sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”

Quando comecei a frequentar um Terreiro de Umbanda, não posso negar que encarava a Linha dos Exus e Pombagiras com alguma desconfiança e até receio. As imagens com chifres, capas negras e até nudez, os altares com bebidas alcóolicas e charutos e tudo aquilo que ouvimos por aí é muito marcante e causa-nos uma ideia inicial pouco positiva. Foi assim comigo e sei que é assim com muita gente.
Antes da minha primeira Gira de Exu eu estava bastante ansiosa, sem saber direito o que esperar. Será que as entidades incorporadas seriam assustadoras como as imagens? Será que fariam trabalhos de amarração e de magia negativa? Será que nessas Giras incentivam a vingança e outras posturas imorais? Eram essas e muitas perguntas que me passavam pela mente.
Passando pela primeira Gira de Exu e por outras Giras posteriormente, percebi que os mitos que as pessoas criam por aí são absurdamente falsos. Vamos a eles (os mitos):
1 – Exus não são “demônios”
Sendo entidades de Umbanda, obviamente os Exus e Pombagiras são entidades que trabalham apenas para o bem e não sustentam trabalhos de magia negativa. O trabalho dos Exus consiste em aplicar a Lei Divina, ajudando a trazer para as nossas vidas as consequências daquilo que praticamos, seja para o bem ou para o mal. Os Exus não se vingam, não “aprontam”, não colocam o mal no caminho de ninguém; ajudam-nos a colher aquilo que plantamos, tanto para aprendermos com as experiências negativas como para crescermos com as nossas virtudes.
2 – O uso da bebida e do fumo não é para diversão
Já ouvi muitas vezes que os Exus e Pombagiras, quando incorporados, pedem sempre bebidas e fumo para sentirem os prazeres da vida carnal, dos quais sentem saudades. Mas isto não é bem assim: apesar de terem vivido encarnações na Terra, como nós, e de estarem próximos da nossa faixa vibratória, os Exus são espíritos certamente mais evoluídos do que nós que estamos aqui, agora, e por isso são nossos Guias espirituais, sendo que já não estão presos a estes “prazeres carnais”. O uso da bebida e do fumo nas Giras e nas oferendas visa possibilitar que os Exus manipulem a energia mais densa contida nestas substâncias para realizar o seu trabalho de limpeza, neutralização ou corte de magias negativas nos consulentes.
3 – Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”
As Giras de Esquerda podem sim ser mais descontraídas, pelo tipo de roupa que se usa, pela linguagem e risada dos Exus e Pombagiras e pelo uso, às vezes mais intenso, de bebidas alcóolicas. Por conta disso, vejo muitos umbandistas acharem que nestas Giras pode tudo, desde beber e fumar enquanto supostamente faz a sustentação energética dos trabalhos, até falar palavrão, dançar durante os Pontos como se estivessem numa discoteca e usar roupas exageradas ou vulgares. Estes comportamentos não são aceitáveis em outras Linhas de trabalho; por que, então, achar que o são nas Giras de Exu? O trabalho realizado nas Giras de Exu é tão sério como o que é realizado numa Gira de Caboclo, de Pretos Velhos ou qualquer outra Linha, e deve ser realizado com respeito, concentração e dedicação. Se não houver atenção a isto, há grande hipótese de as entidades presentes não serem verdadeiramente Exus e Pombagiras, mas sim espíritos zombeteiros que quererão, estes sim, aproveitar o fumo, o álcool e a energia de baixa vibração manifestada pelos médiuns e consulentes.
Cabe a nós, umbandistas, procurar informação correta e ajudar a derrubar estes mitos que criam sobre os Exus. Faça a sua parte!
Laroyê!
Texto de Juliana Silva.

           Umbanda e candomblé 

           conquistam jovens descolados no Brasil 

À esquerda, Andréa, artista plástica conectada a Iemanjá. Em casa, faz banhos e orações. À direita, Janaína, “filha de Omulu” e ativista pelos direitos da mulher negra (Foto: Rogério Assis)

Esqueça a imagem das pessoas angustiadas que procuram consolo para a dor da                          morte de parentes. Agora, jovens descolados deixam de ir à balada para celebrar                          os orixás, receber passes e fazer amigos. Conheça alguns dos novos frequentadores                      da umbanda e do candomblé


A artista plástica Andréa Tolaini não sabe o que fazer com sua bicicleta elétrica. O veículo foi um presente em forma de pedido de casamento e tem valor sentimental para a paulistana de 30 anos, mas a verdade é que ela prefere pedalar à moda antiga, sem a ajuda de motor. Do seu ateliê, no bairro do Butantã, em São Paulo, sai pelas novas ciclofaixas da metrópole para se reunir com os clientes que encomendam seus quadros, mandalas multicoloridas pintadas em telas grandes. Tem os horários fluidos, a rotina livre e uma profissão que parece lazer. Investe seu dinheiro em shows e viagens (a última para o Peru) e, nos fins de semana, recebe os amigos para uma feijoada vegetariana em sua casa, onde mora com um gato e dois cachorros. A porta ali está sempre aberta, já que Andréa não é adepta “da vibe portão elétrico e grades até o teto”.
Gosto da liberdade de fazer os ritos do meu jeito. Não me sinto obrigada a ir ao centro: vou quando tenho vontade"
Andréa Tolaini, artista plástica
Ao menos uma vez por mês, ela vai a um terreiro de umbanda. Diz que conversa com os espíritos, pede a eles conselhos para a vida e volta para casa com indicações práticas e rituais. “Faço orações de sete dias, banhos, limpezas e agradecimentos aos orixás”, conta. “Gosto da liberdade de fazer os ritos do meu jeito. Não me sinto obrigada a ir ao centro: vou quando tenho vontade.” Nascida numa família católica, Andréa não tinha contato com religião desde que saiu do colégio cristão onde estudava. Até que, em 2008, foi com uma amiga a um terreiro pela primeira vez. Logo de cara, diz que recebeu de um médium um recado sobre a morte da mãe, que viria a ser diagnosticada com um câncer terminal dali a poucas semanas. “A umbanda dialoga de forma simples e rápida com você, não tem nenhuma metáfora ou mensagem rebuscada”, afirma. A mãe morreu no ano seguinte. Desde então, ela procura ajuda dos guias, os espíritos que incorporam nos médiuns em dia de gira, como são chamadas as cerimônias, sempre que acha necessário. Foi assim quando quis largar a carreira de oito anos em empresas de publicidade para viver de sua arte.
Médiuns antes da gira em centro da Zona Sul de São Paulo (Foto: Rogério Assis)
Andréa faz parte de um grupo bem informado de jovens urbanos que trocou a crença familiar pela fé nas tradições africanas. É por causa de pessoas como ela que, nos dois últimos censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística), os frequentadores de cultos afro-brasileiros aparecem no topo do ranking de escolaridade: ficam em segundo lugar, atrás apenas de kardecistas e à frente decatólicos e evangélicos. São comunicadores, estudantes e criativos cujas escolhas de vida não combinam com grandes empresas mas, sim, com a liberdade de ir e vir. São membros da geração Y, essa nascida a partir da década de 80, urbana e conectada à internet, em que os psicólogos sociais identificam uma aversão clara à hierarquia e uma necessidade de se engajar em projetos com profundo significado pessoal.
Nasci numa família católica e gostava muito do convívio da igreja. Mas, com o passar dos anos, a missa foi perdendo intensidade para mim"
Rafael Mota, publicitário
O publicitário Rafael Mota, 27 anos, se sente completamente levado pelo ritual que, até três anos, desconhecia por completo. “É impossível não sentir a energia”, diz ele.Sua fé não vem de berço. Como a maioria dos atuais adeptos das religiões afro-brasileiras, Rafael se encantou por ela depois de adulto. “Nasci numa família católica e gostava muito do convívio da igreja. Mas, com o passar dos anos, a missa foi perdendo intensidade para mim. Aquilo não prendia mais a minha atenção .”
Ele foi pela primeira vez ao centro de umbanda por curiosidade, a convite de uma colega de trabalho. Já havia visitado templos budistas, igrejas messiânicas e evangélicas, e imaginava incluir na lista a mais caricata de suas experiências religiosas. “Mas, logo que entrei, vi que tinha imaginado tudo errado. Não havia imagens amedrontadoras nas paredes, nem galinhas mortas pelo chão.” Três semanas depois, não conseguia esquecer a boa sensação de estar naquele pátio, e assim voltou uma, duas, dezenas de vezes, até se tornar parte do time da casa. Segundo a umbanda, qualquer pessoa pode desenvolver a capacidade de intermediar o mundo dos espíritos com o nosso, e foi o que Rafael fez. “Aqui as relações são mais horizontais que na igreja católica, onde a hierarquia é mais de cima para baixo. Lá, o máximo de contato físico que você tem é beijar a mão do padre. Na umbanda, é difícil não sair abraçando meia dúzia. É como se o seu ego se dissolvesse no meio do grupo.”
À esquerda, Edi, o artesão que é “filho de Ogum”, orixá equivalente a São Jorge. À direita, Karen Keppe, 29, produtora cultural e “filha de Xangô”: “A umbanda é mais sincera” (Foto: Rogério Assis)
A umbanda e o candomblé, religiões que vêm atraindo o grupo, também têm umcódigo moral amplo, baseado na lei do retorno: fazer o bem para recebê-lo e evitar fazer o mal para não sofrê-lo. “Nos cultos africanos, bem e mal estão sempre juntos”, diz a produtora cultural e artista paulistana Karen Keppe, 29 anos, que teve o primeiro contato com o candomblé aos 22, ainda na faculdade de história. “Acho essa visão sincera, mais conectada com a realidade”, conclui. Hoje, frequenta um centro umbandista em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, onde não raro encontra pessoas de seu meio de trabalho, como músicos com quem colabora em festas hypadas no Centro paulistano. O local é próximo ao apartamento que ela divide com o namorado e um amigo. Ela trabalha em casa, onde estuda novas maneiras de produzir música, a partir de objetos inusitados como rodas de bicicleta e pequenos ventiladores. Pelas janelas, estão pendurados outros aparelhos curiosos: são sensores caseiros de qualidade do ar, desenvolvidos pelo namorado de Karen para um projeto que mapeia a poluição da cidade. A criação dos sensores foi feita com um programa de computador “aberto”, ou seja, o projeto está disponível na internet e pode ser copiado e replicado por quem quiser. Estamos falando de uma turma para quem a vida colaborativa faz mais sentido que a corporativa. Esse comportamento é muito típico dos jovens do século 21, como já havia apontado o sociólogo Michel Maffesoli, que se dedica a entender a pós-modernidade. “O indivíduo, que era a marca mais forte da era moderna, perde valor para a comunidade, o nós vence o eu”, diz o francês no livro O Tempo das Tribos: o Declínio do Individualismo nas Sociedades de Massa (Forense Universitária, 338 págs., R$ 75).
Nos cultos africanos, bem e mal estão sempre juntos"
Karen Keppe, produtora cultural e artista
Dentro desse contexto, é compreensível que a hierarquia horizontal da umbanda seja tão confortável para os novos adeptos. “Nunca me dei bem com chefe”, diz o designer paulistano Edi Marreiro, 33 anos, que, em suas palavras, optou por não fazer faculdade para “ter uma vida profissional mais variada”. No ano passado, deixou o trabalho como monitor de uma clínica de dependentes químicos para tornar-se designer e produzir objetos de decoração para a marca que criou com a namorada. Apesar do pouco tempo de empreitada, o casal já colhe os frutos e se sustenta com as vendas de seus produtos em um e-commerce, o Casa do Rouxinol.
Alto, com barba cheia e sete tatuagens espalhadas pelo corpo, Edi frequenta um terreiro no bairro do Morumbi, em São Paulo, e diz ter ampliado por lá até mesmo seus interesses mundanos. “Mudou a minha forma de encarar a música, os instrumentos. Antes, gostava só de rock e música eletrônica e agora gosto de percussão, de samba”, afirma. Seu envolvimento foi tão grande que se tornou ogã, um líder que canta e toca atabaque para que os espíritos possam trabalhar. Parte de suas tarefas é receber as pessoas que chegam pela primeira vez ao centro, e foi assim que conheceu a atual namorada, Raji Rajii, de 26 anos. Fora do terreiro, ele participa de um grupo de maracatu, o ritmo pernambucano que tem raízes na cultura dos escravos. Também é fã de músicos nacionais, como os rappers Emicida e Criolo.
Edi se prepara para as giras com alguns rituais: nas 24 horas que antecedem os trabalhos, não tem relações sexuais, não bebe álcool nem usa qualquer substância que possa alterar a consciência, e não come carne vermelha. Também toma um banho de sete ervas. A dedicação causa estranhamento nos amigos de fora da religião. “Tem quem olhe torto, mas não ligo.”
O branco é a cor ritualística nos terreiros (Foto: Rogério Assis)
A assistente social Janaína Grasso, 27 anos, adepta do candomblé, sabe bem como é driblar o preconceito e a intolerância religiosa. “Sou mulher, preta e baiana. Só por isso as pessoas já me chamam de macumbeira. Mas na minha religião ninguém orienta a amarrar marido ou fazer trabalhos para prejudicar os outros”, diz. Moradora do boêmio bairro da Vila Madalena, ela diz preferir as festas de rua que São Paulo oferece a locais que cobram entrada (“mais um jeito de segregar”). Na reta final do mestrado que analisa questões de gênero, ela ainda lidera o coletivo Em Alto e Bom Tom, focado no empoderamento de mulheres negras. Com uma amiga, ela monta exposições itinerantes de retratos de lindas jovens usando turbantes, cabelos afro, tranças e exibindo corpos suntuosos. As imagens visam dar mais confiança e suprir a falta de representação positiva de crianças e adolescentes afrodescendentes.
A umbanda, assim como o candomblé, tem três coisas boas da vida: música, dança e comida"
Reginaldo Prandi, sociólogo das religiões
Nas semanas em que conversou com a reportagem, Janaína faltou a uma festa importante do terreiro que frequenta, com muita música, rezas e oferendas, por causa da dissertação. No candomblé, as cerimônias são guiadas pelo pai de santo e os cantos são em iorubá ou outras línguas dos antigos escravos. Diferentemente da umbanda, quem se manifesta por meio dos médiuns são os orixás – e não espíritos antigos. Por fim, se o praticante tem uma questão particular a tratar, pede uma sessão individual com o pai ou a mãe de santo, que fará perguntas aos deuses pelo jogo de búzios. São consultas que nada lembram as confissões e punições da igreja católica ou as expurgações dos evangélicos pentecostais.
Para o sociólogo das religiões Reginaldo Prandi, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), o aspecto lúdico coloca os cultos africanos numa posição atraente para esses jovens. “A umbanda, assim como o candomblé, tem três coisas boas da vida: música, dança e comida”, resume. Além disso, a estética de cores fortes e contrastantes, rendas e ornamentos ricos, e a conexão com folhas, ondas do mar e flores ajudam a atrair novos adeptos, afirma o estudioso. “O mundo está questionando sua relação com a natureza e, nos grandes centros urbanos, são raros os momentos em que você fica com os pés no chão, em contato com tudo isso”, analisa. Essa turma antenada mostra que, hoje, nada é mais moderno do que buscar a paz nas coisas simples da vida.

Fiéis do candomblé  reforçam tradição 

na BA e reverenciam 

Oxalá no Bonfim

Lavagem na Basílica reuniu filhos e mães de santo em caminhada de 8 km.
Ao lado de católicos, fé e devoção ultrapassaram intolerância religiosa.


Mãe de santo abençoa fiel na porta da Igreja do Bonfim, após lavagem do adro, em Salvador (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Mãe de santo abençoa fiel na porta da Igreja do Bonfim, após lavagem do adro, em Salvador (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Oito quilômetros percorridos e a emoção de completar mais uma promessa feita ao Nosso Senhor Jesus do Bonfim. Nesta quinta-feira (14), fiéis do candomblé dividiram espaço com católicos para caminhar até a Colina Sagrada, em Salvador, ao som do samba de roda, batuques e fanfarras.
Como em uma festa de largo "andante", manifestações culturais de diversos cantos do estado. Roda de capoeira, boi bumbá e bandas de sopro somados aos milhares de baianos e turistas que acompanharam o cortejo das baianas até a Igreja do Bonfim.
Roda de capoeira chama atenção de fiéis durante percurso (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Roda de capoeira chama atenção de fiéis durante percurso (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Por volta das 8h, a caminhada dos católicos deixou a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e seguiu rumo ao templo. No meio do percurso, Dona Belmira Miranda, 76, esperava ansiosa o momento de acompanhar o desfile das mães e filhas de santo que participaram da lavagem do adro da Igreja do Bonfim.
"Desde criança que faço a caminhada. Sou Ekéde [cargo religioso da religião de matriz africana] do terreiro de Pai Márcio de Oyá. Há dez anos que venho ao cortejo com objetivo de reverenciar oxalá", diz orgulhosa.
Belmira também afirma que é católica e que nada a impede de seguir as duas religiões. "Sim, vou à missa sempre. Sou católica, do candomblé e sou 'feita' [referência a quem é filho de santo na religião afro-brasileira", diverte-se.
Dona Belmira Miranda, 76, é filha de santo e católica (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Dona Belmira Miranda, 76, é filha de santo e católica (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Entre olhares reflexivos, Dona Maria Isabel, 60, carregava uma quartinha [espécie de vaso] com flores e a típica água de cheiro para lavar o adro da Igreja do Bonfim como forma de pagar uma promessa.
Esse foi o primeiro ano que a filha de Oxum fez o trajeto da Igreja da Conceição da Praia até o Bonfim. Apesar de ser a primeira vez que fez o trajeto, Maria Isabel declarou que frequenta a festa desde criança.
Maria Isabel, 60, fez a caminhada pela primeira vez este ano (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Maria Isabel, 60, fez a caminhada pela primeira vez este ano (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Assim como ela, Dona Ana Maria dos Santos, de 65 anos, também participa da lavagem do Bonfim há algumas décadas. Há 12 anos, percorre os oito quilômetros com irreverência e muito samba no pé. Ao passar pelas ruas da Cidade Baixa, a filha de santo do Terreiro de Obaluaê chama atenção pela força de vontade.
A caminhada que faz há mais de uma década no dia da lavagem do Bonfim é para cumprir a promessa por ter parado de fumar. Ela ainda revelou o que leva a água de cheiro que as baianas carregam. "Coloca alfazema, arruda, macaça [folhas] e pronto", ensina.
Ana Maria dos Santos, de 65 anos, há 12 anos participa da festa (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Ana Maria dos Santos, de 65 anos, há 12 anos participa da festa (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
A mistura de sons que envolveu as milhares de pessoas que participaram do cortejo se destacou durante o percurso das ruas antigas da Cidade Baixa. Entre os grupos de samba de roda, o de Irará, cidade a 140 quilômetros de Salvador. Os mais de 30 integrantes se concentraram desde as 7h da manhã na porta da Igreja da Conceição e, acompanharam a caminhada até a Colina Sagrada, tradição mantida há mais de 30 anos.
Grupo de Samba de Roda de Irará participa há mais de 30 anos da lavagem do Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Grupo de Samba de Roda de Irará participa há mais de 30 anos da lavagem do Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Seguindo o cortejo das baianas, ao chegar até à Colina Sagrada, fiéis do Candomblé e da Igreja Católica disputaram espaço na porta da Igreja do Bonfim. O objetivo foi chegar até a grade e amarrar a fitinha do Bonfim para fazer os pedidos e agradecer. Além do ritual típico de ambas as religiões, mães de santo e pais de santo abençoavam aqueles que reverenciavam Oxalá, que no sincretismo religioso é o Senhor do Bonfim. 
Aos 66 anos, Maria da Penha faz a caminhada de oito quilômetros há oito anos. Natural de Recife, a filha de Oxum com Oxalá pediu paz para a família e distribuiu água de cheiro entre os fiéis que se aglomeraram na porta da igreja em busca de proteção. "Muita paz para meus filhos e todos vocês. O Candomblé é uma religião para Deus. É uma emoção muito grande para mim estar aqui e reverenciar meus orixás", agradece.
Maria da Penha, de 66 anos, natural de Recife, participa da festa há oito anos (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Maria da Penha, de 66 anos, natural de Recife, participa da festa há oito anos (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Após a prece final feita pelo padre Edson Menezes, reitor da Igreja do Bonfim, seguido de uma alvorada de fogos e do hino do Senhor do Bonfim na porta do templo católico, por volta das 12h15, foram entregues vassouras para que as baianas pudessem fazer a lavagem do adro da igreja.
O ponto alto da festa religiosa emocionou fiéis, que foram abençoados pelas devotas de Oxalá vestidas de baianas com muita água de cheiro. Como defendeu uma das filhas de santo que acompanhou a festa, Maria Isabel, se todo muçulmano vai a Meca uma vez ao ano, uma vez na vida o baiano tem que ir até a Colina Sagrada.
Turista se emociona com bênção de baiana na porta da igreja (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Turista se emociona com bênção de baiana na porta da igreja (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Água de cheiro é distribuída por baianas na porta da igreja do Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Água de cheiro é distribuída por baianas na porta da igreja do Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Bandas de sopro animaram o circuito de oito quilômetros até o Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Bandas de sopro animaram o circuito de oito quilômetros até o Bonfim (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Rua que dá acesso à colina sagrada é tomada por fiéis vestidos de branco (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Rua que dá acesso à colina sagrada é tomada por fiéis vestidos de branco (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Orquestra Reginaldo de Xangô participa há mais de 45 anos do cortejo (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Orquestra Reginaldo de Xangô participa há mais de 45 anos do cortejo (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Grupo folclórico de Lustosa também participou do cortejo até a colina sagrada (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Grupo folclórico de Lustosa também participou do cortejo até a colina sagrada (Foto: Danutta Rodrigues/G1)
Baiana desfila pelas ruas da Cidade Baixa para pedir proteção a Oxalá (Foto: Danutta Rodrigues/G1)Baiana desfila pelas ruas da Cidade Baixa para pedir proteção a Oxalá (Foto: Danutta Rodrigues/G1
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Resguardo do Médium 

de Incorporação




Dentro do trabalho mediúnico o médium de incorporação, se desgasta em sua nobre missão de levar o bem a cura a caridade, o desgaste do médium é grande e sua recuperação é mais lenta do que parece.

Quando o médium de incorporação abre o caminho de seus guias para que eles utilizem o seu corpo como meio de levar suas palavras e seus conhecimentos aos consulentes, não só suas palavras são utilizadas, mas também muita de sua energia vital. Também quando uma entidade sobe ou deixa o corpo do médium seja lá por qual seja o termo que você esteja mais acostumado a utilizar também ficam energias que dever ser novamente equilibradas.

Para que o médium de incorporação possa efetuar o seu trabalho de forma plena e que consiga manter uma linha de comunicação única com seus guias é necessário que o mesmo tome alguns cuidados.

Jejum é Fundamental
No dia do trabalho mediúnico o médium de incorporação deve se manter o mais limpo possível, para tanto o mesmo deve fazer alguns jejuns são eles:

*Carne Vermelha
Evite ao máximo consumir carne vermelha antes dos trabalhos de incorporação o ideal é que se passe pelo menos 24 horas sem consumir carne vermelha.

*Jejum Sexual
O médium de incorporação tem a obrigação de não manter relação sexual pelo menos 24 horas antes dos trabalhos, o ideal seria manter essa prática por pelo menos 48 horas. Numa relação sexual as energias são misturadas e cada um dos seres envolvidos, tanto o homem quanto a mulher ficam com uma vibração diferenciada depois do ato sexual.

*Bebida Alcoólica
De uma forma em geral o médium de incorporação tem como missão não fazer a utilização de álcool de forma excessiva, o correto mesmo é que o médium de incorporação nunca consuma álcool, já que essa droga age sobre a energia vital da pessoa e ainda deixa um cheiro por mais de 24horas exalando pelos seus poros, esse cheiro atrai espíritos de outras vibrações o que sempre fará muito mal para o médium de modo geral, sendo assim o médium de incorporação deve estar pelo menos a 48h sem consumir nenhum tipo de bebida alcoólica.


*Esteja Descasado e Concentrado.
Fazer um trabalho de meditação e de concentração é fundamental, já que em alguns casos os trabalhos podem durar várias horas e quanto mais dura essa incorporação mais energia é despendida por parte do médium, se possível no dia do trabalho mediúnico durma por pelo menos uma hora a mais, o correto seria fazer este descanso 3 horas antes do início do trabalho. Após acordar fique pelo menos mais uns vinte minutos se concentrando e meditando, consiga o máximo de aproximação possível dos seus guias.

Preserve suas energias na véspera e antevéspera.

O médium de incorporação já sabe que de um modo geral não deve frequentar lugares de baixa vibração como bares, boates e locais não próprios para a espiritualidade, sendo isso uma regra esse cuidado deve ser redobrado nos dois dias anteriores ao trabalho mediúnico. Frequentar esses lugares além de trazer grande atrapalho para a sua vida de um modo em geral ainda ira atrapalhar todo o seu desenvolvimento mediúnico próximo de um dia trabalho.

Além desses cuidados é também de fundamental importância tantos outros que a grande maioria já conhece, mas o importante de tudo é saber que um médium não deve fazer trabalhos de incorporação sem um descanso mínimo de 48 horas isso o preserva e manter suas vibrações em dia.

Siga esses conselhos, pois ajudam muito e mesmo os médiuns mais experientes podem as vezes esquecer de alguns deles e isso pode refletir no seu trabalho. E se isso refletir no seu trabalho os maiores prejudicados serão os consulentes que confiam naquela determinada entidade, mas seu médium não faz a parte dele.

Pense Nisso!

Deixe Fluir Naturalmente... Ser Médium



E agora? Sou médium.

Inicia-se uma jornada de aprendizado, prática, perseverança, desenvolvimento e principalmente, é um dos atributos que os médiuns mais deveriam prezar, mas acabam por esquecer, a calma, tranquilidade e principalmente a paciência.

Ninguém precisa correr contra o relógio. Uma vez eu estava trabalhando na grande casa que tenho muito carinho e respeito, que me acolheu em Curitiba / PR, o terreiro Pai Maneco, e incorporado com o amado Preto Velho com quem trabalho, deveríamos nos sentar do outro lado para iniciar os atendimentos, como médium consciente, lembro bem da situação, uma capitã da casa conduzia o Pai João ao seu lugar a passos normais, mas Pai João caminhava curvado, passo a passo, bem devagarinho, e a capitã com toda cordialidade disse ao Pai João: Vamos até ali, paizinho, e ele calmo e tranquilo, curvado como todo Pai Preto, devido ao peso da irradiação dos Orixás que imantam à esta corrente sorriu e completou: Não tenha pressa minha filha. A pressa é de vocês, não é nossa.

Exatamente. Estava certo o meu amado Pai João. Somos nós, seres humanos encarnados no plano material que temos pressa e necessidades que não são as mesmas dos espíritos.

O médium iniciante não vê a hora de começar a incorporar e faz de tudo para girar.

Claro que acaba por tropeçar em seus próprios passos e ao invés de deixar-se levar com a tranquilidade e aos passos lentos de um Pai Preto, coloca seu tempo cronológico à frente da manifestação mediúnica.

Basicamente, devemos ter em mente que hoje, grande parte das incorporações são conscientes ou semi-conscientes, com raros casos de apagão geral. Apagão geral, hoje em dia, só na rede eléctrica.

O médium consciente ou semi, também aprende com as orientações, conselhos, direcionamentos e com a sabedoria dos Exus, das formosas Pomba-Giras, dos Eres, dos Exus-Mirins, dos Caboclos, Marinheiros, Boiadeiros, Ciganos, , dos papais e mamães Pretos-Velhos.
Mais do que "atender" mediunicamente, o médium tem de olhar para dentro e ser uma pessoa melhor a cada dia. Porque não aproveitar os momentos de sabedoria dos mestres e guias espirituais para olhar para dentro de si, e corrigir aquele pensamento sombrio que ainda possa habitar o coração do médium?
Outro dia, um aluno meu de magia do fogo, que é médium disse: temos que trabalhar para nossos guias evoluírem.

Gente, entendo assim. Se eles são guias espirituais, eles tem uma missão e é com carinho que praticam a caridade. Nunca ouvi um guia dizendo: ai não. Não acredito que estou aqui de novo.

Claro que quando um guia espiritual atua em benefício de outro irmão encarnado ou não, ele também está caminhando em sua senda pessoal de evolução, mas, mais do que os guias espirituais "evoluírem", quem tem de evoluir, somos nós médiuns.
Para ser médium, não basta incorporar. Tem primeiro de se limpar. É isso mesmo, e não estou falando de tomar banhos, defumar, vestir o branco. Estou falando de limpar essa sujeira que habita nossos pensamentos, sentimentos, atitudes, ações, mente, corpo e coração.
As sujeiras astrais e energéticas adentram nossos corpos vibratórios e mediúnicos devido às nossas próprias sujeiras que são empurradas para debaixo do tapete. São os nossos próprios entulhos pessoais que fazem com que portas fiquem entre abertas e permitam que a sujeira externa entre e suje ainda mais, nossos próprios templos (corpo, mente, espírito).
Médium tem de levantar o tapete e recolher toda a sujeira. Não adianta recolher e colocar em sacos de lixo. Tem de recolher, colocar em sacos de lixo, e transmudar esse entulho todo em energias positivas, pois, se assim não o fizer, esse entulho voltará para dentro de nossos lares, mais hora, menos hora.
Médium tem de olhar para dentro e mais do que falar sobre reforma íntima, tem que praticar.

Quando está incorporando ou está incorporado, tem de anular seu mental e deixar fluir. Deve esquecer que lá está e que naquele momento tão específico e tão único, ele serve de meio e não é ele que deve pensar, manifestar-se ou agir naquele momento.
É isso mesmo. Médium tem de aprender a se anular por completo e ser sincero consigo mesmo e com o próximo.
O médium tem de honrar a roupa branca, tem de honrar com a responsabilidade e tem de se anular; deixar de ser ele mesmo, em seu corpo carnal, para deixar seus guias se manifestarem e realizarem todo o trabalho, pois ser médium, é ser um meio por onde os espíritos se manifestarão e auxiliarão seus semelhantes. Ao assumir a condição de médium, há de se assumir com responsabilidade e luz, a condição de ser MEIO e anular seu mental por uma, duas, três horas por semana. Se assim não for, será mistificação.
Médium é um ser, um espírito em evolução e como dizia o Caboclo das Sete Encruzilhadas, com os espíritos evoluídos aprenderemos. Médium não é um ser supremo e deve por obrigação entender e assimilar esta condição, e consequentemente, aprender, aprender e colocar todos os ensinamentos dos guias espirituais mais evoluídos, para dentro de seu coração.
Ninguém é melhor do que ninguém. Nem o dirigente espiritual é melhor, nem o médium, nem o mais rico, nem o mais pobre. Somos todos seres encarnados humanos, e se aqui estamos, é porque ainda temos muito a aprender e superar.
Quando não sente seu guia espiritual se aproximar e tomar as rédeas, o médium não deve sob nenhuma hipótese, fingir, mistificar, passar a frente e enrolar! Onde fica a responsabilidade? Onde ficam os ensinamentos dos guias se você assim o fizer? Se não incorporar, vá tomar um passe e fique ali na corrente, participando como elo de proteção e energia. Aproveite o momento para olhar para dentro de si e pesquisar o que lhe está acontecendo.
Simplesmente, deixe fluir.

Se não Fluir, pare o que está fazendo e vá consultar-se com um guia espiritual.
Para que a energia flua, para que o guia coloque-se em terra, o médium tem de se anular, esquecer que é um ser humano com problemas, com dívidas, com desejos, com vontades, com muito ou com pouco dinheiro.
Médium tem de ser dentro e fora do terreiro, um exemplo de conduta para si mesmo e para os seus semelhantes. Médium é médium dentro e fora do terreiro.
Quando está dentro do terreiro, sua responsabilidade é triplicada, é infinitamente maior, pois as pessoas que ali frequentam, não querem falar com você, mas sim, com seus guias espirituais.
Deixe fluir com responsabilidade, com firmeza e com a certeza que você também é um ser em evolução.

Não passe a frente. Não seja quem você não é.
Calma, tranquilidade, amor ao próximo, a si mesmo e principalmente aos amados Orixás são os principais atributos que um médium deve ter para consigo mesmo e para com seus guias espirituais.
Por Eduardo Dammroze - Itu / SP