terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Pomba-gira da vida

Mensagem de uma guardiã


Certa vez eu estava andando pelas ruas, a altas horas da madrugada, pensando na vida e nas coisas pertinentes a ela quando, perto de uma encruzilhada, uma imagem chamou sensivelmente minha atenção: era uma mulher extremamente bela, dessas de corpo perfeito, olhos esverdeados e cabelos negros, sedosos, ondulados e que chegavam à altura da cintura.
Confesso que com estes nossos tempos de violência desenfreada fiquei, primeiramente, muito preocupado com a segurança da moça que era mesmo extremamente linda, mas depois fiquei mesmo preocupado é com a minha segurança porque, afinal, e se a bela moça, poucos metros a minha frente, fosse a isca para uma armadilha de assalto? E se a moça fosse a própria assaltante? E se nós fôssemos vítimas de alguma violência? E se......
— ....Moço, por favor, não tenha medo pode se aproximar.
Eu estava realmente receoso de aceitar o convite e confesso que cheguei até mesmo a pensar em dar meia volta e sair correndo com todas as forças de meu ser, mas o seu olhar ao fazer o convite fora tão enfeitiçador que não pude resistir e acabei me aproximando.
Ao chegar mais perto ela me fez um convite minimamente inusitado pedindo que eu ficasse ao seu lado e aguardasse alguns instantes, porque em pouco tempo ela começaria a receber algumas pessoas.
“ Tô lascado meu Deus do céu”, foi o que pensei já imaginando que aquela mulher era dessas de vida fácil. Mas só foi eu pensar nisso que ela virou-se para mim e deu um sorriso tão maravilhoso com seus dentes alvos e sua boca perfeita que meu corpo, assim, começou a aquecer-se e a ficar todo arrepiado!!! Pode parecer até loucura, mas eu tinha a nítida sensação que ela podia ler os meus pensamentos.
Pensei em perguntar o seu nome não no intuito de paquerá-la já que sua imagem provocava em mim um tremendo respeito, mas sim com o intuito de iniciar algum tipo de entendimento, só que eu não conseguia por que qualquer olhar, sorriso, gesto ou fala que ela me direcionava despertava em meu emocional emoções tão reais, intensas e indescritíveis que, temendo explodir meu coração eu preferi silenciar.
— Está vendo moço, disse a bela mulher expulsando meus pensamentos, está chegando meu primeiro convidado; não se preocupe que todos aqueles que aqui vierem a ter comigo serão incapazes de lhe enxergar.
Eu balancei a cabeça assentindo que estava tudo bem, apesar de estar achando tudo muito estranho, e procurei ficar bem atento com a conversação que estava para se iniciar.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você está fazendo um curso pré-vestibular, mas de algumas semanas pra cá você não tem conseguido se concentrar nos estudos, certo?
— É, é isso mesmo!
— É só você ameaçar pegar os seus livros para estudar que você começa a sentir um sono terrível, não é?
— Sim, disse o jovem rapaz que não deveria ter mais do que dezessete anos.
— Olha moço eu estou autorizada a te dizer que você está com problemas nos campos do conhecimento e necessitado de estimulação nesta área, mas também que se você quiser melhorar eu tenho permissão pra te ajudar, tudo bem?
— Sim, tudo bem!
Neste momento a bela mulher fechou os olhos como se estivesse a fazer algum tipo de oração e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; então uma espécie de luz azul-claro bastante irradiante surgiu em suas mãos e ela as depositou em cima dos joelhos do jovem; este deu um suspiro profundo e, como se fosse feito de fumaça, desapareceu da minha frente.
A linda moça, então, colocou as duas mãos nos quadris e soltou uma gargalhada que arrepiou todo o meu corpo. Em breves instantes uma outra pessoa já se encontrava em frente da bela mulher, desta vez era uma pessoa do sexo feminino por volta de seus quarenta e cinco anos.
— Boa noite, moça !
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui comigo em busca de um equilíbrio na sua vida por que seu ex-marido está judicialmente tentando tirar de você a guarda de seu único filho, ou seja, um problema nos campos da justiça, certo?
— É isso mesmo!
— Tenho permissão para te ajudar, peço que feche os seus olhos e se concentre, tudo bem ?
E dizendo isto a bela mulher novamente fechou os olhos e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; e outra vez, após estas terem tomado uma coloração azulada, ela as colocou em cima do joelho da simpática dama. Esta também deu um suspiro e desapareceu diante de minhas vistas. Então a bela mulher soltou mais uma gargalhada e me pediu que prestasse bastante atenção porque naquela noite, por parte dela, eu só escutaria mais cinco gargalhadas. Eu assenti com a cabeça dizendo que sim e pude perceber que estava chegando mais uma pessoa, desta vez um homem com aproximadamente trinta anos.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui por que está se sentindo perdido na vida, sem senso de direção, ou seja, depois de tanto bater cabeça querendo que o Divino Criador fizesse a sua vontade você percebeu que tudo foi inútil e agora deseja submeter-se à vontade Dele, assim como também deseja que Este dê um rumo à sua vida resolvendo este problema nos campos da lei, certo?
— Sim, é isso!
— Bem moço, para sua felicidade eu tenho a permissão de te ajudar, feche os olhos, tudo bem?
Dizendo isso, novamente a bela mulher concentrou suas mãos tomadas de uma coloração azulada e as depositou em cima do joelho do rapaz; depois ela deu mais uma gargalhada e se ajeitou para conversar com a próxima pessoa que, por sua vez, era uma senhora com uns cinqüenta anos de idade.
— Boa noite, moça!
— Boa noite dona.....
— Apesar dos insistentes esforços em estar lhe esclarecendo você está aqui mais uma vez para reclamar sobre os membros da congregação religiosa a qual pertence e para, mais uma vez, dizer que a fofoca está demais e que está perdendo a fé porque não consegue entender como o Divino Criador pode permitir tanto ti-ti-ti dentro de uma Casa de Oração, certo?
— Sim!
— Este já é o décimo-primeiro templo religioso que você procurou para freqüentar em menos de doze meses, certo ?
— Certo.
— Bem moça, a ajuda que eu posso te oferecer é no sentido de estar desiludindo o seu sentido de religiosidade, de estar lhe esclarecendo o fato de que não existe a instituição religiosa perfeita porque perfeito só o é o Criador, tentando, assim,resolver este problema nos campos da fé, você aceita minha ajuda?
— Sim!!!
E a bela mulher depositou suas mãos coloridas de uma belo azul em cima do joelho da senhora com quem conversava para, logo depois de realizado este trabalho, soltar mais uma gargalhada.
Instante depois já estava à frente da bela mulher um senhor por volta de seus cinqüenta anos de idade, ela o cumprimentou:
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você tem tudo para estar feliz, não é moço? Dez anos de casamento, um belo filho, uma esposa dedicada, um ótimo emprego e dois belos carros. Contudo, já faz mais de dois anos que você tem a nítida impressão que sua vida está parada, não é? O que antes você fazia com prazer hoje você parece que faz obrigado. Mesmo não tendo deixado de gostar das coisas que você sempre gostou você tem a percepção de ter perdido por elas todo o apreço, não é?
— Sim!
— Olha moço, isto acontece com você porque você está apatizado nos campos da caridade. É necessário perceber que dar o conforto àqueles que amamos é importante, mas cuidar daqueles que são nossos irmãos por paternidade Divina é essencial para se alcançar o caminho da evolução que leva ao Divino Criador, você não acha?
— Sim!
— Deseja seguir o caminho da caridade?
— Sim!
— Então feche os olhos!
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos encantadoramente coloridas de azul em cima do joelho do senhor com que acabara de conversar e, logo após, soltou mais uma gargalhada.
Imediatamente apareceu à frente da bela mulher uma mocinha por volta de seus vinte e três anos de idade e que se encontrava com os olhos inchados e molhados de lágrimas.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Anime-se moça, depois de três longos anos parece que você recebeu a benção de ser mãe, não alimente a dúvida e a incredulidade, pois em pouco tempo você será agraciada com a oportunidade de estar gerando dentro de si a vida de um belo rebento. Estou aqui para dar início à preparação de seu corpo físico e espiritual, nas atribuições que me competem, para que você possa praticar o divino sacerdócio da maternidade, finalizando, assim, este problema nos campos da geração da vida, tudo bem?
— Sim!
— Então feche os olhos.
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos qualificadas com azul anil em cima do joelho da jovem; esta deu um suspiro profundo e, da mesma forma imediata que chegou ela foi-se. A bela mulher, então, colocou as duas mãos na cintura e deu mais uma gargalhada.
A seguir, a frente da bela mulher, surgiu uma pessoa do sexo feminino por volta de seus trinta e cinco anos.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Pois é moça, quanto sofrimento por um sujeito que, como homem, não mereceria nem o seu respeito quiçá um de seus maiores tesouros e de todas as mulheres que é o seu sentimento de amor. Não adianta você ficar insistindo em querer ficar voltando pra ele, ele está em sintonia com outras coisas, procure você sintonizar-se com o Criador. Insistir não vai adiantar nada, chorar também não; você precisa é agregar novos valores e conceitos em sua vida, principalmente em seu emocional, e será a partir deste acontecimento que você retomará seu equilíbrio emocional e evoluirá nos campos do amor, certo?
— Sim!
— O Divino Criador hoje lhe concedeu a oportunidade de estar readquirindo a paz em seu coração por meio de meus atributos e atribuições, e de assim ser resolvido este seu problema nos campos do amor, você assim deseja?
— Sim!
— Então feche os seus olhos.
Então, dizendo isto, a bela mulher depositou as suas mãos tomadas por uma tonalidade azul em cima do joelho da pessoa com quem conversava e esta, assim como todas as outras anteriores soltou um profundo suspiro e desapareceu. A bela mulher, assim, colocou suas mãos sobre a cintura e, pela sétima vez, pôs-se a gargalhar.
Então, instantaneamente, apesar de saber que ainda estava na encruzilhada, eu tive a sensação de que estava em um outro lugar. Tudo isto eu estava a pensar sem tirar os olhos dos belos olhos da bela mulher. Ela, então perguntou pra mim:
— Então moço, já descobriu quem eu sou?
— Sim, creio que a senhora é uma entidade da umbanda conhecida como Pomba-gira.
— Exatamente! E você sabe o que veio fazer aqui?
— Observar a senhora atender várias pessoas?
— Com que finalidade?
— Ah, isto eu não sei. Eu só sei que via a senhora esclarecendo as pessoas para depois oferecer a sua ajuda, digo, aquela que está no campo de suas atribuições e atributos. Daí então a senhora fechava os olhos, cruzava os dedos das mãos voltando-as para o solo e após elas ficarem azuis a senhora as depositava nos joelhos das pessoas. Agora a finalidade eu não sei por que não entendi o “lance” da cor azul.
— Bem moço, noto que você é curioso, mas vamos por partes: Primeiro, ao fechar os meus olhos, como você bem observou, eu evoco o mistério da linha de umbanda a qual eu estou fatorada; desta forma parte do meu mistério você percebeu como uma coloração azul opalina que viu em minhas mãos ao qual eu procuro honrar e trabalhar depositando-as em cima dos joelhos dos assistidos para que este meu mistério possa alcançar os chacras e sentidos que estiverem problemáticos.
— Mas por que a senhora trabalha na irradiação energética de parte de seus mistérios as pessoas através dos joelhos delas?
— Moço, não sou apenas eu, mas toda pomba-gira trabalha desta forma e isto se dá pelo fato dos joelhos serem a melhor porta de acesso para realizarmos nosso trabalho.
— Como assim?
— Bem moço, toda pomba-gira trabalha através do chacra básico das pessoas, porque ele é a porta de acesso mais direta para estarmos estimulando os chacras que estiverem mais necessitados, é por meio dele que podemos trabalhar os demais e os joelhos são a forma de contato mais prática de estarmos acessando o chacra básico, entendeu?
— Mais ou menos.
— Bem moço, vou te dar um exemplo. Você notou que uma das pessoas que eu assisti esta noite encontrava-se “com a vida ganha”, mas desmotivada de estar realizando as tarefas mais básicas de sua vida, certo?
— Sim.
— No caso desta pessoa a desmotivação era proveniente de sua apatia nos campos da caridade; ou seja, ela pouco realizava em benefício do próximo estando, assim, apatizado nos campos da evolução porque é a caridade a maior responsável pela evolução do espírito, certo?
— Sim.
— Pois bem, detectado o problema e tendo permissão do Criador para resolvê-lo eu poderia até evocar o meu mistério e impor diretamente minhas mãos em cima do chacra que é regido pela linha de umbanda responsável pela evolução, mas sendo eu uma Pomba-gira, ou seja, um espírito estimulador dos desejos e, de certa forma, até mesmo da vida, tendo em vista que sem desejos um ser humano não vive, nada mais pertinente para eu realizar o meu trabalho do que irradiar as minhas energias pelos joelhos do assistido, que é onde se reflete a energia do chacra responsável pelo sétimo sentido da criação Divina ou, se você quiser, o chacra da vida que é o chacra básico. Entende?
— Sim senhora.
— Após o chacra básico do assistido em questão ter absorvido a energia doada por mim este chacra conduz esta energia naturalmente para o chacra umbilical afim de que este irradie a energia de transmutação que foi por mim estimulada. Enfim, entenda que nós, as pomba-giras, temos a nossa forma de trabalho e devemos segui-la a risca se quisermos trabalhar pelo Criador junto à religião de umbanda, entendeu?
— Sim senhora!
— Bem, isto entendido deixe eu lhe explicar sobre a coloração de minhas mãos que, aliás, reside no fato de meu mistério estar fatorado na linha de umbanda que é responsável pela geração da vida então, quando eu evoco o mistério, junto com ele vem uma coloração que representa este mistério que, no caso, é a azul-claro, entendeu?
— Sim senhora. Isto quer dizer que as Pomba-giras irradiam uma energia estimuladora, é isso?
— Exatamente. Cada uma de nós irradia uma energia que estimulará aquilo que estiver dentro de nossos atributos e atribuições.
— Como assim?
— Isto varia bastante.
— Perdão? Não entendi!
— Você é curioso, não é moço?
— Sim senhora.
— Tentarei lhe esclarecer até onde você tenha condições de entender. Eu, por exemplo, sou uma Sete Ondas, ou seja, uma Pomba-gira que atua nas sete linhas regida pelo mistério Yemanjá logo, uma de minhas atribuições é estimular a geração nos sete sentidos da Criação Divina
Após responder esta ultima pergunta ela ficou fixamente olhando em meus olhos sem dizer absolutamente nada. Somente após um breve período foi que ela retomou o assunto:
— Moço está quase na minha hora e desejo ouvir de ti uma última pergunta antes de ir embora.
Fiz então a pergunta derradeira:
— Eu gostaria de saber por que até o momento que a senhora atendia a sétima pessoa eu via claramente que estava em uma encruzilhada ao passo que após o instante que você deu a sétima gargalhada eu, apesar de ver fisicamente que estou na encruzilhada, de alguma forma sinto como se não estivesse, por quê?
— Bem moço, eu só posso lhe dizer que antes do fim do atendimento da sétima pessoa nós estávamos na encruzilhada, que é meu ponto de atuação aí na terra, sem que eu precisasse sair de meu campo de atuação aqui no astral; após o término deste atendimento eu te trouxe no meu campo de atuação aqui no astral sem você precisar sair de meu campo de atuação no lado material.
Eu ia dizer a ela que não havia entendido a resposta, mas ela, parecendo estar novamente lendo meus pensamentos, ainda pôde me dizer.
— Sei que você não captou de forma global o que eu lhe respondi, moço. Mas não se preocupe com isso por que não vou ter nem mesmo a oportunidade de lhe responder. Só te peço um último favor: diga a quantos forem preciso que eu sou uma Pomba-gira da vida. Sim, diga a todos que eu existo! Existo para estimular, de acordo com a vontade do Divino Criador, em todos os seres necessitados a geração de energias que beneficiem os sete sentidos da criação divina. Diga a todos que quando de mim precisarem é só me evocarem que eu , de acordo com a permissão do Divino Criador, estarei em Seu santo nome e em nome da divina mãe Yemanjá a estimular a geração de conhecimento,justiça,lei,amor,fé,vida e evolução na vida e no lar de todos quantos a mim clamarem.Você pode fazer isso ?
— Sim!
— Boa noite, moço.
— Boa noite dona.....

A VERDADEIRA HUMILDADE

Mensagem de um preto-velho








Escrita por Pedro Rangel T. Sá

Estava eu em um terreiro de umbanda intensamente acolhedor participando de uma Gira de Preto-velho, preste a terminar, quando uma Entidade desta linha de trabalho umbandista convidou-me a sentar em sua frente.
— Saravá zifio! Suncê é o ultimo filho de Deus que Nêgo atende no dia de hoje, mas tem nada não né fio por que muitas vezes os últimos acabam sendo mesmo os primeiros, não é?
— É verdade Pai, mas é que eu não estou entendendo uma coisa.
— Calma fio, este Nêgo já escuta suncê, mas antes gostaria de lhe dar um presente.
— Presente?
— É fioNêgo pode?
— Por favor, meu Pai, fique à vontade!
— Pois então Nêgo pede que suncê jamais se esqueça que o presente é somente pro fio e que este presente é umas palavras que  escrita neste pedacinho de papel.
A Entidade estendeu sua destra para me entregar o papel e, quando fiz menção de abri-lo, disse para mim:
— FioNêgo pede a suncê que não abra este presente agora não senão ele vai ficar envergonhado.
— Sim senhor.
— Nêgo pede, antes, que suncê dê um presente a ele perguntando o que suncênão  entendendo.
— Bom meu Pai, o que eu não estou entendendo é que sempre que visito algum dos Senhores em alguns momentos do sono físico fico como se fosse um repórter: olhando e pesquisando tudo que me for permitido relatar posteriormente na forma de mensagens.
— E o que o fio não entende?
— É que, pelo o que eu estou entendendo o senhor vai me dar uma consulta, não é isso?
— Não fioNêgo só quer agradecer suncê!
— Ah, ta!
— Mas se Nêgo fosse dar uma consulta suncê ia achar ruim?
— Não. Eu só iria achar estranho e inusitado, pois isto, conscientemente, nunca aconteceu, antes, em um sonho.
— Fio, permita-se viver e descobrir as novidades e a dinâmica da vida sem transformá-las em uma fórmula. Não é por que algo nunca aconteceu com suncêantes que não poderia acontecer agora, certo?
— O senhor tem razão.
— Nunca queira dizer que sabe tudo da religião que suncê professa pelo fato de ver os fenômenos acontecerem sempre da mesma forma. Ponha-se sempre na condição de um eterno aprendiz.
— Sim senhor, perdão!
— Suncê não precisa pedir perdão não zifioNêgo é que tem de se desculpar por estar falando demais.
— O senhor não precisa pedir desculpas, pois é sempre bom eu estar relembrando esta questão da eterna aprendizagem sobre a umbanda a fim de que eu sempre possa estar exercitando a divina virtude da humildade.
— Nêgo pede perdão a suncê por que ele não gosta muito de falar, mas sim de escutar.
— Pôxa meu Pai, é uma pena por que eu não tenho nada para falar, mas sim para agradecer a Vossa lembrança na questão do eterno aprendizado umbandista.
— Então Nêgo se despede do fio pedindo a Zambi que ilumine e abençoesuncê em sua jornada e dizendo a fio que Nêgo é que sempre vai ter o que agradecer ao fio.
Eu nada respondi ao Pai velho. Fiquei pensando no agradecimento que Ele me fez e, acho que sem perceber, fiz algum tipo de careta que O fez retomar o diálogo comigo.
— Nêgo inté já se despediu de suncê zifio, mas jamais poderia ir embora vendo esta “careta” de interrogação no rosto do fio. Pode perguntar pra Nêgo fio!
— Sabe meu Pai velho é que não é bem uma pergunta.
— Então é o que zifio?
— É uma observação.
— Pode falar fio.
— É que eu agradeci o senhor por ter ressaltado para mim à importância do umbandista se considerar sempre como um eterno aprendiz e o senhor me agradeceu de volta dizendo que sempre vai ter o que me agradecer.
— E o fio não concorda com este agradecimento que Nêgo fez a suncê, não é isso?
E eu, meio sem graça, respondi:
— É meu pai.
— Sempre quando nóis acaba de atender um fio suncê já viu ele agradecer anóis e nóis agradecer a ele de volta, certo?
— Certo só que eu não entendo...
— ... calma zifio, se suncê não entende deixa Nêgo tentar explicar.
— Sim senhor.
— Fio, sempre que suncê vê um de nóis, preto-velhos, agradecer um fiadoquando o atendimento dele termina, lá no fundo, suncê fica pensando se nóis, na verdade, não estaria bajulando os zifios atendidos com o intuito de, através dessa bajulação, os zifios esquecer desta “imensa luz” que suncê diz que nóistem e nos igualar a eles, não é verdade?
Devo confessar que fiquei extremamente desconcertado com esta observação precisa da Entidade amiga, no entanto, eu o respondi:
— É verdade!
— FioNêgo gostou de sua sinceridade, mas imagine com Nêgo:
Imagine um doutor de branco de suncês ai da terra indo para o seu lugar de trabalho e, depois de tanta preparação na escola, não aparecer um fio de terra para ele atender. Passa um dia inteiro e não aparece um paciente, passa dez dias e nada, passa um mês e nada.
— Imaginou?
— Sim senhor!
— Então responde pra Nêgo: que mérito terá este doutor de terra quando tiver que prestar esclarecimento ao seu chefe sobre o seu trabalho?
— Nenhum.
— E esse doutor que nóis imaginou, vai ter chance de subir na profissão?
— Não senhor!
— Então suncê tá acabando de dizer pra Nêgo que só o conhecimento não leva a nada se, junto dele, não estiver à prática. È isso?
— Sim senhor!
— Então suncê tá começando a entender: um fio que vai ao doutor de terra jamais deve se sentir apenas um receptor da ajuda dele, ele deve se sentir também um doador de ajuda ao doutor de terra. Por que sem um doutor de terra os paciente continua com seus problemas, mas sem os paciente o doutor de terra perde a oportunidade de verificar a eficácia do seu aprendizado e, com isso, aperfeiçoar suas técnicas e evoluir nos seus atendimentos. Nêgo tá mentindo?
— Não senhor!
— Então porque suncê acha que nóis mentiria pra suncê ao agradecer o fiopela oportunidade de nóis tá praticando a caridade?
— .............
— Desculpe a franqueza de Nêgo, mas suncê precisa parar de ver ele como se fosse um espírito de luz que nada mais tenha a aprender e, consequentemente, evoluir.
— Mas os senhores são espíritos de luz.
— Não zifioNóis, como suncês, somos espíritos. A luz, que suncês diz quenóis tem, também é de suncês por que se não fosse o atendimento de nóis comsuncês, o aprendizado de nóis com suncêsnóis ainda estaria no breu da ignorância.
Ouvindo os comentários sábios da Entidade comecei a sentir o coração a “bater na boca”, uma lágrima a querer escorrer do canto de meus olhos e só pude responder:
— O senhor tem razão.
— Este Nêgo Véio pode falar o português errado, andar aos farrapos e bemdevagarinho, mas se tem uma coisa que nóis não faz é bajular quem quer que seja! Quando acaba um atendimento e nóis agradece aos fiadonóis agradecendo a oportunidade que aquele fiado tá nos dando de praticar a caridade e evoluir junto a Zambi nosso Pai. Porque esse fiado que foi atendido poderia ter muito bem procurado um outro Mano pra fazer atendedor, mas ofiado escolheu este Nêgo e Nêgo tem que agradecer porque se o fiado se consultasse com outro Mano era só o fiado que iria evoluir, pois Nêgo ia ter que ficar parado no mesmo lugar se não prestar atendimento aos zifiosnecessitados, suncê não concorda?
 Sim senhor.— Zifio, entenda uma coisa: humildade é uma coisa, falsa humildade é outra.
— Como assim?
— Humilde não é aquele fio que tem um potencial, uma luz, e a renega com medo de atrapalhar a visão de seus companheiros de jornada com o reflexo dessa luz. Este é o falso humilde, pois o próprio mestre Jesus disse: “Que brilhe a vossa luz!!!”. Humilde mesmo zifio é aquele fiado que procura, de alguma maneira, iluminar o caminho de seus irmãos compartilhando a sua luz, não apenas pela consciência da importância desta benfeitoria, mas também para que a luz que vem de Zambi também possa iluminar o caminho dele, pois o mestre Jesus, através de seus exemplos, também deixou bem claro que: “É dando que se recebe”.
— Quando este Nêgo agradece a suncês quando termina um atendedorsignifica que ele  procurando, de alguma forma, exercer a verdadeira humildade não apenas para iluminar o caminho dos zifios, mas também para ter um pouquinho do caminho dele alumiado com a luz que vem de Zambi nosso Pai. Sem suncês nóis não é nada. Entende zifio?
— Sim senhor!
— Na verdade zifio, quando Nêgo agradeceu suncê hoje ele viu uma luz que, ao clarear um pouco os seus caminhos, deixou a mostra uma pedra que está a obstruí-lo.
— Uma pedra?
— Exatamente. Mas o fio não se preocupe, pois o peso dela é do tamanho exato que suas forças podem remover.
— E que pedra seria essa?
— A pedra da desvalorização que o zifio tem por si próprio.
— Como???
— Por que suncê acha que quando Nêgo se despediu do fio dizendo que sempre ia ter muito que agradecer a suncê, o fio manifestou a descrença no sincero agradecimento de NêgoSuncê acha que é por falta de conhecimento seu sobre a nossa forma de trabalho? Pois Nêgo fala que não foi esse o causador da descrença! Nêgo fala que suncê não acreditou na sinceridade do agradecimento dele pelo fato de suncê não acreditar em si próprio. Aquele que não acredita em si próprio jamais poderá acreditar em alguém.
— Mas eu acredito no senhor.
— Quando o fio era curumim, apesar de diversas situações sinalizarem o oposto, o fio se achava feio por demais, certo?
— Certo.
— Por causa desta forma de pensar o fio pensava que jamais encontraria um rabo-de-saia pra namorico, não é verdade?
— Sim senhor.
— E quando foi que suncê arrumou um rabo-de-saia? Foi quando seus amigos falaram que suncê era capaz?
— Não.
— Então zifio, quando foi?
— Quando eu passei a acreditar em mim mesmo.
— E quando isto aconteceu suncê nem demorou a arranjar um rabo-de-saia. Não é verdade?
— Sim senhor.
— Pois então zifio este Nêgo fala pra suncê que foi este seu sentimento de inferioridade que fez o zifio duvidar da sinceridade do agradecimento dele asuncê.
— Como?
— O fato de suncê se achar inferior a Nêgo fez suncê duvidar da sinceridade do agradecimento dele ao zifio quando estava a se despedir.
— Mas eu não sou inferior ao senhor?
— Inferior em que zifio?
— Na elevação espiritual, por exemplo.
— Mas zifio, se Nêgo, ao longo de séculos, subiu um degrauzinho ou dois na escada da evolução Divina foi graças aos zifios que Zambi permitiu que ele auxiliasse!!! São as dificuldades que suncês passam na vida e que nóis tenta ajudar que fazem com que nóis, que suncês chama de Entidades, possa engatinhar na direção de ZambiNóis quer que suncês nunca tenha dificuldade, mas se o carma de suncês cobrar nóis tem o dever de auxiliarsuncês por que fazendo isso somos nóis mesmos que estaremos sendo ajudados.
— Como assim?
— Seu sentimento de inferioridade, por exemplo, nóis queria que ele não existisse mais, mas se ele existe e nóis consegue fazer com que suncêtransmute ele em auto-estima, nóis estaremos lhe ajudando, certo?
— Certo?
— E se suncê vence essa dificuldade e evolui, nóis também acabamos evoluindo, certo?
— Certo.
— Então suncê entendeu Nêgonóis não gosta de ver suncês triste e, sesuncês tiver merecedor, nóis vai fazer de tudo que for possível para transmutar este sentimento em alegria e, se suncês vence a tristeza e evoluem na direção de Zambi nóis também vamos evoluindo e, se suncês nos agradecer por isso,nóis também temos o dever de fazer o mesmo, pois quando suncês evolui, nóistambém evoluímos, entendeu?
— Sim senhor.
— Nêgo fica feliz com seu entendimento, mas Nêgo quer perguntar pro fio sesuncê pode fazer um favor pra ele.
— Com certeza!!!
— Então Nêgo pede pra suncê dizer a todos os seus irmãos umbandistas quenóis, que suncês chama de Entidades, temos para com eles uma divida eterna de gratidão que nos faz agradece-los ao término de cada atendimento e trabalho espiritual que realizamos em favor do próximo.
— Divida? Qual divida?
— A divida da eterna gratidão por eles auxiliar a nóis em nossa evolução rumo a Zambi nosso Pai.
— Pode deixar que eu o farei querido Pai velho.
— Então este Nêgo pode se despedir de suncê outra vez em forma de agradecimento?
— O senhor não precisa nem pedir!
— Não preciso porque agora suncê entende o agradecimento?
E eu, com os olhos cheios de lágrimas, respondi:
— Não. Não precisa porque o senhor mora no fundo do meu coração!
Ao contrário do que pensei o Preto-velho nada respondeu em relação a minha sincera manifestação de amor a Ele. Eu achei até estranho por que sei que esta linha de trabalho da umbanda é extremamente atenciosa e afetuosa, mas o Pai velho, com um sorriso enigmático na face, apenas despediu-se dizendo:
— Fique na força e na luz de Zambi, nosso Pai!!!
E eu O respondi:
— Que assim seja!!!
Após esta despedida a gira de preto-velho acabou e eu, no entanto, ao invés de retornar ao corpo físico, fiquei ali parado sem entender por que a Entidade nada me respondeu em relação a minha manifestação de carinho. Na verdade, eu já estava começando a querer ressuscitar até o meu antigo problema de inferioridade, querendo pensar que a Entidade nada me respondeu pela minha inferioridade moral e espiritual em relação a Ela. Foi quando, ao apalpar o bolso direito de minha calça eu senti um volume sutil e me lembrei do presente que o Pai velho havia me ofertado.
Sem mais demoras eu abri o pedaço de papel que se encontrava dobrado e pude ler:
“Pare de se sentir inferior zifioNêgo nada respondeu pessoalmente a sua manifestação sincera e pungente de carinho por que Nêgo já havia dado este presente pra suncê e se Nêgo falasse alguma coisa ia acabar estragando a sua surpresa e, se isto acontecesse, suncê poderia ficar até mesmo triste, justamente o que este Nêgo não quer, ele quer é ver suncê feliz.
Como suncê  observando existe uma parte desta mensagem em que, aparentemente, não existe nada escrito.
Concentre-se de olhos abertos e segurando com as duas mãos este papel, próximo a região onde se encontra o seu coração, em todo o amor que suncêsente por suncê mesmo que o zifio acabará encontrando, aqui mesmo nessa parte em branco da mensagem, o presente de eu pra suncê
Achei inusitado o pedido de concentrar-me de olhos abertos, mas sem questionar fiz o que me foi determinado e o que aconteceu depois beira o indescritível de tão surreal: ao aproximar mediamente o papel do meio do meu tórax, concentrando-me no amor solicitado pela Entidade, eu vi uma energia sair do bilhete e formar uma bola de luz violeta que levitou até a altura acima da minha cabeça para depois adentra-la e, quando isto ocorreu, eu percebi que todo o meu tórax estava irradiando uma coloração rósea que, ao alcançar o papel, fez com que este deixasse a mostra, na região que antes parecia não haver nada escrito, letras que formavam uma mensagem que o Pai velho havia deixado pra mim:
“Não se preocupe com a cor rosa saindo do seu tórax por que ela só significa que a luz da transmutação violeta que Nêgo Véio deixou de presente pra suncêneste pedaço de papel conseguiu transformar seu sentimento de inferioridade, devido à falta de amor por si mesmo, em auto-respeito e, somente porque isto aconteceu foi que suncê conseguiu ler este pedaço da mensagem que aparentemente estava em branco; por que somente quando se ama a si próprio, um ser humano tem verdadeira capacidade de amar o próximo e de enxergar todo o amor que este tem a lhe ofertar, por exemplo, na forma de um presente. Suncêdiz que ama Nêgo e eu fico muito feliz, mas nunca esqueça de amar a si próprio, pois só assim Nêgo consegue sentir com mais intensidade todo esse seu amor.Suncê vive a recordar que não é superior a ninguém, só não esqueça de se lembrar que também não é inferior. Por ultimo, este Nêgo só tem uma coisa a mais pra dizer a suncêsuncê também mora no mais recôndito lugar do coração deste Nêgo Véio!!!.”
Nem preciso dizer que despertei em minha cama aos prantos, mas penso que, esteja onde estiver, o Pai velho do meu sonho está muito ditoso com a origem do meu pranto: uma renovada e consciente sensação de gratidão a Deus pelo sonho transmutador que acabara de ter com os amados e inestimáveis preto-velhos.


Saravá ao Divino trono da evolução!!!
Saravá a divina linha de trabalho deste Divino trono!!!
Saravá a transmutação!!!!

Lições sinceras de um Caboclo

Ditado pelo sr. caboclo sete estrelas



Em um determinado dia que não sei precisar fui convidado por um amigo espiritual a visitar, em três ocasiões, um templo de umbanda que me é intensamente particular.
Fui então volitando com a entidade amiga até descermos em direção ao portão de entrada do terreiro; o amigo espiritual olhou assim para mim e disse:
— Companheiro, antes de entrarmos neste templo religioso é muito importante que eu lhe explique algumas coisas, tudo bem?
— Sim senhor.
— Primeiramente acho que é desnecessário informar o fato de que a identidade deste templo deve ficar sob sigilo.
— Sim senhor.
— Peço-te anonimato apenas pelo fato deste templo religioso não ser o melhor ou o pior terreiro de umbanda existente no solo brasileiro, mas tão somente por situações extremadas que acontecem dentro dele não serem exclusivamente específicas a ele, está entendendo?
— Sim senhor
— O outro fato que desejo lhe comunicar é que esta será a primeira de uma série de três visitas que nós faremos a esta instituição religiosa.
— Verdade?
— Certamente. Penso que ao fim de nossa terceira visitação você estará preparado para deixar em escrito para seus irmãos de fé uma preciosa advertência para que possam alcançar verdadeiramente a evolução moral e espiritual nos respectivos terreiros que estes freqüentam regularmente. Peço-te respeito, fé e bastante equilíbrio tanto emocional quanto mental.
— Sim senhor, procurarei fazer o meu melhor.
— Então entremos.
E dizendo isto a entidade espiritual foi adentrando o templo, mas não sem antes fazer a saudação que todos os Srs. Caboclos fazem ao avistarem os guardiões das tronqueiras de um terreiro de umbanda. Eu também os saudei à minha forma pedindo proteção e força para os trabalhos que aconteceriam naquela noite. Na realidade eu estava achando estranho o fato de não haver uma única luz acesa no terreiro bem como a total ausência de médiuns encarnados, olhei, então, assustado para a entidade amiga e foi quando ela esclareceu-me:
— Hoje, neste terreiro, não haverá gira companheiro.
— Como?
— Se não vai haver gira você, então, quer saber por que foi trazido até aqui, não é verdade?
— Se tivesse como eu gostaria sim senhor!
— Mas eu gostaria que, primeiramente, você pudesse ver.
E dizendo isto o Sr. Caboclo depositou por alguns segundos a sua destra em minha fronte. Ao retirá-la espantei-me imediatamente porque as lâmpadas físicas do templo estavam apagadas, mas mesmo assim com a claridade que eu via no terreiro era como se elas estivessem acesas.
— Não se espante com isto companheiro, na cópia etérea deste templo as luzes realmente estão acesas.
Eu fiz uma careta de interrogação e já ia me pronunciar a respeito quando escutei, respeitosamente, sua voz a dizer-me:
— Não se preocupe com isto companheiro procure, antes, concentrar-se para enxergar aquilo que realmente importa ser visto esta noite, pois, afinal, foi para isto que coloquei minha destra em sua fronte: para clarear sua visão espiritual.
— Sim senhor. Vou seguir agora mesmo Vossa determinação.
E passado alguns segundos eu pude ver e, o que eu vi, me fez pensar que estava participando de algum filme de terror: as paredes do terreiro estavam todas recobertas por uma espécie de gosma marrom-enegrecida por onde rastejavam alguns tipos de larvas e vermes, flutuando por todo o terreiro havia uma fumaça preta e tênue e eu, já bastante assustado, exclamei:
— Meu Deus que coisa nojenta e horrível!!!
— Calma companheiro, existem coisas piores.
— Impossível, nada pode ser pior que ver isto.
— Não? Então me deixe dilatar sua percepção olfativa!
Olhei para ele com os olhos assustados e foi ai que ele mostrou o esboço de um sorriso na face e esclareceu-me prestimoso:
— Não se assuste, não há necessidade de fazê-lo sentir o cheiro terrivel de enxofre eu apenas aventei a possibilidade para que vocês, encarnados, nunca se desesperem e digam, no desespero, que uma determinada situação jamais poderá ficar pior ou melhor. Tudo e qualquer coisa sempre pode ficar pior ou melhor, só depende das escolhas que vocês façam na vida, entende?
— Sim senhor!!!
— Você está assustado com o que está vendo, não é verdade?
— Totalmente.
— Felizmente eu não posso lhe ajudar.
— Felizmente??????
— Isto. Sabe por quê?
— Não senhor.
— Você sabe que a luz afasta as trevas, certo?
— Certo.
— Mas você já viu isto alguma vez?
— Não.
— Então apenas observe.
Quando a entidade disse isto eu comecei a ver e o que eu vi e ouvi é quase indescritível: passei a escutar intensos e incontáveis assobios e bater de palmas ritmadas como se houvessem dezenas de pares de mãos invisíveis aos meus olhos, instantes depois eu comecei a sentir um forte odor de terra como se estivesse dentro de uma mata, notei então que na região central do terreiro eu passei a ver um tipo de portal na coloração laranja com a forma de um circulo abrindo lentamente e de maneira centrifuga, do interior deste portal saiam pequenos e incontáveis seres de fogo que retiraram toda a gosma da parede e que atraíram toda a fumaça para dentro do portal, após tudo isto, da mesma forma que vieram, estes seres se foram e portal fechou-se imediatamente. Não consegui segurar o assombro e disse:
— Meu Deus do céu!!!!
— O que foi companheiro?
— O senhor poderia me dizer o que foi que acabou de acontecer por aqui?
— Simples companheiro: o terreiro estava sujo e agora não está mais e é só o que devo lhe informar.
— Eu poderia saber quais foram os “lixeiros” que o auxiliaram a limpar a sujeira? Digo isto porque eu pude escutar vários bater de palmas e assobios instantes antes da limpeza, mas não pude enxergar quem estava a fazê-los.
— Olhe companheiro, agradeça a Deus por tudo que você pôde ver, pois foi tudo aquilo que o seu merecimento lhe facultou a enxergar.
Entendi o recado velado da entidade espiritual e respondi:
— Sim senhor, sempre hei de agradecê-lo, perdão pela curiosidade.
— Não há nada que perdoar companheiro a curiosidade , quando bem administrada, sempre há de ser um bem. Não se entristeça, sei da sua intensa curiosidade e lhe digo que posso esclarecer-lhe em coisas que você precisa saber em relação à noite de hoje.
— Preciso?
— Exatamente.
— Então, fique a vontade para esclarecer-me, prometo calar minha curiosidade e focar toda minha atenção para escutá-lo.
— O que vem antes do esclarecimento?
— A dúvida.
— E qual é a sua dúvida?
— Mas eu não sei o que o senhor pode responder para mim!
— Fácil, pergunte sobre a primeira dúvida que lhe ocorreu assim que entramos neste templo sagrado.
— Ah tá!!! A primeira dúvida que surgiu a minha mente foi: que gosma nojenta é esta pelas paredes?
— Esta é uma questão que posso lhe responder, mas também não seria interessante saber como ela veio parar por aqui?
— É verdade!!!
— Mas vamos por partes: primeiramente gostaria de fazer-lhe uma pergunta, posso?
— Sim senhor!!! Fique a vontade!!!
— Então companheiro diga-me qual seria a melhor forma de você prevenir-se contra uma gripe?
— Uma gripe?
— Exatamente. Por acaso a melhor forma seria afastar-se das pessoas que se encontram gripadas?
— Penso que não porque vivemos em sociedade nos relacionando constantemente com outros seres humanos com que, muitas vezes, somos forçados a conviver como vizinhos, amigos, colegas de trabalho, irmãos de fé, etc.
— Sendo assim, qual a melhor forma profilática contra a gripe?
— Penso que seria a prática regular de atividades físicas e a ingestão constante de vitamina C.
— E eu lhe digo que a resposta está correta companheiro e penso que esta sua resposta responde tua pergunta relativa à gosma negra.
— Como assim?
— Todo terreiro de umbanda é um hospital certo?
— Certo.
— E o que acontece com um hospital se ele começar a receber pacientes com moléstias altamente contagiosas e relaxar com a profilaxia em relação a estas?
— Contaminação geral.
— Perfeitamente. Então, neste terreiro onde estamos, que sei lhe é particular, estão relaxando com a profilaxia contra algumas doenças da alma.
— Doenças da alma?
— É companheiro, enfermidades morais.
— Como assim? O senhor está querendo me dizer que o corpo mediúnico desta casa de caridade não está junto para trabalhar com sinergia e evitar que as enfermidades morais da assistência causem malefícios aos médiuns?
— E quem disse a você que o vetor destas enfermidades morais é a assistência deste templo sagrado?
— Então o senhor está querendo dizer para mim que os médiuns da casa, ou seja, aqueles que deveriam auxiliar as entidades espirituais na prática da caridade contra doenças morais, são os mesmos que as estão transmitindo?
— Exatamente.
— Deus do céu, o que é isso Jesus?
— Isto não é Jesus companheiro, isto é o ser humano. Entenda que Jesus está nesta casa de caridade que faz o bem, que auxilia o próximo de forma gratuita e consistente, mas Jesus promove a luz e são a grande maioria dos médiuns deste terreiro que praticam a caridade, os mesmos que chegam a ofuscar esta luz contaminando seus irmãos de fé com a mais severa das moléstias da alma.
— E qual seria ela: o orgulho, o egoísmo, a avareza?
— Não companheiro, a mais terrível destas moléstias é aquela que se propaga mais facilmente e, assim, adoece aos médiuns com mais rapidez e profundidade: a fofoca.
— O que? Aquela gosma nojenta e aquela fumaça negra que estava presente neste terreiro quando aqui chegamos foram causadas por fofocas?
— A fofoca, a maledicência, as formas-pensamento presentes na psicosfera dos médiuns, entre outros, podem enlamear e derrubar todo e qualquer terreiro.
— Mas a fofoca me parece pouco para derrubar uma casa de caridade que promove o bem.
— Responda-me uma coisa: meia dúzia de cupins pode parecer pouco para derrubar uma casa de madeira, mas se estes seis não forem exterminados proliferarão e farão com que a bela casa um dia venha a pique, não é verdade?
— O senhor tem razão, entendi aonde quer chegar, mas porque o sacerdote deste templo não toma alguma medida de urgência para acabar com este mal de forma consistente?
— Por quê? Esta pergunta está ligada ao objetivo principal da sua segunda visitação a este terreiro. Espero o seu retorno em dois dias.
Queria ainda perguntar uma coisa ou outra, mas não teve jeito, somente dois dias depois, e era uma quarta-feira, foi que eu retornei a mesma casa de caridade e encontrei a entidade espiritual que tanta coisa me esclarecera na visitação anterior. Ele estava na porta do templo a me receber.
— Salve Tupã, nosso pai maior!!! Que bom que você pôde retornar para esta visitação, mas antes de adentrarmos o templo responda-me: qual foi mesmo o motivo de sua primeira visitação?
Pensei bastante antes de responder e me pronunciei:
— Penso que foi observar até que ponto uma terrível doença moral como a fofoca pode trazer tantos malefícios a uma casa de caridade, seja ela de qual religião for, acrescentei.
— Muito bem companheiro!!! Vejo que a primeira visitação foi bastante proveitosa para você, mas antes de observar, com fins de estudo, os acontecimentos desta noite, acho importante lhe esclarecer um motivo oculto de sua primeira visitação que está intrinsecamente ligado à visita da noite de hoje.
— Motivo oculto?
— Sim. Você sabe por que houve todo aquele ritual de limpeza energética, e etérica deste terreiro na sua primeira visitação?
— Não senhor.
— Para preparar esta casa de caridade para a reunião desta noite.
— Mas esta noite haverá reunião na casa? Por que então eu só estou vendo menos de uma dezena de médiuns dentro dela?
— Por que hoje acontecerá uma espécie de reunião especifica e fechada para certos médiuns.
— Certos médiuns?
— Sim, médiuns responsáveis pelo controle, pela administração, pelo bom andamento na parte física das reuniões religiosas deste templo.
— Na parte física?
— Sim, pois em toda reunião em qualquer casa umbandista há sempre uma parte da reunião que acontece na parte física do templo, enquanto outra acontece no plano espiritual.
— Entendo. Eu poderia saber o motivo desta reunião?
— Sim. O dirigente espiritual da casa, “incorporado” em seu médium, está juntamente com outros seis médiuns não “incorporados”, tanto para deliberar diretrizes a respeito do novo ano religioso do terreiro que está para se iniciar daqui a três dias, quanto para escutar deles informações relativas ao comportamento do corpo mediúnico dentro do terreiro no ano que se passou.Entendido?
— Sim senhor!
— Então venha que os trabalhos estão prestes a começar!!!
Atendi a determinação da entidade instantaneamente e pude observar que a reunião, de fato, iria começar naquele momento.
A entidade colocou a destra em minha fronte e, à medida que a reunião prosseguia, eu comecei a ver situações que beiram o surreal e com um fator comum em todas elas: é que em determinadas situações aparecia um tipo de névoa preta na região acima da cabeça do médium que conversava com o Sr. Preto-velho que é o dirigente espiritual daquele terreiro. Assustado, olhei ao lado e perguntei a entidade que estava a me acompanhar que névoa enegrecida era aquela e sua resposta assustou-me ainda mais:
— Fofoca.
— Como?
— Fofoca companheiro, firme sua visão na névoa negra da médium que está a conversar neste instante com o dirigente espiritual da casa e você compreenderá o que digo.
Passei a fazer o que me foi determinado e, após alguns minutos, tudo se esclareceu: a névoa negra que estava um pouco acima da cabeça da médium que estava conversando com o Sr. preto-velho em questão começou a transmitir imagens como se fosse uma espécie de televisão de dez polegadas.
Nestas imagens eu via uma outra médium contando para esta em questão uma determinada situação inverídica a respeito de um médium daquela casa.
Assustei-me novamente com o que vi e perguntei a entidade que estava a acompanhar-me:
— Mas e o Sr. Preto-velho dirigente desta casa? Por acaso ele não sabe que estão lhe passando informações que são um monte de calúnias e fofocas, sejam elas propositais ou não?
— Acontece que os médiuns não estão contando só calunias para a entidade-chefe.
— O senhor está correto, mas a cada vez que a calúnia acontece esta névoa negra surge acima da cabeça deles, será que a entidade-chefe não pode ver as calúnias e fofocas que estão lhe contando?
— A maioria delas sim, mas muitas outras não.
— Mas porque não?
— Os motivos são variados e variáveis, mas eu posso lhe falar apenas dois entre estes. O primeiro motivo reside no fato de toda entidade espiritual ser uma parte de Deus e não o próprio Deus.
— Como assim?
— Somente Deus é onisciente e, portanto, somente Ele sabe de todas as coisas.
— Entendo o que o Sr quer dizer, mas qual é o segundo motivo?
— Uma grave enfermidade moral que o sacerdote deste templo possui e que, muitas vezes, embaça o seu bom-senso. Uma enfermidade filha do ódio conhecida como rancor.
— O sacerdote é rancoroso, é isso?
— Exatamente e extremamente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
— Mas se a fofoca faz com que esta casa de caridade fique com um aspecto espiritual tão asqueroso como presenciei há dois dias e se o sacerdote dela, além de ter o extremo rancor como conselheiro, tem como fiéis “escudeiros” médiuns com a enfermidade moral da fofoca em estágio avançado isto só pode significar que esta casa de caridade está em vias de entrar em extinção, infelizmente eu estou certo?
— De forma alguma!!!
— Não?
— Não!!!
— Mas não foi o Sr. Quem disse que meia dúzia de cupins, com o tempo, podem acabar com uma casa feita totalmente de madeira?
— Isto eu realmente disse, acontece que este terreiro não é formado apenas por “médiuns-cupins”, aqui também existem “médiuns-formigas”.
— “Médiuns-formigas”?
— Sim. Aqueles médiuns simples, humildes que quase não são notados, médiuns pequeninos em vaidade e que procuram trabalhar em conjunto com vistas ao bem maior que é a caridade.
E eu, sensivelmente emocionado, respondi:
— Acho que entendo o que o senhor quer dizer.
— “Médiuns-formigas”, enfim, são aqueles que, como disse um mano meu em uma certa prece, “ estão na umbanda pela umbanda, na confiança pela razão, são também trabalhadores silenciosos cujas ferramentas chamam-se DOM e FÈ, e cujos ‘salários’ de cada noite são pagos com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra a INGRATIDÃO”.
— Estou entendendo.
— Enquanto aqui nesta casa de religião houver “médiuns-formigas” esta casa jamais cairá.
— Eu até entendo isto que o Sr. me diz, mas a enfermidade moral da fofoca está contaminando a muitos aqui neste terreiro, o Sr. não acha?
— Acho e é justamente por isso que você retornará aqui em espírito pela terceira e ultima vez daqui a três dias às dezesseis horas para participar da gira inaugural deste ano que acabou de começar, estamos entendidos?
— Sim senhor.
— Então vá na força e na luz de Tupã Todo-poderoso.
Três dias depois, em uma tarde ensolarada, lá estava eu naquela casa de caridade com a entidade amiga que me acompanhou nas duas visitações anteriores a esperar-me na porta de entrada do templo.
— É muito bom vê-lo tão disposto para desempenhar a tarefa de hoje!!!
Eu olhei um tanto receoso para ele e foi nisso que eu o ouvi dizer:
— Não precisa se preocupar companheiro, hoje você não verá gosma nojenta e nem telas mentais assustadoras.
— Não?
Perguntei eu num misto de alegria e alivio para ouvi-lo responder novamente com o esboço de um sorriso no rosto:
— Não. Sua tarefa nesta tarde também está ligada intrinsecamente com as das duas visitações anteriores e consiste em anotar textualmente, para depois deixar de amostra para seus irmãos de fé, a palestra que o Sr. Caboclo que chefia os trabalhos deste templo ministrará para todos os aqui presentes no dia de hoje.
— Sim senhor.
— Perpetue esta palestra de hoje porque ela sempre haverá de ser, na força de Tupã iluminado, um ótimo antídoto contra o veneno moral da fofoca.
— Sim senhor
— Ao término da palestra você despertará instantaneamente em cima de seu leito.
— Sim senhor.
— Que Tupã iluminado e sagrado sempre abençoe e ilumine o seu caminho!!!
— Que assim seja!!!
Foi só o que eu, intensamente agradecido, pude responder a entidade amiga antes de começar a registrar a palestra que o Sr Caboclo que chefia os trabalhos da casa estava prestes a iniciar:



“ Saravá a todos os filhos aqui presente no dia de hoje, que Tupã iluminado abençoe a presença de todos vocês nesta casa de caridade.
Este Caboclo sabe que o sol lá fora está forte, mas também sabe que O Todo Poderoso Tupã faz iluminar no coração de vocês um calor que é ainda mais forte que o do sol que é o calor da fé. Foi esta fé que trouxe vocês aqui e que esta fé possa fazê-los alcançar o que vieram buscar aqui, nesta casa de caridade, que é casa de vocês mesmos.
A palavra deste Caboclo hoje é muito curta e está relacionada com a fé de cada um.
Este Caboclo começa com uma pergunta: qual é a arma que traz mais malefícios à humanidade?”
Devo confessar que achei um tanto quanto chocante a pergunta do Sr. Caboclo, mas a assistência encarou de forma natural e a grande maioria até mesmo respondeu que era a bomba, o Sr. Caboclo,então, continuou a palestra:
“ A grande maioria de vocês respondeu que é a bomba e este Caboclo realmente fala que a bomba é uma grande ceifadora de vidas em massa. A natureza evolui, os conhecimentos de vocês evoluem e infelizmente o desejo do homem de fazer o mal parece que evolui da mesma forma por que se antes só existiam bombas atômicas hoje já existem as químicas e, pasmem, o homem brincando de Deus criou uma bomba que usa uma forma de vida para tirar outras milhões de vidas que é a bomba biológica, entretanto companheiros qualquer bomba é tão somente aquilo que já disse antes: uma grande ceifadora de vidas em massa, mas não é a arma que traz mais malefícios a humanidade porque esta arma de que falo é anterior a criação da primeira bomba e eu gostaria que vocês dissessem para mim qual é esta arma”.
Muitas pessoas na assistência deram respostas variadas, mas uma dentre elas chamou a atenção do Sr. Caboclo: o fogo. Foi ai que Ele retomou a palestra:
“ Companheiros, existem muitos alimentos que se não fossem o fogo vocês não poderiam ingerir tanto por que é ele que os amolece, quanto por que é ele que elimina formas de vida microscópicas nocivas a saúde do ser humano e só por isso que vos falo vocês já podem perceber que o fogo, em si, é um bem, uma das formas de manifestação da misericórdia de Deus que os homens tanto podem usar para fazer o bem ou fazer o mal, mas que, justamente por isto, não é a arma que traz mais malefícios a humanidade. Gostaria muito que vocês me ajudassem a descobrir qual é esta arma, entretanto devo informar que vocês só tem mais uma chance.”
A entidade palestrante esperou alguns instantes até que uma pequena maioria respondeu que são as armas de fogo, e foi a partir deste ponto que ele retomou a palestra:
“ Arma de fogo infelizmente não é a resposta correta, mas fará deduzi-los que resposta seria esta, por que este Caboclo deseja que vocês pensem nos fatores que podem fazer um ser humano apertar o gatilho de uma arma e antes que vocês comecem a imaginar que este Caboclo não está falando coisa com coisa, ele revela que a arma que traz mais malefícios ao ser humano é a própria língua dele.
O dedo do homem pode apertar o gatilho, mas só se a mente dele desejar e o que pode fazer com que a mente de um ser humano venha a querer tirar a vida de outro?
Este Caboclo fala que é a língua por que se um filho de uma raça cresce escutando falar que um outro, de outra raça, também é filho de Deus este, quando crescer, não terá motivos para tirar a vida daquele e vice-versa; se um filho cresce escutando que povos de outros paises são irmãos seus, então ele não terá motivos para querer tirar a vida de outro ser humano pelo fato dele pertencer a outro país; um homem pode ter extremo ódio de outro, mas se ele não tiver nenhuma maneira de comunicar isto a outros este ódio morre com ele, entretanto, se ele conseguir passar todo este ódio para pelo menos uma pessoa, então milhões de vidas poderão ser ceifadas como aconteceu de forma análoga no genocídio de judeus na segunda grande guerra.
A língua do homem pode ser uma arma tão terrível e perigosa que Nosso Senhor Jesus Cristo disse certa vez que o que mata o homem não é o que entra em sua boca, mas sim o que sai dela, ou seja, as palavras.
Podendo a língua de o homem ser tão maléfica por que Tupã iluminado o dotou com esta? Este Caboclo fala que foi para que o homem soubesse e aprendesse desde cedo que para tudo na vida ele tem escolhas e que estas ou levam-no para o melhor caminho, que é o da evolução junto a Tupã, ou para um outro caminho que possa atrasar sua evolução e é assim que os filhos na terra ou vão aprendendo a usar a língua para congratular-se com seus irmãos ou para ofendê-los com impropérios.
Queridos companheiros a mente humana pode criar as mais perfeitas maldades, mas só a sua língua pode coletivizá-la e o que vocês que estão tanto na frente deste Caboclo, aí na assistência, quanto os cavalinhos que estão aqui com ele estão coletivizando com seus filhos, seus irmãos, seus pais, seus parentes, seus vizinhos, seus colegas de escola, seus colegas de trabalho, seus parceiros em atividades coletivas de lazer, sua cidade, seu pais, seu mundo???
Sei que nenhum espírito humano é perfeito, a começar por este Caboclo que vos fala, mas este Caboclo espera em Tupã Nosso Pai que vocês só estejam coletivizando o amor, a fé, a justiça Divina, a lei de caridade, o conhecimento do bem, a vida e o desejo de evolução junto a Tupã iluminado, por que da mesma forma que é fácil iniciar um incêndio e difícil extingui-lo, também é bastante fácil criar uma maledicência e espalhar uma fofoca e é extremamente difícil, em uma só encarnação, apagar os efeitos nefastos que estes verdadeiros incêndios verbais causam na vida das pessoas que foram caluniadas e ofendidas.
Reflitam sobre isto companheiros e que Tupã Iluminado abençoe a todos vocês.” 

Espiritismo e umbanda


espiritismo-e-umbanda
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Você acha que umbanda é espiritismo? Estou perguntando pra você; eu, particularmente, aprendi a evitar discussões estéreis. Perde-se tempo e se ganha desafetos. Discussão boa, mesmo, é discussão evitada. O fato é que a umbanda foi anunciada dentro dum centro espírita.
As pessoas com quem me relaciono sabem da minha condição de espírita, e muitas vezes fazem confusão com umbanda ou batuque. Batuque é como se chama aqui no Sul a religião de nação africana. O candomblé não é muito comum por aqui.
A confusão não me incomoda, embora não deixe de ser estranho o desconhecimento que a maioria das pessoas tem sobre as diferentes denominações. Muitos pensam que espírita larga despacho nas encruzilhadas, que acende vela, que toca tambor, que faz trabalho no cemitério. A confusão é grande.
Frequentei umbanda e batuque na infância e na adolescência. Conheci terreiros totalmente diferentes uns dos outros. Desde humildes cômodos de madeira caiada até grandes salões. Desde a chamada umbanda branca, com cânticos sem o uso de tambores, até sessão de exu, de uma energia pesada e de um barulho infernal.
Mencionei há pouco a umbanda branca. É um modo de distingui-la da umbanda misturada com nação, coisa muito comum por aqui. Acontece o mesmo com o espiritismo, que às vezes é denominado de espiritismo kardecista para diferenciá-lo da umbanda e de religiões africanas. E aqui chegamos num ponto sensível, pois nem os espíritas gostam de ser chamados de kardecistas, nem os umbandistas gostam que se diga umbanda branca. Os espíritas explicam que o termo espírita” foi criado por Allan Kardec. Os umbandistas dizem que só existe umaumbanda.
O fato é que o conteúdo filosófico legado por Allan Kardec é seguido pela umbanda. As diferenças entre espiritismo e umbanda estão na forma exterior, já que a umbanda adota o uso de imagens, símbolos, pontos cantados e riscados, práticas que são evitadas no espiritismo.
Há anos venho lendo e sendo informado de que a umbanda vem passando por um profundo processo de mudança. Conheci um terreiro no início deste ano que segue as novas orientações do plano espiritual e pude notar o esforço em adotar uma doutrina própria. Talvez você não saiba, mas a umbanda teve início no espiritismo. E passou a denominar seus templos de “centro espírita” no tempo em que as religiões africanas ainda eram perseguidas pela polícia. Para evitar problemas, adotaram o nome de “centro espírita” ou “centro espírita de umbanda”.Nem sempre houve liberdade religiosa no Brasil…
Espiritismo e umbanda são religiões distintas, não há dúvida. Eu, particularmente, ainda não me convenci de que o espiritismo seja uma religião, mas aí já é outro assunto. Acredito que são duas correntes espirituais que se complementam harmoniosamente. É interessante observar que assim como quem não conhece o espiritismo confunde conceitos que para nós são muito claros, também há espíritas que fazem julgamentos sobre a umbanda sem nunca ter pisado num terreiro.
A espiritualidade responsável pela nossa orientação aqui na Terra certamente não faz essas distinções. O sectarismo é típico de mentes primárias, que ainda precisam se apegar ferrenhamente a algum rótulo ou título que lhe empreste alguma distinção. Você acha que um espírito superior a nós, empenhado em esclarecer e fazer o bem, vai dar alguma importância pra denominação religiosa? Vai perguntar se você é espírita, umbandista, católico, protestante, budista, muçulmano? Claro que não!
O espiritismo não é o único meio de salvação humana, e não existe dono da verdade. Mas voltando a pergunta lá de cima: Você acha que umbanda é espiritismo? Uma das definições de Allan Kardec dizia que “espírita é aquele que crê nas manifestações dos espíritos”.
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Postura nos Templos


O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes.
Os templos umbandistas são locais sagrados, especialmente preparados para atividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou o abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática da caridade.
Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes nestes indivíduos.
Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao exercício da fé.
Alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns, dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores. Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais, tendo recorrido inclusive a médicos, sem êxito, recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença. Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso.
Devem, médiuns e assistentes, observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem fluídos do bem. Este procedimento tem como conseqüência a irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade.
O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do merecimento de cada um. A conduta reta e positiva deve ser a tônica em uma agremiação umbandista, para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração de cada participante sementes de bondade, amor e proteção. A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano, rumo a concretização de seus desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros em uma Casa de Umbanda.

Umbanda e Assistência



Qual o papel de fato da Umbanda na vida das pessoas que freqüentam seus rituais e ao mesmo tempo, qual deve ser a postura de uma pessoa enquanto participante da assistência em um ritual de Umbanda. Estas duas questões, guardam íntima relação entre si.
A primeira questão tenta descobrir como as pessoas que participam de assistências de cultos de Umbanda, vêem esses cultos e a própria Umbanda. O que destes cultos e das vivências neles apreendidas, elas levam para suas vidas quotidianas? Como essas pessoas se definem em termos de religião?
É certo que não podemos generalizar. Assim como em qualquer coletividade, também em uma assistência estarão presentes pessoas com pensamentos, anseios e posturas diferentes. Mas a questão que se impõe é se é necessário que essas pessoas tenham um mínimo de conhecimento do que é a Umbanda e seus cultos. E se realmente precisam enxergar a Umbanda como religião e até mesmo como a religião delas. Uma premissa muito importante enunciada pela Umbanda é que não se deve negar ajuda a ninguém. Assim, partindo deste princípio não podemos cobrar de uma pessoa que se ela freqüenta os cultos de uma casa de Umbanda, ele se declare como Umbandista.
Sabemos que a Umbanda ainda sofre de muitos preconceitos, e que decorrente disso muitas pessoas que freqüentam cultos de Umbanda têm medo de serem rotulados pejorativamente. Também pela origem multifacetada da Umbanda e também pela premissa de ajudar a todos, não podemos e nem devemos proibir a participação de irmãos oriundos de outros religiões. Por outro lado, podemos considerar que a falta de identificação pode causar uma falta de compromisso. Por isso talvez, sejam tão comuns as queixas sobre pessoas da assistência que vão às sessões de Umbanda apenas para “pedir coisas” mas não honrem as sessões com comportamentos condizentes com os de uma casa religiosa, ou seja, vestem-se de maneira imprópria, conversam em momentos inoportunos, entre outras coisas. Algumas pessoas apenas visitam uma casa de Umbanda quando estão com problemas. Isso significa que não fazem da Umbanda uma opção religiosa constante. Utilizam as sessões de Umbanda como “fast-food de consulta”, isto é, quando precisam, vão até lá, pedem o que precisam e vão embora abandonando o local até que a próxima necessidade os faça regressar.
Outras há que vão apenas aos dias de festas. Elas podem estar encarando a Umbanda como uma bonita manifestação da “cultura popular brasileira”, ou seja, uma atração turística ou ainda “coisa para inglês ver”. Visitam, acham bonito, mas não apreendem o real significado da religião praticada ali. A outra questão, também de extrema importância, é o que a participação da assistência contribui para a sessão. Uma assistência participativa tem o mesmo resultado para uma sessão do que uma assistência apática? O que é mais interessante para a Umbanda, uma assistência ignorante sobre os conhecimentos ou uma assistência consciente do que são os rituais e dos porquês destes rituais. Essas duas questões estão inter-relacionadas porque que quanto mais as pessoas que compõem uma assistência estão integradas no culto, mais elas respeitarão este ritual, participando ativamente dele, entendendo como e porque devem se comportar a cada momento.Elas entenderão melhor que a religião não se pratica somente dentro dos templos, mas em todo o lugar. Elas aprenderão que também elas têm a responsabilidade de fazer a caridade e semear a paz e amor ao próximo.

Brados e Assobios



É muito freqüente as entidades de Umbanda logo que incorporam, emitirem certos assobios e brados, ou quando estão dando passes. No caso dos brados dados no momento da incorporação, são mantras, palavras vibradas que canaliza para o médium certas classes de energia, a depender da linha da entidade atuante, que logo se misturam ao aura do médium, equilibrando-o, regularizando o fluxo e equilibrando os chacras principais a serem utilizados na mecânica da incorporação, permitindo que o mentor possa atuar o mais desembaraçado possível naquele aparelho. São técnicas astrais superiores de manipulação de forças sutis vitais que somente esses grandes senhores da luz sabem movimentar.
Temos por exemplo: quando uma determinada entidade da linha vibratória de Xangô, logo ao incorporar emite um brado, um mantra de forma a parecer mais um trovejar, indica que naquele momento estão sendo manipuladas - além das energias inerentes a Xangô - determinados entrecruzamentos vibratórios necessários aos trabalhos que irão ser realizados, visando equilibrar o campo mental e astral do médium que vai utilizar.
Os assobios não são diferentes. As entidades da Sagrada Corrente Cósmica de Umbanda conhecem bem a magia do som ou, em nível cosmogônico, a doutrina mântrica e a utilizam segundo a necessidade e a tônica vibratória a que pertencem, tudo visando promover a harmonia dos espíritos por ela tratrados. Assim, quando virem alguma entidade mantranizando desta forma, como descrito, já saberão que ali está sendo feita uma terapia e, portanto, há ciência, fundamento, e não primitivismo como alguns mais desinformados costumam apregoar.

Filosofia e Mandamentos

A Umbanda Sagrada é uma religião livre de dogmas e leis predeterminada em livros sagrados ou criados por homens. A mesma não reconhece nenhum livro como sagrado e tem na contemplação da natureza o Sagrado. Centenas de livros na biblioteca Umbandista são considerados livros de fé, pesquisa e estudo para melhor compreensão de seu sistema filosófico.
Mas se é que tenha que haver um dogma, que seja ética e bom senso.
A religião segue na crença da evolução do setenário sagrado que todos trazem em si. Setenário este conhecido como sentidos da vida e são: Fé, Amor, Conhecimento, Equilíbrio, Ordem, Evolução e Geração.
Assim podemos vislumbrar como atua a ética neste sentidos da vida.


Desenvlvimento da Fé
Desenvolvimento da Fé é o sentido de crer, mantê-lo lúcido longe das ilusões da matéria promovendo assim a transcendência espiritual do seu Ser;






Prática do Amor
AMOR
Prática do Amor e do perdão constantemente, amar a todos sem distinção de credo, raça, cor, etc, somos todos partes de um único Criador e nos manter em comunhão com sua criação é estar próximo do Mesmo;





Conhecimento
CONHECIMENTO
É o sentido que promove a expansão consciencial do ser, o desenvolvimento racional e intelectual equacionado com o emocional desenvolve no ser sua evolução mental, buscar o conhecimento sobre o todo é obrigação do ser e não usar jamais o conhecimento para ludibriar ou envolver negativamente o próximo menos favorecido, o fato de alcançar conhecimentos elevados em qualquer campo da vida gera no conhecedor maior responsabilidade perante o próximo e a natureza;

EquilíbrioEQUILÍBRIO
Equilíbrio é o senso de justiça que vamos aperfeiçoando conforme aprimoramos o nosso ser, buscar equilíbrio entre nossos instintos e emoções é fundamental para melhor assentarmos nosso ser no contexto divino a qual estamos inseridos e melhor contribuir para o desenvolvimento dos nossos semelhantes e natureza a qual habitamos. Atingir a noção exata entre um ato de seu interesse que pode ferir a harmonia do próximo é a meta para todos;


Ordem
ORDEM
A inexistência do caos, o ser precisa constantemente ordenar seus pensamentos e emoções para que não crie um caos intimo e tampouco ao seu redor e com os seus;






Evolução
EVOLUÇÃO
Evoluir é transmutar o seu ser limitado por pré-conceitos e conceitos errôneos, emoções desequilibradas em tudo o que pode ser de mais harmônico, curando a si próprio e libertando-se da amarras criado por si próprio, promovendo assim a integração consciente com a Criação Divina e auxiliando a evolução dos semelhantes e da própria natureza a qual faz parte.



Geração
GERAÇÃO
É a vida propriamente dita, assim como a criação e a criatividade que proporciona aos seres sua adaptação em qualquer meio. Já a multiplicação é fato presente em toda a criação de Deus, tudo o que Ele gera se multiplica, quer seja entre os humanos ou entre os micros seres vivos do Universo. Logo, o papel do ser racional que somos é conhecer e zelar pela vida planetária, buscando o equilíbrio da natureza a qual promove e mantém a vida.

Estes pontos é o que podemos ter como Ética Filosófica da Umbanda Sagrada, ou até mesmo como os Sete Mandamentos da Umbanda.

Umbanda Protegida

Umbanda e Assistência
A Umbanda é duplamente protegida na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil. Outrossim, o artigo 208 do Código Penal Brasileiro prevê, para o crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo, pena de detenção de um mês a um ano ou multa. Para que todas as pessoas que professam a Umbanda fiquem cientes dos seus direitos é bom observar com atenção os artigos constitucionais que podem e devem ser evocados quando qualquer cidadão sentir-se aviltado no que diz respeito à liberdade de crença religiosa.

O artigo 5º da Constituição Federal assegura:

"Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantido-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade."
Portanto, como a Constituição assegura que não deve haver distinção de qualquer natureza, católicos, protestantes, evangélicos, umbandistas, espíritas, budistas, muçulmanos, membros do Candomblé etc. são iguais em direitos e obrigações, estando, pois, submetidos às mesmas leis e devendo observar o inciso VI do artigo 5º da Carta Política de 1988, que diz:
"É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias."
 Ainda na Constituição Federal, o parágrafo 1º do artigo 215 deixa muito claro que a Umbanda, que é também evidente manifestação da cultura popular afro-brasileira, pode contar com a proteção do Estado para existir e resistir:

"O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e difusão das manifestações culturais.
Parágrafo 1º. O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e dos outros grupos participantes do processo civilizatório Nacional".

Na legislação infraconstitucional diretamente relacionada ao inciso VI do artigo 5º, o artigo 208 do Código Penal merece menção, haja vista que os crimes que define têm sido cometidos freqüentemente contra adeptos das religiões afro-brasileiras sem que se tomem providências primeiramente por uma nítida falta de interesse das autoridades e depois porque os adeptos, na maioria das vezes, não sabem que tais atos constituem crime.
"Artigo 208: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente a violência".


Como fica a situação quando a policia, respaldada pelo poder do Estado, infringe a lei?
Se considerarmos que a proteção aos locais de culto e a suas liturgias é garantida na forma da lei, é dever da polícia, quando solicitada, prestar assistência aos adeptos para que possam cumprir seus rituais com segurança e não impedi-los, por exemplo, de fazer suas oferendas. Fazer uma oferenda a Exu numa encruzilhada é um direito, assim como é um direito do crente pregar em praça pública ou do católico fazer procissões. A polícia também não pode invadir um terreiro de Umbanda, a menos que observe os trâmites legais.
Todos têm direito à liberdade religiosa, que não atinge um grau absoluto, pois não são permitidos a nenhuma religião ou culto, atos atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e criminal. Um adepto de determinada religião, por exemplo, não pode evocar o inciso VI do artigo 5º da Constituição, ou seja, suas convicções religiosas, para livrar-se dos crimes estipulados no artigo 208 do Código Penal. Há que se observar o inciso VIII do artigo 5º da Constituição, que diz:

"Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei".

O Brasil, por meio do Pacto de São José da Costa Rica, se comprometeu a respeitar o sentimento religioso, avalizando o documento que no artigo 12.1 da Convenção diz:

"Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado".

Devem os templos de Umbanda e seus responsáveis começarem a reivindicar os privilégios e isenções que a lei assegura aos ministros de confissão religiosa e às suas igrejas, como o direito a prisão especial, a contribuição à Previdência Social na qualidade de sacerdote e a desobrigação de recolher alguns impostos como o IPTU.
É importante também difundir a Lei nº. 7.716 de 5 de janeiro de 1989, não só entre as pessoas da Umbanda, mas para toda a sociedade, especialmente entre os negros que sofrem muito mais com o preconceito que, mesmo camuflado pelo mito da democracia racial, existe no Brasil. Isso serve para ratificar que o caminho para viver plenamente a cidadania é o da consciência, que passa, necessariamente, pelo reconhecimento das leis que asseguram os direitos de todos os cidadãos, brancos ou negros, crentes ou de Umbanda, ricos ou pobres.