segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mensagem de Maria Mulambo



Hoje falo a vocês que têm necessidades de definir, rotular e catalogar a tudo e a todos. Como se isso lhes desse alguma garantia de credibilidade e lhes amputassem as dúvidas que insistem em roubar-lhes a vida.
Primeiro, nós espíritos trabalhadores do bem, embora sejamos organizados naturalmente em padrões vibratórios que nos servem de moradas temporárias, não somos seres automatizados, criados em série, com códigos de barras.
Segundo, não somos serviçais particulares nem de cavalos nossos, nem de consulente algum. Nem nossa hierarquia nos obriga a fazer algo que não queiramos. Temos personalidades individuais, afinidades. Estamos em evolução e com um longo caminho pela frente. Ajudando a vocês, ajudamos a nós mesmos. Mas nem sempre é viável ou cabível a ajuda que nos pedem. Muitos de vocês não fazem nada, ou fazem muito pouco para melhorarem a  si mesmos, aos seus relacionamento e ao seu próximo. Querem soluções mágicas, sem esforços ou danos, fazem escolhas absurdas, se metem em todo o tipo de confusões, procuram o caminho mais difícil, jogam-se em abismos, atraem obsessores, fazem tudo errado. E depois ficam bravos quando não transformamos suas vidas em um paraíso da noite para o dia. Francamente, não somos santos e paciência tem limite, até do lado de cá. Se digo isso é porque sei o que é viver duramente. Muitos  são os que nasceram comprometidos com duras provas a resgatar, são esses os que mais precisam de nós, e têm a nossa cobertura, dentro do que nos é permitido ajudar.
Terceiro, ou vocês acreditam em nós, ou nos deixam em paz. Porque não temos nem interesse e nem tempo a perder com ingênuos que nos cobram, ou pior ainda, cobram de nossos cavalos, informações que nós não passamos para eles.  Nossos cavalos (médiuns) sabem apenas o que queremos ou permitimos. Até sobre suas próprias vidas, não temos autorização para lhes passar todas as informações que gostariam. Que lhes interessa saber quantas encarnações eu tive, ou como vivi em cada uma delas. Criam as mais absurdas lendas a nosso respeito, isso até que nos diverte um pouco, quanta ingenuidade.
Entendam definitivamente  que nossa missão não é satisfazer curiosidades de quem quer que seja, não somos bobos da corte, para entretenimento de quem não tem nem fé e nem vida verdadeira. Aproveitem suas vidas de modo construtivo.
Sei que por muito tempo ainda, a maioria das pessoas irá acreditar que somos espíritos malignos, não tementes a Deus.
Ah meus queridos, se vocês soubessem quantos mistérios, quantos mundos e quantas realidades pairam sobre suas cabeças…

Laroyê Maria Mulambo. Salve!

A Vibração Xangô



De acordo com o Panteão Umbandista é o Orixá da Justiça, o Rei de Oyó, aquele que é justo e julga de acordo com as atitudes e crimes cometidos, seu dia é a quarta-feira e em muitas casas, sua cor é o marrom. 

Em muitas casas é considerado o Orixá das cachoeiras, das pedreiras, o Orixá dos raios e trovões, dentro de uma analogia, assemelha-se muito a Zeus, o Deus mitológico dos gregos, o Senhor do Olimpo.

Xangô é o Orixá que possui mais sincretismos, entre a falange de Xangô, temos Alafin, Agodô, Kaô, do Oriente, entre outros, dos quais seu sincretismo segue respectivamente como São Pedro, São Judas, São Jerônimo e São João Batista. Mas essas qualidades e seus respectivos sincretismos variam de casa, e não convém entrar em maiores detalhes aqui.

Geralmente em suas incorporações, atuam com as mãos fechadas, segurando o machado e simbolizando a rocha, que é o símbolo da firmeza e coesão da energia de Xangô.

Talvez muito do que foi falado acima, todos já sabem, tentei resumir um pouco o que denota esse Orixá, mas dentro do meu ponto de vista, explicarei um pouco mais o que para mim é a energia Xangô.

Eu considero Orixás uma vibração, dentro desse contexto, Xangô é a Justiça Cármica, é o desprendimento Divino da Justiça, daquele que Julga, que está acima do Bem e do Mal. É a Grande Lei Cósmica da qual estamos todos envolvidos, a Causa e o Efeito, a Ação e a Reação.

A Energia de Xangô é a Corrente da Verdade, da Justiça e da Lei, então, a vibração de Xangô é aquela que nos impulsiona para a verdade, que nos auxilia a julgar nossas atitudes, é aquela vibração que nos ajuda a enxergar a Luz da Verdade, a Luz da Certeza. Quando estamos mediante uma situação que exige um pouco de nossa Consciência, e a partir dali conseguimos discernir o correto do incorreto, é a Vibração de Xangô que está atuando, que está nos auxiliando a julgar o certo do errado.

A falange de Xangô é uma falange muito vasta, muitas entidades do Oriente, Preto-Velhos e crianças atuam sobre essa égide, geralmente são entidades que trazem muita sabedoria e são sérias, dificilmente uma entidade sob a Vibração de Xangô costuma brincar ou fazer piadas, é uma falange de entidades que possuem grande sabedoria e de muitas ciências que se perderam com o tempo.

Os caboclos que atuam sob essa vibração, não fogem muito da regra, são sábios, austeros e destemidos, dificilmente falam em seus trabalhos, atuam muito na cura, em trabalhos de limpeza e desenvolvimento de médiuns, e o interessante, é que a grande maioria das entidades que atuam na vibração de Xangô atua tanto na direita tanto na esquerda, grosso modo, a Justiça deve existir, por bem ou por mal. Algumas entidades de Xangô são:

Caboclo do Sol e da Lua, Treme-Terra, Gira-Mundo, Cachoeira, Sete Luas, Quenguelê, Rei Congo, Girassol, Mata Virgem, entre outros. Podem perceber que geralmente as entidades de Xangô trazem nomes como astros, locais naturais como cachoeiras, matas, etc.

Dentre as Vibrações de Xangô, existe uma muito peculiar que a Vibração de Xangô Alafin, os espíritos sob essa vibração, apresentam-se com os mais velhos da falange de Xangô, ele atua sob duas vibrações, a vibração própria de Xangô e a vibração de Oxalá, ou seja, é um Orixá que traz consigo a Justiça e a vibração de Oxalá que é a Pureza, a Paz de Espírito.

Xangô é aquela força que nos impulsiona, nos motiva a fazer as coisas certas e nos ajuda a discernir o erro do acerto, é uma vibração que tem como elemento o fogo, a força dos trovões, e a própria pedra.

Os animais de Xangô geralmente são os felinos, mas a tartaruga também está entre os animais devido à sabedoria, a longevidade de sua vida e a proteção existente em seu casco, Xangô também atua no intelecto do médium, o impulsiona a buscar novos conhecimentos, motiva-o a ampliar sua sabedoria. A energia de Xangô é a Vida, o Ser Existente. Ele também é chamado de Dirigente das Almas por algumas liturgias de Umbanda Esotérica.

Não acho interessante especificar a cor, dia da semana, sincretismo, oferendas, entre outros fundamentos que são peculiares de cada casa, isso é de acordo com o culto e a crença do sacerdote que a dirige, costumo me limitar apenas no fundamento do qual o Orixá representa através de meus estudos e ensinamentos.

Namastê!

VIRTUDES E DEFEITOS NA PRÁTICA MEDIÚNICA


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Todo homem possui virtudes e defeitos. Os defeitos devem ser eliminados e as virtudes multiplicadas. O karma de uma pessoa pode ser amenizado se ela fizer ao menos uma boa ação todos os dias, boa ação que nada lhe custa, tendo em vista que estará em suas mãos o poder de conceder o que o seu próximo necessita. As oportunidades de ajudar outras pessoas multiplicam-se, a cada instante, na vida do médium. Se não aproveitá-las, não poderá reclamar no futuro a falta de ajuda que necessitará. Isso porque lhe serão cobradas essas oportunidades, inutilizadas pelo próprio médium.
Partindo-se do princípio que, para colher flores é quase sempre necessário enfrentar espinhos, deve o médium dar vazão as suas virtudes, multiplicando-as através da caridade e eliminando os seus defeitos, gerados normalmente por seus pensamentos e atos egoístas e não fraternais. Fracassa, portanto, o fraco, o egoísta maldoso, incapaz de perdoar seus inimigos e ofensas. Se Deus nos ensinou o Pai Nosso, que prega:
 “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido”
Porque então não praticar as próprias palavras?
Podemos dar-lhes um novo modo de pronunciar esta frase:
 “Perdoe as minhas ofensas, se eu conseguir perdoar quem me ofendeu”.
Desta forma a sua oração será mais verdadeira.
Se você tem virtudes também possui defeitos. Perdoe sempre, para também conseguir perdão no futuro, ajude sempre para também ser ajudado.
Não importa como uma pessoa deixa a vida e sim como ela a viveu. A justiça de nosso Pai Xangô, o poderoso Juiz, é totalmente cega. Nos pratos da balança serão adicionados agravantes e atenuantes de nossos atos. Se houver condenação o início do pagamento é imediato. A misericórdia existe no mundo espiritual, porém, as dívidas são sempre pagas.
ELIMINE SEUS DEFEITOS.
O que são defeitos? – Soberba, egoísmo, vaidade, orgulho, sensualidade desenfreada, incapacidade de perdoar, mentira, falsa moral, traição, maldade com tudo e todos (plantas, animais e seres humanos), cegueira espiritual, ambição negativa, interesse egoísta, leviandade, hipocrisia, ira, ódio, vícios, falsidade, inveja, ciúme, cupidez, indiferença, presunção, má fé, etc.
O que são virtudes? – Fé, capacidade para caridade, fraternidade, seriedade, modéstia, devoção, capacidade para amar o próximo, capacidade para perdoar, não se julgar melhor que os outros, não se julgar superior àqueles que hoje estão em condição inferior, não julgar-se infalível, tolerância, capacidade para proteger o fraco, ser moralmente correto, etc…
O restante das virtudes, a própria razão lhe fornecerá.
A imoralidade de cobrar trabalhos e consultas   –A mediunidade é coisa Santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. O médium recebe de DEUS um dom gratuito, para servir de intérprete aos espíritos, para instrução dos homens. DEUS quer que a luz do esclarecimento chegue a todos os Seus filhos, não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não pude pagar.
A mediunidade não é privilégio de ninguém. Cobrar por ela é desviá-la de seu objetivo. Quem conhece as condições em que os espíritos de luz se comunicam, percebe a repulsa que sentem por tudo o que é interesse egoístico. É também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os espíritos que nos são caros ou que respeitamos.

Religião não é para fazer o que desejo.

 
A Religião não é para fazer o que eu quero, é para me ensinar a entender que tudo quanto possuo ou me atinge é do meu merecimento. É a lei: do dar e receber, ação e reação, do plantar e colher.
 
Ninguém recebe nada, em lugar do outro. Ninguém colhe o que não plantou e ninguém pratica o bem para receber o mau em troca.
 
Cada Ser tem seu aprendizado no dia-a-dia, com experiências diferentes, mas ensinamentos idênticos, pois, as lições do Cristo só mudam na maneira de serem aplicados, eles são iguais em seus conteúdos e, estendidos para todos os seus filhos, sem distinção.
 
A Umbanda é um tratamento para a alma, em que se começa massageando o coração e termina-se em harmonia com todo o nosso Ser.
 
 Na Umbanda aprende-se a entender e aceitar os “porques” de nossa vida. Aprendemos que devemos viver esta vida da melhor maneira, que nos for possível, sem deixar nossos rastros para serem apagados na próxima volta, e, não devemos nos preocupar com o que ficou acumulado de outra vida, do qual não temos consciência graças a Deus.
 
O importante é aprendermos a lição da vida presente e ter a preocupação de vivê-la bem, com amor, caridade, perdão e sabedoria. Devemos, também, entender que adquirir todo ensinamento e entendimento possivel, advindo das situações de sofrimentos e vitórias, e transformá-lo em escada para o nosso crescimento, espiritual e material, é conscientizar-se das oportunidades que Zambi nos dá e utilizá-la para a transformação e evolução pessoal.
 
A Umbanda nos ensina a aceitar as dificuldades familiares e a transformar os inimigos em amigos diante da prática do amor, caridade e perdão.
 
Por isso concordo quando minha amiga ‎Andréa Deren Destefani diz em um de seus textos: “Umbanda é assim: uma religião que auxilia a enfrentar os sofrimentos e a entendê-los, porque cada passo que damos no presente tem uma enorme valia em nossa evolução”.
Que Zambi nos ilumine sempre para que nossa caminhada seja proveitosa nesta vida.
By: Raquel Elcain

Os Bastidores da Umbanda



É legal ver como a espiritualidade atua das mais diversas formas, nos mais diversos níveis de compreensão, utilizando as ferramentas que têm à mão. Vamos conhecer um pouco da cultura espiritual legitimamente brasileira, adaptada dos cultos dos escravos africanos:
 
“Firma o ponto minha gente Preto Velho vai chegar Ele vem de Aruanda Ele vem pra trabalhar...”
 
Era dia de "gira de Preto Velho" naquele terreiro. Enquanto os consulentes chegavam ansiosos e esperançosos em levar de volta a "solução" daqueles problemas que atrapalhavam suas vidas, na frente do congá os médiuns vestidos de branco e de pés descalços concentravam-se, ligando-se aos seus protetores e guias. O ambiente denotava simplicidade e era mobiliado apenas com algumas cadeiras para acomodar os consulentes, poucas banquetas para os médiuns que serviriam de "aparelhos" às entidades espirituais e o congá, onde um vaso de flores, outro de ervas e os elementos ar, fogo, água e terra se faziam presentes. Acima, uma imagem de Jesus resplandecente de luz.

 Iniciando-se a sessão através de pontos cantados e orações, após uma leitura espiritualista elucidativa, iniciavam-se as incorporações de maneira moderada. Do lado astral, as falanges de trabalhadores já haviam chegado muito tempo antes dos médiuns e ali já haviam preparado o ambiente fluidicamente. 

Uma varredura energética havia sido feito pelos elementais onde primeiramente atuaram as salamandras e após as sereias e ondinas, fazendo com que toda a matéria astralina densa que ali se encontrava, fosse transmutada permitindo a chegada dos espíritos trabalhadores. Na porta do ambiente, junto à firmação de ponto riscado e da presença do elemento fogo, postava-se o guardião da Casa, Exu Gira Mundo, impondo respeito e segurança. Num raio de 360º ao redor da construção, uma guarnição dos caboclos na egrégora de Ogum formavam verdadeira muralha armada, impedindo a invasão de seres indesejáveis ao bom andamento do trabalho da noite. A construção toda estava no interior de grande pirâmide iluminada na cor violeta, com grande e grossa placa de aço imantado na parte inferior impedindo que o excesso de energia telúrica desequilibrasse a polaridade positiva que era captada pelos sete anéis giratórios que ladeavam a pirâmide, representando as Sete Linhas de Umbanda. Cada um desses anéis destacam-se na cor fluídica de seu Orixá e emitiam um harmonioso som diferenciado. Cada um dos consulentes que adentrava ao ambiente passava agora primeiro pela defumação que queimava junto à porta, em cumbuca de barro, exalando o cheiro das ervas perfumadas sendo incineradas pelo carvão vegetal. Equipes de limpeza se movimentavam no lado espiritual, recolhendo as larvas astrais e outras espécies de energias deletérias que ali eram desagregadas dos corpos dos consulentes, as quais não eram totalmente absorvidas pelo carvão ou transmutadas pelo elemento fogo.
 
Em alvíssimas vestes, os amados Pais e Mães, na sua roupagem fluídica de Pretos velhos, trazendo a alegria estampada em sua energia, tomavam conta de seus "aparelhos" médiuns, atuando no chácra básico dos mesmos, obrigando-os a dobrar as suas costas à semelhança de velhos arqueados, incentivando-os ao trabalho fraterno. E assim, de consulente em consulente, de caso em caso, com a paciência e sabedoria que lhes é peculiar, entre uma baforada e outra de palheiro ou de alguma espanada com o galho de ervas na aura daqueles filhos, os bondosos espíritos cumpriam sua missão. Eram conselhos, corrigendas, desmanche de magia negra, de elementares artificiais negativos, limpeza e equilíbrio dos corpos sutis, retirada de aparelhos parasitas e às vezes, alguns puxões de orelha necessários, em forma de alerta. Tudo de acordo com o merecimento do consulente, pois cada um trazia consigo a amostragem de sua "ficha cármica" onde estavam impressos o que a Lei permitia ser mudado, bem como o que ainda era necessário que com eles permanecesse.
Vó Benta, espírito portador de grande sabedoria e humildade, apresentando-se naquele local com o corpo astral de negra velha de pequena estatura, com roupas simples e alvas, cuja saia comprida e larga era coberta por um avental onde um bolso era recheado de ervas e patuás, tinha uma maneira simplista e diplomática de fazer com que os filhos entendessem que eles próprios eram seus médicos curadores: - Minha mãe, acho que estou sendo vítima de "trabalho feito" pela minha ex mulher... Sorrindo e com linguagem peculiar, segurava com firmeza as mãos do moço passando-lhe com isso confiança e com a voz recheada de afeto respondia:
 
Negra velha vai explicar para que o filho entenda: - quando sua casa está totalmente fechada, fica escura e nada pode entrar, às vezes nem a poeira. Não é isso? Quando o filho abre as janelas e portas, a luz do sol entra invadindo todos os cantos, mas podem entrar também as moscas, baratas, formigas e até os ladrões, não é? Para a sujeira e os bichos, o filho pode usar a vassoura, para os ladrões a lei, a segurança. E para a luz do sol? Ah, essa filho, fica ali iluminando até que o filho feche toda a casa outra vez. Assim também é a nossa casa interna; quando nos fechamos para a vida, para otrabalho, ficamos no escuro e ao nos abrirmos, deixamos a luz entrar, mas ficamos sujeitos a todas as outras energias que pululam ao nosso redor. Mas como acontece na casa material, onde não houver os atrativos da sujeira e do lixo, os insetos não se aproximam. Se estivermos equilibrados, sem raiva, mágoa, ciúmes, vícios e todos esses lixos que os filhos buscam na matéria, nada nem ninguém consegue afetar nossa energia, nossa vida.

 Só o sol permanece no coração de quem procura manter-se limpo. Negra velha sabe que esse mundão está de cabeça para baixo. No lado material os filhos andam desarvorados pela dificuldade de sustento de suas famílias, quando não, em busca de supérfluos. Mas mesmo assim, é preciso lembrar aos filhos, que embora estejam na matéria e sujeitos a ela, a vida real está no espírito imortal. É preciso dar mais atenção, senão prioridade, à essência em detrimento do restante, para que possa haver o equilíbrio dos elementos inerentes à vida, na sua totalidade.
O mal que é enviado aos filhos, só vai instalar-se se encontrar no endereço vibratório, ambiente adequado. Sem contar que o medo é porta aberta - e atrativo - para a entrada do desequilíbrio. 

O medo é sentimento muito usado pelas energias da esquerda, uma vez que fragiliza o corpo emocional facilitando sua atuação mórbida. Por outro lado, negra velha pergunta para o filho: - se a desordem não houvesse se instalado, por acaso o filho estaria aqui, sentado no chão, em frente à preta velha, buscando humildemente ajuda espiritual? Nem sempre o que nos parece mal, é tão prejudicial assim. Pode ser o remédio adequado para o momento, ou talvez a estremecida necessária no corpo astral dos filhos, para que a ordem possa reinstalar-se. As trevas, meu filho, estão vinte e quatro horas de plantão. E os filhos, acaso estão? Não adianta orar e não vigiar, pois o pensamento é energia e com ele nos adequamos ao campo energético que quisermos. Antes da hora grande as falanges da egrégora dos Pretos Velhos, despediram-se de seus aparelhos, alguns precisando largar e desfazer a vestimenta astral usada para que pudessem chegar até os aparelhos mediúnicos e voltavam agora para as bandas de Aruanda, onde continuariam suas atividades no mundo astral. Pois como diz a Vó Benta, "se pensam que morrer é dormir e descansar, os filhos estão muito enganados... desse lado tem muitotrabalho e como nem o Pai está imóvel, quem somos nós cuja ficha cármica demonstra um vasto débito, para nos aposentarmos?". Agora as velas apagam-se, os elementos voltam a integrar a natureza, os elementais após limparem o ambiente retornam aos seus devidos reinos, os elementares foram desagregados pela força e sabedoria dos pretos velhos e os médiuns voltam aos seus lares com a sensação de paz que só é sentida por aqueles que cumprem com seus deveres. 

Preto velho já foi, Já foi pra Aruanda, A benção meu Pai Saravá pra sua banda...”

Santo Daime - O Culto da Amazônia


O QUE É O SANTO DAIME?


O Santo Daime é um culto cristão surgido no estado brasileiro do Acre, no início do século XX. Seu fundador foi Raimundo Irineu Serra, chamado por seus contemporâneos de Padrinho Irineu e por seus seguidores de hoje de Mestre Irineu.

O Santo Daime reúne elementos cristãos, da tradição espírita européia, indígenas e africanos num culto que conta também com a ingestão de uma bebida feita a partir dos mesmos elementos constituintes da ayahuasca, bebida sagrada utilizada pelos incas antes da chegada dos espanhóis à América e por várias tribos da região amazônica, mas com um feitio distinto do daquela.

Atualmente, estima-se em cerca de 10.000 o número de seguidores da doutrina no Brasil e no mundo. Há igrejas legalmente instituídas em quase todos os estados brasileiros e em países como Espanha e Holanda, além de grupos que celebram os cultos da doutrina em países como Estados Unidos, Japão, Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela(Ilha Marguerita) e Portugal.

Veja, abaixo, uma reportagem do programa Fantástico da Rede Globo, sobre o Santo Daime. 



O FUNDADOR


O Santo Daime foi fundado por um homem saído do povo. Raimundo Irineu Serra, Mestre Irineu como é chamado pelos seguidores do culto, era negro, neto de escravos, nascido na cidade maranhense de São Vicente de Férrer em 15 de dezembro de 1892, filho de Sancho Martinho Serra e Joana Assunção Serra, primogênito de uma família de cinco irmãos (Dico, Verônica, Maria e Nhá Dica).
Foi para o Acre a fim de trabalhar na demarcação de fronteiras, também atuou em seringais da região e na Guarda Nacional. Ali, na Amazônia, do alto de seu 1,98m, conheceu a ayahuasca em solo peruano, das mãos de um caboclo chamado Don Pizango. Segundo narra a tradição daimista, ele teve uma visão com a Virgem da Conceição, a Rainha da Floresta, que lhe "entregou" a doutrina do Santo Daime.

Mestre Irineu foi concebendo (ou "recebendo" para usar um termo daimista) a doutrina do Santo Daime durante alguns anos, submentendo-se a diversas provações de sua fé, tornando-se um exemplo de humildade, de amor ao próximo e de prática de princípios cristãos, tendo sido admirado em toda a Rio Branco de seu tempo.
A admiração de que gozava o Padrinho Irineu ia desde gente simples que vivia nos igarapés e nas colônias ao redor de Rio Branco até autoridades civis e militares.
Juramidam, nome espiritual que recebe, deixou um legado de trabalho, força, fé e esperança. Mestre Irineu foi o fundador do CICLU- Centro de Iluminação Cristã "Luz Universal" em que se sagrou Mestre-Imperador.
Ainda vivo, viu surgir outros trabalhos religiosos que se utilizam da ayahuasca, como é o caso da Barquinha. Após sua morte, em 6 de julho de 1971, aconteceram dissidências no CICLU e várias igrejas se formaram a partir daí, no Grande Cisma.

Mais informações:

Mais informações, depoimentos de seus contemporâneos e muito mais fotografias do Mestre Irineu podem sem descarregadas no seguinte endereço:



O CULTO

A liturgia daimista consiste em três tipos básicos de trabalho: concentração, festejos (também conhecidos como bailados) e feitio, e em todos se comunga do Santo Daime.Nas concentrações realiza-se um trabalho de auto-conhecimento e aprendizagem através das mirações, visões alcançadas através da fé de cada participante e da bebida sagrada.A revista Galileu, na reportagem A hora do chá, visita as diversas correntes que se utilizam da ayahuasca.
Concentração 

Cerimônia religiosa do Santo Daime, conhecida como o culto daimista por excelência, já que os festejos, como o próprio nome diz, são festas, celebrações.
As concentrações costumam ser realizadas por convenção todos os dias 15 e 30 de cada mês nas igrejas daimistas; contudo, também por convenção ou conveniência de cada igreja, em alguns centros são realizadas em outros dias (finais de semana alternados, por exemplo).
São duas as liturgias da Concentração daimista, mas em ambas toma-se o Daime, fecha-se os olhos e permanece-se em silêncio entre aproximadamente uma e duas horas, canta-se um conjunto de hinos conhecido como "Hinos novos" ou "Cruzeirinho", rezam-se Pai-Nossos Ave-Marias e Salve-Rainhas e está encerrado o trabalho (Alto Santo); no Cefluris, inicia-se o trabalho com a chamada Oração, conjunto de hinos do Pad. Sebastião, Pad. Alfredo e Mad. Nonata (filhos do Pad. Sebastião).


FESTEJOS


Na imagem acima, reproduzida de reportagem da revista Galileu, vê-se a disposição dos fardados e fardadas dentro da igreja durante o bailado, à maneira como é realizada nas igrejas do Cefluris ou alinhadas ao trabalho dessa instituição.

Algumas datas "festejadas" pelo Santo Daime são:
• Dia de São José;
• Dia de São João;
• Dia de Todos os Santos;
• Dia dos Pais;
• Dia das Mães;
• Dia de Nossa Senhora da Conceição;
• Natal;
• Dia de Reis;
• Aniversário do Mestre Irineu;
• Aniversário do Sr. Leôncio Gomes da Silva, entre outras.


FEITIO

O feitio é cerimônia ritual em que se produz a bebida enteógena utilizada no culto do Santo Daime. As duas plantas com que é preparado o santo daime são:



• O banisteriopsis caapi, conhecido popularmente como jagube, mariri, entre outras denominações, e
• A psicotria viridis, popularmente rainha ou chacrona.




O jagube é batido com marrretas de madeira, e depois de as folhas do arbusto rainha haverem sido limpas, os dois são cozidos em água.Esse primeiro cozimento é retirado e colocado em outra panela com uma nova quantidade de jagube e rainha. Após esse segundo cozimento está pronto o daime.

Feitio: No feitio os homens batem o jagube, e cuidam de seu cozimento; as mulheres, cuidam das folhas. Foto do feitio realizado no I Encontro das Igrejas Daimistras Latino-Americanas + África do Sul, realizado em Florianópolis, em janeiro de 2007, no Céu do Patriarca. Extraídas dehttp://www.lepomar.blogspot.com/.


HINÁRIOS


Doutrina cantada, o Santo Daime conta hoje com mais de 80 hinários, segundo a "hinarioteca" daimista. Os principais são "O Cruzeiro", do Mestre fundador da doutrina, e outros quatro hinários, conhecidos como "os quatro falecidos", "hinário dos finados" ou, ainda, "hinário dos mortos":

 Vós Sois Baliza, de Germano Guilherme;
• Seis de Janeiro, de João Pereira;
• O Amor Divino, de Antônio Gomes;
• O Mensageiro, de Maria Marques "Damião".

Cada igreja, entretanto, possui, além desses, seu(s) próprio(s) hinário(s) oficiais.


PRIMEIROS SEGUIDORES


Os primeiros seguidores de Mestre Irineu no início de sua caminhada no Santo Daime eram pessoas que chegavam em procura de cura para doenças - doenças físicas e espirituais. No ínicio eram bem poucos, e o próprio Mestre costumava dizer que "quanto menos somos, melhor passamos". Dizia também que "o Daime é para todos, mas nem todos são para o Daime", o que explica que tanta gente tenha chegado sem ter se incorporado às fileiras daimistas. Várias são as pessoas que merecem nota entre os primeiros seguidores. Por questão de justiça vale lembrar além dos nomes dos quatro irmãos que integram a base doutrinária daimista, melhor descritos abaixo, os nomes de Chico Granjeiro, Francisco Fernandes Filho (Tetéu), Leôncio Gomes, Percília Mattos da Silva, entre outros.


Germano Guilherme

Foi um dos primeiros adeptos do culto do Santo Daime. Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. Era extremamente zeloso de seus hinos, tinha verdadeiro ciúme com eles. Não permitia que as pessoas os tivessem copiados em caderno. Quem quisesse cantar seu hinário deveria sabê-lo de memória. Àqueles que o procuravam querendo aprendê-lo dizia que fossem até sua casa, onde ensinava um grupo de hinos, depois que a pessoa aprendesse aquele primeiro grupo, ensinava mais um pouco e assim sucessivamente. Antes de falecer, não incubiu a ninguém a zeladoria de seu hinário. Pediu a Mestre Irineu que cuidasse de seu hinário. Tempos depois de sua morte o senhor Luís Mendes disse ao Mestre que Germano Guilherme lhe aparecera em visão e que lhe atribuíra a zeladoria do hinário. O Mestre nada disse a respeito.

Maria "Marques" Damião

Maria Vieira Marques foi uma das primeiras seguidoras do Santo Daime. É conhecida como Maria Damião, pois assim se chamava seu esposo. Seu hinário "O Mensageiro" compõe a lista dos cinco que, ao lado da Bíblia, compõe a base doutrinária daimista.

João Pereira

Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. O hinário deixado por ele chama-se "Seis de Janeiro". O responsável por seu hinário, encarregado por ele ainda em vida, foi o sr. Luís Mendes, que transferiu a "zeladoria do hinário" a seu filho, o sr. Saturnino Mendes.

Antônio Gomes

Também foi um dos primeiros a chegarem ao trabalho espiritual fundado por Raimundo Irineu Serra. Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. O hinário deixado por ele chama-se "O Amor Divino".


O CISMA

Quando faleceu, em 6 de julho de 1971, a sua igreja, o CICLU - Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, era presidida por Leôncio Gomes da Silva. O senhor Leôncio adoeceu e transferiu a presidência a seu assessor Francisco Fernandes Filho, conhecido como Tetéu. Com o falecimento de seu Leôncio, conseqüente de sua doença, houve um cisma no CICLU, que ficou sob o comando da viúva de Mestre Irineu, Dona Pirigrina Gomes Serra. Outras igrejas foram fundadas no bairro do Alto Santo, onde está localizado o CICLU, pelos que se opunham à legitimidade de sucessão de Dona Pirigrina.
Hoje ali há cerca de 5 igrejas, a grande maioria oriunda daquela cisão. Fruto também desse Cisma, numa colônia nos arredores de Rio Branco, a Colônia 5000, Sebastião Mota de Mello, conhecido no meio daimista por Padrinho Sebastião, fundou o CEFLURIS - Centro Eclético da Fluente Luz Universal "Raimundo Irineu Serra".


AS IGREJAS


Atualmente são inúmeras as igrejas de Santo Daime no Brasil e no mundo. Em quase todos os estados da federação brasileira encontra-se igrejas, centros e "pontos", pequenos grupos que comum desinstitucionalizadamente da bebida sagrada. O Santo Daime, ao contrário de outras igrejas, não possui uma autoridade central. Cada igreja possui seu responsável e, caso a igreja possua filiais, o responsável pela matriz passa a ser a autoridade central daquele núcleo e suas células. A liturgia daimista originalmente concebida por Mestre Irineu passou por algumas transformações em algumas igrejas, o que hoje permite reuni-las (não separá-las) em dois grupos:

Igrejas alinhadas ao programa litúrgico original de Mestre Irineu, conhecidas no meio daimista como "Alto Santo", menção ao bairro riobranquense onde está o CICLU, igreja que foi presidida pelo Mestre-fundador, que testemunhou seu legado litúrgico quando de seu falecimento. Em tais igrejas, a liturgia original deixada por Mestre Irineu e a comunhão soberana do Santo Daime (ayahuasca) como sacramento se dá sob princípios exclusivamente cristãos.

Capelinha: A igreja provisória do Centro da Rainha da Floresta em Araçoiaba da Serra. Hoje a igreja está instalada definitivamente no munícipio de Piedade, também no estado de São Paulo.

Igrejas alinhadas ao programa litúrgico concebido pelo Padrinho Sebastião Mota de Melo e conduzido por seu filho e sucessor, o Padrinho Alfredo Gregório de Mello, no qual a comunhão do Santo Daime como sacramento soberano se dá sob princípios cristãos, de religiões orientais e abarca elementos da Umbanda em alguns trabalhos.


LEGALIDADE DO SANTO DAIME


A partir da década de 80, devido a movimento expansivo do Santo Daime ocorrido na década de 70, várias foram as iniciativas governamentais no sentido de dar a conhecer a legitimidade e a legalidade do uso religioso da ayahuasca/santo daime:
• 1982 - Nos momentos finais da ditadura no Brasil, uma Comissão formada por médicos, antropólogos, psicólogos, representantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal e Exército, visitaram comunidades daimistas na Amazônia.
• 1984 - O CONFEN - Conselho Federal de Entorpecentes, órgão do Ministério da Justiça, cria uma Comissão de Trabalho para estudar o uso ritual do ayahuasca.
• 1985 e 1986 - Visitias da Comissão de Trabalho do CONFEN a comunidades usuárias. Confirmação de pareceres positivos de outras Comissões.
• 1987 - Conclusão da Comissão de Trabalho sobre o uso ritual da ayahuasca/Santo Daime que verificou que "os rituais religiosos realizados com a bebida sacramental Santo Daime/Ahyauasca não traziam prejuízos à vida social e sim, contribuiam para a sua maior integração, sendo notório os benefícios testemunhados pelos membros dos grupos religiosos usuários"
• ---- - Divulgação de resultado de pesquisas farmacológicas e psico-sociais que comprovaram a inexistências de riscos de adição e dependência no uso da ayahuasca em contexto ritual.
• 1991/1992 - Implantação de nova Comissão que realiza novos estudos e visitas às principais entidades ayahuasqueiras e daimistas. O CONFEN posiciona-se pelo acompanhamento do uso ritual da bebida, sem nenhuma orientação proibicionista.
• 2004 - O CONAD - Comissão Nacional Anti-Drogas, atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro, após dezoito anos de espera da comunidade daimista, reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática.

Mediunidade é pagamento de débitos.

MEDIUNIDADE É ASSUNTO SÉRIO E NÃO PROFISSÃO.
A mediunidade não é uma arte, não é talento, portanto nunca poderá tornar-se uma profissão.imagesçlo
A mediunidade é uma missão que escolhemos, ao reencarnar, com a finalidade de quitarmos débitos adquiridos em encarnações passadas. DEUS leva em conta o devotamento e os sacrifícios da mediunidade e sente repugnância por aqueles que fazem da mediunidade uma escada, por onde possam subir materialmente. A moral do médium é tudo o que ele possui, não apenas no sentido de cobrar por ela, mas em todo e qualquer abuso, seja no orgulho, na vaidade, no egoísmo e principalmente, no desrespeito às leis de DEUS. A moralidade do médium refletirá diretamente em seu desenvolvimento mediúnico. Uma vez moralmente incorreto, irá cercar-se de espíritos da mesma faixa vibratória e esse fato irá trazer-lhe SÉRIOS TRANSTORNOS em sua vida presente e futura.
 Nunca aceite qualquer retribuição por trabalhos que realizar. Se ocorrer um dia, de vir a ser presenteado por alguém, aceite o presente, para não entristecer quem o presenteia por gratidão, mas explique a este irmão que o melhor presente, para você, é a cura, a transformação e evolução espiritual dos irmãos ajudados.
No tocante ao desrespeito às leis de DEUS, a moralidade do homem está a essas leis diretamente ligadas. O conceito de moral diverge de uma civilização para outra, o que é imoral para uma civilização pode não ser em outra.
Os Umbandistas seguem a doutrina de Jesus Cristo (Oxalá na Umbanda), desta forma o Evangelho Cristão é o Evangelho do Umbandista.
 Jesus expulsou os vendilhões do Templo para deixar como exemplo, que religião não é comércio. Esse exemplo de Jesus se transformou em lei. E a lei uma vez desobedecida causa o aumento de débitos no Karma de seu infrator. Não abuse da pouca liberdade que possui. Nossos Guias espirituais sempre nos transmitem o seguinte ensinamento: DEUS O OBRIGARÁ A CEIFAR AONDE ELE NUNCA PLANTOU. O ensinamento é claro; Deus não nos ensina o mal, porém uma vez praticado o mal, colheremos o resultado de nossos atos através da lei de causa e efeito e o seu consequente aumento do karma (livre arbítrio).
 Um dia todos prestarão contas de todo dinheiro arrecadado em nome de Deus ou de Jesus, sejam eles, médiuns ou pais-no-santo mistificador, pastores evangélicos, padres, rabinos, monges ou outros.  E nessa ocasião, que se expliquem!
 A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade, pode se dizer que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com espíritos desencarnados.
O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte. Eis as principais correspondências:
Euá – Santa Luzia.
Iansã – Santa Bárbara.                                                                   images12
Ibejis – Cosme e Damião.
Iemanjá – Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes.
Logum – São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.
Nanã – Santa Ana, mãe de Maria, avó de Jesus.
Obá – Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.
Obaluaiê – São Lázaro e São Roque.
Ogum- São Jorge.
Oxalá- Jesus.
Oxóssi – São Sebastião.
Oxum – Nossa Senhora Aparecida.
Oxumaré – São Bartolomeu.
Xangô – São Jerônimo, São João Batista, São Francisco de Assis e São Pedro.
As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito.
Alguns demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do Candomblé. Possui em comum, a força dos rituais, denominados gira, em que as filhas e filhos-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques. As cerimônias geralmente acontecem à noite.
Os espíritos que “descem” incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira.
Aqueles que “recebem” os espíritos são chamados de cavalos.
Durante a incorporação, o “cavalo” permanece em transe, e quem fala através dele é seu “guia”, ou seja, a entidade espiritual a ele associada.
Para auxiliar os cavalos, existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-no-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais.
Nos terreiros umbandistas, o ponto focal é o congá, altar enfeitado com imagens de Jesus,20120822_202133
Nossa Senhora e santos católicos que dividem espaço com estatuetas de preto-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais, misturas as flores, velas acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás.
 Os orixás e as entidades que integram as falanges da Umbanda:
Oxalá:   Cor: Branca / Domínios: Todos os campos da natureza.
Oxóssi:  Cor: Verde  / Domínio: As matas.
Xangô:   Cor: Marrom /  Domínio: As pedras.
Ogum:   Cor: Vermelho e Verde  /  Domínio: As estradas.
Iemanjá: Cores: Azul  e branco cristalino / Domínio: O mar e as águas em geral.
Oxum:   Cor: Amarelo / Domínio: As águas doces.
Iansã:  Cor: Vermelho  /  Domínios: Ventos e Tempestades
Nanã: Cor: Lilás/ Domínio: Lama.
Obaluaiê:  Cores: Preto e branco / Domínio: As cavernas.
Caboclo:  Cor: Verde / Domínio: A simplicidade.
Preto-Velho:  Cor: Branco / Domínio: A sabedoria.janaina (1)
Criança:  Cores: Variadas / Domínio: A pureza.
Exu: Cores: Preto e Vermelho /  Domínio: Os descampados.
Pomba-gira:  Cores: Preto e Vermelho / Domínio: Os descampados.
Exu-mirim:  Cores: Preto e vermelho / Domínio: Os descampados.
Marinheiro:  Cores: Azul e branco /  Domínio: As emoções.
Boiadeiro:  Cores: Marrom e Vermelho /  Domínio: A força bruta.
Cigano:  Cores: Todas do arco-íris /  Domínio: A liberdade.
Baiano:  Cores: Variadas / Domínios: A esperança e a coragem.
Observação: Essas correspondências, embora sejam as mais difundidas, podem sofrer variações em diferentes terreiros.
Oferendas
Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza – ou seja: Ar, Terra, Fogo e Água.
É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados elementos naturais.
Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.
Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias.
Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.
                                                               Quimbanda, ou as “linhas de esquerda”
imagesNunca se deve confundir o orixá com as entidades que integram sua Linha de Força.
A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá Exu.
Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.
Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.
Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que fazem parte de sua falange atuam “à esquerda”. Isso, porém, não significa que sejam de agentes do Mal!
Simplesmente, o orixá Exu – que erroneamente tem sido associado às forças diabólicas do ideário cristão – é uma força complementar às Linhas da Direita. Do mesmo modo que homem e mulher são opostos-complementares, e que tudo no Universo interage e se interpenetra, também as forças da “Direita” e da “Esquerda” se unem e se completam.
As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus, Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges.
Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe aindaPOMBA GIRA CALUNGA um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos – conscientemente ou não – pelo “filho de fé”. Sendo assim, pode acontecer de os “cavalos” que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si – na verdade, pode tratar-se de uma “faxina” no inconsciente do próprio médium.
É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito Conhecimento e, principalmente, Discernimento, para lidar com essas forças.