todas as
religiões. E se está em todas as religiões ele está em nossa amada
Umbanda. E se Deus está na Umbanda, podemos então certamente afirmar
que todos os Orixás e todas as Entidades de Luz são mensageiros de
Deus, são Anjos de Deus, são a luz de Deus para iluminar os caminhos
daqueles filhos que necessitam de uma caridade espiritual para seguir
suas vidas, sem se deixarem abater pelos obstáculos que surgem a todo
instante nessa caminhada.

    Imaginemos filhos amados, toda a luz, toda a força, toda a
caridade e todo desprendimento dessas Entidades maravilhosas.
Imaginemos o quanto são divinas essas Entidades de Deus, imaginemos a
luta constante dessas luzes maravilhosas para manter em linha reta os
filhos que necessitam desse auxilio. Imaginemos amados filhos e filhas
a pureza de coração que cada uma Entidade dessas que se entregam a um
trabalho de caridade em terreiros e centros de Umbanda tem.

    Agora deixemos de imaginar tudo isso e vamos refletir o que os
irmãos que vão a um terreiro de Umbanda pedem a essas Entidades de
Luz.

    Muitas pessoas vão ao encontro delas e pedem paz, saúde, harmônia,
compreensão, vitórias, ou mesmo pequenas necessidades do dia a dia.
Porém uma grande maioria só adentram em uma casa de caridade com
pedidos desconexos, pedidos de maus sentimentos, pedidos que vão
contra as leis da Umbanda e do próprio Deus.

    Filhos, não se entreguem ao ódio, ao rancor, a soberba, a vaidade,
a inveja, a prepotência, a falta de amor próprio, as amarguras, e a
falta de humildade.

    Não levem esses sentimentos obscuros a uma casa de Umbanda, não
façam pedidos que possam fazer com que esses pedidos se tornem força
energética à favor de obsessores.

    Sejam caridosos, amáveis, tenros, humildes.

    Não vá a uma Entidade levando pedidos de destruição de um
semelhante, pedidos de amarrações, pedidos de maldades, pedidos de
crueldade.

    Nós somos Entidades de Luz, amamos todos os filhos que nos
procuram, levamos com todo carinho seus pedidos a Zambi, desde que
eles forem pedidos de luz.

    Respeitem as Entidades de Luz, respeitem a si próprio, respeitem a
Deus.

    Os Pretos Velhos não vão tirar uma pessoa de seu trabalho só
porque você pediu.

    Os Caboclos nunca vão deixar uma pessoa ficar adoentada apenas
porque você deseja isso.

    Os Erês jamais vão derrubar alguém porque você acha que essa
pessoa merece.

    Os Boiadeiros de forma alguma vão laçar e prender as pernas de
alguém porque você pediu.

    Os Malandros nunca deixariam uma pessoa se tornar alcoólatra
simplesmente porque você acredita que essa pessoa não presta.

    Os Ciganos jamais fariam com que um filho se tornasse um fora da
lei, apenas porque você lhe ofereceu uma vela colorida.

    As Pombo Giras não iam se prestar o deprimente papel de amarrar
uma pessoa a você só porque seu orgulho diz que essa pessoa tem que
ser sua.

    Os Exús nunca iriam aceitar bebidas, charutos, ou algum material
orgânico, só porque você acha que assim ele poderia fazer mal a um
desafeto seu.


    Filhos e filhas, sejam humanos do bem. Sejam luz e caridade. Sejam
respeitosos com as leis da Umbanda, com as leis das Entidades, com as
leis de Deus.

    Nós, as Entidades de Luz, somos trabalhadores da caridade, e não escravos de vossa maldade. Portanto reflitam muito bem ao pedirem algo em nossa Umbanda, algo as Entidades de luz, algo a Deus.

    Não nos magoem com falta de amor próprio, com amarguras, com
ódios, com vaidades, com rancores, com invejas, com intenções
obscuras.

    Nunca nos tratem como monstros do mal, nunca tentem nos comprar
com cigarros e cigarrilhas, com bebidas ou com velas. Não sujem nossa
evolução usando nosso nome para fazer o mal, não sujem nosso caminho com o sangue derramado de sacrifícios de animais.

    Somos luz e caridade, porém sabemos ser a escuridão da solidão.
Aceitamos seus erros, tentamos sempre consertá-los, mas sabemos que
todos vocês tem o livre arbítrio, e se usarem seu livre arbítrio para
utilizar nossos nomes para a destruição, amarração ou qualquer
sentimento obscuro de seus corações, certamente usaremos o nosso livre
arbítrio para nos afastarmos de suas maldades.

    Lembrem-se sempre que um Preto Velho não é seu escravo, um Caboclo
não está ali para atender seus pedidos do mal, um Boiadeiro não vem em
terra para ouvir você desejar o que não lhe pertence, os Erês são
crianças mas não são induzidas a fazer algo simplesmente porque lhe
deram doces e balas, os Ciganos não são ladrões para roubar algo que
você acha que lhe pertence, os Malandros não são vagabundos que se
trocam por marafo, as Pombos Giras não são mulheres da vida como
muitas médiuns costumam dizer, alegando seus erros e culpando nossas
amadas moças, os Exús não são demônios, não se trocam por sangue, não
tem chifres ou caldas, muito menos pés de bode como os fracos de
espírito pregam.

    Nenhuma dessas Entidades vão se utilizar do poder que Zambi cedeu
a eles para fazer o mal, para receber oferendas, para trazer um falso
amor amarrado, para desencaminhar alguém de um caminho de luz.

    A todos que vão nos templos, terreiros, tendas ou centros de
Umbanda com intenções de levar o mal a seu semelhante, não encontrará
esse caminho. A Umbanda é luz, paz, amor e caridade. As Entidades de
Luz são anjos de Deus, e jamais iam trabalhar em prol do mal.

    Então meus amados filhos e filhas, vamos ser umbandistas, se assim
desejarem, porém sem o ódio, sem rancor, sem más intenções, sem
inveja, sem desejar escurecer o caminho de seu semelhante, sem desejar
amarrar um amor que só existe em sua própria falta de amor próprio.

    Respeite a Umbanda como religião,, respeite as Entidades de Luz
como verdadeiros amigos de caridade, respeite a Zambi, e respeite a si
mesmo.

    Que Zambi na sua infinita sabedoria mostre a todos vocês que tudo
que temos e recebemos vem de acordo com nosso merecimento, seja esse
merecimento para o bem quanto para o mal, ou seja, só recebemos o
merecimento de acordo com o que fazemos.

    Lembrem-se, nenhuma Entidade necessita de oferendas sujas, não
dependemos de nada orgânico, não queremos que invadam as
encruzilhadas, as calungas pequenas, as matas, as cachoeiras, as
calungas grandes para ofertar algo para Entidades ou Orixás. Quem
determina fazer isso são os Eguns, Kiumbas e Zombeteiros que se trocam
oferecendo magias negras por coisas assim, só não nos esqueçamos que
isso tudo será cobrado no momento de sua evolução, no momento de seu
desencarne, ou mesmo nessa vida de encarnado.

    A Umbanda não é magia negra, não é bruxaria nem feitiçaria, não misturem Umbanda com Quimbanda, e assim poderão caminhar na luz de Zambi, sendo todos abençoados pela força suprema dos Orixás, e protegidos pelas Entidades divinas de Luz.

    Que Oxalá abençoe a todos que entenderam e refletiram sobre essa
pequena mensagem."

Vovô Rei Congo das Almas.
********************************************************************


    Finalizo esse texto frisando um ponto muito importante dessa
mensagem de meu amado Mentor. Prestem muita atenção nessa parte
reescrita abaixo.

    "Os Pretos Velhos não vão tirar uma pessoa de seu trabalho só
porque você pediu.

    Os Caboclos nunca vão deixar uma pessoa ficar adoentada apenas
porque você deseja isso.

    Os Erês jamais vão derrubar alguém porque você acha que essa
pessoa merece.

    Os Boiadeiros de forma alguma vão laçar e prender as pernas de
alguém porque você pediu.

    Os Malandros nunca deixariam uma pessoa se tornar alcoólatra
simplesmente porque você acredita que essa pessoa não presta.

    Os Ciganos jamais fariam com que um filho se tornasse um fora da
lei, apenas porque você lhe ofereceu uma vela colorida.

    As Pombo Giras não iam se prestar o deprimente papel de amarrar
uma pessoa a você só porque seu orgulho diz que essa pessoa tem que
ser sua.

    Os Exús nunca iriam aceitar bebidas, charutos, ou algum material
orgânico, só porque você acha que assim ele poderia fazer mal a um
desafeto seu."


    Como podemos ver toda e qualquer colocação diferente dessas que
lemos acima, vem de pessoas más intencionadas, más preparadas,
supostos médiuns, que certamente não foram desenvolvidos, que estão
mistificando, seja por vaidade, por desconhecimento religioso, por
interesse próprio, ou por qualquer outra coisa que está em desacordo
com a verdadeira Umbanda, a Umbanda de Deus nosso Pai Maior.

    Portanto ao levar seus pedidos sem nexo ou noção as casas de
Umbanda, reflita bem sobre que tipo de coisa você pretende falar as
verdadeiras Entidades de Luz, aos verdadeiros Médiuns desenvolvidos de
Umbanda. E reflita muito mais se caso um desses supostos médiuns dar
atenção a seu pedido incoerente, lhe passando trabalhos mais
incoerentes ainda a fazer.

    Consulentes sem bom senso, junto com médiuns vaidosos e
interesseiros, recebem as maiores cargas de espíritos sem luz e
obsessores, portanto use seu bom senso e seu livre arbítrio antes de
prosseguir com algum pedido que possa levar o mal à seu semelhante.

    Reflexão, fé e bom senso.

    Reflitam.

Pedidos Incoerentes na Umbanda e suas Consequências



   
Após recebermos a mensagem de meu Mentor amado, Vovô Rei Congo, na qual foi postado no dia 30/09/2016 nesse blog, e que falava sobre algumas visões e pedidos sem nexo de muitos consulentes mal informados sobre o que seria Umbanda, seus Orixás e suas Entidades de Luz,
resolvemos fazer algumas colocações sobre o mesmo tema, porém
mostrando com um olhar mais humano e imperfeito do que do olhar de uma
Entidade divina de luz, que tem a compreensão, a serenidade, o carinho
e o amor espiritual muito mais elevado que o nosso.

    Sabemos que a maioria dos consulentes que frequentam a Umbanda,
tem uma visão distorcida sobre a religião, claro que tem exceções,
porém não é difícil de ver em praticamente todas as Giras, em todas as
casas ou terreiros, um consulente com más intenções, desejando algo
fora de seu merecimento, desejando um amor amarrado, desejando fazer
oferendas para forçar algo que não está em seu caminho, enfim, são
tantas coisas e pedidos desconexos, e que devemos entender que esse
tipo de coisa não faz parte da Umbanda, mas sim de feitiçarias,
bruxarias e magias negras.

    Infelizmente além de consulentes desavisados e mal informados,
temos muitos médiuns, entre eles muitos Zeladores de Santo que induzem
à esses consulentes a acreditarem que a Umbanda possa se sujar com
esses tipos de pedidos, porém essas pessoas se utilizam do nome da
religião de Umbanda para mentirem, induzirem, enganarem, seja por
vaidade, por interesses próprios, por ignorância, por falta de
entendimento religioso, ou por qualquer razão aparente que levem essas
pessoas sem noção e bom senso, inventarem tais coisas, simplesmente
para enganar um consulente, que tem muito menos bom senso ainda, e vem
a um sagrado terreiro de Umbanda prestar o papel de um ser, que
provavelmente esteja sofrendo de idiotia, seja essa idiotia aguda ou
mesmo crônica.

    É inconcebível crer que uma pessoa inteligente, centrada e sensata
possa acreditar que uma Entidade de Luz, que já esteve um dia
encarnada nessa terra, que superou seus defeitos, que lutou contra
seus erros, que iluminou seus sentimentos, ao ponto de serem
agraciados com a benção de Deus a se tornarem uma Entidade
trabalhadora em prol da caridade, possam buscar a fazer algo contra o
livre arbítrio de outra pessoa, de atrapalhar a caminhada de um
semelhante, de tirar algo de alguém, de retirar a vida de um filho de
Deus, de obrigar um ser a ficar com outro ser através de
amarrações, simplesmente porque um consulente sem amor próprio, sem
noção, sem humildade e sem vergonha na cara deseja?


    Logicamente que não!

    Nenhuma Entidade de Luz ia prestar esse papel obscuro, nenhuma
Entidade de Luz ia se vender por charutos, marafo, materiais
orgânicos, ou qualquer tipo de coisa que esses falsos umbandistas
pregam para ser feito indo contra a caridade, o amor e o livre
arbítrio.

    Logicamente que sabemos que existem vários tipos de ritos,
variações, doutrinas, formas ou fundamentos inerentes a cada
seguimento umbandista. Porém, mesmo dentro dessas variações diversas,
existem fatos e sentimentos constantes que provocam à todos os
instantes o pensar amargo, mesquinho, vaidoso, não só entre os médiuns
de uma casa, mas também entre os Zeladores ou Sacerdotes, além de
virem também dos consulentes e assistentes, e principalmente dos
filhos da casa menos dedicados, rebeldes ou descompromissados com a
religião.

    Essas incoerências provocam verdadeiras revoluções na cabeça dos
médiuns mais dedicados, mais responsáveis e compromissados que veem
seus guias e a si mesmos sendo usados no ardil da caridade, em que os
consulentes pedem mundos e fundos, das coisas mais banais as mais
absurdas e sórdidas.

    Mas sabemos que nada ocorre por acaso, tudo tem uma razão e um
motivo de ser, e muitas vezes devemos pegar esses erros banais como
lições para nossa evolução.

    Devamos entender que essa busca e pedidos de consulentes em
Terreiros, tipos como amarrações, homens, mulheres, amor, emprego,
rivalidades no trabalho, adiantar processos diversos na justiça,
afastar o filho(a) de um amor inconveniente (aos olhos dos pais),
saber sexo de bebê, se vai engravidar, se o marido (ou mulher) está
traindo, Pombo Gira de frente atrapalhando a vida, demandas que não
existem (só na cabeça da própria pessoa, principalmente vindas de
sogra, vizinha, parente ou conhecido próximo), que a vida não anda
porque tem alguma coisa espiritual (foi em algum local e disseram), e
tantas outras que nada têm referência à religião, mas sim a um estado
de conflitos da própria pessoa.

    A maioria das pessoas que procuram um Terreiro de Umbanda, não
veem ali como um local sagrado e religioso, pois em suas mentes não
sabem definir o que seja um problema espiritual ou problema material.
Colocam tudo em termos de solicitar ao espiritual, seja lá o que for,
seja para as Entidades de Luz, seja para os Orixás. E com isso criam
um ciclo vicioso de trocas, na qual os erros desses modos de agir
caiam, uma parte sobre os consulentes, e outra parte nas casas que
assim procedem dando margem e ênfase a esses pedidos sem nexo,
construindo uma falsa imagem da Umbanda como "faz tudo", imediatismo,
magia, adivinhação ou feitiçaria, e sempre a base de alguma troca,
pois os falsos umbandistas, os mistificadores, os líderes desonestos,
fazem esses supostos trabalhos com a intenção apenas de receberem
vantagens financeiras ou barganhas para eles próprios.

    A Umbanda nada cobra pela sua caridade, os trabalhos feitos dentro da religião, para trazer a paz, saúde, harmonia, abertura de caminhos, entre outras coisas aceitáveis, não são baseados em vantagens financeiras ou barganhas, pois os verdadeiros umbandistas, os que
respeitam a religião, seus Orixás e suas Entidades de Luz, auxiliam
nos trabalhos aos consulentes, sendo esse auxilio algo que não agridam
as regras da religião, sem cobrarem nada por isso, a não ser a fé de
cada um.

    No entanto infelizmente a assistência e os consulentes tem uma
visão bastante deturpada da religião umbandista, pois por muitas vezes
quando se é explicado que a casa ou os médiuns não cobram nada pelo
auxilio oferecido, em nome de Deus, dos Orixás e das Entidades de Luz,
esses consulentes, por já terem participado de outras casas, nas quais
os Zeladores, médiuns ou Sacerdotes desonestos, se utilizam dessa
cobrança financeira, esses consulentes se tornam dependentes morais
desse tipo de colocação ou ação, e veem as Entidades de Luz ou os
médiuns como muletas que vão sempre os apoiarem, deixando assim de
terem iniciativa e saírem para buscarem seus merecimentos.

    Quando isso ocorre, quando se deixa o livre arbítrio de lado,
quando tentam conseguir tudo que acham que merecem por intermédio de
trocas, quando só vão a uma casa, mesmo as honestas, apenas para pedir
e pedir, as coisas já não são aceitas. Normalmente quando isso
acontece os consulentes, ou se decepciona com a Umbanda e acabam
procurando uma outra religião para ser pedinte, e é o que está
acontecendo extremamente hoje em dia, podendo também procurarem um
outro terreiro que possa suprir as suas necessidades e os seus vícios
de pedir tudo e qualquer coisa.

    Quando essas pessoas vão a um local que não tem uma visão de
materialidade, mas de espiritualidade, onde os médiuns, os Zeladores
dirigente estão voltados ao espiritual, sendo o material colocado em
seu devido local, oriundo da própria busca das pessoas, em que esse
espiritual pode auxiliar, mas não resolver, dar aquilo que a pessoa
vai ali pedir, existe um grande impacto.

    Algumas casas se dão ao trabalho que colocar nos quadros de aviso
ou, antes das giras, o Zelador ou um médium ali o representando, diz
as pessoas da assistência sobre a postura da casa e sua ordem de
funcionamento, e que ali não se faz trabalhos para isso ou aquilo, não
trás ninguém ou amarra alguém. Só que, mesmo com os avisos (escritos
e/ou verbais), esses assistentes que já adquiriram o vício do pedir
e/ou pagar para ter, vão as Entidades, e ali despejam suas necessidades
materiais, psicológicas e sociais diversas.

    Muitos médiuns ou pela consciência de suas incorporações, ou pelo
recado deixado aos Cambonos pelas Entidades, ficam muito decepcionados
com essas situações. Isso não só pelos pedidos, mas também pela reação
dos consulentes quando a Entidade de Luz se nega a realizar o pedido,
seja através de um simples não faço, ou aqui não se faz isso, ou de
uma bronca pelo que lhe foi solicitado dizendo que ali não é local.
Muitos consulentes saem falando mal das Entidades, e a casa: que é
fraca, que é um absurdo não prestar a caridade (que eles querem), que
em todos os locais que foram fizeram trabalhos e outras coisas das
mais absurdas possíveis, simplesmente porque ali não encontraram
terreno fértil as suas necessidades.

    O interessante disso tudo é que, mesmo não sendo tarefa principal
das Entidades de luz resolverem os problemas materiais, psicológicos
ou sociais, elas tentam orientar, mostrar caminhos, mostrar outras
perspectivas, formas e mudanças de postura, comportamento, maneira de
pensar e até de buscar uma religiosidade necessária a essas pessoas
sem noção, que acreditam que a Umbanda em um estalar de dedos ai mudar
o destino daquele que nada faz para obter o merecimento em receber uma
graça de Deus.

    Porém mesmo tendo uma orientação e uma ajuda, que não foi a que
queriam, mas a que necessitavam, muitos consulentes não ficam
satisfeitos e, alguns, até decepcionados e raivosos, falando mal da
casa, do médium, e até da própria Entidade, simplesmente porque muitos
desses consulentes só desejam ouvir coisas que lhe agradem, coisas que
só deve ser bom pra eles, independente se vai ter que prejudicar outra
pessoa, com suas mesquinharias, suas invejas, seus orgulhos, seu
falso amor.

    Para não generalizar nossos amigos consulentes, podemos afirmar
que uma grande parte deles ficam admirados em encontrar muitas vezes,
soluções simples e derradeiras para as suas vidas ou para seus
problemas, mesmo sabendo que não se trata de algo espiritual, esses
consulentes entendem que a Entidade de Luz se colocou a auxiliá-los em
outras questões, sapientes que os passos, a mudança, as ações e a
busca ou modificações de suas vidas, são unicamente responsabilidades
deles mesmos.

    Esses amigos coerentes são conscientizados que um descarrego, um
passe, um banho, ou até mesmo um trabalho (quando é necessário e
prioritário) não vai resolver seus problemas, mas vai lhes permitir
uma melhora, uma harmonia, uma melhor visão sobre as coisas e sobre
suas vidas& que não há milagres gratuitos pelo simples pedir, mas que,
se os milagres acontecem, é por algum merecimento o indivíduo
conseguiu, e isso não ocorre porque o Guia assim o quis, nem porque o
Orixá assim o quis, mas sim porque outros fatores ali se mostraram
relevantes para que aquela graça fosse alcançada. E, aí sim, a
interferência das Entidades de Luz e Orixás foi permitida na ajuda
aquela pessoa.

    Eu como Zelador de Santo, responsável por uma casa de Umbanda, e
que tenta passar o que é realmente Umbanda para todos, gostaria de
frisar algo bem importante, e que certamente vai deixar muitos
consulentes decepcionados, e muitos falsos Zeladores que usam o nome
da Umbanda para ganhos financeiros e trocas sem nexo ou noção, um
tanto rancorosos com minha colocação, porém preciso dizer algo que
iria ajudar muito aos desavisados e ignorantes, que são convencidos em
acreditar que tudo é espiritual e tudo pode ser resolvido por meio de
trocas e barganhas, financeiras ou não. Se essa informação fosse
melhor divulgada muitos saberiam que esses atos não são e nem cabem a
Umbanda, mesmo com toda a sua diversidade e pluralidade religiosa,
pois não é propósito da religião de Umbanda o lucro financeiro, a dependência/ignorância religiosa ou a resolução de qualquer problema a base de trabalhos para tudo e qualquer coisa.

    Quando realmente existe a necessidade de se fazer um trabalho numa
casa de Umbanda, sempre existe um motivo e explicação para o mesmo. O
grande propósito da Umbanda, imerso em todas as suas tradições,
variando em formas e não em essência, é contribuir e ajudar no
crescimento espiritual, moral e até material das pessoas, numa
elevação de consciência contínua, também chamada de evolução, que é a
parte principal de tudo. E uma humanização do ser humano envolto a um
divino (Deus, Orixás e Guias), em uma fé consciente e coerente, que
transporte para o meio social o respeito e a dignidade que uns devem
ter para com os outros, pois somos todos iguais perante a Deus nosso
Pai Maior.

    Devemos entender muito bem que as Entidades de Luz e os Orixás não
são nossos serviçais, e também temos que ter a compreensão de que
muitos de nossos problemas vem de origem cármica, portanto não podem
ser resolvidos rapidamente, como desejamos, pois sempre é exigido um
tempo para sua espiação.

    Portanto não adianta a ansiedade, a cobrança descabida, bater pé
ou reclamar com as Entidades de Luz desejando uma solução
imediata. Lembremos que nenhuma Entidade, Guia ou qualquer enviado dos
Orixás se apresentam em Terreiro algum para resolver nossos problemas
materiais. Tudo tem seu tempo e sua hora dentro do merecimento de cada
um. Portanto devemos pedir resignação e força para enfrentar as nossas
dificuldades e principalmente auxílio para sermos merecedores da graça
que buscamos.

    Então é fundamental que se compreenda que um terreiro de Umbanda não é uma tenda de milagres, onde chegamos e em um passe de mágica todos nossos problemas materiais serão resolvidos.

    Uma casa de Umbanda é uma das casas de Deus, e lá devemos ver a
Umbanda como uma religião, e que através de nossa fé e nossas orações,
recarregaremos as energias perdidas, e lá renovamos nossa fé em Zambi
(Deus), e através da caridade pura evoluímos como seres humanos,
alcançando a serenidade para vencermos os obstáculos de nosso dia a
dia.

    A falta de coerência de alguns consulentes é de assustar, posso
descrever aqui alguns pedidos sem noção nenhuma que algumas pessoas
tem a petulância de fazer em um Terreiro de Umbanda, aos Guias
trabalhadores, desrespeitando totalmente a religião e todos os
envolvidos seriamente com ela.

    Dentre esses "pedidos sem noção", já me deparei com pessoas
pedindo aos Exús que um suposto inimigo desse consulente fique doente,
que morra, que sofra, ou pedir a uma Pombo Gira que acabe com um
casamento apenas e tão somente para que aquela pessoa
solicitante tenha uma relação carnal ou até mesmo afetiva com um
membro do casal citado no casamento, ou mesmo quando é pedido para que
uma pessoa seja amarrada emocionalmente ao solicitante, simplesmente
porque esse solicitante acredita que deve ter aquela pessoa para si,
enfim, são tantos desatinos pedidos por consulentes mesquinhos,
invejosos, sem amor próprio que as Entidades de Luz, por muitas vezes
tentam mostrar o caminho a ser tomado, que não é dessa maneira que
receberemos nossos merecimentos,  e se o consulente não entender, se
ficar indignado, e se insistir nesses desatinos com a Entidade,
simplesmente é pedido para se retirar da casa de caridade, pois
nenhuma Entidade de Umbanda faz o mal, nenhuma Entidade vai aceitar as vontades mesquinhas e incoerentes de um consulente sem noção do que é a verdadeira Umbanda, a Umbanda de Deus, dos Orixás, das Entidades de Luz, e principalmente da caridade.

    Temos que ter em mente que desejos humanos não vogam nada para que
aconteça o mal a um semelhante, principalmente dentro de um Terreiro
de Umbanda, pois nossa religião é caridade pura!

    Lembremos que as Entidades de Umbanda, da legítima Umbanda, não
desses rituais de magia negra em que os falsos, desonestos e
enganadores tentam colocar como Umbanda; nossas Entidades da Umbanda
são incorruptíveis. Não são compradas por coisas materiais, muito
menos de repente, mudam sua moral e sua conduta apenas porque ganharam
coisas materiais ou então porque seu médium ganhou algum tipo de
agrado.

    Nós, seres humanos imperfeitos, ainda não temos as condições de
avaliar e entender totalmente se nossos pedidos são ou não são pedidos
justos ou não, pois normalmente estamos relacionados de alguma forma aos mesmos.

    Sempre temos um interesse de que aquilo aconteça. Não temos o
olhar exterior, o olhar externo, um olhar verdadeiro sem interesses
pessoais, um olhar sem mesquinharia, sem inveja, sem rancor.

    Porém as Entidades de Luz tem este olhar porque sabem de coisas que as vezes escondemos das outras pessoas, sabem de nossos reais interesses e o principal, sabem o que seria melhor para nós ou não.

    Além de terem este olhar frio, do que é realmente justo e
necessário para nossa vida, sabem avaliar com isenção o que é justo em
nossos pedidos ou não.

    Outro aspecto que é avaliado em nossos pedidos sempre é se aquilo
que pedimos é realmente necessário à nossas vidas ou se fará bem à
nós. Se nos será útil ou não. Às vezes pedimos uma coisa que não está errada, até que é um pedido justo, porém, no fundo não será uma boa opção para nossas vidas, então não acontece.Isto pela intervenção das Entidades que sempre querem o melhor para nós e nos afastam de más escolhas.

    Até este momento vimos que nosso pedido deve ser algo
correto, que não vai prejudicar outrem, que seja justo aos olhos das
Entidades e que vão nos trazer coisas boas pela avaliação dos Guias. Além disso podemos acrescentar outro fator: nosso merecimento.Podemos até estar pedindo algo correto, ético, que seja justo e até nos fará bem, mas se não tivermos o merecimento não receberemos a graça.

    Portanto, amigo consulente desinformado, não adianta se achar
merecedor de um auxílio, de uma ajuda, de uma graça ou de uma benção
por parte do plano espiritual, se esse seu pedido for de atrapalhar a
vida de um semelhante, de forçar um amor criado em uma mente doentia,
de tentar desestruturar e fechar os caminhos de um irmão, ou qualquer
tipo de coisa que seja considerado ruim para alguém, independente de
quem for.

    Aquela pessoa que vive por si e para si, buscando a
espiritualidade para seus bens próprios, e acha que o Terreiro é uma
catapulta para seus interesses sociais e materiais, estão muito
enganados, pois devemos entrar em um Terreiro para doar caridade, e
não cobrar algo que venha de nossos péssimos sentimentos de humanos
não evoluídos.

    Se caso estiver em um Terreiro de Umbanda, e um Zelador ou Médium
disser que faz isso ou aquilo conforme a vontade do consulente
mesquinho, pode ter certeza que ali não há uma Entidade de Luz, é
apenas uma pessoa não desenvolvida mediunicamente e nem
espiritualmente, que, ou está tentando arrecadar bens econômicos para
si próprio, ou está tomado pela vaidade, ou está mistificando, ou está
induzido por espíritos Zombeteiros. Nesse caso coloque os dois pés pra
fora dessa casa, pois ali, pode usar o nome Umbanda, mas certamente
não é.

    Temos sempre que refletir para entendermos que ao pedirmos algo à
uma Entidade, este pedido passa pelo crivo do que é certo ou errado,
numa visão bem mais ampla do que a moral católica vigente. Também
passa pela avaliação se é justo, aos olhos das Entidades de Luz. Temos
que entender que devemos ser merecedores desta graça, e se mesmo que
sejamos merecedores da graça aos olhos das Entidades, mesmo que o que
estivermos pedindo seja justo e correto, acima de tudo isso, das
avaliações das Entidades e do desejo delas de nos ajudar existe a
vontade de Deus, que é Inteligência suprema do Universo, causa primaria
de todas as coisas. Esta inteligência é onipotente. Está acima das
Entidades, dos Orixás, dos Santos e principalmente de nossa vontade.

    Finalizando, reflita muito bem ao levar seus pedidos à um
Terreiro de Umbanda, pois se forem maus pedidos, pedidos mesquinhos,
pedidos sem noção, certamente não serão atendidos, podendo você ainda
ao sair do Terreiro, captar pelas ruas, com seus maus pensamentos,
espíritos sem luz, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, fazendo com que
sua mente e sua alma se tornem piores do que já eram ao imaginarem que
poderiam se utilizar da Umbanda para seus atos mesquinhos.

    Reflitam!