EXU BARÃO
O SINO DA IGREJINHA FAZ BELEM BLEM BLOM (2X) DEU MEIA NOITE O GALO JÁ CANTOU EXU BARÃO QUE É O DONO DA GIRA OI CORRE GIRA QUE OGUM MANDOU
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EXU CAPELA
EXU CAPELA GUARDIÃO DA ENCRUZILHADA TOMA CONTA PRESTA CONTA NO ROMPER DA MADRUGADA (2X) OI NA BEIRADA DO CAMINHO ESSE CONGÁ TEM SEGURANÇA EXU CAPELA MEU VIGIA É MEIA NOITE O GALO CANTA
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EXU METRALHA
A LUA QUE ILUMINA A NOITE CLAREIA CASA DO SEU BARÃO TODA CALUNGA ESTÁ EM FESTA PRA SAUDAR EXU METRALHA QUE VEM DAR SUA PROTEÇÃO ( 2X ) EXU METRALHA SUA CACHAÇA É AGUÁ BENTA E A FUMAÇA DO CHARUTO ME INCENSA EXU METRALHA MEU COMPANHEIRO ABRE OS CAMINHOS DOS FILHOS DESTE TERREIRO
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EXU CAVEIRA
PORTÃO DE FERRO CADEADO DE MADEIRA(2X) OI NO PORTÃO DO CEMITERIO QUEM MANDA É EXU CAVEIRA (2X)
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SR. ENCRUZA
EXU AFIRMA SEU PONTO AQUI NESTE TERREIRO (2X) DEU MEIA NOITE NA LUA DEU MEIO DIA NO SOL (2X)
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EXU 7 ENCRUZILHADA
O SETE, O SETE O SETE ENCRUZILHADA TOMA CONTA E PRESTA CONTA NO ROMPER DA MADRUGADA ( 2X ) NINGUÉM PODE COMIGO EU POSSO COM TUDO LÁ NA ENCRUZILHADA ELE É EXU VELUDO ( 2X )
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NINGUÉM PODE COMIGO EU POSSO COM TUDO
LÁ NA ENCRUZILHADA ELE É EXU VELUDO ( 2X )
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EXU CAVEIRA SEU CABRITO DEU UM BERRO (2X)
ARREBENTOU CERCA DE ARAME ENTORTOU PORTÃO DE FERRO
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QUISERAM ME VER NA LAMA QUISERAM ME VER MORRER (2X)
CHAMEI EXU CAPELA PARA VIR ME DEFENDER (2X)
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RODEIA, RODEIA, RODEIA MEU SANTO ANTONIO RODEIA DEIXA RODAR....(2X) SANTO ANTONIO PEQUENINO AMANSADOR DE BURRO BRAVO QUEM MEXER COM EXU BARÃO OU TA DOIDO OU TA DANADO
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RI QUA QUA QUA OI QUE LINDA RISADA QUE O EXU VAI DAR ( 2X )
OI QUE LINDA RISADA DE QUA QUA QUA
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SE MEU PAI É TUMBA SUA MÃE TAMBEM É TUMBA (2X)
SEU AVO É FEITICEIRO E MORA LÁ NA CATACUMBA (2X)
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EXU FEZ UMA CASA SEM PORTEIRA E SEM JANELA (2X)
AINDA NÃO ACHOU MORADOR PRA MORAR NELA
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NO PORTÃO DO CEMITERIO PLANTEI UM PÉ DE ARUEIRA ( 2X )
QUERO VER QUEM É QUE PODE COM EXU CAVEIRA ( 2X )
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SANTO ANTONIO DE BATALHA, FAZ DE MIM BATALHADOR (2X)
CORRE E GIRA POMBA GIRA, TRANCA RUA E MARABÔ (2X) SANTO ANTONIO DE BATALHA FAZ DE MIM BATALHADOR CORRE E GIRA POMBA GIRA TRANCA RUA E MARABÔ
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SETE FACAS DE PONTA EM CIMA DE UMA MESA
SETE VELAS ACESA LA NA ENCRUZILHADA EXU É O REI, EXU É O REI, EXU É O REI DA ENCRUZILHADA
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EXU CAINANA, QUEM TE MATOU CAINANA ( 2X )
NA BEIRA DO RIO, CAINANA ALMA JÁ MINOU, CAINANA EXU CAPELA, CAINANA, ELE NÃO BAMBEIA
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QUEM É QUE DESCEU DO REINO, QUEM É? (2X)
ELE É TRANCA RUA DAS ALMAS, ELE É (2X)
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OLHA VAMOS NA GIRA DO EXU, SARAVÁ VAMOS SARAVÁ
E LÁ NA CALUNGA EU QUERO VER, VOCE GIRAR ATE O AMANHECER (2X) QUEM NUNCA VIU VEM VER CALDEIRÃO SEM FUNDO FERVER ( 2X ) DEU MEIA NOITE O GALO JÁ CANTOU A IGREJA BATE O SINO É NA DANÇA DO FOGO QUE EU VOU ( 2X ) E O TAMBOR TA BATENDO É PRA VALER, É NA PALMA DA MÃO QUE EU QUERO VER ( 2X ) OI DONA POMBO GIRA ME DE AGUÁ PRA BEBER SE VOCÊ NÃO ME DER ÁGUA EU VOU FALAR MAL DE VOCE ( 2X )
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SEU TRACA RUA É UMA BELEZA EU NUCA VI UM EXU ASSIM ( 2X )
SEU TRANCA RUA É UMA BELEZA ELE É MADEIRA QUE NÃO DA CUPIM
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FOI, FOI OXALÁ, QUEM MANDOU EU PEDIR QUEM MANDOU EU REZAR
QUE AS SANTAS ALMAS VIESSEM ME AJUDAR SEU TRANCA NA ENCRUZA DE JOELHO A GARGALHAR
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O LUÁ O LUÁ...(O LUÁ)... ELE É DONO DA RUA ( 2X )
QUEM COMETEU AS SUAS FALTAS PEÇA PERDÃO AO TRANCA RUA
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DIM DIM DIM DIM DIM DIM... RISCA PONTO
PULANDO CRUZADO NO MEIO DO TERREIRO CHEGOU POVO DA BAHIA DO CONGO E DA LEI DE NAGO CHEGOU ZÉ PILINTRA QUE VEIO DO LADO DE LA FUMANDO E BEBENDO E GRITANDO VAMOS SARAVA SARAVA ÔÔ SARAVA SARAVA ÔÔ SARAVA...
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O MEU SENHOR DAS ALMAS DISSE QUE EU NÃO VALHO NADA ( 2X )
OLHA LA QUE ELE É EXU REI DAS SETE ENCRUZILHADA
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NÃO MEXE COMIGO QUE EU PONHO SEU NOME LA NO MEU TERREIRO EU SOU MACUMBEIRO, LERÊ (2X) MEU SANTO É FORTE, CABOCLO DO NORTE QUE SÓ FAZ O BEM SÓ QUER AJUDAR NÃO FAZ MAL A NINGUÉM É FLECHA ENCANTADA, MÃE SANTA ME DEU MAS NÃO MEXE COMIGO, NÃO FIQUE ZOMBANDO DIZENDO QUE É PAPO AMARRO SEU NOME NA BOCA DO SAPO VOCÊ NUNCA MAIS FALA MAL DE NINGUÉM LERÊ EU SOU MACUMBEIRO, LERÊ (2X)
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EXU MANGUERIA ANOITECEU SALVE O POVO DA RUA QUE VEM SAUDAR EXU MANGUEIRA QUE CHEGA SOB O CLARÃO DA LUA ( 2X ) EXU MANGUEIRA JÁ CHEGOU O MAIORAL É QUEM VOS GUIA TRAZENDO A FORÇA DA CALUNGA PARA AFIRMAR A SUA GIRA EXU GANHOU GARRAFA DE MARAFO LEVOU PRA CAPELA PRA BENZER SEU MANGUEIRA CORREU E GRITOU: NA BATINA DO PADRE TEM DENDÊ OI TEM DENDÊ, TEM DENDÊ ____________________________________________ EXU SETE DA LIRA SOU EXU TRABALHO NO CANTO QUANDO CANTO DESMANCHO QUEBRANTO SETE CORDAS TEM MINHA VIOLA TO NA GIRA DE LENÇO E CARTOLA VIOLA É TRIDENTE CIGARRO É CHARUTO BEBIDA É MARAFO SOU SETE DA LIRA DESFAÇO INIMIGO COM PONTEIRO DE AÇO ____________________________________________ EXU LHE AGRADEÇO DE NOVO AGRADEÇO SEU POVO SUA GIRA E SUA MISSÃO EXU SEMPRE MOSTRA A VERDADE ME TRAZ FORÇA E CORAGEM COM CARINHO E GRATIDÃO EXU OUTRA VEZ LHE AGRADEÇO PEÇO TUDO QUE MEREÇO DO FUNDO DO CORAÇÃO
____________________________________________
EXU TRANCA GIRA ESTAVA DORMINDO QUANDO A UMBANDA ME CHAMOU ABRE A PORTA MINHA GENTE, TRANCA GIRA JÁ CHEGOU ____________________________________________ EXU ARRANCA TOCO O MEU SENHOR DAS ALMAS, AI DE MIM NÃO FAÇA POUCO OLHA LA QUE ELE É EXU, É EXU ARRANCA TOCO PINGA FOGO LÁ NA ENCRUZA, PINGA FOGO LA NA SERRA ABRE A PORTA MINHA GENTE, PINGA FOGO ESTÁ NA TERRA SEU MEIA NOITE, LA NA ENCRUZA GALO CANTA, GATO MIA QUEM TRABALHA COM EXU NÃO TEM HORA E NÃO TEM DIA ____________________________________________ EXU TRANCA RUA DAS ALMAS QUANDO O GALO CANTA, AS ALMAS SE LEVANTAM E O MAR RECUA, É QUANDO OS ANJOS DO CÉU DIZEM AMÉM E O POBRE DO LAVRADOR DIZ ALELUIA DIZ ALELUIA, DIZ ALELUIA, SEU TRANCA RUAS DIZ ALELUIA (2X) CHEGOU NA CANJIRA DE UMBANDA SEU TRANCA RUAS (2X) QUEM ESTÁ DE RONDA É MEU PAI (2X) SEU TRANCA RUAS ME CRUBRA COM SUA CAPA QUEM TEM SUA CAPA ESCAPA (2X) A SUA CAPA É O MANTO DA CARIDADE, SUA CAPA COBRE TUDO, SÓ NÃO COBRE A FALSIDADE
____________________________________________
EXU BODE PRETO CADÊ MEU BODE PRETO QUE AMARREI NA ENCRUZILHADA? O BODE TEM CHIFRE GRANDE TREME TERRA E DÁ RISADA
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EXU DO CHEIRO
CANTA O GALO NO TERREIRO, O MEU CHEFE É MAIORAL FLOR DO MATO NÃO TEM CHEIRO, QUANDO EXU VEM TRABALHAR EU ME CHAMO EXU DO CHEIRO, GIRO O TOCO NUM GIRÁ O MEU CHEFE DO TERREIRO, É EXU REI DO MAIORAL
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EXU VIRA MUNDO Ô CADE VIRA MUNDO, PEMBA, ESTÁ NA PEDREIRA PEMBA COM SEU CABOCLO PEMBA QUANDO ELE VAI , VAI NO CLARÃO DO SOL QUANDO ELE VEM, VEM NO CLARÃO DA LUA SARAVÁ EXU VIRA MUNDO, QUE ELE É O REI DA MADRUGADA JUNTO COM SEU TRANCA RUA
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EXU NÃO TEM CASA , SUA CASA É A CALUNGA
TRAVESSEIRO É A CAVEIRA, SUA CAMA É CATACUMBA
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SOLTEI UM POMBO LÁ NAS MATAS, OI NA PEDREIRA NÃO POUSOU
AÍ FOI POUSAR NA ENCRUZILHADA, SEU TRANCA RUA QUEM MANDOU
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DESPEDIDA DE EXU
EXU BEBEU, EXU SARAVOU EXU VAI EMBORA QUE SUA BANDA CHAMOU
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EXU JÁ, JÁ EXU JÁ, JÁ AÚE
EXU VAI EMBORA PRA ENCRUZA AÚE
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É DE COROCOCÓ SEU CANJIRA O GALO JÁ CANTOU SEU CANJIRA É NO ROMPER DA AURORA SEU CANJIRA EXU JÁ VAI EMBORA SEU CANJIRA |
Yle Afro Ogum Iemanjá é uma casa de Religião Afro, que trabalha com Umbanda, Quimbanda e Nação jeje nagô, o nosso líder espiritual é o Pai Jeremias de Ogum com mais de 30 anos de vida religiosa, Nossa casa é localizada na cidade de Alvorada/RS. R:Gomes Freire N° 10 Bairro: Maringá
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Pontos de Exu.

Lei Contra a Intolerancia Religiosa - Lei 11635/07 | Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007
Declara de interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural denominado Fazenda Ramalhudo e Mártires, situado no Município de Gameleiras, no Estado de Minas Gerais, e dá outras providências. Ver tópico (34 documentos)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe conferem os arts. 84, inciso IV, e 184 da Constituição, e nos termos dos arts. 2o da Lei Complementar no 76, de 6 de julho de 1993, 18 e 20 da Lei no 4.504, de 30 de novembro de 1964, e 2o da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, DECRETA:
Art. 1o Fica declarado de interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural denominado Fazenda Ramalhudo e Mártires, com área registrada de vinte mil, quatrocentos e oitenta e cinco hectares, cinqüenta ares e sessenta e três centiares, e área medida de dezessete mil, trezentos e treze hectares, três ares e quarenta e seis centiares, situado no Município de Gameleiras, objeto das Matrículas de nos 367, fls. 70/V, Livro 2-B, 721, fls. 130, do Livro 2-C, 1.685, Livro 2-F, e 5.695, fl. 224, do Livro 2-T, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Monte Azul, no Estado de Minas Gerais (Processo INCRA/SR-06/no 54170.002228/2007-96). Ver tópico
Art. 2o Este Decreto, independentemente de discriminação ou arrecadação, não outorga efeitos indenizatórios a particular, relativamente a áreas de domínio público constituído por lei ou registro e a áreas de domínio privado colhido por nulidade, prescrição, comisso ou ineficácia operada exclusivamente a benefício de qualquer pessoa jurídica de direito público, excetuadas as benfeitorias de boa-fé nelas existentes anteriormente à ciência do início do procedimento administrativo, excluindo-se ainda dos seus efeitos os semoventes, as máquinas e os implementos agrícolas e qualquer benfeitoria introduzida por quem venha a ser beneficiado com a sua destinação. Ver tópico
Art. 3o O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, atestada a legitimidade dominial privada da mencionada área planimetrada, fica autorizado a promover a desapropriação do imóvel rural de que trata este Decreto, na forma prevista na Lei Complementar no 76, de 6 de julho de 1993, e a manter as áreas de Reserva Legal e preservação permanente previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, preferencialmente em gleba única, de forma a conciliar o assentamento com a preservação do meio ambiente. Ver tópico
Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Ver tópico
Brasília, 10 de janeiro de 2008; 187o da Independência e 120o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guilherme Cassel
Este texto não substitui o publicado no DOU de 11.1.2008
Umbanda para leigos

Tu sabes o que é caridade?
Caridade é...
Apartar a pedra do caminho para que ninguém nela venha a tropeçar;
Preparar o espírito para ajudar a qualquer momento;
Não te maldizer daquilo que não te parecer justo;
Não esperar que o necessitado te procure, vá ao encontro dele;
Perdoar sempre, humilhar nunca;
Não praticar atos contrários à consciência universal;
Não falar mal de ninguém, servir sempre e de boa vontade!
(extraído do 2º número do Jornal a Caridade, julho de 1956)
Não se concebe umbanda sem ritual. É fundamental oferecer às entidades um ambiente propício aos seus gostos. Para os caboclos, oferecem-se charutos, velas; para os pretos velhos, banquinhos, café, cachimbos, fumo; para as crianças doces e refrigerantes. Entre esses rituais, destacamos alguns elementos básicos para o perfeito transcorrer dos trabalhos, à seguir:
CORRENTE MAGNÉTICA
Muita gente ainda não sabe por que não se deve cruzar braços e pernas quando se assiste a uma gira de Umbanda. Para quem desconhecem isso parece estranho.
Ao redor do corpo humano existem correntes de energia circulando, uma em sentido contrário à outra; enquanto uma sobe, a outra desce, sem contudo se chocarem. Ao cruzarmos braços e pernas, misturamos a trajetória destes fluidos e consequentemente as linhas se chocam, resultando desequilíbrio no fluxo magnético, com dispersão da energia vibratória, cortando a corrente formada entre os presentes.
Semelhante ação ocorre no plano físico, quando cruzamos o circuito da corrente elétrica. Se encostarmos dois fios de luz, haverá o curto circuito, com prejuízo para algum aparelho elétrico ou fusível, queimando-os e cortando o fluxo eletrônico.
Como vemos, tudo obedece a leis lógicas e naturais, tanto no plano material quanto no astral.
DEFUMAÇÃO
A queima de ervas é um recurso usado para afastar fluidos perturbadores de lugares e de pessoas, muito usado em quase todas as religiões. É obrigatório no início dos trabalhos de terreiros em que se queira limpar o astral do ambiente. Para defumação, usa-se em geral plantas e ervas específicas. As mais recomendáveis são: alecrim, arruda, benjoim, alfazema, guiné, sândalo, incenso e mirra, podendo ser apenas uma, três, cinco ou sete delas.
As defumações podem também ser utilizadas para casas, carros, etc., eliminando os maus fluidos; para este tipo de ritual, pode-se utilizar os defumadores em cubo ou os que queimam em braseiro. Igualmente aos banhos, os restos das defumações devem ser despachados em água corrente.
PONTOS CANTADOS
São hinos de relevante importância na Umbanda, para a evocação das entidades. Estes cânticos permitem ao médium manter-se em equilíbrio real, e funcionam como verdadeiras preces. Sob suas vibrações é que o indivíduo percebe de maneira eficaz a aproximação das entidades, conseguindo melhor concentração para o trabalho espiritual.
O ponto cantado possui várias finalidades, apresentando-se como: ponto de chamada, aquele que é cantado apenas para evocar a entidade de trabalho daquela sessão; o ponto de subida, com o qual o guia se despede dos trabalhos daquele dia; há também os pontos de abertura e encerramento dos trabalhos, os de defumação, etc.
Em alguns casos, os pontos cantados podem ser acompanhados de palmas.
BANHOS
Os banhos se firmaram como sendo parte de uma liturgia religiosa. Sendo o médium um receptáculo de vibrações boas e más, deve zelar cuidadosamente pela saúde de seu corpo físico e astral. É muito comum também os filhos de fé tomarem banhos de descarga e de defesa, receitados pelas entidades. Há banhos que possuem sal grosso e ervas em sua composição, que devem ser preparados em infusão de água fervente pôr volta de 15 minutos, abafando o recipiente. Quando a água estiver morna, derrama-se sobre o corpo, do pescoço para baixo, sem banhar a cabeça. Não se deve molhar a cabeça porque muitas ervas se prestam para facilitar o desenvolvimento da mediunidade, "abrindo a mente". As ervas usadas no banho devem ser despachadas em água corrente, e devem ser usadas em seu estado verde, para não perderem as suas propriedades vibratórias.
GUIAS (COLARES)
As guias usadas para defesa ou para trabalhos nos terreiros são colares feitos de materiais facilmente imantáveis, condutores de correntes magnéticas.
Ajudam na invocação dos protetores, na concentração, captam bons fluidos, formando um círculo de vibrações benéficas ao redor da pessoa que os usa. Após um processo de 'cruzamento', ficam em ligação fluídica com as entidades espirituais. Uma guia só terá valor quando for cruzada por uma entidade incorporada.
A guia é usada praticamente em todo tipo de ritual, é um objeto sagrado.
Normalmente quando o filho de fé dá seus primeiros passos dentro da Umbanda, este fica com a primeira guia, que também é a mais importante. Ela é constituída de pedras de cerâmica, miçanguinha de cor branco leitoso.
Para tanto, as guias devem ser confeccionadas de matéria natural, não de plástico, pois este não é substância imantável. Cada linha possui seu material e cores apropriados.
Se uma guia quebra, procura-se recuperar o máximo de contas e depois devemos montá-la e consagrá-la novamente. Para cuidar-se bem das guias, devemos lavá-las de vez em quando com água do mar ou água e sal grosso, ou conforme solicitação do guia.
VELAS
O uso das velas é um ritual simples para qualquer religioso. O único pré requisito para o ritual com uma vela é a crença no que se está praticando.
Muitas são as pessoas que têm o costume de acender velas para seus anjos de guarda, ou mesmo para parentes e amigos já falecidos. Entendemos que é fundamental oferecer velas a estes, porém é aconselhável não fazer no interior de casa, pois além de evitar possíveis incêndios, também evita-se a presença de quiumbas que só prejudicam.
Os lugares adequados para acender velas são os velários de igrejas, com exceção de trabalhos feitos pelos guias, onde eles determinam como e onde se deve acender as velas.
O trabalho com velas é fundamental em um terreiro. Porém é através delas que as entidades auxiliam os filhos de fé na resolução de seus problemas. Na maioria dos trabalhos com velas é utilizada a de cor branca; porém ao uso de velas coloridas, deve-se possuir o consentimento do chefe do terreiro.
PATUÁS
O patuá é um objeto consagrado que traz em si a força mágica dos guias, a quem ele é consagrado.
É considerado um amuleto de proteção e sorte, porém só terá valor se for preparado por entidades incorporantes. Após o cruzamento do patuá, o mesmo é entregue ao filho de fé, que deverá guardá-lo em lugar próprio. Vale ressaltar que cada patuá é feito para apenas uma pessoa.
Os ingredientes mais utilizados na confecção de patuás são: figas de guiné, olhos de boi, cruz de caravaca, sementes variadas, ervas, etc.
ROUPA BRANCA
As roupas de um umbandista, quando em atividade dentro do terreiro, devem ser brancas e muito limpas. Elas devem ser guardadas em local sempre determinado. Não devem possuir nenhum luxo, apenas o essencial. Calças folgadas, camisetas não apertadas para deixar à vontade médiuns e cambonos.
As meias e peças íntimas também brancas são fundamentais. Os sapatos brancos, devem ser de sola de borracha (de preferência, tênis).
Essas roupas devem ser somente de uso nas giras, não podendo em hipótese alguma serem utilizadas em locais ou atividades diferentes.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
UMBANDA
" Umbanda é a montanha
Que todos terão que galgar.
Muitos serão os chamados
Poucos conseguirão chegar...!"
(extraído do boletim mensal nº. 1 'A Caridade', da Tenda Nossa Senhora da Piedade)
A palavra "Umbanda" ainda é uma dúvida, mas ela poderia vir do sânscrito AUM-BANDHA, o que significa 'o limite do ilimitado', ou 'o conjunto das leis divinas'. Antes do surgimento da Umbanda propriamente dita, existiam os chamados cultos de nações, que não permitiam que médiuns desenvolvidos incorporassem "eguns" (espíritos de mortos), e caso isto acontecesse, repeliam-os, pois não os aceitavam em lugar dos Orixás (espíritos de encantados, entidades que nunca encarnaram). Também nessa época, o Kardecismo não admitia que espíritos de índios, pretos velhos e crianças incorporassem em médiuns à mesa: ou mudavam
seus hábitos peculiares, ou seriam expulsos do local.
Os pretos velhos e índios, por sua vez, acostumados a seus hábitos característicos, não poderiam mudá-los, por isso eram deixados de lado; não podiam baixar em cultos afros nem em mesas kardecistas, porém necessitavam das comunicação e ensinar ao povo seus costumes, suas tradições.
Assim, a primeira incorporação de Umbanda se deu no dia 15 de Novembro de 1908, através do médium Zélio Fernandino de Morais, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando nesta data veio manifestar-se em mesa kardecista, solicitando que o 'cavalo' (médium de incorporação) preparasse no dia seguinte, na casa do médium, "uma mesa posta e toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar pudesse ser ouvida e orientada". O local seria batizado por "Tenda Nossa Senhora da Piedade", pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrem da Umbanda, ricos e pobres, negros ou brancos, inaugurando a primeira tenda de Umbanda no Brasil, no Rio de Janeiro, em 16 de Novembro de 1908. Aí então surgem manifestações em massa...Hoje, a Umbanda conta com mais de 40 milhões de adeptos só no Brasil.
As sete linhas da Umbanda
As linhas de proteção da Umbanda são baseadas em sete cores, à seguir:
- Cor Ouro: Iansã Orixá guerreiro que domina raios, chuvas e ventos Sincretizado com Santa Bárbara
- Cor Rosa: Ibejis Espíritos de crianças Sincretizado com Cosme e Damião
- Cor Azul: Iemanjá Vida gerada no útero materno - "Mãe Peixe" Sincretizado com Nossa Senhora da Conceição
- Cor Verde: Oxosse Natureza, as matas Sincretizado com São Sebastião
- Cor Vermelho: Ogum Patrono da força e garante a execução da lei Sincretizado com São Jorge
- Cor Marrom: Xangô Força da justiça Sincretizado com São Gerônimo
- Cor Roxo: Nanã Representa o elemento senil Sincretizado com Sant'ana
Zélio Morais explica que as cores branco e preto não fazem parte das Sete linhas, pois o branco é presença da luz e existe em todas as outras cores, e o preto é justamente a ausência da luz:
- Cor Branco: Oxalá O supremo, o chefe. A síntese de todas as cores irmanadas. Sincretizado com Jesus Cristo
- Cor Preto: Obaluaê (omulú) Chefe da falange dos mortos sincretizado com São Lázaro
Entidades da Umbanda
A Umbanda sustenta-se em três pilares: pretos velhos, caboclos e crianças.
São as entidades que os médiuns incorporam:
- Caboclos: espíritos de índios e mestiços que viveram antes e depois da descoberta do Brasil.
- Pretos velhos: almas de negros que morreram à época de cativeiro.
- Crianças (erês): espíritos de crianças que morreram em tenra idade.
Além dessas três entidades, manifestam-se ainda:
- Baianos: povo que faleceu quando habitantes do Nordeste brasileiro.
- Marinheiros: pessoas que faleceram nos mares e realmente eram marinheiros.
- Boiadeiros: vaqueiros
- Povo d'água: espíritos que não falam e emitem um canto triste.
- Ciganos: pertencentes à alma de ciganos. Fazem cura.
- Exus: entidades neutras, que são invocadas para desmancharem trabalhos e magias.
Apesar de existirem todas estas entidades, nos terreiros apenas as três primeiras (caboclos, pretos velhos, crianças) trabalham no desenvolvimento mediúnico, descarga de maus fluidos, dão orientações, passes, conselhos, curas, etc.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
MEDIUNIDADE
"Decálogo do Umbandista
Responder:
Ao mal com o BEM;
À intolerância com a FRATERNIDADE;
À calúnia com o PERDÃO;
À incredulidade com a FÉ;
À indiferença com a CARIDADE;
À arrogância com a HUMILDADE;
À intriga com a COMPREENSÃO;
À descrença com a ESPERANÇA;
À perseguição com a TOLERÂNCIA;
Ao ódio com AMOR!"
Mediunidade é o dom que tem o indivíduo de se comunicar com o plano espiritual, recebendo doutrinas, lições e informações dos espíritos de pessoas que já morreram e se encontram em plano diferente do nosso. É um dom que a pessoa recebe de Deus para trabalhar em benefício de pessoas que necessitam de ajuda,
orientação, preces. São vários os tipos de mediunidade:
Vidente - vê espíritos
- Clarividente - vê acontecimentos futuros
- Auditiva - ouve os espíritos
- de efeitos físicos - barulhos, quebra de objetos, etc.
- Curadora - faz cura de doenças
- Psicografia - escreve mensagens de espíritos
- Intuitiva - pressentimentos
- Incorporação (o mais comum) - incorporação de entidades
A verdadeira mediunidade não é exclusiva de pessoas ricas; ela pode manifestar-se em pessoas de diversas classes sociais, de diversas culturas, espiritualistas ou ateus, sábios ou ignorantes.
Para desenvolver a mediunidade é necessário estar ciente do que está praticando e principalmente ter vontade própria em fazê-lo. É necessário frequência nas giras em um único terreiro (pode-se visitar outro terreiro mas não se pode trabalhar) para que as entidades possam explicar-lhe todas as mirongas da Umbanda.
Frequentar diferentes terreiros mistura a energia vibracional das entidades, facilitando o recebimento de quiumbas (entidades más) que podem confundir o médium, principalmente durante o seu desenvolvimento. Além de cada terreiro seguir uma linha de trabalho que não deve ser misturada ou confundida.
Os médiuns de Umbanda não trabalham com Orixás, e sim incorporando guias e entidades que estiveram encarnados entre nós, ou seja, caboclos, pretos velhos, crianças, baianos, etc.
Os problemas espirituais que afetam a humanidade são de quatro espécies:
- Mediunidade
- Obsessão
- Trabalho feito
- Provação
Obsessão: um dos casos espirituais que mais oprimem o ser humano, que é o fato de um espírito desencarnado 'encostar' em uma pessoa, permanecendo ali devido às atitudes de baixas vibrações dela, sugando tudo o que resta de boas vibrações e bons pensamentos. Isto traz perturbações mentais e alterações de comportamento.
Trabalho feito: também conhecido como macumba, é praticado por pessoas fúteis e inconsequentes que desejam realizar seus desejos à qualquer preço. Em geral, é feito de modo verbal, quando rogamos pragas, invejamos algo, etc. Há também o feitiço criado por entidades de má fé ou pessoas que só praticam atos inescrupulosos.
Provações: "...somos livres para plantar; porém, uma vez plantado, teremos de colher os frutos da semeadura. Se plantarmos o bem, colhe-lo-emos no futuro; se semearmos o mal, tê-lo-emos no porvir..."
Quando alguém tem de passar por provações ('pedras' no caminho, como dizem as entidades), ninguém pode tirá-las ou cancelá-las. Elas se executam de uma ou outra forma. Quem procura terreiros na ânsia de livrar-se delas, está cometendo tolice. O que os guias podem fazer é minorar o sofrimento, pedindo à pessoa paciência, fé e esperança em superar a má fase, dando conselhos e orientações, pois estas provações provavelmente venham de vidas anteriores.
Todo médium deve seguir à risca alguns ensinamentos:
Não pode ser invejoso
Deve fugir ao despeito e ao ciúme
Deve ter cuidado com sua língua (cuidado na maneira de falar)
Deve respeitar as refeições à mesa
Deve evitar álcool, bares, cabarés, assim como qualquer outro lugar de influências negativas
Deve ser honesto consigo mesmo
Deve manter a higiene do lar
Deve manter a higiene do próprio corpo
Deve cuidar de suas roupas de trabalho no terreiro e seguir todas as regras dos rituais da Umbanda
Deve saber o valor da prece.
E assim estar ciente que a mediunidade é o dom de beneficiar pessoas, através das entidades, que necessitam de auxílio material e espiritual.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
Caridade é...
Apartar a pedra do caminho para que ninguém nela venha a tropeçar;
Preparar o espírito para ajudar a qualquer momento;
Não te maldizer daquilo que não te parecer justo;
Não esperar que o necessitado te procure, vá ao encontro dele;
Perdoar sempre, humilhar nunca;
Não praticar atos contrários à consciência universal;
Não falar mal de ninguém, servir sempre e de boa vontade!
(extraído do 2º número do Jornal a Caridade, julho de 1956)
Não se concebe umbanda sem ritual. É fundamental oferecer às entidades um ambiente propício aos seus gostos. Para os caboclos, oferecem-se charutos, velas; para os pretos velhos, banquinhos, café, cachimbos, fumo; para as crianças doces e refrigerantes. Entre esses rituais, destacamos alguns elementos básicos para o perfeito transcorrer dos trabalhos, à seguir:
CORRENTE MAGNÉTICA
Muita gente ainda não sabe por que não se deve cruzar braços e pernas quando se assiste a uma gira de Umbanda. Para quem desconhecem isso parece estranho.
Ao redor do corpo humano existem correntes de energia circulando, uma em sentido contrário à outra; enquanto uma sobe, a outra desce, sem contudo se chocarem. Ao cruzarmos braços e pernas, misturamos a trajetória destes fluidos e consequentemente as linhas se chocam, resultando desequilíbrio no fluxo magnético, com dispersão da energia vibratória, cortando a corrente formada entre os presentes.
Semelhante ação ocorre no plano físico, quando cruzamos o circuito da corrente elétrica. Se encostarmos dois fios de luz, haverá o curto circuito, com prejuízo para algum aparelho elétrico ou fusível, queimando-os e cortando o fluxo eletrônico.
Como vemos, tudo obedece a leis lógicas e naturais, tanto no plano material quanto no astral.
DEFUMAÇÃO
A queima de ervas é um recurso usado para afastar fluidos perturbadores de lugares e de pessoas, muito usado em quase todas as religiões. É obrigatório no início dos trabalhos de terreiros em que se queira limpar o astral do ambiente. Para defumação, usa-se em geral plantas e ervas específicas. As mais recomendáveis são: alecrim, arruda, benjoim, alfazema, guiné, sândalo, incenso e mirra, podendo ser apenas uma, três, cinco ou sete delas.
As defumações podem também ser utilizadas para casas, carros, etc., eliminando os maus fluidos; para este tipo de ritual, pode-se utilizar os defumadores em cubo ou os que queimam em braseiro. Igualmente aos banhos, os restos das defumações devem ser despachados em água corrente.
PONTOS CANTADOS
São hinos de relevante importância na Umbanda, para a evocação das entidades. Estes cânticos permitem ao médium manter-se em equilíbrio real, e funcionam como verdadeiras preces. Sob suas vibrações é que o indivíduo percebe de maneira eficaz a aproximação das entidades, conseguindo melhor concentração para o trabalho espiritual.
O ponto cantado possui várias finalidades, apresentando-se como: ponto de chamada, aquele que é cantado apenas para evocar a entidade de trabalho daquela sessão; o ponto de subida, com o qual o guia se despede dos trabalhos daquele dia; há também os pontos de abertura e encerramento dos trabalhos, os de defumação, etc.
Em alguns casos, os pontos cantados podem ser acompanhados de palmas.
BANHOS
Os banhos se firmaram como sendo parte de uma liturgia religiosa. Sendo o médium um receptáculo de vibrações boas e más, deve zelar cuidadosamente pela saúde de seu corpo físico e astral. É muito comum também os filhos de fé tomarem banhos de descarga e de defesa, receitados pelas entidades. Há banhos que possuem sal grosso e ervas em sua composição, que devem ser preparados em infusão de água fervente pôr volta de 15 minutos, abafando o recipiente. Quando a água estiver morna, derrama-se sobre o corpo, do pescoço para baixo, sem banhar a cabeça. Não se deve molhar a cabeça porque muitas ervas se prestam para facilitar o desenvolvimento da mediunidade, "abrindo a mente". As ervas usadas no banho devem ser despachadas em água corrente, e devem ser usadas em seu estado verde, para não perderem as suas propriedades vibratórias.
GUIAS (COLARES)
As guias usadas para defesa ou para trabalhos nos terreiros são colares feitos de materiais facilmente imantáveis, condutores de correntes magnéticas.
Ajudam na invocação dos protetores, na concentração, captam bons fluidos, formando um círculo de vibrações benéficas ao redor da pessoa que os usa. Após um processo de 'cruzamento', ficam em ligação fluídica com as entidades espirituais. Uma guia só terá valor quando for cruzada por uma entidade incorporada.
A guia é usada praticamente em todo tipo de ritual, é um objeto sagrado.
Normalmente quando o filho de fé dá seus primeiros passos dentro da Umbanda, este fica com a primeira guia, que também é a mais importante. Ela é constituída de pedras de cerâmica, miçanguinha de cor branco leitoso.
Para tanto, as guias devem ser confeccionadas de matéria natural, não de plástico, pois este não é substância imantável. Cada linha possui seu material e cores apropriados.
Se uma guia quebra, procura-se recuperar o máximo de contas e depois devemos montá-la e consagrá-la novamente. Para cuidar-se bem das guias, devemos lavá-las de vez em quando com água do mar ou água e sal grosso, ou conforme solicitação do guia.
VELAS
O uso das velas é um ritual simples para qualquer religioso. O único pré requisito para o ritual com uma vela é a crença no que se está praticando.
Muitas são as pessoas que têm o costume de acender velas para seus anjos de guarda, ou mesmo para parentes e amigos já falecidos. Entendemos que é fundamental oferecer velas a estes, porém é aconselhável não fazer no interior de casa, pois além de evitar possíveis incêndios, também evita-se a presença de quiumbas que só prejudicam.
Os lugares adequados para acender velas são os velários de igrejas, com exceção de trabalhos feitos pelos guias, onde eles determinam como e onde se deve acender as velas.
O trabalho com velas é fundamental em um terreiro. Porém é através delas que as entidades auxiliam os filhos de fé na resolução de seus problemas. Na maioria dos trabalhos com velas é utilizada a de cor branca; porém ao uso de velas coloridas, deve-se possuir o consentimento do chefe do terreiro.
PATUÁS
O patuá é um objeto consagrado que traz em si a força mágica dos guias, a quem ele é consagrado.
É considerado um amuleto de proteção e sorte, porém só terá valor se for preparado por entidades incorporantes. Após o cruzamento do patuá, o mesmo é entregue ao filho de fé, que deverá guardá-lo em lugar próprio. Vale ressaltar que cada patuá é feito para apenas uma pessoa.
Os ingredientes mais utilizados na confecção de patuás são: figas de guiné, olhos de boi, cruz de caravaca, sementes variadas, ervas, etc.
ROUPA BRANCA
As roupas de um umbandista, quando em atividade dentro do terreiro, devem ser brancas e muito limpas. Elas devem ser guardadas em local sempre determinado. Não devem possuir nenhum luxo, apenas o essencial. Calças folgadas, camisetas não apertadas para deixar à vontade médiuns e cambonos.
As meias e peças íntimas também brancas são fundamentais. Os sapatos brancos, devem ser de sola de borracha (de preferência, tênis).
Essas roupas devem ser somente de uso nas giras, não podendo em hipótese alguma serem utilizadas em locais ou atividades diferentes.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
UMBANDA
" Umbanda é a montanha
Que todos terão que galgar.
Muitos serão os chamados
Poucos conseguirão chegar...!"
(extraído do boletim mensal nº. 1 'A Caridade', da Tenda Nossa Senhora da Piedade)
A palavra "Umbanda" ainda é uma dúvida, mas ela poderia vir do sânscrito AUM-BANDHA, o que significa 'o limite do ilimitado', ou 'o conjunto das leis divinas'. Antes do surgimento da Umbanda propriamente dita, existiam os chamados cultos de nações, que não permitiam que médiuns desenvolvidos incorporassem "eguns" (espíritos de mortos), e caso isto acontecesse, repeliam-os, pois não os aceitavam em lugar dos Orixás (espíritos de encantados, entidades que nunca encarnaram). Também nessa época, o Kardecismo não admitia que espíritos de índios, pretos velhos e crianças incorporassem em médiuns à mesa: ou mudavam
seus hábitos peculiares, ou seriam expulsos do local.
Os pretos velhos e índios, por sua vez, acostumados a seus hábitos característicos, não poderiam mudá-los, por isso eram deixados de lado; não podiam baixar em cultos afros nem em mesas kardecistas, porém necessitavam das comunicação e ensinar ao povo seus costumes, suas tradições.
Assim, a primeira incorporação de Umbanda se deu no dia 15 de Novembro de 1908, através do médium Zélio Fernandino de Morais, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando nesta data veio manifestar-se em mesa kardecista, solicitando que o 'cavalo' (médium de incorporação) preparasse no dia seguinte, na casa do médium, "uma mesa posta e toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar pudesse ser ouvida e orientada". O local seria batizado por "Tenda Nossa Senhora da Piedade", pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrem da Umbanda, ricos e pobres, negros ou brancos, inaugurando a primeira tenda de Umbanda no Brasil, no Rio de Janeiro, em 16 de Novembro de 1908. Aí então surgem manifestações em massa...Hoje, a Umbanda conta com mais de 40 milhões de adeptos só no Brasil.
As sete linhas da Umbanda
As linhas de proteção da Umbanda são baseadas em sete cores, à seguir:
- Cor Ouro: Iansã Orixá guerreiro que domina raios, chuvas e ventos Sincretizado com Santa Bárbara
- Cor Rosa: Ibejis Espíritos de crianças Sincretizado com Cosme e Damião
- Cor Azul: Iemanjá Vida gerada no útero materno - "Mãe Peixe" Sincretizado com Nossa Senhora da Conceição
- Cor Verde: Oxosse Natureza, as matas Sincretizado com São Sebastião
- Cor Vermelho: Ogum Patrono da força e garante a execução da lei Sincretizado com São Jorge
- Cor Marrom: Xangô Força da justiça Sincretizado com São Gerônimo
- Cor Roxo: Nanã Representa o elemento senil Sincretizado com Sant'ana
Zélio Morais explica que as cores branco e preto não fazem parte das Sete linhas, pois o branco é presença da luz e existe em todas as outras cores, e o preto é justamente a ausência da luz:
- Cor Branco: Oxalá O supremo, o chefe. A síntese de todas as cores irmanadas. Sincretizado com Jesus Cristo
- Cor Preto: Obaluaê (omulú) Chefe da falange dos mortos sincretizado com São Lázaro
Entidades da Umbanda
A Umbanda sustenta-se em três pilares: pretos velhos, caboclos e crianças.
São as entidades que os médiuns incorporam:
- Caboclos: espíritos de índios e mestiços que viveram antes e depois da descoberta do Brasil.
- Pretos velhos: almas de negros que morreram à época de cativeiro.
- Crianças (erês): espíritos de crianças que morreram em tenra idade.
Além dessas três entidades, manifestam-se ainda:
- Baianos: povo que faleceu quando habitantes do Nordeste brasileiro.
- Marinheiros: pessoas que faleceram nos mares e realmente eram marinheiros.
- Boiadeiros: vaqueiros
- Povo d'água: espíritos que não falam e emitem um canto triste.
- Ciganos: pertencentes à alma de ciganos. Fazem cura.
- Exus: entidades neutras, que são invocadas para desmancharem trabalhos e magias.
Apesar de existirem todas estas entidades, nos terreiros apenas as três primeiras (caboclos, pretos velhos, crianças) trabalham no desenvolvimento mediúnico, descarga de maus fluidos, dão orientações, passes, conselhos, curas, etc.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
MEDIUNIDADE
"Decálogo do Umbandista
Responder:
Ao mal com o BEM;
À intolerância com a FRATERNIDADE;
À calúnia com o PERDÃO;
À incredulidade com a FÉ;
À indiferença com a CARIDADE;
À arrogância com a HUMILDADE;
À intriga com a COMPREENSÃO;
À descrença com a ESPERANÇA;
À perseguição com a TOLERÂNCIA;
Ao ódio com AMOR!"
Mediunidade é o dom que tem o indivíduo de se comunicar com o plano espiritual, recebendo doutrinas, lições e informações dos espíritos de pessoas que já morreram e se encontram em plano diferente do nosso. É um dom que a pessoa recebe de Deus para trabalhar em benefício de pessoas que necessitam de ajuda,
orientação, preces. São vários os tipos de mediunidade:
Vidente - vê espíritos
- Clarividente - vê acontecimentos futuros
- Auditiva - ouve os espíritos
- de efeitos físicos - barulhos, quebra de objetos, etc.
- Curadora - faz cura de doenças
- Psicografia - escreve mensagens de espíritos
- Intuitiva - pressentimentos
- Incorporação (o mais comum) - incorporação de entidades
A verdadeira mediunidade não é exclusiva de pessoas ricas; ela pode manifestar-se em pessoas de diversas classes sociais, de diversas culturas, espiritualistas ou ateus, sábios ou ignorantes.
Para desenvolver a mediunidade é necessário estar ciente do que está praticando e principalmente ter vontade própria em fazê-lo. É necessário frequência nas giras em um único terreiro (pode-se visitar outro terreiro mas não se pode trabalhar) para que as entidades possam explicar-lhe todas as mirongas da Umbanda.
Frequentar diferentes terreiros mistura a energia vibracional das entidades, facilitando o recebimento de quiumbas (entidades más) que podem confundir o médium, principalmente durante o seu desenvolvimento. Além de cada terreiro seguir uma linha de trabalho que não deve ser misturada ou confundida.
Os médiuns de Umbanda não trabalham com Orixás, e sim incorporando guias e entidades que estiveram encarnados entre nós, ou seja, caboclos, pretos velhos, crianças, baianos, etc.
Os problemas espirituais que afetam a humanidade são de quatro espécies:
- Mediunidade
- Obsessão
- Trabalho feito
- Provação
Obsessão: um dos casos espirituais que mais oprimem o ser humano, que é o fato de um espírito desencarnado 'encostar' em uma pessoa, permanecendo ali devido às atitudes de baixas vibrações dela, sugando tudo o que resta de boas vibrações e bons pensamentos. Isto traz perturbações mentais e alterações de comportamento.
Trabalho feito: também conhecido como macumba, é praticado por pessoas fúteis e inconsequentes que desejam realizar seus desejos à qualquer preço. Em geral, é feito de modo verbal, quando rogamos pragas, invejamos algo, etc. Há também o feitiço criado por entidades de má fé ou pessoas que só praticam atos inescrupulosos.
Provações: "...somos livres para plantar; porém, uma vez plantado, teremos de colher os frutos da semeadura. Se plantarmos o bem, colhe-lo-emos no futuro; se semearmos o mal, tê-lo-emos no porvir..."
Quando alguém tem de passar por provações ('pedras' no caminho, como dizem as entidades), ninguém pode tirá-las ou cancelá-las. Elas se executam de uma ou outra forma. Quem procura terreiros na ânsia de livrar-se delas, está cometendo tolice. O que os guias podem fazer é minorar o sofrimento, pedindo à pessoa paciência, fé e esperança em superar a má fase, dando conselhos e orientações, pois estas provações provavelmente venham de vidas anteriores.
Todo médium deve seguir à risca alguns ensinamentos:
Não pode ser invejoso
Deve fugir ao despeito e ao ciúme
Deve ter cuidado com sua língua (cuidado na maneira de falar)
Deve respeitar as refeições à mesa
Deve evitar álcool, bares, cabarés, assim como qualquer outro lugar de influências negativas
Deve ser honesto consigo mesmo
Deve manter a higiene do lar
Deve manter a higiene do próprio corpo
Deve cuidar de suas roupas de trabalho no terreiro e seguir todas as regras dos rituais da Umbanda
Deve saber o valor da prece.
E assim estar ciente que a mediunidade é o dom de beneficiar pessoas, através das entidades, que necessitam de auxílio material e espiritual.
Toda a Prática de umbanda é gratuita, dentro do principio das leis de Deus: "Dai de graça o que de graça recebestes".
A prática Umbandista é realizada conforme Cristo disse: "Aonde estiver um ou mais falando de Deus ali estarei".
Amor e Ódio.
Quando o amor se transforma em ódio
Dizem que amor e ódio andam de mãos dadas. Mas, será que é realmente possível transformar o amor em ódio? Se você respondeu sim é hora de rever seus conceitos.
Por expressar uma variedade de formas de afeto que diferem em nível e intensidade, este sentimento costuma receber milhares de rótulos: amizade, carinho, ternura, companheirismo, entre outros.
Porém, na realidade, o que costumamos constatar é que nem sempre a expressão do amor dá-se por vias saudáveis. Um exemplo disto pode ser visto em certos tipos de relações conjugais, onde encontramos o exercício da "posse" mascarada sob a roupagem do "amor". Aqui, diante das dificuldades de convivência, os cônjuges comportam-se como verdadeiros inimigos transformando suas juras de amor em desavenças dentro do próprio lar ou, em casos extremos, em incansáveis disputas judiciais.
Mas, será que isto realmente pode ocorrer? Podemos transformar o amor em vingança?
Diz-se que, enquanto no amor temos a expressão do afeto em sua forma positiva, no ódio encontramos o total desapreço por aquele que se tornou alvo da nossa ira.
Desta forma, quando alguém nos diz que hoje odeia aquele que um dia jurou amar, podemos afirmar com certeza, que o que ele sentia por esta pessoa era tudo, menos amor. Isto porque o amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. Aqui o meu foco está voltado para o exterior, para o lado altruísta da relação e baseado na vontade que tenho de cuidar dos desejos e interesse alheio.
Como o amor não cobra, não exige, simplesmente flui incondicionalmente, a pessoa que ama verdadeiramente espera que o outro seja feliz, que tenha experiências que lhe propiciem o crescimento, mesmo que isto signifique abrir mão do desejo de estar em companhia do amado. Para estes indivíduos, a própria felicidade encontra-se atrelada ao bem-estar daqueles que eles escolheram ser o objeto de seu apreço, pois eles bem sabem que é impossível separarmos aquilo que nunca esteve unido de fato e que o amor pode se expressar de outras formas aquém da união física.
Certamente, aqui não quero dizer que não podemos ficar com raiva ou nos sentirmos magoados quando alguém, que julgamos amar, opta por outro caminho. Porém, se me decepcionei com esta pessoa é por que talvez eu tenha acreditado nela e não em sua essência.
Lembre-se que o tempo é um grande sábio e, como dizem, o melhor remédio para curar nossas feridas e enxergarmos com clareza a realidade que existia e não aquilo que havíamos criado frente as nossas carências internas.
Quando o amor se faz presente em nossos corações, conseguimos nos perdoar e aos outros também, entendendo que as pessoas passam por nossas vidas, para que possamos vivenciar lições úteis ao desenvolvimento de ambos.
Aprendamos, pois, a transformar a posse em amor, a olhar o que de positivo restou, pois sabemos que o que fica de uma relação é o que de verdadeiro existia nela: carinho, amizade, respeito ou, simplesmente compaixão pelo outro.
Mas, se o amor é isto como o ódio surge?
Para responder a esta pergunta, vamos primeiramente tentar entender o que significa odiar. Podemos descrever o ódio como uma paixão que nos impele a causar ou desejar mal a alguém. Ora, se ódio é paixão e esta um sentimento intenso que sobrepõe nossa lucidez e razão, o que encontraremos aqui é o apego, ou seja, o lado egoísta da relação. Neste caso, preocupamo-nos muito mais com a satisfação de nossos desejos pessoais, com nossas carências, com o controle do relacionamento afetivo, do que com a nossa capacidade de expressar o amor de forma incondicional.
Várias pessoas costumam acreditar que amam realmente alguém até surgir um obstáculo na relação. Quando o outro, por ação ou omissão, deixa de satisfazer seus desejos, muda seu padrão de comportamento, faz uma nova escolha, ou seja, começa a se afastar daquele modelo por elas idealizado, o sentimento de intensa frustração instala-se, levando-as a se fixarem no desejo de destruição daquele que julgam ser o grande culpado pela intensa dor emocional que atravessam.
Isto acontece porque costumamos entrar nas relações imaginando que o outro nos completará, satisfazendo nossos desejos e idealizações. Esquecemos, porém, que não podemos completar aquilo que só a nós compete: o preenchimento de nosso vazio interno. Que a relação envolve sentimentos de compreensão, companheirismo, troca, o saber ceder ou esperar. E, o mais importante, de que as pessoas não são nossos ativos, mas sim nós é que pertencemos ao mundo, tendo liberdade de vivências e escolhas, sejam estas agradáveis ou não para nós ou para o outro.
Sempre digo que, relação é conhecimento, é crescimento e que este pode se dar de inúmeras formas. Muitas vezes, quando nos relacionamos com alguém, costumamos ativar dinâmicas psíquicas não bem resolvidas em ambos, as quais resultam numa interação patológica. Isto pode ser facilmente observado nas situações onde a perfeição do outro se torna condição sinequanon. Nestes casos, quando nossas expectativas não são correspondidas, acabamos por gerar sentimentos de hostilidade que se transformam num jogo de culpas, cobranças e no aniquilamento das pessoas envolvidas.
Esquecemo-nos, porém, que enquanto nos "pré-ocupamos" em nos punir ou levar o outro à tortura, deixamos de viver novas experiências, de fazer novas escolhas, de aprender com o suposto erro, de nos respeitarmos enquanto seres merecedores de amor e compreensão e de encontrar o nosso verdadeiro caminho.
Cumpre-nos lembrar aqui também, que a dinâmica amor e ódio pode ser encontrada naqueles indivíduos que cultivam sentimentos de ciúmes. Isto porque o ciumento não consegue desenvolver o amor autêntico por confundir todas as relações com uma necessidade narcísica. Em outras palavras, estas pessoas não conseguem amar, mas sim precisam de um sentimento que são amadas, o que justifica que suas perdas sejam revestidas de uma posterior substituição. É diante da ameaça da perda que elas transformam sua paixão em ódio, sentimento este que reflete a baixa auto-estima e insegurança que as assolam.
Finalizando, lembre-se de que um verdadeiro encontro de almas só ocorre quando existe o real desapego e isto só é possível quando aprendemos primeiramente a nos amar, a nos respeitar e a nos valorizar, através do nosso autoconhecimento, ou seja, do contato com a nossa essência.
Em matéria de amor é importante ressaltar que as pessoas ficam juntas, não por necessitarem umas das outras, mas sim pela satisfação que sentem em compartilhar um mesmo sentimento, um mesmo ideal.
O amor não precisa de condições, ele basta por si só. Sendo assim, se apenas podemos refletir no mundo aquilo que temos dentro de nossa alma, que este algo seja o exercício do AMOR INCONDICIONAL, pois através dele o ódio nunca encontrará espaço para se manifestar. Amor e Ódio.zQuando o amor se transforma em ódio
Dizem que amor e ódio andam de mãos dadas. Mas, será que é realmente possível transformar o amor em ódio? Se você respondeu sim é hora de rever seus conceitos.
Por expressar uma variedade de formas de afeto que diferem em nível e intensidade, este sentimento costuma receber milhares de rótulos: amizade, carinho, ternura, companheirismo, entre outros.
Porém, na realidade, o que costumamos constatar é que nem sempre a expressão do amor dá-se por vias saudáveis. Um exemplo disto pode ser visto em certos tipos de relações conjugais, onde encontramos o exercício da "posse" mascarada sob a roupagem do "amor". Aqui, diante das dificuldades de convivência, os cônjuges comportam-se como verdadeiros inimigos transformando suas juras de amor em desavenças dentro do próprio lar ou, em casos extremos, em incansáveis disputas judiciais.
Mas, será que isto realmente pode ocorrer? Podemos transformar o amor em vingança?
Diz-se que, enquanto no amor temos a expressão do afeto em sua forma positiva, no ódio encontramos o total desapreço por aquele que se tornou alvo da nossa ira.
Desta forma, quando alguém nos diz que hoje odeia aquele que um dia jurou amar, podemos afirmar com certeza, que o que ele sentia por esta pessoa era tudo, menos amor. Isto porque o amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. Aqui o meu foco está voltado para o exterior, para o lado altruísta da relação e baseado na vontade que tenho de cuidar dos desejos e interesse alheio.
Como o amor não cobra, não exige, simplesmente flui incondicionalmente, a pessoa que ama verdadeiramente espera que o outro seja feliz, que tenha experiências que lhe propiciem o crescimento, mesmo que isto signifique abrir mão do desejo de estar em companhia do amado. Para estes indivíduos, a própria felicidade encontra-se atrelada ao bem-estar daqueles que eles escolheram ser o objeto de seu apreço, pois eles bem sabem que é impossível separarmos aquilo que nunca esteve unido de fato e que o amor pode se expressar de outras formas aquém da união física.
Certamente, aqui não quero dizer que não podemos ficar com raiva ou nos sentirmos magoados quando alguém, que julgamos amar, opta por outro caminho. Porém, se me decepcionei com esta pessoa é por que talvez eu tenha acreditado nela e não em sua essência.
Lembre-se que o tempo é um grande sábio e, como dizem, o melhor remédio para curar nossas feridas e enxergarmos com clareza a realidade que existia e não aquilo que havíamos criado frente as nossas carências internas.
Quando o amor se faz presente em nossos corações, conseguimos nos perdoar e aos outros também, entendendo que as pessoas passam por nossas vidas, para que possamos vivenciar lições úteis ao desenvolvimento de ambos.
Aprendamos, pois, a transformar a posse em amor, a olhar o que de positivo restou, pois sabemos que o que fica de uma relação é o que de verdadeiro existia nela: carinho, amizade, respeito ou, simplesmente compaixão pelo outro.
Mas, se o amor é isto como o ódio surge?
Para responder a esta pergunta, vamos primeiramente tentar entender o que significa odiar. Podemos descrever o ódio como uma paixão que nos impele a causar ou desejar mal a alguém. Ora, se ódio é paixão e esta um sentimento intenso que sobrepõe nossa lucidez e razão, o que encontraremos aqui é o apego, ou seja, o lado egoísta da relação. Neste caso, preocupamo-nos muito mais com a satisfação de nossos desejos pessoais, com nossas carências, com o controle do relacionamento afetivo, do que com a nossa capacidade de expressar o amor de forma incondicional.
Várias pessoas costumam acreditar que amam realmente alguém até surgir um obstáculo na relação. Quando o outro, por ação ou omissão, deixa de satisfazer seus desejos, muda seu padrão de comportamento, faz uma nova escolha, ou seja, começa a se afastar daquele modelo por elas idealizado, o sentimento de intensa frustração instala-se, levando-as a se fixarem no desejo de destruição daquele que julgam ser o grande culpado pela intensa dor emocional que atravessam.
Isto acontece porque costumamos entrar nas relações imaginando que o outro nos completará, satisfazendo nossos desejos e idealizações. Esquecemos, porém, que não podemos completar aquilo que só a nós compete: o preenchimento de nosso vazio interno. Que a relação envolve sentimentos de compreensão, companheirismo, troca, o saber ceder ou esperar. E, o mais importante, de que as pessoas não são nossos ativos, mas sim nós é que pertencemos ao mundo, tendo liberdade de vivências e escolhas, sejam estas agradáveis ou não para nós ou para o outro.
Sempre digo que, relação é conhecimento, é crescimento e que este pode se dar de inúmeras formas. Muitas vezes, quando nos relacionamos com alguém, costumamos ativar dinâmicas psíquicas não bem resolvidas em ambos, as quais resultam numa interação patológica. Isto pode ser facilmente observado nas situações onde a perfeição do outro se torna condição sinequanon. Nestes casos, quando nossas expectativas não são correspondidas, acabamos por gerar sentimentos de hostilidade que se transformam num jogo de culpas, cobranças e no aniquilamento das pessoas envolvidas.
Esquecemo-nos, porém, que enquanto nos "pré-ocupamos" em nos punir ou levar o outro à tortura, deixamos de viver novas experiências, de fazer novas escolhas, de aprender com o suposto erro, de nos respeitarmos enquanto seres merecedores de amor e compreensão e de encontrar o nosso verdadeiro caminho.
Cumpre-nos lembrar aqui também, que a dinâmica amor e ódio pode ser encontrada naqueles indivíduos que cultivam sentimentos de ciúmes. Isto porque o ciumento não consegue desenvolver o amor autêntico por confundir todas as relações com uma necessidade narcísica. Em outras palavras, estas pessoas não conseguem amar, mas sim precisam de um sentimento que são amadas, o que justifica que suas perdas sejam revestidas de uma posterior substituição. É diante da ameaça da perda que elas transformam sua paixão em ódio, sentimento este que reflete a baixa auto-estima e insegurança que as assolam.
Finalizando, lembre-se de que um verdadeiro encontro de almas só ocorre quando existe o real desapego e isto só é possível quando aprendemos primeiramente a nos amar, a nos respeitar e a nos valorizar, através do nosso autoconhecimento, ou seja, do contato com a nossa essência.
Em matéria de amor é importante ressaltar que as pessoas ficam juntas, não por necessitarem umas das outras, mas sim pela satisfação que sentem em compartilhar um mesmo sentimento, um mesmo ideal.
O amor não precisa de condições, ele basta por si só. Sendo assim, se apenas podemos refletir no mundo aquilo que temos dentro de nossa alma, que este algo seja o exercício do AMOR INCONDICIONAL, pois através dele o ódio nunca encontrará espaço para se manifestar.
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