quarta-feira, 6 de abril de 2016

A tristeza dos Orixás

Foi não há muito tempo atrás que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que traz em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas.
Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido - se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás. Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das "guerras", saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu - se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram - se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe "coruja" quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:
— Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? — ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.
— Desculpe, sabe, ando meio ocupado — Respondeu um triste Ogum. —Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste. — É, vim até aqui para "desabafar" com você "mãezinha". Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a " espada da Lei" que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das "supostas" demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles...Estou cansado...
Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida. Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. Não! Infelizmente ele era entendido como o "Orixá da Guerra", um homem impiedoso que utiliza - se de sua espada para resolver qualquer situação.
E logo, inspirados por isso,lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram "quebras e cortes" de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna - se uma guerra de vaidade, um show "pirotécnico" de forças ocultas. Muita "espada", muito "tridente", muitas "armas", pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava:
— Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição.
Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado... Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava - se por sua falange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite.
Logo via - se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia - se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam - se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso...Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói.
Os vícios dos outros, é claro. Um a um, todos foram despindo - se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás. Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam -se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram - se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando - o a figura do Diabo:_ Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável!
— Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá. Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
Espere! — pensou Iemanjá! — Oxalá,Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.E logo Iemanjá colocou - se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou - se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu - se de sua roupa sagrada, pra igualar - se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
— Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de "apenas" prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras "bases de luz" na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir...
Quando Oxalá calou - se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam - se nesse ideal. E aquilo alegrou - os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram - se em amor e compaixão pela humanidade.
Em Aruanda, os caboclos, pretos - velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram - se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás. Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem-aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam - se. O alto os abençoava...
Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. Miríades de espíritos foram retirados do baixo - astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador.
E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou - se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como "armas" para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem - se disso. E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem - se das palavras de Oxalá ditas linhas acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem - se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Honrem - los. Sejam luz, assim como Eles! Exe ê o babá.
Autoria Espiritual: Vovó Maria Conga
Local: Algum terreiro do Bahia
Enviado por Jair do Caboclo Zando


A lenda do peixinho vermelho

No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porem, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante perseguido pela canícula ou atormentado de fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicilio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria a maior massa de lama por ocasião de aguaceiros. Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro. À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:
- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"
Optou pela mudança. Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima. Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança ...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos. Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredos.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e agilidade naturais. Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início, porem, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária. Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações. Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar somente as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou ... e sentindo imensa compaixão daqueles com que convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre amparai-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar. Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros.
Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhes prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente.
Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu noticias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.
O soberano da comunidade para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:
- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas?
Grande tolo! Vai-te daqui! Não nos perturbes o bem-estar ...Nosso lago é o centro do Universo ...Ninguém possui vida igual à nossa! ...."
Expulso a golpes de sarcasmo o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos apareceu pavorosa e devastadora seca. As águas desceram de nível. O poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a padecer, atolada na lama ...
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito André Luiz.

Nossos Umbigos


O terreiro de Umbanda, como um hospital de almas ou pronto socorro emergencial, recebe nos dias de sessão ou "gira" uma quantidade razoável de encarnados, mas somente os espíritos desencarnados que lá trabalham, é que podem vislumbrar a imensidão de desencarnados que se movimentam no ambiente, em busca de ajuda. Ordenados e amparados por seus tutores, chegam estropiados e com aparência assustadora, uma vez que em sua maioria representam aqueles que cansaram ou esgotaram suas forças, na vida andarilha do pós-morte do corpo físico.
Voltam a pátria espiritual e dela não tem conhecimento e sem noção da continuidade da vida, quando não, desconhecem até mesmo sua condição de espírito desencarnado e por isso continuam a sentir os desejos, ambições, gostos e dores da vida física e nesse caminho, definham suas energias.
Quando conseguem alcançar algum vislumbre de consciência de sua realidade, permitem a ajuda dos benfeitores que os encaminham a algum local sagrado, onde medianeiros encarnados possam ajudá-los através do choque anímico, permitindo o total desligamento da matéria. Neste momento os chamados Centros Espíritas e de Umbanda, tornam-se "oásis" em seus desertos e como pontes entre os céu e a terra, permitem a passagem de volta à casa.
Naquela noite chuvosa e fria, a maioria dos médiuns daquele terreiro, ressentidos pela dificuldade de deixarem o conforto dos lares, faltaram ao trabalho espiritual e o dirigente preocupado com o atendimento dos doentes que se apinhavam no espaço que dia-a-dia se tornava pequeno, ajoelhou-se em frente ao congá, assumindo sua tristeza diante dos Guias espirituais. Deixou correr duas lágrimas para aliviar seu peito angustiado. Pensou em como fora seu dia e nas atribulações a que já deveria estar acostumado, mas que agora pesavam mais pela saúde que já lhe faltava. Nas dificuldades financeiras, no aluguel da casa que já vencera e nos tantos atrapalhos que ocorreram em seu ambiente de trabalho naquele dia. Sem contar na visita que viera de longe e que deixara em casa esperando pela sua volta do terreiro. Nada disso o impediu de fazer uma prece no final do dia, de tomar seu banho de ervas e seguir a pé até o terreiro, enfrentando a distância e o temporal que se fazia.
Sentia-se feliz em cumprir sua tarefa mediúnica, mas como havia assumido abrir um "hospital de almas", juntamente com outros irmãos que se responsabilizaram perante a espiritualidade em servir à caridade pelo menos nos dias de atendimento ao público, sabia que sozinho pouco podia fazer.
Pedindo perdão aos guias pela sua tristeza e talvez incompreensão em ver os descaso dos médiuns, que a menor dificuldade, escolhiam cuidar dos próprios umbigos à servir aos necessitados, solicitou que se redobrasse no plano espiritual a ajuda e que ninguém saísse dali sem receber amparo.
Olhando a imagem de Oxalá que mesmo ofuscada pelas lágrimas, irradiava sua luz azulada, sentiu que algo maior do que a lamparina aos pés da figura, agora brilhava. Era uma energia em forma de fios dourados que se distribuíam, a partir do coração do Cristo e que cobriam os poucos médiuns que oravam silenciosos, compartilhando daquele momento, entendendo a tristeza do dirigente.
Agindo como um bálsamo sobre todos, iniciaram a abertura dos trabalhos com a alegria costumeira. Quando o mentor espiritual se fez presente através de seu aparelho, transmitiu segurança a corrente, com palavras amorosas e firmes e nesse instante, falangeiros de todas as correntes da Umbanda ali "baixaram" e utilizando de todos os recursos existentes no mundo espiritual, usaram ao máximo a capacidade de cada médium disponível, ampliando-lhes a percepção e irradiação energética, o que valeu de um trabalho eficiente e rápido.
Harmoniosamente, os trabalhos encerraram-se no horário costumeiro e todos os necessitados foram atendidos.
Desdobrados em corpo astral, dois observadores descontentes com o final feliz, esbravejavam do lado de fora daquele terreiro. Sua programação e intenso trabalho para desviar os médiuns da casa naquela noite, no intuito de enfraquecer a corrente e consequentemente, infiltrarem suas "entidades" no meio dela, havia falhado. Teriam que redobrar esforços na próxima investida.
Quando as luzes se apagaram e a porta do terreiro fechou, esvaziando-se a casa material, no plano espiritual, organizava-se o ambiente energético para logo mais receber os mesmos médiuns, agora desdobrados pelo sono.
Passava da meia noite no horário terreno e os médiuns, agora em corpo de energia voltavam ao mesmo local do qual a pouco haviam saído. Os aguardavam, silenciosos ouvindo um mantra sagrado, seus benfeitores espirituais. Tudo estava muito limpo e perfumado por ervas e flores. Um a um, ao adentrar, era conduzido a uma treliça de folhas verdes e convidado a deitar-se, recebendo ali um banho de energias revigorantes. Quando todos já se encontravam prontos, seguiram em caravana para os hospitais do astral e lá, como verdadeiros enfermeiros, auxiliaram por horas a fio a tantos espíritos que horas antes haviam estado com eles no terreiro e recebido os primeiros socorros.
No final da noite, o canto de Oxum os chamava para lavarem a "alma" em sua cachoeira e assim o fizeram, para somente depois retornar aos seus corpos físicos que se permitia descansar no leito.
-Vó Benta, mas e aqueles médiuns que faltaram ao terreiro naquela noite, perderam de viver tudo isso?
-Nem todos zi fio! Nem todos! Dois ou três deles, faltaram por necessidades extremas e não por desleixo e assim sendo, se propuseram antes de dormir, auxiliar o mundo espiritual e por isso foram convidados a fazer parte da caravana.
- E aqueles que mesmo não tendo comparecido por preguiça, se ofereceram para auxiliar durante o sono, não foram aceitos?
-A preguiça, bem como qualquer outro vício, é um atributo do ego e não do espírito, mas que reflete neste. Perdem-se grandes e valiosas oportunidades a todo instante pela insensatez de ouvirmos o ego e suas exigências. O tempo, zi fio, é oportunidade sagrada e dele se faz o que bem quer cada um. O minuto passado, não retorna mais, pois o tempo renova-se constantemente. O amanhã nos dirá o que fizemos no ontem e esse tempo que virá é nosso desconhecido, por isso não sabemos se nele ainda estaremos por aqui servindo ou se em algum lugar, clamando por ajuda de outros que poderão alegar não ter tempo para nós, pois precisam cuidar de seus umbigos.
Assim é a vida, zi fio. Contínua troca!
Vovó Benta - Mãe Leni W. Saviscki
Enviado por Sandro C. Mattos



terça-feira, 5 de abril de 2016

Poema: Umbanda, Sagrada e Linda Umbandacriar um blog



     Sem entender o que buscar,  sem saber para onde ir,  precisando ter algo para amar,  precisando de um caminho a seguir.      Busquei em sonhos de ilusão,  busquei em templos igrejas em geral,  ouvi pastores, padres e até um ancião,  mas nada me mostrava a diferença do bem e do mal.      No peito a angústia crescia,  um desespero tomava conta de mim,  já não suportando o dia após dia,  sentindo a esperança chegar ao fim.      Com lágrimas aos olhos ao céu eu clamei,  preciso urgente que me mostre um caminho,  do céu então uma voz escutei,  não se desesperes pois não estás sozinho.      Em toda sua volta tens uma proteção,  basta apenas ter fé para conquistar,  e uma a uma colocarei em teu coração,  que a partir de agora tu passarás a amar.      Para seu coração se acalmar,  eu lhe apresento Oxalá,  que é pai supremo da terra e do mar,  sendo também pai de todos Orixás.      Para que venças as guerras da vida,  Pai Ogum, vou lhe apresentar,  cavaleiro supremo da terra querida,  bravo General dos Campos do Humaitá.      Para que tu valorize as águas límpidas do rio,  veja aqui a deusa linda e honrosa,  Oxum, Orixá linda  cheia de brio,  mãe sublime bela e carinhosa.      Para que sua fé cresça na sagrada justiça,  Pai Xangô desejo lhe apresentar,  poderoso Orixá de inteligência infinita,  voz de trovão grande poder para nos ajudar.      Para que respostas do vento possas escutar,  que seja noite, tarde, ou mesmo manhã,  lhe apresento linda jovem divina Orixá,  doce sublime guerreira mãe Iansã.      Pai Oxossi agora te apresento,  para as forças das matas tu conquistar,  ele está contigo a todo momento,  não temas pois ele nunca vai lhe abandonar.      Para que tu sintas o poder sem igual do mar,  apresento a ti uma irradiante Orixá,  deusa das águas com grande poder de amar,  rainha sereia, a linda mãe Iemanjá.      E se algum dia os males de uma doença lhe abater,  ao grande Orixá Obaluaiê peça proteção,  e se mesmo assim seu corpo a terrível  doença não suportar,  rogue a pai Omulú que não deixe seu espírito na escuridão.      Nos momentos que desejares clareza de algo a fazer,  em tempos que precisa de sabedoria para refletir,  lhe apresentarei a senhora Nanã Buroquê,  a vovó Orixá que nunca erra como agir.       Quando sorrir e brincar estiver precisando,  Erês e Ibeijadas irei lhe mostrar,  são entidades anjos que por nós estão sempre clamando,  com sua alegria, carinho e seu grande poder de amar.      Também os Pretos Velhos desejo lhe apresentar,  pois com eles muito vais com certeza  aprender,  com carinho e humildade muda seu jeito de pensar,  nos faz estender as mãos e ajudar partilhando sem querer receber.      Se algum dia a angústia tomar conta de seu coração,  sem os irmãos caboclos não deve ficar,  são Entidades lindas para sua proteção,  que com passes e ervas, a angústia vai derrubar.      Para sua força crescer e a vitória vir por inteiro,  essa Entidade tem que a seu lado permanecer,  lhe apresento o Senhor Boiadeiro,  que com raça e perseverança os obstáculos irão sempre vencer.      Para proteção nos caminhos da noite conseguir,  e as demandas e mandingas do mal você  vencer,  os irmãos Exús e Pombo giras você tem que admitir,  que são eles que vão a sua caminhada proteger.      Como você pode nesse momento notar,  acabei de te mostrar que não estais sozinho,  grandes proteções terás para te iluminar,  então erga sua cabeça e segues teu caminho.      Vá em frente  sem se amedrontar,  siga com certeza essa linha de vida,  eu sou Zambi ou Deus, pai de Oxalá,  e estou mostrando a ti nossa Umbanda Querida.      Homenagem a Umbanda, Sagrada e linda Umbanda.      Autor: Carlos de Ogum.criar um blog

                         Sábias Palavras do Mestre Chico Xavier




"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos... TUDO BEM! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.” (Chico Xavier)

  PAI BENTO SÁBIA MENSAGEM



Amanhã é outro dia, fé, força e coragem, é a receita mágica para seguir sempre adiante.

Nem adianta titubear, não há tempo para mas, muito menos para talvez, segue a tua intuição com muita sensatez.

Hoje queria te falar, que nesta vida meu filho, tudo tem consequências, às vezes uma palavra errada já é o suficiente, para o caminho desandar.

Se estás em dificuldades, com certeza é consequência desta ou de outra vida, em algum momento esta energia regressora foi gerada por ti.

Certamente, ela é tão forte, que pode também atingir outra pessoa que convive com você em seu lar, que poderia pelo menos dar-lhe força através de seus avanços nos seu caminho, mas isto raramente acontece, é como se fosse um efeito dominó, pois, na verdade, por um fator ou outro esta pessoa acabou alimentando em seu eu maior, também esta energia.

Então você pergunta, e agora o que faço? Também já o vejo, balançando a cabeça e achando que não tem jeito. Espera meu filho, nada é para sempre, se esta energia primeiramente o paralisou e com isso fez você regredir parecendo que nada dará certo, também existe uma forma de dissipá-la, de inverter a situação.

Quero deixar bem claro, que isso nada tem a ver, com a sua religião, nada tem a ver com satisfação ou não de seus guias, pois guias que são guias, não castigam os filhos a seu bel prazer, isto seria uma arbitrariedade e afronta as leis Divinas, eles então não seriam guias, seriam espíritos obsessores ou trevosos que esperavam apenas a oportunidade certa de uma fraqueza sua para dar o bote.

Então, você me pergunta, qual é a solução? Ah filho que tanto amo, em primeiro lugar retomar o ânimo, estou mal hoje, mas poderia estar bem pior, e num exame honesto dos últimos acontecimentos acabará vendo que já tiveste o merecimento de ter sido afastado de situação pior.

Apesar do cansaço da luta, aprenda a dar graças a Deus todos os dias, pelo pouco e pelo muito, e até pelo nada, pois se o nada se apresenta, é por que o nada é a parada para reflexão que Deus te pede.  

Não adianta querer lembrar a razão que gerou tal energia, adianta sim modificar a energia, para tanto siga a tua intuição, abra os seus braços para a vida e pare de se esconder dela e de desconfiar de cada ser que aparece em sua frente, pare de querer ser o único responsável pelo seu sucesso ou não sucesso, lembre-se que sucesso na Terra não é sinônimo de vitória real no astral.

Tente balancear melhor o teu emocional e o teu racional, estão em desequilíbrio e isto aconteceu antes do início desta fase que está passando. Tente acreditar, não seja igual a São Tomé, lembre-se que tantas dúvidas geradas em teu mental, que não são esclarecidas de imediato para ti, simplesmente pelo fato de não estar na hora de saber, teu espírito não está preparado e não é necessário, por enquanto, para seguir tua missão terrena.

Lembre-se que para derrubar uma casa basta um segundo de ventania, para reergue-la o tempo é muito maior, será milímetro por milímetro do caminho conquistado à base de luta, mesmo tendo alguma derrota esta será passageira, erga agora as bases em solo seguro, elas devem ser erguidas tendo como ingredientes principais o AMOR, FÉ E ESPERANÇA.

Termino meu filho, dizendo-lhe, se DEUS ESTÁ CONTIGO QUEM ESTARÁ CONTRA TI?

ditado por Pai Bento
psicografado por Luconi
em 08-02-2012

Mensagem dos Caboclos


Umbanda de Preto Velho: Umbanda e Xamanismo:

"Aconteceu uma briga entre tribos.
Uma era a tribo dos esperançosos - os guerreiros.
A outra era a dos preguiçosos - os descumpridores da lei.
Como sempre, a tribo dos guerreiros era em menor número.
O cacique da tribo dos guerreiros tinha na cabeça um cocar brilhante.
Eles entraram em guerra. O cacique achava que tinha que brigar 

com o outro cacique, mas não viu nenhum cocar. 
Durante a batalha, o cacique de cocar desfaleceu. 
A outra tribo quis tirar o seu cocar, pois nenhum tinha cocar.
Aí descobriram que o cocar não era de penas, era de luz.
Atemorizados, a tribo dos preguiçosos, em maior número, 

abandonou a luta e se entregaram assustados, àquele guerreiro que eles
 achavam ser feiticeiro.
Uma voz se ouviu: vocês se entregaram, não perante a força, 

mas pela expectativa de ter a luz.
O cacique entendeu que eles se renderam, não pelo medo da força, mas pela voz da razão,

e isto incentivou o cacique a partir para novas conquistas, sempre procurando o povo sofredor. 
A sua arma não era mais a força, era a razão e a luz.
O cacique mudou seu nome, queria ser chamado Cacique Umbanda, e ao invés de expulsar os fracos, 

os tinha sob seu domínio, e assim o cacique Umbanda, formou uma grande tribo e seus guerreiros 
eram fortes, fracos e faltosos, mas o seu líder era o cacique Umbanda, abençoado por Zambi.


"Aqueles que não sabem obedecer, além de atrapalharem os que obedecem, jamais vão saber mandar".


CABOCLO AKUAN



segunda-feira, 4 de abril de 2016



As aparências enganam: Cuidado com a trave que está no teu olho



A UMBANDA NÃO É RESPONSÁVEL PELOS ABSURDOS QUE SE PRATICAM EM SEU NOME, BEM COMO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO TAMBÉM NÃO É RESPONSÁVEL PELOS ABSURDOS QUE FORAM E SÃO PRATICADOS EM SEU NOME E EM NOME DE SEU EVANGELHO.


Temos que tomar cuidado quando queremos enxergar apenas aquilo que desejamos, as aparências enganam e esconde as sombras que cobrem certos ambiente pesados por pensamentos de vaidade, acobertamento e conduta moral indevida.

"O Argueiro e a trave no olho”. Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

O VERDADEIRO TEMPLO DE UMBANDA NÃO SE RESUME E QUATRO PAREDES E CADEIRAS LOTADAS, VAI MUITO ALÉM DISSO. 

O VERDADEIRO TEMPLO DE UMBANDA É O ESPIRITO, COMO ESPIRITA TEMOS QUE SER EXEMPLO EM NOSSA CONDUTA MORAL PERANTE A SOCIEDADE. A FALTA DE EQUILÍBRIO ESPIRITUAL É RESULTADO NÃO SOMENTE DA FALTA DE PREPARO E HUMILDE EM RECONHECER A NECESSIDADE DE REVER A POSTURA E O TIPO DE COMPANIA ESPIRITUAL QUE ESTA ATRAINDO. MAS A FALTA DE FÉ, 

QUANDO SE PERDE A CONEXÃO COM O NOSSO PAI MAIOR, AUTOMATICAMENTE PASSAMOS A FAZER COMÉRCIO DA NOSSA FÉ, BARGANHA.

COMO DIZ MINHA AMANHA MARIA BONITA : "QUEM ESTA A SERVIÇO DE QUEM?" QUANDO ELA FEZ ESSA PERGUNTA NA ÚLTIMA OPORTUNIDADE QUE TIVE DE TRABALHAR COM ESSA ENTIDADE, NEM EU MESMA SABIA RESPONDE. 

FIQUE PENSANDO PORQUE ELA ESTA DIZENDO AQUELAS COISAS. PRINCIPALMENTE POR SER UM ENTIDADE COM A QUAL RARAMENTE TRABALHO, SE ELA VEIO PORQUE TINHA ALGO DE MUITO IMPORTANTE PARA DIZER. PORÉM ANTES DE CONCLUIR SUA PASSAGEM, MARIA BONITA DEIXOU CRAVADO NO MEU CORAÇÃO ESSA MENSAGEM PROFUNDA É HOJE APÓS UM ANO AINDA SINTO QUE ESTA PERGUNTA NÃO FOI ENTENDIDA POR MUITOS IRMÃO FÉ. 

NO MEU CASO PENSO QUE DEI O PRIMEIRO PASSO ESTE ANO QUANDO COMECEI A CUIDAR E FICAR ATENTA A QUALIDADE DA MINHA VIBRAÇÃO ESPIRITUAL E CONEXÃO COMO NOSSO PAI MAIOR. COMO DIZ NOSSO SENHOR JESUS NO EVANGELHO "ORAI E VIGIAI".

NÃO É FÁCIL, COMO DIZ VÓ CONGA "QUEM DISSE QUE SERIA, NINGUÉM PROMETEU ISSO." SÃO MUITOS OS OBSTÁCULOS QUE VENHO ENFRENTANDO NA MINHA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL DESDE QUE ASSUMI ATENTAR PARA A QUALIDADE DA MINHA CONEXÃO COM NOSSO PAI MAIOR E ALINHAMENTO COM MINHAS ENTIDADES E OS ORIXÁS. POR OUTRO LADO ESTOU MAIS FORTE NA MINHA FÉ, PAREI DE RECLAMAR, MELHOREI MEU HUMOR E AS PESSOAS COM AS QUAIS CONVIVO TEM APONTADO ESSA MUDANÇA. 

ÁS VEZES LEVO UMA PUXÃO DA VÓ CONGA, "FIA CUIDADO COM A VAIDADE, ESTA MELHORANDO COMPARTILHE COM SEUS IRMÃOS". É UMA LUTA CONSTANTE INTERNA, NÃO PODEMOS BAIXAR GUARDA.

PAI TOBIAS DIZ QUE VIVEMOS NO MUNDO DA MATÉRIA, DO PECADO, DAS TENTAÇÕES, ASSIM, NÃO DÁ PRA BAIXAR A GUARDAR, BEM COMO, NÃO PODEMOS NOS DESESPERAR PORQUE FALHAMOS.  ELE DIZ QUE NOSSO PAI MAIOR EM SUA MISERICÓRDIA NOS DA TODO DIA DUAS POSSIBILIDADE DE REVISÃO E APOS ISSO UM NOVO RECOMEÇO. 

ENTÃO É ASSIM: QUANDO ACORDAMOS TEMOS A OPORTUNIDADE DE AGRADECER E PLANEJAR NOSSAS ESCOLHAS. AO FINAL DO DIA NOS RECOLHERMOS PARA REPOUSAR E TEMOS A OPORTUNIDADE DE REFLETIR SOBRE NOSSAS AÇÕES, FAZER UM CHECKLIST E NEM PRECISAMOS PEDIR MUITAS VEZES OPORTUNIDADE DE UM NOVO COMEÇO, ELE NOS CONCEDE. ENTÃO PENSO QUE PODERÍAMOS APROVEITAR MELHOR ESTE MOMENTO.

O PRESENTE É PRECIOSO E O AMANHÃ É UMA ATO DE AMOR,CREDIBILIDADE E FÉ QUE O NOSSO PAI MAIOR TEM EM CADA UM DE SEUS FILHOS. NOSSA!!!! O PAI TOBIAS SABE DAS COISAS. 

QUEM ESTA SERVIÇO DE QUEM? NÃO ADIANTE FAZER FESTA BONITA, CASA LOTADA, TRABALHO COM TODOS OS MÉDIUNS, SE QUEM ESTA  NÃO ENTENDE QUAL É O SEU PAPEL. AS ENTIDADES NÃO ESTÃO ALI PARA NÓS SERVIR E NEM NÓS A ELES, TUDO É UMA TROCA, AMBOS PRECISAM DE APENAS UMA COISA: EVOLUÇÃO ESPIRITUAL, REFORMA INTIMA.

DA MESMA FORMA COM A ASSISTÊNCIA, QUEM ESTA A SERVIÇO DE QUEM? O MÉDIUM PRECISA DA ASSISTÊNCIA E A ASSISTÊNCIA DO MÉDIUM. PENSO QUE É UM MOMENTO DE TROCA, DE APOIO MUTUO. 

NÃO QUERO DEFENDER UMA IDEOLOGIA, ESTOU APENAS POSTANDO O ENTENDIMENTO QUE TIVE, EXPRESSANDO MINHA VISÃO. 

OLHE COM QUEM TU ANDA E DIGAS QUEM TU ÉS. 

MINHA VÓ SEMPRE DIZIA ISSO, ELA QUE FOI NA TERRA E CONTINUA NO PLANO ESPIRITUAL SENDO UM SOLDADO DE ARUANDA, FALAVA COM PROFUNDIDADE ESSE DITO POPULAR. ENTÃO VAMOS LÁ MEUS IRMÃOS. 

CUIDADO!  VOCÊ PODE ESTAR "DORMINDO COM O INIMIGO" SE ACHANDO CERCADO DE ENTIDADES QUE CAMINHAM NA LUZ DA UMBANDA, QUANDO NA VERDADE ESTA ATRAINDO ESPÍRITOS MISTIFICADORES E DIFICULTANDO O VERDEIRO TRABALHO DOS ORIXÁS E ENTIDADES QUE TENTAM AUXILIÁ-LO NA SUA REFORMA INTIMA.

Assim convido a leitura da mensagem abaixo para pensarmos sobre a responsabilidade de TODOS as pessoas no terreiro com o seu templo espiritual. Cargo na Umbanda não isenta da responsabilidade moral e espiritual.

Boa leitura 






HISTÓRIA DE PRETO VELHO 

Cenário: Reunião de trabalho mediúnico num centro kardecista (Espírita).

A reunião, na sua fase teórica, desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente.
Sobre a mesa, a tradicional toalha branca, a água a ser fluidificada e o Evangelho Segundo o Espiritismo aberto na lição nona do capítulo 10.

“O Argueiro e a trave no olho”.

Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

O Dr. Anestor, era o dirigente dos trabalhos práticos, tecia as últimas considerações a respeito da lição da noite. O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras de Jesus Cristo através do Evangelho.
Feita a prece de abertura por um dos presentes iniciam-se as manifestações.
Uma das médiuns fica sob a influência de um espírito estranho. Tomada de uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea permitiu a incorporação de um espírito.
O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus.
- Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr. Anestor.

O espírito respondeu:

- Zi-boa noite, zi-Fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus trabalhos, Fio?.
- Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.
Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um Preto Velho, espírito que habitualmente comunica-se nos terreiros de Umbanda. E a entidade continuou:

- Vós mecê tem aí uma cachacinha prá eu bebê, Zi-Fio?.

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.

- Vós mecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio.

- Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que benefícios traria isso a você?
O preto-velho respondeu:

- Zi preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos médiuns não faz uso do cigarro, Zi-fio? Suncê mesmo fuma e toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, de mim que quero beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, Zi-fio?.
O Dr. Anestor envergonhado não pôde explicar, mas resolveu arriscar.

- Ora, meu amigo, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de Jesus.

O preto-velho retrucou, mas agora já não fala mais como um Preto Velho e transmite a seguinte mensagem:

- Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita. Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Como sabeis vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e frente a seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar devem ser combatidos por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar. E no meu caso o uso do tabaco incinerado não visa o vicio e sim, as descargas na aura dos que me procuram em busca de ajuda nos terreiros de Umbanda, mas esse procedimento tem fundamentos que o digno doutor desconhece por não compreender na totalidade as leis de causa e efeito do mundo astral conhecidas como magia, palavra totalmente expurgada de vosso vocabulário por não conhecer o seu verdadeiro significado, fato esse devido ao vosso amplo orgulho. Refiro-me ao vosso orgulho porque o tratamento a mim dispensado como Preto Velho, deixou claro o vosso despreparo transmitido no tom de sua voz quando a mim se dirigiu, já que julgou-me inferior devido a classe social de uma de minhas existências passadas, desconhecendo que este negro escravo no passado também já foi juiz, também já foi doutor. Se aqui compareço como Preto Velho, tenho com essa conduta o objetivo alerta-los de que é na amizade, na simplicidade e na humildade que se entra no Céu. 

Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura. Pouco depois, o Preto Velho continuou:

- Perdoe-me pela forma em que os visitei e pelo tempo que lhes tomei de trabalho, vou-me embora, mas antes, tenho a obrigação de alertá-los sobre o tema citado no inicio de vossa reunião, já que o ensinamento que o ilustre doutor ministrou no inicio aos presentes, ao que parece serve para uns e não para outros, o que nos retrata a idéia de uma farsa,  dando a impressão que nosso poderoso Pai tem dois pesos e duas medidas o que todos sabemos não ser a verdade.
Vou-me agora como Preto Velho e deixo aqui um pouco da minha paz que vem de Deus. E recebam todos vocês que militam nesta respeitável Seara os meus sinceros votos de progresso na espiritualidade.


Deu em seguida uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível.

O Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar daquela forma, mas não houve resposta.

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição.

Lição para todos meditarem.







Coisas que aprendi com Maria Mulambo





  • Ter palavra e honrar a palavra, ela diz e faz isso. 
  • Buscar evoluir e procurar se afastar daqueles que impedem a sua evolução 
  • Ela diz, sou justa e assim procure agir com razão e não com a emoção. Por isso, em seus atendimento costuma ser dura, para dar aos seus ouvinte foco e direcionamento. Ela não faz falsas promessas. 
  • É guerreira, diz a vida é para ser vida e não para guardar, então vamos pras cabeças com responsabilidade. 
Com a permissão de DEUS tenho a oportunidade de trabalhar com essa entidade desde a adolescência e aprendi a reconhecer e dar o seu justo valor. Somente tenho recebido o bem e crescimento com o trabalho com as  entidade Exus e PombasGiras, principalmente proteção. Além de muitas e muitas verdadeiras aulas de aprendizado variado, durante os atendimentos e nas conversas que solicito orientação particular. 
Todos sem exceção me esclareceram, afastando-me gradualmente da ILUSÃO DO PODER. Nunca me pediram nada em troca, apenas exigem meu crescimento espiritual. 
Mostraram-me os perigos e ensinaram-me a reconhecer a falsidade, a ignorância e as fraquezas humanas. Obrigada as entidades com as quais trabalho na linha da esquerda. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Minha Umbanda é melhor do que a sua



O terreiro que você frequenta é melhor do que o meu, ou o meu é melhor do que o seu? Afinal, qual é o melhor terreiro para se frequentar?
Tais dúvidas já afrontaram diversos membros e frequentadores da Umbanda e muitos desses ainda acham, ou afirmam categoricamente, que a sua umbanda é a única e verdadeira.
Vamos analisar para entender quem está com a razão e, acredito que as afirmações abaixo valham para o terreiro de quem está lendo este texto.
O terreiro que frequento não pratica o mal e não deseja o mal de ninguém. Lá não é feito amarração para o amor e muito menos é feito magias para as pessoas ganharem na loteria ou afins. O respeito às pessoas é o mínimo exigido. Sempre que possível, é praticada a caridade de doação de materiais ou alimentos aos mais carentes. Os guias espirituais dão bons conselhos e enchem de luz e força o ambiente quando estão presentes. A natureza também é respeitada e as matas, cachoeiras, praias, pedreiras, campos floridos, lagos, lagoas, rios, vento, raio, chuva, estrelas, o sol e a lua, são considerados pontos de força sagrados. Nenhum animal é maltratado. Não há racismo ou exclusões sociais. As crianças e os idosos são benvindos.
Somente por esses poucos exemplos, consigo mostrar que o terreiro que frequento é bom e se o seu se encaixa na maioria dos itens, ele também é bom. Mas ainda não consegui responder qual umbanda é a melhor.
A umbanda, no geral, é baseada em outras fontes de crença: kardecismo, catolicismo, cultos africanos, neopaganismo, crenças indígenas (do Brasil), entre outras. Cada terreiro dosa mais ou menos cada uma dessas crenças e, por isso, há a diferença entre os terreiros. A umbanda de Omolokô e os chamados Umbandomblés, adotam mais os cultos africanos do que o kardecismo em seus rituais. Os mestres e as umbandas de jurema, lá do nordeste, incluem mais catolicismo e rituais indígenas do que o africanismo. A umbanda de mesa branca tem muito mais kardecismo em seus rituais do que as outras vertentes. Há terreiro que não canta para Orixá. Outros não cultuam Exú e Pombagira. Tem aquele terreiro que só faz oração e ladainha para os santos. O outro, não tem atabaques. Tem terreiro sem altar e tem também o que não tem tronqueira. Existe terreiro que sacraliza o Santo Daime, ou ayahuasca. Há, inclusive, terreiro de uma pessoa só.
Ora, se cada terreiro, ou umbanda, é diferente, de acordo o seguimento escolhido pelo sacerdote responsável, não existe maneira de dizer qual deles é melhor do que o outro, pois todos estão corretos, baseados naquilo que direcionam sua fé. A escolha de frequentar este ou aquele terreiro é de cada pessoa, também de acordo com sua crença e ideais. A umbanda, ou as umbandas, assim como as demais religiões refletem aquilo o que cada frequentador busca em sua vida, então o gostar de um templo, se identificar com ele ou não, pode representar o indivíduo se encontrando com um grupo que pensa e compreende a vida e o universo de maneira similar.
Então, se uma umbanda é diferente de outra, por causa de seus rituais, assim como seus frequentadores escolheram aquilo que é melhor para eles, não podemos afirmar, em nenhuma hipótese, que esta umbanda é melhor do que a outra, menos ainda, que este terreiro pratica a verdadeira umbanda e o outro não! Não existe uma única umbanda verdadeira, pois todas são verdadeiras! Isso é, inclusive, um paradoxo: essa umbanda é tão verdadeira quanto à outra, apesar de suas diferenças.
O ponto que quero chegar é o seguinte: tente, aos poucos, tirar o véu de competição que os homens carregam na frente de seus olhos. Tente ver e entender as diferenças, mantendo o devido respeito, e um novo horizonte se abrirá. Ao visitar um terreiro, que não o seu, não busque encontrar os erros e os problemas, mas procure ver as coisas boas que podem fazer por sua vida ou para a sua fé na umbanda; não critique se este parece ser kardecista ou se o outro se parece com o Candomblé; não duvide da opinião de um sobre a fundação, ou não, da Umbanda por Zélio Fernandino de Moraes, ou quem quer que seja. As diferenças entre as umbandas e o respeito entre elas é que fazem a Umbanda se tornar una. A única crença que talvez possa ser taxada de "errada" é aquela que não permite aos seus frequentadores o direito de saber seus fundamentos e intenções.

Você faz parte do seu terreiro?

Fazer Parte de um terreiro de Umbanda

Para você, o que significa "fazer parte de um terreiro"?

Se sua resposta for algo do tipo "É ir nas giras, incorporar, me dedicar e respeitar o congá", vocês está redondamente enganado.

Para explicar isso melhor, vamos quebrar a frase em duas partes e explicar cada uma delas.


  • Fazer parte = participar. Se você vai ao terreiro, você tem que ser ativo, tem que fazer de tudo para que aquela chama continue acesa, afinal é a sua casa espiritual, é o seu lar, sua escola e seu abrigo. Seja ativo! Não se esqueça de que o terreiro não deixa de existir após a gira, participe de todas as suas atividades, converse com seus irmãos, ensine quem está começando, aprenda em conjunto. Mais uma vez: seja ativo!

  • Terreiro = propósito. Já falamos várias vezes aqui que o terreiro não é um conjunto de paredes e um teto, terreiro não é um endereço. terreiro é o propósito que une as pessoas, que as tornam uma família. O propósito não deixa de existir entre uma sessão e outra, você não deixa de ser filho e irmão de santo entre os trabalhos. não é porque você vai à gira e incorpora muito bem, não é porque seus Guias estão bem desenvolvidos, que sua missão está cumprida, que suas obrigações para a manutenção do propósito estão reduzidas.
Fazer parte de m terreiro é, em suma, participar de um propósito, é fazê-lo acontecer. É ajudar, se preparar, treinar, estudar e - acima de tudo isso - compartilhar, ajudar seus irmãos.

Então não se limite a ir às giras, participe das atividades de seu terreiro. Não é porque você sabe cantar um os pontos, por exemplo, que você pode se recusar a ir em um encontro da casa cujo propósito é aprender a cantar. Não é porque sua aura está limpa, que você vai se recusar a ir em uma sessão de descarrego. E assim vai.

Participar é semear, não é colher e exibir os frutos.

Axé para vocês.